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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Obrigado e boa sorte Marcel Keizer

Keizer talvez tenha sido dos treinadores mais intrigantes que vi passar pelo Sporting. Tanto assim é que se me fosse pedido para classificar a sua passagem por Alvalade era capaz de optar pela célebre expressão adoptada pelos brasileiros para definir o futebol total do seu compatriota: carrossel holandês. No nosso caso, porém, para classificar as constantes mudanças, equívocos e indefinições que pareciam estar constantemente na cabeça do treinador, que acabaram por impedir a indispensável solidez e constância da equipa.

Não obstante, como adepto, registo o profissionalismo e honestidade do treinador, que infelizmente não podemos dizer de todos os que passaram pelo clube. Mais importante ainda fica um curriculum curto, de apenas alguns meses, mas com dois titulos arrecadados. Eu fico-lhe grato.

Venha quem faça melhor, é o desafio que certamente nos deixa.

Obrigado e boa sorte Marcel Keizer.


domingo, 1 de setembro de 2019

Keizer: a melhor das piores escolhas

Fotos de Isa, editora fotográfica deste blogue.
 
Como era bom que todas as más escolhas feitas para treinadores deixassem o pecúlio de Marcel Keizer quando saíram. Tinha muito que escrever para ir buscar todos os treinadores que foram declaradamente uma má escolha e depois multiplicar por dois o número de troféus ganhos cada vez que por cá passaram.Mas escreveria este post com muito mais gosto e menos pesar.

Infelizmente a cada jornada que passa é cada vez mais óbvia a inadquação de Marcel Keizer ao cargo de treinador do Sporting. Isto ainda que seja claro que o treinador encontrou uma conjuntura pouco favorável, o que atenua um pouco as criticas à sua prestação. Mas, passados uns meses da sua chegada o bom futebol inicial e os titulos ganhos são cada vez mais as excepções que confirmam a regra: o futebol do Sporting é tão inócuo e inofensivo para os adversários como a placidez imperturbável do treinador na linha lateral. Nunca como neste caso a semelhança e o futebol exibido e a personalidade do treinador se assemelharam tanto.

Voltando ás conferências de imprensa, o senhor que é treinador do Sporting - e mesmo que o fosse só por um fim-de-semana! - não pode justificar derrotas e banhos de futebol como se estivesse a explicar à senhora Keizer que se enganou no pacote, e que serviu o leite com lactose. Estou em crer que até a senhora era capaz de desconfiar se, pela enésima vez, o engano se repetisse. Talvez o senhor veja mal ou, pior, não sabe ler. Aqui os sócios são a senhora Keizer.

A generalidade de nós aceitou a escolha de Peseiro com consciência da dificuldade do momento, cuja complexidade não é preciso recordar. Sabíamos que estávamos a por gelo num hematoma, isto é, era apenas uma medida paliativa mas o hematoma precisava de melhor receita. O exemplo do gelo é ainda mais apropriado porque é conhecido o pé frio do treinador. Imagens como a aquela bola ao poste do Rogério seguido de um golo na nossa baliza deve ter acontecido milhares de vezes. Mas para nós ficou gravado para sempre como se fôssemos esquimós e nos faltasse gelo para o gin numa festa de finalistas. Ainda ninguém acredita e a sua presença, apesar da coragem em dar a cara que se saúda, era como que alguém, malevolamente estivesse constantemente a primir o botão para o filme voltar atrás.

Keizer soube merecer alguma dose de tolerância pelo que fez inicialmente. Recuperou-nos o caminho que nos levaria à final da Taça da Liga, que tinha ficado comprometido com Peseiro. E a forma como fechamos a época obrigava fatalmente à sua permanência. Quantas vezes despedimos treinadores de que nos viemos a arrepender? Quantas vezes tivemos treinadores que ganhassem alguma coisa que se visse?

Agora é preciso arrepiar caminho e reconhecer que o tempo de Keizer está esgotado. Não é o único responsável nem sequer o único culpado. Esta pré-epoca (ainda se pode usar a expressão, tantas têm sido as contingências e decisões difíceis de entender) também não o ajudou em nada. Mas como qualquer macã que caiu de madura, só lhe resta apodrecer.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Eu sim, estou preocupado. E muito!

As declarações do presidente Frederico Varandas (FV) marcaram ainda mais profundamente o desaire (isto é um eufemismo...) da Supertaça. Eu até compreendo o que ele disse e o que procurou alcançar mas não apenas aceito como concordo que FV foi particularmente infeliz. Ainda por cima, ao contrário do que disse, o seu semblante era de quem estava realmente preocupado com o que acabava de suceder. Naquele momento eram necessárias declarações sóbrias e sobretudo de assumpção de responsabilidade e desculpas perante o sucedido. Mas sobretudo de empatia para com toda a nação Verde e Branca, particularmente com aqueles que se deslocaram propositadamente ao Algarve e se dispuseram a fazer frente a um horário absurdo.

