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quarta-feira, 20 de maio de 2015

O significado de mais um título na formação e a formação de novos títulos a caminho

O significado de mais um título na formação
De forma um pouco inesperada o Sporting acabou por acrescentar mais um título para o palmarés de uma das áreas que lhe tem granjeado mais prestígio: a formação. Apesar de ser obrigatório contar sempre com o Sporting, o trajecto recente da equipa não conferia muito favoritismo aos iniciados, especialmente por estarem obrigados a ganhar no campo de um adversário a quem, em todos os encontros anteriores da época, nunca o havia conseguido. Ora isso e o facto de festejar em casa do rival, tido como favorito, contribuiu para tornar a conquista ainda mais saborosa.

Como em tudo no Sporting, ao invés de a conquista de um título ser um momento de regozijo comum, esta veio reacender as discussões sobre a importância da formação e a tão propalada "aposta" ou falta dela  É no mínimo lamentável que as vitórias ou derrotas sirvam de arma de arremesso entre adeptos do clube. 

Sobre a formação tenho sempre mais dúvidas que certezas. Mas tenho a certeza que os resultados são apenas um dos muitos factores indicativos do trabalho realizado mas nem por isso o mais importante. O Sporting tem, julgo, como objectivo primordial da sua formação a "criação" de jogadores para a sua equipa principal. Logo a obtenção de títulos tem sido sobretudo uma consequência natural da lapidação do talento que lhe chega pelos méritos de uma excepcional capacidade de atracção e recrutamento de valores. Tanto melhor quando a formação é conseguida a vencer.

Podemos não ganhar nenhum título nos próximos anos sem que se possa negar a "aposta na formação". A questão é saber se se está a trabalhar bem, de forma a manter quer hegemonia no sector, quer sobretudo no "abastecimento" de talento da equipa principal, já que o mero preenchimento numérico de vagas é fácil de realizar. É aí que residem as minhas principais dúvidas. E essas dúvidas baseiam-se na observação de alguns indicadores como a perda inusitada de alguns dos melhores jogadores, nos resultados obtidos entre pares, e no visionamento de alguns jogos. Por exemplo:

- Pode ter sido particularmente saborosa a vitória recente dos juniores no Olival. Foi ela aliás que nos permitiu disputar o titulo até ao último jogo, que nem correu bem. Mas o que aproveitará o Sporting, e os jogadores em particular, em apresentar-se num bloco baixo, de três linha muito próximas, conseguindo realizar a primeira transição quase no final do primeiro tempo (que por acaso, e felizmente deu golo)? Quantas vezes jogará o Sporting assim no campeonato principal? Ou esta atitude é o reconhecimento tácito da nossa inferioridade?

- O caso da equipa B é paradigmático. Enquanto se arrastou pelo fundo da tabela às criticas correspondia um enorme silêncio. Agora que a equipa anda nos lugares cimeiros não falta quem fale num ano bom. Mantenho as mesmas interrogações de então:  tenho muitas dúvidas do aproveitamento que o clube possa retirar de muitos dos jogadores que a constituem, como me interrogo sobre o que estão estes jogadores a aprender que lhes seja útil na equipa principal. Ora isto não é muito mais importante do que ser campeão da II Liga, não?
A formação de novos títulos a caminho
Num caminho que (re)começou em 2012 o basquete do Sporting, apostando na formação, vai dando passos que parecem seguros para, seguindo o exemplo do hóquei em patins, fazer ressurgir o Clube como um dos pilares da modalidade em Portugal.

Criada para dar visibilidade ao projeto da formação a equipa sénior feminina, constituída quase exclusivamente, e em moldes totalmente amadores, por sportinguistas, foi subindo gradualmente de escalão até que no passado sábado conquistou o direito de disputar a final do Campeonato Nacional da 1ª divisão, e consequentemente na próxima época estar na Liga Feminina de basquetebol.

A base da equipa tem-se mantido ao longo destas 3 épocas, e da equipa que no ano passado disputou a final-four do campeonato da 2ª divisão, transitaram para esta época 10 jogadoras. No início desta época, quando a equipa se preparava para voltar a disputar a 2ª divisão, surgiu, devido à desistência de uma equipa, a possibilidade de poder jogar na 1ª Divisão. A ABSCP, tendo confiança que o comportamento da equipa não envergonharia o nome do Sporting, assumiu o desafio, e em boa hora o fez.Ultrapassando todas as expectativas a equipa atingiu o 2º lugar na fase regular, disputando até à última jornada o 1º lugar.

Foi nesta altura que apareceu no Clube uma jovem, Inês Faustino, que sendo sportinguista de alma e coração, jogando em Espanha e tendo já terminado o campeonato em que estava envolvida, veio mostrar a sua disponibilidade para ajudar a equipa nos play-off’s finais. Nos mesmos moldes outra jovem, Maria João Bettencourt, seguiu-lhe os passos e veio fortalecer a equipa para os últimos jogos da época.

Resta agora apenas o jogo da Final onde desejamos uma vitória para “pôr a cereja no cimo do bolo”. É importante acrescentar que já mais de uma centena de jovens pratica o basquetebol no Sporting, e que nesta temporada, já apareceu uma equipa sub-19 que correspondeu à aposta e que, também no passado sábado, se apurou para a Final Four da Taça Nacional.

Pode soar a ousadia desmedida falar em títulos numa modalidade que apenas está renascer das cinzas. Mas esse é o destino natural num clube que tem no seu seio adeptos como os que dedicaram o melhor de si a constituir a ABSCP. O meu obrigado a todos eles.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Renovações de Palhinha, Podence e Geraldes

O Sporting comunicou a renovação de Palhinha, Podence, e Geraldes . Os três ficam abrangidos por um contrato com duração até 2021. Nomes que certamente iremos voltar a ouvir falar mais adiante porque todos eles têm potencial para se tornarem importantes num futuro próximo. Assim o Sporting lhes consiga proporcionar o meio apropriado e eles saibam e tenham a indispensável sorte para aproveitar as oportunidades.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

As renovações e o planeamento para o futebol

O Sporting comunicou ontem a prorrogação de contrato dos júniores Gélson Martins, Ivanildo Fernandes, Jorge Silva, Luís Elói, Rafael Barbosa e Fábio Martins e dos seniores Mauro Riquicho, Tobias Figueiredo e Sambinha. 

Por coincidência estas renovações vêm na sequência do meu último post, onde deixei algumas questões, que me parecem pertinentes, relativas ao planeamento que estará a ser feito para o futebol. Deixo para já este tema para me pronunciar sobre as renovações agora efectuadas.

Tratar o que é diferente de forma igual é a primeira ideia que se extrai e que vem na linha das primeiras renovações efectuadas pela actual administração. O clube oferece contratos longos, a que soma elevadas cláusulas de rescisão a todos os jogadores. 

Ora fazê-lo por exemplo, a Tobias e Gélson, jogadores de potencial inquestionável, não é o mesmo que renovar com Sambinha que, além de ter já vinte e dois anos, o melhor que se pode dizer dele é que tem boas condições atléticas e parece ter evoluído desde que chegou ao clube. Isto é, uma apreciação demasiado lata para apreciar um jogador de futebol.

Fica com contrato até aos vinte e cinco anos, com opção até aos vinte e sete. Atendendo ao respectivo valor e ao que é a carreira de um futebolista mais do que um contrato, assemelha-se mais um seguro de reforma.

Para apreciação posterior ficam casos como os de Ivanildo, Jorge Silva ou Éloi, que chegaram recentemente ao clube. As suas performances têm estado longe de ser consideradas exemplares, pelo que a renovação parece ser no mínimo apressada. 

Mas se as apreciações de carácter técnico podem ter algum carácter subjectivo há um dado objectivo que me obriga a questionar o planeamento que está a ser feito para o curto/médio prazo para o futebol, especialmente para a articulação imprescindível entre a equipa A e a B e entre esta e os júniores que aguardam a chegada ao escalão principal.

Atente-se ao quadro de jogadores que ainda estão na órbita da equipa B (ver quadro abaixo, dos quais se poderão considerar excluir  Esgaio, Gauld, Wallyson, Chaby e Medeiros, mas muito dificilmente entram todos na A), 
Defesas: Rábia, Naby Sarr, Jonathan, Sambinha, Domingos Duarte, Riquicho, Sejou King, Jorge Silva e André Geraldes, Esgaio.
Médios: Gauld, Slavchev, Wallyson, Francisco Geraldes, Fábio Martins, Palinha, Fokobo, Medeiros , Chaby e Zezinho.
Avançados: Sacko, Rúbio, Ponde, Mama Baldé, Podence, Gélson Martins, Gazela, Betinho, Cissé, Dramé, Enoh.
Ao total são trinta e um jogadores(!), quase todos eles com contratos bastante longos, a que somarão a breve trecho os jogadores júniores que renovaram recentemente., mais os seniores que já pertencem aos nossos quadros.

Para reflectir.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Que planeamento está ser feito para o futebol do Sporting?

Existe um projecto para o futebol do Sporting?

Quais são as suas linhas orientadoras?

Que tipo de planeamento é feito? Atende-se apenas ao imediato, cujo horizonte é a época a decorrer ou procura-se fazer uma projecção a curto/médio-prazo?

Estas são algumas das muitas questões que por vezes ocorrem a um adepto que, de longe, vai observando as decisões tomadas, procurando percebê-las, em particular as motivações que as regem e os resultados que com elas se pretende obter.

