A jornada de Bilbao não foi um fracasso
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| À porta do inevitável Gugenheim |
Houve bolo em fartura mas faltou a cereja, isto é a qualificação, a coroar esta deslocação do Sporting a Bilbao. A cereja não é dispicienda, era até muito importante para a afirmação do Sporting, mas reduzir esta eliminatória e o jogo de ontem em particular à sua ausência é redutor. O Sporting disputou ombro a ombro a eliminatória, foi até a equipa que mais dificuldades terá criado ao Atletic, e podia sem favor estar no seu lugar na final de Bucareste. Não aconteceu e, apesar da inevitável dor que isso representa para todos nós, aceito-o com o inevitável desportivismo de quem sabe que defrontou uma equipa muito evoluída do ponto de vista técnico e táctico e com jogadores, na sua maioria jovens, de elevada valia. E só 1 equipa seguiria em frente.
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| Adeptos Leoninos invadiram Bilbao |
Estou convencido que o tributo prestado pelos bascos no final do jogo ao Sporting e aos seus adeptos não resultou apenas de um mera retribuição da recepção de que foram alvo em Lisboa. Julgo que os adeptos do Atletic perceberam a grandeza do Sporting ao verem as suas ruas invadidas por adeptos que amam profundamente o seu clube, que o celebram com uma profusão de cânticos e a ele se entregam com generosidade. E perceberam também que eliminaram um adversário difícil, como foi realçado acima. Quando ontem os Sportinguistas abandonaram Bilbau, com toda a inevitável tristeza, deixavam o nome do Sporting num patamar bem elevado.
Deve-se também dizer que para a generalidade dos Sportinguistas que se deslocaram a Bilbao deve ter percebido que os bascos estão longe de ser um povo frio e sanguinário que a actividade extremista publicitou durante décadas. Orgulhosos da sua identidade são também calorosos e bons anfitriões, assim o foram pelo menos ontem. Isto é válido no que diz respeito aos adeptos mas que se extingue nas condições reservadas aos adeptos. Felizmente que o jogo se disputou nesta primavera fria, tal era o calor na gamela com rede à frente. (Onde é que já ouvi a ideia de que as redes existem nos melhores estádios da Europa?)
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| As condições para os adeptos eram deploráveis |
No que ao jogo diz respeito ele não nos correu de feição. Tento evitar os "como seria se" e os "mas" porque não ajudam à objectividade e muito menos pretendo transformar uma derrota em vitória. Por isso não vale a pena pensar como seria se estivesse Izmailov, ou Matias sem ter interrompido o seu ritmo competitivo, estando convencido que mesmo sem essas adversidades o jogo seria igualmente difícil. O timing dos golos foi-nos adverso , embora seja difícil de definir quando é que é mais favorável sofrer um golo.
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| O convívio entre adeptos foi uma constante |
O começo foi terrível para nós e as trocas de bola constantes acabaram por nos fazer sofrer o primeiro golo. Conseguimos reequilibrar e acabar por marcar,dando justiça no à igualdade no resultado que depressa foi desfeita. A segunda parte foi ainda mais difícil, que nos obrigou a ver a baliza basca sempre ao longe. Não conseguimos contrariar as qualidades do jogo basco, com a agravante de não conseguirmos ter bola com tempo e qualidade para sair a jogar. Apesar disso a crueldade do golo no final é ainda maior porque, quando aquele surge, o Atletic já estava longe do fulgor da primeira meia-hora.
A arbitragem foi de um revoltante caseirismo, dando razão aos receios expressos por Sá Pinto antes do jogo. O critério britânico de deixar jogar foi aplicado apenas em beneficio dos da casa e quando existe esta evidente duplicidade ainda mais reforça a desconfiança.
A arbitragem foi de um revoltante caseirismo, dando razão aos receios expressos por Sá Pinto antes do jogo. O critério britânico de deixar jogar foi aplicado apenas em beneficio dos da casa e quando existe esta evidente duplicidade ainda mais reforça a desconfiança.
Embora a frustração seja grande não deixarei que ela acabe por falar mais alto no momento em que deixamos a Liga Europa. Quem diria que seria possível fazer desta equipa uma das sem-finalistas da Liga Europa há poucos meses atrás? E se me propusessem igual trajecto no próximo ano nesta competição compraria de bom grado.
Parabéns a Sá Pinto e a todos os que trabalham directa e indirectamente no futebol profissional pela forma como souberam levantar a equipa e, de forma totalmente inesperada, projectar o nome do Sporting. Parabéns a todos os leões que, nesta jornada, contribuíram para levantar bem alto e longe o nome do nosso clube.
Temos razões de nos orgulhar no que somos e de confiar no que o futuro nos reserva.



















