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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Onde se começou a decidir o campeonato 2013/14

O ano passado, em pleno verão, no auge da desilusão encarnada, dizia a um amigo benfiquista que o segredo do sucesso desta época estaria na decisão de manutenção ou não do treinador, Jorge Jesus. Estou em crer que ele não me levou muito a sério, provavelmente pensou que o meu vaticínio era um desejo de maldição a estender-se por mais uma época, depois do final catastrófico da de 2012/13. 

Obviamente que, como adepto do Sporting, não tinha qualquer interesse na continuidade de Jorge Jesus. Mas também não me apetecia nada vê-lo mudar de armas e bagagens aqui mais para Norte, para a Invicta. Esse teria sido seguramente o destino do treinador, pois não acredito que Pinto da Costa deixasse passar essa oportunidade. A ter acontecido, podíamos muito bem ver-se estender por mais alguns anos a hegemonia do FCPorto. 

Não deixa por isso de ser paradoxal e até caricato que grande parte da nação benfiquista que há menos de um ano estava na disposição de carregar pessoalmente as malas de Jorge Jesus até ao Dragão, estivesse ontem a celebrar efusivamente uma vitória que, a ter-se cumprido a sua vontade, dificilmente teria acontecido.

Grande parte das decisões do campeonato começam-se a desenhar antes do seu  início e o deste ano não andará muito longe disso. A constituição das equipas técnicas foram obviamente decisivas. Juntaria como momentos de decisão do campeonato a jornada da ida à Luz: a derrota, da forma como foi, deixou marcas em ambas as equipas, impondo-lhes trajectórias opostas: o SLB passou a jogar com a confiança que aqui e ali lhe ia faltando e o Sporting não voltou ao melhor que já havia conseguido. Três momentos que antecederam esse jogo contribuíram também para o desfecho: 

(i) O empate com o Nacional. Apesar do mau jogo o Sporting devia ter ganho esse jogo;

(ii) O empate com a Académica. O mesmo que o com o Nacional, acrescido do facto de se William ter ficado impedido de jogar na Luz;

(iii) A má surpresa de Jardim para o dérby;

O SLBenfica, agora campeão, começou a sê-lo no momento em que decidiu manter Jesus. Não que não o pudesse ser com outro treinador qualquer, mas seria muito difícil chegar alguém que conhecesse tão bem o plantel, que contratasse exactamente os mesmos jogadores, mantivesse a mesma identidade e sobretudo o futebol praticado tivesse a qualidade com o que a sua equipa acaba o campeonato. É verdade que foi exactamente isso que Jesus fez no primeiro ano e que chega à Luz mas os tempos eram radicalmente diferentes.

A razão deste meu vaticínio é também por aqui: há um momento antes e depois de Jesus no SLB: Entre o titulo de 2004/05 e o primeiro de Jesus o SLB coleccionou terceiros e quartos lugares. O final da época havia sido demasiado traumático, especialmente o final da Taça de Portugal, e manutenção de Jesus, sendo um jogada arriscada, significava não ter que começar tudo de novo. O risco da jogada pagou bem.

O FCPorto decidiu interromper o ciclo de Vítor Pereira por o julgar esgotado, sem nunca valorizar o facto de o treinador ter conseguido triunfar mesmo perante a cada vez menor qualidade dos seus plantéis. Pinto da Costa e a sua tão incensada super-estrutura acabaram sendo apanhados de surpresa com a ida de Vítor Pereira para o Oriente, talvez cansado de servir de para-raios à volta do qual se abrigavam todos os que com ele dividiam responsabilidades. Com sorte podem ter arranjado um novo bode expiatório com Paulo Fonseca, mas o trajecto das últimas duas épocas revela que têm havido mais jeito para vender do que para comprar. Não se pode sequer falar em desinvestimento, atendendo ao número de jogadores adquiridos e dinheiro despendido.

Curioso que hoje, nas análises que vi a este campeonato, do qual ainda faltam duas jornadas, falou-se quase sempre de SLB e FCP e muito pouco do segundo classificado, o Sporting. Isto mesmo quando se reconhece justiça na classificação, que já não poderá conhecer alteração no que ao pódio diz respeito. 

Há várias razões para que tal suceda. Desde logo os interesses instalados, para quem o regresso do Sporting aos lugares cimeiros e à luta pelo titulo é uma maçada. Grande parte desses interesses são precisamente os de SLB e FCP, obviamente. 

Depois há uma natural desconfiança que este Sporting 2013/14 seja um epifenómeno que o próximo campeonato se encarregará de normalizar. Essa desconfiança tem também alguma razão de ser: há ainda grandes diferenças entre os plantéis dos três rivais, diferenças essas que este ano foram atenuadas pela conjunção do excelente trabalho de Leonardo Jardim e pela "debacle" do FCPorto. Mas este final de campeonato tem revelado um Sporting algo esgotado de soluções para contrariar o melhor conhecimento do nosso jogo e o facto de sermos levados mais a sério. O jogo da última jornada, em Belém, é um bom exemplo.

Esse é grande desafio da próxima época que, tal como esta, terá que começar a ser ganha desde já: contrariar a ideia de que o Sporting é apenas "uma agradável surpresa" e tornar certo que somos uma "incómoda certeza". O plantel actual é demasiado curto, quer em quantidade quer sobretudo em qualidade, especialmente para lutar pelo principal objectivo - que terá de ser sempre o título - ou para assegurar uma presença condigna na Liga dos campeões. O desafio também estará novamente nas mãos e sobretudo na cabeça de Leonardo Jardim em reinventar o modelo de jogo, quando o actual dá ares de estar algo estafado. 

sábado, 19 de abril de 2014

Ascender aos céus europeus em sábado de aleluia

Poucas linhas para falar do jogo que há pouco acabou por confirmar o segundo lugar e, por consequência, o regresso pela porta grande às competições europeias. E essas linhas devem-se sobretudo ao que foi hoje alcançado, já que o jogo foi demasiado fraco para merecer a interrupção das merecidas férias pascais.

E se o jogo foi fraco tal se deve ao mérito do Belenenses pela forma como preparou o jogo. Linhas recuadas, abdicando de avançado fixo para com isso garantir superioridade numérica sobre o nosso meio-campo. Dessa forma não conseguimos ligar o nosso jogo, ficando sempre muito longe da área azul, facto que Leonardo Jardim nunca encontrou solução para contrariar. Não é demais lembrar que este Belenenses criou grandes dificuldades quer a FCP quer a SLB. Outra razão de fundo para a falta de qualidade do jogo foi indiscutívelmente o péssimo estado do relvado, pouco favorável a grandes recitais futebolísticos.

É muito difícil fazer grandes destaques individuais positivos. Excepção feita a Patrício que, quando foi preciso esteve sempre no lugar certo e na hora certa. E André Martins pelo inconformismo demonstrado em não se deixar cair na mediocridade geral.

Sobre o árbitro direi apenas que foi mais uma demonstração da falta de qualidade que Cosme Machado habitualmente faz questão dar testemunho por esses campos fora.

Não há nada de especial a comemorar com este segundo lugar, que devia ser encarado como a normalidade para um clube como o Sporting Clube de Portugal. Mas se é verdade que os segundos lugares não se comemoram não deixa também de ser verdade que este regresso à normalidade é um feito notável, atendendo ao que foi o ponto de partida. Por isso esta é hora de dar os parabéns a todos quantos tornaram este momento possível.

terça-feira, 1 de abril de 2014

O que significam 8 pontos de vantagem?

Não podia ter corrido melhor a jornada do passado fim-de-semana no que à luta pelo segundo lugar diz respeito. Já quanto à miragem do primeiro lugar aconteceu precisamente o inverso, acentuando a vitória do SLB ante o SCBraga o carácter cada vez mais quimérico da nossa pretensão ao lugar mais alto do pódio.

A vantagem real do Sporting não é de 8 pontos mas sim de 7, por força da desvantagem nos jogos realizados com o FCPorto. 7 pontos que significam mais ou menos metade dos pontos que ainda falta disputar. 

Um facto que não tenho visto destacado é que o Sporting não perdeu nenhum jogo a não ser com os seus rivais. Dessa forma, e ao contrário do que aconteceu várias vezes em anos anteriores, nunca perdeu nenhum jogo de forma consecutiva, o que diz bem da consistência dos resultados e da carreira da equipa.

Os momentos mais críticos viveu-os entre o empate com o Nacional em casa (jornada 14) e a derrota na Luz (jornada 18), onde coleccionou apenas um vitória. Esta somou-se a 3 empates e uma derrota, equivalendo à perda de 9 dos 15 pontos em disputa.

Faltam neste momento cinco jogos para o final do campeonato (o que equivale a 15 pontos em disputa):

Paços de Ferreira (f); 
Gil Vicente(c), 
Belenenses(f)
Nacional(f)
Estoril(c)
Pode a vantagem ainda ser anulada? 

Que influência terá no comportamento do principal adversário o facto de o 2º lugar ter ficado mais distante e as restantes provas onde pode ganhar alguma coisa lhe sobrecarregarem o calendário?

Tratando-se de futebol é evidente que tudo pode, não me parece porém muito provável. A acontecer significaria um desvio telúrico daquela que tem sido a trajectória da equipa. Três vitórias em cinco jogos resolveriam a questão. Contudo nenhuma delas se afigura fácil. 