Antes de escrever este post estive a reler algumas das comunicações mais recentes do presidente Bruno de Carvalho, nomeadamente as que foram proferidas por ocasião do segundo ano de mandato, não tendo encontrado nelas linhas orientadoras que respondessem a este tipo de perguntas. Nada é dito sobre questões estruturantes como, por exemplo, o número de jogadores nos plantéis, a escolha das equipas técnicas, respectivos critérios e objectivos, etc, etc.

Assim, procurei fazer a minha própria interpretação, deixando para a caixa de comentários a possibilidade de cada um aduzir os seus argumentos à discussão. Nela incluirei os temas que me parecem ser os mais importantes para esta análise, feita de forma breve e não tão aprofundada como deveria ocorrer: O treinador, o plantel e a formação.

O treinador
A escolha do treinador não é apenas a escolha de um homem só, mas de uma equipa técnica multidisciplinar, bem como das respectivas ideias, organização e metodologia. Por isso considero uma questão estruturante.

Tendo esse aspecto em conta, bem como "politização" que a questão atingiu, é difícil que o tema não se arraste pela próxima época, especialmente se a decisão for a do afastamento e a este não sucedam melhorias evidentes na performance desportiva. Assim, considerada a importância do cargo e o facto acrescido da próxima época ter inicio cedo e aparentar particular exigência, é muito mau sinal se os rumores da decisão estar a ser protelada forem verdadeiros.

Ora, só o facto de se discutir a permanência do treinador, que foi contratado por quatro anos, ao fim de quase o mesmo número de meses de permanência, é razão suficiente para questionar  o planeamento feito. É também importante saber se, no momento da celebração do contrato, a permanência do treinador ficou indexada a algum "serviço mínimo" que não está a ser cumprido, como por exemplo a conquista de um troféu ou uma determinada posição na tabela.

Considerando, para avaliação do trabalho do treinador, três parâmetros - resultados/classificação nas competições, performance exibicional e liderança - a minha avaliação é favorável. É sempre possível melhorar mesmo até quando se triunfa mas, numa avaliação genérica, e atendendo a todas as circunstâncias e limitações que nos são próprias, não só me parece que o trabalho desenvolvido está a ser aceitável, como não me parece haver razões que demonstrem ou indiciem que evoluir para nível superior não é possível.

Quanto aos resultados/classificação nas competições considero que se cumprirão os objectivos mínimos.

Na Champions League foram vários os factores a oporem-se a melhor destino, o que, de certa forma, também se aplicará à Liga Europa. Neste capítulo, não me parece que não tenhamos feito melhor por culpa do treinador.

No campeonato, apesar de considerar que podíamos ter conquistado mais pontos, parece-me que estamos demasiado dependentes das falhas alheias, quase tanto como obrigados a performances irrepreensíveis para alcançar melhor. Isto é o mesmo que dizer que fazer melhor é possível mas, nas actuais circunstâncias, terá carácter excepcional.  

A conquista da Taça merece tratamento próprio. Dadas as características da competição, não me parece que a sua conquista ou perda devessem ser determinantes para a continuidade do treinador.

Olhe-se para o exemplo de Sá Pinto, quando perdeu a Taça com a Académica, levando um voto de confiança, para depois se verificar a hecatombe que se seguiu. Na outra face da moeda o exemplo de JJ, numa época em que perdeu tudo, para no ano seguinte ganhar com relativa facilidade o campeonato.

O trabalho de um treinador deve ser avaliado de forma muito mais abrangente que o resultado de um jogo de uma final de uma competição como a Taça de Portugal.

A qualidade das exibições deixa-me sentimentos mistos. Não sendo de estranhar numa época longa, foi precisamente com os adversários tidos como mais fracos que coleccionamos reveses mais difíceis de suportar. Mas nem por isso mais difícil de percepcionar.

Ser campeão em Portugal tem a ver precisamente precisamente com a capacidade de somar o maior número de pontos com os não-candidatos ao título, que por norma joga com blocos muito baixos ou genericamente em acentuada posição defensiva. Se a importância das ideias do treinador é fundamental, a qualidade individual dos jogadores não é menor. É ela que ajuda a encontrar as soluções em espaços sobrelotados e com pouco tempo para decidir.

Quanto à liderança do treinador, parece-me a adequada, como parecem indicar quer a ausência de casos de indisciplina - O caso Jefferson não é da sua esfera - quer mesmo, de uma forma geral, as indicações dadas pelos jogadores.

O plantel
O trabalho de um treinador está dependente da qualidade dos jogadores que compõem um plantel. A responsabilidade da sua formação tem estado a cargo da SAD, pelo que esta não se pode excluir das responsabilidades nos êxitos ou dos fracassos.  

É meu entendimento, como anteriormente aqui afirmei, que a composição do plantel principal deveria estar sempre articulada com o da equipa B. E que o número devia ser reduzido, de forma a que os jogadores não estejam privados de competir por largos períodos. A dispensa de vários jogadores a meio da época é a admissão tácita desse facto e poderia ter ido até mais longe. 

Ao número excessivo de jogadores que impeça uma maior rotação, acresce ainda um número considerável de jogadores cujo valor e mérito para fazerem parte dos quadros de um clube com as ambições e estatuto do Sporting é muito duvidoso. Nesse sentido, o planeamento da próxima época constitui um enorme desafio, atendendo ao número de excedentes que vai ser necessário colocar, aos que são importante manter, bem como a quantidade e valor dos jogadores a ingressar. Será determinante não cometer o mesmo género de erros que se observaram nas duas épocas anteriores.

A formação
Não tem sido um ano bom para a formação. Não tem sido bom quer pelos resultados, onde parece muito difícil a possibilidade de alcançar títulos, quer pelo nível das exibições. E as prestações internacionais foram deprimentes, em contraste com o passado recente e com o que os nossos adversários/rivais alcançaram. 

Ao contrário do que parece agora ser conveniente dizer, o Sporting não tem tido resultados apenas na formação de jogadores. O Sporting construiu também uma hegemonia de títulos sobre os seus rivais, como testemunham quinze títulos na "era Academia". O FCP alcançou nove e o SLB oito.

Há vários sinais perturbadores a indiciar a perda de competitividade, quando a hegemonia recente parece já uma miragem. Dois exemplos aleatórios: 

1- Na recente convocatória para a selecção sub-19 o Sporting contou apenas com três convocados, mas este número ascenderia a nove se jogadores que recentemente faziam parte dos nossos quadros - Alexandre Silva (Guimarães), Flávio Silva (SLB), Gilson Costa (SLB), Dálcio (CFB), Gil Dias (Mónaco) José Turbo (Inter Milão) -  ainda estivessem entre nós. Se se aceita com naturalidade que alguns optem por seguir as suas carreiras noutros clubes, já se torna mais difícil de entender como tantos o fazem quase em simultâneo, especialmente considerando o estatuto que tanto se invoca para a nossa formação.

2- Os resultados comparativos de alguns escalões, mais nuns que noutros, indiciam uma abrupta perda de competitividade face ao que conseguiam ainda recentemente face aos mesmos adversários, a que se soma uma inédita ausência de uma fase final.

Um ano é muito pouco para deliberar sobre fim dessa hegemonia, mas os sinais são no mínimo inquietantes.

terça-feira, 24 de março de 2015

Iuri Medeiros, o Gauld que já cá estava

Iuri Medeiros precisou apenas de 496 minutos para fazer incidir os focos de atenção sobre si. Mais do que o tempo foram os 2 golos - ambos de elevado recorte técnico - e as assistências os "responsáveis" pelo apontar das luzes. Maior mérito ainda por este protagonismo estar a ser conseguido no modesto Arouca, uma equipa que luta denodadamente para se manter na primeira divisão.

Devo confessar que, quando soube do empréstimo ao Arouca, temi pela afirmação do jogador. Por duas razões essenciais: 

(i) o facto de a equipa do extremo nordeste do distrito de Aveiro estar a lutar pela manutenção, o que nem sempre favorece jogadores com o perfil técnico e físico de Medeiros

(ii) a chegada em simultâneo de Cayembe, jogador do FCP, que poderia disputar com o nosso jogador um lugar, caso Pedro Emanuel o quisesse a jogar a extremo. 

Felizmente o treinador arouquense teve outro entendimento quer relativamente às características fisicas e técnicas do jogador, quer mesmo relativamente ao contributo que este poderia dar à sua equipa e a sua aposta tem-lhe estado a render bons dividendos. Pode-se dizer hoje que a qualidade do jovem jogador superou todas as objecções que a aposta nele poderiam aconselhar.

Em jeito de conclusão, pode-se dizer que em boa hora Iuri rumou a Arouca, porque assim não só pode revelar-nos o seu talento, como beneficiar de um estágio que lhe proporciona o que mais necessita qualquer jogador: tempo e oportunidade para jogar, a única forma de evoluir e aprimorar as qualidades que possui.


Ora falar em Iuri trás novamente à actualidade o tema da contratação de Gauld, especialmente o que foi dito no inicio de época. Lembro a propósito o que foi dito neste post em particular, escrito a 3 de Julho passado:


Desse artigo recupero algumas das ideias centrais, cuja discussão continua a ser actual e pertinente:

O talento do jogador escocês parece não merecer discussão. Já a necessidade da sua contratação, especialmente pelos números envolvidos, num tempo de apertada austeridade, está por comprovar, atendendo a que já existiam entre nós jogadores de valor e perfis semelhantes. Ao custo do jogador escocês têm que se somar os custos e inconvenientes da estagnação daqueles já cá estavam e assim ficariam a marcar passo. Verbas que poderiam eventualmente ter sido canalizadas para reforço do plantel em lugares onde não existia igual oferta.

