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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O sal na ferida

O caso Moutinho voltou à agenda por imposição do calendário mas, infelizmente para os Sportinguistas, este é apenas um entre muitos outros. Futre, Simão, Quaresma e até Figo são outros de vários nomes cujo talento é inverso à sua popularidade entre os Sportinguistas. Tendo, ao longo dos tempos, assistido a  várias mudanças de camisola entre os grandes, e talvez porque sou parte interessada, nenhuma delas me pareceu tão traumática como as nossas. São feridas abertas no orgulho leonino às quais lhes cai o sal de os vermos triunfar em clubes rivais e neles se tornarem pedras angulares para o sucesso.

O que sucedeu com Moutinho foi para mim o de contornos mais surpreendentes. Sem querer "voltar a bater no ceguinho" houve 2 aspectos que me chocaram em todo o processo: (i) o sobejamente debatido consentimento na venda directa a um rival de um capitão de equipa e (ii) a vontade expressa de sair de Moutinho. Ao contrário da rábula anterior com o Everton, em que o jogador parecia querer ganhar mais uns cobres, , Moutinho terá ido ganhar, segundo as noticias veiculadas mais ou menos o mesmo que auferia em Alvalade. Assim, o que terá levado o jogador a um corte radical com o clube que o formou e onde viveu grande parte da sua vida e mudar a vontade que exprimiu 6 meses antes de abandonar? (ver foto)

Podemo-nos ficar pelas justificações acerca do carácter do jogador.. Mas julgo que, para que mais casos semelhantes não sucedam, é inevitável olhar para aquilo que é hoje o Sporting e em particular o que foi a época passada, com o acumular de casos desde a saída de Paulo Bento, à rábula da sua substituição, da forma como foi tratado Carvalhal, dos casos Izmailov / Costinha, Sá Pinto / Liedson e do processo rocambolesco que termina com Paulo Sérgio na cadeira de treinador principal.

O Sporting está longe de ser, por muito doloroso que nos seja dizê-lo, uma promessa de sucesso para os profissionais que o representam. E eles, ao contrário de nós adeptos, podem mudar de clube. E como profissionais têm o direito e até a obrigação por zelar pelas suas carreiras. Se queremos manter os melhores e disputar com os rivais os profissionais mais qualificados  temos que nos tornar indiscutivelmente melhores.

Os Sportinguistas falam assim

Da discussão do post de ontem, que registou vários excelentes contributos, destaco, com a devida vénia aos autores, os seguintes:
Hugo Malcato:
Ver os mais variados discursos e intervenientes preocupados em detectar e apontar o dedo aos descontentes em vez de se ter a honestidade e humildade de admitir que as coisas estão mal e que não é por existirem pessoas que não gostam de determinado rumo que são culpadas pela situação a que este mesmo rumo nos trouxe...

Contudo, importa também pegar no comentário do Dezperado, pois existem de facto diversas facções que se assumem como os verdadeiros sportinguistas e senhores da razão. Sejam eles, situacionistas, oposicionistas, cordeirinhos, terroristas, entre todos os outros rótulos colocados hoje em dia aos diferentes sportinguistas...
PLF:
Há muito que digo que é preciso uma ideia para o Sporting. Sugeri uma ideia que, quanto a mim, é estruturada em torno dos valores que aprendi a reconhecer no Sporting: valores como o desportivismo, o ecletismo, a superação, a dedicação, o espectáculo, a formação pelo seu intrínseco valor social, o respeito pelos adversários, entre outros, os valores que formam uma Cultura Sporting. Não são apenas "expressões bonitas" mas um conjunto de princípios orientadores de medidas programáticas e participadas, em que se rejeitaria - por exemplo - o modelo do nosso amigo portista de procurar a vitória a qualquer preço.

JEB deu o mote e o Costinha a estocada final e hoje o Sporting está descaracterizado. Está descaracterizado naquilo que é mais importante que são os seus princípios. Em vez de desportivismo e de respeito pelo adversário temos um odiozinho pelo Benfica que só nos empobrece. Em vez de uma cultura de ecletismo, em tudo o que isso poderia gerar em sinergias, tem-se uma cultura de sobrevivência. Em vez de uma cultura de formação e de dedicação, o Sporting tem uma estrangulado a sua base social de apoio, encaminhado todos os recursos para a competição profissional, isolando e nem sequer compreendendo o que pode acrescer valor. E em vez de uma cultura de mérito, temos uma cultura de desresponsabilização. Neste campo, no campo da desresponsabilização, estamos muito bem.
Bruno Azevedo Rodrigues:
A nós adeptos compete-nos olhar para o clube, gostar do clube, mais do que os profissionais que os servem. Moutinho foi profissional em campo, mas não foi leal ao clube. Contudo, numa óptica profissional essa lealdade é relativa. Há mais marés que marinheiros e há mais Moutinhos. Acima de tudo, há mais Sporting. Porém, é preciso que se defenda o Sporting. A tese da maçã podre foi (senti-o pessoalmente) ofensiva. Senti que ofendiam a minha inteligência e o meu discernimento.

Como dizem os espanhóis, o porto meteu-nos um golo. Encontre-se as explicações que se quiser para isto. Contudo, não esqueçamos que Moutinho saiu. Mal. Que faça a sua vida, que ao Sporting já não diz nada. Bolas de golf são inadmissíveis. Cânticos não fazem o meu estilo (mas não me incomodam).

Porém, quem semeia ventos para se desresponsabilizar, não deve exibir espanto ou contragosto quando colhe tempestades. Este ponto é que incomoda: a necessidade de desresponsabilização e a tentativa quase ingénua de conter o dano a posteriori.

Que o Sporting ganhe, com Moutinho em campo, e que não mais necessitemos de teorias sobre maçãs, porque soubemos cuidar do pomar em tempo e bem. E, por último, se tivermos de vender anéis para conservar dedos, que tenhamos a elevação Sportinguista de o dizer, não contribuir para tal facto, assim como o bom senso e o engenho de impedir que no futuro a situação se repita.

