Sobre a entrevista de Bruno de Carvalho à SportTv
Pode-se dizer que a entrevista de Bruno de Carvalho ontem à SportTv marca o instante mais alto do seu mandato e vem complementar o momento favorável no seio e em torno do clube.
A reestruturação financeira está em curso, foi feita uma redução drástica nos custos de pessoal na SAD, os dossiers mais complicados, que poderiam ter chamuscado o presidente, acabaram por significar importantes vitórias e a equipa principal continua a dar boa conta de si, com muitos jogadores da casa. O até agora melhor marcador do campeonato custou menos que o ordenado anual de muitos outros jogadores dos rivais de sempre, a equipa tem o melhor ataque e a segunda melhor defesa e segue invicta após quatro jornadas. O Sporting mantém-se nas primeiras páginas dos jornais mas, desta feita, pelos melhores motivos e o clube é referido com respeito por parte dos comentadores desportivos. Não estranha por isso que a entrevista tenha decorrido num tom de "one man show", com o atónito locutor da estação televisiva a ser goleado pela argumentação do presidente.
De todos os assuntos abordados durante a entrevista retiro 5 notas pessoais:
A polémica com Paiva dos Santos
Na véspera da entrevista o quase candidato Paiva dos Santos havia acusado Bruno de Carvalho de ter ficado com os louros da reestruturação financeira sob o argumento de que
"A reestruturação financeira não é mérito de Bruno de Carvalho, mas de
uma equipa liderada por Guilherme Pinheiro, da KPMG (empresa de
consultoria e auditoria), que a estava a preparar a convite de Godinho
Lopes [ex-presidente] e que agora passou a administrador da SAD com
Bruno de Carvalho"
Paiva dos Santos argumenta, de forma que me parece razoável que:
"Como é que alguém, três meses depois de assumir funções, sem ter, pelo que diz, nenhuma
informação, a não ser uns meros papéis, pode perceber a realidade do
clube, preparar um plano de reestruturação financeira e negociar com a
Banca, por melhor gestor que seja?"
Na sequência dessas afirmações Bruno de Carvalho desafiou Paiva dos Santos a fazer estas afirmações nas AG´s, de SAD e clube, onde me parecem também ser os locais adequados para o fazer, sem com isso querer limitar a liberdade de expressão de qualquer sócio. Liberdade que Bruno de Carvalho usou sempre que bem entendeu.
Neste caso parece que ambos se esqueceram do essencial. Quem tornou possível a reestruturação financeira foram os Sportinguistas. Os que a propuseram e os que a votaram. Sem uns nem outros ela ficaria por fazer.
As relações com a Holdimo
Apesar de Bruno de Carvalho apresentar a empresa como "novo investidor", o que não é de todo correcto, há uma mudança no âmbito da parceria. O Sporting deixa de entregar partes dos passes dos jogadores (julgo que por troca por acções) e a empresa alarga o leque da parceria/apoio ao clube: em troca da publicidade gerada nas novas instalações, suporta os encargos da execução de um novo estádio em Alcochete, com dimensões adequadas para os jogos das equipas de formação. (A equipa B deve ser vista como tal). A mesma empresa apoiará também o atletismo, com uma verba a rondar os 250 mil euros. Sem dúvida uma excelente noticia, a que não será alheio, como vincado por BdC, o facto de Álvaro Sobrinho ser um de nós, Sportinguista doente.
Manuel Fernandes
Não gostei da forma como Manuel Fernandes foi tratado por muitos Sportinguistas na sequência da revelação da sua versão dos factos que levaram à sua saída do Sporting. Não gostei da forma que BdC escolheu para lidar com o assunto, sabendo ele melhor do que ninguém porque razão Manuel Fernandes tinha dois contratos. Manuel Fernandes merece muito mais do que isto.
A recepção no Dragão
Talvez não tenha sido bem entendido por todos mas a questão é bem colocada: disputamos os mesmos objectivos, queremos as mesmas coisas, por isso somos rivais. Essa rivalidade deve ser contida nos termos considerados normais num campo de futebol, não se tratou de um apelo à violência.
A promessa da estadia de 5 anos de Freddy Montero
Se ele continuar a marcar golos desta forma não vejo como a possa levar a cabo. Nem ele nem ninguém, a menos que se conjuguem, de forma inédita, uma série de factores.

