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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Humildade, lições e actos de contr(ad)ição

Quem está de fora do circulo restrito do futebol profissional do Sporting não está na posse de todos os dados para poder efectuar uma análise rigorosa e certeira nem sobre o momento nem sobre as dinâmicas que afectam as relações entre os diversos grupos (dirigentes, técnicos, jogadores) e os elementos que os compõem. 

Mas observando de fora é fácil constatar que por lá já se viveram melhores dias, sendo legitima - e sobretudo preocupante -  a dúvida sobre a existência de uma fractura entre os diversos grupos e/ou indivíduos. A observação do segundo jogo de Chaves, por força dos tristes acontecimentos nos balneários do jogo anterior, que mais uma vez projectaram o Sporting para as parangonas dos média pelos piores motivos, não nos deram razões para grande tranquilidade. Veremos os próximos capítulos para perceber melhor.

A apreensão não diminui nas promessas de rápida lipoaspiração dos excessos de gordura no plantel e ainda menos quando se fala na diminuição de poderes de Jorge Jesus na contratação de jogadores no futuro imediato. O emagrecimento do plantel é compulsivo, face às obrigações que ainda restam para o resto da época, não resultando por isso de uma verdadeira estratégia. E a promessa da transição do poder de contratar de um gabinete para outro também não o é. Estratégia seria haver total coordenação interna quer entre SAD e treinador e entre estes e os diversos departamentos, incluindo os ligados à formação. 

Uma grande dúvida porém se levanta: se os plenos poderes de Jorge Jesus dão para encher agora uma mini-van de desperdício (pelo menos sete...) os plenos poderes nos quatro anos de mandato da actual SAD talvez não chegue um autocarro. Até mais do que um, se alargarmos a análise às sucessivas intervenções pouco cirúrgicas até à equipa B e juniores. Tudo isto se explica de forma simples: a tão propalada estrutura resume-se praticamente a dois nomes: Jorge Jesus e Bruno de Carvalho. 

Para o bem do Sporting não tenho dúvidas que o futuro será melhor se conseguissem trabalhar de forma coordenada, apoiada numa rede de profissionais competentes e de saber feito, quer do ponto de vista académico, quer de experiência de vida. O que comummente se chama estrutura. Duvido que haja, crendo mesmo que se alguma vez tivemos se perdeu na espuma dos dias e das permanentes alterações. E para que tal acontecesse seria preciso uma dose muito generosa de humildade de ambas as partes, o que não se me afigura fácil de acontecer.  Pelo histórico de ambos, é mais provável que as as actuais baixas temperaturas cheguem primeiro aos infernos.

O recente acto de contrição faceboquiano do presidente é meramente estratégico por quem se sente acossado, sendo a contradição inicial um claro indicio disso mesmo. A retirada de poderes a Jorge Jesus significa um passo atrás, contradizendo a promessa de não o dar - "Não irei dar um passo atrás para apaziguar algumas almas". E é realizado com o óbvio propósito para apaziguar senão as almas pelo menos a contestação.

Mas representa a negação de algo ainda mais substancial: a existência de um verdadeiro projecto, pelo menos no que isso está relacionado com planificação e com linhas orientadoras bem definidas. Bastou um pouco mais de dinheiro primeiro e os maus resultados provacados pelo seu mau uso para se perceber.

Sabe-se ainda muito pouco sobre como Jesus está a viver este momento e como ficarão as relações com Bruno de Carvalho. Mas há dúvidas que não tenho:
- O Sporting está bem servido de treinador e esse treinador ser-nos-ia muito mais útil se tivesse por trás uma estrutura profissional e competente.

- O Sporting não pode estar refém dessa ligação. Não há insubstituíveis, basta olhar ao que sucedeu ao rival após a saída de Jesus, não precisando de um treinador consagrado para estar bem servido, demonstrando que a escolha de um treinador que se adeque às necessidades de um clube foge muito aos lugares comuns que se usam habitualmente.

- Foi o sentimento de superioridade gerado pela realidade que encontrou no Sporting que o atraiçoou, negligenciando a necessidade de o conhecer de forma abrangente e em profundidade. Certamente que se o tivesse feito não teria cometido alguns dos erros que agora o expõem. 

- Jesus não aceitará o que foi feito quer a Marco Silva quer a Leonardo Jardim.
Nem um nem outro parecem estar muito dispostos a serem confrontados com as suas próprias limitações e insuficiências ou a entender a necessidade de ouvir outras opiniões.  Ora, se não perceberem os erros cometidos, o mais provável é que eles, mais tarde ou mais cedo venham novamente a ocorrer.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O fim do tabu que nunca o foi e o regresso dos notáveis


Finalmente com uma réstia de tempo (mais ou menos...) para escrever, vou-me debruçar sobre os temas que recentemente ocuparam a atenção dos Sportinguistas e me captaram a atenção. Não falarei sobre o recente jogo com o Varzim porque, para lá da pobreza da exibição e da preocupação que ela suscita nada há de relevante a dizer sobre ele.

Bastaram seis dias para Bruno de Carvalho afastar as dúvidas sobre a sua própria candidatura. A essa decisão muito terá ajudado o aparecimento de um candidato, Pedro Madeira Rodrigues. A rapidez com aparece uma lista cheia de nomes para uma comissão de honra confirma que o tabu da recandidatura nunca o foi verdadeiramente. Sobre esta não só a vejo como natural como necessariamente saudável. É a forma mais democrática de sujeitar o mandato que agora termina à imprescindível avaliação dos sócios.  

Ora até agora ambas as candidaturas não produziram mais do que palavras de circunstância, bem como as habituais paradas e respostas, resultantes da marcação cerrada que cada um dos movimentos passarão a dedicar uma a outra. O que de mais relevante me chamou à atenção foi a já famosa “Comissão de Honra” pela sua composição e sobretudo pelo seu significado.

Composição 
Relativamente à sua composição há uma nota significativamente positiva que assinalo, que é a sua inclusividade e abrangência. Essa é uma característica que respeita a natureza do próprio clube e uma das razões da sua grandeza. Sobre a inclusão de elementos não Sportinguistas nem me pronuncio.

Há porém na composição da famigerada lista uma notável incongruência e inflexão que não pode deixar de ser assinalada, tendo em conta aquela que era uma das notas mais destacadas do discurso que trouxe Bruno de Carvalho e dos que lhe eram mais próximos. Isto leva-me a uma série de perguntas que me parecem não apenas oportunas mas imprescindíveis:

Era aquele discurso meramente circunstancial e por isso puramente oportunista, com o único objectivo de ganhar as eleições?

Como convivem na mesma lista nomes de pessoas que durante anos foram e acusadas  de autores e cúmplices de malbaratarem o património do clube com aqueles que os responsabilizaram por esses actos e puseram em causa a sua dignidade e honorabilidade?

É a integração de alguns elementos uma tentativa de pacificação ou uma mera tentativa de reabilitação de alguns dos seus integrantes?

Como é possível condenar mandatos de ex-presidentes e “absorver” e reabilitar aqueles que, no âmbito das funções que lhes estavam atribuídas, deveriam ter fiscalizado as suas actuações e não só foram coniventes como ainda emitiram pareceres favoráveis e quase sempre elogiosos?

Como é que passarão a partir de agora a ser apodados os elementos ligados às gestões anteriores, mas que agora o seu nome honra esta candidatura?

A lista tem estado em permanente actualização. Atendendo à presença de Paulo Paiva dos Santos ela tem que ser actualizada à noite e depois logo imediatamente pela manhã?

Significado
Porém mais importante que discutir a lista de forma nominal é o seu significado, até porque dela fazem parte nomes que se confundem com a história do Sporting. A sua simples constituição na candidatura de Bruno de Carvalho não pode deixar de ser uma surpresa, mas desagradável. Significa o regresso do conceito de notáveis, uma das marcas mais profundas e nefastas do período do chamado “Roquetismo”, um dos conceitos mais fracturantes entre os Sportinguistas.

Como foi notório para a generalidade dos Sportinguistas, muitos daqueles nomes do  passado, e juntamente com muitos do presente, tudo o que têm a dar ao clube: o nome numa lista. Sem convites-ofertas e outras prebendas não terão qualquer interacção com o clube. 

Muitos herdaram o Sportinguismo por inerência familiar e o clube não passa de uma qualquer propriedade que se visita em dias festivos e é encarado como um parente pobre e inconveniente nos momentos de maior necessidade. Muitos dos que estão nesta lista não alteraram este comportamento mesmo quando foram investidos nas funções de dirigentes.

Notáveis são todos aqueles adeptos que correm o país com as equipas às costas para lhes prestar apoio. Notáveis são aqueles que com sacrifício próprio e dos seus despendem recursos e energia para não deixarem as nossas camisolas ao abandono. Ainda mais notáveis são aqueles que não deixam ao abandono as parentes pobres do nosso desporto, as chamadas “modalidades”. Notáveis são todos aqueles que se entregaram de alma e coração ao clube sem saberem antes o que receberiam de volta.

