Viver à altura de um lema
Viver à altura de um lema: “Esforço, Dedicação, Devoção e Glória... Eis o Sporting”
Agradeço o amável convite que o Leão de Alvalade me fez para compartilhar convosco algumas ideias sobre o Sporting neste espaço de excelência.
No princípio da década de oitenta, era eu pequeno, comecei a praticar ginástica no Sporting; como vivia ali ao pé frequentava assiduamente o Estádio, via treinos e meetings de atletismo em que brilhavam atletas como Fernando Mamede e Carlos Lopes acompanhados de perto pelo Prof. Moniz Pereira, conheci campeões como Pedro Miguel Moura do ténis de mesa, bem como muitos outros atletas que, mais ou menos anonimamente, tinham um enorme orgulho em envergar o símbolo do Leão rampante. Mas o futebol sempre fez com que o coração batesse mais forte e nesse capítulo tive o privilégio de conhecer o Senhor Travassos, uma das lendas do nosso clube. Junto à 10-A esperei e incentivei os nossos jogadores e do campo guardo na memória momentos épicos protagonizados pelo nosso grande capitão 'Manel' Fernandes, Jordão, Oliveira, Damas, Oceano, Pedro Barbosa e outros mais.
Porém, o clube foi mudando para pior, com o projecto Roquette – recheado de boas ideias, mas eivado de más práticas – passámos da mais forte associação multi-desportiva do país para um conjunto de sociedades comerciais dispendiosas, fracas e banco-dependentes. O nosso património foi dissipado, as eleições tornaram-se uma miragem e o ideal do clube foi posto na prateleira até ao momento em que o projecto rebentou estrondosamente e colocou o clube na unidade de cuidados intensivos, impondo a todos os que amam o clube o dever de zelar por ele em domínios que estão muito para lá da paixão (“engenharia” financeira, questões legais e
politiquices).
Apesar do ecletismo ser, justamente, um dos maiores orgulhos do Sporting, devendo continuar a sê-lo, não podemos escamotear a circunstância do futebol ser o motor do clube. E o futebol em si mesmo é um jogo simples, mas o facto de ser jogado por homens introduz-lhe tantas variáveis quantos os seus participantes, dentro e fora do relvado. Há variáveis que não controlamos e outras que um verdadeiro sportinguista nunca quererá controlar, mas há pontos em que, sejam quais forem as variáveis, tornam a segurança nos bons resultados uma realidade mais próxima.
São eles:
– Liderança: um bom líder é fundamental para reconhecer e reforçar as virtudes de todos, se for um óptimo líder até consegue fazer das fraquezas pontos fortes; a selecção de líderes intermédios e de topo tem de ser criteriosa, devendo recair, preferencialmente sobre sportinguistas, que reúnam algumas características fundamentais: experiência, sabedoria, ética e carisma. Diga-se de passagem que no momento e de acordo com estes critérios, nenhum dos três responsáveis pelo futebol do clube ficaria no seu posto;
– Ética: se há um elemento que faz parte do ADN do Sporting e que deve continuar a fazer é uma firme postura ética e de fair play, mas isso também implica não compactuar com quem desvirtua o futebol e o desporto em geral através de métodos indignos. O desporto sem ética não passa de um espectáculo encenado e quem anui directa ou complacentemente com isso torna-se cúmplice dessa farsa;
– Competência: devemos exigir a máxima competência de quem enverga o nosso símbolo, fomentando a exigência faremos com que atinjam o seu máximo, que é o mínimo que se deve pedir a quem tem a honra de envergar o Leão rampante, símbolo com 104 anos de história com muitas páginas de ouro do desporto português;
e finalmente,
– Estratégia: há que definir estratégias claras para o clube; no caso do futebol, há muito que concordo com o modelo defendido por alguns sócios (como o PLF), que preconizam que ao formar dezenas de jovens em diferentes escalões com um determinado modelo de jogo, este deveria estender-se até à equipa principal (veja-se o maravilhoso trabalho do hóquei). Por sua vez, a equipa principal apenas deveria ser enriquecida com a contratação de jogadores que, após sinalização e criteriosa observação pelo clube, encaixassem no seu modelo de jogo. A própria escolha do treinador tinha de ter como condição o respeito, ainda que parcial, por esse modelo de jogo.
O texto já vai longo e peço que me desculpem se vos maço. Mas sou sócio há vinte e três anos, a minha filha também é sócia e tento pensar sob que critérios é que devo avaliar quem está, ou quer estar à frente dos destinos do nosso clube, do nosso grande amor. Este é o resumo das minhas ideias, mas só com o nosso esforço, a nossa dedicação e a nossa devoção podemos atingir a glória. A solução está no lema e cabe-nos a nós cumpri-lo -não temos o direito de nos intitularmos Leões se não tentarmos.
