Também aqui andamos ao contrário, falando quando o momento recomenda contenção, e não são apenas os "notáveis", como muitas vezes se quer fazer crer. Tenho dúvidas que o excesso de ruído chegue da mesma forma ao plantel - os jogadores vivem nos seus mundos muito particulares - como se propaga pelo clube , subindo das redes sociais, pela comunicação social até aos gabinetes de Alvalade. Pensar que esse ruído não afecta o discernimento de quem tem a tarefa de decidir é ingenuidade. Se atendermos a que o barulho é sempre maior quando mais preciso era o silêncio e a reflexão temos explicadas pelo menos uma parte significativa das precipitações.
Claro, uma boa liderança é impermeável às pressões e o ruído, dirão. Não sei se estamos a dizer que o dirigismo no Sporting é apenas acessível aos super-homens. Pior ainda é constatar que se apregoa que a liderança é fraca, o que por si só a fragiliza ainda mais quer interna quer externamente.
Proclama-se a preocupação com a situação financeira mas, na mesma frase, exige-se a venda de uma série de jogadores que, face ao nosso momento e à conjuntura geral, só pode ser mau negócio. E pedem-se prendas de Natal para um final de época que pouco mais se pode ganhar do que reconstruir o amor próprio.
Redescobrem-se as virtudes da formação porque a equipa B é um sucesso, (ignorando-se "estratégicamente" a virtude da decisão e sua autoria), mas rejeita-se a mesma formação que nos colocou uma série de jogadores na equipa sénior e que estão num estado mais evoluído das suas capacidades.
Promete-se apoio mas "com outros" e não "com estes" ignorando-se que um clube se constrói todos os dias, em cada momento. Julga-se o Sportinguismo na presunção de quem não só se acha mais Sportinguista que os outros, como se arvora o direito de decidir quem deveria ser ou não Sportinguista.
Não podia a fotografia ficar completa sem me debruçar pela ideia peregrina que é o protesto da Juve Leo. Compreendo como ninguém o seu desencanto e desespero face ao momento, que não será superior em nada aos demais. Mas a sua existência não faz sentido sem ser no estádio a apoiar a equipa quando ela mais precisa. Também o excesso de emoção parece estar a toldar o raciocínio a esta parte importante da família leonina.
Conheço muito bem o meio do futebol profissional para acreditar que os jogadores não querem ganhar ou que se aplicam menos por qualquer razão. Grande parte dessas teorias conspirativas não passam de mitos que servem como explicação para uma menor compreensão da importância que tem o treino e a táctica.
"Manguelas" há em todas as profissões, mas a regra é a necessidade do reconhecimento que só o jogar bem ou pelo menos as vitórias proporcionam. É o que que abre as portas aos melhores contratos para carreiras sempre pressionadas pela sua curta duração e pelas inúmeras vicissitudes. Pensar que os jogadores são o "inimigo" é uma visão enviesada e perigosa da realidade. O barco onde navegamos, adeptos e jogadores, é o mesmo, mas eles são, em campo, a nossa tripulação. O que não lhes falta são outros barcos para navegar mas nós só temos este.
Dizer que a época está totalmente perdida é um erro estratégico e simultaneamente contraditório com a exigência que se faz aos jogadores de respeitarem a camisola. É dizer que todo e qualquer esforço é inútil, quando podemos perder ainda muito e o temos o orgulho leonino para restaurar. E isso só se faz ganhando.