Acima de tudo, saibamos pensar e: concordar / discordar, apoiar / opormo-nos, mas esqueçamos as inimizades entre Sportinguistas. Somos todos diferentes, e ainda bem. Que cada um faça o melhor que pode, se e quando pode e que coloque nesta questão os interesses do Clube em primeiro lugar, porque o Sporting precisa de ser bem tratado.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um presidente do Sporting fala assim

"João Moutinho, no Sporting, foi sempre um fantástico profissional. Já o disse e não volto atrás, mesmo que após o termo do campeonato se tenha passado muita coisa. Mas enquanto vestiu a camisola e actuou neste estádio foi sempre com dedicação ao clube. As coisas podiam ter sido tratadas de outra forma, mas isso não invalida que eu reconheça no João um profissionalismo extraordinário e um grande futebolista que esteve muitos anos ao serviço do Sporting. Mesmo num momento difícil eu desejei felicidades ao João, recordem isso, não recordem só aspectos negativos".

Se houve alguma contradição em Bettencourt não foi pelas palavras que proferiu ontem, antes sim pelo episódio da "maçã podre". Moutinho foi sempre mais capitão dos corpos sociais do que propriamente dos adeptos. Não esqueço a falta de respeito pelo clube, agravada pelo estatuto que detinha.Mas se lhe faltava perfil para capitanear a principal equipa do Sporting sobrava-lhe o empenho e a entrega em campo. Deixou uma marca dificil de superar pelos jogos que fez de leão ao peito.

Não posso deixar de me congratular com esta declaração pública do presidente do Sporting. que marca a posição oficial do clube, em contraste com o esboço de um movimento infeliz que o mínimo que conseguirá é envergonhar o Sporting. Invocar a morte trágica de um atleta que morreu em campo de forma arrepiante, desejar igual sorte a quem quer seja e fazê-lo em nome do Sporting é salpicar de esterco a bandeira de um clube centenário. Mais do que as taças e campeonatos valemos pelos princípios e pelos ideais que representamos.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mistérios

Recentemente, um atleta de alta competição, internacional por Portugal na modalidade de que é praticante, ouviu do especialista que lhe operou a uma tendinite do tendão rotuliano, um renomado cirurgião português, como recomendação para o período pós-operatório, que não fizesse como Izmailov. Queria com isso o cirurgião dizer que o atleta devia observar com todos os cuidados as recomendações, não forçando um regresso apressado, pagando depois com juros elevados a pressa. Há muita coisa para perceber no caso do joelho do Izmailov, tanto é o tempo que já se arrasta a sua lesão. Desde logo a preferência por um especialista tão distante, quando em Portugal existe autoridade e conhecimento sobre a matéria. Pode-se dizer que neste momento o maior dos mistérios é saber se Izmailov voltará a jogar futebol, de leão ao peito ou não. Ou se a sua cura passará pela saída do Sporting.

Fez ontem 10 anos que Mourinho iniciou a sua carreira de treinador e, se bem se lembram, passará também em breve o mesmo tempo em que Mou entrou e saiu de Alvalade no mesmo dia. Pode-se dizer que terá sido o único clube por onde a sua passagem não produziu nenhuma diferença na sala de troféus. Mas produziu efeitos na contabilidade, porque não é de crer que Mourinho se tivesse desempregado (Mourinho forçou a sua saída do SLB, dias depois de nos ter goleado por 3-0 na Luz, golos de João Tomás, para assinar pelo Sporting) para depois ficar de mãos a abanar.  Como o Sporting lhe fez chegar às mãos o dinheiro, é um pequeno mistério. O maior será sempre perceber que impacto teria tido a passagem de Mourinho pelo Sporting, em particular a sua capacidade de fazer crescer jogadores. Na carreira de Maniche, Nuno Valente Derlei e muitos outros há nitidamente um período A.M. de D.M. (antes de Mourinho e depois de Mourinho).

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Palavra de capitão

Carriço dá hoje uma extensa entrevista ao jornal “Abola”. Nela aborda os temas que marcam a actualidade da equipa, entre apontamentos de ordem pessoal:

Da chegada ao Sporting
Dos tempos da Academia
Da condição de capitão
A esperança de chegar à selecção
A candidatura ao título
Os novos colegas
Os novos métodos de trabalho
Os adversários
O recente desaire para o campeonato.
Pede tempo e promete regularidade. 

      (Clique nas imagens para aumentar)

      quarta-feira, 22 de setembro de 2010

      Amuos

      O responsável da secção de atletismo do FC Porto, Fernando Oliveira, confirmou que chegou ao fim a modalidade e consequentemente a participação na Liga de Campeões.

      in A Bola

      Toda a secção foi suspensa na sequência da mudança dos regulamentos do atletismo na assembleia geral de 24 de Julho, mas comunicada oficialmente a 1 de Setembro.

      Esta mudança condiciona a participação de atletas comunitários masculinos e femininos. O FC Porto, através de Fernando Oliveira, defende que esta mudança é «ilegal, intolerável e indecorosa».

      Com o fim do atletismo no FC Porto, que era o campeão nacional de pista coberta e ao ar livre, após ter tirado o título ao Sporting, cerca de 100 atletas deixam de praticar a modalidade.

      Entretanto, o FC Porto já tinha contratado quatro atletas para a nova temporada e perante este cenário decidiu accionar o departamento jurídico contra a Federação portuguesa de atletismo para ser ressarcido de danos patrimoniais e morais.»

      Falei neste post da forma como o FCPorto resolveu contornar a sua crónica condição de segundo classificado nos campeonatos de atletismo, contratando contentores de atletas estrangeiros. Como não gostaram das recentes medidas da F.P.A. agora amuam e não brincam mais. Só não levam a bola para casa porque no atletismo só se usa para o lançamento do peso e como bibelot não deve dar muito jeito. Convenhamos que o atletismo português tem pouco a lamentar com a decisão.

       Em frente Sporting!

      Vitor Pereira desmente Vitor Pereira


      Já nada surpreende no futebol português. Por isso ver um alto dirigente desmentir em actos as palavras que estava a proferir não espanta ninguém. Foi isso que aconteceu ontem com Vítor Pereira. Convocou os jornalistas para, num acto de contrição e correspondente pedido de desculpas, afirmar que "não sou de modo nenhum pressionável nem pelo que se diz em relação a mim, nem pelos recados que vos fazem chegar para eu ler ouvir, é tudo inócuo...". O que foi afinal a conferência de imprensa se não a confissão pública que a choradeira vermelha que “varre o País” produziu resultados, e obrigou Vítor Pereira a dar a cara?