Não posso por isso deixar de me espantar com constituição de uma lista deste género por parte de quem se anunciava como a mudança e em menos de quatro anos absorveu e respira os velhos procedimentos. O seu aparecimento tresanda a mofo e tem o enorme carimbo do antigamente.

Sempre entendi que a renovação que o Sporting precisava – e pelos vistos continua a precisar – não era de pessoas porque os Sportinguistas são insubstituíveis, apenas têm que estar nos lugares onde mais são úteis e capazes. Não precisava nem de uma revolução geracional ou de classes porque sempre foi inclusivo. O que o Sporting precisa é de uma revolução de mentalidades e de competência, que os resultados desportivos demonstram estar ainda por suceder. Precisa de um nível de exigência mais apurado e menos autocomiseração.Menos olhares para o quintal dos vizinhos, pelo menos até ao nosso estar devidamente arrumado e limpo.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Walk the way you talk, Bruno - Uma visão externa

Este blogue constrói-se de opiniões pessoais por isso é muito raro aqui a colocação de opiniões externas. Hoje, excepcionalmente deixarei um artigo do jornalista do MaisFutebol Sérgio Pereira porque, como visão externa, me parece interessante e equilibrado, merecendo por isso atenção. No fundo, e de forma resumida, para se assumir como uma força de mudança tem que adequar o discurso à prática. A sua publicação não significa porém total concordância, porque a minha opinião é diferente. 

O artigo:

Ponto prévio: já tive oportunidade de conversar informalmente duas ou três vezes com Bruno de Carvalho e em todas elas saí do encontro bem impressionado com o presidente.

Pensa o futebol da maneira que eu penso, e que, acredito, é a correta. 

Bruno de Carvalho defendeu, por exemplo, a centralização da venda dos direitos televisivos, não como se faz em Inglaterra mas num modelo próximo do italiano. Na Série A, recorde-se, as receitas televisivas são distribuídas pelos clubes tendo em atenção vários factores: adeptos do clube, habitantes da cidade, resultados do ano anterior e média de resultados das últimas cinco épocas. Como se sabe esse não foi o caminho seguido, muito por culpa do Benfica, é verdade. 

Bruno de Carvalho sempre se insurgiu contra o paradigma que assiste à existência da Liga de Clubes. Diz ele que as reuniões na Liga só servem para discutir arbitragem: um presidente queixa-se do último penálti, um diretor duvida de determinado fora de jogo. Ninguém discute os temas de facto importantes para o futebol. Por isso defendia que a Liga de Clubes devia mudar, para se aproximar do que acontece em Inglaterra: tornar-se uma unidade de negócio. Basicamente seria uma entidade privada detida pelos clubes da I Liga, sendo que cada clube tem um certo número de ações da Liga. Quando desce o clube cede a participação ao clube que sobe, mas durante dois anos recebe parte das receitas televisivas para não se gerar um fosso grande.

Tudo isto permitiria à Liga de Clubes tornar-se um espaço  apenas para tratar do negócio futebol: negociação dos direitos televisivos, de patrocínios, de contratos de publicidade. Tudo o que é arbitragem, tudo o que é disciplina, tudo o que não faz parte do negócio futebol passaria para comissões independentes. Mais uma vez muito bem: totalmente de acordo. Mas ainda há mais.

Bruno de Carvalho defendia também que os presidentes dos clubes não têm de ser amigos, mas têm de ser capazes de trabalhar em conjunto pela valorização do negócio futebol, sob pena de um dia destes os clubes não terem audiências.

Criticava ele que os dirigentes são os primeiros a desvalorizar o jogo, enchendo-o de suspeição e negatividade, e acrescentava que era preciso tornar o negócio um produto mais charmoso, atraente e sedutor. O que traria mais público, mais dinheiro e um melhor futebol.

Admirável, não é?

Infelizmente o que se vê do presidente do Sporting não tem muito a ver com o que ele defende que devia ser o futebol português. O que se vê é Bruno de Carvalho em tricas constantes com dirigentes, árbitros e até treinadores.

Um presidente constantemente na crista da onda, e nem sempre pelos melhores motivos. O que é mais doloroso é que Bruno de Carvalho é um dirigente jovem, que acabou de chegar ao futebol.

Não é um homem sem formação, não traz vícios de antigamente, sabe o que o negócio precisa, mas mesmo assim comporta-se como todos os outros: achando que quem grita mais, está mais perto de ganhar jogos. Há dias, o treinador Marc do Santos, que está a trabalhar nos Estados Unidos, dizia  ao Maisfutebol que gosta de seguir um velho ditado americano.

Walk the way you talk.

O futebol português precisa desse Bruno de Carvalho: que reflita sobre os temas importantes, que tenha ideias frescas e que caminhe do jeito que fala.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Entre baforadas ou cuspidelas há um autogolo indefensável

A revelação das imagens da refrega entre Bruno de Carvalho e Carlos Pinho ontem efectuada pela SIC é mais um dos muitos episódios que o futebol português é infelizmente muito profícuo. A cena seria normal se passada num qualquer Canelas das distritais, entre dirigentes de futebol profissional é inqualificável. 

Para o Sporting, tendo o seu presidente como protagonista é demolidor. Não apenas pelo que um episódio degradante como este representa para um clube centenário, mas também para a bandeira tantas vezes empunhada por Bruno de Carvalho da ética, transparência e da necessidade de reforma e regeneração do futebol português. Não se reforma com retórica, mas sim com práticas. 

Acaba de ser uma questão de somenos ter havido ou não cuspidela - para a questão disciplinar não será - toda a cena é degradante e devia e podia ter sido evitada. As tentativas de defesa de um autogolo destes não é apenas ridículo, mas acaba por significar a validação de um comportamento indigno e reprovável e por isso mesmo permitindo a possibilidade da sua repetição.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O ensurdecedor barulho dos talheres

Ainda não começou o tempo oficial da campanha eleitoral que levará os Sportinguistas às urnas mas é cada vez mais notório que esse tempo está próximo. É assim que se compreende o abandono por Bruno de Carvalho da postura discreta e até cordata adoptada no inicio da época, num curto espaço de tempo, endurecer o discurso, como é manifesto num post inqualificável e injustificável sobre "os híbridos" e no recente discurso por ocasião do Jantar comemorativo da 36ª edição dos Prémios do Rugido do Leão. Como diria um conhecido filósofo inglês (não chinês...) "a natureza é frequentemente escondida, algumas vezes dominada, mas raramente extinta."

Não havendo oposição constituída e recolhendo Bruno de Carvalho um nível de aceitação e aprovação elevado entre os associados e adeptos do clube, esta postura é de todo incompreensível, a menos que ela tenha origem nas recentes noticias sobre a sua vida pessoal e passado profissional. Mas, assim sendo, não faz qualquer sentido inseri-la num contexto de uma qualquer campanha com origem em inimigos externos ou internos, por terem origem em actos da sua exclusiva responsabilidade pessoal. E de forma a mantê-los nessa esfera pessoal, como julgo que é de todo conveniente, não seja o próprio a inseri-las na agenda do clube.

Voltando ao discurso no referido jantar, haveria muita matéria que mereceria análise e verificação (fact check), mas o que me merece nota é o tom entre o paternalista e o autoritário usado numa reunião que é conhecida como uma festa do Sportinguismo.
Tom ainda de nível inferior no referido post sobre "os hibridos"  e ambos a  remeter-nos para um tratamento que até no tempo cognominado de "roquetismo" é difícil de encontrar.
Até quando isto será tolerável? E tudo porque um qualquer paineleiro ligado ao SLB decidiu avançar com um nome de um putativo candidato, candidatura que o visado já desmentiu. Isto comprova aquilo que várias vezes aqui tenho afirmado: em Alvalade os assuntos da agenda comunicacional do Sporting é escrita pela punho dos paineleiros benfiquistas.

Como dizia acima, tudo isto acontece ainda antes de entrarmos em período eleitoral e sem candidaturas visíveis. É caso para perguntar porquê tanta hipersensibilidade e nervosismo? Se este é agora o nível como será se aparecer alguém com ideias e projectos alternativos, algo que os Sportinguistas deviam desejar e promover em nome do melhor para o clube, mesmo que isso atrapalhe agendas pessoais de poder, como será quando for aberta a caça ao voto?

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Sururu no pós Arouca: quando o futebol desce ao nível dos estábulos

Três verdades
Afinal a vitória sobre o Arouca não foi de todo tranquila como pensávamos, quando o árbitro apitou para o final. Já no decorrer da flash-interview ouviu-se claramente uma altercação violenta cujos protagonistas sabemos agora foram Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, e Carlos Pinho, presidente do Arouca. 

Não sabemos exactamente o que se passou mas sabemos como tudo vai terminar, como aliás termina sempre: haverá a verdade do Sporting, a verdade do Arouca e a verdade contemplada na decisão que a Federação tomará, por via dos seus órgãos disciplinares e eventualmente jurisdicionais de apelo. Entre as três versões ficará possivelmente a verdade dos factos ou uma parte substancial dela.