O Paços de Ferreira não está completamente seguro de não cair na zona de despromoção. Aí está o Belenenses que, se chegar vivo ao embate connosco fará do jogo uma questão de vida ou morte. Nacional e Estoril são das melhores equipas da presente competição e degladiam-se entre si pelo primeiro lugar logo a seguir ao pódio, com vantagem para os canarinhos que não enjeitariam um pouco mais se o FCPorto facilitar. Só o jogo com o Gil Vicente aparenta mais tranquilidade mas, como se sabe, as aparências iludem.

Nota: espero amanhã publicar o post anteriormente prometido sobre o ano de mandato da actual direcção.

domingo, 30 de março de 2014

Dificil, fraquinho, mas saboroso

Não foi nada fácil arrecadar os 3 pontos em disputa na recepção ao Vitória de Guimarães. A verdade é que não há jogos fáceis na Liga Zon Sagres, o grau de dificuldade depende sempre do desempenho de todos os intervenientes e, no caso de ontem, a regra manteve-se. E ontem nem o Sporting esteve ao melhor nível nem o Vitória lhe facilitou a tarefa. 

Foi dos jogos menos conseguidos este ano em casa e quando não se joga bem a vitória fica sempre mais difícil de alcançar. Salvou-se o espírito da equipa que, mesmo sem usar dos melhores processos, nunca abdicou de procurar o golo. Quando o conseguiu nem sempre defendeu como devia nem explorou o adiantamento do adversário com a eficácia necessária, mas não abdicou de lutar. Foi esse espírito que acabou por ser determinante para o desfecho final.

A equipa de Rui Vitória não é um primor de execução técnica, muito pelas limitações do seu plantel mas, por mérito indiscutível do seu técnico, é das equipas que melhor explora as fraquezas dos adversários. Quando, como ontem, o resultado não se define, a equipa cresce e acredita, tornando-se num adversário incómodo.

Da parte do Sporting muita dificuldade em saber lidar com as solicitações longas para os avançados e em pressionar as saidas com a bola jogada de pé para pé. Apesar disso o Sporting esteve melhor, muito melhor e mais seguro, a controlar o jogo ofensivo do adversário do que a na organização do seu ataque. Aí o Sporting nunca se sentiu confortável perante a boa organização do adversário. Extremos muito distantes de Slimani e sem o conseguir servir pela via que ele é mais eficaz, a via aérea. Os ataques sucediam-se mas sem grande perigo. Pouca presença na área e mesmo na zona central, o que torna mais difícil a ocorrência de perigo e dos desejados golos.

Mané bem merecia melhor companhia na frente. Capel continua desinspirado e Heldon, à semelhança de registos anteriores, sem justificar a titularidade. Com Slimani o Sporting perde grande capacidade de progressão. O forte do argelino é o jogo aéreo mas o nível técnico não o ajuda a segurar uma bola ou a executar passes precisos. Na área, quando a bola se joga pelo chão, perde-se muitas vezes no meio dos centrais, nem sempre decidindo bem quando é melhor procurar o primeiro poste, o segundo, dar um passo  frente ou atrás. Para quem tem de fazer a assistência a missão fica extremamente dificultada porque não o vê. 

Já aqui tinha afirmado em post anterior que me parece que o nosso futebol perde em tê-lo como primeira opção, por ficar limitado a pouco mais do que despejar bolas para a molhada. A aleatoriedade desse tipo de lances não favorece as nossas pretensões. Montero tem muito mais a oferecer e perde apenas no capitulo do jogo aéreo. Provavelmente a presença dos dois, o tal plano B de que tanto se falou, é mais vantojoso, quer para o jogo de ambos quer para a equipa. A menos que Leonardo Jardim antecipe que as finalizações do colombiano vão ser irremediavelmente consideradas ilegais.

Esperam-nos 5 finais. A equipa dá ares de estar esticada ao limite no que a soluções para o seu jogo diz respeito. Estas circunstâncias tornam os 3 pontos conseguidos extremamente saborosos. A necessidade assim o determina, quando se precisa o fraquinho e difícil é muito bom.

Uma palavra final para a arbitragem: incompetente. No entanto não creio que haja razões para nos queixarmos, atendendo a que poderíamos ter terminado o jogo com 9 jogadores e isso poderia muito bem significar uma história final muito diferente da que agora se escreve.

domingo, 23 de março de 2014

3 pontos desencravados na Madeira

Imagem MaisFutebol
Uma vitória muito saborosa, num terreno habitualmente muito difícil, foi o saldo da viagem há Madeira. Ao contrário do que o resultado algo dilatado para um jogo fora possa querer indicar não conseguido com facilidade, tendo em muitos momentos parecido muito difícil segurar. Com isto não coloco em causa a justiça da vitória, o Sporting foi a única equipa que, pelo que fez em campo, a justificou. Mas as dificuldades sentidas em alguns momentos, em especial na 2ª parte, contribuíram para a incerteza no desfecho. Resultaram sobretudo de uma postura um pouco atípica, tendo em conta o que Jardim já demonstrou ser a sua preferência relativamente ao controlo do jogo e dos adversários. 

Para melhor exemplificar o que pretendo dizer com o parágrafo acima, olhe-se para o que se fez no jogo anterior com o FCP, uma equipa infinitamente superior ao Marítimo. Se, nesse jogo, o Sporting permitisse as mesmas veleidades que ontem permitiu, dificilmente teria conseguido registar o resultado então alcançado. E o mesmo se poderá desde já dizer, em jeito de antecipação, sobre a próxima viagem Nacional à Madeira...

O jogo não podia começar melhor. Pressionante, por via das linhas mais subidas - beneficiando da acção de um Mané endiabrado, jogando muito bem no espaço existente entre linhas, com incursões muito rectilíneas e bola controlada - o Sporting deixava o Marítimo em aflição a cada ataque. O penalty, que iria corresponder à inauguração do marcador, deve-se-lhe a uma dessas jogadas. Porém, um erro colectivo, permitindo uma transição rapidíssima em superioridade numérica, depressa anulou a vantagem conseguida. Tal resultou de uma perda de bola, da incompreensível saída à queima de Jefferson, quando se lhe pedia contenção, e da falta de acompanhamento de Mané ao homem que lhe competia seguir. O golo foi uma espécie de penalty corrido, muito difícil de contrariar para Patrício. Excepção feita a este lance a primeira parte decorreria sem grandes sobressaltos para nós e sempre mais difícil para os da casa.

O mesmo não ocorreria na segunda metade. Pedro Martins jogou as cartas que tinha e apostou no que melhor sabe fazer: para a frente e em força, futebol directo. Beneficiou e em muito com a permissão de Slimani aos centrais para iniciar o jogo, no que foi acompanhado pela generalidade da equipa. Chegava a ser confrangedor ver o sector recuado tão tosco como o do Maritimo ter o à vontade para se tornar preponderante. Foi a fase masoquista do nosso jogo, que teve pelo menos o mérito de demonstrar que sabemos sofrer e esperar pela melhor oportunidade. Para bem do nosso coração, esperemos que o façam poucas vezes. De preferência mais nenhuma.

Uma palavra para Jardim, que mais tarde ou mais cedo se transformará num post a ele dedicado em exclusivo. O seu mérito nesta campanha é indiscutível. Mas é indiscutível também que os pontos alcançados, em particular os dos últimos meses, têm sido conseguidos contra o que parece por vezes o mais óbvio, natural ou mais sensato. O jogo de ontem é um bom exemplo. Era tudo menos um jogo para Slimani. O argelino, a quem devemos muitos golos que significaram pontos, tem na cabeça a sua principal arma. No meio das torres/centrais do Marítimo, ainda por cima com má relação com a bola nos pés, pedia-se bola no chão, leia-se Montero. Além disso deu tudo o tempo do mundo a Martins para mexer como quis, enquanto a equipa ia abanando, apesar de não cair. Porém o que conta para a história é a vitória e os três pontos e é isso que contará para a validação das suas opções: o resultado.

Segue-se uma breve apreciação de cariz individual, apreciação que esbate o principal mérito desta equipa: a sua força colectiva.

Patricio - Foi mais o fumo que o fogo o que se passou na sua frente. Sempre que chamado a trabalho esteve bem. O golo sofrido é, como dito acima, um penalty corrido, marcado poucos metros atrás do ponto das penalidades ditas normais.

Cédric - Sem grandes falhas a defender, isto sem poder contar com grande ajuda de Heldon, esteve desastrado a centrar. Com um jogador como Slimani na frente este aspecto conta muito para a apreciação geral do seu trabalho.

Jefferson - Muito distante do nível que exibiu antes de se ter lesionado. Acumula falhas defensivas com pouco acerto nas participações ofensivas. Porém ontem acabou por se redimir da falha inicial, sendo decisivo para o resultado e tranquilidade finais.

Maurício - Jogo muito sofrido e nem sempre com grande acerto, especialmente no jogo aéreo e na vigilância a Derlei, aspecto onde vinha evidenciando algum à vontade.

Rojo - Segundo jogo de folha limpa, sem falhas que se lhe possam imputar e que ainda teve tempo para ir apagando uns fogos de ambos os lados.

William - Menos participativo do que habitual, mas mais decisivo do que anteriormente. O paradoxo explica-se pelo jogo adversário, e pela sua preferência pelo futebol directo, evitando quase sempre a sua zona de influência, onde esteve como sempre. Mas marcou um golo crucial, num momento em que o jogo estava tudo menos decidido.