      Nunca vimos atitude idêntica da parte de Vítor Pereira, e não faltam exemplos concretos que o obrigariam a tal. Perante a gritaria vermelha não ouvimos Guilherme, O Tal, a vir defender os seus associados como o fez em ocasiões que menos o justificava. E porquê?

      Todos sabemos que, por inépcia dos nossos dirigentes, não somos levados a sério por nenhuma das instituições do futebol português que, em regra, correm sempre a favor do vento dominante e são o produto dos esgotos onde desaguam os interesses e jogos dos que não esperam apenas pela sorte e pela consistência das suas equipas e e valia dos seus profissionais.

      O último que tomou as dores do Sporting nessa luta há muito que deixou a Alvalade e falará hoje como seleccionador nacional. Não era nem Sportinguista nem dirigente, era apenas um alto funcionário do clube. Muitas foram as vezes que teve que vir a terreiro, sem qualquer respaldo, enquanto os seus e nossos dirigentes confabulavam, entremeando acepipes e salamaleques, com os seus homólogos que, antes disso, já lhes haviam feito a cama.

      A liderança do Sporting devia interrogar-se porque tudo isto acontece. Mas sobretudo arregaçar as mangas, deixar-se pruridos, conveniências e do politicamente correcto, e ir à luta. Ou então deve declarar-se conformada com um Sporting que não luta pela vitória no relvado, como vimos no domingo e  em muitas outras ocasiões, e que não sabe e ou não pode fazer-se respeitar e em consequência defender, como é sua obrigação, os interesses do clube.

      terça-feira, 21 de setembro de 2010

      Transições

      "Ouvi o dr. José Maria Ricciardi dizer que gostaria de ser presidente do Sporting, e faço-lhe um apelo: espere pelas condições ideais, mas avance para a presidência do Sporting, candidate-se. Forme um núcleo de gente competente e vencedora." Paulo Pereira Cristóvão, ontem, à RR.


      As palavras são de Paulo Pereira Cristóvão e certamente que surpreenderam muita gente. Qual o sentido em que devem ser interpretadas não sei. Desconheço se foram ditas com ironia ou se correspondem a um apelo sincero. No meu entender, fazem todo o sentido. Neste momento da sua história o Sporting não se pode dar ao luxo de dispensar nenhum Sportinguista, seja qual for a sua origem ou história, e que manifeste a vontade de se apresentar a eleições. Pelo menos sem ouvir o que tem a propor. E faz cada vez mais sentido, nas actuais circunstâncias, pensar e preparar um futuro próximo para o governo dos destinos do Sporting. A gestão de Bettencourt parece ser capaz de mais depressa passar de verde a apodrecida, sem primeiro dar sinais de qualquer amadurecimento. Mais cedo do que tarde a questão da liderança voltará a estar na ordem do dia, se é que, no actual mandado, ela não esteve sempre na ordem do dia.

      Não conheço José Maria Ricciardi e creio que o mesmo acontecerá com a maior parte dos Sportinguistas. Não tenho qualquer preconceito pelo facto estar intimamente ligado às direcções anteriores ou por ser um nome incontornável na estrutura do BES, um dos nossos principais credores. Do que sei, de fonte bem informada, é que tem sido um dos principais fornecedores de oxigénio para a máquina a que estão ligadas as finanças do clube. Sei que há quem veja nele o Dominique Strauss-Kahn que impõe medidas draconianas ou apenas um mero controlador do seu próprio dinheiro.

      Não entendo que, para o bem do Sporting, uma solução revolucionária, que passe por esperas ou sequestros, tantas vezes apontadas pelos mesmos que antes das derrotas só conhecem o verbo apoiar, seja a solução para a destituição de uma direcção sufragada com 90% dos votos. Seria estilhaçar o que já revela sinais de fissuras bem evidentes. Para lá da institucional, não me parece haver outra via. Cabe a quem legitimou a actual direcção pronunciar-se sobre a execução do mandato conferido. Julgo que não foi para “isto “ que lhes concederam os votos. A legitimidade termina quando na margem dos erros consecutivos. Ora, tendo sido precisamente José Maria Ricciardi a  convencer e propor Bettencourt a avançar, está na hora de o próprio se pronunciar. Talvez J.M.Ricciardi tenha percebido na prática o ditado popular "quem quer vai, quem não quer manda" e decida pela tripla razão cuidar do dinheiro que é do seu banco, do clube de que é sócio e da SAD  de que é accionista.

      Veremos as cenas dos próximos capítulos, se os houver. Espero e desejo que, desta feita, os Sportinguistas não se deixem impressionar ou antagonizar pelas consoantes dos apelidos ou pelo facto de Ricciardi ser o 24º na lista dos portugueses mais influentes, mas apenas e só pela qualidade das suas ideias e projectos. Tendo sempre em mente que, para o Sporting voltar a triunfar, o acento tónico tem que ser recolocado na gestão desportiva.

      segunda-feira, 20 de setembro de 2010

      Selecção: entre o melhor e o possível

      Não é possível comentar a chegada de Paulo Bento à selecção sem nos referirmos á opereta mediática que nos foi proporcionada por Gilberto Madaíl em busca do Santo Graal para a selecção. E mais difícil é ainda perceber quais são os critérios que (des)norteiam as decisões federativas, tão diferentes que são Mourinho e Paulo Bento. Entre um treinador consagrado e um treinador de curto historial o que se pretende afinal para a selecção? Parece-me indiscutível a conclusão que fica é que se procurou o melhor, ficou-se com o possível.

      O primeiro grande prejudicado será Paulo Bento, cuja tarefa já não se advinha nada fácil. Esta prenda dos seus actuais patrões será, estou certo, a primeira de muitas. Nada que afinal Paulo Bento não esteja habituado a lidar, não tivesse sido ele treinador do meu clube. Aqui não posso contudo deixar de afirmar que, à semelhança do que disse há dias sobre Paulo Sérgio, Paulo Bento também tem culpas registadas em cartório. Como homem que estimo inteligente já por certo percebeu que entre uma equipa unida e um grupo de amigos complacentes pode ir a distância entre o êxito e o resto.

      Há alguns aspectos que me deixam curioso relativamente ao novo seleccionador. A sua relação com os jogadores, que amadurecimento e evolução técnico-tácticas se podem entrever e qual será a sua relação com o clube que lhe deu a primeira grande oportunidade profissional na carreira de treinador.