Os factos
Do que se sabe até agora é apenas a existência propriamente dita da altercação, correndo já várias versões do sucedido. O Sporting sustenta a sua versão em imagens gravadas, que serão cedidas à investigação do C. D. da Federação. O Arouca alega que se limitou a responder a uma provocação feita por Bruno de Carvalho. As imagens até agora disponibilizadas são inconclusivas.

Os antecedentes
As relações entre o Arouca e o Sporting nunca foram exemplares pelo que não haverá neste episódio grande surpresa. Surpresa terá sido o empréstimo de alguns jogadores (Iuri Medeiros e Fokobo, 2015) quando era já conhecido o desrespeito que Carlos Pinho e outros representantes do Arouca nutriam pelo Sporting, exemplificadas nas tentativas de agressão a Manuel Fernandes (2012) e demais elementos da equipa B do Sporting. 

Houve quem se apressasse a divulgar compilações de imagens em que responsáveis do Arouca são apanhados em actos que abonam pouco ou nada em seu favor e da postura que deve ser exigida a quem deve dar o exemplo, como são os dirigentes desportivos. Infelizmente são já também vários os exemplos em que são imputados a Bruno de Carvalho actos igualmente condenáveis e até mesmo sancionados pelas entidades disciplinares. 

O caso de 2015 com o Gil Vicente (ver imagem de relatório abaixo) foi bastante falado desde domingo como tendo sido posteriormente despenalizado, o que em rigor não é totalmente verdade. No recurso entreposto ao T.A.S. Bruno de Carvalho viu reconhecido que não houve ofensas físicas, mas foram proferidas palavras que na decisão censurou como "eticamente censuráveis".

A minha opinião
Até prova em contrário vou tomar como boa a versão apresentada pelo Sporting. Isto apesar de conhecer já versões diferentes que a colocam em causa, suscitando esta dúvidas que inevitavelmente terão que ser esclarecidas. Acrescentaria para já apenas o seguinte:

- É lamentável que o nome do Sporting seja envolvido numa polémica de contornos tão rasteiros. Isto é descer ao nível dos estábulos e muito pouco edificante para o clube, seja qual for o prisma que se analise. Um episódio contrastante com o facto de o presidente do clube se preparar para proferir uma palestra na Web Sumit sobre o "negócio do futebol".

- Se não me parece admissível que o Sporting seja insultado na sua própria casa, sem reagir, considerarei reprovável que a reacção não tenha sido nos termos que não nos suscitem vergonha. O comportamento pusilânime que tantas vezes reprovamos outrora não pode ser substituído por um qualquer outro que igualmente seja contrário aos nossos melhores interesses.

- Será contudo inadmissível que se venha a provar que o Sporting em algum momento tenha faltado à verdade ou usado expedientes para conformar os factos com a sua versão.

- Como é óbvio sou particularmente tolerante às reacções a quente. Comprovando-se que Bruno de Carvalho reagiu a uma provocação, usarei desse critério benevolente para avaliar a sua participação neste incidente. Não deixo contudo de reparar que, atendendo à fama que vai granjeando, não esteja a tornar-se numa vitima de si próprio e das suas reacções intempestivas. Isto é, quem o quiser atingir, sabe que basta provocá-lo para obter os fins a que propôs.

- Abona muito pouco em favor dos nossos argumentos o triste papel desempenhado por Nuno Saraiva, na sequência dos tristes acontecimentos. É bom lembrar que o actual director (?) de comunicação é jornalista de profissão, onde é comum o tratamento nos termos registados na peça divulgada. Já a um representante do Sporting em exercício de funções exige-se um comportamento que o elevem da vulgar condição de carroceiro, em qualquer circunstância. 
Estranho é que tal não mereça rejeição absoluta e ainda haja quem a procure justificar este tipo de atitudes a quem pagamos bem para nos deixar mais uma vez ficar mal, como se tratasse de um "novo normal".


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O que está a acontecer? Que culpas de Bruno de Carvalho, de Jesus e dos jogadores?

Não há tempo que passe que ajude a esquecer desaires a raiar o absurdo como os que presenciamos em Guimarães. O tempo ajuda apenas a atenuar a dor e fornecer o distanciamento adequado para reflectir sobre o sucedido. O post de hoje deixará aqui algumas dessas ideias.

Gostar de futebol e do Sorting, sempre!
Começo com um pequeno aparte: se não estivesse envolvido o nome do meu, nosso, Sporting, não faltariam os elogios ao futebol, dando como exemplo o jogo de Guimarães. Não será por desaires assim que deixarei de gostar do futebol. E também não será o facto de, infelizmente, parecer que estamos fadados para sermos protagonistas de surpresas como estas, vezes sem conta (e só este ano, com a época no seu dealbar já vamos em três, Madrid, Rio Ave, Guimarães) que deixarei de gostar do Sporting.

Mais do que me zangar com o futebol ou com o Sporting, estes episódios servem para nos lembrar que ainda não somos a grande equipa que precisamos ser para ser campeões. E só essa tomada de consciência nos permitirá crescer para aí chegarmos.

Sem desculpas ou álibis
Esse crescimento nunca chegará com os "nhénhénhés" habituais nas desculpas, desresponsabilizando jogadores e equipa técnica do sucedido, porque são sempre eles os intervenientes. Nem os erros de arbitragem, que os houve, podem ser invocados, pois estes sucederam para os dois lados e de igual gravidade, o que contraria a ideia do "serviço" habitualmente prestado. 

Uma vantagem de três golos mandadas às malvas em cerca de quinze minutos tem de ser bem compreendida e assimilada para que não se volte a repetir. Quem sabe se esse foco, ao invés de estar centrado na exibição e não no resultado, tivesse acontecido logo após o jogo de Madrid, em que também perdemos uma vantagem em escassos minutos, não poderíamos estar agora a falar de outras coisas. 

O que é que realmente está a acontecer? 
A pergunta é inevitável. Depois da forma como terminamos a época passada e tendo havido poucas mexidas na titularidade, a que acresceu uma significativa melhoria quantitativa e (espera-se...) qualitativa do plantel, como explicar o que está a suceder? O problema é não apenas o terceiro lugar para onde caímos (poderia ser psicologicamente pior se o Braga tem ganho...) mas também a enormidade de golos sofridos (9) registados até ao momento, que já vem da pré-época e que não parecem assim estar resolvidos. 

Há um fio condutor entre o que sucedeu em Guimarães, Vila do Conde e Madrid? E estaremos a não dar importância ao que sucedeu em jogos que acabamos por ganhar, mas onde alguns indícios preocupantes já estiveram presentes, como o jogo com o Légia e Estoril? Não posso responder com segurança a esta pergunta, mas é indiscutível que, tirando o jogo com o Légia e o Rio Ave, a equipa produziu futebol de bom nível, dando testemunho de continuar dentro dos princípios que o treinador defende e que tornaram a nossa equipa numa referência no ano passado.

Faz então sentido questionar a preparação física? Ou estamos sobretudo a sofrer de falta de confiança? Sem certezas, deixarei alguns destes temas para o capitulo Jorge Jesus mais abaixo, mas ainda assim parece-me estar por acontecer a integração dos jogadores que chegaram mais tarde, bem como alguma continuidade em algumas apostas, que parecem estar a suceder de forma errática e não sistemática.

A culpa de Bruno de Carvalho
De forma muito desajeitada, o presidente tentou chamar a si a culpa do sucedido até agora, sendo óbvia a tentativa de desviar as atenções dos jogadores e sobretudo do treinador. Ora, goste-se ou não dele, é indiscutível que fez tudo ao seu alcance para dar ao treinador o que este entendia o que precisava. Portanto, a menos que aquele lhe tenha pedido um par de laterais "em condições", ou que falte nas condições de treino, viagens, alojamento, pagamentos atempados, etc, etc, não há culpas que lhe possam ser atribuídas. 

Outra coisa seria se falássemos de responsabilidade e essa normalmente é avaliada nas prestações de contas em A.G.'s, ordinárias, extraordinárias e eleitorais, contas que só poderão feitas mais tarde. É por isso que me espanta e entristece que alguém que não tem oposição constituída e, a manter-se a actual conjuntura, se apresta a ser reeleito com facilidade, denotando um nível de aprovação elevado, se sinta acossado ao ponto de repetir um dos piores erros do tempo de alguns que o antecederam na cadeira. Refiro-me à evocação dos "ratos" feita em sede de última A.G. Ele que vinte e quatro horas antes havia dito que "Temos de ser tolerantes, não quero voltar a ver no Sporting o que vi nas primeiras e depois nas segundas eleições [a que concorri], um Sporting sem tolerância e que não deixa os sócios falar. Espero que estas eleições tenham elevação". 

Problemas de memória, que o estejam a impedir de se lembrar do que disse no dia anterior e de quanto era prolífico na opinião antes de chegar ao poder? Ou é o poder que lhe mudou a percepção sobre o direito à opinião? 

