Um caso: para onde quer ir Aguiar o Luís?
Desde o inicio que a relação de Luís Aguiar com o Sporting tem sido pautada por uma estranha turbulência. Após as bonitas palavras de ocasião, por altura da apresentação aos sócios tornou-se evidente o mau estado físico do atleta, facto mais que sabido no Uruguai, de onde provinha. Até aí nada de muito relevante, tendo em conta que uma pubalgia se cura em duas semanas, cirurgia incluída. O Sporting poderia ver na sua aquisição alguma importância, tendo em conta o trajecto paralelo, e por sinal o mais profícuo, que o atleta fez com Domingos.
Mas após a operação, e quando estava obrigado ao silêncio, quanto mais não fosse por o Sporting o ter recebido e certamente melhorado as suas condições salariais nas circunstâncias em que se encontrava, o jogador uruguaio "faz" uma capa sensacionalista no Record, pondo em causa o departamento médico do Sporting e até Eduardo Barroso que, além de ser o cirurgião que o operou, é também presidente da AG do clube. Atitude essa em que agora reincide deixando na imprensa uruguaia a ideia que a medicina desportiva em Portugal e o departamento médico do Sporting em particular se pratica ao nível da anedota que já nem se usa na mais reles tasca. É o que se depreende quando Aguiar diz que o operaram ao lado errado da pubalgia.
Eduardo Barroso já esclareceu o assunto pelo que, da parte que me toca, o que eu percebo desta embrulhada é que a cirurgia que Luís Aguiar precisa ainda não se pratica em Portugal nem em nenhum outro lugar do mundo: o povo, na sua sabedoria e simplicidade, diria que o uruguaio precisa é que lhe apertassem uns parafusos, o que, em medicina sabemos que ainda não é completamente possível.
Todos percebemos que Luís Aguiar não quer jogar no Sporting. Este caso revela essa disposição de forma inequívoca, deixando-o com pouco espaço entre os adeptos para fazer a viagem de regresso. Se as suas razões se firmam na saúde da esposa grávida ou porque constata que tem pouco espaço para a titularidade não sei. O que me parece é que é totalmente absurdo que se equacione a rescisão de contrato com o jogador, acabando, dessa forma, de premiar a sua má conduta.
Se já acho que é um precedente perigoso, salvo circunstâncias excepcionais, que assim deverão ser tratadas, que se atenda a todas as pretensões quando se invoca a saúde de familiares para a ausência temporária ou afastamento definitivo de jogadores, este desfecho seria abrir a porta a quem, pelas mais variadas razões, não quer cumprir o contrato que assinou, presume-se, de boa fé.
Por isso parece-me que se alguém tem uma bota para descalçar é o Luís, se ele quer ir Aguiar para outro lado que passe o cheque, ou arranje alguém que o faça por ele, indemnize o Sporting e vá à sua vidinha. E já agora que não se esqueçam, caso assim venha a suceder, de por uma cláusula penal que acautele o seu regresso a Portugal.

