Quando se pensa com os pés dá nisto
Seria grande ingenuidade pensar que 2 elogios consecutivos no mesmo jornal ao treinador Paulo Sérgio acontecem por acaso. Ontem foi a dignidade e hoje é o carácter. Que, apesar de serem apresentadas em termos definitivos pelos dois escribas ao serviço de "O Jogo" e vai-se lá saber de quem mais, (embora não seja difícil avinhar) podiam até ser contestadas, tendo em conta o percurso recente do treinador. Obviamente que esse é um caminho que não me interessa percorrer, apesar de ter como absolutamente claro que questões desse teor nunca poderão ser consideradas acessórias num clube com a matriz do nosso. Noutros, rasgar camisolas e esconder a mão, são pormenores insignificantes inseridos numa doutrina em que todos fins justificam os meios.
O que os dois artigos deixam evidente é que onde sobram os elogios sobre a pessoa faltam os argumentos apoiados em factos que sustentem a qualidade que justifique a posição que ocupa e que lhe caiu do céu: a de treinador do Sporting. Fazer de Paulo Sérgio uma vitima do Sporting parece ser um dos objectivos dos jornalistas / comentadores do jornal de Joaquim Oliveira. O que não surpreende quando estes olham para o futebol pelas mesmas lentes do Paulo Sérgio, perfilhando também a filosofia do pinheiro aplicada ao futebol.
Pensar com os pés é uma forma de estar muito comum entre quem vive e escreve sobre futebol. Mas se já é censurável andar na margem do que estipula a ética e o código deontológico a que estão obrigados, é absolutamente ridículo, para continuar a ser simpático, que, quem vive da escrita, atire a matar sobre o que mandam as normas da língua portuguesa, com ou sem novo acordo ortográfico. Ora diga lá outra vez sr. Mário Duarte: Porque nunca apontou a essa mesma adversidade que o acompanhou desde o início (o agravamento da lesão de Izmailov, a perda por quatro meses de Pedro Mendes, a incapacidade da SAD em colmatar todas - ou, pelos menos, as mais prementes - as lacunas identificadas pelo técnico), nunca lhe virou as costas e enfrentou-a sempre de frente.