A culpa de Jesus
Aqui terei que usar da mesma linha de pensamento que usei no parágrafo anterior: uma coisa é culpa, outra é a responsabilidade. Centrando-me unicamente no jogo de Guimarães por agora (até porque o post já vai muito longo) creio que tem havido uma pontinha de injustiça relativamente ao seu papel na perda dos dois pontos - mas até parece que foram três, não foi? - em Guimarães. O papel de um treinador é sobretudo relevante em tudo o que acontece até à bola começar o rolar no relvado. Aí, e mesmo até nas substituições, cuja importância papel é frequentemente sobrevalorizada, é sobretudo o reino dos jogadores. São eles que jogam, são eles que têm nos pés a possibilidade de desenhar o destino do resultado.

E foram erros destes, que habitualmente não vemos em equipas de Jorge Jesus, que acabaram por definir os resultados, agravados por dois golos de rajada. Ao penalty meio infantilóide de William seguiu-se quase imediatamente um novo golo, colocando o empate ao alcance. Ambas as equipas sentiram essa possibilidade e a nossa não conseguiu reagir. Os posicionamentos de Schelotto e a falta de Marvin, na linha do penalty de William ditaram o resultado.  Pensar que um treinador a partir do banco podia alterar esta sequência de eventos ou pode fazer muito para alterar a postura de desconfiança de uma equipa em si mesma é crer excessivamente num poder que não tem.

Como é evidente não ter Adrien foi importante, sobretudo para necessidade de voltar a ter bola. Mas em Vila do Conde ele estava em campo e foi o que se sabe. Jesus optou por meter Bruno César - e  Ruiz e Gélson tinham já também estoirado há muito - que não pegou no jogo por uma razão muito clara: o Vitória apostava tudo no poderio físico de Marega e Soares, colocando directamente aí o jogo e explorando a profundidade, tornou irrelevante a presença do brasileiro.

Jesus poderia ter colocado Paulo Oliveira, embora me pareça que era alguém como Petrovic que deveria ser chamado. Ele que havia devolvido a estabilidade ao meio campo no jogo anterior, libertando William, e que lidaria melhor com o jogo físico do adversário, mas tinha ficado em Lisboa. É sobretudo aqui que a leitura de Jorge Jesus me parece merecer criticas, a que acrescentaria a excessiva e até agora penalizadora rotação de jogadores, em particular dos laterais. Havendo tempo, voltarei a este tema em proximo post.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Esta frase de Bruno de Carvalho "Jorge Jesus não é treinador para qualquer presidente" é sobretudo para... Bruno de Carvalho

Na sequência do post Estará o "modelo Jesus" a acabar com o "modelo Sporting"?  prometi que falaria aqui de forma pormenorizada sobre as aquisições e dispensas efectuadas pelo clube tendo como perspectiva o respectivo impacto numa organização que tem na sua formação um modelo que lhe tem proporcionado reconhecimento e prestigio. 

O casamento de Jorge Jesus com o Sporting é uma ligação perfeita, como são todos os matrimónios de conveniência: 

Que outro clube que não o Sporting seria o ideal para Jesus retaliar contra a afronta praticada pelo seu anterior clube? 

Ao Sporting que melhor treinador poderia contratar, como atalho para o fim de muitos anos sem títulos e para assegurar a pacificação das hostes perante o final abrupto e atribulado de uma relação com um técnico que acabava de lhe oferecer o final de um longo período sem ganhar e com o qual se havia proposto a quatro anos de coabitação? 

Ora, como é fácil de perceber pelo discurso adoptado desde a sua chegada, Jorge Jesus está de passagem pelo Sporting. Não no sentido filosófico da afirmação, mas até que surja um projecto mais adequado às suas ambições. E todos sabemos que o projecto de Jorge Jesus é ele e quem circunstancialmente lhe assegurar as melhores condições para poder vencer. 

O ideal para ambos - até pela idade de Jesus - era que Sporting crescesse com Jorge Jesus - é certo que já cresceu - para lhe poder satisfazer as ambições e ele passe a olhar para o clube não como um apeadeiro para ajuste de contas passadas, mas como uma estação de destino para o seu e nosso próprio sucesso. Como não sabemos se isso algum dia sucederá terá que ser o presidente a perceber onde os interesses do treinador e do clube são comuns e quais são aqueles em que conflituam. 
 
Já depois da publicação do post acima referido Bruno de Carvalho daria uma entrevista à SIC, na qual proferiu a frase de que me servi para titular o presente artigo, por me parecer o enquadramento adequado para este tema. Como aqui várias vezes defendi, a contratação de Jorge Jesus foi até agora a melhor medida de gestão desportiva tomada pela actual direcção. 

Afirmar isto não significa que a sua passagem pelo nosso clube não requeira cuidados apesar de, neste momento da vida do clube, o treinador ser o técnico certo na cadeira certa. Porque o que é imediatamente bom para o treinador não quer dizer que o seja para clube e tudo o que pede seja necessário para atingir os objectivos. Cabe ao clube garantir a saudável coabitação entre a formação de jogadores e o mercado, por ser essa a forma mais adequada de garantir a sustentabilidade. Por isso é que Jorge Jesus não é para qualquer presidente.

Na lista de jogadores adquiridos e dispensados para rodar há exemplos claros de boas decisões, decisões que suscitam dúvidas e outras que parecem declaradamente más. Uma das características bem vincadas em Jorge Jesus é a preferência que demonstra por alguns jogadores em detrimento de outros, sem que muitas vezes se perceba outro critério que não o facto de serem indicados por ele. Vimos algo semelhante a isto o ano passado com o circunspecto Montero e o folião Teo, nunca saberemos o respectivo custo. Vejamos alguns dos exemplos que me parecem mais óbvios:

Boas decisões:
Podence, Tobias Figueiredo, Ryan Gauld, Domingos Duarte, André Geraldes e Francisco Geraldes - Apesar dos elogios deixados e da promessa de fazer parte do actual plantel, a dispensa de Podence, talvez a mais surpreendente por causa disso, acaba por se justificar, pelo que representou o final do mercado para o plantel do Sporting. Tal como para os restantes, o empréstimo proporcionar-lhes-á espaço para jogar com regularidade em projectos com alguma qualidade, o que pareceria ir acontecer com raridade, face ao que existia e passou a existir no plantel para os respectivos lugares.

Decisões duvidosas
A dispensa de Carlos Mané seria consensual se o seu clube actual não ficasse com o direito de opção. É um jogador em nítida perda, face ao que representou o seu aparecimento com Leonardo Jardim, mas essa estagnação é normal em jogadores da sua idade, pelo que a opção de compra parece um risco. Na mesma linha ponho as dispensas de Chaby e Ponde, mesmo considerando que se  justificam. Especialmente o primeiro, por me parecer que a colocação de um jogador com as suas características e qualidade mereciam um projecto mais ambicioso. 

Fica por perceber porque Wallyson não só não teve oportunidades como nem sequer é mencionado no discurso de Jorge Jesus. Com a chegada de Elias (31 anos), e de Meli (24 anos), que se juntam a Adrien o Sporting tem agora três jogadores para o mesmo lugar. Não haveria lugar aqui para Wallyson?

Petrovic (27 anos) é um jogador que, segundo o treinador, ainda nos vai surpreender. Mas, a menos que surja alguma lesão prolongada com William, ou os árbitros continuem a olhar para ele e a ver o Maxi (4jogos, quatro cartões para William...) não vejo como tal possa vir a suceder. Mas, ainda que o sérvio venha a ter oportunidades, não veremos muito mais do que um médio defensivo muito posicional, sem rasgo para por a equipa na frente, como faz William. Não deveria ser dada oportunidade a Palhinha (ou até mesmo a Wallyson, que também faz o lugar), em nome do futuro, ao invés de investir num jogador que pouco ou nada acrescenta e que ainda por cima podia ter vindo livre há um ano? E convém lembrar que já o ano passado fomos buscar para esta posição Bruno Paulista, cuja utilidade, necessidade  bem como o preço ainda estamos para saber. 

Más decisões:
Por Iuri a rodar porque dificilmente iria jogar é uma boa decisão. Mas se Jesus pensa que Iuri Medeiros precisa de "perceber que só talento não chega, tem de crescer com aquilo que é a exigência e a pressão" não deveria ter cuidado de providenciar um projecto mais próximo da tal exigência e pressão que vai encontrar no Sporting? Ora se Iuri cumpriu com distinção o estágio anterior, não seria melhor proporcionar-lhe agora uma experiência que significasse um upgrade, ao invés do que parece mais assemelhar-se a um desterro numa das mais fracas equipas da Liga, a par da chamada de atenção pública?

Ainda no âmbito das aquisições, o Sporting acabaria por aceder a um pedido de Jorge Jesus que mais se aproxima da satisfação de um capricho. Refiro-me a Douglas, contratado ao Trabzonspor. Não está obviamente em causa o valor do jogador mas, com a actual dupla de centrais consolidada, seria quase criminoso alterá-la e quase suicidário. E, ao contrário do que muito se vem dizendo, o candidato à saída não seria Semedo mas sim Coates. 

