Mostrar mensagens com a etiqueta Marco Silva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marco Silva. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Augusto Inácio: «Marco Silva nunca entendeu a comunicação do Sporting»


Está em curso nos tribunais o julgamento da acção interposta por Marco Silva contra José Eduardo. A frase que titula o post é retirada de uma citação de Augusto Inácio para qualificar os problemas entre o antigo treinador e a SAD. Nesse mesmo julgamento o visado, José Eduardo, confessou que "tudo o que disse sobre Marco Silva foi-me transmitido pela administração da SAD". 

Ora, tendo isto em conta, e por mais razões que pudessem assistir então à administração neste diferendo, seria sempre muito difícil de entender a comunicação de uma SAD profissional e bem paga que mandata terceiros para enviar recados pela televisão ao treinador da sua equipa da sua modalidade mais representativa. Tinha tudo para acabar mal, como hoje se sabe que acabou.

E, tendo em conta muitas das acções e omissões mais recentes, a que se vem juntar a presença ontem de Bruno de Carvalho ontem na CMTV (???) a dificuldade de entender as acções e propósitos da comunicação da SAD vai permanecer por mais algum tempo.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O Sporting e Marco Silva parecem a União Europeia e a Grécia

Parece que os jornais combinaram as "caxas" de primeira página no que ao Sporting diz respeito. A recusa de Marco Silva em aceitar a rescisão proposta faz o pleno em todos eles. 

Não vale a pena retornar aos já estafados argumentos que conduziram à situação actual. Fica apenas um paralelismo entre o caso que opõe o clube e o seu antigo treinador e o que dirimido entre a União Europeia e a Grécia. 

Quem realmente toma as decisões na UE já deita os gregos pelos olhos e até está disposto a "pagar" para se ver livre deles. Sabe contudo que a saída dos gregos é já muito mais uma questão estratégica do que económica. O posicionamento geográfico daquele país confere-lhe um importante papel, entre outros, na contenção dos interesses de dois blocos - o islâmico e o russo - cada vez mais agressivos em relação às nações ocidentais. Por isso, continuidade da Grécia, com a concessão do imprescindível financiamento, é a factura que se percebe vai acabar de ter que ser paga. Ou isso ou a possibilidade de, no limite extremo, a UE ver encurtadas as distâncias para o inimigo russo, que assim anularia o efeito de tampão turco no Mar Negro. Os dirigentes europeus sabem que, a acontecer, teriam que arcar com custos imprevisíveis e de variadíssima ordem, daí que prefiram um acordo à situação incontrolável e imprevisível que se seguiria.

Ora o Sporting também não quer Marco Silva, mas também não o quer ver treinar nenhum dos adversários. Melhor dito, não se importaria de o ver treinar, mas não quer pagar a "factura política" que lhe seria cobrada em caso de triunfo. Acresce que a factura económica também não é de todo negligenciável: o Sporting está ciente da fragilidade do seu caso em sede de disputa jurídica, ou não abriria mão de forma tão rápida das razões que lhe levaram a invocar a justa causa. E tem justificado receio que essa factura possa vir a ter custos acrescidos, por impedir que o seu ex-treinador aceite as propostas que lhe venham a ser feitas, pelo que o acordo é melhor que a falta dele.

Há ainda mais duas facturas: a desportiva e as de danos de imagem. Enquanto não rescindir o contrato que ainda o liga Marco Silva o Sporting não pode inscrever o nome de Jesus nos seus quadros como técnico principal. Não faltarão outros expedientes para que JJ se possa sentar no banco, porém o seu recurso só fragilizaria ainda mais a imagem do clube, já de si bastante desgastada ao longo de seis meses de guerrilha interna entre a SAD e um dos seus principais activos.

Marco Silva é o Syrisa deste caso. Está disposto a fazer concessões porque, como treinador em inicio de carreira, sabe que parar não a favorece. Mas, tal como o governo grego, parece estar disposto a abrir mãos de alguns direitos, mas pouco interessado em sair completamente humilhado para poder seguir em frente. Curiosamente parece que o seu destino é precisamente a Grécia, mais precisamente o Olimpyakos, clube que não é conhecido pelas permanências longevas dos seus treinadores. Um sitio ideal para um treinador que seguramente continua com a ambição de triunfar no seu próprio país. Pois, é isso mesmo que todos estamos a pensar...

Nesta conformidade, o que parece é que é do interesse de todos - Sporting/Marco Silva UE/Grécia - que entendimento surja o mais rápido possível. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Da jogada de mestre à derradeira sacanice

Imagem roubada ao Rui Malheiro
Foram dois eventos que marcaram e continuarão a estar no topo da actualidade e das conversas dos Sportinguistas: a contratação de Jorge Jesus e a acção de despedimento por justa causa movida a Marco Silva. Serão esses os temas do post de hoje.

O regresso de Jorge Jesus pela porta grande
Era já quase um mito urbano a ideia de Jorge Jesus ser Sportinguista. O facto de o pai o ser e por aí ter nascido o amor pelo clube, até a imagens do treinador ainda jogador ou no meio de adeptos do Sporting numa final do Jamor foram alguns dos vários exemplos apontados para confirmar a sua preferência clubista. Essa é contudo uma questão lateral no momento em que chega a Alvalade. 

Seguramente que, apesar do destaque dado pelo próprio na conferência de imprensa, não foi por isso que Bruno de Carvalho se lembrou de o ir buscar ao eterno rival. Jorge Jesus é um excelente treinador, daqueles cuja a acção pode mudar o curso da história que, reconheça-se, foi o que ele fez nos seis anos que esteve à frente do SLB. É por isso que ir buscar Jorge Jesus é uma jogada de mestre.

Haverá muito tempo para falar de JJ e do que a sua chegada representará para o clube mas é claro que o Sporting ficará mais forte. 
- Será mais forte em termos absolutos porque passará a contar com o melhor treinador nacional, que sabe tudo sobre o nosso futebol. 
- Conhecido como mestre da táctica JJ é muito mais do que isso, é treinador com a melhor ideia de jogo e o que a melhor operacionaliza nos treinos e na competição.
- A possibilidade de ser mais forte também em termos relativos é bem real, por ter retirado a um rival directo o principal alicerce da sua força. Para o confirmar teremos que ver como reagirá o rival.
- É de esperar também que o departamento de futebol veja as suas competências reforçadas, e que tão necessário é para nos aproximarmos dos dois principais rivais.
- Conhecida que é a ambição do treinador intui-se que o nível de rigor e exigência aumentará para todos, desde a SAD, aos jogadores e a todos que trabalham directamente no futebol do clube.
Jesus é caro?
Muito se falou do dinheiro que custa ter um treinador como JJ ou do que a sua chegada representará para a formação. Sobre os custos é óbvio que ter um treinador cuja folha salarial já aparecia entre os mais bem pagos do continente representa um importante desafio para qualquer clube nacional. Mas é bom lembrar que o Sporting consumiu importantes recursos na época passada com aquisições de jogadores dos quais não retirou quase nenhum proveito. Isso sim é que é que é demasiado dispendioso para o clube.

A formação
Sobre o impacto na formação não posso deixar de estar optimista. Imagino que, em condições normais (sem acidentes, lesões ou problemas contratuais) jogadores como Iuri Medeiros, Wallyson, Palhinha, Chaby, Mané, Esgaio,João Mário, Tobias, Semedo, para citar só alguns, poderão ter a oportunidade de fazer vingar o talento que possuem. Cédric, André Martins, Adrien, William estarão mais próximos de consolidar o seu estatuto de titulares no clube e de nomes incontornáveis na selecção nacional. Ora isto é depende tanto de JJ como da direcção da SAD, é bom que se perceba. O anúncio do presidente de que irá chegar mais experiência deverá no entanto ter deixado de sobreaviso muitos dos jovens que se ligaram recentemente ao clube com contratos extensos. Que pelo menos se encontrem soluções que lhes permitam continuar a adquirir competências é uma obrigação do clube.

O lado B
Mas também é bom que se perceba que a chegada de JJ não é garantia absoluta de vitória porque essa, em futebol, não existe. Esse é o perigo principal, o da gestão das expectativas, e como reagirá a massa adepta às primeiras contrariedades que inevitavelmente surgirão no caminho. Do lado B há ainda a considerar o anúncio de mais recursos, o que certamente tornará mais exigente (leia-se mais caro) a renovação ou contratação de novos jogadores. Não menos importante é o facto de JJ vir encontrar uma equipa que ganhou alguma coisa, o que, associado ao já anunciado reforço de meios, será o inevitável contrapeso em futuras avaliações.

A derradeira sacanice
Pouco antes da final da Taça de Portugal Marco Silva fez referências a "algumas sacanices" que lhe foram deixando pelo caminho. Apesar da indignação que terá causado junto da SAD e em alguns adeptos hoje percebe-se melhor que elas existiram.

Afinal a noticia do jornal "A Bola" de 23 de de Dezembro era verdade, apesar de todo o spin que se seguiu para negar a evidência e apaziguar a reacção de incredulidade e revolta entre os adeptos do clube. Afinal José Eduardo era mesmo um porta-voz autorizado, um fiel papagaio, a quem só falta entregar na próxima Gala Honóris o prémio de sócio do ano para a ópera bufa ter um epilogo à altura. Afinal era mentira que o entendimento entre o presidente e o treinador eram verdade, enquanto se coligiam apontamentos para as 400 páginas de acusação.
Faltava agora a derradeira sacanice: deixar Marco Silva atado a um contrato que não se quer que cumpra por que, exercido neste momento, o impede de dar curso à sua carreira. Ora isto assemelha-se mais a um ajuste de contas pessoal do que a qualquer outra coisa.

Não sou ingénuo ao ponto de alcandorar Marco Silva ao altar de santo e mártir. Ficará por saber o que poderia ter sido o trabalho dele sem se sentir permanentemente acossado desde muito cedo. Imagino que no decurso desta tortuosa passagem pelo Sporting se teve que valer de todos os expedientes para se aguentar no lugar e sobretudo não ver beliscada a sua autoridade como líder de um grupo de trabalho. Mas foi justamente nas raízes dessa determinação que nasceu o espírito de corpo que valeu a reviravolta no Jamor. Essa vitória é de todos mas em especial dele e dos jogadores. 

É também uma importante lição para todos aqueles que acreditam que os sócios e adeptos têm sempre uma palavra importante a dizer. Foi por eles que a chicotada psicológica de Dezembro não se consumou com o resultado que hoje se conhece. E são eles que, condenando o tratamento dado a Marco Silva, não se deixam intoxicar pelo miserável spin diário à volta das qualidades pessoais e morais do treinador. Não basta agitar 400 páginas de acusações num cocktail com os tradicionais ingredientes (fundos, empresários, etc) para cada um prescindir do seu próprio juízo.

O Sporting fez uma grande jogada ao contratar Jorge Jesus, tão grande como é pequenina e baixa a forma como decide terminar a relação com o treinador que acaba de lhe oferecer uma Taça de Portugal e finalizar um jejum de sete anos.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Sobre Jorge Jesus e Marco Silva

 
O que tem sido dito nas últimas horas por reputados(?) opinadores nos 'media' e, através dos mesmos 'media', por oficiais do mesmo ofício, no caso o de treinador de futebol, tem sido caracterizado pela subjectividade dos comentários produzidos, matizados por considerações de ordem ética mais apropriadas à boca e ao punho de putas virgens ofendidas em dia em que, até à altura, o seu 'azeiteiro' resolve fazer um 'upgrade' do produto que coloca no mercado.

