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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A súbita orfandade do Roquetismo

Roquetismo é uma palavra que veio para ficar ainda por muitos anos no Sporting e adquiriu um carácter depreciativo que hoje é usado para classificar uma era de irresponsabilidade e que nos trouxe onde estamos que Rui Santos explica no seu artigo de ontem, quando diz, entre outras coisas: Comeram a carne ao Sporting, deixaram-no exaurido e exangue, sem património, sem referências, sem liderança, sem programa, sem objectivos, à custa da mentira (como disse Costinha, entre outras verdades) e de soluções palacianas, apenas válidas entre aqueles que querem o protagonismo sem escrutínio e sem crítica.

Mas de repente, assim que a maré virou, assistimos a uma súbita orfandade do que se designa de "roquetismo", ficando apenas aqueles que, pela sua exposição mediática, não se conseguem livrar da pele que vestiram. Não falta quem agora, depois de anos a fio a suportarem dirigentes e corpos sociais com o seu voto, com o seu autismo ou com a sua abstenção e alheamento, se retire de mansinho e assobiar para o ar como se não fosse nada com eles, e ainda têm o descaramento de renegar o que andaram a defender. Com a agravante de muitos, nesse trajecto, não terem hesitado em colocar em causa o Sportinguismo de muitos que se foram levantando e chamando à atenção. O roquetismo não foi apenas constituído por uma classe de dirigentes mas por uma imensa legião de adeptos.

Para bem do Sporting e para a pacificação que se deseja é bom que percebamos que todos somos precisos, que se acabe definitivamente com a análise perigosa sobre a eugenia dos Sportinguistas em função da sua opinião. Mas é também importante que não se reescreva subitamente a história, esquecendo o contributo que cada um deu para chegarmos onde chegamos. Não para fomentar purgas ou revanchismos mas para que a memória nos lembre os sítios onde não queremos voltar.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O fim de uma era, ou quantas vidas tem o roquetismo?

José Eduardo Bettencourt bateu com a porta, mas, para os interesses do clube, já o fez com mais de um ano de atraso. Como presidente aquilo que de melhor se pode dizer, e que caracteriza de forma sintética a sua passagem pela cadeira presidencial, é que foi sempre de menos. Quase sempre, e na maior parte das circunstâncias, sempre que a sua acção era necessária, JEB deixava evidente não estar preparado para a função. O que, como a história certamente lembrará, constituirá uma das maiores desilusões do universo Sportinguista: ao acabar de ser eleito todos pensavam estarem reunidas as condições para um nova e mais estável etapa no Sporting, esperança que o presidente demissionário não foi capaz de justificar.

Bettencourt sai tão mal como entrou, prestando um mau serviço ao clube. Não o podia fazer sem desminar o campo a quem o substituirá, mesmo que interinamente. É inqualificável que bata com a porta deixando no cargo um treinador incompetente e um director desportivo que nunca esteve à altura do cargo. Foi na escolha de ambos que começou o principio do fim de José Eduardo Bettencourt. E eles sabem-o. Vendo partir JEB e permanecendo no cargo que ocupam, diz muito do seu carácter. Todos sabemos do que estão à espera , Paulo Sérgio (quem o conheceu em Guimarães certamente não está nada surpreendido nem com o seu falhanço desportivo nem com o seu carácter) e sus muchachos em particular: de alguém que assine o cheque.
Aguardemos pelas cenas dos próximos capítulos se ontem foi o principio do fim de uma era ou se à retirada de cena de Bettencourt se seguirá mais alguma movimentação estratégica no sentido de assegurar a continuidade da dinastia.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

2001-2010: a história de uma viagem de montanha russa

Estamos em 2001. O Sporting vive ainda sob duplo efeito da conquista do mais ansiado titulo da sua história e a constatação que a sua renovação era impossível. O técnico campeão já havia sido despedido, Mourinho, então um treinador sem outro feito de relevância que não ter-nos goleado poucos dias antes, entra  e sai deixando menos vestígios que as traduções feitas para Bobby Robson anos antes. O Sporting começava a primeira década do actual século no mesmo estilo em que sempre viveu as 2 anteriores: em convulsão, sem uma estratégia desportiva definida, sem medidas sustentadas. Luís Duque, que de uma penada havia contratado Carlos Freitas e este um cabaz de Natal de luxo – André Cruz, Prates, Mpenza - acabaria por sair também no final da temporada. Esta não acabaria sem que Manuel Fernandes, de passagem pelo lugar de técnico principal, trouxesse uma Supertaça numa finalíssima disputada em Coimbra. Acosta, que abandonaria no final da época, despedia-se da mesma forma como sempre esteve no clube: discreto mas eficaz. Os dois golos marcados nos 3 jogos seriam da sua autoria.