Adrien - Talvez seja o jogador que mais sofre com a entrada de Mané. Pede-se-lhe ainda mais contenção, recuperação de bola, o que talvez seja pedir muito para se exigir aquilo que lhe parece faltar: ser mais influente nas decisões que toma com a bola nos pés, em particular na incorporação nas acções atacantes. E é isso que talvez o esteja a separar da convocatória de Paulo Bento.

Mané - Já disse quase tudo acima. É indiscutível que acrescenta imprevisibilidade ao nosso jogo, que Martins não consegue e de quem nem é sensato esperar. O reverso da medalha são os metros de disponibilidade para os adversários no nosso meio-campo, porque não ocupa os espaços necessários quando chamado a defender. Tem tudo para crescer e tornar-se ainda mais importante.

Heldon - Fraquinho, muito fraquinho. Não defende, não assiste, sendo cada vez mais notória a sua obsessão egoísta por marcar um golo, em prejuízo das necessidades e melhores possibilidades do colectivo. Se, como todos desejamos, a Champions League for uma realidade, mais notória será a sua falta de qualidade para uma equipa com as exigências e ambições do Sporting.

Capel - Perdeu fulgor e aparentemente também ânimo. É um jogador acima de tudo de ânimos, o ocaso a que foi sujeito não parece ter-lhe caído bem. 

Slimani - Também já muito foi dito acima. Marcou mais um golo, mais uma vez mal anulado, mas já na presença de Montero e tirando partido da sua assistência. Saliente-se o esforço e entrega totais, mas não era um jogo para ele.

Carillo - Por força dos concertos de assobio a que frequentemente é sujeito, é compreensível que Jardim lhe destine o banco nos jogos em casa. Nos jogos fora já dificilmente o entendo. Não que a sua inconsistência não me irrite como uma úlcera duodenal aguda ma, mesmo quando tal acontece, sobra a esperança de um qualquer momento de magia. Ser suplente de Heldon é um crime lesa futebol.

Montero - Fez uma assistência que não contou. Ele próprio tem contado pouco, bem menos do que pode contar. 

Vítor -Entrou mais tarde do que talvez fosse recomendado. Para contrariar o jogo directo do Marítimo era necessário roubar a bola e mantê-la no nosso poder. Ele e Montero teriam sido fundamentais para atalhar o sofrimento desnecessário.

Arbitragem - Um bom exemplo do que é a má vontade de um árbitro para com uma equipa. Critério(?) desastroso nos amarelos e mais um golo limpo anulado. Se marcou fora-de-jogo fez mal, porque o assistente não levantou a bandeirola. Como não foi falta não se percebe o que viu. E se em vez do quarto golo fosse o golo do desempate naquela altura? Num jogo sem outros casos senão aqueles que ele próprio criou.

Uma última nota para a vitória. Num campo difícil, onde nos últimos tempos, coleccionamos muitos desaires. O facto de os nossos rivais ali terem soçobrado diz bem da dificuldade da tarefa e da importância do resultado. Mas, ao contrário do que já vi por aí propagandeado, não serve de consolo para coisa nenhuma. Talvez o fosse para outros sportings, mas não para o Sporting Clube de Portugal. Ganhar ao Marítimo deve ser considerado tão normal como é anormal não estarmos nas competições europeias. 

domingo, 9 de março de 2014

Profissionalize-se o roubo

Poucas linhas para não deixar passar em claro a arbitragem vergonhosa hoje ocorrida no Bonfim. Já vi muitos jogos mal arbitrados, arbitragens infelizes, planos inclinados, roubos declarados. O jogo de hoje cabe na última classificação, talvez um dos piores do género.

Chamou particular atenção a trabalho(?) concertado dos auxiliares com o árbitro. O critério na sinalização do fora-de jogo é injustificável sobre qualquer ponto de vista. Um ingénuo podia admitir que, no primeiro golo anulado, o auxiliar teve azar, foi traído pela velocidade do lance. Mas no golo do Vitória o avançado recupera de uma posição irregular com muitos metros a separa-lo do nosso último homem e, no momento do passe, ainda estava em posição irregular. Este lance ocorre após uma falta clara em frente ao outro assistente, que é impossível não marcar. O lance do nosso primeiro golo ninguém pode afirmar com certeza que a bola passou a linha, embora assim pareça. O penalty sobre Capel é caricato, mas o jogador pelo menos é tocado. No caso do Setúbal nem sequer há contacto, é um lance de mau teatro, que merecia punição com amarelo. 

Um jogo que era impossível de ganhar e nem abordei os erros de arbitragem de forma exaustiva, também por nojo. Mas, valha verdade, foi também um dos nossos piores na época em curso. Para tal suceder concorreu um relvado miserável, impróprio para jogadas com muita troca de bolas, e opções de acerto muito duvidoso de Leonardo Jardim. 

A primeira parte acabou por ser, mais uma vez dada de avanço. Magrão é um equívoco cada vez mais evidente, neste jogo mais ainda quando João Mário abria o livro do outro lado. Afinal quem é que tem falta de intensidade? Heldon continua sem dar um único sinal que justifique a sua contratação. O que trouxe de novo que não tivéssemos já? Capel e até o João Mário devem fazer muitas vezes essa pergunta sentados no banco.

Para finalizar fica a minha última dúvida. Este roubo foi para resolver a questão do título, a do segundo lugar, ou ambos?

domingo, 2 de março de 2014

Um Sporting de reviralho é do...

Um jogo de características e eventos estranhos este com os bracarenses. A primeira nota de estranheza vai para a fraca afluência de público a Alvalade. As férias de Carnaval estão longe de ser um fenómeno generalizado entre a população activa, pelo que não explicam nada. O mau tempo também me parece explicação curta.

Uma das melhores épocas dos últimos anos não tem estado a merecer o acompanhamento que é habitual nos jogos em casa, facto que não se verifica com tanta acuidade nos jogos fora, tendo em conta os valores médios habituais. A merecer análise cuidada por quem de direito. Perceber as razões que estão por trás do aparente alheamento é fundamental para se proporcionar um novo e melhor enquadramento.

Segunda nota estranha para um dos jogos em que o Sporting mais tenha dominado o Sporting de Braga nos últimos tempos mas que, por comparação, lhe proporcionaram muito poucas oportunidades de golo. Na primeira parte a melhor oportunidade foi do Braga, que haveria de redundar no golo quase patético às 3 tabelas: Rafa, poste e pé de Patrício. 

Esta é a terceira nota estranha, um golo como estes é raro, sobretudo ao nível de guarda-redes como Rui Patrício. Quanto a mim a única interpretação possível é que Patrício perdeu o contacto visual com a bola em algum momento ou foi traído pelo sentido do ricochete no poste. Um golo que o Braga pouco ou nada tinha feito para merecer. Uma punição imerecida e repetida em jogo consecutivo.

Como o futebol é um jogo de imponderáveis seria um penalty a repor alguma justiça no marcador, seguido de um golo de Slimani, de bem mais difícil execução e probabilidade de êxito do que outras oportunidades de que havia disposto. Um golo que aumenta as suas percentagens de eficácia/minutos de jogo e, dessa forma, coloca algumas interrogações sobre em quem recairá a titularidade no próximo jogo. Julgo que o presente jogo contudo serviu para reforçar as impressões anteriores: Montero e Slimani oferecem soluções diferentes à equipa, cabe ao treinador preparar a equipa de acordo com as características de cada um. Talvez, quem sabe, seja o momento de apostar naquele que está com melhor relação com o golo.  

Uma palavra final para a estranheza final: é pouco habitual ver o Sporting a jogar em casa com a aflição com que ontem acabou o jogo e que já se tinha notado também em Vila do Conde. Jardim explicou-a com a falta de maturidade. Eu encontro explicação na forma como mexeu na equipa. Jardim foi à procura da vitória num determinado momento, mas, quando esta chegou, a equipa estava longe de ser a que melhor estava habilitada para gerir o jogo. Essa gestão implicava forte reacção à perda e gestão criteriosa da posse  de bola. Com Martins, Vitor e Carrillo estaria, pelo menos em teoria, muito mais perto de o conseguir do que com Heldon, Magrão e Capel, embora a entrada do espanhol seja merecida e indirectamente responsável pela mexida na defesa de Paixão que haveria de ter influência no curso do marcador. É essa a importância tantas vezes subestimada de Capel.

Notas individuais:

Patricio - ficou quase tudo dito acima resta apenas dizer que soube mais uma vez responder ao infortúnio com grande serenidade, sendo importante ainda na manutenção da vitória.

Cédric - Faz quase tudo bem mas tem que tomar melhores decisões ao definir as jogadas e sobretudo centrar muito melhor. Muito do nosso jogo passa, por opção nítida de Jardim, pela execução desse tipo de lances pelo que só lhe resta aprimorar a sua execução.

Jefferson - centrar é o que ele faz melhor e desta vez estreou-se a marcar. Ficamos a aguardar pelos livres que o tornaram famoso.A defender tem de ser mais cuidadoso. Não que tenha falhado muito mas às vezes basta apenas uma vez e a de ontem podia ter comprometido a equipa num momento importante.

Maurício e Rojo - opto pela análise conjunta porque é nítida a empatia pessoal e o entendimento. Ontem foi um Rojo imbatível e concentradíssimo quem esteve por cima ao vir várias vezes limpar jogo à direita.

William Carvalho - Um caso em que o melhor é não dizer nada ou então tens que escrever muito. Imperial para o classificar parece quase um diminutivo.

André Martins - Não vou dizer muito mais do que já disse anteriormente. Continuo convencido, à semelhança do que disse no inicio da semana que, face à ausência de Adrien, o lugar podia ser dele, com ganho para a equipa.