Primeiro e alvo principal, desde logo, Jorge Jesus.

JJ que, na boca de João Gabriel que com ele privou seis anos e tirou montes de 'selfies' reluzindo a plumagem do típico papagaio do pirata, chegou agora à conclusão que o treinador tri-campeão só pensa no seu umbigo e na sua conta bancária. De compreensão lenta, no mínimo, este director de comunicação(?).

Adiante e sigamos para os factos.


A JJ foi-lhe proposta, e bem, por Luís Filipe Vieira, uma renovação de contrato por valores mais baixos e consentâneos com a realidade económico-financeira do clube e do futebol português.
Como profissional e homem livre JJ decidiu não aceitar e partir para outra.
Que crime é que JJ praticou?...
Qual a conduta ética que o mesmo atropelou?...
Nenhuma, nada, népia.
Ponto.



JJ terá sido abordado pelo rival da 'segunda circular', negociou com BdC, e chegaram a acordo.
Quem me garante e aos 'moralistas' de aviário do momento que JJ não se terá despedido de BdC com uma simples frase:
"Ok. Resolva lá o problema com o Marco e, nos termos que acabámos de acordar, diga-me quando e onde quer assinar o contrato."...
Ponto.

Marco Silva.
Uma pessoa que assinou livremente um contrato com BdC revelou-se, para mim, um profissional competente, zeloso dos interesses do clube que representa(va) e acima de tudo um homem íntegro, pese a sua juventude e inexperiência no meio.

Ora se, BdC não partilha desta minha apreciação - está no seu pleno direito e dispõe de informação que eu não tenho - só tem um caminho como Presidente de um Clube de bem: chamar Marco Silva, comunicar-lhe que mudou de opinião, de política, de banqueiro, o que entender, acertar as contas com o mesmo, pagar-lhe e desejar-lhe muita sorte.

Não pode e não deve é, BdC, andar a ou a mandar 'plantar' contra-informação nos jornais acusando MS de ser um Torquemada moderno, ingrato e mau profissional, tentando assim abrir a porta a uma rescisão unilateral com justa causa, logo, sem a correspondente indemnização. Isso, sim, seria mais do que pouco ético. Seria um comportamento miserável.

No futuro próximo, Jorge Jesus e Marco Silva serão avaliados pelos êxitos que, ou não, conseguirem ao serviço do emblema que os contratar.

Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho serão julgados na altura própria pelas massas associativas encarnada e verde pelos títulos, ou não, que trouxeram para as vitrines dos respectivos museus.
Tudo o resto não passa de falsa beatice.

Ponto final.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Obrigado Marco Silva!

Já se tinha percebido que a coabitação entre  Bruno de Carvalho e Marco Silva há muito que se tinha tornado impossível pelo que a separação era o destino anunciado. Que esta podia ter ocorrido de forma mais prestigiante para o nome do clube, não tenho dúvida nenhuma.

Contratar um treinador para o lugar, com todo o folclore mediático que o processo despoletou, com aquele a ser "o último a saber", era perfeitamente evitável. Já escolher a justa causa como justificação não só é surpreendente como me parece muito difícil de sustentar em sede de julgamento com proveito para os interesses do Sporting.

Resta-me agradecer a Marco Silva a quota parte que lhe cabe pelo regresso aos títulos passados sete anos, em particular os momentos inesquecíveis que se seguiram à conquista da Taça de Portugal. Fiquei com impressão positiva não apenas do trabalho que realizou como a forma como representou o Sporting sempre que foi chamado a pronunciar-se publicamente. Desejo-lhe boa sorte sempre e quando ela não seja incompatível com o nosso sucesso.
Comunicado da SAD do Sporting:
O Conselho de Administração da Sporting Clube de Portugal, Futebol - SAD, informa que foi accionado o processo de rescisão do contrato de trabalho com o treinador Marco Silva invocando justa causa. 

Nesse sentido, foram dadas indicações expressas aos órgãos competentes para de imediato desenvolverem os necessários procedimentos, tendo hoje, Marco Silva sido informado desta decisão com efeitos imediatos. 

Lisboa, 4 de Junho de 2015

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Jesus, o Salvador, ou a repetição de uma longa tradição?

Este artigo estava já escrito ontem, antes de a capa de "A Bola" que ilustra o post ser conhecida.No entanto, como se verá, não era preciso conhecê-la para o escrever.

Jesus o Salvador?
As imagens que se sucederam à vitória no Jamor são bem elucidativas do que (não) são as relações entre Marco Silva e Bruno de Carvalho. Ora, neste momento, isso é um problema muito maior para o presidente do que para o treinador. Para o despedir o presidente teria que encontrar não apenas uma explicação para o acto, mas sim várias. Pelo menos duas de elevada dificuldade para merecerem aceitação da generalidade dos adeptos:

- Porque despede o treinador que pôs fim a um enorme jejum de títulos?
- Se existe a convicção de que o treinador não serve e sobre ele impendem graves acusações* sobre o seu carácter, porque não foi ele despedido logo em Dezembro?
É aqui que a contratação de Jesus entraria como mel. A contratação do melhor treinador em Portugal, que ainda por cima se acaba de sagrar bi-campeão no rival de sempre, reduziria consideravelmente as criticas. O valor do treinador e a componente psicológica associada  ao resgate do principal artífice da recuperação do clube rival - que, recorde-se, até à sua chegada, gastava rios de dinheiro para ficar atrás de nós - teria um efeito anti-inflamatório notável sobre abcesso que criaria o despedimento de um treinador que a generalidade dos adeptos reconhecem ter feito um trabalho pelo menos suficientemente meritório para continuar a cumprir o contrato.

Marco Silva, o fiel de duas balanças
Neste momento tudo leva a crer que ambas as situações - a continuidade JJ no SLB e o assumir do divórcio do Sporting com Marco Silva - possam estar ligadas e que será a segunda (o despedimento de Marco Silva) a ignição que falta para que tudo se clarifique. Uma jogada de elevado risco porque o final está longe de poder ser garantido. No pior dos cenários o Sporting poderia ver o seu actual treinador transitar uns quilómetros acima e ver JJ levantar voo para outras paragens. Esta teoria conspirativa justifica-se, atendendo às forças em confronto. A última coisa que o Sporting deverá fazer é menosprezá-las.

Acreditar em Jesus não é fácil
Não se pense contudo que a contratação de JJ, a ser possível, resolveria todos os nossos males e significaria o sucesso imediato, ao virar da esquina. Contratar o actual bi-campeão significará também um enorme desafio para a SAD do clube, uma vez que é facilmente intuível que JJ não se contentará com os mesmos meios que foram oferecidos a Jardim e a Marco Silva e muito menos assistirá mudo e quedo, sem ter uma palavra a dizer, sobre as aquisições e dispensas a efectuar. Não o imaginar é não lhe conhecer a ambição ou não antecipar problemas semelhantes aos que sucederam com Jardim e agora com Marco Silva.

Repetição de uma longa tradição em curso?
A jogada por trás de uma possível contratação de JJ é ousada mas até é compreensível, pelo valor do treinador em causa. Falta saber o que será Marco Silva no futuro, com condições que não teve agora. 

Não é por acaso que muitos Sportinguistas assistem com alguma perplexidade à actual indefinição sobre a sua continuidade e receiam estar em curso uma já longa tradição no nosso clube: quando parece haver condições para que, sobre alguma estabilidade, o clube possa prosperar, decisões precipitadas, incompreensíveis e sem atender aos superiores interesses do Sporting, empurram-nos para a estagnação e o retrocesso.

*Sobre as acusações ao carácter de Marco Silva é no mínimo inqualificável que se utilize este tipo de expediente como justificação para despedir o treinador e depois se afirme o Sporting como um arauto de valores e mudança. Que se use precisamente os instrumentos da Cofina, como hoje se vê no Correio da Manhã e Record é não ter memória nem amor próprio. Isso é revelador de neste momento qualquer meio é considerado legitimo para se atingir o fim que se pretende.
Sobre as qualidades humanas Marco Silva tem um passado curto mas que fala por si. Quer o testemunho de todos os que trabalharam com ele no passado, quer a trajectória conseguida este ano, apesar das dificuldades evidentes para todos, o confirmam. Do ponto de vista da valia técnica é bom lembrar que Marco Silva conseguiu alcançar sempre ou até superar os objectivos a que se propôs nos quatro anos que leva de carreira. E Marco Silva tem apenas 37 anos de idade. 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Marco Silva foi apresentado

É verdade, Marco Silva foi apresentado. Faz hoje um ano.

E agora passado um ano, o que mudou? Quase tudo. Fui buscar o que escrevi a propósito do momento, neste post: 
Dizia então:
A duração do contrato
Algo surpreendente, a duração de quatro anos, por se tratar de um contrato longo e sobretudo por ultrapassar a vigência do actual mandato.(...)

A estratégia por trás da aquisição de Marco Silva
O facto de o Sporting ir buscar o melhor treinador da Liga disponível é importante para a auto-estima dos adeptos e pode ter uma importância estratégica superior à mera ocupação do lugar deixado vago por Jardim. Pode tratar-se, o tempo o dirá, da inversão dos papéis quando o Sporting (ao tempo Bettencourt) podia ter contratado Jorge Jesus e preferiu a renovação com um Paulo Bento esgotado. Erro que viria a agravar com o abrir mão do compromisso firmado com AVB para ir buscar... Paulo Sérgio.

O entusiasmo em volta de Marco Silva
Excelente, como quase sempre, a resposta dada pelos adeptos, sempre dispostos a abrir o peito e deitar para trás das costas o mau agoiro.

Euforia sim, irracionalidade não
É muito árdua a tarefa de Marco Silva, como seria obviamente a de Leonardo Jardim. Mudou o nome, mudará até a forma de jogar, mas as dificuldades manter-se-ão. O próximo ano será muito difícil, muito mais difícil até. Quem vê facilidades na chegada de Lopetegui ao Dragão é bem capaz de ter uma surpresa... desagradável. Na continuidade ou não de Jorge Jesus, mais do que a continuidade deste ou daquele jogador, estará, ou não, a manutenção da vantagem de quem acaba de ser campeão. O Sporting continua, a meu ver, a correr por fora.

O que vale Marco Silva
O trabalho feito pelo treinador é absolutamente notável. As melhores classificações de sempre do Estoril sob o seu comando. A subida na classificação depois de perder os melhores titulares e se ver privado, em Janeiro, de jogador ancora do seu modelo, Luís Leal. Um trabalho possível não apenas pelo seu valor como técnico, mas também pelo trabalho da SAD estorilista. Marco Silva estará também dependente dos meios que a SAD do clube lhe proporcionar, da sorte e, inevitavelmente, da relação de forças com os principais rivais. 