Chegamos ao mais esplendoroso verão da década. Se havia petróleo em Alvalade não se sabe, mas o Sporting parecia determinado a voltar a ter as cinco quinas estampadas nas suas camisolas.  Carlos Freitas realiza o negócio do século: a troco de largos milhões, troca Jardel  pelos apagados Horvath, Spehar e Mpenza, junta-lhe o promissor Niculae,  que se vêm juntar a internacionais como Pedro Barbosa, Paulo Bento, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Rui Bento, Dimas, Sá Pinto e João Pinto. Comandados por Lazslo Boloni, desconhecido treinador mas fabuloso 10 do não menos fabuloso Steua, que em Sevilla havia roubado de forma quase literal a Taça dos Campeões ao Barça. Boloni demorou a  afinar a estratégia e sobretudo a perceber que Jardel valia muito mais que a sua barriga de parturiente faria supor. Depois de desperdiçarmos os 3 pontos de uma surpreendente vitória nas Antas, tendo caído para um incrível 15º lugar após 4 jornadas, dobramos o meio campeonato na frente, pela primeira vez em muitos anos. Essa seria a posição final, parecendo que se cumpria o fabuloso destino que Roquete apontava poucos anos antes: ser campeão pelo menos 3 vezes em 5 anos. Faltava apenas um.

Andávamos entretidos a festejar a dobradinha, alcançada frente a um surpreendente Leixões de Carvalhal, pelo que ninguém percebeu os sinais de decadência de Jardel e  que este seria o título mais caro da nossa história. Apesar de Boloni ter lançado jovens talentosos como Quaresma e Viana, eram Pedro Barbosa, Paulo Bento, Prates, André Cruz, Dimas, João Pinto, Phill Bab e Jardel que  pressionavam perigosamente a tesouraria. O desequilíbrio entre entre o valor desportivo e o valor de mercado do plantel, apesar de evidente, passou despercebido. A precisar de receitas para manter o nível, o Sporting seria obrigado a vender os seus produtos da formação quase ainda em fraldas - Viana sai para o Newcastle - inaugurando uma tendência que fez escola e ainda hoje se mantém: comprar caro com pouco proveito e fazer depressa para vender como pode ainda mais rápido. Os jogadores consagrados acima citados haveriam de sair ou terminar a sua carreira sem proporcionar receitas equivalentes que sustentassem a sua substituição.

3 factores se  haveriam de conjugar maquiavelicamente para fechar um ciclo virtuoso que o Sporting não voltaria a fazer replicar. O tristemente célebre episódio da saída de Jardel marcaria o destino da época seguinte. Debilitado, o Sporting não teve argumentos para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões, perdendo com o Inter. Boloni arrastou-se sem chama até final de contrato. Sairia como o melhor técnico da década, ganhando todos os troféus nacionais que disputou.O Sporting entraria numa letargia que só foi interrompida a meio do decénio. Nesse entretanto há 3 momentos a merecer destaque: a chegada de Liedson, a partida de João Pinto e a inauguração do Estádio de Alvalade XXI.

Apesar de não escapar a alguma controvérsia, ninguém regateará a Liedson um lugar na história do Sporting. Quem acompanha o "ANorte" saberá que não é "o meu jogador", reconhecendo-lhe porém a importância que lhe é devida.

João Pinto é o meu eleito como o melhor jogador da década. Profissional enorme, com uma atitude e aplicação inexcedível e com uma característica que distingue os grandes jogadores dos outros: o seu inegável talento sempre ao dispor da equipa. Talvez lhe tenha faltado a afirmação internacional, que podia ter logrado com os seus companheiros de geração quando, no Europeu de Inglaterra, se encontravam no zénite das suas carreiras. Desse tempo apenas o talento de Figo lhe poderá fazer sombra.

A 6 de Agosto de 2003 o Sporting inaugura sua nova casa. A milhares de quilómetros de casa, recolhido no meu quarto, chorei como uma criança ao som da música de Enio Morricone na voz de Dulce Pontes. Inebriado pela melodia, num misto de incredulidade e esperança cria que estava dado o último passo para a entrada numa era de modernidade e afirmação do clube. Como eu, certamente muitos Sportinguistas. Era ainda cedo para perceber todos os "ses" e "mas" em que assentou o projecto imobiliário que conduziu à demolição do velho Alvalade e  à construção do majestoso edifício Alvalade XXI. Hoje serão poucos os que conseguirão negar que a ideia que lhe esteve subjacente fracassou em quase toda a linha.