Gerson Magrão - Compreendo as diversas razões subjacentes aos elogios de Jardim mas parecem-me exagerados face ao que produziu. Pouco intenso a defender, pouco exacto a definir, falta-lhe sempre alguma coisa. Nos momentos em que a equipa precisava de experiência é para jogadores com o seu estatuto que se olha. No caso de ontem "já não estava lá". Em seu abono fica a falta de ritmo, entrar e jogar ao mais nível é muito raro de se ver.

Mané - Jogador vital nos últimos jogos para a obtenção dos resultados. As suas acções directa ou indirectamente alteraram o curso dos acontecimentos. Que mais e melhor se pode dizer de um jogador da sua idade?

Carrillo - Um jogador especial e que merece atenção especial. No cantinho do meu sofá digo muitas vezes: ide assobiá-lo à ....

Slimani - Também já ficou quase tudo dito. Tem golos que têm valido muitos pontos. Chamar-lhe plano B nestas circunstâncias é ignorar que o A vem sempre antes do B, o mesmo é dizer que sem golos não 3 pontos. Para reflectir, sem dúvida.

Heldon - Não vou acrescentar nada ao que disse dele anteriormente, até porque o que fez ontem não trouxe nada de novo à colação.

Sobre a arbitragem uma palavra: gostei. Não que não tivesse isenta de erros pontuais mas percebeu-se da acção da equipa de arbitragem que não vinha com uma agenda escondida, como tantas vezes tem acontecido, até mesmo este ano em Alvaldade. Dizer isto do Soares Dias é um grande elogio, não é?

A maior nota de estranheza, e para rematar esta crónica, fica para o minuto de silêncio que não foi respeitado. O Sporting nunca foi isto e é uma pena que dê esta imagem de si mesmo.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Naufrágio esteve à vista na foz do Ave

Jogo extremamente complicado aquele que o Sporting teve que disputar no estádio dos Arcos e que, por pouco, não significou uma perda de pontos amarga. Para a complicação contribuíram em iguais partes uma equipa do Rio Ave bem organizada, com alguns elementos individuais muito interessantes e um onze do Sporting muito desligado. 

Se é verdade que há mérito do adversário nas dificuldades impostas não é menos verdade que algumas opções de Jardim se podem considerar no mínimo estranhas. É certo que o treinador acompanha durante a semana os seus jogadores e estará habilitado para perceber os que estarão em condições para lhe oferecer maiores garantias. Mas também me parece certo que, na hora de escolher os jogadores para as alas, o treinador parece ter visto a lista ao contrário. Carrillo, Carlos Mané e Capel - por esta ordem - parecem ter mais para oferecer à equipa do que Héldon e sobretudo Wilson Eduardo. As condições do terreno, a indicar que se agravariam com o decorrer do jogo, mais recomendavam a utilização inicial dos jogadores tecnicamente mais dotados.

Sobre estes dois últimos jogadores parece-me importante dizer mais qualquer coisa. Héldon acabou de chegar e é ainda um pouco cedo para uma apreciação definitiva, mas ainda não justificou o segundo lugar no pódium das aquisições mais caras da actual época, logo a seguir a Montero. Veremos o que se segue nos próximos jogos, mas até agora não lhe vi aquilo que pensava que iria trazer à equipa: velocidade e maior criatividade. 

Se a minha impressão inicial estiver correcta, é provável que os golos marcados pelo Marítimo contribuíram para uma miragem muito habitual e que, de alguma forma também se aplica a Wilson Eduardo e ao que fez na Académica: uma coisa é jogar no Marítimo, outra é jogar no Sporting. Ao Marítimo não se dedicam nem tantos cuidados nem atenções. Ao Sporting espera-se lá atrás com muitos mais homens e espaços reduzidos, exigindo-se por isso mais aptidões a quem veste a camisola. Para terminar diga-se que Wilson Eduardo está longe de ter a técnica e a velocidade necessária para extremo, ficando afastado das zonas centrais onde pode usar uma das suas melhores armas, o remate.

Há que dizer também que Jardim tem que reinventar o posicionamento e funções de André Martins, uma vez que é evidente a cada jogo que as actuais estão esgotadas. Como defendi aqui em post exclusivo sobre o tema, não estão em causa as qualidades do jogador - embora sejam cada vez menos os que pensam ao contrário - mas o que se lhe pede e o que ele pode dar. Insistir no actual modelo é pernicioso para a equipa e para o jogador, apesar do empenho com que se entrega ao jogo.

A juntar a estas opções tivemos em Vila do Conde uma equipa menos pressionante e com os jogadores muito afastados entre si, sobretudo na primeira parte, o que contribuiu para mais 45 minutos oferecidos de avanço, sem um único remate ou jogada dignos de registo.

O inicio da 2ª parte trouxe o golo do Rio Ave. Um golo fortuito  - Maurício teve uma semana azarada... - mas que tinha estado iminente ainda na 1ª parte e que havia sido salvo in extremis pelo mesmo Maurício e por Patricio. Atendendo ao que a equipa tinha feito até aí para chegar ao golo cheguei a temer o naufrágio como inevitável.

Seria determinante a entrada de Mané para agitar as águas e com o inevitável complemento de Slimani e Carrillo. Um golo de cada um dos dois primeiros, uma assistência do segundo e chegaríamos a uma vitória que se pode afirmar com segurança que foi o banco que rendeu.

Arrecadaram-se 3 pontos importantes mas este momento parece inevitável que Jardim repense o  seu modelo. A equipa não naufragou nas águas bravas do Rio Ave mais pelo arreganho do que pela qualidade. E da luta ficaram feridas que tornam vulnerável no próximo jogo em casa, com o Braga, com os impedimentos de Montero e Adrien. Mas a tantas vezes invocada atitude é apenas uma fracção que não dispensa a qualidade de jogo e essa esteve quase sempre ausente. Sem ela todos os jogos e adversários serão sempre muito difíceis.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

3 pontos conquistados em toada descendente

Se fosse apenas pelo adversário que nos calhava pela frente não estaria muito preocupado com o jogo de hoje. Porém, a derrota do jogo anterior, a forma como sucedeu e o facto da equipa se ver arrastada para o terceiro lugar, poderia ter implicações psicológicas suficientes para condicionar o desempenho da equipa.

Julgo que o que se pôde verificar foram precisamente as duas possibilidades: quer a nossa superioridade sobre um dos conjuntos mais fracos que vi no actual campeonato, quer o condicionamento da nossa equipa, à medida que ia passando o tempo e o o segundo golo não aparecia. 

Duas partes muito distintas também pelo facto da Olhanense ter, no segundo tempo,  gerido melhor as marcações e os espaços e lançar rapidamente o jogo em bolas compridas. Não provocou grande perigo mas desgastou a nossa equipa o suficiente para lhe roubar as melhores ideias e decisões. Dificuldades acrescidas porque também não avançou no terreno nem abriu espaços

Breve análise individual:

Patrício e os centrais cumpriram o que lhes era exigido. Uma palavra para a estupidez de Rojo, mesmo reconhecendo que é irritante ver faltas que não são marcadas, que o afastou do próximo jogo de Vila do Conde.

Cédric ligeiramente melhor do que Jefferson, embora ambos pouco assertivos na hora de definir.

William regressou e notou-se a sua presença, especialmente quando o adversário começou a bater longo. Se o jogo esteve quase sempre controlado a ele se deve.

Ainda não vi razões que justifiquem a chegada de Héldon. Não que seja mau jogador, mas por me parecer que não acrescenta muito ao que já havia no plantel. 

Adrien e Martins tiveram jogos semelhantes. Importantes a recuperar a bola mas sem conseguirem ser escarecidos no momento de fazer o último passe.

Wilson esteve muito infeliz. 

Lamento que Carrillo não tenha mais tempo, desta vez teve o suficiente para mostrar, mais uma vez, que faz o que mais ninguém faz.

Mané fez o golo, o que por si só o torna relevante no jogo. Mas foi ao fundo com a equipa e acabou por desaparecer.

Montero foi o melhor e até marcou, pena que não tivesse contado. Um bom avançado vale mais do que apenas os golos que marca.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Jardim de Inverno

A pior das derrotas é aquela em que não se chega sequer a disputar o jogo. Se tal acontece frente ao rival de sempre esse sentimento ganha contornos ainda mais carregados. Foi isso que aconteceu no derby. O Sporting esteve lá mas não chegou verdadeiramente a disputá-lo. Uma exibição paupérrima, indigna do momento e até da imagem que esta equipa tinha dado de si mesma até agora. 

Podia ter ido buscar o titulo à primeira frase do post mas acabei por fazer a escolha em função do que me parece ter sido o principal factor de desequilibro: a opções de Jardim.

A surpresa que não foi
Pode haver quem se sinta tentado a explicar o resultado e sobretudo a fraca exibição da equipa no facto de a surpresa que Jardim tinha reservado para Jorge Jesus ter voado com parte da cobertura do estádio. Não vou por aí. A surpresa poderia ter acontecido, mas não creio que, por si só, ela tivesse o poder de sustentar uma vitória que se alcança em 90 minutos de jogo. A menos que essa surpresa produzisse danos substanciais imediatos, o que obviamente ninguém pode garantir. 

