Putas há muitas, seu palerma
As minhas desculpas se ofendo os leitores habituais do blogue. As minhas desculpas às mulheres que, por qualquer razão, pertencem à classe de uma das antigas profissões do mundo, as prostitutas. Este post não é para elas.
Este post fala de uma classe ainda mais antiga, as putas, cuja actividade não está directamente relacionada com a troca de sexo pelo dinheiro. Falará do oportunismo, o carreirismo, dos que se vendem ao momento, para sair a ganhar, mesmo que ao arrepio da memória, da sorte dos outros ou da gratidão. Os que para quem vencer, ou o simples tirar vantagem é tudo, a quem não importa o que ficou para trás. Este post falará dos Liedson´s desta vida. Dos que dizem o que é mais conveniente para si num preciso momento.
Não está em causa o direito de um qualquer profissional decidir dar o que lhe parece ser o melhor curso à sua carreira. Mesmo que tal signifique assinar por um clube que é rival e, em muitos momentos dos últimos 30 anos, se tem comportado como inimigo do clube que o atleta representou durante muitos anos e lhe deu tudo. Nesse sentido Liedson podia ir para onde quisesse.
Obviamente que também reconheço o direito a qualquer profissional de, ao chegar ao dito clube rival, de proferir as afirmações que bem entender, faz parte do direito que me é muito querido, que é a liberdade de expressão.
Mas é quando um individuo fala (e age) que revela a sua natureza. E Liedson, nas declarações que proferiu, não foi o Levezinho que muitos sportinguistas idolatravam, foi apenas pequenino.
Faltou-lhe a grandeza ao não se lembrar de si mesmo, do que disse e sobretudo por se esquecer dos que lhe deram tudo , o carinho, a veneração, a gratidão e até a merecida posição no topo da sua folha salarial. Faltou-lhe também a humildade de perceber que o tempo joga contra ele e não lhe permitirá fazer sequer metade do que conseguiu de leão ao peito. Ao tempo não se marcam golos.
O fellatio verbal - "Era um desejo de há alguns anos mas apenas se concretizou agora" - com que Liedson decide marcar a sua entrada no FCP é feio e indecoroso e remetem os têm memória para as suas últimas palavras: "Não me via a jogar com outra camisola, quando se fala em Liedson pensa-se em Sporting." (na última página da entrevista) E isso percebem-no até os adeptos do seu novo clube. Feio e desnecessário.
Putas há muitas Liedson! E por 6 meses de contrato valia a pena seres mais uma delas para muitos dos que te idolatraram?
Mas este triste episódio não podia deixar de ser aproveitado por alguns como arma de arremesso na disputa interna em que o clube mergulhou. O que em si também é revelador de que a saúde do Sportinguismo já viveu melhores dias. A esses lembro que o Sporting não é apenas o momento, ou sequer esta ou aquela direcção.
A esses, e a Liedson, lembro o que dizia Agostinho da Silva:
O oportunismo é, porventura, a mais poderosa de todas as tentações;(...)
(...) é muito difícil lutar contra uma tendência que anda inerente ao homem, à sua pequenez, à sua fragilidade ante o universo e que rompe através dos raciocínios mais fortes e das almas mais bem apetrechadas(...)
(...)tempo virá na Humanidade - para isso trabalham os melhores - em que só hão-de brilhar os puros valores morais, em que todos se voltarão para os que não quiseram vencer, para os que sempre estacaram ante o meio que lhes pareceu menos lícito; eis a hora dos grandes; para ela desejaríamos que se guardassem, isentos de qualquer mancha de tempo, os que mais admiramos pela sua inteligência, pela sua compreensão do que é ser homem, os que mais destinados estavam a não se apresentarem diminuídos aos olhos do futuro.





















