SC Braga 2 - Sporting 3: o trovão ecoou 3 vezes na pedreira
O contraste tremendo entre o jogo na Pedreira deste ano e aquele que se assistiu na época passada é um resumo ilustrado do fracasso a que se resumirá a presente época. Enquanto a viagem do ano transacto ainda foi efectuada sob o signo da esperança e da qualidade do futebol produzido, a deste ano acontece de bornal vazio e sem outro objectivo que não seja honrar o emblema. E é com uma dose muito razoável de frustração que se constata que bastaria ter conservado os três pontos dos jogos em casa com Guimarães e Benfica para podermos estar ainda na corrida por um pouco mais do que ir deixando a época acabar.
Mas ainda que seja penoso fazer a crónica, há alguns aspectos que merecem destaque. Uns de carácter positivo, outros de sinal negativo e que, de certa forma contribuíram para o desfecho da época.
De sinal negativo a forma como continuamos a sofrer golos. Uma permissividade defensiva que se instalou desde o inicio da época e que se arrastamos até ao seu final. Algo a que não estávamos habituados com JJ e que ele não conseguiu resolver. Permissividade que foi responsável em grande parte pela falta de confiança da equipa, que a impediu de estar num plano mais elevado.
A forma fácil e sem reacções ou respostas adequadas às circunstâncias dos dois golos sofridos ontem estão ai para o ilustrar. O preocupante aqui é que não se trata de um problema meramente individual mas de natureza colectiva. JJ reconheceu isso no final do jogo, vamos ver que respostas ou soluções vai encontrar. A ser verdade que as defesas ganham campeonatos, como se costuma dizer, talvez seja a sua principal tarefa ou dor de cabeça.
De sinal positivo, a capacidade de reacção da equipa, apesar da menor importância do resultado para a nossa classificação final. Um bom sinal. De igual modo a capacidade goleadora de Bas Dost. Mantê-lo para o ano e integrado numa equipa mais consistente é crucial para as nossas ambições. Porém tal não deverá anular a ideia de que a dependência é excessiva e, a manter-se, pode ser um ponto de fragilidade. Uma preocupação que aumenta com o deserto de alternativas que se perfilam à sua volta.
Igualmente negativa deve ser considerada a lesão de Alan Ruiz, como terá que ser sempre a de qualquer jogaodor. Mas não se pode ignorar o contraste provocado pela velocidade de execução, qualidade de movimentações, do reportório de soluções e pelo sobressalto permanente que representou a entrada de Podence.
Tendo em conta o sucedido ao argentino, parecer-me-ia cruel a utilização do aforismo "há males que vêm por bem". Ficar-me ia pela comparação com o carros: estamos sempre satisfeitos com o nosso até darmos conta que podíamos ter algo melhor. E no caso, calcule-se, até já estava na garagem e é mais barato...