Acresce a estes factos outro para o qual já me chamaram à atenção várias vezes que nunca vi ser apontado: não é apenas o talento e as posições que podem reclamar para si na equipa que é semelhante, é também o perfil físico. Dificilmente o Sporting poderá jogar com Iuri e Gauld em simultâneo e juntar a estes na mesma equipa Cedric, Martins, Adrien, Mané, por exemplo. A estes deve acrescer os nomes de outros jogadores igualmente talentosos como Chaby, Podence (que entretanto se eclipsou) mas que têm em comum o facto de serem de estatura baixa. Embora peso e altura não sejam as características primordiais na caracterização de um jogador, elas têm uma importância na definição colectiva que talvez apenas o Barcelona dos melhores tempos se tenha conseguido furtar.

Há quem possa afirmar que os jogadores têm que conquistar o seu próprio lugar pelo mérito das suas acções e que não lugares para oferecer, um principio com o qual concordo na generalidade. Contudo a realidade nem sempre é favorável aos princípios. O que o passado recente nos diz é que Gauld tem beneficiado quase sempre quer das melhores oportunidades pelos técnicos, de tal forma que já mereceu chamadas à equipa principal que Iuri não teve e, quando chegou a hora de dispensar por empréstimo, a escolha recaiu sobre Iuri. 

Prerrogativas de ser o jogador mais caro, de ser contratado,  ou apenas mérito? O tempo tem quase sempre um saudável poder clarificador. Visto agora parece que o Sporting tem na garagem dois carros iguais mas só vai poder andar com um de cada vez.

Nota: o papel dos adeptos pode também ser importante. Lembro-me por exemplo da sua prestação num jogo da Taça da Liga (Belenenses) em que os melhores apontamentos foram de Podence e Wallyson mas os "Ah's" e os "Oh's" foram para o galês. O que se diria hoje de Gauld, que não se diz de Medeiros, se tivesse sido ele a marcar os golos e as assistências que conseguiu?

segunda-feira, 9 de março de 2015

Marcha atrás com Matheus Pereira?

Marcha atrás na sangria de talento?
Uma excelente noticia a que ficamos a saber com a renovação do contrato de Matheus Pereira até 2020. Excelente porque contraria uma certa tendência em conseguir manter os melhores, depois de uma série inicial de renovações em que se assegurou a manutenção de alguns dos nossos jogadores mais promissores. Foi muito bom ter mantido Iuri, Chaby e Podence, por exemplo, mas os últimos tempos pareciam acentuar a tendência de alienar talento. Foi o que aconteceu com Moreto Cassamá, Isidra Sambú, Tiago Dias ou Nuno Teixeira, por exemplo. Não se sabe o que uns e outros serão no futuro, o que o presente regista é que são dos melhores da sua geração.

A renovação de Matheus Pereira é ainda mais saborosa porque era um jogador que já tinha sido dado como perdido. Para ela ter ocorrido, certamente que foi necessário um importante esforço mas, tal como dizia aqui há dias a procura do talento é que decidirá o futuro do Sporting. 

Uma andorinha não faz a primavera
A satisfação pela manutenção de um jogador como Matheus Pereira não é o fim do caminho é apenas mais um passo na caminhada. São necessários mais Matheus, sem esquecer que, para vingarem e poderem tornar-se naquilo que eles e todos esperamos, é necessário tempo, paciência e, não menos importante, uma estrutura de suporte moderna e competente.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Fim do mercado de inverno: emprestar ou despejar?

O Sporting esteve bastante activo neste mercado de Inverno, especialmente do lado das vendas/dispensas/empréstimos, tendo adquirido apenas um jogador para colmatar a saída de Maurício. 

Considerações/questões genéricas que resultam da observação do que foi agora efectuado:


- Para um clube que assumidamente tem dificuldades financeiras o Sporting tem os seus planteis principais (equipa A, equipa B) sobredimensionados. Os plantéis deveriam estar articulados entre si e dispor de um número mínimo de jogadores, de forma a que estes pudessem jogar o maior número de vezes. 

- A quantidade de jogadores que saíram da sua equipa B, 10 (!), é uma confissão tácita desse facto. Ora, se todos precisam de jogar para terem ritmo e emprestarem a devida competitividade, é precisamente neste escalão que essa necessidade é mais aguda. 

- O plantel principal com vinte e dois jogadores seria o ideal. Sobrariam, salvo lesões, quatro dos dezoito habituais convocados, que poderiam jogar na B. A equipa B poderia até ser em número um pouco menor, atendendo a que jogadores júniores de último ano, ou mais evoluídos, poderiam constituir opção.

- O número de jogadores nos plantéis é crucial. A possibilidade de jogar com regularidade é um dos aspectos a ter em conta mas é também um factor que promove esperança e a ambição indispensável de melhorar e jogar ao mais alto nível. Plantéis extensos funcionam precisamente de forma inversa.

- O empréstimo de uma quantidade de jogadores tão significativa foi feita com um critério meramente economicista, na tentativa de aliviar a folha salarial, ou visando proporcionar aos jogadores envolvidos experiências profissionais enriquecedoras? Essa dúvida é justificada, se atendermos aos destinos dos jogadores. Jogar muito pode nem ser suficiente, se os jogadores não tiverem um treinador que os faça evoluir, corrigindo as imperfeições e ganhando novas competências.

- Que acompanhamento será feito dos jogadores que agora saem? Serão efectuadas observações directas e elaborados relatórios de todos os jogadores de forma a que se possa avaliar a sua evolução? Estamos a falar de um pesadelo logístico, atendendo a que essas observações terão que se estender desde Brentford, Londres, onde já jogava Betinho, passando agora por Bolton, nos arredores de Manchester, passando pela Holanda onde está agora Wilson Eduardo, não esquecendo Chaby na Madeira.


Imagem Record

Considerações especificas da Equipa B



- Os empréstimos de jogadores para o campeonato nacional de profissionais são difíceis de perceber a não ser como uma admissão da pouca confiança no valor do jogador, ou então como um vulgar castigo. Estão nestas condições Mama Baldé e o "famoso" Gazela (Jorge Santos) que, pelos vistos, não se deu bem com os ares da lezíria.

- Filipe Chaby foi dispensado para uma equipa do mesmo escalão que a equipa B. Contudo, atendendo às ambições da equipa,  tal não significa um passo ao lado. Até pode ser um passo em frente relativamente aos colegas que permaneceram na B ou saíram por empréstimo. O facto de o treinador ser Vítor Oliveira é importante, não tanto pela excelência das suas qualidades formativas, mas por se tratar de um treinador com um curriculum de sucesso a este nível,  podendo os jogadores encontrar aí um ambiente desinibidor, potenciando as suas melhores qualidades.

- Fokobo saiu para o Arouca, sendo duvidoso que possa tirar o lugar a Rui Sampaio. Muitas dúvidas no acerto da decisão.

- Iuri Medeiros seguiu o mesmo caminho mas, como se pôde ver este fim-de-semana, Cayembe leva-lhe a dianteira nas preferências de Pedro Emanuel. Não há qualquer surpresa, atendendo ao trajecto do treinador e origem coincidente do jogador. Embora me pareça que a equipa ganha com a presença dos dois, ficam muitas dúvidas sobre a decisão.

- Cissé e Esgaio estão agora em Coimbra, uma equipa cuja direcção está longe de ser propriamente "Sporting friendly". Considerações "politicas" à parte, uma vez que a questão técnica me parece ser mais relevante para os jogadores, parece uma boa oportunidade, embora não tenha qualquer esperança por Cissé. A situação da equipa na tabela classificativa será o principal factor contra. Paulo Sérgio não é propriamente um treinador modelo, é duvidosa a sua continuidade, mas tem valor suficiente para as necessidades.

- Enoh saiu para o Leixões sem deixar o mais pequeno laivo que justificasse a aquisição. Menos ainda quando se havia dispensado um ano antes um jogador que já pertencia aos nossos quadros, Flávio Silva,  para agora se perder a disputa da sua aquisição com o SLB. 

Considerações especificas da equipa A

- Sobre a venda de Maurício já falei anteriormente, bem como da chegada de Ewerton. A este nível duas considerações: (i) ficamos melhor no que diz respeito à dupla titular e essa melhoria só não é mais favorável dado o curto período de utilização, o que pode ser pernicioso para um jogo com a responsabilidade da do próximo jogo, o dérby. (ii) Ficamos, pelo menos temporariamente, mais vulneráveis, pelo menos enquanto Ewerton não puder dar o seu contributo. As qualidades de Sarr e agora também o ambiente pouco favorável em seu torno, fazem dele mais uma ameaça que um activo a considerar.

- O empréstimo Wilson Eduardo ao Den Haag. Pode ser interessante para o jogador, até por questões económicas, mas em termos de evolução e aperfeiçoamento tem tudo para ser um desperdício, pelas diferenças de campeonatos. O pior é que um bom final de época pode criar a mesma ilusão que o jogador já havia suscitado.

- Quem tem Wilson Eduardo não deveria queimar recursos com Heldon. O jogador cabo-verdiano chegou há um ano por causa de uma muito habitual ilusão de óptica: ser bom no Marítimo está longe de significar ser bom no Sporting. O clube insular era então treinado por Pedro Martins, um treinador cujo futebol directo é bom para a velocidade de Heldon. Porém, as vezes que foi chamado, mostrou que, para contornar os muros defensivos, é preciso um pouco mais. Tem agora uma boa oportunidade no Córdoba, semelhante à que teve na Madeira, mas com foco muito maior.