A surpresa dos números 
Uma nota de mera curiosidade mas que poderá ser um dado com algum interesse na avaliação do trabalho de Marco Silva. Se houvesse um campeonato apenas a 4, isto é, apenas com o registo dos jogos entre os quatro primeiros, o Estoril seria o segundo classificado com 8 pontos, numa classificação assim alinhada:
SLBenfica: 13 pontos;
Estoril: 8 pontos;
FCPorto: 7 pontos;
Sporting: 5 pontos;
Este são dados importantes que permitem avaliar o bom trabalho de Marco Silva. E obriga-nos à inevitável reflexão, muitas vezes aqui feita, sobre o real valor do Sporting e a importância dos resultados alcançados. É muito difícil pensar que as dificuldades sentidas com os mais fortes foram meramente casuais. Uma reflexão obrigatória para perceber o real ponto de partida para a próxima época. 

O que mudará com Marco Silva
Abordagem em algumas pinceladas, há um campeonato inteiro para registar as alterações. Mudará o estilo de jogo. O Sporting procurará ter mais posse, defenderá mais subido, defenderá mais cedo, logo a seguir à perda de bola e com mais gente. Provavelmente aumentará a presença no último terço do campo, bem como a procura por espaços mais ao centro, perdendo as alas a preponderância que tinham com Jardim. Aumentará, por consequência, a exposição ao risco no momento imediato à perda de bola. Poderão mudar  alguns dos protagonistas, mudarão pelo menos muito do que lhes foi pedido durante este ano. 
Hoje voltaria a escrever mais ou menos o mesmo. Os comentários seriam também semelhantes? Olhando os números deste ano estes superam muito que o clube tem conseguido nos últimos anos. Afinal o que correu assim tão mal para o treinador estar com um pé fora do clube desde Janeiro? 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O treinador que o Sporting precisa (e pode estar quase aí)

Nota importante:a conferência de imprensa de Bruno de Carvalho não só não altera o teor do post como reforça o essencial do que nele é dito. Aliás é difícil perceber o que se pretendeu com a sua realização porque, ao invés de as especulações terminarem, ganham agora mais combustível. 

O psicodrama Marco Silva
Na altura do ex-futuro divórcio de Bruno de Carvalho com Marco Silva já aqui havia deixado que o caso, como não tinha ficado encerrado, voltaria à actualidade. Enganei-me. Na verdade nunca deixou de marcar a actualidade, transformando-se numa espécie de folhetim, parecendo que o seu desfecho ficará marcado pela saída do treinador. Seja qual for o seu final o importante agora é que, para alivio de todos termine. Depois, se há coisa que estamos habituados é a mudar de treinador. Pena é os resultados, que esses quase não mudam.

A culpa é dos jornais
Será um alivio para todos, menos para os órgãos de comunicação social, que terão que arranjar nova novela. Uma das acusações mais ouvidas é a de que tudo isto é apenas especulação jornalística. (Embora mais recente, também nos estamos a especializar em projectar inimigos na própria sombra.) E até pode ser. Mas não deixa de ser verdade também que o silêncio de Bruno de Carvalho sobre a matéria, (a ausência de defesa do que devia ser considerado um dos mais importantes activos da SAD perante ataques sibilinos ou descarados), constituem repasto de difícil recusa para quem vive de vender noticias. É um favor que lhes temos estado a fazer, ajudando assim a justificar porque não perguntam para onde vai Jesus e o que fez Lopetegui a quarenta milhões de euros em reforços.

A anormalidade da situação 
O que o bom senso e o interesse comum aconselharia é uma avaliação conjunta (SAD+treinador) permanente dos resultados, das exibições, percebendo os erros que urgia corrigir, o que de bem feito devia ser conservado e potenciado. Essa seria a forma de, daqui a poucos meses, podermos estar um pouco mais à frente do que há um ano atrás. Isto sem falar na concentração necessária para o jogo mais importante da época estar a ser abalada pelo ruído permanente. Pelos vistos o senso comum não é assim tão comum.

A estabilidade como valor
Uma das razões mais apontadas para a continuidade de Marco Silva é a da estabilidade. Quem a advoga acredita que, feita a exegese anteriormente referida, a possibilidade de evolução para um patamar competitivo superior era possível. Essa era aliás a ideia subjacente à contratação por quatro anos do treinador, e foi essa a percepção que deixou em muita gente, vincada pela aposta num técnico jovem, promissor, mas de experiência limitada.

A soberania de quem manda
Quem é eleito é mandatado para tomar decisões, mesmo que algumas delas sejam de difícil compreensão, tendo depois de viver com as consequências que resultam da avaliação que os eleitores delas farão. Bruno de Carvalho pode entender que Marco Silva não é suficientemente dotado para a função, pelo que a estabilidade que seria aportada pela sua continuidade, ao invés de nos conferir maior segurança e aptidão, enfranquecer-nos-ia. Aliás é essa a sua obrigação se assim fosse. Se, como me parece, essa incompatibilidade é de ordem pessoal, o caso acaba por terminar da mesma forma, uma vez que não se pode substituir o presidente pelo treinador. Isso porém não o eximirá da avaliação que se fará da sua actuação e das respectivas consequências.

O caminho fica ainda mais estreito
Até agora Bruno de Carvalho tem contado com uma elevada dose de tolerância e compreensão por parte da generalidade dos Sportinguistas na avaliação do seu trabalho. Esse estado de graça sofreu o primeiro mas visível abalo em Dezembro. O risco contido na insistência na mudança de treinador é porém muito elevado. Quem vier terá que fazer melhor, para que as perdas e danos associados se justifiquem, sob pena de ver a sua autoridade e competência colocadas em causa.

É possível fazer melhor?
É sempre possível fazer melhor. Da avaliação do que foi conseguido é notório que tanto a SAD como o treinador poderiam ter feito melhor. Isso tem sido aqui dito nas análises aos respectivos desempenhos. O que seguramente qualquer raciocínio equilibrado não vaticinará é que a culpa é apenas de um dos lados.

Que treinador então seria o ideal para o Sporting?
A resposta é fácil: um que ganhe. Como lá chegar é que é mais difícil. Um treinador renomado e com títulos é sempre a primeira tentação a apontar. Para lá do reconhecimento das nossas limitações financeiras o impedirem, e o imprescindível assentimento que a aleatoriedade do futebol continuará a ter, há que reconhecer também que dificilmente um treinador desse perfil aceitaria trabalhar no Sporting com as mesmas limitações que trabalharam Jardim e Marco Silva. E, talvez ainda mais importante, com as imposições feitas na constituição do plantel, sem que a sua palavra pudesse ser ouvida. Muito menos admitiriam que, depois disso, isto é, depois de lhe depositarem no treino jogadores que não pediu nem conhece, lhe venham chamar à atenção para resultados e exibições.

Daí a chegar ao nome de Santo António é um passo. Parece-me o treinador ideal para este momento do Sporting. Depois, ele está para chegar no próximo mês e é padroeiro de Lisboa. É um santo milagreiro, capaz por isso de multiplicar os nossos recursos de forma que seja mais fácil competir com os rivais mais gastadores.

Mas Santo António é sobretudo conhecido por ser um santo casamenteiro. Quem sabe ele não facilita uma união mais perene e harmoniosa entre o presidente e futuro (se vier, ou Marco Silva, se ficar) treinador. É que em dois anos um noivo já foi para o Mónaco e outro parece que já está a fazer as malas.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Breves: Jamor em Alvalade - Empréstimo obrigacionista - Pini Zahavi - Marco Silva

 

Jamor em Alvalade
O Sporting vai organizar uma festa por altura da final da Taça de Portugal, abrindo os portões do estádio. A ideia é excelente, atendendo ao número muito limitado de felizardos que conseguirão o ingresso mágico que permita, como todos esperamos, assistir ao regresso à conquista de troféus de valor particularmente significativo no futebol. 

Porém, ao contrário do que me parece ser a melhor ideia, não se trata porém de um simples franquear de portas mas sim de um evento que onera os seus participantes. Ora se o conceito de festa me parece excelente, sobretudo pelos motivos acima indicados, o facto de este evento ser pago oferece-me alguns reparos.

- Desde logo o permanente exercício do conceito de adepto/pagador. Para quem paga, a época já vai longa e a "factura Sporting" mesmo que exercida com gosto e paixão, já é volumosa.

- Se a intenção é a melhor - contribuir para a "Missão Pavilhão" - é bom lembrar que muitos dos interessados, a irem, irão sofrer uma espécie de dupla tributação, isto se já tiverem contribuído anteriormente. Se a contribuição tiver sido do tipo "familiar" essa tributação é agravada, pelo que me parece ser de considerar a possibilidade de  deixar à iniciativa de cada um a possibilidade de voltar ou não a contribuir.

- A politica de preços parece-me irrealista por demasiado onerosa. Ora isso pode obstar a uma participação massiva, o que concorreria para transformar a festa numa espécie de evento alternativo para meia dúzia. Tal, a ocorrer, seria no mínimo desprestigiante para o clube.

- A permanência de adeptos pagantes no interior do estádio inibirá a abertura de portas para eventual recepção da equipa em caso de vitória. Ora isso contribuiria para uma divisão em duas festas, o que, a suceder seria no mínimo absurdo.

- Escusado será lembrar o estado do relvado, cuja utilização está prevista no evento, e que, em caso de danos maiores, as receitas não cobrirão a necessidade de eventual substituição.

Pini Zahavi
Independentemente da veracidade da noticia que hoje circula, não surpreende ninguém que a renovação de Carrillo seria sempre problemática. Não só atendendo à valorização do jogador, mas também ao facto consabido de que a posse do passe continua repartida com o empresário israelita. Empresário com que o Sporting já se tinha degladiado por ocasião do "caso Bruma". Este seria aliás o caso que inauguraria a gestão de Bruno de Carvalho. A ser verdade o que hoje é vinculado, este somar-se-á em semelhanças ao "caso Rojo", parecendo-me difícil de sustentar a posição de devolver apenas o dinheiro empregue na aquisição da participação no passe do jogador. Oxalá me engane.

Marco Silva
Novo rumor a envolver Marco Silva - a possibilidade da ida para Sevilha - sendo que este vem de encontro ao que algum tempo já circula em alguns meios: que a administração da SAD procura um negócio semelhante ao exercido com Leonardo Jardim, e que permita uma saída airosa para todos os envolvidos. Isto quando também já circulam os nomes de possíveis sucessores. 

Como nota meramente pessoal fica o registo de que o Sevilha ganharia com a troca, isto apesar de Unai Emery estar a realizar um trabalho com conquistas importantes. Vou até mais longe, não vejo Unai Emery a ser campeão por nenhum clube em Portugal.

Empréstimo obrigacionista
Para lá do facto de o montante ter aumentado - o que de certa forma é "obrigatório" por força dos juros pagos - não há aqui nada de novo. Trata-se daquilo que o jargão economês chama "debt revolving", que mais não é que destinado a pagar o dinheiro recebido no empréstimo anterior. Nem os anteriores rasgar de vestes pela "dependência da banca" apesar de continuarem os sempiternos "BCP" e um remanescente do "BES", desta feita o BESI, com o outrora tido como o "grande inimigo do Sporting" José Maria Ricciardi à cabeça. Diversificação de parceiros ou investidores nada. Novo, novo, só um grande silêncio à volta desta operação.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Entre as promessas da direcção e as promessas do treinador

De vez em quando é importante fazer uma pequena revisitação ao passado, especialmente quando as  épocas caminham para o seu final. Essa é talvez a melhor forma de percebermos o que foi feito das promessas feitas e também o que aconteceu com as nossas próprias expectativas. Foi isso que fiz hoje é dessa retrospectiva que nasce o artigo de hoje.