      Paulo Bento não seria a minha escolha para seleccionador. Entendo para o cargo um perfil diverso: alguém com valor demonstrado, cuja visão sobre o futebol seja reconhecida e demonstrada em curriculum. Não tenho a visão nacional-corporativista de Mourinho, que prefere um treinador nacional. Os maiores êxitos da selecção nacional foram até alcançados com estrangeiros no comando. Como alguém dizia à selecção bastariam os melhores.

      Mas, não sendo eu mais do que um mero adepto da selecção nacional resta-me desejar o melhor possível a Paulo Bento. Calculo que ele também saberá lutar por isso. Tenho-o como um homem honesto e de carácter e se isso não for suficiente para fazer dele um grande treinador, será pelo menos um bom começo.

      domingo, 19 de setembro de 2010

      Pesadelo de uma noite de verão

      Quero crer que o maior pesadelo de um Sportinguista não é perder um jogo, seja ele qual for, contra quem for. Pior é mesmo perder jogando 90m de forma completamente inofensiva. Foi isso que vimos hoje acontecer e quando assim é não há sequer vontade para perceber as consequências da 2ª derrota em apenas 5 jornadas.

      O Sporting nunca chegou a entrar no jogo e quando sofreu o primeiro golo estava já em sérias dificuldades para conter o jogo adversário. Ao optar por um 4x2x31 (não me pareceu nenhum 4x3x3 anunciado) Paulo Sérgio permitiu que o adversário várias vezes dispusesse de vantagem numérica na zona central do terreno, com Saviola Aimar e Carlos Martins a aparecer frente e sobretudo nas costas de André Santos e Maniche e entre estes e a nossa defesa, onde NAC foi, em regra, um grande aliado do ataque encarnado. No ataque pura e simplesmente não existimos.

      No final dos 90m ficou a amarga impressão de que as nossas camisolas foram passear ao derby. Não quer isto dizer que os jogadores não estiveram empenhados. Quer dizer tão-somente que, do ponto de vista colectivo, fomos insignificantes.

      Carriço foi o melhor e merece urgentemente melhor companhia. NAC e Liedson estiveram no extremo oposto, pouco menos que miseráveis exibições. As substituições nada trouxeram de melhor, o problema não era mais este ou menos aquele, antes sim um problema de organização colectiva. 

      Ficha de jogo

      Benfica 2

      Sporting 0

      Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.
      Assistência 51 899 espectadores.

      Benfica Roberto 7, Maxi Pereira 6, Luisão 6, David Luiz 6, César Peixoto 6, Javi Garcia 7, Carlos Martins 7 (Jara -, 86’), Aimar 5 (Ruben Amorim 6, 46’), Fábio Coentrão 7, Saviola 7 (Airton -, 80’ e Cardozo 7. Treinador Jorge Jesus

      Sporting Rui Patrício 6, João Pereira 6, Carriço 5, Nuno André Coelho 4, Evaldo 4, André Santos 4 (Saleiro 5, 73’), Maniche 5, Matias Fernández 4 (Hélder Postiga 5, 59’), Valdés 5, Yannick 4 (Vukcevic 5, 59’) e Liedson 6. Treinador Paulo Sérgio

      Árbitro Carlos Xistra 5, de Castelo Branco.
      Amarelos Javi Garcia (8’), Valdés (21’), Maxi Pereira (33’), Fábio Coentrão (44’), Ruben Amorim (71’), Hélder Postiga (90’), Airton (90’) e César Peixoto (90+3’).

      Golos 1-0, por Cardozo, aos 13’ e 2-0, por Cardozo, aos 50’.

      quinta-feira, 16 de setembro de 2010

      Já falamos francês, falta "só" tocar piano

      Paulo Sérgio deu ontem o seu próprio show na conferência de imprensa que habitualmente antecipa os jogos. Não só por se expressar em francês, mas sobretudo por voltar ao discurso do inicio da época:

      "Não vou entrar por essa via lamechas e arranjar desculpas, A nossa expectativa é de confiança, confiamos no grupo que temos, confiamos em toda a gente. Temos respeito pelo adversário, o Lille tem grande equipa, mas queremos entrar com o pé direito.”

      Mas não será fácil. Bem antes pelo contrário e, com ou sem ausências, o Lille será logo um bom teste às reais capacidades da equipa. Este é o primeiro adversário mais próximo do nosso valor, podendo até, neste momento, e em termos colectivos, suplantar-nos. Como é tradicional nas equipas francesas, encontraremos uma equipa bem organizada e com valores individuais muito interessantes e em ascensão na cotação internacional, podendo surpreender os menos avisados.

      O Sporting, como muito bem assinala Paulo Sérgio não se pode desculpar com as ausências e ver na dificuldade a oportunidade para ultrapassar alguns dos seus problemas. Com Liedson em Lisboa abre-se a perspectiva de, em 4x4x2 losango jogar com a dupla Postiga – Saleiro, tão subestimada pelos Sportinguistas, mas que para mim seria dupla natural, nesta altura. E talvez seja essa a postura táctica mais indicada face às soluções que o plantel pode oferecer. Tenho dúvidas que esta seja a altura de atirar Salomão às feras, ao contrário da maioria. O jogo natural para o fazer teria sido contra a Naval, face aos acontecimentos. Um 4x3x3 com a defesa habitual, com André Santos à sua frente, Valdés na esquerda, Zapater do lado oposto e uma frente formada por Matias, Djaló sem posições fixas e Saleiro parece-me tentadora mas quiçá pouco consistente na hora de defender.

      Logo veremos se sabemos tocar piano, depois de falar francês. Talvez não seja preciso um recital como o de Keith Jarret em Colónia, mas vai ser preciso mais do que arranhar uns acordes. 

      terça-feira, 14 de setembro de 2010

      Comunicar é preciso

      Há uma notória diferença na comunicação institucional do clube, tendo em conta o passado recente. A opção pelo marketing viral, com os vídeos de Acosta, Prates e de Francheschi são bons exemplos. As iniciativas levadas recentemente a cabo na Loja Verde, com a presença de jogadores do actual plantel em sessões de autógrafos, põem também ser elencadas como boas práticas. Com a deslocação da principal actividade da equipa para Alcochete criou-se um hiato que urgia restaurar para reforço dos laços de empatia entre jogadores e adeptos. Convenhamos que é mais difícil assobiar os que conhecemos do que jogadores cuja distância ao nosso mundo transforma em seres irreais, quase etéreos.