Com a linha defensiva subida, como é comum o Sporting jogar grande parte dos jogos do campeonato, ter dois centrais pesos-pesados significaria confiar em excesso no excelente sentido posicional que ambos indiscutivelmente têm, mas ficar sem "plano B" sempre que aquele falhasse. É isso que a rapidez de reacção de Semedo oferece, o que até pode já ter valido pontos este campeonato. Esta complementaridade do jovem jogador poderia estar assegurada também por Naldo (ainda assim um excelente negócio) e a maior experiência e sentido posicional por Ewerton. 

As primeiras contas vão-se fazer já daqui a três meses, quando ficar definida qual será a porta de saída para a Europa. Qualquer que ela seja - só não é admissível pensar a eliminação total de todas as competições - trará decisões muito difíceis de tomar. A continuidade na Liga dos Campeões é a mais desejada mas pode significar apenas mais dois jogos, podendo por isso ser ponderado se faz sentido manter um plantel tão caro como dilatado, onde por isso muitos não podem jogar. A Liga Europa não dá muito dinheiro, mas este plantel permitiria sonhar alto e longe. Nessa altura muitas das coisas que agora aqui se afirma ganharão outra luz e muitas delas farão todo o sentido.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Ainda sobre a idade de Renato Sanches

Num pequeno espaço fora da blogoesfera, muito felizmente ainda mais pequeno do que a blogoesfera, acompanhei ontem com desinteresse - pelo tema, não por quem o debatia - os argumentos que apoiados não por notícias mas por alguma informação (não muita), asseguravam a veracidade da mensagem contida na campanha que visou / visa suspeitar da idade de Renato Sanches. Já que em nada o ex-Benfica e agora jogador do Bayern se relaciona com o Sporting, torna-se um tanto bizarro descortinar os motivos para que sportinguistas emprestem voz ou façam eco da referida campanha. Em virtude do interesse que nunca despertou, ignorante sobre o assunto, notei a forma como as declarações de Guy Roux contribuíram para que naquele momento alguns sportinguistas afirmassem que Renato Sanches teria pelas suas contas 22 ou 23 anos de idade. Falo de pessoas informadas e moderadas cujos pontos de vista não tenho normalmente dificuldade em subscrever. Não fora apenas Guy Roux mas as suas palavras pareceram conter o peso que definitivamente desequilibraria a balança do argumento em seu favor. Porquê Guy Roux? Porquê um francês? E a que propósito? Tentando perceber o contexto, procurei ler as declarações do antigo treinador do Auxerre. Mais a leste fiquei já que o treinador francês afirmou que Renato Sanches teria não 22 ou 23, mas 23 ou 24 anos. Ora eu não consigo pela fala distinguir um japonês de um coreano. E por vezes também não consigo pela fisionomia distinguir um finlandês de um russo. A minha filha completou há bem pouco tempo 3 anos de idade e ontem, ao lê-los, fiquei na dúvida durante alguns segundos, mas só por alguns segundos, já que eu consigo perfeitamente distinguir uma criança de 7 anos para outra de 3 anos. Ou um rapaz de 10 para outro de 5.

Ou um de 15 e outro de 10. Percebe onde quero chegar? Será preciso mais do que bom-senso para imaginar que um miúdo de 10 anos nunca se sentaria na sala de aula duma escola ao lado de miúdos com 5?

Por último, a respeito desta notícia e dum comentário que Bruno de Carvalho terá feito em Março último sobre a idade de Renato Sanches na sua conta do «facebook», tão bizarro quanto despejar para a rua uma questão que (não sei se causa mas) imagino poderá causar prejuízos a Renato Sanches (ao seu bom nome, imagem, ou outros), alimentada sob pretextos que não são fáceis de avistar, tão bizarro quanto isto é a sugestão de que Renato Sanches deveria ou poderia apresentar certidões ou cédulas que esclareceriam em definitivo a questão, sugestão evidentemente subversiva que somente legitimaria quem o difama.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Oitenta milhões de razões para estar calado

Não vou comentar a afirmação de ontem de Bruno de Carvalho, relativamente a uma putativa proposta de oitenta milhões por um jogador do Sporting, no mercado de inverno. Oitenta milhões talvez seja  exagerado, mas devem andar por aí o número das razões que encontro para ficar calado.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Don Quixote de Carvalho, o cavaleiro das tristes figuras

Bruno de Carvalho calado era um poeta. O que vem conseguindo fazer no pouco tempo que está no Sporting falaria por ele. Mesmo que a métrica não fosse perfeita, as estrofes acabariam por rimar. Para haver poesia tem que haver mais do que meras rimas, mas tem que se começar por algum lado e, como todos bem sabemos, havia (e continua a haver) muitos lados para recomeçar no Sporting.

Cedo se foi percebendo que ser assertivo, oportuno, discreto ou sóbrio não estavam na sua natureza. Aos poucos, e à medida que o apoio  que foi granjeando ia crescendo, muito dele sem grande escrutínio, foi-se revelando exactamente o oposto. Aos poucos, e perdendo bastas vezes a compostura, foi revelando um carácter belicoso e sem noção do excesso e do que representa, confundindo o ser mordaz com ser brejeiro, incisivo com enfadonho e vigoroso com inoportuno. 
É nessas figuras que se oferece a tudo o que é câmaras, flashes e rotativas de jornais, ou sentado permanentemente à frente de uma sessão do Facebook no seu inominável perfil de "Presidente do Sporting". Ora quem muito fala pouco acerta e o muito que por ali vai "produzindo" é frequentemente motivo de chacota para os nossos adversários e de vergonha para um clube centenário e respectivos sócios e adeptos.  

A sua postura assemelha-se cada vez mais à de um "loose cannon". É capaz de disparar em qualquer altura e direcção, mas cada vez se percebe menos quer a utilidade quer a precisão de tanto disparo. A excepção vem da sua legião de rocinantes amestrados, cujas rédeas vai puxando. Não são particularmente exigentes com a palha que se lhes serve, estando sempre prontos a aduzir mais uns disparos. Os pobres sanchos pança que o vão confrontando com a verdade são deixados pelo caminho. 
rocinantes
Esta semana é fértil em exemplos infelizes:

- O seu post contra o Miguel Guedes (quem é o Miguel Guedes) recebeu resposta inteligente e elegante que mais se assemelhou a uma ridícula pega de cernelha, com várias voltas ao redondel.

- Achincalha Carrillo pela sua opção de não jogar, "quando podia ser campeão no Leicester", quando ainda há pouco tempo ele mesmo gozava com o palmarés do clube e o que tinha dito sobe a possibilidade de transferência lança muitas duvidas que ela pudesse ter tido lugar.

- É publicamente desmentido relativamente à possibilidade da existência de um tribunal arbitral, cuja realização apresentou com ares de magnanimidade na pretérita A.G.

- A sua atenção e especialização em "assuntos SLB" é confrangedora para um Sportinguista.

- A enxurrada de processos são, na generalidade, fugas para a frente. Neste particular, os motivos invocados para propalada intenção de processar Rui Gomes da Silva e Jaime Antunes, são uma sentença contra as suas próprias declarações sobre a situação económica do SLB e para o processo intentado por estes por causa do caso dos vouchers.

- A teoria das almofadas colide com realidade.

- Pior mesmo, a última (?) reflexão deixada, que mais não é que uma misturadora onde depositou assuntos tão dispares como interesses comerciais, económicos e políticos, ultrapassando definitivamente uma fronteira que está vedada a quem deveria representar o Sporting e ficando no limiar do desrespeito dos artigos iniciais dos estatutos do clube.

No que noticias sobre o Sporting diz respeito, esta está a ser uma semana horrível, o que só pode surpreender quem aterrou hoje pela primeira vez no futebol português. Ao contrário do que muitos parecem pretender, não há nada de novo no fogo cerrado com que o Sporting é visado na comunicação social em momento de decisão. Há é dois factos marcantes, um novo e outro que, não sendo, vinha sendo raro.

Começo pelo facto raro e que se prende com o facto de o Sporting estar a disputar o campeonato até ao fim. Que melhor trunfo poderia ter uma liderança para exibir perante os seus adversários, funcionando de forma auto-explicativa para a barragem de noticias pretensamente desestabilizadoras? Que melhor motivo de mobilização dos adeptos em torno da sua liderança e da equipa que vai jogar no Dragão poderia ser agitado? 

Ao invés, qual general no seu labiríntico cubículo, é confrangedor olhar para um líder que não o sabe ser e insiste em regurgitar sempre as mesmas suspeições, agitando os mesmos fantasmas, repisando as mesmas injúrias, promovendo a protagonistas figuras secundárias à sua custa e do nome do Sporting. 

O facto realmente novo é serem muitas as frentes de batalha. O Sporting, como resultado directo da acção dos últimos anos da verborreia do seu presidente, encontra-se completamente flanqueado por adversários e muitos inimigos. O Sporting, visto outrora como "simpático", aquiescente e muitas vezes "dócil" é agora olhado com antipatia por muitos e tido como inimigo de estimação pelas muitas onças do mato do futebol que o presidente andou cutucar. Não gosto de nenhuma das versões, podemos e devemos ser muito, muito melhores. Esperar que todos aqueles que andamos a provocar retribuíssem agora com bonomia e ainda por cima protestar, não é ingenuidade, é mesmo candura bacoca.

