Do clássico da Luz até à Madeira: jogamos uma vez e ganhamos duas
Não podia ter corrido melhor o fim-de-semana futebolístico para os nossos lados. Jogamos apenas uma vez mas ganhámos duas vezes. Deixo algumas reflexões avulsas sobre os dois jogos, por ordem cronológica:
O Clássico
- A principal nota a marcar o resultado final foi a superior eficácia do ataque portista sobre o ataque benfiquista. Ou, se quisermos, porque o guarda-redes também conta, a eficácia de Casillas entre os postes. Pela sua história o jogo podia ter tido qualquer resultado, ganhou a equipa mais eficaz nos vários momentos do jogo e mais segura em todos os sectores.
- O jogo confirmou a minha impressão que, dos três grandes, a equipa do Sporting é a melhor trabalhada em praticamente todos os momentos do jogo e é a isso que se deve o seu lugar na frente da competição.
- É muito provável que o FC Porto ainda venha a subir colectivamente agora com Peseiro. A sua reacção ao primeiro golo revela uma equipa madura psicologicamente. Tem jogadores em nítido sub-rendimento que, caso o seu treinador tenha tempo e acerto, poderão emprestar à equipa outra qualidade e com isso outro rendimento.
- A equipa do SL Benfica estabilizou, depois de um começo difícil. Continua a defender mal, o que explica os sucessivos fracassos com os adversários mais difíceis da Liga, mas a facilidade com que consegue criar oportunidades de golo tem-lhe valido jogos fáceis com os mais pequenos. Duvido que suba colectivamente, mas tem o melhor sector atacante dos três grandes, com Jonas, Gaitan, Mitroglu, onde se irá juntar agora Sálvio.
Segurança Nacional
- A grande dúvida que se colocava no inicio da partida estava na resposta que a equipa do Sporting necessitava de dar face à obrigação de ganhar. Dúvida que quase não teve tempo de vida, morta logo à nascença com a cabeçada fulminante de Slimani.
- A vitória foi categórica sem ser brilhante, ante uma equipa insular das mais fracas dos últimos tempos.
- O controlo do jogo por parte do Sporting foi quase absoluto, pelo menos enquanto Adrien esteve em campo. Um pouco à semelhança do que já tínhamos visto em Paços de Ferreira, é notório que há um Sporting com ele em campo e outro muito mais macio e permissivo sem ele. Além do controlo do jogo salientaria a serenidade/maturidade da equipa.
- A entrada de Coates com o tão improvável como até agora surpreendente Semedo conferiu uma segurança defensiva que ainda carece de melhor teste. Mas as primeiras indicações do uruguaio - cuja passagem por Inglaterra mudou muito o perfil físico, agora muito mais musculado - parecem indicar que Jesus encontrou o "seu senhor" para a defesa.
- Grande momento de forma de João Mário, com um golo, uma assistência e um jogo de uma regularidade que lhe poderia valer o cognome de "O metrónomo", tal a eficácia com que pauta o nosso jogo.
- Depois de um impacto muito positivo aquando da sua entrada, Bruno César eclipsou-se, muito por causa dos problemas físicos de que tem padecido. É um jogador demasiado importante para estar ausente agora e o nosso ataque recente-se disso.
- Ruiz é de menos e está sobre-aproveitado, quase espremido. Mané é demasiado inconstante e pouco assertivo. Gélson, como anteriormente aqui disse, é tão brilhante como intermitente. Creio que é aqui, nos criativos, que está o nosso "calcanhar de aquiles".
- A menos que Jesus tire mais algum coelho da cartola, o nosso sucesso no campeonato está excessivamente dependente destes jogadores de produção muito inconstante - o que é normal nas suas idades - o que explica em grande parte a nossa oscilação, já depois de termos conseguido uma importante vantagem, entretanto anulada.