      Mas comunicar no Sporting, seja no site, seja no jornal do clube, não se pode resumir ao marketing e propaganda. E tem de observar critérios como o timming. Julgo interpretar correctamente o sentir de grande parte dos Sportinguistas, que aguardam com alguma ansiedade e até apreensão, uma tomada de posição firme, inequívoca, oficial, pública e notória do clube perante a recente agitação que “varre o País” e as possíveis consequências no desenrolar do resto do campeonato.

      E se muito há a fazer no que diz respeito ao exterior, não tenho dúvidas que a comunicação para dentro do clube, sobretudo ao nível da indispensável prestação da informação, tem ainda muitos passos a dar no sentido da oportunidade e da transparência. As virtudes de uma boa comunicação, como factor de coesão dos Sportinguistas, têm sido ignoradas de forma por vezes quase sistemática. Os órgãos oficiais do clube não se podem limitar, ou não se deviam limitar, a servir de câmara de ressonância dos órgãos sociais, pelo amesquinhar da força abrangente e plural que é o Sporting Clube de Portugal. Se me custa que os órgãos de comunicação do clube sejam sujeitos à lógica vigente de “preservação da espécie” dos eleitos, desprestigiando as funções para que foram investidos, mais ainda me custa que esta atitude seja caucionada ou simplesmente ignorada por inúmeros consócios. O Sporting pelo qual me apaixonei é um clube de referência, não apenas pelos inúmeros títulos que amealhou, mas essencialmente pelo exemplo e pelos princípios que representa. São inúmeros os exemplos que poderia citar. Fico-me por dois dos mais recentes, para ilustrar o que digo.

      Admito que pode ter resultado de alguma limitação pessoal, mas confesso a minha dificuldade em encontrar no site do clube o relatório de contas que foi agora aprovado, pelo que tive que recorrer ao site da CMVM para me poder inteirar do mesmo. Não posso afirmar que o relatório não foi publicado, mas a verdade é que nem recorrendo às funções de busca o consegui encontrar. Porque não lhe foi dado o devido destaque? Não foi na busca de maior transparência que o clube enveredou por uma lógica empresarial para gestão da modalidade mais representativa do clube? De que nos serviu desvirtuar um modelo que fez do Sporting Clube de Portugal uma das referências desportivas mundiais, se até para recolher informação tão elementar temos que visitar sites de instituições que nada nos dizem? Se foi para passar despercebido quanto se gastou com Caicedo o objectivo quase foi conseguido. Esta dificuldade em prestar contas é quanto a mim, e de forma surpreendentemente negativa, uma das marcas da era da “gestão de topo” no Sporting.

      Já não tive tanta dificuldade em tomar conhecimento do desmentido feito ao seu accionista e associado João Mineiro, através de comunicado expressamente elaborado para o efeito, no site, mas entretanto retirado. É um direito que assiste ao Sporting se, como entende, as declarações daquele não estão conformes com a verdade. E é até seu dever, tendo em conta a importância da matéria em causa. Mas, e ainda sem conhecer a posição do visado, interrogo-me porque foi o Sporting tão lesto a desmentir um sócio e accionista, sobre uma questão técnica e de alcance reduzido e não teve a mesma celeridade e igual procedimento para esclarecer os sócios e accionistas sobre a notícia do CM, que alegava procedimentos menos transparentes na remuneração de JEB. A velha e estafada desculpa que o Sporting não pode desmentir todas as notícias que referem o clube é, neste caso, desmentida pelos próprios factos. “Este” Sporting parece apenas interessado em desmentir o que lhe dá jeito.

      segunda-feira, 13 de setembro de 2010

      Paulo Sérgio: réu e vítima


      Com 5 pontos perdidos em 4 jornadas, jogando com clubes sem grandes pretensões, os Sportinguistas interrogam-se já sobre as razões que estão na base deste momento de insucesso, que, estranhamente, é visto no site do clube como de êxito. Há quem ache que tudo se resolveria com o tal pinheiro, há quem entenda já, até nos que decidiram dar o benefício da dúvida, que não restam dúvidas que o treinador podia e devia fazer melhor.

      Desde o princípio que a “solução Paulo Sérgio” nunca me agradou, pelo que os resultados não me surpreendem, apenas me entristecem. A hipótese do pinheiro parece-me uma visão redutora dos problemas, a menos que estivéssemos a falar de um goleador nato. Nesse prisma, não se percebe então os que tanto o reclamam agora, também entenderam útil gastar-se no farelo o que devia ser para comprar farinha. Isto é, valeu a pena desbaratar tantos recursos para não resolver um problema essencial e ficarmos mais ou menos na mesma?

      Numa semana marcada pela discussão financeira, esquecemo-nos que os principais erros do Sporting têm acontecido na gestão desportiva, errando os diagnósticos e, consequentemente, as soluções. A cúpula dirigente decidiu encetar uma revolução sem ter dinheiro para a levar a cabo, ficando, mais uma vez a meio de coisa nenhuma. O Sporting acumula erros e prejuízos com a elegância e circunspecção de um elefante, em pleno lago do Campo Grande, a saltar de nenúfar em nenúfar.

      Paulo Sérgio é tão réu como vítima e por isso talvez tenha mudado de discurso do início de época para o momento actual. De facto, não é nenhum drama perder mais do que um ponto por jornada, se compararmos esse facto com a vida dos mineiros chilenos a 700m de profundidade ou com os moçambicanos que, nas ruas de Maputo reclamam por justiça social e uma côdea de pão. Do ponto de vista dos Sportinguistas, que vivem o clube com paixão e não enfrentam situações tão dramáticas ou equivalentes, não sei se não é mesmo um drama ver o primeiro classificado a tantos pontos de distância e a jogar bem.

      Sempre achei que o Sporting precisa definitivamente de abandonar o período experimentalista que abraçou, com entrega da responsabilidade técnica a treinadores sem curriculum – Peseiro ou Paulo Bento – ou sem um percurso auspicioso como o actual técnico. (Por acaso até poderíamos ter sido felizes nos dois primeiros exemplos e até pode ser que o sejamos agora. Mas só mesmo por uma série de acasos.) O argumento do dinheiro para justificar a impossibilidade de contratar um outro tipo de treinador é falacioso, se atendermos ao que o Sporting deixou ficar na conta corrente do Vitória de Guimarães, cerca de 600 mil euros! E não creio que a preferência por portugueses, pelo menos por estes portugueses, em detrimento de estrangeiros, tenha a ver com o melhor conhecimento do futebol português. A história prova que esse não é um factor determinante.