- Slavchev entrou mudo e saiu calado, sem um minuto acumulado que fosse na I Liga e sem significar sequer alternativa na equipa B. É precisamente aí, com jogadores da mesma idade e até mais novos que fica claro o risco da aposta em campeonatos de futebol emergentes como o búlgaro. Os tempos de Balakov e Stoichkov já estão para trás há muito e estes não vão ressuscitar por decreto. A ida para Bolton, da divisão secundária inglesa, é de acerto muito duvidoso, tendo em conta o futebol praticado e mesmo a qualidade geral dos treinadores ingleses. Só se compreende pelo facto de o valor do jogador permanecer uma incógnita, apesar de ser dos mais caros do plantel, e não haver por cá quem pague tanto por incógnitas.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O que dizer agora, que estamos quase desLIGAdos?

Algumas considerações avulsas sobre a participação do Sporting na edição deste ano da Taça da Liga:

- Sempre me opus à decisão tomada o ano passado, de o Sporting não se fazer representar com a melhor equipa possível, e mesmo admitindo a inevitável gestão do plantel que competição tacitamente aceite como menor permite. Não só porque não me parece que esta seja uma postura que honre o historial do clube e a forma como deve ser entendida a actividade desportiva, mas também porque com o argumento invocado - as decisões arbitrárias e erróneas - há muito que o Sporting teria deixado de competir ao mais alto nível. 

- Como todas as moedas, há sempre um verso e o Sporting, com a atitude tomada este ano, acabou por escrever direito por linhas tortas, como diz o artigo do Koba, citado no link. Mais, o Sporting pode até ter dado uma ideia para uma segunda vida de uma competição em nítido sofrimento para se manter viva. Talvez se possa até ir mais longe não só impondo uma média de idades (sub-23?) como também uma taxa mandatória de utilização de jogadores portugueses. 

- Independentemente das opções que faça relativamente à equipa a apresentar nos jogos desta competição, o não apuramento para, pelo menos, as meias-finais só pode ser considerado como um fracasso para um clube como o Sporting. O apuramento é ainda possível, mas difícil pela conjunção de resultados a que obriga, com a agravante de estes terem de ocorrer com mais de uma equipa.

- No caso especifico deste ano, a não ocorrer o desejado apuramento, ainda mais se acentua esse sentimento, se atendermos ao que foram os jogos mais recentes, nos confrontos com Belenenses e Vitória de Setúbal. Em qualquer um deles a vitória esteve perfeitamente ao nosso alcance, acabando por fugir de forma totalmente inglória e mais por demérito nosso do que por mérito do adversário.

- Já vi fazer várias leituras explicativas para os jogos do Restelo e de ontem. Creio que a questão da "juventude" ou "falta de experiência" é a mais óbvia mas também a mais simplista. Parece-me que grande parte das explicações se devem encontrar na falta de rotinas colectivas no jogo pois, como é bom lembrar, alguns destes jogadores só se encontram nesta competição. Como é sabido, uns jogam pela equipa A, outros pela equipa B juntando-se, quase sem treinar, e com um enorme espaço entre jogos, para jogar frente a equipas que jogam com muitos dos seus titulares habituais. É minha convicção que era possível fazer melhor se as rotinas fossem outras. Dizer isto não é negar que em alguns dos jogos, embora apenas a espaços, houve desempenhos, mais os individuais que os colectivos, de muito bom nível. É dizer que talvez não seja legitimo exigir mais.

- A competição a este nível acaba por ter um efeito clarificador. Não apenas por nos ser possível comparar os desempenhos dos jogadores da mesma equipa e posições, como as diferentes posturas e reacções em competição ao mais alto nível. Nomeadamente entre mais velhos e experientes ou com melhor CV e outros que ainda estão a começar. Ao fim e ao cabo é no talento que reside o maior poder diferenciador entre uns e outros, facto que os jogos desta competição se têm encarregue de esclarecer.

- Do lado A, o do talento, destacaria Marcelo Boeck, que não pode ser esquecido no banco só porque tem Patricio como um enorme eucalipto a secar e fazer sombra. O seu profissionalismo e dedicação são inquestionáveis e, se necessário e com o devido ritmo, é uma garantia. André Martins, o mal-amado, ontem demonstrou estar uns patamares acima dos demais. Wallyson vai confirmando em cada jogo que o futuro é dele e este pode estar a chegar a qualquer momento. Podence respira talento mas também evidencia estar a precisar de choques de realismo. Isto é, ser mais prático do que tentar demonstrar em todas as jogadas que é um predestinado. As aparições de Gauld também prometem. Não menciono Tobias porque já subiu para o andar superior. Mas sobretudo porque, tal como sempre aqui disse desde o inicio de época, o seu valor mais do que justificava a aposta face ao que a concorrência podia oferecer. Hoje tal é praticamente consensual.

- Do lado cinzento, que  tanto pode ser entendido como a aguardar por melhor prova como de mediania confiável e eventualmente útil, estão Geraldes, cuja contratação porém não se justifica nem para o lado direito nem para o esquerdo. Subiu uns furos do que foram as suas apresentações do inicio de época mas não permite esquecer os que o precedem, incluindo Mika Pinto, que parece estar de saída por empréstimo. A caminho de Coimbra está já Esgaio que anda mesmo a pedi-las, isto é, precisa de outro nível e exigência. Muitas dúvidas neste destino, falarei mais apropriadamente sobre a matéria quando fechar o mercado. Rosell está longe de confirmar as boas indicações deixadas na pré-época. Pior, as últimas aparições deixaram algumas dúvidas que, até prova do contrário são capazes de estar relacionadas com falta de ritmo. O regressado Rúbio precisa de mais tempo para demonstrar se os exilios na Roménia e Noruega significaram alguma aprendizagem que lhe permita a necessária evolução.

- Do lado B, isto é, dos só o acaso ou qualquer outra razão que não o mérito e o talento fizeram aparecer de camisola do Sporting vestida estão os centrais de ontem Rabia e Sarr a que se junta também Sacko. Não é demais lembrar que, por exemplo, os centrais, jogam enquanto Reis aquece o banco mas tem mais futebol numa perna que aqueles nas quatro. E que já cá tínhamos Semedo e Tobias que também são internacionais e são da mesma idade. O extremo francês corresponde a um perfil que parece muito desejado por estes tempos em Alcochete, e que se vislumbra em Enoh, Cissé, Sambinha, Dramé, e no ja referido Sarr, por exemplo, mas que parece esquecer que é preciso muito mais do que músculo e peso para ser jogador de futebol. Talvez falte mesmo o essencial: formação futebolística e sobretudo algum talento, mesmo que mediano.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

No day-after de mais uma Bola de Ouro, uma importante reflexão sobre a formação no Sporting

Ronaldo é o expoente máximo da formação do Sporting
No day-after da conquista de mais uma Bola de Ouro por um atleta formado no Sporting, parece-me fazer todo o sentido falar novamente sobre a formação do Sporting. Uma reflexão que é ainda mais oportuna num momento em que existem alguns sinais que justificam pelo menos a preocupação, exigem questões e respectivas respostas. Para tal elaborei um questionário muito simples, de quatro perguntas apenas (a bold), que André Carreira de Figueiredo* se disponibilizou para responder.

- Os resultados deste ano lançaram o alarme sobre a formação, que a recente não qualificação dos juvenis veio acentuar. Os resultados dos jogos, sobretudo os títulos, na formação são assim tão importantes ou deve ser feita uma leitura mais abrangente, como exibições, valores emergentes, etc?

Falar em "a melhor formação" é muito subjectivo e por vezes depende daquilo que é conveniente para os adeptos e "máquinas de relações públicas" valorizarem após uma determinada vitória ou derrota, mas há que ter em conta vários factores:

1) Produzir individualidades para a equipa principal, portanto, formar jogadores (e não colectivos) e fazer um aproveitamento dos mesmos no "período pós-formação", ou seja, quando terminam a sua época Sub-19.

2) Conquistar títulos para incutir aos jogadores desde cedo uma "cultura de vitória" e a capacidade de sobressaírem no contexto de um colectivo.

3) Formar homens pois, sem um desenvolvimento social e emocional adequado, muitos jogadores não desenvolvem a maturidade necessária ou uma personalidade forte que lhes permita sobreviver às "depressões" que podem estar associadas a um empréstimo fora da "casa mãe" ou de uma passagem prolongada pelo banco de suplentes ou pela bancada.

Em termos de aproveitamento de individualidades da sua formação na equipa principal, o Sporting tem tido indiscutivelmente a "melhor pós-formação" (e tem recebido justificadamente a melhor imprensa) nos últimos 15 anos, mas, há que ter em conta que é mais fácil um jovem conseguir entrar num XI sénior como o do Sporting do que num XI mais competitivo como é o do Benfica. Portanto, a aposta em jovens  por parte do Sporting nos passados 10-35 anos passa muito pelo facto de o Sporting ter quase sempre um orçamento mais reduzido que o do seu rival da 2ª Circular, e ter, na maioria das vezes, um XI titular menos competitivo na sua equipa sénior onde, portanto, é mais fácil os jovens conseguirem afirmar-se.

Há igualmente que ter em conta que os jovens da formação que o Sporting tem no seu plantel sénior são o resultado de um trabalho/investimento que vem de há muitos anos e que lentamente deu frutos, e não do trabalho desenvolvido nos tempos mais recentes.