As promessas da direcção
A nove de Abril do ano passado Bruno de Carvalho prometia, à saída de um jantar com o "grupo parlamentar Sportinguista", "mexidas cirúrgicas para a próxima época". Um tema amplamente debatido já por ocasião da primeira época ao comando dos destinos do clube e que se tem mantido entre os assuntos mais polémicos. 

Ora a promessa de "mexidas cirúrgicas" saldou-se pela aquisição de André Geraldes, Nabby Sarr, Paulo Oliveira, Rábia, Jonathan Silva, Orioll Rosel, Ryan Gauld, Slavchev, Sacko e Tanaka, num total de dez jogadores. A estes somou-se uma única incorporação de um jogador oriundo da formação, João Mário. Tobias Figueiredo é chamado já numa segunda fase, para cobrir a saída de Maurício para Itália. Nani é de outro campeonato e por isso tem parágrafo à parte.

A ideia mais comum de "mexidas cirúrgicas" acabou suplantada por uma abundante intervenção.  Porém, os resultados desta enxertia de novos órgãos estiveram longe de serem felizes, sendo notória a existência de um número muito razoável de rejeições ou nulo aproveitamento. 

Vejamos: se a Gauld ninguém negará o talento, pode-se colocar a utilidade da sua contratação para um plantel onde já havia Medeiros e num clube que tem que administrar o dinheiro ao cêntimo. Mas, enfim, jogadores de talento têm sempre lugar e não podem ser considerados inutilidades ou muito menos maus investimentos. Sobre Nabby Sarr não escrevo nem mais uma linha, o presente faz-me a justiça necessária aos comentários aqui deixados sobre a opinião emitida oportunamente. Ao central francês podemos juntar Rábia, Slavchev Sacko, que desperdiçaram todas as oportunidades concedidas para justificar a preferência. Geraldes não se percebe e o exotismo de Tanaka não se traduz na qualidade que é exigível. 

Mas mais importante do que fazer a demonstração do acerto de um juízo emitido oportunamente, é verificar que, para um grande número de jogadores chegados o ano passado, já cá havia jogadores melhor habilitados para o desempenho das mesmas funções. A comparações foram feitas já várias vezes ao longo da época, pelo que é fastidioso repeti-las: (André Geraldes/Esgaio/Cédric/Miguel Lopes - Sarr, Rabia/Tobias, Semedo, Reis - Slavchev/Wallyson, Sacko/Chaby, Podence, Martins, só para falar nos mais óbvios).

Paradoxalmente a direcção haveria de realizar de forma surpreendente aquilo que se pode considerar uma cirurgia de elevado acerto: Nani. O que é difícil de perceber aqui é o critério. Obviamente que não temos possibilidade de contratar jogadores de valia semelhante para a defesa, meio-campo e ataque. Mas parece acima de discussão que o critério que prevaleceu foi a da quantidade e não o da qualidade. Acontece que a segunda é indispensável para cumprir as promessas de "lutar pelo título" de podermos partir da tão famigerada "pole position". Quer uma quer outra estiveram sempre muito longe de poder suceder.

As promessas de Marco Silva
No dia da sua apresentação Marco Silva proferiu uma afirmação que subentendia uma ideia base para o futebol que queria que a equipa praticasse:


Não deixando de ser uma ideia genérica, também não deixava de ser apelativa, antes pelo contrário. Porém, a sua colocação em prática sofreu vários engulhos, o que redundou em perda de pontos numa fase muito precoce da prova. Cedo se conseguiu vislumbrar que as dificuldades pela frente iam ser muitas e disse-o aqui ao fim de quatro jornadas:

No que diz respeito ao trabalho especifico do treinador pode-se considerar como atenuante o facto de, pelo menos em hipótese, não estarem ainda devidamente interiorizadas as ideias preconizadas. No entanto, sem desculpas, a falha principal residiu sobretudo no equilíbrio. 

Geralmente a equipa, nos jogos domésticos, foi quase sempre ambiciosa, procurou dominar os jogos em posse e de tendência atacante. No entanto, aponto três falhas cruciais que contribuíram para resultados comprometedores:

1- Sobretudo nas primeiras jornadas vimos uma equipa a subir no terreno, procurando pressionar alto  e reduzir os espaços, sem contudo conseguir controlar o espaço sobrante nas suas costas. Tal falha deveu-se em grande parte à (i) qualidade dos intervenientes (Maurício e Sarr, sobretudo), sobretudo à deficiente leitura de jogo que lhes permitisse antecipar os movimentos dos adversários. Mas também (ii) às suas características, que os deixava em desvantagem em relação aos adversários mais velozes.  Um treinador tem de perceber as limitações dos seus jogadores, de forma a, ao invés de as expor, lhes potenciar as qualidades.

Essa proposta parece ter sido progressivamente abandonada por Marco Silva, sendo notório nos últimos jogos uma linha mais descida. Esta mudança, conjugada com o facto de qualquer um dos defesas centrais actuais serem melhores do ponto de vista técnico, contribuiu para estabilizar o sector. Valha a verdade que ter que jogar com oito duplas de centrais diferentes deve ter constituído um sério obstáculo à consolidação de processos.

2- Várias foram as vezes em que a equipa ficava desequilibrada e não sabia responder de forma adequada ao momento da perda da posse de bola. É verdade que o recomeço de William chegou a ser penoso, registando erros comprometedores e pouco habituais nele. A isto somaria muitos erros de Adrien em posse e de posicionamento. Aqui convém salientar que, com Marco Silva, a sua área de intervenção se alargou, o que não estou certo que esteja de acordo com o que o jogador pode dar. 

3- Várias vezes se falou na falta de jogo interior. Neste aspecto há que conceder que nenhuma equipa em Portugal tem o seu jogo atacante tão bem estruturado e é tão eficaz como o SLB. Por exemplo, quem tiver presente o primeiro golo deles no último jogo (Gil Vicente) percebe o que tento dizer. É nesse sentido que deveria crescer o nosso processo ofensivo, e isso depende muito do trabalho do treinador, da operacionalização do treino mas também muito da qualidade e talento individual dos jogadores. Ambas as condicionantes deveriam crescer para o Sporting poder estar à altura das suas ambições.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O jogo em Setúbal foi um aviso premonitório ou mero acidente de percurso?

Como dizia ontem, o jogo de Setúbal foi tudo menos brilhante. Este veio-se juntar a outros jogos menos conseguidos. Inevitavelmente o foco das atenções volta-se novamente para Marco Silva, o responsável técnico da equipa. Há quem peça a cabeça do treinador por razões meramente politicas - o que deixou de ser novidade em determinados sectores desde Dezembro - ou porque acham que o seu papel esgotou no que ao crescimento da equipa diz respeito.

A questão é importante, sendo claro, neste momento, que a equipa se afastou do melhor futebol que já praticou na época que ainda decorre. Da análise das causas desse afastamento, especialmente da que for feita por quem tem a capacidade de decidir, será definida a continuidade ou extinção da ligação do treinador ao clube. Atendendo à importância do cargo será uma das decisões sobre as quais se construirá grande parte da sorte da próxima época.

A primeira pergunta que me parece importante colocar é que importância atribuir ao jogo de ontem em Setúbal, no contexto da época e no que foram jogos com equipas de valor e registo futebolístico semelhante. Se atendermos às melhores exibições da época, pode-se dizer já que há uma matriz:

- quase todas se registaram com adversários de grande valor (Shalke, Wolfsburgo, FCP, SLB), registando-se maiores dificuldades em fazer valer uma hipotética superioridade com equipas mais pequenas, incluindo com o Maribor, na Liga dos Campeões. 

Daí que não me pareça ser precipitado concluir que o jogo com o Setúbal se veio juntar a tantos outros desta época, não havendo grande novidade por esse lado.

Onde estamos a falhar então?

- na escolha do adequado modelo de jogo para superar as dificuldades especificas que este tipo de adversários coloca?

- na incapacidade dos jogadores se auto-motivarem para estes jogos, especialmente agora que a equipa tem os horizontes praticamente limitados ao lugar onde se encontra?

Não tendo uma capacidades adivinhatórias, prefiro esperar mais algum tempo para emitir uma opinião sustentada sobre o trabalho de Marco Silva. Neste momento é óbvio que existe uma pressão mediática sobre o seu trabalho, cujas razões são diversas e conhecidas de todos. Dai que prefiro  aduzir a esta discussão aquilo que me parecem ser questões muito especificas do jogo em Setúbal e que me parecem estar a ser negligenciadas na respectiva apreciação:

- A habitual dificuldade em jogar com equipas muito reactivas e pressionantes sobre a construção do nosso jogo, especialmente quando a bola saia do central para o lateral, para o qual não me parece haver ainda uma solução alternativa válida. Essa alternativa é perfeitamente possível de ser trabalhada e construída, mas obrigará certamente a pensar se ela é possível com jogadores muito macios ao contacto e pouco talhados para sofrer à procura da bola como alguns que ontem jogaram (Rosel, João Mário, Tanaka, Carrilo e Mané) em simultâneo.

- Num plantel como o nosso não é exactamente a mesma coisa jogar com William, Nani e Slimani e substitui-los de uma assentada por Rosel, Mané e Tanaka e esperar que os respectivos efeitos não se façam sentir no jogo. As comparações são inúteis, tão notórias são as diferenças. Porém a ausência do ponta-de-lança argelino, num jogo formatado para a sua presença, foi gritante. Na brincadeira dizia eu quando o Jefferson mandou "um centro para o quintal": "olha ele está à procura do Slimani". Não é muito fácil "mudar o chip" colectivo para necessidades tão diversas como meter a bola na cabeça do Slimani ou fazê-la chegar pelo chão a Tanaka, por exemplo.

- O jogo de Setúbal não deixa porém de constituir alguns aviso que seguramente são desnecessários, tamanha é a evidência e que voltamos a repisar:

- A ausência de Nani  vai ser notada, especialmente a do melhor Nani do inicio de época, que ainda não voltamos a ver de forma consistente. A sua substituição tem tudo para ser dolorosa. Poderá ser um pouco como termos que nos habituar a andar no carro do costume depois o tio rico nos ter emprestado o Aston Martin durante um ano. Contudo fica um caminho aberto para a esperança que a solução passe por um colectivo melhor articulado e consistente e menos dependente de soluções individuais milagrosas.

- Será muito difícil manter o nível se, à saída de Nani, corresponderem também a saída de Carrillo e William.