Demasiado espaço, pouca bola
Jardim acreditava ser possível condicionar a construção do jogo da equipa de Jesus com a colocação Slimani e Montero, mas pareceu-se esquecer que para o conseguir precisava também de reduzir o espaço para jogar e tempo para pensar aos jogadores adversários. Precisava para isso de uma equipa compacta, capaz de recuperar muito rapidamente a bola, de a fazer circular e de gerir a sua posse. Para o fazer tinha que colocar a equipa de uma de duas formas: recuando linhas e partindo detrás para contra-ataques rápidos, tal como o fazem as equipas pequenas quando vão jogar a Alvalade. Ou obrigando a defesa a subir no terreno, reduzindo drasticamente o espaço entre cada linha de quatro defesas de cada equipa.

O super-homem não se chama William Carvalho 
Por instruções do treinador, por iniciativa própria ou por a isso se ver obrigada pela equipa adversária o Sporting ficou-se pelas meias tintas, não fazendo uma coisa nem outra. Acabou por, dessa forma, morrer pelo veneno com que queria matar o adversário. Não conseguiu construir o seu jogo, não conseguiu destruir o do seu adversário. Não conseguiu ter bola para a fazer chegar de forma directa a Slimani ou circulando-a pelas alas, como costuma fazer. 

Achar que William Carvalho mudaria substancialmente o pesadelo em que a equipa se viu envolvida é pensar que ele é o super-homem. Nem mesmo a prestação desastrada de Dier permite ter tal veleidade. A memória tende a ser curta e também selectiva e por isso já poucos se lembrarão que, com William Carvalho em campo, sofremos mais ou menos os mesmos problemas nos jogos anteriores com o adversário de hoje, incluindo no jogo da primeira volta em Alvalade.

Desequilibro, inferioridade numérica
O Sporting foi quase sempre uma equipa desequilibrada e obrigada a disputar os lances em inferioridade numérica, dando até a impressão por vezes de jogar com menos jogadores. Os duelos a meio-campo eram perdidos consecutivamente  e os jogadores adversários chegavam como e quando queriam  ao nosso último terço do campo com demasiada facilidade. Ter Montero, Slimani e Heldon pode dar a sensação que rapidamente vamos conseguir criar perigo na baliza adversária, infelizmente para nós aconteceu precisamente o oposto, com aquelas unidades a contarem muito pouco para o jogo. 

Vertigem
Foi provavelmente essa a vertigem que iludiu Jardim que, associada às ausências forçadas de William e Jefferson, contribuíram para uma apresentação em evidente estado de anemia competitiva. As exibições de Piris e Dier mais do que nos dizerem muito sobre o seu valor individual confirmam que é muito mais provável descer aos infernos do que ganhar um lugar no céu vindo directamente do banco ou da bancada. Com a indiscutível qualidade de jogo do SLB e de muitos dos seus jogadores é necessário intensidade e ritmo. Isso não se ganha em aparições esporádicas e a tapar buracos. É fácil culpar os soldados de falta de atitude e coragem. Mais difícil é ao general  aceitar que não gizou um plano onde as melhores qualidades dos seus comandados viessem ao de cima.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

À espera de um Schikabala qualquer

Um pequeno post, porque a frustração não convida a mais, para dar conta do empate que acabamos por ceder ante a Académica.

Começo justamente pelos adversários que estudaram bem a lição para o jogo de hoje. Goste-se ou não do autocarro que acabou estacionado em frente ao guarda-redes, é justo considerar que nem sempre ele esteve ali parado. Aproveitou todos os nossos defeitos e hesitações enquanto pode, batendo forte ou feio e colocando rapidamente a bola na direcção da nossa baliza. Não foram particularmente ousados e nem precisaram de o ser para conseguirem levar de volta o que queriam.

Jogo frustrante em que construímos mais em quantidade do que em qualidade. É certo que amanhã, ou nos restantes dias da semana, lá aparecerá uma capa qualquer a lembrar a crise de golos de Montero. Se ela é um facto também o é constatar que não perdeu golos feitos porque a equipa também não os conseguiu criar. E quando ele inventou os lances que podiam dar golo, ou os defesas apareceram no caminho ou Slimani não foi feliz. O argelino hoje não conseguiu não conseguiu ser nem fazer-nos felizes como anteriormente.

Não foi um jogo feliz. E não o foi porque perdemos um dos nossos pontos fortes - Jefferson - acabamos por perder William Carvalho - um bocado infantil ver-se assim impedido de jogar o derby - e Jardim não foi muito feliz nas suas opções. 

Mané de inicio com Capel e Carrillo no banco é um pouco estranho. Mantê-lo noventa minutos a produzir tão pouco foi a teimosia que todos os treinadores têm e que quem observa de fora não consegue perceber. Optar por Capel, que vem perdendo fulgor e preponderância, para o lançar num jogo onde não havia espaços para as suas correrias também foi incompreensível. Faltou um Schikabala qualquer, que bem poderia ter sido Carrilo, opção que me pareceria maís óbvia que as outras que tomou.

Jardim precisa de afinar melhor esta opção de incluir Slimani e manter Montero. A equipa perde identidade, abdicando de outra forma de jogar que não seja o pontapé para a frente e fé em Slimani. Já no jogo com o Nacional se sentiu esse problema e hoje, mal a substituição se realiza, o Sporting andou uns minutos perdido em campo. Deixou de ter tanta bola, de conseguir criar qualquer lance de perigo e foi concedendo mais espaços atrás. Acabou por se reequilibrar mas já apenas no registo de bola bombeada.

Pode-se falar num lance de mão na área que era penalty e quase se transformava em auto-golo. O Paulo Baptista tem um longo historial de nos aparecer ao caminho em ocasiões em que podemos chegar a "mais qualquer coisa", como era o caso de hoje. Parece-me contudo se ele viesse mal intencionado que poderia ter aproveitado um número de circo de Fernando Alexandre na nossa área no final da primeira parte.

Este é oitavo ponto perdido em casa. Se com o Rio Ave, Nacional eles nos foram retirados por decisões absurdas, e se com o SLB se aceita a divisão, este parece-me que foi o jogo em que a responsabilidade de ficar a marcar passo é inteiramente nossa.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Primavera árabe anula efeitos do dilúvio

Jardim e Slimani, ontem talvez os homens mais importantes
Regresso ao Portugal profundo
Uns pequenos parágrafos para contextualizar o que os adeptos do Sporting foram ontem encontrar na viagem a Arouca. Embora eles escapem ao foco habitual de um espaço como este, creio que estas linhas farão sentido por um sem número de razões, entre as quais o facto de ser a estreia do clube pelas faldas da Serra da Freita. 

Quem acaba de sair da moderníssima mas deserta A32 e se depara com uma estrada estreita e sinuosa em direcção a Arouca, inicia uma viagem no tempo ao Portugal pré-UE e dos fundos comunitários que retalharam o país de alto abaixo com AE's,IC's, IP's e outros acrónimos. O mais estranho é que a tal A32, de 3 largas faixas termina quando mais era precisa e não deixa de nos fazer pensar que menos um corredor em cada sentido aproximaria Arouca e vizinha Vale de Cambra do centro de administrativo que é o Porto ou Aveiro. Um planeamento(?) difícil de compreender. 

Diga-se contudo que os arouquenses não se parecem ter tornado mais amargos com o facto de terem que pagar, como todos nós, sem poder gozar em plenitude das "virtudes" do Portugal moderno e são gentes hospitaleiras. De tal forma que, quando paramos para pedir informações, arriscamo-nos a entabular conversa que nos retiraria da razão pela qual empreendemos a viagem: ver o Sporting. E antes do inicio do jogo o speaker não se esqueceu de dar as boas-vindas aos adeptos Sportinguistas, desejos que não me lembro de ver expressos em qualquer outro campo.

Desporto de inverno
Os defensores de que o futebol é uma modalidade inverno tiveram no jogo de ontem uma excelente ocasião para reforçar a teoria. Mas certamente quando dedicaram o seu precioso tempo a elucubrar a teoria não o fizeram sob chuva gelada e impiedosa. Absolutamente inadmissível que a Liga e a FPF permitam que se cobrem 20€ pelo bilhete mais barato e ainda se obrigue os espectadores a aguardar à chuva longos minutos para poderem entrar, por haver apenas um torniquete e este estar avariado.

Sporting de chinelos de pelica
Entramos muito mal na primeira parte e foi de inteira justiça que o Arouca se tenha adiantado no marcador. O Sporting demorou todos os 45m para se entender com a bola, o terreno e sobretudo com as marcações. Bruno Amaro, (uma das nossas bestas negras pois, faz-nos golos quase a cada encontro) e Simão, com costas bem protegidas por Serginho, ensaboavam o juizo a Adrien, metiam Martins no bolso, e faziam William dar fraca conta de si. Sem saber muito bem como, descontando o facto de o golpe de cabeça de Rojo ter sido notável, conseguimos aquilo que não parecia estar ao nosso alcance: anular a vantagem dos locais e assim descer aos balneários.

Primavera árabe
A entrada de Slimani, por troca do inexistente Capel, provocaria a reviravolta no sentido do jogo. A sua presença permitiu esticar o nosso futebol uns bons metros em direcção à baliza de Cássio. O argelino lançaria o tumulto no extremo reduto amarelo a cada jogada, tratando a bola de forma bem mais eficaz que o seu jeito desengonçado permite adivinhar. Mas faria muito mais que isso, ao apontar o golo que nos daria a vitória, num lance pleno de intenção e com carimbo de ponta-de-lança. Nessa altura, e como a chuva não só persistia como ia engordando, já duvidava que conseguíssemos sair daquele lamaçal com os imprescindíveis 3 pontos.