Saudações Leoninas.
10A / Pedro Ruivo
No princípio da década de oitenta, era eu pequeno, comecei a praticar ginástica no Sporting; como vivia ali ao pé frequentava assiduamente o Estádio, via treinos e meetings de atletismo em que brilhavam atletas como Fernando Mamede e Carlos Lopes acompanhados de perto pelo Prof. Moniz Pereira, conheci campeões como Pedro Miguel Moura do ténis de mesa, bem como muitos outros atletas que, mais ou menos anonimamente, tinham um enorme orgulho em envergar o símbolo do Leão rampante. Mas o futebol sempre fez com que o coração batesse mais forte e nesse capítulo tive o privilégio de conhecer o Senhor Travassos, uma das lendas do nosso clube. Junto à 10-A esperei e incentivei os nossos jogadores e do campo guardo na memória momentos épicos protagonizados pelo nosso grande capitão 'Manel' Fernandes, Jordão, Oliveira, Damas, Oceano, Pedro Barbosa e outros mais.
Porém, o clube foi mudando para pior, com o projecto Roquette – recheado de boas ideias, mas eivado de más práticas – passámos da mais forte associação multi-desportiva do país para um conjunto de sociedades comerciais dispendiosas, fracas e banco-dependentes. O nosso património foi dissipado, as eleições tornaram-se uma miragem e o ideal do clube foi posto na prateleira até ao momento em que o projecto rebentou estrondosamente e colocou o clube na unidade de cuidados intensivos, impondo a todos os que amam o clube o dever de zelar por ele em domínios que estão muito para lá da paixão (“engenharia” financeira, questões legais e
politiquices).
Apesar do ecletismo ser, justamente, um dos maiores orgulhos do Sporting, devendo continuar a sê-lo, não podemos escamotear a circunstância do futebol ser o motor do clube. E o futebol em si mesmo é um jogo simples, mas o facto de ser jogado por homens introduz-lhe tantas variáveis quantos os seus participantes, dentro e fora do relvado. Há variáveis que não controlamos e outras que um verdadeiro sportinguista nunca quererá controlar, mas há pontos em que, sejam quais forem as variáveis, tornam a segurança nos bons resultados uma realidade mais próxima.
São eles:
– Liderança: um bom líder é fundamental para reconhecer e reforçar as virtudes de todos, se for um óptimo líder até consegue fazer das fraquezas pontos fortes; a selecção de líderes intermédios e de topo tem de ser criteriosa, devendo recair, preferencialmente sobre sportinguistas, que reúnam algumas características fundamentais: experiência, sabedoria, ética e carisma. Diga-se de passagem que no momento e de acordo com estes critérios, nenhum dos três responsáveis pelo futebol do clube ficaria no seu posto;
– Ética: se há um elemento que faz parte do ADN do Sporting e que deve continuar a fazer é uma firme postura ética e de fair play, mas isso também implica não compactuar com quem desvirtua o futebol e o desporto em geral através de métodos indignos. O desporto sem ética não passa de um espectáculo encenado e quem anui directa ou complacentemente com isso torna-se cúmplice dessa farsa;
– Competência: devemos exigir a máxima competência de quem enverga o nosso símbolo, fomentando a exigência faremos com que atinjam o seu máximo, que é o mínimo que se deve pedir a quem tem a honra de envergar o Leão rampante, símbolo com 104 anos de história com muitas páginas de ouro do desporto português;
e finalmente,
– Estratégia: há que definir estratégias claras para o clube; no caso do futebol, há muito que concordo com o modelo defendido por alguns sócios (como o PLF), que preconizam que ao formar dezenas de jovens em diferentes escalões com um determinado modelo de jogo, este deveria estender-se até à equipa principal (veja-se o maravilhoso trabalho do hóquei). Por sua vez, a equipa principal apenas deveria ser enriquecida com a contratação de jogadores que, após sinalização e criteriosa observação pelo clube, encaixassem no seu modelo de jogo. A própria escolha do treinador tinha de ter como condição o respeito, ainda que parcial, por esse modelo de jogo.
O texto já vai longo e peço que me desculpem se vos maço. Mas sou sócio há vinte e três anos, a minha filha também é sócia e tento pensar sob que critérios é que devo avaliar quem está, ou quer estar à frente dos destinos do nosso clube, do nosso grande amor. Este é o resumo das minhas ideias, mas só com o nosso esforço, a nossa dedicação e a nossa devoção podemos atingir a glória. A solução está no lema e cabe-nos a nós cumpri-lo -não temos o direito de nos intitularmos Leões se não tentarmos.
Saudações Leoninas.
10A / Pedro Ruivo