O parêntesis sobre o horário é inteiramente merecido. Mesmo considerando que muitos adeptos de ambos os clubes se encontrem a banhos, a menos que estivessem nas imediações do eixo Albufeira/Quarteira/Vilamoura poucos devem ter chegado a casa antes da meia-noite. O mesmo indicie de autismo e desrespeito pelos adeptos já se anunciam nos horários já conhecidos. Por exemplo, se eu quiser ir ver o jogo com o Braga tenho que me deitar às 3 da manhã. Se eu quisesse acrescentar mais penitência à minha vida tinha ido para monge franciscano em clausura e abdicava do luxo que é ser adepto do nosso Grande Sporting. Bem vistas as coisas abdicar das nossas cores é uma penitência ainda maior, por isso deixa estar, adiante...

Voltando a FV, devo dizer sem qualquer problema que não apenas votei na sua lista nas eleições como confio nas suas capacidades e especialmente na equipa com que se fez acompanhar. FV não é nem quer ser um homem providencial e isso é bom para o Sporting. Além da grande dedicação e empenho que reconheço à sua equipa, julgo que não apenas tem competência e seriedade, mas também é bem preparada e com experiência apesar de, na sua generalidade, ser ainda jovem. Mas talvez mais importante que tudo têm vontade de reerguer o Sporting e guindá-lo a patamares de onde não deveria nunca ter saído. E estão a aprender como todos os outros aprenderam o que é gerir um clube como o Sporting.

Para que tal suceda precisa de todas as qualidades acima enunciadas, mas também de tempo para executar e claro, de resultados desportivos. Sorte? Sem dúvida, mas essa chega sempre, mais tarde ou mais cedo, quando se é competente. Mas a competência em futebol e num clube nas circunstâncias em que a equipa de Varandas encontrou o clube requer tempo. 

Mas o tempo não é tudo e é isso que torna a tarefa mais complexa. FV e sua equipa não parece ter particular preocupação com a comunicação. A imagem que projecta é  por isso muitas vezes confundida com indiferença e arrogância. Quando nós nos não tratamos de escrever as nossas próprias versões alguém se encarrega de o fazer. Infelizmente há demasiados Sportinguistas nitidamente mal intencionados, que têm aproveitado esta falha para espalhar a sua visão mesquinha e marcada pelo profundo ódio que têm por uns corpos sociais que mais não fizeram do que assumir  responsabilidades pelo completo desatino e evidente claudicação de quem os precedeu.

Nada há de muito favorável no que este (ou qualquer outro CD que fosse) tem pela frente. Pelas nossas circunstâncias internas mas também pelas externas. O rival SLB domina, como sabemos, todos os bastidores do futebol, tal como o FCP dominou nos anos 80/90 do século passado e inicio deste século. Mas souberam também criar uma estrutura competente, reorganizaram a formação e disso tiram lucros desportivos e económicos, enquanto nós fazíamos o percurso inverso, desbaratando a maior fonte de riqueza e notoriedade. O FCP vive um tempo de transição e, embora esteja num plano ligeiramente inferior, mantém ainda algum do poder e valor desportivo. De quanto tempo e estabilidade precisaram para se afirmar?

O Sporting é, por todas as razões e outras mais, claramente um outsider. Este CD podia queimar algumas etapas e sobretudo consolidar o seu projecto com um treinador competente que claramente Keizer não parece ser. Infelizmente talvez só FV consiga perceber que qualidades é que possuía para o ir resgatar às imediações do deserto. Aposta na formação, qualidade de desempenho, capaz de se impor e afirmar perante os adversários da LIGA (neste momento a LIGA é mais importante que tudo o resto) não se consegue vislumbrar. Inverter esta imagem é crucial.

Neste momento Keizer está sentado no lugar do morto. É FV que vai assegurando a condução porque o holandês parece ainda petrificado - uma estátua de sal - como o vimos naquelas imagens terríveis no estádio do Algarve, enquanto a equipa soçobrava, abandonada pela total inacção. A sua fleuma e respectivas declarações após o jogo foram quase ofensivas, como se estivesse a dissertar sobre a beleza das tulipas de Keukenhof, indiferente ao sofrimento de quem não se lembra de quando tinha ocorrido a última refeição e contava com ele para interromper esse hiato. O seu baixo perfil mediático ajuda a cavar o fosso empático, que só a sua postura cordata vagamente ameniza. Claramente não parece perceber  o que é o Sporting e isso cria a ideia que não é um treinador para o Sporting.

Não quero com isto dizer que Keizer deve ser despedido imediatamente, até pela falta de soluções. Keizer tem de provar no imediato é que a Supertaça foi "apenas" um jogo mau em que o futebol é tantas vezes fértil. Tem de devolver a esperança que ficou inevitavelmente estilhaçada com a goleada sofrida em ambiente solene de uma final. Tão traumático como acabar despido num baile de gala. Tem de provar que FV não se enganou ou então este tem de, quanto antes, admitir e corrigir o seu erro.