Ainda sem conclusões definitivas, é minha convicção que esta equipa, na sua configuração actual - plantel e treinador - tem ainda por onde crescer. Esse crescimento passa em muito pelo amadurecimento que resulta da acumulação da experiência e da estabilidade. A falta traquejo nos momentos decisivos foi notória por exemplo, na tremideira da recente segunda-mão da meia final da Taça de Portugal.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Perceber a contestação a Marco Silva


A minha amiga Ana, "companheira" de inúmeras discussões blogosféricas, resumiu muito bem, num comentário na sua página do Facebook, um dos aspectos cruciais na contestação que se seguiu à derrota em Paços de Ferreira. Escusam de corrigir, há empates que sabem a derrota e o ocorrido na última jornada foi um deles. Diz então a Ana (que cito com a devida autorização): 

Há muita gente que não perdoa o facto de o Marco Silva ter ganho em popularidade quando o presidente decidiu auscultar a mesma junto dos adeptos com o triste episódio de Dezembro. Num jogo em que poderíamos ter ganho por muitos e que acabámos por empatar à custa de falhanços incríveis dos jogadores, o que leio por aí é que a culpa do desaire foi do treinador... Tirar o Slimani? Sacrilégio! O mesmo Slimani que se fartou de entregar bolas ao adversário e que o único golo que marcou até eu o conseguiria concretizar. Foi só encostar. É que nem havia hipótese para atirar à figura do guarda-redes, ao lado, à trave ou ao poste. O único destino possível da redondinha só podia ser mesmo o fundo das redes. Claro que esta gente toda sabe que se ele tivesse ficado em campo, teríamos marcado os que a equipa toda falhou durante os 75 minutos que ele esteve em campo. Cada vez menos pachorra para as discussões da bola...

Como dizia acima, este será um dos principais motivos para a contestação ao treinador: a clivagem que ficou entre os mais fervorosos apoiantes de Bruno de Carvalho e o treinador. Como dizia na altura sobre o episódio de Dezembro, aludido pela Ana, resultou claro que ficou algo por resolver. Quando assim é, o mais natural é que as respectivas consequências venham a surgir nas curvas do caminho, isto é, quando os resultados não são os esperados.

Um dos pontos mais criticados, e também muito bem desmistificado pela Ana, é a substituição de Slimani, pelo que não vou voltar aí. Fácil é também invocar o nome deste ou daquele jogador para o lugar deste ou daquele, porque um jogador que não joga “pode” ser sempre melhor dos que os que jogam, especialmente quando não se ganha. Infelizmente não há jogadores que estivessem de fora dos convocados – Adrien estava castigado – com potencial para emprestar à equipa um acréscimo exponencial de valor, como por vezes se pretende.

Quanto às substituições em geral, cuja importância, na minha opinião, é frequentemente inflacionada, raras vezes elas provocam alterações substanciais ao curso de um jogo, e muitas delas resultam do carácter aleatório do jogo do que da intervenção directa do treinador. Claro que, quando um jogador acabado de entrar marca um golo no primeiro toque que dá na bola, é fácil transformar o treinador num visionário, mas vejo isso muito mais como um acidente do que propriamente como sabedoria. Raras vezes assistimos à viragem do curso de um resultado de um jogo pela acção directa das substituições mas, quando tal acontece, não podemos falar apenas de um golo marcado ou sofrido, temos que haver muito  mais a referir do que apenas isso.


Não sou dos que acho que Marco Silva tem de estar acima de toda a critica. Aliás, de todos os treinadores que “conheço” com muito maior curriculum que o nosso actual treinador, e mesmo entre os que prefiro, não conheço nenhum que não tenha cometido erros que tenham prejudicado as equipas que dirigem ou dirigiram. Mas, com é óbvio, e como a Ana muito bem salienta, o jogo de Paços de Ferreira não deveria ser o motivo para contestar o trabalho do treinador, quando os pontos perdidos resultaram de falhas individuais de jogadores de campo, algumas delas imperdoáveis, mas fora do âmbito do trabalho de um treinador.

Que pode fazer o treinador ante falhas como as que assistimos em frente à baliza do adversário ou à displicência de João Mário no lance que resulta no golo sofrido?

Farei na altura própria o balanço do trabalho de Marco Silva. Neste interim recordo-me de várias  exibições e resultados que me surpreenderam pela qualidade como de outros onde penso que o trabalho do treinador poderia ter ajudado a conseguir melhores resultados. Peso esse misto de sentimentos com a análise do valor dos adversário que nos precedem na classificação e tendo a concluir que, mais ponto menos ponto, superá-los dependia muito do nosso mérito como do seu próprio demérito.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Uma evidência Nacional: o Sporting não está ainda preparado para vencer

Terminou ontem, com a deslocação ao Funchal, um ciclo terrível de compromissos em que, nas mais diversas competições, o Sporting viu colocada à prova o seu real valor. Não será por isso meramente casual que a estatística devolva aquele que será o pior momento da época.

Esse ciclo, que se iniciou com a recepção ao SLB a 8 de Fevereiro e que terminou ontem com o Nacional, com 7 jogos no total de 3 competições - Liga, UEFA e Taça de Portugal - compreendeu jogos de elevada dificuldade como o que o lhe deu inicio, passando pela deslocação ao Dragão, entremeado com a jornada dupla com o Wolfsburgo e recepção ao Gil Vicente. Esta seria a única vitória alcançada, a par de 4 empates e 2 derrotas, acumulando 6 golos marcados e 9 golos sofridos.

Julgo não ser difícil reconhecer que o que estes resultados dizem é que o Sporting não tem ainda arcaboiço competitivo para aguentar as exigências que as diversas provas lhe colocam. Esse assentimento requer um registo de humildade, porém essencial em todos os que querem realmente progredir. Sem a noção exacta do quanto valemos nunca perceberemos como, onde e porquê precisamos de melhorar. Essa noção tem que resultar sempre de uma comparação relativa aos que temos defrontar e superar e não meramente abstracta e eivada das habituais desculpas miserabilistas, ou referências a um passado do qual estamos muito longe de poder igualar.

Ou então, que é que parece estar em curso, é a culpabilização exclusiva de Marco Silva, com intuito óbvio de ilibar a SAD, de quem foi a responsabilidade exclusiva da sua contratação por 4 anos (!) bem como de todo o plantel. Vive-se ainda sob signo da ressaca da crise de final de ano. Marco Silva tem, como todos, as suas virtudes e defeitos. Que são potenciados, quer umas quer outras, pelos meios que tem ao seu dispor. Estes, como sabemos, não são iguais aos dos nossos rivais e são eles que na grande parte das vezes vincam as diferenças. 

Este ano seria sempre um ano difícil, depois do que sucedeu no ano passado ter devolvido uma imagem pouco realista do nosso real valor. Era evidente que tudo seria mais difícil, ao invés das facilidades que o discurso dos responsáveis nos vendeu.

Se quisermos somar aos nossos problemas a desagregação entre SAD (mais alguns dos seus mais fieis seguidores)/Clube e o treinador só estamos tornar ainda mais remotas as nossas possibilidades de êxito e a demonstrar que precisamos do essencial para vencer. E a possibilidade de êxito não é assim tão reduzida, uma vitória na Taça de Portugal interrompe um enorme deserto sem troféus. Como é evidente essa desagregação faz-se quer usando Marco Silva contra a SAD, quer pelo inverso. 

Nem Marco Silva é o "Special#" nem BdC é o João Rocha do sec. XXI", como alguns pretendem, tentando reduzir uma das mais importantes colectividades nacionais num mero clube de fans do presidente actual.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Oh pá, mete o Shikabala!

Tal como esperado, as reacções ao "espalhanço do Dragão" não se fizeram esperar. Como notas dominantes as (1)"culpas de Marco Silva" e (2)"a falta que Jefferson fez", este ou aquele (3)"erro individual",  a (4)"falta de atitude" e até a (5)"deficiente condição física" a marcarem grande parte das análises. Quanto a mim todas elas e não apenas uma concorreram para o desfecho final, uma vez que:

1- Marco Silva poderia ter sido mais feliz e até mais expedito na leitura do jogo. Demonstrou perceber o que se passou no relvado na flash interview, mas não o pareceu fazer no timming, mesmo tendo em conta as soluções que tinha à disposição, mesmo dentro das nossas limitações.

2- Não há nenhuma garantia que Jefferson fizesse muito melhor do que Jonathan, embora seja também verdade que pior seria muito difícil. Só quem não viu o jogo na Alemanha, ou esqueceu a forma como sofremos o primeiro golo, pode afirmar com "segurança" que seria melhor com ele.

3- Podemos e devemos falar de erros individuais, mas quase todos os que se registaram tiveram como base ou devem a sua existência a uma deficiente resposta colectiva versus mérito do adversário em explorar as nossas deficiências. É verdade que todos os lances de golo envolvem Jonathan e Tobias Figueiredo, em particular como deixaram exposto o espaço entre eles, e que estes quase sempre estiveram mal em vários outros lances. Mas é preciso não ignorar o mérito do adversário ao perceber que estes dois jogadores têm muito pouco tempo de jogo juntos, o que lhes limita a qualidade da resposta sempre que a exigência sobe. E que, ao  contrário do jogo de 72 horas antes - onde Jonathan já não tinha estado bem, mas Tobias sim - tiveram muito maior cooperação e acerto dos homens que os precediam no meio-campo. Há demérito nosso como é indiscutível o mérito do adversário na forma como soube "espetar o garfo" na parte mais tenrinha da nossa equipa.

4- A falta da atitude é, normalmente, a "explicação tipo", ou "pau para toda a colher" quando não se percebe que o que se passa em campo é quase sempre um jogo de equilíbrios e de interacção de vários factores determinantes tais como:  as decisões dos treinadores, dos jogadores e da diferença de qualidade individual, a que acresce o carácter aleatório do jogo e as respectivas consequências no estado de espírito versus resposta dos jogadores. Alguém duvida que a resposta da equipa seria outra caso tivéssemos sido nós a inaugurar o marcador?

5- A falta de condição física está intimamente ligada ao ponto anterior. É indesmentível que o adversário estava por cima neste factor, não jogou a meio da semana e foi rodando os jogadores. O que quanto a mim não faz sentido é invocar este parâmetro logo na análise à primeira parte. O efeito do golo foi devastador para a equipa, que deixou de responder como tal. Mas atribuir esse facto à condição física seria o mesmo que pretender que os jogadores não conseguiram mais do que meia hora de resposta, o que é um absurdo em alta competição. Contudo, não duvido que, no decorrer do jogo, este factor se tornou determinante, por se juntar à necessidade de dar resposta a um resultado adverso. Isso foi notório em alguns jogadores como Adrien e Tobias Figueiredo. O caso do defesa central foi mais notório, cometendo erros que normalmente não tem cometido. Seguramente que, com outra frescura física, responderá melhor.

Outros aspectos também apontados como tendo contribuído para a derrota:

6- Novamente o controlo da profundidade. Este é um dos aspectos que nos tem penalizado bastante este ano, mas desde a entrada de Tobias que não víamos o Patrício a ser obrigado a enfrentar o 1x1. A resposta está seguramente no treino mas também na forma como a equipa se organiza para o contrariar. Ontem houve sempre demasiado espaço e tempo para o portador da bola, com excepção ao calcanhar de génio de Jackson, que é impossível de contrariar. O facto de os golos surgirem sempre do mesmo lado também não foi casual, como tentei explicar acima. Muito dificilmente três daquelas bolas teriam entrado do lado oposto. Cédric sabe muito mais disto que Jonathan e tem mais tempo de jogo com Paulo Oliveira.