Ao contrário do projecto do anterior estádio, da autoria gratuita do Arq. Anselmo Fernandes, Sportinguista, o projecto do novo estádio foi entregue sem qualquer critério a um Arq. sobejamente controverso. Os azulejos exteriores estão longe de ser um exemplo de bom gosto. O fosso, as cadeiras e os problemas recorrentes no relvado são um atestado de incompetência ao projectista e um exemplo de demissão de responsabilidades a quem tinha por obrigação de olhar para o projecto e sua execução como quem olha para a sua própria casa. Do tal espaço alternativo para os nossos familiares que não gostam de futebol pouco mais se vislumbra do que os cinemas, sendo um embaraço para proprietários e uma vergonha para nós. O pavilhão encolheu, de pouco servindo. Na verdade o estádio que hoje julgamos como nosso, já não nos pertence na totalidade. Fracções como a Clinica Cuf e Holmes Place foram alienadas bem como o edificio Visconde de Alvalade. O Sporting, de proprietário passou a inquilino.E, para ficarmos com pouco mais do que as bancadas, acumulamos um passivo que nos espartilha, não sem antes termos alienado paulatinamente a totalidade do património imobiliário, fazendo-o em baixa num momento alto do mercado. São muitas as sombras de dúvida senão na legalidade pelo menos na ética como alguns negócios foram conduzidos. Os terrenos comprados pela MDC são a melhor ilustração deste facto. A casa que construímos para as próximas 5 décadas é também hoje um monumento à irresponsabilidade que enegrecerá a memória de todos nós junto das gerações vindouras.

Chegamos já a 2004/05.  Para trás ficam 2 anos de total esterilidade sob o comando de Fernando Santos. O nome de Peseiro surpreenderia, tal como a época que acabaria por realizar. Foi a melhor colheita da década no que à qualidade do futebol diz respeito. As semanas que antecederam o final temporada deitariam a perder uma época que poderia ter sido memorável. E apesar de a lembrança ser amarga não pode ser esquecida a final europeia alcançada. As meias- finais com o AZ-Alkmar são um momento inesquecível, bem como algumas das eliminatórias que as antecederam. O golo de Miguel Garcia na voz Jorge Perestrello ficarão para todo o sempre. Peseiro sairia pouco depois da época seguinte se iniciar.

O final da época ficaria também assinalado pela despedida de Pedro Barbosa. Se considero João Pinto o melhor jogador, o ex-capitão é o mais importante. Está presente em todas as conquistas alcançadas neste período. Jogador de enorme talento mas limitado pela inconstância. Tão genial como desesperante.

Seria o seu amigo Paulo Bento que marcaria a última metade do decénio. Contratado como treinador, chegando ao lugar principal depois de ter alcançado um título no último escalão da formação, foi muito mais que apenas isso. Por isso qualquer balanço que se faça da sua passagem estará longe de gerar consenso. É o segundo treinador com mais tempo de clube, embora já poucos sejam os restem que tenham testemunhado quem o suplanta. Marcou uma época, e, tendo deixado 2 Taças de Portugal e 2 Supertaças no museu, não logrou ser campeão. Um bocado à imagem da década em análise, Paulo Bento entrou em alta e saiu em baixa. Com a diferença de 2 temporadas o Sporting haveria de, na estreia de PB na Champions, bater o pé ao Bayern de Munique para ser 2 anos depois goleado de forma diluviana. 

À saída de Paulo Bento corresponde também o desmoronar de toda a estrutura do futebol, com a retirada de Miguel Ribeiro Telles, cuja importância estará muito para lá do que a sua circunspecta actuação deixa perceber. Na sua última entrevista, após o abandono, MRT avisa que "O Sporting ou aumenta as receitas ou tem de ter um investidor". E explica que "quando foi campeão (2001/02) tinha custos próximos dos seus opositores mas não conseguiu aumentar as receitas. E indica a filosofia seguida "O Sporting excede em pouco os 50% dos custos salariais face às receitas, a UEFA pretende que não ultrapasse os 60% por cento. É possível chegar ao titulo com esta filosofia." As saídas dos dirigentes juntamente com os treinadores já não era uma estreia. Dias da Cunha abandonou com Peseiro, Bettencourt só não o fez com PB porque não conseguiria explicar porque o faria, quando acabava de ser eleito com 90% dos votos. Esta lógica invertida leva a pensar quem no Sporting suporta quem.

Não é este o post indicado para abordar a história recente do dirigismo leonino. Mas uma análise da última década ficaria incompleta sem lembrar a profusão de gestores profissionais que passaram pelo Sporting sem deixar marcas mais visíveis do que as indemnizações a que tiveram direito, sem o apuramento de responsabilidades da sua acção directa. Rui Meireles é talvez o caso mais mediatizado, mas está longe de ter sido o único.

