É já uma imagem de marca do nosso presidente a sua admiração pelo modelo do FCP. A incredulidade dos Sportinguistas é natural. A ideia é tão estapafúrdia como um pai anunciar à família que tutela que, para resolver os seus problemas, esta deve passar a comportar-se como o seu vizinho que enriqueceu sem olhar a meios. E que nesse processo não se coibiu de o ridicularizar ou até de assaltar o seu próprio quintal.
Se JEB quer copiar o modelo presidencialista seguido pelo seu homólogo azul-e-branco, não se pode esquecer que este se legitimou à custa de muitas vitórias, mesmo que inserida numa lógica de ganhar a qualquer preço. Para se alcandorar a esse estatuto JEB tem muita côdea dura para roer e tem que demonstrar, antes de mais, que tem dentes para o efeito. Se JEB quer um modelo presidencialista para poder mandar, isto é, para poder tomar decisões, porque não começa por tomar uma que seja, ao invés de desbaratar a sua autoridade cada vez que faz uma declaração?
E porque não começar já hoje? Se algum mérito pode ser reconhecido à gestão que tem merecido tantos elogios de JEB, o de defender os seus de forma intransigente é um deles. O Record achincalha hoje, de uma forma sem precedentes, um treinador de um clube grande. Nem nos tempos de Cantatore, Vital, Flores, Del Neri ou Couceiro vimos algo semelhante. JEB tem aqui uma boa oportunidade de marcar a sua posição como presidente, tomando a defesa de um alto funcionário do clube. Mesmo que Carvalhal tenha sido apenas uma manobra de diversão para desviar as atenções das suas próprias responsabilidades, impõe-se uma posição de repúdio do clube e até do grupo de trabalho.
É que eu não teria escolhido Carvalhal para substituir Paulo Bento. Não que a sua preparação ou C.V. não o colocasse pelo menos em pé de igualdade, mas porque a sua trajectória recente retirava-lhe a força necessária para o lugar. É que eu também não gosto de algumas opções de CC e suas consequências. Não gosto, p.ex., que CC não perceba que a dupla Liedson/Saleiro não funciona, que a diferença entre André Marques e Grimi são 4,5 milhões de euros e o futuro que se perde em cada jogo do argentino. Não gosto da troca de Adrien pelo futebol “mangas de alpaca” de Pedro Mendes, de passes lateralizados e sem qualquer risco. Mas JEB escolheu CC e cabe-lhe agora defendê-lo. Não de lágrima no olho, em qualquer conferência de imprensa, e também não me parece que seja boa política voltar a apanhar um avião para o Brasil.
Deixar CC à mercê destes “tarefeiros” que lhe fazem a cama é também não querer ganhar. Um treinador despromovido a bode expiatório de culpas próprias e alheias é um treinador menos capaz de vencer. E não me peçam a mim para não acreditar que não é possível ganhar um jogo antes de o disputar. Ainda tenho muita daquela crença, ou “estupidez natural” se quiserem, que era apanágio dos Sportinguistas, que era a de acreditar que a vitória é sempre possível. E de aqui até ao final da época ainda há muitos jogos para ganhar. A começar pelo de quinta-feira. E o que se segue. Essa é a forma de honrar a camisola do Sporting e essa a forma de reconstruir uma mística de vitórias.
Se JEB e a direcção a que preside mantiverem o silêncio perante esta vergonha, sou levado a concluir que ele suspira por PB não para serem os 2 a darem o peito às balas (presume-se pelo Sporting...) mas sim porque quer alguém que o faça por ele.