Não sei qual vai ser o resultado final deste campeonato, mas continuo a acalentar a esperança de voltarmos a ser campeões nacionais. Não o conseguindo, restará uma profunda tristeza cuja dimensão só não será maior porque, desde o dérby para cá, houve tempo para ir lidando com ela. Mas haverá também um enorme orgulho no notável trabalho feito, partindo em desvantagem, e a esperança fundada que este seja a semente de futuras conquistas. 

Vergonha apenas da boçalidade, da sobranceria e empáfia dedicada aos adversários quando liderávamos e que serviram de cimento às pedras do castelo adversário, quando tudo indicava que a sua ruína era iminente. Eles foram o maná que os adversários guardaram para se alimentar. Se não ganharmos serão o meu único embaraço porque o Sporting foi bom e competente dentro de campo.

Muitos perguntarão porque escrevo desta forma sobre o Sporting. É simples. Não é sobre o Sporting, mas sobre a imagem que Bruno de Carvalho projecta do Sporting. E, ou deixo de gostar do clube ou sublimo as diferenças que nos separam com o que escrevo. A primeira hipótese é demasiado penalizadora para mim.

terça-feira, 29 de março de 2016

"Vou recandidatar-me porque o Sporting precisa de estabilidade"

Foi desta forma que o presidente Bruno de Carvalho anunciou a sua recandidatura, em entrevista concedida ao jornal "A Bola". Esta pode ser lida na íntegra no site do clube (LINK), razão pela qual não faz sentido a sua repetição aqui, como é hábito. Aí o presidente do clube faz o seu próprio balanço dos três anos que passaram mas o anúncio da recandidatura acabou por retirar o foco às restantes considerações. Talvez tenha sido essa a principal razão da entrevista e do próprio timing em que foi concedida.

As reacções
São já conhecidas algumas reacções de apoio como também criticas ao anúncio. Seleccionei um caso particular que me parece perfeito para ilustrar a configuração mental de muitos adeptos, no actual momento. Refiro-me em concreto ao apoio manifestado por Meneses Rodrigues, que desempenhou vários funções directivas desde o tempo de Sousa Cintra, passando por José Roquette, Dias da Cunha. 

Poucos dias antes, por ter sido avistado num almoço, num local público, onde, entre vários "conhecidos", estiveram presentes o actual presidente do SLB e Dias da Cunha, foi alvo das mais azedas criticas, mais duras do que se fosse muçulmano e tivesse comido toucinho. Será que o apoio agora prestado foi um conselho expresso de Luis Filipe Vieira? Em rota oposta está agora Rui Barreiro que, assim que manifestou discordância com Bruno de Carvalho, deixou de merecer a consideração recebida por ser seu apoiante. Se alguém sai beneficiado deste tipo de actuações seguramente que não é o clube.

A recandidatura
Sendo a (re)candidatura  um acto de iniciativa individual, cabe a quem toma a decisão definir o tempo certo para o fazer, pelo que, relativamente ao timing escolhido, pouco se me oferece dizer. Não me parece que a divulgação da intenção possa ter qualquer influência nefasta na vida do clube, mesmo do ponto de vista desportivo. Trata-se aliás da confirmação de algo muito expectável, tendo até o próprio já manifestado a intenção de permanecer no cargo por muito mais tempo. 

É pois sem surpresa e com naturalidade que encaro o anúncio. Parece-me até natural e mesmo desejável que Bruno de Carvalho sujeite o seu mandato ao veredicto dos associados. E devia ser com a mesma naturalidade e até com satisfação que outras candidaturas deveriam ser recebidas e mesmo incentivadas. As próximas eleições não deveriam ver o seu interesse reduzido a um mero plebiscito do mandato em curso, mas sim um amplo debate que proporcione uma escolha consciente entre diferentes visões e projectos para o clube. Tal seria uma demonstração de maturidade democrática e de verdadeira afeição pelo clube.

A estabilidade
A principal razão da recandidatura apresentada por Bruno de Carvalho foi a estabilidade. Concordo com o conceito, embora o exemplo apontado (Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa) não seja propriamente feliz, atendendo à contradição que as criticas quase permanentes que às respectivas lideranças representam. Nessa perspectiva, a estabilidade terá sido apenas o meio para a obtenção de poder de cariz vicioso. Esperamos que a estabilidade directiva no Sporting, que em abstracto me parece mais do que desejável, e até mesmo uma necessidade, a acontecer, tenha melhor uso.

Por outro lado, e analisando os últimos três anos, se é verdade que a liderança, do ponto de vista nominal, foi estável, ela foi marcada por uma série de opções e eventos que introduziram factores de instabilidade e incerteza e que poderiam ter merecido decisões diferentes. 

Por exemplo, o processo Rojo/Doyen, as relações com os agentes de jogadores, a relação com alguns jogadores, a instabilidade técnica - quer na equipa principal, quer na formação - sendo a difícil relação com Marco Silva o exemplo de que, neste período, a maior desestabilização foi construída no interior do clube. Os processos a sócios e a ex-dirigentes trouxeram para a actualidade um tipo de atenção indesejada, que exporá o clube durante muito tempo, afigurando-se como muito difíceis futuros proveitos. A estratégia de comunicação do presidente é também ela muitas vezes indutora de perturbação e que tornam o clube num alvo permanente.

O futuro
Como sempre serão os resultados a decidir o que se vai passar no futuro. Foram os resultados que colocaram Bruno de Carvalho no lugar onde está. É aqui que estará  a chave do processo eleitoral que se desenrolará no próximo ano. Sendo o Sporting campeão no final da presente época, o interesse pelo processo eleitoral ficará naturalmente esvaziado. Não o sendo, é muito difícil que Bruno de Carvalho não sofra um rombo na popularidade e passe a ver as suas decisões mais escrutinadas e até contestadas.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Três anos de Brunismo

É um exercício difícil avaliar de forma justa uma liderança de que não se gosta. É o meu caso relativamente aos três anos que agora se completam desde a chegada à presidência de Bruno de Carvalho. Ainda assim é um exercício obrigatório, quanto mais não seja para memória futura. Contudo, o verdadeiro balanço deve ser feito no final do mandato, uma vez que há vários processos em curso cujo desfecho afectará o juízo que se fará deste período.

Em jeito de pré-conclusão, é inegável que, genericamente, o Sporting hoje se encontra em melhor situação do que aquela que Bruno de Carvalho recebeu do seu antecessor. Do ponto de vista financeiro e desportivo, o clube se encontra hoje num momento incomparavelmente melhor, algo pouco expectável, face ao ponto de partida. Pode-se dizer que foi para isso que os Sportinguistas decidiram interromper o mandato de Godinho Lopes, mas também é justo afirmar que, face à conjuntura interna e externa, eram muitas as dificuldades a vencer para chegar onde estamos hoje. 

Fazer uma reestruturação financeira, com os cortes que tal implica, e conseguir, em simultâneo, uma recuperação da competitividade da modalidade mais representativa do clube, é o principal mérito da actual gestão. A par disso regista-se o que se pode chamar de normalização de resultados ao nível das modalidades, embora sem grandes resultados, face às responsabilidades do clube. Acresce ainda o regresso à actividade formal de alguma modalidades muito queridas dos adeptos, como o ciclismo, o basquete e o hóquei em patins que, graças ao pundonor de alguns Sportinguistas, haviam sido resgatadas à extinção. 

Abaixo deixo algumas considerações mais especificas, com atenção particularmente centrada no futebol.

Plano Financeiro e Patrimonial
É neste plano que se encontra talvez a mais lustrosa das medalhas da actual gestão: os resultados positivos em exercícios anuais consecutivos, o que não só era inédito nas contas da SAD, como é raro nas sociedades que se dedicam à mesma actividade. O facto de os resultados desportivos não terem dado grande contribuição - não tem sido particularmente feliz a passagem pela Liga dos Campeões - torna ainda mais meritória a acção.

A obtenção de condições particularmente favoráveis na elaboração do plano de reestruturação financeira também é altamente meritória. Porém, ela deve ser olhada como um meio e não um fim em si mesma. A sua execução será particularmente difícil e o aumento do endividamento algo dissimulado nas VMOC's, o "roll over" de empréstimos e outras obrigações indicam que é ainda muito cedo para aliviar a atenção. Muito menos para cantar vitória e que as gerações vindouras continuam a ver empurradas para si obrigações que deveriam hoje ser nossas.

A este nível surpreendeu-me que a alienação dos terrenos da Academia, por incumprimento das amortizações previstas no anterior negócio com o BCP, tenha passado quase despercebida. Um sinal claro, a par de noticias de outros incumprimentos,  que as dificuldades de tesouraria continuam a ser tão comuns como eram no passado e que, apesar dos resultados anuais positivos, não houve ainda a alteração estrutural que tantas vezes é apregoada.

O pavilhão João Rocha, cuja construção está em curso, a renegociação dos contratos televisivos e de publicidade são dois trunfos grandes que constam deste baralho financeiro e patrimonial. A inauguração das emissões da Sporting TV também o é, embora a qualidade editorial de alguns programas esteja muito longe do que consideraria o mínimo exigível.