      Creio que os dirigentes do Sporting preferem ter Paulos Sérgios ou Bentos, deslumbrados pela oportunidade de ouro que lhes caiu do céu, a exigir no início de época um x número de jogadores. Para, quando ela começar e, sem as necessidades satisfeitas, declararem, complacentes, que foi o que se pôde arranjar. Isto, a alguém, nacional ou estrangeiro, capaz de levar as suas exigências às últimas consequências, inclusive bater com a porta. Ou obriga-los a reconhecer, perante os Sportinguistas, que não somos assim tão candidatos porque a parte que lhes cumpria ficou por fazer.

      Dir-me-ão que Paulo Sérgio foi, como lhe competia, solidário com que lhe deu a mão. Mas a solidariedade devia ser recíproca e JEB e Costinha deveriam assumir publicamente que o treinador não teve o que queria, e, em consequência, fica desobrigado a grandes exigências. Da mesma forma que um cozinheiro não pode prometer fazer o melhor cozido à portuguesa, num concurso de restaurantes, se não há dinheiro para chispe e tronchudas.

      Quando se tornou público que Paulo Sérgio seria o nosso treinador esta época, apressei-me a vaticinar que seria na formação da equipa que Paulo Sérgio começaria a demonstrar ao que vinha. Ao aceitar tudo o se que lhe pôs à frente, o treinador fragilizou a sua posição. Alguém imagina Mourinho a aceitar, como Pelligrini aceitou, o que Valdano e Florentino lhe despejaram no balneário? Ou porque Jesus rapidamente remeteu Rui Costa ao seu gabinete? Ou quem é o director desportivo do FCP?

      Se Paulo Sérgio estivesse atento, perceberia que foi por estas razões que o seu homónimo Bento acabou por perecer em Alvalade. O discurso auto-indulgente tem apenas servido para perpetuar o establishment e, na hora de assumir responsabilidades, estão lá os Bentos e os Carvalhais ou os adeptos menos resignados para carregar as culpas.

      sábado, 11 de setembro de 2010

      Corridinho devagar e devagarinho



      O Sporting iniciou o jogo apenas com uma alteração, com o regresso natural de João Pereira e o regresso directo de Abel à bancada. Cedo ficaram evidentes as dificuldades a enfrentar: o Olhanense cedia-nos meio campo, concentrando todos os esforços defensivos nos últimos 50 metros. Sempre que conseguia recuperar a bola tentava desferir o contra-ataque, sem no entanto conseguir criar grande perigo. Esse viria no habitual lance bola parada – como se vê, é um problema colectivo, não do Polga ou Patrício… – conseguindo um golo num lance previamente anulado, cuja falta não descortinei.

      O Sporting pareceu entrar decidido a resolver rapidamente a questão mas, com o passar dos minutos, foi-se acomodando. Uma bola na barra foi o lance de maior perigo, numa primeira parte que acabou de forma decepcionante, tal a incapacidade revelada para criar lances de golo. Com as laterais bem fechadas o jogo foi afunilado a meio, onde apenas Matias parecia ter a mobilidade e criatividade necessárias. Penetrações entre linhas, colocação de bolas no espaço, a solicitar diagonais dos avançados foram soluções nunca ensaiadas. Os 69% de posse de bola a nosso favor, no fim dos 45m são enganadores, por terem sido amplamente consentidos pelo adversário e muito mal geridos por nós.

      Com o desperdício dos primeiros 20 minutos da 2ª parte o Sporting acabou por permitir que o jogo ficasse quase sentenciado,uma vez que o avançar do relógio retirava o discernimento necessário. Desperdiçar uma oportunidade mais evidente que um penalty, por Saleiro, no que foi imitado de seguida por Maniche, foi a confirmação de um resultado comprometedor.

      Há poucos destaques individuais a merecer nota positiva. No topo, indiscutivelmente André Santos, uma exibição soberba. Boa nota para Patrício, Carriço, e, aqui e ali, João Pereira e Maniche. Matias quase chegava lá mas acabou por se perder. Mediocridade geral para as exibições restantes, com Valdês, Vukcevic, Yanick e Liedson a destacarem-se pela negativa.

      Com 5 pontos desperdiçados com 2 equipas pequenas, em 4 jornadas, e sem aproveitar as perdas de pontos dos adversários directos, o Sporting faz perigar, em pouco tempo, a sua candidatura.

      sexta-feira, 10 de setembro de 2010

      Que choradeira

      Desde a passada quarta-feira que se assiste em Portugal a uma choradeira de levantar as pedras da calçada. Só espero que a factura de tanto lenço gasto não nos apareça na contabilidade no próximo fim-de-semana. Afinal quando se perde todos choram. 
      P.S: Quanto custou o João Ribeiro ao Guimarães?

      quarta-feira, 8 de setembro de 2010

      O suicídio do seleccionador

      Todos sabemos que no futebol a menor distância entre dois pontos não é uma linha recta, podendo muitas vezes ser até uma cornucópia. Mas, independentemente do prisma que se olha para os problemas que apoquentam a Selecção Nacional, há uma que questão nem os mais acérrimos defensores de Queirós não podem ignorar: ao fim de dois anos de presença aos comandos, com ou sem piloto automático, o avião não  só não descolou, como jaz nos hangares com problemas da fuselagem aos motores.

      Quem viu jogar as selecções nacionais, sub-21 incluídos, viu precisamente os mesmos problemas: ausência de um modelo de jogo, anarquia, um imenso buraco negro onde se afunda qualquer talento. E, ao contrário do que dizem, ninguém assassinou o seleccionador. Foi ele que se iniciou o seu próprio suicídio, da estalada no aeroporto, no apuramento anémico, falta de serenidade – foi a primeira vez que vi um seleccionador a atirar um casaco ao chão – na convocatória, no estágio, na competição dentro e fora do campo. O que é facto é que este seleccionador morreu, e, se ninguém o enterrar, vai continuar a cheirar mal.

      terça-feira, 7 de setembro de 2010

      SAD

      O Sporting deu  a conhecer a sua posição oficial sobre o agendamento do derby, através de um esclarecimento publicado no site. O comunicado é tardio e não é esclarecedor: com quem foram feitos os contactos telefónicos? Porque não negociou directamente com o SLB o adiamento? Há no entanto uma conclusão a retirar deste episódio e que me parece não poder ser esquecido pela direcção: sejam adversários, sejam operadores de televisão, só negoceiam connosco quando não nos conseguem impor os seus interesses, e, em regra, encontram do outro lado da mesa “uns gajos porreiros”.