7- A falta de rotatividade é um dos erros mais apontados a Marco Silva, quanto a mim injustamente. O treinador está condicionado pelos jogadores que tem à sua disposição e pelo tempo que dispôs entre jogos. Parece-me no mínimo delirante pretender que se poderia ter substituído meia equipa no jogo anterior ou o que o fizesse no de ontem. 

Mas se o tivesse feito para quinta-feira será que a resposta da equipa teria sido a mesma? 

Será que se perdoaria ao treinador que não tivesse feito tudo para passar a eliminatória?

Esta discussão seria aceitável se a opção de rodar for feita pontualmente, por exemplo André Martins por Adrien, Mané por Carrillo ou Nani, etc. Podemos colocar a questão também relativamente a Gauld ou Wallyson, embora as suas prestações oscilantes na B devessem servir para arrefecer os ânimos. Estes apelos fazem-me lembrar os de há precisamente um ano: oh pá, mete o Schikabala! 

Onde teria feito diferente de Marco Silva seria nas substituições, que é onde me parece que o seu trabalho pode ser criticado. A perder o jogo e o respectivo controlo, tocaria a reunir atrás, sacrificando Adrien por Martins, juntando-o a João Mário, à frente de William, que estava imperial até ao golo, mas muito mal secundado. Nani e Carrilo jogariam mais próximos de Montero, juntado-se a ele na primeira reacção à perda e pressão na construção, onde estivemos irreconhecívelmente apáticos

É muito curioso, ou talvez seja apenas a mera ciclotimia que aflige o adepto comum, que em dois dias se tenha esquecido quer o trabalho de Marco Silva, quer mesmo dos jogadores, num dos melhores jogos que o Sporting fez nos últimos tempos, ainda por cima com o segundo classificado do campeonato alemão.

Não foi o jogo de quinta-feira a prova de que o Sporting não tem um ponta-de-lança à altura das suas ambições e que, com a qualidade do seu jogo e volume de oportunidades criadas, se o tivesse, estaria hoje a pensar receber o Inter na próxima eliminatória da UEFA e talvez com menos empates nos jogos da Liga doméstica?

De uma forma mais abrangente não são estes "apertos" com as diversas competições a prova de que o Sporting está ainda muito atrás dos seus adversários e rivais e muito mais perto do nível inferior dos que o seguem na classificação?

Isto não invalida considerar que a actual base de habituais titulares e suplentes mais utilizados são uma boa base de trabalho, precisando de estar devidamente acompanhados de outros de valor semelhante. Exactamente onde se começou a falhar este ano, na preparação da época, com as consequências agora mais à vista de todos. Infelizmente, para lá destes, não há muito talento e esse é que habitualmente faz a diferença. Toda a diferença. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Ecos da Assembleia Geral e o processo crime a José Eduardo


Sobre a necessidade da AG: Julgo que poucos terão dúvidas, sobretudo atendendo ao timing em que foi anunciada, que a AG se inseriu algures na tomada de decisão de despedir Marco Silva. Grande parte do interesse da reunião esfumou-se com a marcha atrás na decisão, o que acabou por fazer regressar uma certa "normalidade" ao seio do clube. A AG, que provavelmente serviria a uma espécie de teste de stress à gestão desportiva, deixou de ser necessária. 

Quanto a mim nunca o seria por este motivo, as direcções não precisam de convocar AG's sempre que tomam decisões, por mais difíceis que sejam. Salvo situações excepcionais, esse julgamento deve ser feito no final de cada ciclo directivo e não ao sabor do espírito do momento.

Sobre a relevância AG: Tendo em conta a relevância da informação prestada e das matérias tratadas ter-se-ia prestado um melhor serviço à generalidade da comunidade Sportinguista, especialmente aos que não vivem em Lisboa, efectuando a respectiva divulgação pelos canais habituais. Assim, atingir-se-ia um universo maior que os menos de um milhar que se disponibilizaram a estar presentes. 

No meu caso pessoal, que vivo longe e num fim-de-semana em que me vi fortemente condicionado por uma gripe das antigas, tive que andar a recolher informação nos mais diferentes canais, quando até o site do clube é omisso em muitos pormenores. Por exemplo os artigos noticiosos não referem a entrada de um novo investidor para a SAD, não pormenorizam a futura composição daquele organismo, não divulgam o relatório e contas consolidado relativamente ao período 2013/14. 

Saúda-se pelo menos o tom elevado em que parece ter decorrido o concilio e a satisfação expressa pelas horas de convívio e de grande fervor Sportinguista.


Pavilhão João Rocha: a grande noticia do dia, com a direcção a vincular-se à data para a sua finalização. Trata-se de um anseio antigo e a sua concretização é um reforço significativo da identidade do clube. 

As imagens divulgadas dão ideia de uma obra condigna com a imagem do clube. A lotação de três mil espectadores parece-me ser sensata, atendendo à actual realidade das modalidades e do próprio clube. O facto de a generalidade das actuais modalidades de pavilhão poderem realizar aí as suas actividades, incluindo o hóquei em patins, é uma boa decisão. O facto de se aproveitar a nova construção para se dar nova cara à Loja Verde e sobretudo ao Museu do clube também o é. 

Sobre este último devo dizer duas coisas: a sua localização é fundamental. Idealmente deveria estar colocado no cimo da escadaria que grande parte dos que procuram o Estádio de Alvalade têm que subir. Era indiscutivelmente o local ideal para a sua divulgação. E o surgimento dos seus congéneres nos nossos rivais obriga-nos a actualizar os seus conceitos base, é o senão de ser pioneiro.

Não consegui recolher a informação relativamente ao que sucederá caso parte das verbas que a SAD irá disponibilizar ao Clube, no âmbito do negócio Rojo/ManUtd, venham a ser reclamadas pela Doyen, caso esta obtenha decisão favorável.

Novo investidor mistério: Foi anunciado um novo investidor que terá já entregue à SAD uma verba de 18 milhões de euros. No entanto esta entrada de capital não foi objecto de nenhum comunicado por parte da CMVM ou do clube. O negócio parece estar abrangido por um acordo de confidencialidade, o que, à priori, atendendo à soma envolvida, torna obrigatória a divulgação do(s) titular(es). A carecer de maior esclarecimento.

Quase ninguém reparou mas, como consequência directa desta nova alienação, e somadas às já feitas anteriormente, o Sporting deve estar muito próximo de deter apenas metade (50%) da totalidade da SAD. Ainda há bem pouco tempo isto seria motivo de uma enorme discussão e troca de argumentos, isto mesmo atendendo a que estes valores podem vir a sofrer alterações com os resultados finais da reestruturação financeira.

Processo de Marco Silva a José Eduardo: A gravidade das acusações feitas por José Eduardo, e o facto de o ter feito de forma reincidente e sem retratação, não deixou outra alternativa ao treinador. Mas, mesmo reconhecendo-lhe o direito, devo dizer que, como sócio e adepto, preferia não ter que assistir a uma disputa do género. Um assunto que poderia deixar de o ser com uma boa mediação.

Note-se que, das testemunhas arroladas,- Rui Patrício (capitão do Sporting), Fernando Santos (seleccionador nacional), Joaquim Evangelista (presidente do Sindicato de Jogadores), José Pereira (presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, a ANTF), Nicolau Santos (director adjunto do Expresso), Carlos Daniel (jornalista), João Coimbra, Gonçalo Santos (ambos ex-pupilos no Estoril), Carlos Gonçalves (empresário) e Tiago Ribeiro (presidente da SAD do Estoril) - Marco Silva não nomeou ninguém da actual administração, o que não pode deixar de ser um dado importante na leitura que o treinador fez dos acontecimentos mais recentes.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O processo Marco Silva na Era Eduardiana: vencedores, perdedores e oportunidades

De forma tão inesperada como havia surgido, a crise esfumou-se com um comunicado do presidente Bruno de Carvalho. Digo inesperada porque a generalidade dos Sportinguistas não têm a sorte de receber informação privilegiada sobre o que passa nos gabinetes de Alvalade e Alcochete e não parecia haver nada que indicasse que a posição do treinador estaria em causa. As mais das vezes a informação que nos chega é para nos lembrar que, para ser um bom Sportinguista, há que pagar as quotas, muitas promoções, bem como as demais actividades do clube que, de uma forma ou de outra, acabaríamos por saber.

Sportinguista que se preze está habituado a viver e sobreviver às crises. Esta, além do carácter inesperado acima aludido, teve um tempero especial patrocinado pelo consócio José Eduardo. Quem pensava já ter visto de tudo no Sporting com esta não contava seguramente. Estava inaugurada a "Era Eduardiana" no Sporting, com contornos tão únicos que alguns deles ainda esperam por melhor compreensão.

Esta "Era Eduardiana", trouxe consigo um processo de despedimento de Marco Silva que figurará junto dos piores exemplos do género, só sendo compreendidas as suas razões por quem o iniciou e pelos seus fiéis seguidores. Pior ainda foram os métodos empregues: o lançamento da noticia para testar sensibilidades, seguido de um número de ventriloquia, com vários bonecos em simultâneo, quer nos órgãos de comunicação social, quer nas redes sociais, encarregues da nobre missão de nos revelar a verdade sobre o carácter de Marco Silva, um "diabo entre nós".

É também a era do julgamento permanente do Sportinguismo em função do seu comprometimento com a ordem estabelecida e da negação do direito a outra verdade que não a que é emanada superiormente, geralmente exercida de forma rude e até mesmo grosseira. Onde é que eu já vi isto?

O aparente fim da crise chegaria com o comunicado do presidente, o que veio provar que tinham razão todos aqueles -  a maioria - que pediam um pronunciamento de Bruno de Carvalho. Tendo durado tempo demais, mais valeu ter chegado ao fim tarde do que nunca, pois nada do que se passou em Alvalade teria sido como foi se o silêncio tivesse continuado. 

Digo o fim aparente porque o cumprimento que selaria as tréguas deixa várias leituras, está muito longe de ser tranquilizador, deixando, isso sim, que há ainda por ali muito mato por desbravar. Para lá da interpretação dos sinais, é fácil constatar que as acusações dirigidas a Marco Silva foram demasiado graves para não ter aberto feridas que possam sarar no imediato. Saúda-se para já, e também pela aparência, que pelo menos tenha sido encontrada uma plataforma de entendimento, que evite um desfecho que prejudicaria todos os envolvidos, em especial o clube.

Quem ganhou com este episódio?
Os principais vencedores foram indiscutivelmente os  meios de comunicação social que, num período habitualmente de seca noticiosa como é o Natal, viram o Sporting oferecer-lhes uma suculenta consoada e ainda os presenteou com uma prenda como esta no sapatinho. 

Não posso deixar de considerar que a generalidade dos adeptos do Sporting registaram uma vitória por, ao manifestarem-se de todas as formas que lhes foi possível, acabarem por não apenas defender o que lhes parecia serem os melhores interesses do clube neste momento, como por prestar uma preciosa ajuda a Bruno de Carvalho ao fazê-lo recuar nas suas intenções. É inevitável o paralelismo com a situação vivida com Domingos Paciência e que acabou por marcar o principio do fim de Godinho Lopes. 