Como a pergunta é inevitável, não creio que uma possível saída de Keizer signifique a queda da direcção. Uma direcção pode não acertar num treinador, sem que isso signifique perder o mandato. Mas é uma óbvia quebra de confiança que não deixa campo de manobra para novo equívoco. FV pode e creio que está a reorganizar e até a (re)inventar muitos departamentos, mas o Sporting é sobretudo um clube e por isso precisa de resultados desportivos. E ainda que não ganhe tem de ter um desempenho que não envergonhe os seus associados. Não foi isso que se viu na Supertaça.

É quase uma ressuscitação que se pede a Keizer. É quase um tudo ou nada ainda o campeonato não começou. É um treinador marcado por uma goleada ante o arquirival. É por isso que eu estou preocupado. E os abutres (os piores são os equipados com as nossas cores porque nos tomam por desmemoriados) já derramam a sua habitual verborreia a cada microfone que lhes passa à frente. Onde estavam eles quando ganhamos "as tacitas"?

quinta-feira, 18 de abril de 2019

O regresso do Ajax e que sucesso possível para o Sporting de Keizer

O percurso do Ajax na Champions League fez voltar os holofotes para a "velha escola do futebol total" que, desde meados da década de 70, se estabeleceu em Amesterdão. Ten Hag foi beber à origem mas, como é natural nas ideias vencedoras, ofereceu-lhe evolução e adaptação aos desafios da contemporaneidade. Há ali muito das ideias precursoras de Totaalvoetbal Rinus Michels, aprimoradas por Johan Cruijff e do tikitaka de Pep Guardiola, também ele um discípulo inovador e ex-aluno da cátedra holandesa.

É por isso inevitável que nos lembremos de Keizer, o nosso actual treinador, pelo seu percurso. É aí que as perguntas se impõem: 

Será ele capaz de implementar algo semelhante no Sporting? Talvez esta pergunta deva ser feita em primeiro lugar para dentro do clube. 

Até que ponto estamos preparados, como clube, para proporcionar as condições de sucesso a Keizer ou a outro qualquer treinador? 

Estamos preparados para ter a paciência necessária para fazer crescer os nossos miúdos, aguentando nesse percurso, os erros naturais do crescimento e as suas consequências?

Temos o nervo suficiente para, no estilo agora tão elogiado do Ajax, de jogar tão subido, ter a paciência de deixar os jogadores procurar as melhores associações para jogar pelo centro e sair da pressão adversária? 

Ou, como quase sempre, gostávamos imitar os resultados dos melhores exemplos (quem não se lembra da corrente Klop do tempo do Borússia?...) mas não temos a paciência para lhes imitar os métodos?

Isto sem falar da permanente autofagia que nos consome. Um clube que vive uma época conturbada, que passou por uma série de eventos desestruturantes (invasão da Academia+rescisões+destituição+eleições com 8(!) listas) e ainda assim tem  a possibilidade de vencer a segunda competição nacional, continua a ter demasiado ruído à sua volta e que, em grande parte é fomentado no seu interior. 

Não sei se o Keizer é o treinador que o Sporting precisa. Talvez a pergunta deva também ser feita pela inversa: terá o Sporting as condições necessárias para fazer de Keizer, ou outro qualquer  o seu lugar, um treinador campeão?

Dizem-me muitas vezes que para haja as condições internas necessárias para o sucesso (estabilidade, ausência de permanente ruído, convergência de objectivos e a tal tranquilidade de que falava Paulo Bento...) só acontecerão quando começarmos a ganhar.

Não deveria ser precisamente o contrário?

sexta-feira, 22 de março de 2019

As férias de Keizer

Ao que parece a decisão de conceder férias ao plantel está a provocar a "habitual" indignação que é visível nas redes sociais. 

Ora trata-se de uma decisão do foro técnico, ele e a sua equipa técnica, mais do que ninguém, estão na posse da informação necessária para a tomar no sentido do que é, em teoria pelo menos, melhor para todos. Acresce que alguns dos titulares e potenciais titulares estão ausentes nas respectivas selecções. Daí que treinar com quem? 

Sem dúvida que há muitas deficiências para eliminar, comportamentos colectivos e individuais e colectivos a corrigir, outros a melhorar. Mas treinar com quem? Treinar muito não é necessariamente treinar bem. Aliás, não é por falta de treinar que a nossa equipa não joga melhor...

Muitas vezes com as melhores intenções, muitas outras nem por isso, nós, os adeptos, invadimos com as nossas opiniões, o espaço de quem toma decisões com base em critérios técnicos devidamente ponderados com opiniões emitidas de forma primária. Parece-me ser esse este o caso.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Miserável!

Ao contrário do que provavelmente pensava a generalidade dos adeptos, em nenhum momento me passou pela cabeça que o Villareal era um adversário facilmente ao nosso alcance, só porque estão em último lugar na sua Liga. Não apenas porque não faltam jogadores de qualidade e experiência no seu plantel, mas também pelo diferente percurso que se regista na Liga Europa, onde continua sem perder. 

Bastaram por isso apenas três minutos e alguns segundos para ficar à vista de todos ao que vinham os de Vila-real, bem como a raiz dos nossos problemas: uma equipa que deixou de o ser, que perdeu as suas referências e que se viu despida das virtudes do agora tão distante período de encantamento com Keizer-Ball. Até prova do contrário, estivemos na presença de um meteorito que hoje não se vislumbra que possa voltar à vida, tão profundo que é o abismo onde se despenhou.