      Também no site do clube foi publicada uma entrevista a Paulo Sérgio, cujos pontos principais se seguem, merecendo destaque as afirmações proferidas sobre Stojkovic:

      ‘Queremos ver as pessoas felizes’
      «Sucesso passará por disfarçar as nossas limitações»
      «O segredo do sucesso para esta temporada terá que passar por termos noção das nossas capacidades, mas também a humildade para reconhecer as nossas limitações», comenta o técnico leonino, em entrevista ao site do clube, prosseguindo: «O sucesso passará por disfarçar as nossas limitações, potenciando o que são qualidades. Temos de ser um grupo humilde, de muito trabalho e entrega. Queremos fazer a diferença pelo colectivo, pela força do grupo e coesão».

      «Pedro Mendes e Izmailov serão grandes reforços»
      «Serão, de facto, dois grandes reforços. O Sporting ficará uma equipa ainda mais forte, com dois jogadores de reconhecido talento e capacidade», defende o treinador, em declarações ao site do clube.

      «As lesões não estão, ainda, completamente debeladas. O Pedro encontra-se mais próximo, o Marat está agora, depois de um tempo longo de paragem, a recuperar a massa muscular para depois submeter o joelho a carga e ver a reacção. Esperamos que o joelho responda de forma positiva. Sinto vontade da parte dele em ajudar»

      «Stojkovic pode ser o guarda-redes do Sporting num futuro próximo»
      «Não o conhecia, sabia de algumas histórias mas o que está para trás não me diz nada. Demo-nos lindamente durante o mês em que trabalhámos juntos. Não tenho nada a apontar-lhe. Apercebi-me das suas qualidades. É de uma escola diferente. Tecnicamente, não cumpre com os requisitos que a boa escola manda, mas é eficaz, é muito grande, ocupa muito a baliza»

      quinta-feira, 2 de setembro de 2010

      Não é (Hilde)brand(o) ser Patrício

      "Ser goleiro é a pior profissão do mundo. Onde ele pisa, nem relva cresce!"
      A forma como o Sporting conduziu o processo de recrutamento de Hildebrand merece análise e discussão, até porque ela é a imagem da forma como se trabalha hoje em Alvalade.

      Do ponto de vista da comunicação, e ao contrário do que sucedeu com os outros clubes, o Sporting tornou públicas as suas necessidades no que a aquisições diz respeito. As conversas que se deveriam reduzir ao gabinete entre o treinador, director desportivo, director financeiro e ou presidente foram produzidas em frente aos jornalistas, alimentando ilusões e fomentando as frustrações. Espero que se tenha aprendido e que, daqui a 3 meses, não vejamos a reedição da novela. Foi assim com o guarda-redes, mas pelo menos acabou por chegar.

      Dá também que pensar porque demorou tanto tempo a recrutar um guarda-redes que estava desempregado, tendo em conta o tempo que Paulo Sérgio já se havia pronunciado sobre a sua necessidade. As consequências imediatas da demora estão há vista pelo menos para Golas, que em vez de evoluir num patamar mais elevado teve que descer às profundezas da anónima 2ª divisão.

      E nem vale a pena perguntar porque tem o Sporting um guarda-redes internacional nos seus quadros e o dispensa para ir buscar outro. Isto sem saber se a folha de encargos com os salários de Stojkovic não é dividida entre Lisboa e Belgrado. Gente rica é outra coisa. E não vale a pena porque sempre que faço a pergunta porque não é o sérvio uma opção válida a resposta é invariavelmente a mesma: porque não! Como os Sportinguistas aceitam isto anos a fio é quase um "case study".

      Esquecendo isso, vale a pena então perguntar: o Sporting precisava de um guarda-redes? Partindo do principio que Golas e Tiago não ofereciam concorrência Patrício, sim. Porque como uma vez aqui afirmei, o Sporting não tem lugares para oferecer, mas sim para serem conquistados. Mas, se é aceitável que num lote de 3 guarda-redes haja um elemento mais novo, uma espécie de carta fora do baralho, ter 2 é planear deficientemente. (Devo dizer que acho esta apreciação bastante injusta para com Tiago, muito comum a jogadores da casa. Tiago foi campeão nacional e sempre que é chamado à titularidade cumpre). Concluindo: Quanto a mim o Sporting contratou um guarda-redes quando menos precisava dele. Patrício foi literalmente lançado às feras por Paulo Bento, numa altura que não estava preparado para o peso das luvas de um guarda-redes do Sporting. Foram várias as situações em que, para sua própria protecção, deveria ter sido retirado e mesmo assim permaneceu titular. E quer PB quer CC deram-lhe um estatuto de intocável que ninguém merece ou precisa para crescer. Fazer rodar os outros guarda-redes seria também um acto de justiça para o trabalho realizado. Patrício teve que aguentar as suas culpas e as más decisões dos técnicos ao som de vaias e assobios e a forma como se saiu delas revela pelo menos a grandeza do seu carácter. Quantos de nós resistiriam, em iguais circunstâncias, sem um manguito pelo menos?

      O que pode representar para Patrício a aquisição de Hildebrand, então, que, diga-se, parece ser muito melhor opção do que Nilson.? Depende dele, depende dos adeptos e do treinador. Se ele mantiver as prestações desta época responde de luva branca a todas as criticas, e não dará qualquer hipótese a PS de o retirar da equipa. A menos que a condenação do tribunal de Alvalade lhe tenha atribuído pena de morte ao som do assobio, ou que o treinador resolva justificar a sua exigência.

