Com a realização do jogo de anteontem em Matosinhos, e antes do final da primeira volta, a nossa situação na tabela classificativa é desoladora, na linha do que tem sido a nossa participação no campeonato. Estamos um ponto mais perto do último lugar do que do topo da classificação e é por isso que se insiste tanto na necessidade de reforços. E se tivermos em conta os compromissos para o inicio do ano, ficamos obrigados a uma resposta imediata, o que equivale a dizer que, quem vier, tem de começar a “contar”, ficando pouco ou nenhum tempo para adaptações. Contudo o futuro não deveria ser hipotecado com jogadores que, acrescentando valor imediato, não representem uma mais-valia financeira por não disporem de mercado. Não pode igualmente ser esquecido a formação como fonte de recrutamento. Ao contrário do que tanto querem fazer crer, tem sido Alcochete a dar-nos os nossos melhores valores.
De forma surpreendente chegou ontem João Pereira. É um jogador português, com escola, adaptado ao nosso campeonato, onde subiu a pulso, depois de cortado o cordão umbilical com a casa-mãe. Inserir-se-ia no perfil de um bom reforço se não houvesse um passivo emocional que fazia dele um dos jogadores mais malquistos em Alvalade. Estranho também a súbita disponibilidade financeira para “bater” a cláusula de rescisão por um jogador que daqui a 2 semanas estaria livre para assinar por quem quisesse. Adiante…
Analisando os outros nomes mais insistentemente falados, parecem-me não se enquadrar no perfil desejado os nomes de Babá e Djalma. São jogadores muito interessantes, sem dúvida, mas para o médio prazo. Tenho acompanhado as suas prestações e nota-se que ainda carecem de amadurecimento, quer nas movimentações quer na finalização. Acresce que o angolano tem a CAN 2010 pela frente.
Ruben Micael parece-me um valor seguro, mas joga numa posição em que estamos servidos com Moutinho e com um Matias que ainda precisa de demonstração prática do potencial que deixa adivinhar. O madeirense é um bom nome para a época 2010/11, na eventualidade de o Mundial nos valorizar alguns dos nossos 10´s.
André Santos está na mesma situação, fazendo ainda menos sentido que se indemnize o U.Leiria para nos devolver o que é nosso. E há até o risco de interromper a evolução do jogador, uma vez que a titularidade para ele estaria longe de ser um dado adquirido.
Resta Carlão, um jogador que me agrada, pese o preço inflacionado. Duvido que Bartolomeu o emprestasse com opção de compra, a situação mais conveniente. É de crer que, com uma linha média poderosa e com os processos de jogo afinados, este jogador pudesse superar o bom rendimento evidenciado em Leiria. Mas, é uma mera intuição, não me parece que pudesse responder melhor do que os que já estão no plantel.
E chegamos a Humberto Suazo, jogador sempre falado nos fóruns Sportinguistas no inicio de cada época. Jogador poderoso, internacional chileno, parece um valor seguro, embora o meu conhecimento sobre ele seja fundamentado nos resumos e Youtube onde, sabemos bem, é fácil brilhar. O propalado interesse de clubes com outros argumentos financeiros, interessados em ir buscá-lo ao México, tornam-no numa prenda de difícil concretização. A sua idade e o respectivo preço também obrigam a reflecção. Como muito bem afirmava há dias o Kovacevic no 442, para ir buscar jogadores destes não é preciso scouting.
Ficam de fora a lateral esquerda da defesa e as alas, tidos como os principais óbices à implementação do 4x3x3 tão do agrado de Carvalhal.Não me surpreenderia também que, na sequência do frio do banco por 2 vezes consecutivas não pusesse Polga a pensar no verão dos trópicos, abrindo espaço à recomposição da defesa. O problema é que os clubes brasileiros vendem caro e não gostam de pagar na hora de comprar. Nessa recomposição dificilmente caberia Mexer.
Já agora porque não Keirrison? O Barcelona quer colocá-lo, o jogador tem valor. Lembram-se do falhanço de Derlei e da importância que isso teve na sua vontade de se afirmar em Alvalade? Num quadro de um empréstimo de longo prazo, poderia ser uma solução interessante. Afinal o estágio de adaptação já está pago…
A verdade é que o Presidente já afirmou por diversas vezes que há necessidade de ir ao mercado e que havia dinheiro para fazer face às necessidades. Ainda anteontem o reiterou, à entrada do Politeama, onde ocorreu a festa de Natal dos funcionários do Sporting. Como as palavras podem ser levadas pelo vento aí está João Pereira ao que se seguirão outros, obviamente. Tudo leva a crer que após a festa nas de Natal, para regressar a Alvalade, JEB não passou no Centro Comercial da Mouraria ou na Rua dos Fanqueiros para comprar as prendas de Natal.