Rui Patrício chegou ao Sporting há 17 anos descoberto pelo ex-Observador Técnico Sr. Artur Garrett, Nani chegou ao Sporting há 12 anos descoberto pelo Observador Técnico Sr. Carlos Braz, Cédric Soares chegou ao Sporting com 6 ou 7 anos de idade no final dos anos 90 quando o irmão mais velho (Kevin Soares) o trouxe para treinar, Adrien Silva chegou ao Sporting há 12 anos descoberto pelo Observador Técnico Sr. Gomes Ribeiro (que também descobriu Simão Sabrosa), William Carvalho chegou há 10 anos e chegou porque é um grande Sportinguista, pois tinha Bruno Maruta em sua casa com papéis para ele assinar pelo Benfica e William segredou ao seu então treinador (Ricardo Nascimento) no Mira-Sintra que preferia ir para o "seu" Sporting.

André Martins chegou há 12 anos descoberto pelo ex-observador técnico Coronel José Santos, João Mário Eduardo foi a Mãe dele a Srª Lídia Costa que o trouxe para o Sporting há 12 anos, Eric Dier foi a Mãe que o levou para o Sporting há 12 anos, Filipe Chaby é outro grande Sportinguista que foi descoberto para o Sporting pelo ex-Observador Técnico Sr. João Ruas há 9 anos. Francisco Geraldes é um jovem Sportinguista de 19 anos que está no Sporting há 12 anos.

Mesmo falando dos casos mais recentes de jovens que conseguiram algum espaço na equipa principal, o Carlos Mané está no Sporting há 14 anos, o Daniel Podence foi descoberto pelo Observador Técnico Sr. Carlos Braz no Belenenses, Tobias Figueiredo chegou ao Sporting há 10 anos, Ricardo Esgaio chegou da Nazaré há 11 anos e a avó dele vinha ver os jogos dele a Pina Manique e a Alcochete, Rúben Semedo, com idade Sub-16, foi observado pelo Mister Luís Dias num jogo de Juvenis A do "Fofó", onde eu também estava presente há 7 anos.

Mica Pinto chegou há 8 anos e jogou em pelo menos 3 posições (médio defensivo, avançado-centro e lateral esquerdo), Iuri Medeiros chegou há 11 anos, etc. Em suma, os atletas que hoje em dia vão surgindo da formação são o resultado de um "investimento" que foi feito há 6-18 anos nas estruturas de Prospecção e Formação.

Quando olhamos para um jogador temos que ter em conta dois aspectos, o seu valor desportivo actual e avaliar qual será o seu potencial a curto, médio e longo prazo. Enquanto o valor actual é relativamente fácil de aquilatar com a elaboração de um relatório técnico de avaliação, já o potencial a longo prazo depende de muitos factores, mas na minha opinião o mais importante é o psicológico. Por exemplo, depende da mentalidade dos atletas e como a mesma poderá mudar durante a puberdade, a personalidade dos seus encarregados de educação que poderão dar-nos uma indicação de como vai ser o jogador em termos de traços da sua personalidade, a potenciação física, técnica e psicológica que os profissionais da instituição poderão realizar com o atleta quer na Fase de Iniciação quer na Fase de Especialização, e hoje em dia também quando passam pelo Sporting B, etc.

Mas, não se pode confundir o valor desportivo ou o potencial com o momento de  forma, pois há jogadores ou equipas que podem ter más exibições, mas as mesmas serem uma simples anomalia ou causada por factores exógenos, questões de Locus de Controle Externo (sorte, azar, incompetência ou falta de seriedade de terceiros, etc). No entanto, se os jogadores e planteis têm qualidade e se o treinador é competente e profissional, e os adversários são de igual ou inferior valia, é natural esperarem-se vitórias, títulos, e não apenas a potenciação das individualidades mais promissoras.

Tendo dito isto, o rendimento da geração de 1996 (actuais juniores) ao longo dos últimos 2 anos não reflecte o real valor desse lote de atletas nem eles evoluíram o que seria perfeitamente razoável esperar deles nestes passados 21 meses. Não são uma geração fabulosa de jogadores, nunca foram e isso já era óbvio quando eram Infantis, mas são claramente jogadores em nítido sub-rendimento nestes últimos dois anos, sobretudo na presente época, mas quem conhece estes jogadores sabe que eles valem MUITO mais do que  isto, basta ver o seu historial entre 2008 e 2012. Em Janeiro de 2013 estavam à frente do Benfica, até há 2 anos nunca ficaram abaixo do 2º lugar quer em competições Nacionais quer em Distritais, inclusive foram campeões há pouco mais de 4 anos com o treinador Pedro Gonçalves. O “descalabro” verificou-se nos últimos 2 anos, é factual e incontornável.

Sempre achei que seria irrealista esperar o título nacional destes jogadores esta época, mas, era normal que se esperasse MUITO mais deste grupo de trabalho (e que obviamente envolve a estrutura) do que aquilo que têm produzido nos passados 2 anos e sobretudo na presente temporada. Não são "fracos" nem medíocres em termos de talento, mas realisticamente, o grupo (jogadores e não só) tem sido medíocres esta época, e bons jogadores entre 2008 e 2012 não desaprendem a jogar em 2013, 2014 e 2015. Há da parte dos "adultos" responsáveis que tirar ilações, algumas delas particularmente introspectivas.

Relativamente à geração de 1998 (actuais juvenis), sempre fui da opinião que eram uma boa geração, mas não excepcional (e alertei há 18 meses que não havia espaço para deslumbramentos), e na qual eu via talvez 3 jogadores (Telmo Costa no início de época falou em 5 ou 6) com capacidade para chegar aos seniores a seu tempo. Os restantes eram incógnitas, pois a sua evolução para mim dependia de demasiados factores. É verdade que foram campeões nacionais com relativa facilidade há 2 anos, mas, como se costuma dizer, "só podemos vencer quem aparece à nossa frente", ou seja, a equipa era melhor que os adversários, mas, nunca achei que fossem uma "Super-Equipa" como muitos julgavam pelos resultados (e título), enquanto eu me limitava a avaliar a qualidade e potencial a longo prazo dos jogadores.

Foi uma equipa que sofreu alguma “delapidação” nos passados 2 anos e que em parte por causa desse "empobrecimento", ao fim de 3 anos consecutivos a conquistar títulos, acaba de assinar a pior época alguma vez registada por uma equipa Sub-17 do Sporting na já longa história desta competição. Mas, não é por causa deste "fiasco" que este lote de jogadores de 1998 deixa desportivamente de valer menos do que valia há 6 meses, da mesma forma que para mim não valiam mais depois de serem campeões nacionais em 2013.

Esta época registou-se claramente algum sub-rendimento por parte destes jogadores, eles poderão arcar com alguma "culpa", mas nunca com toda. São um bom plantel, que não rendeu o que seria de esperar deles, mas, tal como com os de 1996, também não me parece que a culpa seja única e exclusivamente dos jogadores e equipas técnicas. Poderão haver muitos factores, desde quebra psicológica, mau ambiente de trabalho devido a alguma opressão social que possam sentir, falta de gratificação (questões económicas) comparadas com colegas, falta de motivação, falta de auto-confiança, falta de empatia para com quem os rodeia, desânimo, falta de organização (na equipa e fora dela), etc.

Se o único factor a ter em conta para a próxima época for a qualidade dos jogadores (em vez da equipa técnica, estrutura, condições de trabalho, acompanhamento, etc) não acredito que a equipa de Juniores seja muito mais competitiva que as dos últimos 2 anos, pois ao longo dos passados 6-8 anos a Geração de 1997 não deu indicações de que fosse superior à Geração de 1996.

Quanto à Geração de 2000 que presentemente competem nos Sub-15 e terminaram a 1ª Fase 9 pontos na retaguarda do Benfica, se formos a julgar unicamente pela qualidade dos jogadores, temos claramente qualidade para sermos campeões nacionais. Mas, exactamente o mesmo podia ser dito (e foi, por mim) sobre a Geração de 1999 que na época transacta passou pelos Iniciados A e nada conquistou. E em ambos os casos estamos a falar de gerações campeoníssimas, com 7 títulos conquistados antes de chegarem aos Sub-15.

-  Estes resultados são meramente circunstanciais e coincidentes ou são  sinais que evidenciam problemas?

De forma alguma são circunstanciais ou fruto do azar. Eles evidenciam problemas de ordem estrutural, organizativa e de falta de competência, experiência e sensibilidade em posições chave, sobretudo na gestão dos recursos humanos. Claramente, as Gerações de 1996, 1998 e 1999 foram todas elas afectadas nos passados 2 anos. É uma questão estrutural e que está relacionada com questões de competência, experiência e sensibilidade para o trato com os jovens, desorganização, excessiva acumulação de  cargos, alguns deles por pessoas de competência "amadora", e isto resulta de dois factores: a menor folga orçamental e a má/insensata gestão de recursos humanos.

- Quais são os problemas que identificaria como sendo específicos de cada escalão e quais os que resultam da própria organização?

O Sporting necessita de um Director Geral da Formação que conheça o meio em que se movimenta, que conheça os jogadores e treinadores (dentro e fora do Sporting), que seja sobretudo um agregador de competências, que saiba liderar, que saiba criar e gerir uma dinâmica social que permita extrair o máximo potencial profissional de todos os seus colaboradores, e não obstante ser ele o líder máximo, que dê valor à opinião das pessoas competentes que o rodeiam. As Hiperlideranças “asfixiam” quem as rodeiam, e só funcionam quando o Hiper Líder é alguém de inquestionável competência.

O Sporting necessita de um Coordenador Técnico da Formação que para além da competência possua capacidade de liderança (e algum carisma) para se impor e ser respeitado pelos seus superiores hierárquicos e consequentemente conquistar a sua autonomia dentro da estrutura.