Tem a palavra agora Frederico Varandas. A aposta no técnico holandês foi uma jogada pessoal de elevado risco, totalmente desaconselhada no contexto em que o clube vive. Uma aposta no escuro do seu curriculum e de uma escola em perda, como aqui dissemos na altura. Mas pior do que um erro de avaliação é continuar a laborar num erro. Não decidir, não comunicar, não explicar é apenas aprofundar a sensação de nau à deriva. Varandas vai ter que decidir se corta a âncora que Keizer se tornou ou se se afunda com ele.

P.S.- podemos discutir a qualidade individual de alguns jogadores mas até aí o trabalho de Keizer está a falhar: um bom treinador potencia a qualidade dos jogadores, mas a consequência directa das suas opções  tem resultado na exposição dos seus defeitos.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Keizer? Bola!

Não gosto de desculpas, mas também não gosto de reacções a quente que mais não fazem do que introduzir ainda mais irracionalidade onde ela já abunda. Interrompo assim um longo intervalo sem publicar, muito por força do desaire miserável de ontem.

Antes de mais não faz qualquer sentido as atitudes de terra queimada. Os maus resultados recentes têm exactamente os mesmos responsáveis que os bons resultados iniciais. A entrada de Keizer foi um doping moral que se esfumou por várias razões muito concretas: não temos plantel para fazer "um passeio no parque" como muitos pensavam que ia ser após as vitórias consecutivas.

Com o cansaço dos jogos acumulados vêm ao de cima as limitações individuais que abundam no nosso plantel - grande parte dos golos sofridos, que são muitos, têm vindo daí - e os jogos consecutivos não permitem a intervenção do treinador.

O Sporting para ser campeão ou para acalentar essa ideia tem de defender muito melhor e não pode sofrer um golo ou mais por jogo. É um problema de treino e organização sim, mas também resulta da baixa qualidade geral dos jogadores de meio-campo que poderiam desempenhar essas tarefas. Há muito "lixo" para varrer. (não gosto de me referir assim aos jogadores mas é o que é...).

Quanto à diferença que poderia significar ter visto chegar mais jogadores mais cedo neste defeso, é verdade. Mas também é verdade que se o tivéssemos conseguido eles praticamente não teriam treinado, logo a possibilidade de poderem ser utilizados com proveito era praticamente nula. Constatar isto é também admitir que chegar ao 2º lugar é neste momento e nestas circunstâncias uma miragem. Temos que competir não com um mas com dois adversários, que estão melhor que nós e mais equilibrados. O 2º lugar é de um deles, a menos que o Sporting consiga melhorar significativamente. 

Mas quer se queira ou não, Keizer está num processo de aprendizagem, precisa de perceber o campeonato português e por isso a chegada de Raul José e Quaresma podem ser muito importantes. É aqui que acho que há razões para esperar algo de muito melhor, tem havido uma procura por dotar o departamento de futebol de conhecimento e profissionalismo e abandonar as decisões tomadas de forma errática pela cabeça de um um dois. Há razões para crer que pode resultar, não decidam os sportinguistas fazer o habitual: deitar a criança fora junto com a água do banho. Mas essa é uma das nossas especialidades e não falta quem ansiasse por este momento...

Mas voltando ao que aconteceu ontem, é preciso a humildade para perceber as especificidades do nosso campeonato, onde há bons treinadores que, não dispondo de tão bons jogadores como os grandes, conseguem montar equipas que se lhes opõem, dão lutam e muitas vezes lhes ganham. Essa humildade parece que esteve ausente desde o momento da convocatória, no alinhamento da equipa, na postura desta em campo e finalmente numa péssima leitura do jogo.  E quando vejo um treinador abdicar das suas ideias e do processo que fez crescer a equipa partir para o chuveirinho, recorrendo aos centrais, quando deixa ficar em Lisboa pelo menos um avançado que estaria mais confortável para esse desempenho, fico à espera do pior.

Como diria o outro, ontem para Keizer foi bola! Bola!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Ele diverte-se, nós divertimo-nos e eles divertem-se.

Não sei, na verdade ninguém sabe, se a proposta de jogo de Marcel Keizer vai acabar traduzida em títulos. Mas já se pode afirmar com segurança que ela incorpora muito daquilo que a nós, adeptos, agrada: qualidade futebolística, futebol de ataque que assume claramente a vontade de ganhar, sem se esconder. Com isso os melhores jogadores voltaram a parecer bons e até a formação foi resgatada do limbo para onde foi atirada na era D.C. Depois de Jesus, bem entendido, porque os cristos fomos nós.

A base para o sucesso está lançada, mesmo carecendo de afinações e de provas mais complicadas, como serão as que se seguirão em breve, não apenas com os rivais directos mas com a próxima eliminatória  . Afinal estamos a falar de um treinador que ainda não deve ter tido tempo para pousar as malas e arranjar casa. Ter conseguido o que conseguiu até agora, com tão pouco tempo decorrido, diz muito da qualidade do seu trabalho.

