Os candidatos e proto-candidatos até agora conhecidos
Falta ainda mais de um mês para as eleições mas continuam a existir movimentações quer dos candidatos já conhecidos, quer de outros que não o chegaram a ser, apesar das intenções. É o caso de Mário Patrício, que acabou por não assumir candidatura segundo o próprio porque "
não foi possível chegar a uma plataforma de entendimento para que essa alternativa conjunta fosse uma realidade".
Sem dúvida que Mário Patrício representava um nome forte, uma vez que, além de uma exposição mediática maior que Pedro Madeira Rodrigues (PMR), tem um conhecimento aprofundado do clube, resultante do facto de ter sido dirigente durante vários mandatos. A possibilidade de chegar com apoios de peso, como o nome João Rocha faria dele um poderoso "challenger" de Bruno de Carvalho.
Falta ainda saber se Pedro Madeira Rodrigues conseguirá ultrapassar o semi-anonimato de onde quer sair até à presidência do clube. Afigura-se muito difícil de alcançar, a menos que algo mude drasticamente. Talvez tenha sido também para contrariar essa condição que PMR
arriscou tudo na questão "Jorge Jesus". Por isso mas sobretudo por uma
questão de principio.
Foi a decisão de Jorge Jesus em tomar partido a favor do seu opositor
que o deixou sem alternativa. Ao apoiar o seu opositor JJ declarou com
quem gostaria de trabalhar, invertendo assim a ordem natural das coisas:
quem escolhe os funcionário é o presidente e não o contrário. Se PMR
assobiasse para o lado, como provavelmente até lhe seria conveniente,
ficaria com a sua autoridade minada caso viesse a ser eleito.
Jorge Jesus é o mestre da táctica mas não o é na ética. Se a ideia era
desmentir os rumores de afastamento entre o treinador e o presidente, em
função dos maus resultados, haveria formas mais "saudáveis" de o fazer.
A questão essencial aqui é que JJ declarou não o apoio ao presidente
mas a um candidato. Não me parece que os funcionários do clube o devam
fazer de forma pública. Para os que acham que isto não interessa nada
sabemos bem o que diriam se JJ declarasse o seu apoio a PMR.
Mais ou menos conhecido, o que ninguém deveria poder por em causa era a sua qualidade de Sportinguista pelos anos de sócio que leva, a que acresce ainda o reconhecimento de um prémio Stromp. Mas infelizmente, nesta estranha doença contagiosa que vai afectando o clube, quem não se arroja à passagem de Bruno de Carvalho é croquete. Quem se lhe opõe, como é o caso de PMR, acumula essa "virtude" com a de lampião. Muitos dos que assim se comportam podiam pedir-lhe emprestados uns anos de sócio e vinculação ao clube para ganharem um pouco mais de autoridade. Já credibilidade estamos conversados.
As estratégias
São já perceptíveis as estratégias de ambas as campanhas. Bruno de Carvalho sente que não tem a sua posição em causa e por isso só falará "quando for preciso" e aqui pode sempre fazê-lo na pele de presidente ou de candidato. O low-profile adoptado assim o indica. PMR tem-se desdobrado em entrevistas, certamente para contrariar o semi-anomimato de que falava acima. Mas terá que o fazer melhor na postura mediática em frente às câmaras de televisão mas sobretudo de ser melhor aconselhado. Um candidato a presidente não se deixa apanhar numa armadilha tão básica como debater com alguém que acumula as funções de melífluo homem de recados com a de fornecedor de refeições e toalhas quentes.
Programas
Se alguma característica que aproxima os candidatos é a natureza superficial dos programas a par de muitas medidas incumpríveis tão comuns neste tipo de documentos. Por exemplo, alguém acredita que as VMOC's sejam pagas nos próximos quatro anos? E porquê um centro de estágios a norte ou um clube parceiro na mesma região? Um velódromo, a sério? E que melhorias no atendimento serão feitas que não fossem precisas há tanto tempo, incluindo os últimos quatro anos?
Ainda assim esta é também uma boa oportunidade para discutir matérias com interesse para o clube.
O naming do estádio e do pavilhão?
Para quando o voto eletrónico?
Faz sentido uma rádio do clube?
O jornal deveria ser gratuito para os sócios e em que formatos se justifica?
Os concertos deveriam voltar a Alvalade?