Nojo pela canalha blogohistérica
Na sequência de uma conversa sobre o despedimento de Manuel Fernandes concluiria concordando com o diagnóstico do meu interlocutor: o Sporting é uma máquina trituradora. Não dos seus adversários em campo, não dos seus inimigos, que também os temos, mas quase sempre uma máquina trituradora de si mesmo.
A forma como a discussão do despedimento de MF foi lançada e depois mantida envergonha-me como Sportinguista. Começo pelo salário. Que se saiba ninguém viu o respectivo recibo, mas todos os que se pronunciaram sobre o tema deram como dado adquirido que o valor avançado era o real. É muito duvidoso que tenha partido do próprio Manuel Fernandes a divulgação do valor do seu vencimento, pelo que será no mínimo legitimo perguntar a quem interessava que aquele fosse o valor sobre o qual se estabeleceria a discussão sobre a decisão do despedimento.
Mas não só. Não é apenas a divulgação do valor em causa. Dito assim a cru, de forma isolada do contexto em que se insere - que é a extensa folha salarial do clube e da SAD - e num momento em que a generalidade dos Sportinguistas estão expostos às contingências da crise, o valor afigura-se quase pornográfico. Junta-se-lhe a insinuação soez de não se "saberem exactamente quais eram as suas funções" para tornar a dispensa da mais louvável racionalidade. Para torná-la um acto da mais elementar justiça aponta-se-lhe esse "crime" de ter sido chamado a funções por Godinho Lopes.
Tem a coerência do catavento do meu quintal quem, de entre os que usam estes métodos e o próprio despedimento, andou a exigir a necessidade da transmissão dos valores e da mística, apontando-se a ausência de antigos símbolos, e ver o que agora dizem sobre a saída Manuel Fernandes. Seriam os mesmos que espumariam as entranhas se estas medidas tivessem ocorrido alguns meses antes.
Esta metodologia não é apenas censurável do ponto de vista da ética e do apreço que uma figura como Manuel Fernandes merece de todos os Sportinguistas. É também muito pouco inteligente porque fazê~la nestes termos é abrir uma caixa de pandora: em breve estaremos também a discutir os vencimentos a atribuir aos recém-eleitos. Vamos ver o que então se dirá.
Como é óbvio, neste raciocínio não se nega o direito do presidente escolher com quem trabalhar ou que ele deriva da incapacidade de aceitar os resultados eleitorais, vulgo azia. Esta argumentação é simultaneamente indigente e totalitária, que não me merece mais do que estas linhas.
Esta era discussão que deveria ter lugar: as funções que lhe atribuíram estavam de acordo com o seu perfil e com as suas competências pessoais e profissionais? Ele era competente?
O resto é o óbvio: Manuel Fernandes não era um problema, era uma mais valia tê-lo no clube, naquele lugar ou noutras funções. Um símbolo como ele, estatuto até há dias consensual, não se usa como arma de arremesso numa qualquer estratégia. Ou então entende-se que Manuel Fernandes é um vulgar oportunista, que é o que muitos insinuaram e outros entretanto afirmaram.
Nojo pela Comunicação Social
Não menos indignação - nojo até - me provocou a forma como a generalidade da comunicação social tratou e continua a tratar o Sporting, na sequência do que foi a mais vergonhosa arbitragem que vi desde os anos 80. Primeiro era o critério largo, depois era a distância pontual que separava as equipas no final do jogo, mas todos ignoraram a réplica dada pelo Sporting à que é considerada, de forma que me parece justa, a melhor das equipas da competição. Ao fazê-lo ignoraram o quanto a nossa equipa cresceu, apesar de envolta num incomensurável rol de adversidades. É que, ao contrário do que JJ pretendeu de forma desonesta e que a CS deixou passar em claro, o Sporting não jogou como a Académica, de linhas recuadas e temerosas. O Sporting jogou no campo todo desde os primeiros minutos como poucos o fizeram naquele estádio este ano, jogos da CL incluídos.
Esta é a mesma CS que tanta atenção devota à reestruturação financeira e organizativa em curso no Sporting. Que tanta atenção deu aos ordenados em atraso no Sporting. E fecha os olhos aos despedimentos em curso há mais de um ano no FCP SAD e clube e, que, no mesmo tempo já registou o mesmo problema com o pagamento atempado dos vencimentos dos seus funcionários e atletas e até já pôs termo a uma das suas modalidades, o basquetebol. É também a mesma que fecha os olhos ao que é hoje o futebol português: uma coutada onde 2 "senhores" caçam de forma desregrada e despudorada os seus troféus.
Nojo pela impunidade no futebol português
Roubar em Portugal deve ser uma actividade terapêutica e profilática. Os envolvidos no caso BPN roubaram o País e declaram-se inocentes e de consciência tranquila. O mesmo para o caso BPP e outros actos semelhantes ou de má gestão dos dinheiros públicos. Por isso não admira que Capela, por interposta pessoa - o representante dos que roubam e se submetem a quem rouba a credibilidade ao futebol português, a APAF - tenha vindo declarar de consciência tranquila. Como certamente estará o observador que lhe deu nota de Bom.