O Sporting tem que apostar nos melhores treinadores, nos José Limas, nos Pedros Gonçalves,  nos Tiagos Capazes, nos Tiagos Fernandes, nos Nunos Lourenços (é inconcebível que esteja a treinar os Sub-13 quando tem mais capacidade e experiência do que alguns em Alcochete), os Pedros Pontes, etc. Tem que ser capaz de atrair os Brunos Lages, os Luíses Nascimento, talvez um Luís Araújo, de trazer de volta o Bruno Freitas, de potenciar um Bernardo Bruschy, de ir buscar as 4 ou 8 pedras basilares que lhe permitam reerguer o seu Departamento de Recrutamento para os níveis em que estavam em 2005-2007, etc.

Relativamente ao Professor João Couto que agora regressa ao Sporting, gostaria de dizer algumas coisas. É um amigo, é um Sportinguista com "S" grande, é um Homem com "H" grande e, em condições ideais, é um treinador muito acima da média.

O Professor João Couto foi Professor de Educação Física na minha velha Alma Mater, o Colégio São João de Brito, é alguém que foi campeão nacional de Juvenis duas vezes pelo Sporting (em 2004/05 com a geração de 1988 e em 2005/06 com a geração de 1989), bem como campeão nacional de juvenis pelo Benfica em 2007/08 com a geração de 1991.

Mas, do passado vivem os museus, e o Professor terá que demonstrar nestes novos tempos, com outros constrangimentos (orçamentais e não só) e com outros jogadores, o que consegue fazer. Na globalidade ele é um grande reforço, não apenas pela sua qualidade enquanto treinador, mas igualmente como ser humano, é uma pessoa afável, amiga dos jogadores, disciplinador quando necessário, é um bom psicólogo, e é um Mister que sabe ter os jogadores com ele.

Espero que os Sportinguistas não queiram fazer do João Couto um "São João", ele é em condições normais INQUESTIONAVELMENTE uma mais-valia, mas ele sozinho não fará milagres. Esqueçam isso, ele não tem nenhuma varinha mágica, ele é apenas mais uma peça (neste caso, uma boa peça) na engrenagem, mas os Sportinguistas não se podem esquecer que os Joões Coutos e os Luíses Martins foram campeões com gerações de jogadores muito acima da média, não foi com jogadores medianos nem com coordenadores medianos.

O João Couto tem qualidade, mas necessita igualmente que lhe dêem qualidade para ser trabalhada e necessita de estar rodeado na estrutura de outros elementos de qualidade. Para mim, o Professor João Couto é indiscutivelmente uma referência, tal como é o Mister Luís Martins, o Mister Bruno Lage, o Mister José Lima, e outros que também têm muita qualidade profissional e humana, mas que infelizmente nem sempre recebem o reconhecimento que tanto mereciam.

- Quer apontar algumas medidas de curto prazo que tomaria para devolver alguma normalidade já na próxima época a este sector tão querido dos Sportinguistas?

Muitas vezes se tem falado que "o Sporting forma bons jogadores, mas não forma bons homens" e em relação a isso gostaria de dizer o seguinte, que tanto uma formação como a outra não é complicada de se atingir, desde que os jovens tenham em seu redor os profissionais e as personalidades certas.

Como se formam os bons jogadores?

Antes de mais, é necessário ter boa matéria prima e é aí que entra um bom Departamento de Recrutamento e cujo trabalho (bom ou mau) nunca pode ser descurado e que pode ter repercussões (positivas ou negativas) que só se sentirão 5-12 anos no futuro. Tendo já jovens talentos, para formar bons jogadores é imperativo essencialmente ter os melhores treinadores, os melhores nutricionistas, os melhores especialistas em treino de força e em Prevenção/Reabilitação de lesões, os melhores psicólogos e as melhores infra-estruturas. É tão simples quanto isso, os melhores nas suas respectivas áreas para potenciar a melhor matéria prima aplicando-lhe as três traves mestras; o Treino, a Nutrição, e o Repouso.

Como se formam os bons homens?

Quando um jovem do sexo masculino entra na adolescência está numa fase em que a sua personalidade se começa a afirmar, e a sua personalidade será um reflexo das pessoas que o rodeiam. Todos os jovens necessitam de um forte exemplo masculino (o Pai) e um forte exemplo feminino (a Mãe) nas suas vidas, mas quando os jovens passam muito tempo longe dos encarregados de educação, é importante que tenham em seu redor homens sérios, homens leais, homens corajosos, homens íntegros, homens trabalhadores, homens sociáveis, todos eles valores importantes que os jovens possam assimilar.

Agora, se um jovem entre os 13 e os 19 anos estiver rodeado de homens introvertidos, intelectualmente desonestos, cobardes, nervosos, ansiosos, bajuladores, ordinários, sexistas, tabagistas, alcoólicos, narcisistas, etc, obviamente que esses maus exemplos mais do que provavelmente irão afectar negativamente o desenvolvimento da personalidade do jovem.

Isto aplica-se a qualquer colaborador que possa entrar em contacto com os jovens atletas, mas focando-me mais agora nos treinadores, os atletas precisam de treinadores que para além de competência e profissionalismo, precisam que esses treinadores sejam homens exemplares, pois quer tenham consciência disso ou não, esses treinadores têm nas mãos uma enorme responsabilidade, pois estão a ter um profundo impacto na formação da personalidade desses jovens.

Eu prefiro que atletas entre os 7 e os 12 anos sejam acompanhados por psicólogas e de preferência psicólogas relativamente jovens, com idades compreendidas entre os 25 e 35, e que para além da ciência da psicologia, que venham igualmente dotadas de humanismo. Mas, para acompanhar jogadores adolescentes ou adultos prefiro que esse acompanhamento seja feito unicamente por psicólogos. Não faz qualquer sentido um jogador de 14-17 anos andar a ser acompanhado por uma mulher de 20-35 anos, para mim isso é uma "farsa". A capacidade de empatia é reduzida, e as psicólogas nunca poderão nem deverão tentar assumir o papel pouco ético de "mães substitutas".

Quando falo em psicólogos e psicólogas, estou obviamente a falar dos melhores e não de profissionais medianos ou medíocres, pois esses apenas representam mais um nome e mais um "peso" na folha salarial e pouco ou nada têm a oferecer em termos de contribuição para a formação do homem ou do atleta. Se alguma coisa, estarão a acrescentar o nome “Sporting Clube de Portugal” ao seu CV, para que mais tarde possam tentar monetizar essa experiência acumulada  ao serviço da instituição.

Que fique claro que considero que existem boas psicólogas e com capacidade para lidarem com adolescentes do sexo masculino e com homens mas, com o devido respeito, essas na sua maioria são profissionais com 25-30 anos de carreira. Estamos a falar das melhores, portanto, profissionais que devido ao seu talento e experiência já possuem capacidade para entender a psique masculina de um adolescente.

Tendo dito isto, continuo a acreditar que o "Psicólogo Primário" deve ser sempre o treinador, e esta é uma área em que obviamente alguns treinadores têm maior sensibilidade do que outros, e que tem tanto a ver com conhecimentos adquiridos em Pós-Graduações em Psicologia, como tem a ver com a própria personalidade dos treinadores, pois há quem tire todos os cursos possíveis sobre Psicologia ou Psiquiatria, mas falta-lhes o humanismo ou as competências sociais necessárias para conseguirem compreender os seus “pacientes“.

Acredito igualmente que os jovens mais do que sessões de psicanálise enfadonhas e intrusivas ou de "elogios gratuitos", deviam ter a oportunidade de participar no maior número possível de actividades sociais e culturais. Na adolescência necessitam sobretudo de socializar, de fazer  amizades, de arranjarem namoradas e de aprenderem por experiência própria a controlar as suas emoções, para evitar que mais tarde sejam adultos que sofram de desequilíbrios ou descontroles emocionais que, muitas vezes são interpretadas como sinal de imaturidade e revelam-se como um obstáculo intransponível para a sua afirmação no futebol ao mais alto nível. Estamos a tentar formar homens e não "robots" anti-sociais.

A medida primária que tomaria seria a criação de uma estrutura capaz de governar a Formação e Prospecção do Sporting, uma estrutura que reuniria competências diversas e que tornaria a  estrutura mais flexível, moderna e pedagógica, com capacidade de se adaptar às contingências da Formação e Prospecção moderna, com gestão substancialmente mais lúcida, democrática e meritocrática dos recursos humanos disponíveis, e o desenvolvimento de uma verdadeira estratégia de optimização do Sporting B como plataforma competitiva intermédia.

Para que isto fosse possível seria necessária uma reestruturação de recursos humanos que envolveria a dispensa de vários colaboradores que não estivessem 100% comprometidos com o espírito do novo projecto, e seria igualmente necessária a entrada de profissionais de inequívoca competência e experiência nas áreas onde seriam chamados a intervir.

Post-Scriptum: O Sporting necessita rever o seu projecto "Férias Academia". É certo que o Sporting encara esse projecto mais pela vertente comercial, e os jovens que o frequentam mais pela vertente social, ou seja, nenhuma das partes está necessariamente interessada em formar jogadores ou em incutir bons hábitos que permitam a um jovem aspirar a ser jogador, mas, é inaceitável que alguns dos treinadores responsáveis pelos treinos estejam obesos (não estão gordos, estão obesos, e alguns nem 30 anos devem ter).