A equipa do Sporting tem agora uma ideia de jogo, sob a qual os jogadores operam de forma colectiva, deixando a equipa deixe de estar tão dependente da inspiração e rasgo dos seus melhores. Mas são os melhores que fazem a diferença, passe a "la paliçada". Esses, como o são Nani, Bruno Fernandes, Bas Dost, são agora tão bons como o melhor que já sabíamos deles. E as expectativas para o regresso de Raphinha são por isso ainda maiores do que já eram, depois de o termos visto jogar, ainda que numa equipa frágil e incipiente.Quanto valerá o jovem brasileiro numa equipa personalizada, que sabe o que quer, que gere bem os tempos e que descobre sempre o caminho para o próximo passe até descobrir a baliza?

Nesse entretanto teve já o tempo para olhar para o que tinha à sua disposição no viveiro de Alcochete. E se é disso que os miúdos mais precisam - que alguém tenha de tempo de olhar para eles - ele teve também a coragem de lhes dar um outro tempo que é essencial: o tempo de jogo ao mais alto nível. Tempo de qualidade num momento certo, pela sua baixa complexidade: estava em jogo o prestigio mas já não a necessidade do resultado.

Para quem não percebe o "aperto" que se vive nestes momentos no intimo dos jogadores, é preciso estar atento às declarações dos miúdos:

Estava um bocado ansioso, mas é muito importante jogar aqui (Thierry Correia)
Terminamos com seis jogadores em campo oriundos da formação e desses vamos ter que nos habituar a ouvir os nomes de Miguel Luís, Pedro Marques, Bruno Paz e do já citado Thierry Correia e a quem talvez se venha a juntar em breve Daniel Bragança. Jovane Cabral e Mané são nomes já sabemos de cor.

A forma como Keizer descomplica chega a ser desconcertante para os atónitos jornalistas nas conferências de imprensa:

"Se marcarmos mais, não é problema. Para mim, o futebol é marcar golos. Prefiro ganhar por 3-2 do que por 1-0. Pode haver quem tenha uma opinião diferente"

"Sofrer não é um problema quando se marca muitos golos. Ganhar é a coisa mais importante. Se me perguntarem, prefiro ganhar 3-2 do que 1-0. Queremos atacar e fizemos isso hoje."
No fundo a receita até não é assim tão nova. Keizer devolveu a confiança e alegria aos jogadores devolvendo-lhes a bola. Com ela a andar de pé para pé a equipa sente-se confortável e joga com o espírito de quem se diverte. Ele diverte-se, nós divertimo-nos e eles divertem-se.

Muita pena pela entrada assassina que lesiona Montero, que estava a ter um regresso em cheio.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O próximo grande desafio de Keizer: o teste do autocarro

Aqueles lugares comuns que buscamos para falar do futebol são sempre actuais. O futebol desperta paixões é um deles e que a paixão tolda a razão é outro que também se pode usar para nos referirmos à ciclotimia crónica de que enfermam os adeptos e não menos os comentadores do fenómeno desportivo. 

Senão vejamos: a 15 de maio o Sporting sofria um rude golpe infligido directamente no coração que não apenas lhe poria em causa o seu prestigio, como o deixaria depauperado de um parte substancial dos seus melhores valores e imerso numa profunda crise, cujos contornos e consequências estão ainda por apurar. 

A época que se avizinhava era aguardada até nas versões mais optimistas como uma penosa travessia do deserto. Impressão que se foi cimentando com um estágio de pré-época digno de uma equipa amadora em excursão, um treinador sem qualquer carisma e de imagem desgastada junto dos adeptos, que só o resgate de Bas Dost e Bruno Fernandes ajudaria a atenuar. Hoje percebe-se ainda melhor o quanto esta acção acabaria por ser determinante para a saúde do actual Sporting. Só não se percebe como é daqui se saltou para voltar a falar em titulo nacional. Mas, se tal sucede, há dois nomes incontornáveis: o treinador Keizer e Frederico Varandas, que assumiu o risco da sua contratação.

Mais do que os resultados seriam as paupérrimas exibições a obrigar Frederico Varandas a sair do seu cadeirão de conforto que o desresponsabilizava da escolha do treinador. Isso e um discurso desmotivante e desagregador de Peseiro, incompreensível mesmo à luz das circunstâncias difíceis que encontrou para o desenvolvimento do seu trabalho. Ainda assim, a escolha do momento e do nome do treinador acabaria por surpreender toda a gente.

Mas, mais do que o nome e o momento, está a ser a forma discreta mas eficaz e convincente como Marcel Keiser  soube dar a volta a uma equipa sem alma e, porque não dizê-lo, de reduzidíssima auto-estima. Resultados e exibições eloquentes e em crescendo depressa fizeram esquecer o ribombar das criticas e dos receios expressos sobre o acerto da decisão. Na sua maioria por se fixarem no curriculum e outro tanto para esconder a ignorância total. Faltou perceber que mais do que qualidade o curriculum atesta o passado e as circunstâncias em que ocorre e não tem que significar uma sentença sobre o futuro. A verdade é que só mesmo quem conhecia o treinador e o seu trabalho lhe poderia adivinhar o potencial que agora a rápida e dramática forma como operou a transformação da equipa todos se apressam a reconhecer.

