Being football manager
No post do passado sábado propus aqui a discussão sobre aquisições e vendas, pretendendo chamar à atenção para o perigo de, mexendo em excesso no plantel, juntamente com a liderança técnica, começarmos a próxima época atrás dos nossos adversários. E concluía que, além do risco desportivo, sobrevinha ainda o risco financeiro, isto para um clube de parcas receitas, as mais débeis dos 3 grandes.
Mesmo correndo o risco de aborrecer os nossos leitores, volto à carga com o assunto. Isto porque na caixa de comentários foram apontadas muitas “soluções” sem contudo se notar preocupação em fazê-las acompanhar do necessário realismo. Por isso nada melhor do que servir-me de um exemplo, citando precisamente um leitor do “ANorte”, para reforçar a minha chamada de atenção. Esse mesmo leitor advogava a saída de 12 jogadores, a saber: Tiago, Ricardo Batista, Abel, Pedro Silva, Polga, Adrien, Pereirinha, Miguel Veloso, Izmailov, Vukcevic, Djalo, Hélder Postiga. O que eu sugiro então é que façam um pequeno exercício, de papel e lápis ou folha Excel. De um lado ponham o valor resultante da venda de cada um desses jogadores, do outro o jogador que o substituiria e o que teriam que pagar por ele.
Mesmo usando a perspectiva mais optimista para a venda e a que nos seja mais favorável na hora de comprar, apurem a diferença. Não prescindindo do necessário realismo, poderão muito bem concluir que alguns desses jogadores não suscitarão qualquer interesse no mercado. Ora, uma vez que quase todos eles têm contrato em vigor, a sua dispensa significará que o seu vencimento continuará a assombrar-nos a tesouraria se não conseguirmos clube que o assegure por inteiro. E, acreditem, todos os clubes têm sabido explorar muito bem as nossas “necessidades”, como se viu recentemente com Rochemback e Romagnoli.
Eu até não gosto muito de falar de dinheiro, mas todos sabemos que é com ele que se compram os melões. E sem ele recorre-se ao endividamento e aumento de passivo. Não vos parece que disso já temos que chegue? A não ser que se queira seguir o modelo do clube da Luz. Escrevo no dia seguinte a mais uma operação de controlo e reestruturação de um passivo que de 2008 a 2009 disparou 90,7 % “and couting”. Se é para isto, as noticiais do adiamento da nossa tão falada reestruturação financeira só podem ser consideradas boas. É que deixar um Sporting viável aos nossos netos é mais importante para mim do que “fazer o que for preciso” para ser campeão e com isso hipotecar o futuro.
Aceito que o Sporting tenha que investir, obviamente. Mas, como diz muito bem desde o PLF, o Sporting já investiu mais do que o que tem e, se quer ser fiel á ideia de um clube formador, sem limitar as perspectivas de afirmação aos que, de todo o mundo, recorrem à nossa Academia para se receberem aquilo que ali se faz com distinção ímpar: ensinar a jogar futebol. Sem essa perspectiva condenamos a Academia a um mero lugar de passagem, de excelência na formação, mas sem qualquer proveito para o Espírito Leonino. Os que a procurarem fá-lo-ão para ser jogadores de futebol em qualquer lugar do mundo, não para serem jogadores do Sporting. E isso fará toda a diferença, pelo menos é assim que o vejo.
PS: Fico satisfeito com o pedido de desculpas de Izmailov. Fazê-lo como o fez diz muito do carácter do jogador. Elas eram devidas pelos danos que as suas declarações haviam provocado, sobretudo à competência profissional de Gomes Pereira. O que veio a público do triste episódio é apenas a ponta de um iceberg que já provocou muitos estragos ao Sporting, seria uma pena que se prolongasse até à contagem de baixas.