Destaques
Do ponto de vista táctico, enquanto este aspecto tão importante do jogo não se afundou no dilúvio e na falta de jeito do árbitro, saliente-se a boa prestação de ambos os técnicos. Pedro Emanuel estudou bem a nossa equipa e armou a sua de forma a criar-nos dificuldades, como se viu. Jardim soube responder e até de forma ousada, especialmente quando abdicou de William Carvalho. No momento pensei tratar-se de um equívoco de quem segurava a placa, depois receei o pior. Adrien acabaria por dar razão a Jardim, o seu futebol mais simples não era menos eficaz e comportava muito menos riscos para a equipa. Uma lição que William fará bem em aproveitar, percebendo que o facto de estar a ter uma carreira acima das perspectivas gerais e até provavelmente as suas, não fazem dele insubstituível. 


Leões que sabem nadar
Numa equipa que se bateu como a nossa é difícil e quiçá injusto fazer destaques. Grande lição de querer e garra a premiar os adeptos que não se amedrontaram com a chuva. Mas parece-me que Rojo, Jefferson, Adrien e Slimani o merecem. Rojo estava a ser enorme, já tinha marcado e ameaçado marcar outra vez até o árbitro cair na parvoíce de querer compensar o excesso da expulsão de Tinoco com outro excesso. Jefferson foi responsável pela assistência do segundo golo e não foi por ali que houve grandes ameaças. Adrien esteve imperial e imperturbável quando a equipa cresceu e depois quando precisou de músculo e serenidade. De Slimani já foi quase tudo dito, espero que nos obrigue a voltar a escrever mais sobre ele em breve. Mas, no geral, a aplicação de todos sem excepção foi inexcedível.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Sporting empatado pelo excesso de trânsito na linha

Um jogo disputado com intensidade máxima mas com poucos pormenores técnicos foi o que resultou da deslocação do Sporting ao campo do Estoril. E começo por aqui, o campo. Chamar estádio a um campo com bancadas à volta é muito comum entre nós. Talvez por essa imerecida promoção os dirigentes do clube local se permitam a graça de cobrar a exorbitância de 20.00€ a cada adepto do Sporting que lhes concedeu a honra da sua presença. A Liga e a FPF fecham os olhos, como se a sorte dos adeptos lhes seja indiferente e certamente é. Mas não devia ser, sobretudo quando depois os seus dirigentes vêm exibir o seu ar consternado perante as estatísticas que demonstram o abandono daqueles em favor de outras actividades que concorrem hoje com o "beautifull game".

Poder-se-á atribuir ao prefácio do post uma pretensa indisposição causada pelo resultado que deixou a nossa liderança à mercê do resultado de mais logo do clássico. Nada mais errado, por duas razões fundamentais: era já minha intenção abordar o tema, depois de conhecida a tabela de preços para o jogo. E este não me provocou nenhuma azia, insónia ou preocupação apesar de, obviamente, preferir a vitória à divisão de pontos. Esta, no entanto, parece-me justa, face ao produzido pelos dois contendores. 

Seria injusto para o Estoril, uma equipa que, apesar das contrariedades que antecederam o encontro e as que este lhe infligiu, soube sempre contrariar-nos, mesmo quando controlamos o encontro. Porém o nosso controlo ocorreu sempre entre o consentido por eles e superioridade que fomos impondo quase sempre muito mais em esforço do que por acção inteligente. 

Aqui encontro a razão para o nosso empate: se a entrega dos nossos jogadores foi sempre inatacável, faltou quem aportasse ao jogo mais clarividência, inteligência e frieza à nossa posse de bola. O Sporting deixou-se contagiar pela entrega com que os adversários iam impondo na abordagem de cada lance. O espaço útil de jogo estava bastante reduzido pelas linhas subidas de ambas as equipas e a construção do nosso jogo sempre muito condicionada desde muito cedo.

Se Jardim leu muito bem o que sucedeu em campo, o que se depreende do acerto habitual das suas análises ao jogo, deve-se dizer que o tempo e a forma em que decidiu mexer no jogo não ajudaram em nada as nossas pretensões. Isto porque demorou muito tempo a mexer e, mesmo considerando as poucas opções de que dispõem, quando decidiu não forneceu nenhuma solução alternativa que pudesse mudar o curso do jogo. 

Martins exibia pouco acerto perante o pouco espaço e tempo para executar. É certo que Carrilo e Eduardo não estavam a fazer grande coisa, mas meter Capel onde não há espaço é obrigá-lo a centrar quase sempre demasiado atrás para conseguir criar perigo. Slimani criou algum desconforto aos estorilistas mas não teve um único lance em que fosse bem servido para, de cabeça, poder criar oportunidades. Jardim repete o erro ao chamar Mané para o outro extremo, quando não havia espaço para jogar.

Com Montero perdido da equipa, lá bem no fundo da boca do inferno, conseguimos apenas um único remate digno desse nome. Wilson Eduardo voltou a repetir o que sabe fazer de melhor: fechar os olhos e rematar com força. Muito pouco. A permanência do colombiano já com a entrada de Slimani, também não resultou. Talvez se recomendasse, com as alas completamente vedadas, maior jogo interior, mas isso não parece estar nas ideias mais próximas de Jardim.

Pelo acima exposto, aceito a divisão de pontos. Sem angústias ou insónias porque o Sporting pode prosseguir o seu caminho com as suas ambições intactas, mesmo no que diz respeito ao melhor lugar do torneio. Essas tive-as aquando do golo limpo anulado a Slimani com o Nacional e que significaria hoje a permanência no comando da Liga. 

A propósito de arbitragem não se pode dizer muito mal da arbitragem de Pedro Proença a não ser que foi uma arbitragem à sua imagem. Inteligente, a permitir jogo duro que intimidava os nossos jogadores e quando tal não acontecia era ele próprio que se encarregava de o fazer. Os amarelos a Cédric e a Montero são o melhor exemplo. Proença foi fiel a si próprio: foi o Proença de trazer por casa, muito diferente do Proença internacional e "melhor do mundo". Nunca o seria se fosse sempre o primeiro.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Nós andamos lá cima, os outros é que têm vertigens

No dia seguinte a uma sexta-feira 13 o Sporting defrontou o 13º classificado, à 13ª jornada e... GANHOU! Noutras alturas, em que se via um fantasma em cada sombra, esta coincidência numérica seria encarada com tal fatalismo que já entraríamos em desvantagem. Felizmente não foi assim e o Sporting acabou por amealhar mais 3 preciosos pontos. Esta é uma das pequenas vitórias de que falava há uma semana, a que se soma uma presença maciça de adeptos em Alvalade, desta vez de acordo com o desempenho da equipa. Esta merece tudo, pela sua postura séria, rigorosa e pela lição que nos dá a cada jogo: são eles os primeiros a acreditar que a vitória é possível, por mais dificuldades que o jogo apresenta.

Um fim-de-semana carregado de compromissos impediu-me quer de ir a Alvalade quer mesmo de observar o jogo como gostaria. À hora que decorria o jogo tive que dividir a atenção com familiares e amigos num repasto delicioso que teve pelo menos a virtude de rever o meu Pai voltar a ver um jogo do Sporting com interesse. Ah, e os croquetes estavam deliciosos!...

Não faz muito sentido fazer agora a análise ao jogo, pois este já deve ter sido objecto de escalpelização por todos. Ficam por isso algumas apreciações genéricas que resultam do primeiro visionamento anárquico de sábado e a observação do jogo gravado ontem, quando me sentei no sofá para descansar do... fim-de-semana.

-  Os dois pontos já acima aludidos, mas que nunca é demais voltar a referir: o fervor dos adeptos e a crença da equipa.

- Vale a pena ter paciência com o talento porque ele acabará por vir ao de cima sobre a mediania. Falo, como é óbvio, de Carrillo. Com a partida de Bruma, e com Carlos Mané ainda na incubadora, é talvez o nosso único jogador capaz de fazer "coisas diferentes". Precisa de mais jogos assim, para ganhar confiança, precisa de sentir essa confiança das bancadas.

- Mais um grande jogo de Jefferson. Sempre que o jogo requeira mais ataque e "sejam possíveis" menos cuidados defensivos o melhor do jogo dele vem ao de cima.

- Falar de Jefferson sem falar dos restantes companheiros de defesa seria injusto. Toda a defesa esteve "intratável" enquanto o jogo andou cá e lá na primeira meia-hora e o Belenenses parecia querer mais do que nos daria jeito conceder. E assim se manteve pelo jogo fora, às vezes sem grandes primores mas sempre com grande eficácia.

- Adrien é por este tempos o patrão do meio-campo e um capitão sem braçadeira. Exemplo de atitude e dedicação ao jogo, finalmente a fazer calar senão os punham em causa o seu valor pelo menos os que desconfiavam do carácter. Pode ainda ser melhor e ser mais importante, sobretudo se conseguir fazer valer em zonas mais adiantadas do terreno a qualidade do seu último passe e a potência do remate. Mas para isso tem de dispor de mais segurança e confiança atrás. As tarefas de recuperação de bola atrás não se têm ficado apenas pelo seu lado, sendo muitas vezes obrigado a fechar os portões que William deixa abertos e isso retira-lhe disponibilidade para aventuras mais adiante.