O Sporting de Keizer deve muito da sua subida auto-estima e de qualidade exibicional à simplicidade de processos como reorganizou o modelo de jogo. Este baseia-se numa maior proximidade de sectores e e dos elementos, que permite não só maior posse como uma resposta mais pronta e melhor organizada quando a bola é ganha pelo adversário. O recurso a cruzamentos constantes, à procura do milagre habitual de Bas Dost, foi substituído por uma maior procura e ocupação do corredor central, sem medo de enfrentar o bloco defensivo do adversário. A forma, o número de elementos que coloca e a qualidade como chega às zonas frontais à baliza adversária definem grande parte do sucesso das finalizações, que aumentaram significativamente.

Claro que os dois encontros iniciais não foram muito convincentes para críticos e adeptos, muito pelo baixo valor facial dos adversários. E nem a goleada, cada vez menos usual, aplicada ao Karabak, diminuiu a controvérsia sobre a escolha Keizer. O encontro com o Rio Ave assumiu-se como o derradeiro teste à consistência da equipa verde e branca. Como se sabe hoje, o teste foi passado com distinção, provocando a rendição da critica e dos mais indecisos.

Como é bom dever algum do sucesso imediato se deve, além dos méritos do treinador, ao factor surpresa. Factor que tenderá a desaparecer no imediato, com os técnicos adversários a terem mais tempo para analisar o "modelo Keiser" e a construírem os seus próprios antídotos. Os próximos quatro jogos do Sporting serão jogados em casa e aí será possível ver como se propõem os adversários a enfrentar os leões. Veremos então se a proposta de Marcel Keiser também é à prova de dos tradicionais autocarros a que recorrem muitas vezes as equipas de menor recurso.

Além desse há um outro teste a enfrentar pelos homens do holandês até agora tranquilo: a impaciência do tribunal de Alvalade, por oposição à serenidade e jogo de aturados equilíbrios que a equipa exibiu em Vila do Conde e onde se fundaram muitas das razões para o sucesso alcançado.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Rio Ave 1 - Sporting 3: parece que temos gente!...

A primeira nota vai para a precaução tomada na hora de escrever este post: antes de o começar a redigir fui buscar uma âncora ao Rio Ave (não ao clube) que me obrigasse senão a manter sempre os pés no chão pelo menos que me fizesse lá voltar, de vez em quando. É que tão mal habituado que estava ao futebol exibido no passado recente que, depois do jogo de ontem, posso ser traído pelo entusiasmo e começar a sonhar já com a Liga dos Campeões. Como o tempo se encarregará de provar, para lá chegar vai ser preciso remar muito mais, com mais acerto e vigor.

A segunda nota é de penitência, o que pode soar um pouco estranho, quando estamos a menos de um mês do Natal e Quaresma ainda vai longe. Mas sinto-me obrigado a ela por honestidade intelectual para com aqueles que me vão lendo. Estou a referir-me aos receios aqui manifestados por altura da chicotada psicológica em Peseiro, sobretudo em relação ao "timing" escolhido. Como se prova em menos de meia dúzia de jogos, era possível outro futebol, usando exactamente os mesmos jogadores. Bastou para tal simplificar processos e ideias. 

Como se vê, o futebol não é propriamente uma ciência oculta, embora também se recomende algum estudo e preparação. A ideia de satisfação pelo jogo e simplificação de processos é o que transparece hoje quando se vê o nosso Sporting jogar. Ao contrário do passado recente, em que parecia a cada jogada que os jogadores paravam para efectuar uma equação de terceiro grau ou para fazer um complicado cálculo de geometria e fisica aplicada. Tudo isso para calcular um atraso ao guarda-redes ou mandar a bola para fora, que eram então as nossas jogadas melhor estudadas e preparadas. 

Depois, os jogadores jogavam tão longe uns dos outros que quase precisavam de walkie-talkies para comunicar. Sendo que alguns, pelas distâncias entre si, só se deveriam ver ao intervalo. E nós imaginando como deveriam ser efusivos os cumprimentos - ou quiçá saudades até... - do Dost com o Bruno Fernandes ou Nani: "há quanto tempo, pah!" ou "também vieste hoje? Até pensei que não tinhas sido convocado!". Isto sem falar de quantas eram as vezes que o Gudelj se imaginou em Viseu, tantas eram as rotundas que tinha que fazer para se virar para o lado correcto, cada vez que era chamado a conduzir uma jogada.

Ontem, pelos vinte e cinco minutos de jogo e já com belas jogadas e golos, cheguei a pedir o intervalo, tanto era o desgaste emocional e até físico que ver jogar futebol me estava a causar. Um homem já de uma certa idade como eu desabitua-se e depois aquela calma com que trocam a bola em sucessivos emparelhamentos e triangulações provoca muito mais suspense que uns charutos para o ar e para a frente. É que enquanto a bola ia e vinha dava para ir ao site das Autoridade Tributária validar umas facturas, optimizando-se assim o tempo e o dinheiro do bilhete. 