Plano Desportivo
Ao nível das modalidades amadoras, mais do que os títulos tem sido a já aludida recuperação de uma normalidade, uma vez que sem ela é impossível ambicionar grandes conquistas. Há no entanto ainda um grande caminho a percorrer.

Foi no futebol que a recuperação foi mais evidente e talvez mais tenha surpreendido. O principal mérito tem estado na compreensão do papel determinante do treinador na capacidade competitiva da equipa. Infelizmente os constrangimentos financeiros na primeira época e uma percentagem muito reduzida de acerto na escolha de jogadores na segunda, não permitiram chegar muito mais longe. Aí, a incompatibilidade entre o treinador e a SAD, declarada numa fase muito precoce da época, certamente que também teve o seu peso, embora esta tenha finalizado com a melhor conquista até ao momento. A chegada de Jorge Jesus foi o joker improvável que acabou por fazer aparecer o Sporting esta época como verdadeiro candidato ao título.

Neste âmbito ficam ainda as muitas dúvidas sobre aquele que tem ser sido o estandarte mais valioso do clube: a formação. Com justiça terá que se afirmar que muitos erros tinham sido já cometidos nos mandatos anteriores. É ainda difícil perceber o que se tem andado a fazer em Alcochete, tantas e constantes têm sido as mudanças, mas a perda de valor nos quadros, a par da maior concorrência externa, é um cenário que parece querer confirmar-se. É pelo menos isso o que se pressente quando se procuram novos nomes com possibilidade de afirmação na equipa principal e as dúvidas sobressaem. A perda de influência nas selecções nacionais dos escalões de formação é um facto.

O Clube
O Sporting é hoje um clube que recuperou grande parte da vitalidade que havia perdido. Muito disso se deve à actuação do executivo de Bruno de Carvalho, obviamente. O amor e elevada dedicação pelo clube por parte dos sócios e adeptos eram qualidades que pareciam negligenciadas no passado e que agora são potenciadas com acções diversas e frequentes. A presença nas redes sociais e outras plataformas de comunicação ganhou finalmente relevo e, entre os exageros, erros e omissões pontuais e a inacção e indefinição de outrora, parece-me este o caminho mais adequado.

Há no entanto sinais cada vez mais evidentes e preocupantes da sujeição do clube à personalidade do presidente. Muito por causa do seu discurso egocêntrico e frequentemente auto-elogioso e de reacção fortemente alérgica às criticas, que geralmente recebe apoio igualmente feroz, mas geralmente acrítico, de uma legião de adeptos que frequentemente se entregam ao cultivo de um ego já de si hipertrofiado. A nível interno toda e qualquer voz que exprima dúvidas ou seja discordante é geralmente tratada como se de uma traição se tratasse. São apenas três anos, mas em muitos casos emulam-se comportamentos em tudo semelhantes, por vezes até mais graves, aos que vimos crescer e acentuar-se nas décadas anteriores. 

A nível externo, pelo tanto que há a fazer, pelo espaço que tem de conquistar, um presidente do Sporting não pode querer para si o estatuto de uma figura consensual. Uma luta desigual, pelas tantas vezes que foi esquecida e quando foi realizada - ao tempo de Dias da Cunha, p.ex. - não teve a continuidade desejada. Sendo uma luta necessária, é verdade que potencia antagonismos e até mesmo inimizades e ódios, porque quem detém o poder não o entregará de bom grado.

Mas isso é muito diferente da figura histriónica a que frequentemente Bruno de Carvalho se presta, esquecendo-se que o Sporting Clube de Portugal não é uma abstracção, antes sim um legado de muitas gerações. Tenho sérias dúvidas que o estilo adoptado não esteja a desvirtuar esse legado. Aos que desculpam o estilo, respondo com o que dizia o poeta: "o estilo é tudo". O estilo constrói a identidade e a do Sporting é bem diversa da arrogância lampiónica ou da boçalidade de Pinto da Costa que, pelo menos, às vezes até consegue ter graça. É isto o brunismo, um estilo de que não gosto.

Ao desgaste da imagem de Bruno de Carvalho não têm correspondido grandes ganhos ao nível da importância do clube nos centros de decisão. E os inimigos de outrora são hoje os mesmos, só que mais acirrados. Não me parece que o Sporting seja hoje mais respeitado que no passado. Se as estratégias se avaliam pelos resultados esta deixa muitas dúvidas.

Para o futuro fica o grande desafio que hoje se coloca a Bruno de Carvalho. Este é a consolidação do que conseguiu alcançar nos dois planos acima descritos - financeiro e desportivo - sendo que a época em curso, e as consequências que resultarão do desfecho final, poderão assumir uma importância decisiva. Ganhar ou não o titulo e a continuidade de Jorge Jesus serão seguramente determinantes. Pela sua importância, dedicarei a esse propósito um post em breve.

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PS- Para quem gosta de futebol, em particular os das gerações mais velhas, hoje é dia de lembrar Cruyff. É um dia triste sobretudo para quem com ele privava, os amigos e familiares. Mas o melhor da sua herança não se extingue com o seu desaparecimento fisico. Há muito que Cruyff ganhou a imortalidade.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Acabaram-se os sorrisos para Carrillo

A mudança agora consumada de Carrillo para o outro lado da estrada não é propriamente uma surpresa, mas não deixa de ser dolorosa. Representa uma tripla derrota para o meu clube:

-  Perdemos desportivamente, ao ver partir um dos melhores e mais influentes jogadores.

- Perdemos financeiramente, ao não realizar nenhuma mais valia com um jogador que fizemos crescer a custo.

- Registamos uma derrota no eterno derby que é a relação com os rivais de sempre. 

De todas, a última é aquela que menos me custa, pelo menos até ver Carrillo de vermelho em Alvalade, a jogar contra nós. Deixo a minha avaliação pessoal a este processo em que todos me parecem ter estado mal e todos perderam muito ou alguma coisa, como procurarei explanar abaixo. Se quiser deixe ficar a sua.

O erro de gestão desportiva da SAD
A não renovação atempada do contrato de Carrilo é um erro de gestão desportiva da SAD. Há três anos, quando os actuais corpos sociais foram investidos, a renovação era fácil e foi esse o tempo que foi desperdiçado. Cada mês que passou foi um passo na direcção do desfecho agora conhecido. 

Neste período, apesar dos constrangimentos financeiros consabidos, a SAD alocou recursos para a aquisição de várias dezenas de atletas, entre jogadores para a equipa principal, equipa B e sub-19. De grande parte desses jogadores nunca mais ouviremos falar. Outros chegaram e partiram deixando como rasto apenas uma parcela nas despesas do relatório e contas. Contam-se pelos dedos os que representam ou representaram um valor desportivo e/ou  financeiro acrescentado. 

Não há aqui nenhuma novidade de monta, o mesmo se assiste em todos os clubes. É a lei das probabilidades a funcionar, descobrir talentos é uma árdua e por vezes ingrata tarefa de garimpagem. O que é lamentável neste caso é verificar alguém olhou para a peneira e não conseguiu distinguir o valor entre uma pedra amarela e uma pepita. Carrillo andou para ali sem ninguém reparar até o seu valor ser uma evidência aos olhos de todos.

O que eu quero e entendo que deve ser exigido é que quem toma decisões consiga ver mais que o vulgar adepto ou treinador de bancada que todos somos um pouco. Por isso é que estão no lugar em que estão, ganham o que se sabe e  nós, os adeptos, estamos na bancada, muitas vezes a contar cada cêntimo para pagar quotas, viagens e bilhetes. No caso de Carrillo até já nem era preciso ser particularmente perspicaz para lhe reconhecer pelo menos potencial.

A confusão entre as incompatibilidades do "eu" e os interesses da instituição
Os comentários públicos de Bruno de Carvalho denunciaram que as dificuldades na renovação tinham transformado um problema de gestão numa de questão de carácter pessoal difícil de ultrapassar. Com a agravante de lhe ter faltado a clarividência, ao relativizar a influência do empresário junto do jogador, bem como a vantagem negocial de um jogador com o contrato na mão quando se tentaram impor cláusulas "impossíveis". 

Faltou também certamente quem, dentro dos que lhe são próximos, alguém capaz de intermediar o conflito quando este se começou a desenhar. O presidente é importante, as incompatibilidades pessoais do Bruno de Carvalho não são. Os interesses do clube terão que vir sempre em primeiro lugar. Perdeu o Sporting.

Quando Bruno de Carvalho decide contratar Jorge Jesus sabia que abriria uma guerra sem quartel com o rival. Nesse novo cenário, os nossos melhores jogadores passariam a ser o bilhete premiado numa qualquer estratégia de retaliação e Carrillo estava ali mesmo à mão de semear. Ao invés de este processo ter sido gerido com pinças e com discrição, as declarações mediáticas sucederam-se. Entre promessas que não se tinha a certeza de poder cumprir ("Carrilo? De borla não sairá!"), o que ia ficando cada vez mais claro é que pareciam estar reunidas as melhores condições para tudo acabar... mal. 