As eleições que conduziram o actual presidente ao cargo pareciam ter inaugurado um período de estabilidade e paz interna. A votação maciça em Bettencourt e a declaração do candidato vencido assim o faziam supor. A história é ainda recente pelo que, sendo uma tarefa dolorosa, me vou abster de enunciar os passos que nos conduziram a um estádio vazio, a 2 anos consecutivos de rotundos falhanços no futebol, que, por ter o peso que tem, nos arrastam para um dos piores momentos que a memória é capaz de  proporcionar. Vivemos o segundo maior jejum da nossa história, mas, ao contrário do primeiro, somos muito poucos os que se interessam. E isso sim, é o sinal mais preocupante e ao mesmo tempo desafiador para o decénio que agora começa.

Não posso terminar sem lembrar que um clube que conseguiu formar, no tempo em apreço, um lote invejável de jogadores como Quaresma, Carlos Martins, Ronaldo, João Moutinho, Hugo Viana, Miguel Veloso, Varela, Patricio, Nani, Carriço, Djaló não devia ter sobre o seu futuro uma enorme interrogação. Precisamos de perceber como chegamos até aqui para não voltar a repetir os erros que acumulamos. É necessário realismo para compreender que o Sporting não poderá continuar muito mais tempo na situação em que se encontra sem colocar em causa o estatuto que ainda detém, nem poderá, de um dia para outro refazer-se dos sucessivos erros cometidos. Mas é vital que se interrompa o plano inclinado em que nos encontramos para que a esperança de dias melhores volte a mobilizar os Sportinguistas. Neles começa e acaba o Sporting.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Quinze meses em quinze anos

"É preciso levantar a cabeça..."



No seguimento dos excelentes e certeiros post’s dos meus colegas LdA e LT, que uma vez mais me obrigaram a reflectir sobre a nossa actual situação, a questão que coloco neste momento é: mas será que não chegam quinze meses de um total, incessante e inesgotável absurdo aos comandos do destino deste clube? É necessário mais tempo, exactamente para quê? Certificar se, realmente, os próximos quinze meses serão ligeiramente ‘melhorzinhos’, contando com a mudança da variável SORTE, ou confirmar a continuidade da vertiginosa queda? Sim, leram bem, queda, porque mesmo no fundo de um poço (para utilizar uma imagem actualmente em voga), ainda resta muito para onde descer…

Momentos como o vivido actualmente no Sporting ocorreram com tanta frequência nos últimos anos que é difícil dizer que este é o pior.

“Pior do que isto parece-nos difícil, mas a verdade é que continuamos a escorregar para o fosso a cada dia que passa.”


O título deste post refere-se a quinze meses. Mas é só por uma questão estilística, pretende-se fazer a concordância dos anos de “roquetismo” com os meses do mais enervante “palermismo”, aproveitando a coincidência do número. Na realidade, o actual estado do SCP conta com dez anos de participação (e de incompetência) do actual presidente do CD e SAD leoninas! D E Z! A N O S! Uma década. Como foi (é) possível isto, num clube que se quer (manter) grande?

Não, não está na hora. Estamos muito atrasados. Mas como vale mais tarde do que nunca e os abundantes elastimáveis factos estão aí, à vista desarmada, haja a suficiente coragem para colocar em prática ‘a’ decisão. E ‘a’ decisão só pode ser uma: cortar o mal pela raiz. Acabar de vez com este mal que nos atingiu e que apesar de multifacetado, tem origem comum, sendo o mal-branco, sem dúvida, a sua versão mais perturbadora...

Termino já com duas breves notas. Acreditem que é com mágoa que escrevo isto, com o coração apertado e num intenso conflito interno: entre aquilo que mais desejo (estar enganado) e aquilo que a razão me dita ao observar a realidade. Não será, certamente, a ultima vez que analiso a actual liderança do nosso SCP. Mas, independentemente do que a sucessão dos acontecimentos ditar, será a ultima vez que a manifesto. A minha opinião está formada. Muito dificilmente mudará. Mesmo desejando que se altere, não acredito que tal aconteça.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Este é o clube que queremos

Ontem o Hugo formulava retoricamente a pergunta de quem era a culpa do actual estado do Sporting Clube de Portugal. Obviamente que a culpa é nossa, como ele muito bem respondeu na altura. E por nossa entendo os sócios, os adeptos e sobretudo os dirigentes.