      Quanto valerá hoje o guarda-redes alemão é outra incógnita. O seu trajecto recente é nitidamente descendente, muito longe que está das exibições e record de Estugarda. E, na sua passagem por Valência o seu comportamento profissional também deixou sombras. Parece-me no entanto indiscutível que o Sporting contratou um guarda-redes de uma das melhores escolas do Mundo, numa idade que lhe permite retomar o caminho interrompido, não precisando de pagar frango à espanhola ao preço do caviar.

      quarta-feira, 1 de setembro de 2010

      Como a Sagres ajudou o Benfica a ser campeão

      1. O multipresente CEO da Sociedade Central de Cervejas (SCC) tem-se desdobrado em declarações públicas, verberando o afastamento que, no ano de 2009, o Sporting Clube de Portugal (SCP) tomou a iniciativa de promover e protestando a sua disponibilidade para reatar as antigas relações comerciais.

      2. Relativamente a esta matéria, importará esclarecer um par de coisas, sobre as quais tem recaído conveniente mistificação; a primeira é que o SCP, em Abril de 2009, não rejeitou a SCC como "sponsor", por mero capricho, outrossim porque entendeu - por unanimidade do Conselho Directivo de então - ter sido desconsiderado enquanto parceiro e instituição.

      3. Os factos são simples de relatar: em Novembro de 2008, a SCC dava conta ao SCP da sua dificuldade em encaixar dentro do seu orçamento de 2009, o aumento no montante do patrocínio (andebol, futsal e estádio) negociado com o clube. Em 31 de Dezembro desse ano, com pública pompa e circunstância, a mesma SCC que alegadamente não tinha dinheiro para pagar ao SCP, celebrou um acordo com o rival Sport Lisboa e Benfica (SLB) por um prazo dilatado e cobrindo acrescidamente o patrocínio das costas da camisola da equipa de futebol profissional, entretanto desertado pelo BES, ou seja e por outras palavras, um contrato mais abrangente e logo mais substancial.

      4. Fique claro que a SCC nunca manifestou posteriormente ao SCP disponibilidade para celebrar um contrato de idêntica natureza e extensão ao celebrado com o SLB, nomeadamente o patrocínio das costas das camisolas, o que provocou a compreensível ruptura da parceria existente.

      5. Tudo isto poderia ser levado à conta das tormentosas vicissitudes da mundivivência do futebol português, não fora o facto de os reflexos desta situação se terem projectado significativamente da vertente económica para a vertente desportiva.

      6. Aqui também os factos são claros; ao abrir-se a porta para um contrato de sponsorização a longo prazo, fica propiciada a alavancagem financeira sobre as receitas futuras do mesmo, permitindo, se for o caso, encaixe antecipado das mesmas e obviamente os argumentos desportivos daí decorrentes.

      7. Não interessa para o caso se e quando essa alavancagem foi feita, mas uma coisa é certa: por via da actuação de um agente na área da sponsorização, as condições de concorrência entre o SCP e o SLB que até então vigoravam, foram abruptamente alteradas, em desfavor daquele.

      8. Dir-se-á, perante o exposto, caberia ao SCP "fazer pela vida" e procurar um sponsor que substituísse a SCC, que ostensivamente o tinha preterido; isso é verdade e foi feito, mas, nos tempos que correm, não só é difícil encontrar quem queira investir no futebol, como e sobretudo, com essa amplitude temporal.

      9. Tanto quanto sei o contencioso entre a SCC e o SCP está hoje ultrapassado e com certeza o SCP tê-lo-á feito pelas melhores razões.

      10. Outra coisa é porém o juízo que deve ser feito pelos sportinguistas, de como a Sagres ajudou o SLB a ser campeão na época 2009/2010.

      Carlos Barbosa da Cruz é ex-dirigente do Sporting

      Teorema de Tales

      Descansem. Não vos falar daquele que é considerado o pai da filosofia ocidental, nem do teorema que demonstra a igualdade dos triângulos em determinadas circunstâncias. Vou-vos falar do teorema de Tales, na versão a verde e branco, que parece radicar num antigo ditado popular: com Tales e bolos se enganam os tolos. Na politica desportiva, como na genericamente na politica, o que parece é e, no caso da contratação de Tales, é mesmo isso que parece. E, aparentemente, nem houve o cuidado – ou pudor? – de fugir à inevitável associação de estarmos perante um favor prestado por Jorge Mendes. Pergunto: neste, como noutros casos, vale a pena diabolizar a figura do empresário ou pedir responsabilidades a quem deve cuidar dos nossos interesses? Se ele faz grandes negócios com todos os outros e para todos os outros, porque não os faz connosco também?

      De Tales o que se pode dizer é que pertence à chamada turma do “foguete molhado”, isto é das decepções da geração de 90. Falamos de jogadores internacionais brasileiros sub-17 e sub-20 a que se augurava grande futuro, mas que ainda não confirmaram o valor que se pressagiava. Com Tales, que jogou com Kardec e Walter, p.ex., estavam na turma do foguete molhado, Lulinha, agora no Olhanense, e o ressuscitado Alex Teixeira que, em Janeiro passado, rendeu ao Vasco a bonita soma de 6 milhões de euros. Grande parte dos problemas de afirmação de Tales tem residido na sua morfologia. Ainda em idade júnior foi sujeito a um programa de fortalecimento muscular para obviar aos problemas que já enfrentava na categoria. Com a subida ao último escalão do futebol profissional esse óbice ganhou maior relevo. E, como agravante, à maior massa muscular correspondeu à perda da capacidade de explosão, a sua melhor característica, juntamente com a capacidade técnica.

      Esperemos por ver se o juízo que agora faço está ou não errado. Mas estou em crer que Paulo Sérgio, como qualquer treinador, não porá a cabeça no cepo por uma contratação que não pediu. E se ele queria um pinheiro e um extremo porque chegou um 10? Pormenores que terão que ser levados em atenção quando se fizer a avaliação do trabalho realizado pelo treinador. É que se tudo isto nos penaliza, imaginemos o que representa para quem depende dos resultados...

      Pouco ou nada nesta contratação faz sentido, mais ainda sendo o Sporting um clube formador. Com tanto tempo que houve para elaborar e burilar os dossiers é absolutamente lamentável a forma como este dossier foi conduzido para a opinião pública e em particular junto dos adeptos do clube. Se foi para lhes deitar a areia para os olhos só revela desrespeito. Resta-nos esperar que Domingos se tenha enganado á cerca do valor de Tales, quando o observou e rejeitou no inicio de época. E que se tenha também enganado no valor de Hugo Viana e no que lhe vão pagar nos próximos três anos. Olhando ao histórico, em quem confiavam?

      Anexo a comunicação ontem enviada pela AAS ao Record (clique para ampliar):

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