- André Martins acabou em grande e deve ter sido para ouvir Alvalade rendido ao seu jogo que Jardim o tirou já final. Fez um golo, respondendo ao que pedia aqui há dias atrás: alguém que apareça nas costas de Montero e que dê sentido ao muito trabalho que o nosso goleador tem a arrastar os defesas com ele. Era o que estava a faltar para os extremos terem mais hipóteses de verem frutificar as arrancadas área dentro. Sem linhas de passe grande parte do seu esforço está condenado ao fracasso ou demasiado dependente da sorte.

- Montero já viveu dias de maior acerto e quiçá de confiança. Esta poderá ser uma ilação primária, que tenderá a esquecer que na jornada anterior foi decisivo, tocando pouco mais que 2 vezes na bola dentro da área. Há que olhar para o jogo de ontem como para qualquer outra inevitabilidade: se marcasse sempre a cada oportunidade era melhor que Messi e Ronaldo, pois nem esses conseguem esse nível de eficácia.

- Jardim é o grande nome por detrás do sucesso da equipa da equipa. Obviamente que conta com uma retaguarda - um núcleo duro formado por um grupo muito restrito e coreáceo - que lhe oferece estabilidade, permitindo que o seu trabalho dê frutos. A equipa é muito a sua imagem: discreta mas eficaz, paciente mas  objectiva. E as conferências de imprensa dele reflectem a sua personalidade, tornando-as quase tão obrigatórias como o próprio jogo.

- Vamos ver quanto nos vai custar o penalty marcado sobre Cédric, já que o outro sobre o Montero depressa vai ser esquecido. Devo contudo dizer que, no lance de Cédric a dúvida não se é dentro ou fora. Tive oportunidade de ver e rever o lance e não tenho dúvidas que Cédric está já dentro da linha de área. Duvidas podem existir é se é falta ou não que merecesse castigo.

- Uma das virtudes da nossa posição na tabela classificativa é deixar muitos comentadores à nora, acabando por revelar as suas preferências com as vertigens que o nosso lugar lhes provoca. Tal é ainda mais notório quando, numa jornada em que os 3 grandes defrontaram 3 das equipas mais frágeis do campeonato, o Sporting foi o único que não viu a sua baliza comprometida e teve o jogo mais tranquilo. Sem saber o que o futuro reserva para cada uma das equipas os números até agora registados falam por si e só por uma infinidade de razões que nada têm a ver com gosto pelo futebol é que não se reconhecem os nossos méritos.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

As pequenas vitórias da viagem a Barcelos

Cortar a crista ao galo
O Sporting foi a Barcelos cortar a crista do orgulhoso galo minhoto, que até ontem não apenas não tinha perdido em casa como não havia permitido mais do que um golo num jogo só. Tendo dominado quase o tempo todo não se pode dizer contudo que tenha tido como resultado final uma cabidela. Por duas razões que me parecem essenciais: 

Por culpa própria, que veremos mais adiante, e pela forma aguerrida como o adversário se bateu. Este, apesar de limitado ao nível individual, - o guarda-redes, Viana e o Peixoto serão as excepções - denota alguns processos colectivos que denunciam o bom trabalho do seu técnico.

Equipa séria e coesa
Há duas qualidades da nossa equipa cada vez mais consensuais entre nós e reconhecidas até entre os nossos adversários, Elas são a forma séria e coesa como vem abordando os jogos em que intervém. Ontem foram mais uma vez essas qualidades a vir ao de cima quando, fazendo quase tudo bem, ia faltando o melhor acerto na definição dos lances. Os jogadores não esmorecem e voltam sempre à carga, numa demonstração de confiança nos processos. Confiança e uma crença quase pueril seriam mais duas qualidades que se poderiam associar.

Confiança e esperança no futuro
Não sou dos que acha que o adversário de ontem era fraco, mesmo concordando, como já foi acima afirmado, na menor valia individual de alguns dos seus executantes. Há muito mérito do Sporting no menor fulgor do Gil Vicente, e que começou pela forma como subiu as linhas, o que lhe permitiu pressionar muitas vezes de forma asfixiante o processo de construção gilista. Da recuperação da bola e partida para o ataque era um ápice mas, por uma razão ou por outra, quase nunca conseguíamos definir o último passe com acerto. 

Estas dificuldades, já sentidas em jogos anteriores, podem ser também um indicio que, da equipa que Jardim está a construir, falta ainda completar o telhado. Isto é, se defensivamente a equipa vem denotando alguma consolidação, há ainda algo a fazer no mesmo sentido nos processos ofensivos. Se é certo que as limitações de Wilson Eduardo - que, além do mais, não é propriamente um ala  - concorreram largamente para esse registo no jogo de ontem é também verdade que Martins, Cédric e Jefferson já demonstraram melhores recursos nesse capitulo do que ontem, nomeadamente no momento de assistir os colegas via cruzamentos.

Numa perspectiva opitmista, que me parece ser perfeitamente justificável e não produto de uma euforia momentânea, a possibilidade dessa refinação ocorrer é um fundamento de esperança que o nosso jogo possa ainda crescer.

Destaques individuais
Nunca é demais afirmar, como já fiz em ocasiões anteriores, que a nossa equipa vale muito mais do que o valor da soma das individualidades. Essas virtudes, abordadas acima, são a justificação da justiça do primeiro lugar ontem alcançado. Os mais incomodados podem até, para sua auto-satisfação, virar a classificação de pernas para o ar, mas não conseguem iludir o óbvio: o mérito e se nem isso, pelo menos o maior número de pontos. 

Dito isto, é mais uma vez com um sentimento de injustiça que deixo os meus destaques individuais:

Patrício - Fez o que se exige a um guarda-redes de equipa grande, por isso normalmente menos chamado a intervir: ser eficaz e decisivo. E ontem foi-o quando impediu o empate.

Maurício: Pode muito bem ser o ícone desta equipa. Não é particularmente dotado tecnicamente e por isso usa de simplicidade de processos e concentração absolutas. Não atribuo a ele nem a Rojo culpas na melhor oportunidade do Gil, o problema havia começado bem antes com a permissividade da nossa linha média.

William Carvalho - É o homem do momento, porém a sua exibição ontem desceu uns furos em relação ao jogo anterior, onde esteve imperial. A entrada Carlos Gonçalves para o espaço entre as suas costas e os centrais na segunda-parte nunca foi bem resolvido, com William a revelar cada vez mais dificuldades, que ficaram esbatidas com a superioridade numérica, após expulsão de Pecks.

Adrien - Impressionante o que correu e lutou, sendo responsável pela consistência do nosso meio-campo. O número de intercepções de bolas e os quilómetros corridos devem ter sido imensos. Terminou o jogo completamente esgotado, a única justificação para o cartão amarelo escusado, a par de já dever estar cheio de aturar o Jorge Sousa.

André Martins - De mansinho parece estar tornar-se no ponto de Arquimedes do nosso ataque, faltando-lhe para tal conseguir ser mais assertivo na definição dos lances, seja no passe seja no remate.

Montero - Não deve ter disposto de mais do que duas bolas dentro da área e marcou dois golos. Se no primeiro golo beneficiou de colaboração "externa", no segundo disparou para se posicionar no lugar onde a bola haveria de ficar disponível poucos segundos depois. É um dom raro e Montero têm-o, para sorte e alegria nossa.

Conclusão
Poder-se-ia dizer que as vitórias do Sporting ante o Gil Vicente deveriam ser encaradas com naturalidade. Em teoria é muito fácil de concordar com esta asserção. Na prática é bom notar que, sendo um campo - não exactamente este - que estará para sempre ligado ao nosso regresso às conquistas, é também um campo onde só ontem conseguimos dobrar um cabo de que tem representado mais tormentas que sucessos: nos 17 jogos em Barcelos ganhamos apenas metade deles.

A vitória de ontem, olhada assim, é por isso uma pequena vitória. Mas é uma pequena grande vitória, se atendidos todos os factores e condicionalismos específicos deste jogo: o peso de ter que ganhar, que não se sentiu, e a vontade do adversário em nos contrariar.

Mas ontem houve alguns aspectos que não vêm normalmente nas análises ao jogo: ver um estádio de esfuziante de pé, pintado de verde e branco, a saltar e cantar, os rosto de satisfação e orgulho no final fazem destas primeiras jornadas um somatório de pequenas mas imprescindíveis vitórias para o regresso às grandes conquistas. 

Não sei, ninguém sabe, como tudo isto vai terminar. Mas, quando o percurso das vitórias for interrompido -  e vai ser - é necessário não esquecer estes momentos, para que não se passe da euforia à depressão e, dessa forma, se sucumba à tentação de por tudo em causa e, mais uma vez, deitar fora a criança com a água do banho.
Ficha MaisFutebol

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Mereciam mais, muito mais!

Em futebol não há exibições perfeitas, ao longo de noventa minutos há sempre lances que podem ser melhor executados e ter outro desfecho. Feita a devida ressalva, o jogo com o Paços de Ferreira foi uma afirmação de maturidade, solidez e de total concentração competitiva e essas foram as armas que permitiram ao Sporting poder voltar ao topo da tabela classificativa. Do campeonato decorrido até agora é um lugar que lhe cabe por direito e de inteira justiça, face ao que se vem observando.

Para que não houvessem dúvidas sobre ao que vinha, a equipa do Sporting entrou de forma autoritária na partida. Algumas nuances diferentes na colocação dos jogadores  talvez tenham baralhado Calisto e os seus homens. Quando eles se ajustaram às nossas peças já perdiam por 1-0 e nunca lograram fazer um remate que fosse em direcção à baliza de Patrício. Apesar do domínio intenso dos primeiros vinte minutos ter sido esbatido, a verdade é que o Sporting controlou totalmente todos os movimentos do adversário.