A machadada final vem com a suspensão e instauração de processo disciplinar ao jogador. É muito provável que foi aí que se escreveu o guião deste final. Duvido que o jogador, se mantivesse o seu estatuto de titular, fosse capaz de oficializar já esta sua nova ligação, mesmo que fosse essa a sua intenção final.

Sempre fui de opinião que o jogador, mesmo em processo de renovação, deveria continuar a ser uma opção para o treinador e era este a quem cabia a decisão de o por ou não a jogar. Não apenas pelo seu valor e importância - reconhecida por Jesus várias vezes - mas por uma questão de direito. Um clube que centra o discurso oficial na verdade e nos direitos não pode suspender e mover um processo disciplinar a um funcionário que não quer renovar.

Os erros de Carrillo
De todos os envolvidos é talvez o único que se pode vir a refazer das perdas, mas os prejuízos são para já avultados. O jogador já está a perder desde que deixou de treinar e jogar. A paragem afunilou-lhe as perspectivas, ainda por cima num ano que parecia talhado para mostrar o seu melhor lado.

De todas as saídas possíveis escolheu a pior para os seus interesses de curto prazo: ao assinar por um clube que não tem qualquer intenção (e quiçá possibilidade) de o resgatar ao seu actual empregador, de forma a poder jogar no imediato, o jogador assume uma jogada de elevado risco. Um ano praticamente parado deve não só retirar-lhe o lugar na selecção do seu país - talvez o menor dos seus problemas neste momento - como deixam um enorme lastro de recuperação pela frente. E veremos como será a vida em Lisboa nos tempos mais próximos.

Como adepto (que ainda por cima lhe reconhecia talento) parece-me que Carrilo caiu no mesmo erro de Bruno de Carvalho, ao deixar que a questão pessoal se sobrepusesse aos seus próprios interesses. Isso subentende-se nas declarações muitas vezes inqualificáveis da namorada e do pai, que certamente falariam por ele. Com a agravante de não ter percebido que Bruno de Carvalho é "apenas" o presidente, mas não é o Sporting. 

Talvez seja pedir muito a um jogador que faça essa distinção, quando há muitos adeptos do clube que parecem ser também incapazes de a fazer. Mas parece óbvio que o jogador se esqueceu de tudo o resto quando, para chegar ao presidente com quem se incompatibilizou, atinge o clube que o recebeu e que o projectou. 

Talvez o meu último post sobre Carrillo
Pouco me interessa o que diziam as bancadas de Carrillo e da sua irregularidade. E que se dirá no futuro ainda me importará menos. Importei-me durante os anos em que por cá andou, irritei-me vezes sem conta com os erros por vezes incompreensíveis, mas sempre lhe reconheci talento e potencial. Preferiria isso repetido a ter que me irritar solemente a vê-lo de vermelho vestido. Ele não vai estranhar, é essa afinal a cor da camisola da sua selecção, mas oxalá descubra depressa que o verde lhe ficava muito melhor.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O castigo de Bruno de Carvalho, as infelicidades de Jesus e outros protagonistas

Na sequência do jogo para a Taça da Liga tinha prometido que falaria de alguns nomes que a atenção dos adeptos e dos média estavam a trazer para as primeiras páginas da actualidade. Será esse o tema do artigo de hoje.

O castigo de Bruno Carvalho
Como o próprio reconheceu, o castigo entretanto aplicado foi justo. Ao ser afastado do banco poderá viver com menos intensidade as incidências da partida e quem sabe repensar a sua posição. Como o próprio Jesus afirmou, do ponto de vista técnico, a importância da sua presença no banco é nula. Já do ponto de vista institucional não é. Tendo em conta a postura que entendeu adoptar na luta do que lhe parecem ser os interesses do Sporting fica ali mesmo à mão de semear para ajuste de contas e até humilhações. A repensar.

Jorge Jesus
O treinador não está a ser nada feliz nas provas a eliminar desde o início da época, onde tem coleccionado desaires. Foi assim com o afastamento da fase de grupos na Liga dos Campeões, foi a carreira cheia de sobressaltos na fase de grupos da Liga Europa, foi a eliminação na Taça de Portugal e é agora a situação periclitante e de sucesso improvável na Taça da Liga. É declaradamente assumida a aposta praticamente total no campeonato nacional, onde Sporting tem sido dominador quase desde o início. Uma jogada de risco calculado ou um all-in pouco racional?

Não sou capaz de dar uma resposta taxativa. Isto porque creio que ninguém terá dúvidas da importância que tem para o clube voltar a vencer um campeonato e se tal tivesse que acontecer à custa de todas as outras competições teria subscrição muito próxima da unanimidade. Se tivesse que fazer alguma crítica esta recairia no número de alterações que o técnico realiza, deixando a equipa órfã de talento, consistência e identidade. Não seria possível ser mais cirúrgico, pelo menos até estar assegurada a continuidade por exemplo, na Taça da Liga? Nunca saberemos a resposta a estas interrogações pelo que, enquanto a liderança do campeonato for uma realidade, a estratégia de Jesus tem validação automática.

William
Hoje dizer que o desempenho de William já conheceu melhor acerto e maior fulgor é perfeitamente consensual. Como descarto à partida que o jogador se tenha acomodado e viva dos rendimentos - isso seria impossível com praticamente todos os treinadores, com Jesus é mesmo - interroguei-me já bastantes vezes sobre as razões do eclipse, logo num jogador que parecia ser dos que mais ganharia com a chegada de Jesus. Obviamente que a pista de "mouro na costa" - leia-se propostas milionárias - tem de ser sempre equacionada num jogador com o seu potencial e com a visibilidade já adquirida. Mas inclino-me para uma hipotética falta de adaptação/resposta que o modelo de Jesus lhe esteja a provocar.

Começo a explorar esta possibilidade ao constatar que, ao longo de toda a época até agora disputada não vimos ainda um jogo completo "à William". O 4x4x2 de Jesus parece estar a tirá-lo da sua zona de conforto. Ao contrário do 4x3x3, onde o melhor William apareceu e deu cartas, o modelo de Jesus pede-lhe funções mais alargadas e obriga-o a articular mais com o companheiro de sector, Adrien. Tem que ser menos posicional, sendo mais exigente do ponto de vista físico, da concentração e da reacção. Como ele percebe, melhor e de forma mais célere que ninguém, que não está a responder como seria esperado, é natural que o primeiro sinal seja de falta de confiança. A forma como sair deste desafio definirá o seu futuro próximo. Não vejo Jesus a desistir dele porque, mais do que ninguém, perceberá o seu potencial. Mas, no limite, não recuso a ideia de Jesus optar por João Mário ao lado de Adrien, este sim, a aproveitar muito bem a mudança de treinador.

Boeck
Ao que parece estará de regresso ao Brasil. Assisto com pena a uma série de comentários pouco abonatórios para o eterno suplente de Patrício. Está precisamente aí, na eternidade em que espera por uma oportunidade, a razão para as suas infelizes aparições recentes. Pela especificidade da função, são muito raros os casos de guarda-redes que aparecem no seu melhor após longas paragens. E não é a jogar um par de jogos por ano, de forma intercalada, que se chega à forma. Acresce que gosto da forma como vestiu a nossa camisola pelo que, nesta hora, não o podia esquecer, chama-se a isso gratidão. Não deixo também de crer que Patrício não se teria afirmado e crescido se não pressentisse atrás de si alguém capaz de com ele disputar o lugar. Sê feliz Marcelo.

Já quanto à substituição fico com sentimentos mistos ao ouvir o nome de José Sá. Reconheço-lhe alguma qualidade mas não me parece que Rui Patrício vá perder o sono com a sua presença. Na idade em que está precisa de jogar. Mesmo que o faça na equipa B não vejo como possa já constituir uma alternativa segura a possíveis ausências do nosso habitual titular. Em suma, se tudo isto se confirmar, no curto/médio prazo não ficamos melhor.

Teo
Seguramente que este Teo, o que (não) temos visto com a nossa camisola, "não é o mesmo" que tem sido titular da sua selecção e, com isso, sentado no banco nomes aparentemente improváveis como Jackson. Agora que parece  que se estão a abrir as portas para um regresso ao seu continente de origem, aceito resignado a ideia de o ver partir. À cabeça está o seu pelo menos aparente pouco compromisso com a equipa e por consequência com os objectivos do clube. Se, como parece ser verdade, é o próprio a querer ir embora, compre-se o bilhete já hoje. Não há nada pior numa equipa que um elemento onde apenas o corpo está presente. Isto agravado do facto de ser dos que mais deve cobrar ao fim-do-mês. Se ficar, que fique de cabeça limpa e com vontade de nos demonstrar o que é Jesus viu nele para o ir buscar.

Novidades
Não deu ainda para fazer grandes avaliações sobre os reforços Zeegelaar e Schelotto. Outra coisa seria se estes tivessem sido integrados naquela que se entende seja a melhor equipa. Ainda assim arriscaria dizer que há ainda muito caminho para andar até compreenderem o que Jesus pretende que façam.

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