Ninguém sabe o que sucederia, mas vejo como muito difícil o sucesso de uma chicotada psicológica nesta altura. Não apenas porque parece evidente que os jogadores confiam no treinador - o que tem sido crucial para que a crise não se reflicta nos resultados - mas também porque há um largo espectro de opinião favorável ao trabalho de Marco Silva que não se centra apenas nos resultados - que no campeonato poderiam ser melhores - mas também nas condições que lhe foram disponibilizadas, nomeadamente o plantel posto à sua disposição. O que me parece estar a ser percepcionado aqui é que o treinador não é o problema, e pode vir a ser parte de uma solução que represente momentos mais felizes a curto/médio prazo.

Há quem aponte Marco Silva como vencedor, a mim parece-me apenas que o é a prazo e em circunstâncias muito especiais. Terá reforçado a sua imagem como líder de um grupo de trabalho, as suas qualidades técnicas continuam por beliscar. Mas estas pequenas vitórias podem ser também o seu maior problema, porque Bruno de Carvalho e os seus mais acérrimos apoiantes não parecem lidar muito bem com mais do que um protagonista. Se os resultados são sempre fundamentais para aferir o trabalho de um treinador, o caminho de Marco Silva de agora em diante será ainda mais estreito, porque terá sempre uma matilha aos calcanhares a cada empate ou derrota. Se assim for será lamentável especialmente para Bruno de Carvalho, porque teria mais a ganhar com um treinador com personalidade, que o confronte com outras opiniões e visão própria, do que com mais um a engrossar o séquito do "sim, senhor presidente".

Ganhou também com este episódio aqueles que perfilham a patética teoria, que já vi várias vezes defendida, de que tudo não passa de uma cabala dos órgãos de comunicação social, e/ou que isto foi uma estratégia adoptada por Bruno de Carvalho para desmascarar os infiltrados, etc, etc. É impossível derrotar este tipo de argumentação porque encontra sempre uma justificação para tudo e para o seu contrário.

Quem perdeu?
Perdeu o Sporting ao ver-se envolvido num processo manhoso, de contornos e protagonistas de filme de quinta categoria. Entre esses contam-se os Eduardos. O Barroso e o José. Para quem tanto apregoava a mudança, este processo figurará como uma nódoa que nos reporta ao pior do que vimos na chamada "Era Roquetista".

É difícil para mim dizer que José Eduardo perdeu porque isso seria considerar que ele teria algo para perder. Não deixo contudo de registar o vexame de, provavelmente, ter sido o primeiro homem a ter que ouvir o que o machismo mais exacerbado tornou célebre: o teu lugar é na cozinha! Mas é óbvio para todos que o que José Eduardo queria conseguiu e isso não era o melhor para o Sporting, mas sim para os seus interesses particulares.

Perdeu obviamente Bruno de Carvalho. Se a sua intenção era, como ficou evidente, despedir o treinador, tomava a decisão e vivia com as consequências. Ao deixar de forma voluntária ou por inacção que o processo lhe saísse das mãos e fosse conduzido por segundas figuras, deu uma fraca imagem de liderança, dando razão aos que desconfiavam dele, aos que não gostavam e alienando e/ou deixando desconfiados os mais moderados. 

Como é óbvio todos temos direito ao erro, incluindo Bruno de Carvalho. Este seria mais facilmente esquecido se o presidente se tivesse demarcado das afirmações de José Eduardo. Ao não o fazer, deixa que a dúvida sobre este processo permaneça e que mais tarde ou mais cedo volte para o assombrar, como sempre o fazem os fantasmas que deixamos debaixo da cama ou o lixo que se esconde sob os tapetes. E claro, gostaria que um presidente do Sporting tivesse melhor conselheiro.

Está ainda registado na memória de todos a ferocidade com que o presidente defendeu o grupo de trabalho perante a mera opinião de Manuel Fernandes, sendo por isso mais difícil de entender que não só não se afaste das imputações graves de José Eduardo, como não desminta quer a sua autoproclamada condição de "ideólogo", "autorizado" ou "mandatado". É que sem o fazer José Eduardo falava por ele. Sem o desmentir fica a dúvida se Bruno de Carvalho recuou porque se sentiu obrigado pelos adeptos, percebendo que a decisão de despedir lhe era desfavorável ao seu projecto pessoal, ou se o fez por convicção de estar a tomar a melhor decisão para o clube.

Nestes âmbito puxo para aqui parte do post do Rui Monteiro, da Insustentável Leveza de Liedson, e que me parece resumir muito bem o que todos esperamos:

Necessitamos de normalidade, de viver habitualmente. Não necessitamos de estar sempre a questionar-nos. Não gosto da palavra estabilidade, mas, se tiver que ser, que seja a estabilidade. Mas que não haja equívocos: o principal responsável pela estabilidade, ou pela falta dela, é sempre a Presidência do Sporting; pelo que faz e diz e, sobretudo, pelos resultados que obtém. Não é desta Presidência em particular. É uma responsabilidade de todas.

Oportunidades
Julgo que a maioria dos Sportinguistas "condenam" Bruno de Carvalho e Marco Silva ao entendimento. A um relacionamento profissional adulto, porque ambos têm tudo a ganhar com esse entendimento. E se eles ganharem ganhamos todos, ganha o Sporting. Apesar das perspectivas no campeonato não serem as melhores, há ainda muito para conquistar e sobretudo permitir o crescimento sustentado do clube, de forma que no próximo ano estejamos mais próximos do Sporting que todos desejamos.

