A conferência de imprensa e o que pode fazer o Sporting
Como era de esperar o Sporting tomou uma posição oficial sobre o sucedido no jogo com o Vitória de Setúbal. Deixo aqui algumas notas que decorrem da conferência de imprensa ontem realizada no Estádio de Alvalade.
Como falou Bruno de Carvalho
A primeira nota vai para o tom em que decorreu a comunicação do presidente Bruno de Carvalho. Muito diferente das suas primeiras aparições já depois de investido no cargo, afastando-se do estilo "pintodacostiano" na forma de interagir com os jornalistas. É uma questão de gosto pessoal, no meu caso entendo que se adequa melhor à imagem que projecto de um presidente do Sporting. Se há modelo a seguir esse é o de João Rocha, cujo desaparecimento ocorreu há cerca de um ano e não de alguém que desde a primeira hora declarou guerra ao Sporting.
Fez bem em realçar o tratamento desigual dado ao Sporting em relação aos outros rivais:
"Se o campeonato está
decidido? Penso que há várias lutas: a luta pelo primeiro lugar, pelo
segundo e o prémio de compensação, que é o terceiro. São tantas forças a
puxar para cima (Benfica) e para baixo (FC Porto) que não tenho dúvida"
O primeiro lugar é agora uma miragem e, se as coisas continuam como estão o segundo seguirá o mesmo caminho.
Fez bem em realçar o facto de a equipa não ter jogado bem em Setúbal, da mesma forma que FCP e SLB não jogaram bem alguns jogos. Não cabe aos árbitros introduzir, pela sua acção, a justiça no resultado.
Para quem falou Bruno de Carvalho?
No seu essencial a conferência de imprensa foi dirigida mais para dentro do clube, com um apelo dirigido aos sócios e adeptos do clube do que propriamente para o exterior, como seria de supor. Talvez se possa perceber mais adiante, em poucos dias, que objectivos específicos se pretendem com este apelo uma vez que, por si só e no geral, o apelo é desnecessário. Não há sportinguista que não repudie o actual estado de coisas, que não se sinta indignado e que, por essa razão, não se sinta mobilizado, falta apenas dizer o que se pretende que façam.
Isto constatado, parece-me que o presidente deveria ter visado mais longe e utilizado outros meios ao seu dispor. As imagens valem mais do que mil palavras e teria preferido que as usasse para documentar e contextualizar as suas/nossas mais que justas reclamações. Tinha ao seu dispor as imagens ainda frescas do jogo de Setúbal, mas poderia também socorrer-se das do jogo com o Rio Ave, Nacional, Académica, do jogo com o Benfica, na Taça de Portugal. Dessa forma aproveitar-se-ia melhor o horário de prime-time e cortava o pio aos verdadeiros calimeros, cuja casca de ovo em frente aos olhos só é retirada para ver o que lhes interessa, quando lhes interessa.
Espero que tenha falado muito em particular para Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem. Como Sportinguista que é espero que lhe doa a consciência. O trabalho que vem fazendo à frente deste organismo ainda não conseguiu melhorar o desempenho médio dos árbitros a nível nacional, deitando por terra a projecção internacional de Proença. E isso é assim porque não tem conseguido afastá-los da imagem de comprometimento, do nevoeiro de suspeição que há muito envolve o futebol português porque continuam - até ele próprio - a tratar de forma diferente o que é e quem deveria ser tratado por igual.
O que pode fazer o Sporting?
Muito pouco, como o próprio Bruno de Carvalho deu a entender, pelo menos no curto/médio prazo. As eleições na Liga têm um interesse residual, mas, atenção, não são de todo despiciendas. Para se produzir alterações no actual regime o Sporting tem de lutar pela conquista de apoios, de forma a garantir alguma massa critica e a Liga é o local onde se reúnem os clubes. Um clube formador como o Sporting tem activos que podem ser importantes para parcerias que não se ficariam apenas pelo empréstimo de jogadores, esse podia ser apenas o pretexto para a confluência de interesses e união de esforços.
As eleições na Federação, onde está agora localizado o poder, vêm ainda longe e é sempre tarde para começar a pensar numa estratégia de médio/longo prazo. Isto no que diz respeito ao meio futebolístico propriamente dito.
Acontece que o futebol, apesar de viver num mundo muito próprio, não vive isolado. Há pontos de intersecção e quase todos eles, pelo menos os mais importantes, têm a ver com a economia. O Sporting tem nas suas fileiras sócios e simpatizantes que são lideres no meio empresarial, no comércio, distribuição, na Justiça e até no governo. Se Bruno de Carvalho quer convocar os Sportinguistas julgo que chama todos sem excepção. Sentar todos à mesa e pensar em duas vertentes:
- Pedir a contribuição de todos, auscultando-os sobre como se pode alterar o actual estado de coisas.
- Pensar em como TODOS podem contribuir para fazer sentir que a importância do clube se pode fazer sentir muito além do mero espaço delimitado pelas linhas de um campo de futebol, que o Sporting representa uma força social alargada, despertar todas as forças vivas do Sporting Clube de Portugal.
Tal não limitaria o poder decisório dos actuais órgãos sociais, mas poderia significar um mais vasto leque de opções do que as estão a ser consideradas no presente e poderia constituir um reforço do espírito de corpo e da vitalidade do clube.
No curto prazo pouco mais podemos fazer que jogar muito mais e melhor de forma a precaver-nos dos erros dos árbitros. Umas vezes chegará, no caso do jogo de Setúbal deveria ser muito difícil. Essa é a realidade nua e crua e cuja alternativa não o chega a ser: acomodar às circunstâncias, desistir.
A ideia de manifestações públicas de repúdio são-me pouco atractivas. São úteis para vazar o descontentamento, exibição de estados de alma que, na sua maioria tendem mais a ridicularizar a imagem do clube do que a surtir qualquer efeito prático.
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Nota importante:
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SPORTING CP x FC Porto
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