São dias mau para o Sportinguismo.
Perder no Porto já quase se tornou um hábito, tão comum como ser espoliado pela arbitragem. O que torna tudo ainda mais incompreensível é que até em jogos como o de ontem, em que fomos particularmente inofensivos, não tenha faltado mais uma vez o pé na cabeça a tentar tudo para que à derrota fosse associada uma humilhação. Um anti-sportinguismo primário, visceral que me enoja.
Mau para o Sportinguismo é também ver acumular exibições no dragão jogando a medo, exactamente da mesma forma que jogava o FCP sempre que atravessava a ponte da Arrábida, nos anos da grande depressão azul, que foram nem mais nem menos que as primeiras 8/9 décadas da sua existência.
Reagiu o Sporting pela boca de Luís Duque e também pelos jogadores que, ainda em campo, se olhavam incrédulos para o que se passava. Mas, no que aos dirigentes diz respeito, é chorar após o leite estar há muito derramado. Talvez por estarem demasiado ocupados em fazer uma das chicotadas psicológicas mais ridículas que conheço - insisto: o que se pretende com uma mudança de treinadora 48 horas de um jogo? A forma cabisbaixa como a equipa se apresentou confirmou os meus maiores temores -esqueceram-se de contestar a nomeação do superdragão Jorge Sousa, fundador do núcleo de Lordelo daquela claque.
Mas pior. O presidente do Sporting, seja ele qual for, não pode elogiar a "competência" de Pinto da Costa, esquecendo-se do que foram os últimos 30 anos do futebol português, sem com isso não estar a divorciar-se dos sócios que representa. Não se pode continuar a sentar ao seu lado quando, por muito menos, se escusou a fazê-lo no camarote presidencial da Luz.
Para terminar este tema fica a contabilidade dos clássicos Antas/Dragão (30anos): G.P. FCP - 15 / G.P. contra FCP - 3 / Expulsões FCP - 10 / Expulsões SLB e SCP - 37. É preciso dizer mais alguma coisa?
Mas o dia de ontem foi muito pior para o Sportinguismo do que apenas uma derrota, mais uma, no dragão. Como foi tornado público ontem, o presidente do Sporting foi vaiado e insultado aquando da recepção no Solar do Norte por uma facção do Directivo XXI, insultos que se estenderam ao hotel onde a equipa estagiava. Só quem tem um enorme vácuo entre os dois pavilhões auriculares pode aplaudir estes métodos para exprimir a indignação, justa diga-se, pelos resultados negativos acumulados.
Este é um sintoma muito claro de que a ausência de vitórias está a contribuir para a degeneração do Sportinguismo pelo qual me apaixonei. E essa forma de estar era diferente, ou pelo menos assim a percepcionava, dos demais na vitória e na derrota. E esses sinais são cada vez mais evidentes na autofagia que alastra, pouco falta para estarmos a comer o cotovelo.
O episódio é ainda mais lamentável porque o associa o nome de um bastião de Sportinguismo na mui nobre e Invicta cidade do Porto e do Norte do País, que muitas vezes são ambos confundidos com os métodos soezes e linguagem torpe de Pinto da Costa. Mais lamentável ainda porque nos faz parecer iguais e porque passa por cima do esforço que muitos fizeram e continuam a fazer para manter o Solar do Norte como ponto de encontro de muitos Sportinguistas. Ao Carlos, ao Bruno, ao Diogo, Gabriel, Tiago, Hugo, Nuno e ao Sr. Leite (espero não me ter esquecido de ninguém, das pessoas que conheço melhor) o meu abraço solidário.
Nota importante: Corre o rumor, cada vez mais insistente, de que Scolari será o próximo treinador do Sporting. Espero que não passe disso mesmo mas, como se costuma dizer, não há fumo sem fogo. A ser verdade isto significaria mais uma fuga para a frente, muito longe de contribuir para resolver o(s) problema(s) do nosso futebol, além de mais um passo para gastar uma fortuna que não temos. Tal obrigar-me-à a repensar o meu relacionamento com o clube. Serei sempre Sportinguista, mas há momentos em que, por auto-preservação, somos obrigados repensar a forma de melhor nos relacionarmos com os que não são caros.