Mudança de maior destaque e que teve efeitos práticos na partida foi a posição de André Martins mais descaído sobre a direita. Com Capel encostado à linha e Cédric, num excelente momento, a entrar nas suas costas, André encarregou-se de ensaboar o juízo ao central e defesa-direito, criando lances atrás de lances. Houvesse quem soubesse explorar o arrastamento que Montero obrigava os restantes defesas, aparecendo a oferecer linhas de passe para o espaço entre a marca de penalty e as costas de Montero e tínhamos goleado. 

Alto! Goleamos mesmo! Pois, mas a produção atacante poderia ter proporcionado uma chegada mais precoce ao sossego de um resultado confortável e posto algumas almas agoirentas a gozar o jogo de forma tranquila.

Certamente que não faltarão dificuldades ao virar da esquina, provavelmente já em Barcelos. Porém há que concluir que há ainda recursos há disposição da equipa que a podem fazer crescer. Jardim parece estar atento a eles, o que é um um excelente sinal  e motivo de esperança, em particular para quem, como eu, viu no jogo de Guimarães um motivo de preocupação e uma equipa a jogar nos seus limites.

Num jogo em que praticamente todos os jogadores estiveram à altura das exigências é ingrato e até injusto fazer destaques individuais. Mas ainda assim aqui ficam.

Do lado menos bom Carrillo e Capel. Apesar de ambos terem contribuído para a vitória - de Capel já falei e Carrillo desbloqueia o jogo com a assistência a Montero - é óbvio que eles têm muito mais para dar à equipa. São as melhores peças para a função à disposição de Jardim.

Do lado muito bom os jogos de Cédric, André Martins e, claro, William Carvalho. Começando pelo fim o nosso 6 esteve quase imperial participando de forma mais assertiva nas recuperações de bola do que vinha fazendo nos últimos jogos. Como se não chegasse ainda fez o golo de abertura, de importância capital num jogo com a conjuntura deste. Cédric não deu qualquer chance a quem lhe apareceu pela frente e ainda deu comprimento ao nosso jogo em algumas jogadas que até podiam ter terminado de forma mais feliz. André Martins foi o jogador mais influente no último terço, merecendo o prémio alcançado no golo.

Este foi também o fim ou pelo menos o intervalo do "psicodrama Montero". Com o Sporting tendo marcado em todos os jogos até agora e a registar o melhor ataque da prova, quem marca ou deixa de marcar só pode ser um problema para ajudar a vender papel e tinta. Realçar um e esquecer outro não é apenas estúpido e de vistas curtas, é olhar olhar para o futebol de forma enviesada.

Não termino sem concluir que o que esta equipa está a fazer até agora merece mais gente em Alvalade. Não que o apoio dos que lá estiveram ontem não se tenha feito ouvir. Mas menos de trinta mil leões em casa é muito pouco para o luxo que nos está a ser oferecido.
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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sair do clássico com uma derrota clássica

As estatísticas comprovam-no, pontuar no estádio do Dragão deve ser um dos resultados mais difíceis de conseguir para o Sporting. Para o Sporting e não só, levando em linha de conta que o FCP não perde em casa há 5 épocas. Ressalve-se no entanto, em relação ao historial recente, termos terminado com a equipa completa e sem que a arbitragem tenha sido um dos factores de desequilíbrio.

O(s) momento(s) do jogo
Julgo ser consensual identificar o momento do jogo. Esse ocorreu com o segundo golo dos anfitriões, quase momento subsequente ao golo do empate de William Carvalho e quando o Sporting, já na segunda metade do jogo, estava a conseguir algum ascendente sobre o adversário. Ascendente que estava a obrigar o FCP a reagrupar atrás da linha da bola e a deixar as bancadas dos seus apoiantes em silêncio. 

Elejo um segundo momento em que poderia devolver o Sporting ao jogo, quando Montero, num lance muito semelhante em que havia conseguido o golo no derby, desta feita permite a defesa de Helton. Este havia de ser decisivo ainda ao defender um bom remate de Piris. O Sporting acusaria o toque e já não voltaria ao mesmo nível que começou na segunda metade.

Superioridade em tons de azul e branco
O resultado talvez tenha um golo a mais (não revi ainda os lances na TV, mas pareceu-me haver fora-de-jogo na movimentação de Jackson) mas premeia a melhor equipa em campo. E foi-o porque tem os melhores jogadores, que custam muito mais dinheiro - só Danilo, o autor do segundo golo, custa tanto como o nosso actual orçamento anual - e porque em termos colectivos está alguns níveis acima do que podemos fazer neste momento. 

Superioridade que se reflecte na melhor gestão emocional dos diversos momentos e que foi ontem ampliada pela sorte do jogo associada a erros nossos em momentos decisivos do jogo. Foi assim que chegaram por duas vezes à vantagem: um erro infantil de Maurício daria o penalty num momento em que o jogo não tinha dominador claro e uma perda de bola de Adrien apanha a equipa em desequilibro e incapaz de responder à incursão ao centro de Danilo. 

No confronto de treinadores Paulo Fonseca acabou por levar a melhor. A pressão permanente sobre o portador da bola a condicionar as decisões, as movimentações de Lucho e Josué foram um constante quebra-cabeças para a nossa linha média. Varela deu muitas vezes largura e comprimento que não conseguimos evitar, com Carrilo a ajudar Cédric apenas com os olhos na maior parte das vezes. Sobretudo na primeira parte tivemos um tempo de posse de bola sempre muito curto, quase sempre perdida na saída para o ataque, muita dificuldade em circular a bola até aos sectores mais avançados da equipa, muito por força de Carrillo e Wilson Eduardo passarem grande parte do tempo escondidos, sem se darem ao jogo.

Jardim não quis alterar a forma de jogar, optando por um eventual reforço da linha de meio-campo, para aí tentar assegurar alguma segurança, nem tentou recuar as linhas estacionando o autocarro em frente à área. Preferiu manter-se fiel aos seus princípios e, perder por perder, como quase sempre tem acontecido ali, prefiro assim. Se a equipa reler o jogo de ontem e dele souber retirar os devidos ensinamentos, perdemos apenas três pontos, mas pode dar passos em direcção à sua consolidação.

Análises individuais  
Patrício - Sofreu três golos sem poder fazer nada para os evitar.

Cédric - teve o jogador mais activo do adversário do seu lado sem grande ajuda.

Maurício - O penalty foi a nódoa que manchou o facto de ter praticamente secado Jackson.

Rojo - Não revi ainda o jogo mas parece-me que não foi por ali.

Piris - É muito provável que Jefferson regresse ao lado esquerdo da defesa, o que porá o lugar de Cédric em perigo, uma vez que não é provável que Jardim interrompa sem mais as boas prestações que vem realizando.

William Carvalho - Falta-lhe ainda algum nervo, provavelmente será sempre assim, mas tornou-se um jogador fulcral no Sporting de Jardim. Como a evolução possível lhe amplamente é favorável tem tudo para se tornar um caso sério.

Adrien - Não vi as estatísticas mas no estádio ficou-me a ideia de ter sido dos mais responsáveis pelas perdas de bola, imperdoável a do segundo golo, quando era importante salvaguardar a vantagem emocional que o empate e uma relativa superioridade sobre o jogo que então detínhamos. Apesar de não virar cara à luta, não teve um jogo feliz.

André Martins - Fez o jogo possível, sempre emparedado entre Fernando e Herrera, mas tem o lugar ameaçado porVitor.

Vítor - Entrou talvez um pouco tarde, a segurança de posse e visão de jogo que podia dar outro fôlego ter sido mais úteis.

Wilson - Passou ao lado do jogo.

Carrillo - tem um estilo sempre enervante. Umas vezes enervante para os adversários outras vezes para os adeptos. Ontem foi assim também, sendo que a maior parte das vezes calhou-nos a nós fava. Precisa de outra intensidade e participação no jogo. 

Capel - Entrou tarde e quando já decaímos, ainda assim conseguiu dar outro comprimento ao jogo, mas por pouco tempo, o jogo morria pouco depois.

Montero - Podia ter sido decisivo, quando o tem sido quase sempre, mas não foi.

Magrão - É certo que já estávamos encomendados quando entrou mas não justificou a chamada.

O melhor do Sporting
Sem dúvida nenhuma que o melhor jogador do Sporting foi o 12º jogador. O que jogou na bancada, que cantou, gritou. O que voltou a dar naquele estádio a lição que a demonstração de grandeza se faz também pelo fervor clubistico e pela capacidade de mobilização que a mensagem de uma colectividade consegue alcançar no meio em que se insere, apesar das vicissitudes do momento que atravessa.

E agora, depois da primeira derrota?
A resposta cabe à equipa, que na próxima jornada vai encontrar um inseguro Marítimo, com o lugar de treinador em causa. Para eles será um jogo de tudo ou nada, com as implicações que isso tem. Cabe também aos adeptos que, apesar do resultado decepcionante de ontem, não têm quaisquer razões para estarem decepcionados com a trajectória da equipa. Dos melhores classificados do ano passado falta-nos apenas jogar com Paços de Ferreira, que não é hoje o que foi ontem. O Estoril será o osso mais duro de roer pelo que vem jogando e a deslocação a Guimarães é, como sempre, difícil. Contudo estamos na segunda posição. Quem diria?

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