Dos sócios, por que sufragam sucessivas direcções em quem confiam cegamente, abstendo-se de acompanhar os respectivos exercícios com sentido critico, escolhendo a via mais fácil que é: “aqui tens o meu voto, faz favor de não aborreceres com relatórios de contas, AG´s e outras maçadas”. No fundo os sócios têm baseado as suas escolhas na confiança que lhes merece o curriculum vitae dos seus dirigentes, que, por norma nos últimos anos, são nomes distintos e distinguidos nas suas categorias profissionais.

Acontece que aqui há desde logo um equívoco. O clube que os elege tem regras de gestão muito diferentes das empresas onde se distinguiram. É que o Sporting Clube de Portugal é uma associação que tem uma grande empresa (Sporting SAD) e não o contrário. Nas empresas de onde são oriundos fazem uma gestão de proximidade e quando subdelegam competências e ou responsabilidades, delegam-nas em pessoas da sua confiança e com aptidões profissionais sujeitas a rigorosa análise, e em competição com diversos candidatos. No Sporting esse rigor tem ficado à porta de entrada, com as competências a serem delegadas em pessoas que ninguém conhece ou reconhece pela habilitação para o cargo. E como não são eleitas, sobrevivem entre os pingos da chuva, o mesmo é dizer entre as mudanças provocadas pelos resultados eleitorais sem que o seu trabalho seja avaliado. E ao que parece nem a preferência clubista tem servido de critério de admissão. É também verdade que nos últimos anos não tem havido alternativa eleitoral, ou quando ela existiu os sócios preferiram a continuidade.

Dos adeptos, porque acham que merecem um clube melhor, mais competitivo no futebol, a ganhar nas modalidades, tendo atletas olímpicos medalhados, mas encontram sempre uma desculpa para não fazerem a mudança por dentro. Porque não percebem que para sermos melhores também é preciso sermos maiores, isto é aglutinarmo-nos, criar massa crítica.

Mas quem tem um peso decisivo por acção e também por omissão são os dirigentes. Mais do que os sócios e adeptos é acção deles que conta. E é por isso que o estado actual do clube é um manifesto da incompetência da sua gestão e acima de tudo da deslealdade para com os que neles depositaram confiança. E essa inépcia pode ser comprovada em números, sem ter que saber de contabilidade ou analisar fastidiosos relatórios. Basta olhar para as bancadas de Alvalade, para a falta de troféus nas modalidades, para a falta de uma equipa competitiva na modalidade mais representativa. Se há algum sucesso digno de realce nas sucessivas direcções dos últimos anos ele é terem-nos feito falar de passivos, deficit´s e balanços em vez de títulos e de vitórias.

Este é afinal o clube que temos querido e é também o que temos merecido. Quando quisermos realmente algo melhor e maior saberemos como o fazer. Mas quando mais tarde nos decidirmos, mais difícil será de conseguir.

PS: Já depois de editar este artigo, fui apanhado de surpresa pela noticia de que JEB havia tocado a antecipação do jogo da Taça da Liga a troco de 30% da capacidade do estádio de Alvalade. Não pode ser verdade, claro.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Os avalistas


Qualquer Sportinguista que tropece hoje na 1ª de “O Jogo” não pode deixar de se sentir incomodado. Desta vez não por se tratar da habitual falta de rigor, muito comum na comunicação social, especialmente quando as noticias envolvem directa ou indirectamente o nosso clube. Mas por nos obrigar a reflectir sobre o prestigio e relevância do nosso clube. Não no nosso coração, onde ocupa o 1º e único lugar, mas no contexto desportivo nacional. E essa reflexão é útil e necessária uma vez que, sem percebermos o nosso trajecto, de onde saímos e como estamos, muito difícil será projectar o futuro que desejamos.

Para os que se lembram de um Sporting pujante, dominador em diversas modalidades, mesmo quando o futebol fraquejava, e olha hoje para o Sporting, não pode deixar de questionar se o que temos andado a fazer não é uma traição ao espírito que norteou a criação do nosso clube, e às várias gerações, que do nada, conseguiram fazer do Sporting um dos maiores clubes da Europa e uma referência desportiva universal. E se apontamos o dedo acusador aos que no têm representado, não podemos ignorar que somos nós, os Sportinguistas, por actos e por omissão, os avalistas das suas prestações.

Não pretendo, com isto desviar as atenções do jogo de logo. Ou muito menos aprofundar o já de si profundo desgosto a que nos remeteu a equipa de futebol. Antes sim para nos obrigar a pensar que dantes havia outros motivos para nos regozijarmos, sendo eles hoje tão escassos. A situação actual não é uma fatalidade. Quanto mais depressa o percebemos, mais depressa dela sairemos. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

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