Onde se começou a decidir o campeonato 2013/14
O ano passado, em pleno verão, no auge da desilusão encarnada, dizia a um amigo benfiquista que o segredo do sucesso desta época estaria na decisão de manutenção ou não do treinador, Jorge Jesus. Estou em crer que ele não me levou muito a sério, provavelmente pensou que o meu vaticínio era um desejo de maldição a estender-se por mais uma época, depois do final catastrófico da de 2012/13.
Obviamente que, como adepto do Sporting, não tinha qualquer interesse na continuidade de Jorge Jesus. Mas também não me apetecia nada vê-lo mudar de armas e bagagens aqui mais para Norte, para a Invicta. Esse teria sido seguramente o destino do treinador, pois não acredito que Pinto da Costa deixasse passar essa oportunidade. A ter acontecido, podíamos muito bem ver-se estender por mais alguns anos a hegemonia do FCPorto.
Não deixa por isso de ser paradoxal e até caricato que grande parte da nação benfiquista que há menos de um ano estava na disposição de carregar pessoalmente as malas de Jorge Jesus até ao Dragão, estivesse ontem a celebrar efusivamente uma vitória que, a ter-se cumprido a sua vontade, dificilmente teria acontecido.
Grande parte das decisões do campeonato começam-se a desenhar antes do seu início e o deste ano não andará muito longe disso. A constituição das equipas técnicas foram obviamente decisivas. Juntaria como momentos de decisão do campeonato a jornada da ida à Luz: a derrota, da forma como foi, deixou marcas em ambas as equipas, impondo-lhes trajectórias opostas: o SLB passou a jogar com a confiança que aqui e ali lhe ia faltando e o Sporting não voltou ao melhor que já havia conseguido. Três momentos que antecederam esse jogo contribuíram também para o desfecho:
(i) O empate com o Nacional. Apesar do mau jogo o Sporting devia ter ganho esse jogo;
(ii) O empate com a Académica. O mesmo que o com o Nacional, acrescido do facto de se William ter ficado impedido de jogar na Luz;
(iii) A má surpresa de Jardim para o dérby;
O SLBenfica, agora campeão, começou a sê-lo no momento em que decidiu manter Jesus. Não que não o pudesse ser com outro treinador qualquer, mas seria muito difícil chegar alguém que conhecesse tão bem o plantel, que contratasse exactamente os mesmos jogadores, mantivesse a mesma identidade e sobretudo o futebol praticado tivesse a qualidade com o que a sua equipa acaba o campeonato. É verdade que foi exactamente isso que Jesus fez no primeiro ano e que chega à Luz mas os tempos eram radicalmente diferentes.
A razão deste meu vaticínio é também por aqui: há um momento antes e depois de Jesus no SLB: Entre o titulo de 2004/05 e o primeiro de Jesus o SLB coleccionou terceiros e quartos lugares. O final da época havia sido demasiado traumático, especialmente o final da Taça de Portugal, e manutenção de Jesus, sendo um jogada arriscada, significava não ter que começar tudo de novo. O risco da jogada pagou bem.
A razão deste meu vaticínio é também por aqui: há um momento antes e depois de Jesus no SLB: Entre o titulo de 2004/05 e o primeiro de Jesus o SLB coleccionou terceiros e quartos lugares. O final da época havia sido demasiado traumático, especialmente o final da Taça de Portugal, e manutenção de Jesus, sendo um jogada arriscada, significava não ter que começar tudo de novo. O risco da jogada pagou bem.
O FCPorto decidiu interromper o ciclo de Vítor Pereira por o julgar esgotado, sem nunca valorizar o facto de o treinador ter conseguido triunfar mesmo perante a cada vez menor qualidade dos seus plantéis. Pinto da Costa e a sua tão incensada super-estrutura acabaram sendo apanhados de surpresa com a ida de Vítor Pereira para o Oriente, talvez cansado de servir de para-raios à volta do qual se abrigavam todos os que com ele dividiam responsabilidades. Com sorte podem ter arranjado um novo bode expiatório com Paulo Fonseca, mas o trajecto das últimas duas épocas revela que têm havido mais jeito para vender do que para comprar. Não se pode sequer falar em desinvestimento, atendendo ao número de jogadores adquiridos e dinheiro despendido.
Curioso que hoje, nas análises que vi a este campeonato, do qual ainda faltam duas jornadas, falou-se quase sempre de SLB e FCP e muito pouco do segundo classificado, o Sporting. Isto mesmo quando se reconhece justiça na classificação, que já não poderá conhecer alteração no que ao pódio diz respeito.
Há várias razões para que tal suceda. Desde logo os interesses instalados, para quem o regresso do Sporting aos lugares cimeiros e à luta pelo titulo é uma maçada. Grande parte desses interesses são precisamente os de SLB e FCP, obviamente.
Depois há uma natural desconfiança que este Sporting 2013/14 seja um epifenómeno que o próximo campeonato se encarregará de normalizar. Essa desconfiança tem também alguma razão de ser: há ainda grandes diferenças entre os plantéis dos três rivais, diferenças essas que este ano foram atenuadas pela conjunção do excelente trabalho de Leonardo Jardim e pela "debacle" do FCPorto. Mas este final de campeonato tem revelado um Sporting algo esgotado de soluções para contrariar o melhor conhecimento do nosso jogo e o facto de sermos levados mais a sério. O jogo da última jornada, em Belém, é um bom exemplo.
Esse é grande desafio da próxima época que, tal como esta, terá que começar a ser ganha desde já: contrariar a ideia de que o Sporting é apenas "uma agradável surpresa" e tornar certo que somos uma "incómoda certeza". O plantel actual é demasiado curto, quer em quantidade quer sobretudo em qualidade, especialmente para lutar pelo principal objectivo - que terá de ser sempre o título - ou para assegurar uma presença condigna na Liga dos campeões. O desafio também estará novamente nas mãos e sobretudo na cabeça de Leonardo Jardim em reinventar o modelo de jogo, quando o actual dá ares de estar algo estafado.



