Há igualmente que ter maior atenção à forma dos jovens quando executam os exercícios durante os treinos de modo a evitar lesões. Mas o pior, é sem dúvida a alimentação que permitem a essas crianças e adolescentes; pequenos-almoços com Chocapic e Coca-Cola, almoços com bifes de vaca "encharcados" de molhos e acompanhados de batatas fritas e doces, e jantares em que podem consumir doses industriais de hidratos de carbono (será que isto os conduzirá a uma boa higiene de sono?), em suma uma alimentação péssima a todos os níveis e que pode ajudar a tornar esses jovens em futuros diabéticos quando atingirem a meia-idade. Irresponsável e inaceitável.

Saudações Leoninas,

André Carreira de Figueiredo.

*André Carreira de Figueiredo é o director do jornal desportivo online "Academia de Talentos e que há vários anos acompanha a formação do Sporting.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Equipa B: entre as promessas eleitorais e a intenção de extinguir, o que mudou?


Não sei o crédito que merecem as notícias que desde ontem anunciam a intenção da administração do clube em extinguir a equipa B, se não se derem cumprimento a algumas alterações que aquela, alegadamente, pretende introduzir nos regulamentos. Mas a noticia é tudo menos uma surpresa, porque não aparece do nada. 

Nada acontece por acaso e havia já alguns indícios que algo poderá estar para mudar. O mais forte de todos, que pode ter passado despercebido, foi o artigo do ex-PMAG Eduardo Barroso na sua crónica de "A Bola", onde advogava que as equipas B, nos actuais moldes, eram mais uma fonte de problemas do que soluções. Sabendo da sua proximidade com a actual administração não podia deixar de lhe dar relevo. É por isso que a notícia não é assim tão estranha como poderia parecer à primeira.

Ora antes de ir ao que Sporting alegadamente pretende – acabar com a equipa B se não lhe forem concedidas as alterações pretendidas - é interessante recuar ao que foi prometido aos Sportinguistas em tempo de candidatura, aquando das últimas eleições. Recordo, como nota importante, que ao tempo vigoravam já os actuais regulamentos.

 (Um parêntesis para uma pequena ressalva: no programa de candidatura de Bruno de Carvalho há uma distinção entre o conceito de "Formação" e "Equipa B" que, na minha óptica, está errada. Vejo a "Equipa B" como a última etapa da formação de jovens jogadores e creio que essa diferença de percepção é capaz de ser uma das razões que poderá estar a arrastar o Sporting para uma tomada de decisão como a anunciada. )

Na introdução ao programa de candidatura pode-se ler (as que me parecem mais importantes):

"A Formação e a Equipa B manter-se-ão como apostas fundamentais para o nosso presente e futuro." (página 17)

17. A equipa B é uma aposta para manter. (página 19)

E quais são agora as pretensões do Sporting? Segundo as notícias de hoje o Sporting pretende:

- Reduzir o âmbito da idade sobre a qual assentam a formação dos planteis de sub-23 para sub-21, podendo inscrever até cinco elementos de idade superior.

- Que se mantenham as actuais condições das Academias para sede dos jogos das equipas B.

- A possibilidade de acordos com clubes satélites desde que não inscritos na mesma associação.

As minhas questões, partindo do principio que a noticia do Record, que diz ter tido acesso a uma carta enviada pelo Sporting à Liga, são verdadeiras:

- O Sporting insiste num modelo de relações externas assente na confrontação, prescindindo do valor da negociação. Já não é apenas uma questão de estilo, é estratégia. Os resultados obtidos terão que ser, no momento oportuno, devidamente contabilizados. Isso é o que realmente deve contar, sendo pouco importante a adesão ou a rejeição desta metodologia. Eu não gosto e duvido que se alcancem resultados práticos.

- A imposição de cláusulas de forma unilateral como condição sine qua non para participação nos campeonatos vai ser alargada a outros escalões e modalidades e levada até às últimas consequências?

- Qual é a importância real das cláusulas em causa, ao ponto da actual administração por em causa compromissos assumidos com os Sportinguistas, que estão na sua base programática e que levaram à sua eleição? 

- Qual é a importância real das cláusulas em causa para prescindir da importância estratégica que uma equipa B tem e que a actual administração reconheceu aquando da elaboração do documento ao afirmar no supra-referido documento:

"(…) Ao contrário do que tem sido prática recente, o recurso a jovens criados na formação do Sporting deverá ser uma realidade, à semelhança daquilo que sempre foi tradicional no clube. É incompreensível que um Clube que possui uma das melhores escolas de futebol do Mundo, não aproveite convenientemente em termos desportivos, e por consequência no aspecto financeiro, o enorme investimento anualmente realizado na sua Academia. É bom ter em conta que a FIFA e a UEFA vão a breve prazo alterar as regras do jogo, no que à gestão económica e financeira dos clubes diz respeito, e quem estiver mais bem preparado e já levar uma prática de rigor e de respeito pelos orçamentos, estará em vantagem."

"A existência de uma equipa B é de enorme importância para o desenvolvimento sustentado e servirá de ponte entre o futebol júnior e o futebol sénior. Deverá ser absolutamente proibido aumentar o passivo da SAD por via da compra de passes de jogadores, investindo recursos que não estejam disponíveis."

- Levando a efeito a extinção da equipa B, que alternativa tem o Sporting para fazer crescer de forma sustentada os jogadores que terminarão o período formativo –que não a sua formação - com dezanove anos, conhecendo-se, como se conhecem, as dificuldades actuais de colocação de jogadores emprestados, onde até o SCBraga nos consegue suplantar no número de jogadores naquelas condições a jogar na I Liga?

- Não é apenas a actuação, ou alegadas intenções, da administração que me deixam perplexidade. Logo, em Vizela, o Sporting disputará uma eliminatória da Taça de Portugal e no lote de convocados não aparece nenhum jogador do actual plantel da equipa B. Marco Silva, ao invés de premiar os jogadores que aí têm actuado, mesmo com o pouco brilho que se vem constatando, prefere dar primazia a jogadores que, cada vez que foram chamados, nunca o justificaram. Falo de jogadores como Rabia, Sarr, Héldon, Slavchev quando, por exemplo, os centrais actuais da equipa, Wallyson, Gauld, Iuri, estiveram, no último jogo, num plano mais próximo do que pode ser tido como o seu valor. 

Que mensagem se transmite aos jogadores da equipa B? 

Onde fica o mérito como critério na hora escolher?

And last, but not the least:

Falar em jogadores como Rabia, Sarr, Héldon e Slavchev (e tantos outros que chegaram entretanto) quando, ao ler-se documento de candidatura da actual administração, se encontram enunciados como os que deixo abaixo, é caso para perguntar se os seus autores são os mesmos ou o que é que os fez mudar tão radicalmente de princípios num tão curto espaço de tempo:

- (…) Quanto menor for o número de jogadores a entrar de novo no plantel, maior será a facilidade de manter rotinas e entendimentos, que consumiram tempo e esforço a conseguir e que são verdadeiramente importantes numa equipa.

(…) Com a reactivação da equipa B, o plantel deverá ser menos numeroso – 20 jogadores. Cinco ou seis jogadores, numa escolha cirúrgica, experientes (ter em atenção que no futebol a experiência não está diretamente relacionada com a idade) e capazes de acrescentar valor ao plantel existente, serão suficientes para a construção de uma equipa que possa lutar pelos objetivos de curto, médio e longo prazo do Clube. 

Jogadores estrangeiros não adaptados ao futebol português apenas se forem mais-valias claras. As contratações de jogadores estrangeiros, não adaptados ao futebol português, estará sempre dependente de serem considerados, pelo treinador principal e pela equipa Diretiva, como uma real valia para o reforço da equipa, apoiados em base nos relatórios emitidos pelos departamentos de Scouting e Sociológico.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O que é preocupante quando (não) se vê jogar a equipa B

Ontem a equipa B do Sporting acumulou mais um resultado negativo, com a agravante de tal ter sucedido em casa. Sou de opinião que não se devem fazer grandes extrapolações na sequência de um qualquer resultado, seja ele de cariz negativo ou mesmo positivo. O jogo de ontem assim o recomenda, uma vez que alguns acontecimentos específicos ocorridos durante a partida condicionaram o seu desfecho, como foram a expulsão de Fokobo numa fase precoce do jogo e um penalty desperdiçado, que poderia ter conferido o empate.

Mas há uma inevitabilidade a considerar após o jogo de ontem: por força dos maus resultados consecutivos, a equipa gravita agora próximo da perigosa zona de despromoção, que habitualmente exerce uma pressão psicológica acrescida sobre as equipas, jogadores e treinadores. Os 20 pontos do actual 17º lugar  conferem-nos apenas 3 pontos de distância dos 17 do 22º lugar que confere a descida ao inferno da II B , de onde se sai apenas garantindo o primeiro lugar da série respectiva. Os próximos jogos terão algum carácter definidor, uma das características deste campeonato é a grande volatilidade da tabela classificativa, é tão fácil subir ou descer, em função dos resultados. Mas daria imenso jeito, leia-se tranquilidade, que o próximo jogo fosse ganho. É uma curta deslocação, ao campo do Oriental, que tem apenas menos um ponto que nós.

Se a posição em caímos é, como se vê, preocupante, mais ainda parece-me que é o que não se consegue perceber em campo. O mais natural é que se esteja a recolher os frutos da má planificação da época, marcada pelas constantes alterações na composição da equipa técnica, onde se assinala a inovação de destituir o treinador quando a época ia começar, isto quando eram já conhecidas movimentações nesse sentido, como se depreende da admissão pública de Litos de que havia rejeitado um convite para o lugar. 