Sporting Clube de Portugal

Sporting Clube de Portugal

Prémios

Sporting 160 - Podcast

Os mais lidos no último mês

Blog Roll

Leitores em linha


Seguidores

Número de visitas

Free HTML Counters

Ultimos comentários

Blog Archive

Temas

"a gaiola da luz" (1) 10A (1) 111 anos (1) 113 anos (1) 1ª volta Liga Zon/Sagres 10/11 (3) 2010-2011 (1) 2016 (1) 8 (4) AAS (7) ABC (3) Abrantes Mendes (3) Academia (17) Académica-SCP (1) Acuña (1) adeptos (98) Adrien (19) AdT (1) adversários (85) AFLisboa (2) AG (23) AG destitutiva (4) AG15/12 (2) AG2906 (2) Alan Ruiz (2) Alcochete 2018 (4) Alexander Ellis (1) alma leonina (60) ambição (10) andebol (38) André Geraldes (3) André Marques (2) André Martins (6) André Pinto (1) André Santos (5) anestesia (3) angulo (5) aniversário "A Norte" (3) Aniversário SCP (5) antevisão (41) APAF (13) aplausos ao ruben porquê? (2) Aquilani (1) aquisições (85) aquisições 2013/14 (16) aquisições 2014/15 (18) aquisições 2015/16 (17) aquisições 2016/17 (10) aquisições 2017/18 (6) arbitragem (96) Associação de Basquetebol (7) ataque (1) Atitude (9) Atletico Madrid (1) Atlético Madrid (1) atletismo (7) auditoria (5) auditoria2019 (1) autismo (1) AVB és um palhaço (1) aventureiro (1) Bacelar Gouveia (2) Balakov (1) balanço (5) Baldé (4) balneário (3) banca (2) Barcos (3) Bas Dost (8) basquetebol (2) Bastidores (72) Batota (20) Battaglia (1) Beira-Mar (2) Belenenses (4) Benfica (1) BES (1) bilhetes (2) binários (1) blogosfera (1) Boal (1) Boateng (1) Boeck (2) Bojinov (7) Bolsa (2) Borja (1) Borússia Dortmund (1) Boulahrouz (2) Brasil (1) Braz da Silva (8) Brondby (4) Bruma (18) Brunismo (1) Bruno Carvalho (109) Bruno César (3) Bruno de Carvalho (14) Bruno Fernandes (8) Bruno Martins (20) Bryan Ruiz (5) Bubakar (1) BwinCup (1) cadeiras verdes (1) Cadete (1) Caicedo (5) calendário (2) Câmara Municipal de Lisboa (3) Campbell (2) Campeões (2) campeonato nacional (21) campeonatos europeus atletismo (3) Cândido de Oliveira (1) Caneira (2) Cape Town Cup (3) Capel (4) carlos barbosa (4) Carlos Barbosa da Cruz (2) Carlos Carvalhal (5) Carlos Freitas (7) Carlos Padrão (1) Carlos Severino (4) Carlos Vieira (1) Carriço (6) Carrillo (10) Carrilo (3) carvalhal (30) Caso Cardinal (1) Casos (6) castigo máximo (1) CD Liga (3) Cedric (7) Cervi (3) CFDIndependente (1) Champions League 2014/15 (9) Champions League 2015/16 (5) Chapecoense (1) CHEGA (1) Ciani (1) Ciclismo (3) CL 14/15 (2) Claques (10) clássico 19/20 (1) clássicos (9) Coates (4) Coentrão (1) Coerência (1) colónia (1) comissões (2) competência (2) comunicação (69) Comunicação Social (22) Consciência (1) Conselho Leonino (2) contratações (6) COP (1) Coreia do Norte (1) Corradi (1) corrupção no futebol português (2) Cosme Damião (1) Costa do Marfim (3) Costinha (45) Couceiro (13) crápulas (1) credores (1) crise 2012/13 (21) Crise 2014/15 (2) crise 2018 (38) Cristiano Ronaldo (1) cronica (3) crónica (15) cultura (4) curva Sporting (1) Damas (3) Daniel Sampaio (3) Dar Futuro ao Sporting (1) debate (5) defesa dos interesses do SCP (7) Del Horno (1) delegações (1) depressão (1) Derby (44) Derby 2016/17 (1) Derby 2018/19 (2) derlei (1) Desespero (1) Despedida (2) despertar (3) dia do leão (1) Dias da Cunha (1) Dias Ferreira (6) Diogo Salomão (4) director desportivo (18) director geral (5) direitos televisivos (4) Dirigentes (29) disciplina (6) dispensas (22) dispensas 2015/16 (1) dispensas 2016/17 (2) dispensas 2017/18 (1) djaló (10) Domingos (29) Doumbia (3) Doyen (4) Duarte Gomes (2) e-toupeira (1) Ecletismo (66) Eduardo Barroso (6) Eduardo Sá Ferreira (2) eleições (20) eleições2011 (56) eleições2013 (26) eleições2017 (9) eleições2018 (6) Elias (5) eliminação (1) empresários (11) empréstimo obrigacionista (5) entrevistas (65) Épico (1) época 09/10 (51) época 10/11 (28) época 11/12 (8) época 12/13 (11) época 13/14 (4) época 14/15 (8) época 15/16 (5) época 16/17 (7) época 17/18 (1) época 18/19 (2) época 19/20 (1) EquipaB (18) equipamentos (12) Eric Dier (8) Esperança (4) estabilidade (1) Estádio José de Alvalade (4) Estado da Nação (1) estatutos (8) Estórias do futebol português (4) estratégia desportiva (104) Estrutura (1) etoupeira (1) Euro2012 (6) Euro2016 (1) Europeu2012 (1) eusébio (2) Evaldo (3) Ewerton (4) exigência (2) expectativas (1) expulsão de GL (1) factos (1) Fafe (1) Fair-play (1) farto de Paulo Bento (5) fcp (12) FCPorto (10) Feirense (1) Fernando Fernandes (1) FIFA (2) Figuras (1) filiais (1) final (1) final four (1) finalização (1) Finanças (29) fiorentina (1) Football Leaks (2) Formação (93) FPF (14) Francis Obikwelu (1) Francisco Geraldes (2) Frio (1) fundação aragão pinto (3) Fundação Sporting (1) fundos (14) futebol (9) futebol feminino (4) futebol formação (2) futebol internacional (1) Futre (1) Futre és um palhaço (4) futsal (28) futsal 10/11 (1) futuro (10) gabriel almeida (1) Gala Honoris Sporting (3) galeria de imortais (30) Gamebox (3) Gauld (5) Gelson (4) Gent (1) geração academia (1) Gestão despotiva (2) gestores de topo (10) Gilberto Borges (4) GL (2) glória (5) glorias (4) Godinho Lopes (27) Gomes Pereira (1) Governo Sombra (1) Gralha (1) Gratidão (1) Grimi (4) Grupo (1) Guerra Civil (2) guimarães (1) Guy Roux (1) Hacking (1) Heerenveen (3) Hildebrand (1) História (18) Holdimo (1) homenagem (5) Hóquei em Patins (10) Hugo Malcato (113) Hugo Viana (2) Humor (1) i (1) Identidade (11) Idolos (3) idzabela (4) II aniversário (1) Ilori (4) imagem (1) imprensa (12) Inácio (6) incompetência (7) Insua (2) internacionais (2) inverno (2) investidores (3) Iordanov (6) Irene Palma (1) Iuri Medeiros (1) Izmailov (26) Jaime Marta Soares (6) Jamor (3) Janeiro (1) Jardel (2) jaula (3) JEB (44) JEB demite-se (5) JEB és uma vergonha (5) JEB rua (1) JEBardadas (3) JEBardice (2) Jefferson (3) Jeffren (5) Jesualdo Ferreira (14) JJ (1) JL (3) Joana Ramos (1) João Benedito (2) João Mário (6) João Morais (5) João Pereira (6) João Pina (3) João Rocha (3) Joaquim Agostinho (2) joelneto (2) Jogo de Apresentação (1) Jordão (1) Jorge Jesus (47) Jorge Mendes (3) jornada 5 (1) José Alvalade (1) José Cardinal (2) José Couceiro (1) José Eduardo Bettencourt (33) José Travassos (1) Jovane (1) JPDB (1) Jubas (1) Judas (1) judo (6) Juniores (7) JVL (105) Keizer (12) kickboxing (1) Kwidzyn (1) Labyad (7) Lazio (1) LC (1) Leão de Alvalade (496) Leão Transmontano (62) Leonardo Jardim (11) Liderança (1) Liedson (28) Liga 14/15 (35) Liga de Clubes (14) liga dos campeões (12) Liga dos Campeões 2016/17 (11) Liga dos Campeões 2017/18 (8) Liga dos Campeões Futsal 2018/19 (2) Liga Europa (33) Liga Europa 11/12 (33) Liga Europa 12/13 (9) Liga Europa 13/14 (1) Liga Europa 14/15 (1) Liga Europa 15/16 (11) Liga Europa 17/18 (1) Liga Europa 18/19 (5) Liga Europa 19/20 (3) Liga Europa10/11 (16) Liga NOS 15/16 (30) Liga NOS 16/17 (22) Liga NOS 17/18 (20) Liga NOS 18/19 (15) Liga NOS 19/20 (10) Liga Sagres (30) Liga Zon/Sagres 10/11 (37) Liga Zon/Sagres 11/12 (38) Liga Zon/Sagres 12/13 (28) Liga Zon/Sagres 13/14 (24) Lille (1) LMGM (68) losango (1) Lourenço (1) low cost (1) Luis Aguiar (2) Luis Duque (9) Luís Martins (1) Luiz Phellype (2) Madeira SAD (4) Malcolm Allison (1) Mandela (2) Mané (3) Maniche (4) Manifesto (3) Manolo Vidal (2) Manuel Fernandes (7) Marca (1) Marcelo Boeck (1) Marco Silva (27) Maritimo (2) Marítimo (3) Markovic (1) Matheus Oliveira (1) Matheus Pereira (3) Mati (1) matías fernandez (8) Matias Perez (1) Mauricio (3) Meli (1) Memória (10) mentiras (1) mercado (43) Meszaros (1) Miguel Cal (1) Miguel Lopes (1) Miguel Maia (1) miséria de dirigentes (2) mística (3) Modalidades (30) modelo (3) modlidades (2) Moniz Pereira (7) Montero (8) Moutinho (3) Mundial2010 (9) Mundial2014 (3) Mundo Sporting (1) Nacional (1) Naide Gomes (2) Naldo (3) naming (2) Nani (6) Natal (4) Naval (3) Navegadores (3) negócios lesa-SCP (2) NextGen Series (3) Noite Europeia (1) nonsense (23) Nordsjaelland (1) NOS (2) Notas de Imprensa (1) notáveis (1) nucleos (1) Núcleos (9) Nuno André Coelho (2) Nuno Dias (5) Nuno Saraiva (4) Nuno Valente (1) o (1) O FIM (1) O Roquetismo (8) Oceano (1) Octávio (1) Olhanense (1) Olivedesportos (1) Onyewu (7) onze ideal (1) opinião (6) oportunistas (1) orçamento (4) orçamento clube 15/16 (1) orçamento clube 19/20 (1) organização (1) orgulho leonino (17) Oriol Rosell (3) paineleiros (15) Paiva dos Santos (2) paixão (3) papagaios (8) pára-quedista (1) parceria (2) pascoa 2010 (1) pasquins (7) Patrícia Morais (1) património (2) patrocínios (6) Paulinho (1) paulo bento (19) Paulo Faria (1) Paulo Oliveira (3) Paulo Sérgio (43) paulocristovão (1) Pavilhão (12) pedrada (1) Pedro Baltazar (8) Pedro Barbosa (5) Pedro Madeira Rodrigues (4) Pedro Mendes (4) Pedro Silva (2) Pereirinha (6) Peseiro (6) Peyroteo (3) Piccini (1) Pini Zahavi (2) Pinto Souto (1) plantel (31) plantel 17/18 (3) Plata (1) play-off (2) play-off Liga dos Campeões 17/18 (5) PMAG (4) Podence (1) Polga (5) Pongolle (5) Pontos de vista (15) por amor à camisola (3) Portimonense (1) post conjunto (5) Postiga (7) PPC (7) Pranjic (2) pré-época (2) pré-época 10/11 (7) pré-época 11/12 (43) pré-época 12/13 (16) pré-época 13/14 (16) pré-época 14/15 (22) pré-época 15/16 (20) pré-época 16/17 (12) pré-época 17/18 (9) pré-época 18/19 (1) pré-época 19/20 (7) prémio (1) prémios stromp (1) presidência (2) presidente (5) Projecto BdC (1) projecto Roquette (2) promessas (3) prospecção (2) Providência Cautelar. Impugnação (1) PS (1) Quo vadis Sporting? (1) Rabiu Ibrahim (2) Rafael Leão (1) râguebi (1) raiva (1) RD Slovan (1) reacção (1) redes sociais (1) Reestruturação financeira (18) reflexãoleonina (21) reforços (15) regras (4) regulamentos (1) Relatório e Contas (12) relva (10) relvado sintético (4) remunerações (1) Renato Neto (3) Renato Sanches (1) rescisões (3) respeito (7) resultados (1) revisão estatutária (7) Ribas (2) Ribeiro Telles (4) Ricardo Peres (1) Ricciardi (3) ridiculo (1) ridículo (2) Rinaudo (8) Rio Ave (2) Rita Figueira (1) rivais (6) Rodriguez (2) Rojo (4) Ronaldo (12) rtp (1) Ruben Amorim (1) Rúben Amorim (1) Ruben Ribeiro (1) Rúbio (4) Rui Patricio (18) Rui Patrício (4) Sá Pinto (31) SAD (27) Salema (1) Sarr (4) Schelotto (2) Schmeichel (2) scouting (1) SCP (64) Segurança (1) Selecção Nacional (38) seleccionador nacional (5) Semedo (1) SerSporting (1) sessões de esclarecimento (1) Shikabala (2) Silas (6) Silly Season2017/18 (2) Símbolos Leoninos (3) Sinama Pongolle (1) Sistema (4) site do SCP (3) SJPF (1) Slavchev (1) slb (22) Slimani (11) slolb (1) Soares Franco (1) sócios (19) Sócrates (1) Solar do Norte (14) Sondagens (1) sorteio (3) Sousa Cintra (4) Sp. Braga (2) Sp. Horta (1) Spalvis (2) Sporar (1) Sporting (2) Sporting Clube de Paris (1) Sporting160 (3) Sportinguismo (2) sportinguistas notáveis (2) SportTv (1) Stijn Schaars (4) Stojkovic (3) Summit (1) Sunil Chhetri (1) Supertaça (4) Supertaça 19/20 (1) sustentabilidade financeira (46) Taça CERS (1) Taça Challenge (5) taça da liga (11) Taça da Liga 10/11 (7) Taça da Liga 11/12 (3) Taça da Liga 13/14 (3) Taça da Liga 14/15 (2) Taça da Liga 15/16 (4) Taça da Liga 16/17 (1) Taça da Liga 17/18 (3) Taça da Liga 18/19 (1) Taça da Liga 19/20 (1) Taça das Taças (1) Taça de Honra (1) Taça de Liga 13/14 (3) Taça de Portugal (12) Taça de Portugal 10/11 (3) Taça de Portugal 10/11 Futsal (1) Taça de Portugal 11/12 (12) Taça de Portugal 13/14 (3) Taça de Portugal 14/15 (8) Taça de Portugal 15/16 (4) Taça de Portugal 16/17 (4) Taça de Portugal 17/18 (6) Taça de Portugal 18/19 (3) táctica (1) Tales (2) Tanaka (1) Ténis de Mesa (2) Teo Gutierrez (5) Tertúlia Leonina (3) Tiago (3) Tiago Fernandes (1) Tio Patinhas (4) Tonel (2) Torneio Guadiana 13/14 (1) Torneio New York Challenge (4) Torsiglieri (4) Tottenham (1) trabalho (1) transferências (5) transmissões (1) treinador (94) treino (5) treinos em Alvalade (1) triplete (1) troféu 5 violinos (5) TV Sporting (5) Twente (2) Tziu (1) uefa futsal cup (4) Uvini (1) Valdés. (3) Valores (14) VAR (2) Varandas (17) Veloso (5) vendas (8) vendas 2013/14 (2) vendas 2014/15 (1) vendas 2016/17 (5) vendas 2017/18 (1) Ventspils (2) Vercauteren (5) Vergonha (7) video-arbitro (7) Vietto (2) Villas Boas (8) Viola (1) Virgílio (100) Virgílio1 (1) Vitor Golas (1) Vitor Pereira (6) Vitória (1) VMOC (7) voleibol (2) Vox Pop (2) VSC (3) Vukcevic (10) WAG´s (1) William Carvalho (13) Wilson Eduardo (2) Wolfswinkel (12) Wrestling (1) Xandão (4) Xistra (3) Zapater (2) Zeegelaar (2) Zezinho (1)