Assim agora sinto-me obrigado a estar sempre a olhar para o relvado, não vá eu perder o Wendell a parar uma bola como se a chuteira e a bola tivessem velcro. Ou o Jovane a dizer ao guarda-redes em que canto da baliza ele vai ver sair o Pai Natal com as renas ou as coelhinhas (já não sei bem quem é quem nestas novas versões natalícias que todos os dias os meus amigos me mandam, via whatsapp...). Uma canseira!

Mas convém não embandeirar em arco e para isso tínhamos ontem o Renan e o seu acordo com uma clínica de cardiologistas (que mais tarde ou mais cedo será revelado pelo CM em primetime). Ou que esta equipa ainda tem alguns elementos que nos fazem lembrar quando tínhamos que por a mesa, e a mãe, entre a paciência infinita e a perplexidade nos dizia: esse talher que aí está não tem nada a ver com os restantes, não se vê tão bem? O que ela diria hoje se tivesse visto o Diaby ou o Bruno Gaspar...

Há mais razões para contermos o entusiasmo. Por exemplo, há demasiados Xistras neste campeonato e poucos oftalmologistas. Só assim se percebe que não tenha expulso o Vinicius, esse jovem e encorpado jogador,  muito interessante de facto. Mas há homicídios que começaram por muito menos do que aquela entrada sobre o Jefferson.

Vinicius, esse sem dúvida muito interessante jovem jogador que o treinador do Rio Ave não trocava por Bas Dost. O que se compreende, porque ele não deve gostar de futebol, gosta é de pieguices e picuisses. Quem se queixa do lance do nosso primeiro golo não gosta de golos, logo não gosta de futebol, talvez de rendas de bilros. Claro que assim se percebe que não queira trocar Bas Dost e fique lá com o Vinicius. Que eu não me importava de ter no Sporting e que, se se acabasse de revelar tão bom como o Castaignos, sempre tínhamos quem rachasse a lenha que não se parte sozinha nem vai em filinha para a lareira.

Mas há um enorme mérito nesta mudança que nunca será reconhecido. Não estou a falar do Frederico Varandas, que em quinze dias montou a equipa técnica, apesar da preguiça revelada na escolha do treinador e ser incapaz de inovar:  foi descobrir Keizer onde já tínhamos descoberto Vercauteren. Nem do próprio Keizer, que só está a fazer aquilo que se pede a um treinador: por uma equipa de futebol a jogar... futebol. Não me estou a referir a eles, mas sim à equipa de professores que em duas semanas puserem o treinador a falar português e todo o plantel a falar inglês e holandês. Só assim se percebe as rápidas melhoras da nossa equipa.

Parece que afinal até temos gente. Gente na equipa, porque Sportinguistas há muitos, como ontem se viu numa noite de segunda-feira de futebol. E acreditem que há poucas coisas de efeito mais terapêutico do que ir com os amigos ver o Sporting voltar a jogar numa noite de nevoeiro e dar a boa nova  aos amigos que ficaram em casa a torcer por fora.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Keizer Chief

A míngua de boas exibições era tanta que, por comparação com o passado recente, o jogo de ontem em Baku que quase parecia um concerto. Há obviamente ainda muito por fazer, mas Marcel Keizer está obviamente a marcar pontos. E não vale a pena vir com a conversa que o adversário era fraquinho porque isso também era o Loures, o Estoril e até Volska Poltava, que apesar de lhes termos ganho, fizemos um dos piores jogos do Sporting de que tenho memória.

Simplificar processos parece ser a receita de Marcel Keizer. Os jogadores referem-se a isso sempre que são chamados a pronunciar-se e o resultado está à vista na subida de produção de jogadores como Bruno Fernandes, Gudelj, Nani e até mesmo Diaby e na aparição saído do meio do espesso nevoeiro de Wendell. A brincar, a brincar foi a segunda mais expressiva vitória na Europa, não tendo faltado nestes anos vários Sekenderbeus a quem afinfar idêntica receita. O próximo jogo com o Rio Ave será um bom teste de aferição para Keizer e a sua banda.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

O grande desafio de Marcel Keizer está a começar

Se o despedimento de Peseiro não pode ser considerado uma grande surpresa, talvez o momento escolhido para o realizar o tenha sido. Mas a grande surpresa seria a revelação do nome escolhido para a liderança da equipa técnica da equipa principal do futebol do Sporting: Marcel Keizer. O grande desafio que tem pela frente está prestes a começar, com o primeiro jogo oficial.

Numa altura em que a nova administração ainda procura a afirmação em circunstâncias difíceis, a escolha natural e esperada seria um nome consagrado, de curriculum recheado de vitórias. Dessa forma a direcção comprava algum tempo da tolerância  que normalmente é concedida aos nomes mais conhecidos e titulados. Ou talvez um nome nacional ou já conhecedor das especificidades do nosso campeonato.