Passados quase 2 meses da chegada de um novo treinador, e quando não se percebem quaisquer automatismos no comportamento da equipa nem que modelo de jogo se procura, é caso para perguntar se Deus, (o João) existe e se existe o que tem andado a fazer.  Neste momento acumulamos mais derrotas que vitórias, mais golos sofridos que marcados, não marcamos golos há 6 jogos consecutivos (ontem quase não construímos oportunidades). Isto sim -  a falta de qualidade do nosso jogo - me parece mais preocupante que uma episódica descida na classificação. Sem qualidade, a obtenção de resultados eleva ainda mais o carácter aleatório do jogo a que a equipa fica entregue.

Do ponto de vista da qualidade individual dos jogadores que compõem o plantel, julgo ser consensual afirmar que ela existe e obriga a fazer muito mais, mesmo que aquela não seja a de dos 2 anos anteriores. No entanto há jogadores nitidamente estagnados (Esgaio, Reis, Tobias, Wallyson, Esgaio, Podence) e outros que até parecem ter regredido (Fokobo). Há ainda aqueles que desapareceram completamente e de quem se esperava muito (Iuri e Chaby), pelo menos mais do que se arrastarem entre o banco e a bancada. Ryan Gauld está longe de justificar o maior investimento do ano e não parece ser por falta de qualidade técnica. Outros infelizmente vão ocupando lugares que não justificam de todo (Cissé, Enoh, Dramé, Sacko). Isto sem esquecer os jogadores que foram contratados para a A se arrastam na terra de ninguém, como Sacko, Geraldes, Slavchev e Rábia, mas vão ocupando aqui e ali lugares de outros sem também o justificar.

É também mais ou menos consensual que alguns dos jogadores acima aludidos estejam a precisar de novos desafios, que a II Liga dificilmente representam. Mas, olhando à lista de jogadores emprestados e aos campeonatos onde aterraram é pelo menos legitimo uma conclusão e uma dúvida.

A primeira, a conclusão, é que o Sporting não conseguiu colocar jogadores nem na Liga portuguesa nem em ligas, clubes ou treinadores de referência. O que torna duvidosos os resultados que se venham a alcançar. Betinho deu o lugar a Cissé para ir jogar para o Brentford de Inglaterra, quando as características do jogador e daquele campeonato britânico recomendavam o contrário. Rúbio, na Noruega,  Semedo no Réus, Viola no Karbukskor, Zezinho no Chipre, parecem estar a cumprir uma pena de exílio. Excepção para Labyad, no Vitesse da Holanda. Aqui talvez fosse bom questionar se a politica de não alianças e auto-exclusão a que o Sporting se votou não está a contribuir para o expatriamento forçado de jogadores, com aparentes mais desvantagens que benefícios para aqueles e para o clubes.

Isto enquanto se escutam algumas dúvidas relativamente à postura profissional de alguns atletas também. Independentemente do que possa haver aí de verdade, é bom lembrar também que alguns destes jogadores vincularam-se recentemente ao clube por períodos longos (com contratos baratos e elevadas cláusulas de rescisão) sob a promessa de um novo ciclo de apostas na prata da casa e, alguns deles, vêm os seus lugares ocupados por jogadores a ganhar mais sem o justificar. Na prática não jogam, logo não evoluem, e também não ganham dinheiro. Nestas circunstâncias é fácil recriminar, mais difícil é aguentar uma situação que, a manter-se, lhes é notoriamente prejudicial.

A pergunta que se coloca é a de sempre: com que jogadores se poderá contar na próxima época para a formação do plantel? Não é para isso que serve a equipa B?

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Apenas mais 50 cêntimos para a "aposta na formação"

Sporting e Portugal como denominadores comuns (Imagem FPF)
Uma breve reflexão, sem grande profundidade, na sequência da jornada europeia de selecções. Esta abrangeu também as selecções sub-21, concorrendo para que o Sporting contasse com uma mobilização, em ambos escalões, de 19 (!) jogadores cuja formação foi da sua responsabilidade. A saber:

Nos sub-21: Ié, Ilori, Bruma, Mané, Esgaio, Iuri, Ricardo e Tobias. Os 3 primeiros seriam excluídos por lesão e o último, Tobias, acabaria por entrar na convocatória posteriormente.

Nos AA: Patrício, Beto, Cédric, Fonte, Moutinho, Nani, João Mário, William, Adrien, Ronaldo, Quaresma.

O prestigio - Por muito que custe admitir a muitos, especialmente por razões de alergia clubista primária, o Sporting tornou-se no principal criador de jogadores de selecção.  Esse facto é reconhecido internacionalmente de forma frequente, embora por cá não pareça merecer o mesmo destaque.

A evidência de uma aposta - O presente lote de jogadores deve ser considerado circunstancial, porque tanto inclui jogadores de "lugar cativo" na selecção, como outros que estão de passagem. Isto tanto quer dizer que o número de jogadores pode ser menor ou até maior, não sendo o mais importante agora. Mais importante que o número, é a disseminação de jogadores de diversas gerações em cujas pontas do leque estão Beto e João Mário, completando 11 anos de diferença de diferença entre si.

Não estendo a análise aos sub-21 pois, neste escalão, é ainda demasiado cedo para falarmos em certezas. Ainda assim atrevo-me a dizer que Ilori, Bruma, Mané, Esgaio, Ricardo e Tobias têm tudo o que é preciso para nos obrigarem a fixar os seus nomes pela próxima década ou quase. No meio ficam jogadores como Patrício e William a assegurar a manutenção do nome do Sporting para lá da fase final do Europeu de 2016, com Nani, Moutinho, Ronaldo e eventualmente Quaresma a constituírem nomes incontornáveis pelo menos até lá. Para não tornar a análise demasiado especulativa, fico-me pelo critério do seleccionador que presidiu à actual escolha, abstendo-me assim de apontar outros nomes, mesmo que evidentes, a poder entrar para a actual selecção.

O que estes números revelam, e que me parece acima de qualquer contestação, é que o trabalho de prospecção, criação e de incubadora do departamento de formação do Sporting há pelo menos duas décadas consecutivas se elevou a um nível elevado, superando os seus concorrentes directos neste capitulo. Repare-se que mesmo os mais novos de idade são já quase veteranos no clube. Mané, por exemplo, tem apenas 20 anos, mas está no clube desde 2001, há 13 anos, portanto. O que perfaz mais de metade da sua ainda curta vida, sendo por isso um dado incontornável e absolutamente notável!

Campanha de apuramento invicta (imagem FPF)


No aproveitar é que está o ganho. Ou o prejuízo - Se olharmos para os dezanove jogadores da amostra rapidamente se conclui que apenas dez representam ainda o Sporting, sendo que um deles (Nani) o faz de forma episódica. Dos restantes nove que não possuem já ligação, quatro estão já definitivamente com um pé fora de Alvalade, apesar de pertencerem ainda aos sub-21. Precisamente aqueles que apontaríamos como os melhores da respectiva geração. Um dado a merecer reflexão, para se perceber se estamos a olhar para um mero episódio ou para uma tendência. 

Obviamente que um clube que todos os anos lança para o mercado um plantel inteiro de jogadores acabados de chegar a seniores tem que se conformar com o facto de não poder ser infalível nas suas estimativas, quanto ao futuro dos jogadores. Assim como se deve (re)conciliar com ideia de que não pode impedir os jogadores que forma de quererem mais - seja isso dinheiro, notoriedade, campeonatos mais competitivos, etc - do que o clube pode oferecer. Neste capítulo o Sporting só pode fazer duas coisas: (i) procurar o ressarcimento do investimento feito no jogador e, num futuro tão breve quanto possível (ii) tornar-se ainda mais atractivo como projecto de carreira para os seus formandos. O que, por muito que nos custe admitir, poucas vezes o tem sido. 

Necessidade ou convicção? - Duas razões me parecem acima de contestação para justificar o sucesso da formação do clube: (i) a elevada qualidade dos jogadores que forma, tornando-os apetecíveis aos olhos de quem tem disponibilidade para pagar o que eles valem. Olhe-se, se preciso fosse, para os clubes que representam. E o facto de o clube (ii) incorporar diversos jogadores no seu plantel principal com origem na sua academia, o que o distingue claramente dos seus rivais. 

Falta saber se o faz por necessidade - seja ela por falta de mais recursos, seja ela ditada por motivações eleitoralistas - ou por convicção. É que sempre que parece haver um pouquinho mais de dinheiro para gastar a convicção parece perder força e os jogadores da casa lá têm que correr mais do que os outros, ganhando quase sempre menos, para, quase sempre, e com grande facilidade, fazerem mais e melhor do que os "forasteiros".

O que dizem as bolas de cristal sobre o futuro? - Alguns dados recentes, como sejam a falta de títulos - cujo valor indicativo é ligeiramente significativo, mas é apenas "um dos"- o número de jogadores nas selecções jovens, os resultados gerais e os especificios com os rivais e clubes que melhor formam como, por exemplo, Vitória(s), Braga, etc, etc, já fizeram soar várias campainhas. Ora isto são apenas resultados que ocorrem quase nunca por acaso mas, como a palavra indica, como corolário do trabalho da prospecção, da qualidade dos técnicos e dos dirigentes. 

Mais do que um libelo definitivo, ditado por ocorrências esparsas, é necessária reflexão. Dispensam-se excesso de optimismo ou pessimismo militante, que a realidade se encarrega de desmistificar. Até porque as transformações estruturais, e por isso basilares, raras vezes são detectadas a "olho nu" requerem demorada digestão e compilação de factos. 

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