31 a 6
Já era comum ouvir os adeptos suspirarem por Rinaudo, ontem chegou a vez de Domingos. Parece que a panaceia para todos os males se resume à ausência/regresso de Rinaudo, o que me parece uma falácia. Isto porque reduzir os problemas de uma equipa de 11 à ausência de 1 jogador é já si admitir que algo está a funcionar mal. E é também injusto para o jogador uma vez que, por muito bom que seja, não conseguirá estar à altura do que dele se espera. Rinaudo é de facto bom, mas nem sequer é genial, não fazendo por isso qualquer sentido esperar-se assim tanto dele. E admiti-lo, como ontem fez Domingos, além de parecer a leste dos reais problemas, confessa um mau planeamento, como se pode ver pela ausência de um jogador ou um plano que substitua Rinaudo. Renato Neto, que não cresceu naquele lugar, é um erro infeliz, acumulado com a embirração com André Santos. Até a dormir faria melhor que o Neto, mesmo não sendo o ideal para o lugar.
O que poderia ser diferente com Rinaudo?
Quando rebobino os jogos recentes do Sporting pergunto-me o que poderia o argentino, com as funções que tem habitualmente atribuídas, melhorar a prestação da equipa onde ela tem sentido mais dificuldades, que é na organização ofensiva. Isto porque o problema não me parece ser deste ou daquele jogador mas sim da concepção do jogo.
Como jogamos com os mais pequenos?
O Sporting sai normalmente para o ataque através do central (Polga e ontem Rodriguez) que ou opta pelo passe médio/longo por endossar a bola ao lateral, que avança enquanto pode para entregar ao extremo. Em norma este procedimento, há muito identificado pelos adversários, redunda num regresso da bola atrás, até ao central ou eventualmente ao 6, que varia de flanco, até encontrar as mesmas dificuldades. Raras vezes o 6 é chamado a intervir no processo e quando o faz encontra os companheiros de sector muito distantes, vendo-se obrigado a efectuar lançamentos de mais de 15/20 metros, ou devolver a bola ao central. Se a bola chega ao destinatário este encontra-se de costas para o jogo e tem dificuldades em prosseguir verticalmente, vendo-se pois obrigado ou a fazer regressar a bola ao ponto de partida ou a arriscar voltar-se para a baliza, elevando o risco de perda de bola. Quando tal não acontece faz o passe demasiado pressionado, com elevada percentagem de poder vir a falhar ou fazê-lo de forma menos assertiva, criando um problema para quem vai receber a bola. Com isto, chegar às imediações da área é mais difícil do que dobrar o cabo das tormentas e o ponta-de-lança um parente afastado.
Talento à deriva
Pode Rinaudo mudar tudo isto? Não creio e quem o faz pode vir a ter uma grande desilusão… Daí o titulo do post, uma vez que sendo o futebol o miocárdio do clube, qualquer enfarte ou bloqueio faz perigar a sua saúde, como se vai notando em alguns movimentos oportunistas… O mesmo acontece já relativamente à forma como é olhado o valor dos jogadores, dos quais Elias é o melhor exemplo. O mesmo sucede com Ribas, de quem é dificil, ao fim do terceiro jogo, fazer uma avaliação. Alguém se lembra de um momento em que foi bem servido nestes 3 jogos? Podia dizer o mesmo de Capel, cuja importância para a equipa vem decaindo, parecendo-me que falta quem, da equipa técnica, lhe elucide o óbvio: ficar colado à linha à espera do jogo faz dele um “sitting duck”. E receber a bola e correr numa paralela à linha lateral não só serve de pouco, como foi chão que deu uvas. Repararam há quanto tempo não vemos sequer um centro “à Capel”? Mesmo que Ribas seja um exímio cabeceador (parece-me mais do que isso, embora sem a mobilidade de Wolfswinkel) como o vai poder demonstrar?
Des(confiança)
Como Domingos já declarou que “não vai mudar nada” vejo com pessimismo o futuro imediato do Sporting nas 2 competições onde ainda pode fazer alguma coisa, que são as taças da Liga e de Portugal. Porque quer Gil Vicente quer o Nacional ( a quem temos mesmo que ganhar ou empatar por mais de 2 golos) são equipas que já nos viram jogar e são capazes de nos fazer a vida negra. Os resultados são fundamentais, mas jogando bem está-se sempre mais perto de ganhar, o que não vem acontecendo. Duvido que, com as dificuldades sentidas, a vitória de ontem tenha reforçado a confiança da equipa.
Os resultados não todos iguais
Os resultados nem sempre dizem tudo. Lembro-me dos jogos com o Olhanense, um adversário acessível mas com o qual perdemos 4 pontos. Quando empatamos em casa na primeira volta fiquei convencido que, jogando como o fizemos, ganharíamos quase todos os jogos com equipas abaixo dos outros 2 rivais. Ao ver o jogo da jornada passada em Olhão pareceu-me que, ao contrário, iremos sofrer muito na 2ª volta, onde teremos que discutir os pontos renhidamente. O que não me parece fazer muito sentido face ao talento disponível e que me parece cada vez mais desperdiçado.