A preferência por uma escola de treinadores - a holandesa - mergulhada no ocaso, depois de ter liderado uma profunda revolução no futebol mundial parecia de todo improvável. As lições deixadas pelo mestre Rinus Michels e bem aproveitadas pelos seus inúmeros discípulos foram cristalizando no e conhecendo antídotos mais ou menos eficazes. Com o tempo  não sofreram actualizações  no seu país de origem e, desde que Johan Cruijff se aposentou, são de outra nacionalidade aqueles que aperfeiçoaram o seu rico legado, mantendo-o como vencedor.

Refeitos da surpresa, há que perceber a decisão. Gostando-se ou não do nome escolhido, há pelo menos que reconhecer que a escolha não pode ter sido casual, há ali muito de objectivo e intencional. Há que reconhecer também a coragem em tomá-la porque, como foi já dito acima, se não foi o brilho do curriculum, a escolha de Marcelo Keizer configura pelo menos a busca por um potencial que se crê que ele possua.

Desse potencial há um que está claramente identificado: a atenção dada à formação. Se há alguma coisa que ressalta do curriculum de Keizer é precisamente o seu trabalho no Ajax Jong, a equipa B que pontua no escalão secundário da liga holandesa. Foi sob a sua batuta que o clube de Amsterdão ofereceu ao futebol mais um lote notável de jogadores como Onana, de Ligt, de Jong, ou Justin Kluivert. Um outro nome que fazia parte desse lote - Abdelhak Nouri - já não é jogador de futebol e a forma trágica como esse desaparecimento sucede acabou por ser determinante para a rápida saída de Keizer do comando da equipa principal do Ajax, quando se esperava a continuidade do trabalho efectuado na segunda equipa. Como Frederico Varandas seguiu desde aí o seu trajecto até ao Al-Jazira é seguramente uma das grandes interrogações desta contratação.

Mas por mais proveitoso que venha a ser o trabalho do treinador holandês no aproveitamento da Academia, e por mais que sejam os jogadores que venha a revelar, serão os resultados que servirão de barómetro e determinarão a longevidade da sua presença em Alvalade. Questões de ordem pessoal, como as da sua personalidade e respectiva adaptação a Portugal, ou do seu relacionamento com o plantel, ou mesmo profissionais como o modelo de jogo e a operacionalização das suas ideias e aplicação ao treino, são certamente importantes. 

Há que reconhecer que Keizer não estará sozinho na sua tarefa. Há um trabalho de fundo que tem vindo a ser realizado no sentido reestruturar o futebol leonino, dotando-o de recursos humanos que permitam a realização de um trabalho sustentado e não apenas uma aposta do tipo "all in", como a realizada nas épocas de Jorge Jesus. Uma regeneração há muito necessária até por comparação de estruturas dos "Três Grandes".

Mas num clube como o Sporting os resultados são quase sempre o mais importante. Quase porque, como se viu com Peseiro, os resultados nem foram o pior, se compararmos com a pobreza das exibições. A tentativa de passar a ideia de que "ainda estamos em todas as frentes" não vingou nem poderia vingar, porque a ausência do grau mínimo de "nota artística" não era compaginável com  o estatuto de grande e inclusive retirava a esperança (ou até a ilusão...) de manter a luta por um lugar no pódio sequer. Este discurso de "todas as frentes" só foi possível pelo começo anormal dos principais rivais, ao perderem pontos de forma pouco esperada. Em condições normais, a frente do campeonato estaria ainda mais longe do que já está a da Taça da Liga, onde o Sporting defende o título.

É aqui que começa o primeiro grande trabalho de Marcel Keizer: colocar a equipa principal do Sporting a jogar de forma mais atractiva, não só para devolver a esperança, mas também o gosto pelo jogo. Grande mas também complexo. Não apenas porque o tempo e as condições estão longe de ser as ideais, mas também pelas circunstâncias em que recebe a equipa das mãos de Tiago Fernandes. O segundo lugar herdado funcionará como uma medida de comparação e avaliação do trabalho do treinador holandês e daqui a um mês de Tiago Fernandes só se lembrará o ineditismo do resultado com o Arsenal e a invencibilidade. Que tenham sido apenas três jogos, o que é manifestamente insuficiente para uma avaliação pouco ou nada contará.

Em condições normais Marcel Keizer teria a época em curso para lançar as bases do seu trabalho e das suas ideias para abordar a próxima época num plano mais próximo da concorrência. Mas condições normais é tudo quanto está longe de se verificar num Sporting ainda a viver na agitação permanente que as réplicas do profundo abalo sofrido na época transacta provocam. Se se espera que apoio não lhe falte a nível da estrutura directiva - pela clara aposta pessoal do seu líder, Frederico Varandas - sobram muitas dúvidas pelo lado externo. São tão vastos os problemas e as divisões, que só um percurso imaculado permitirá a estabilidade necessária para as grandes conquistas. O desafio de Marcel Keizer é de facto enorme. Mas não é apenas dele, é de toda uma instituição que pela enésima vez volta a lançar os dados à procura da sorte.

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