Entradas e saídas: a porta vai começar a girar
A porta giratória em Alvalade começará em breve a funcionar, registando entradas e saídas. Hoje debruço-me sobre 3 nomes que estão na actualidade.
Couceiro – Como adepto estou-lhe grato por ter assumido, contra vontade e contra os seus interesses pessoais, a missão impossível de treinar uma equipa em frangalhos, quer do ponto de vista técnico-táctico quer anímico. Com um contrato de director-geral de 3 anos na mão podia ter-se mantido no conforto do seu gabinete. Não seria porém apenas pelo espírito de missão demonstrado que encaro hoje como acertada a decisão de o manter no clube e na posição de director geral. A sua actuação no caso Izmailov prova a sua utilidade e aptidão para as funções. Vejo o lugar de director geral do futebol como ligação entre departamento de formação e o futebol sénior, superintendendo e gerindo com uma visão mais abrangente do que a pressão do sucesso imediato coloca no patamar superior, estando acima da perspectiva imediatista do treinador, salvaguardando o futuro. E também fazendo a ponte entre os dirigentes eleitos que entram e saem. O Sporting precisa de continuidade no que diz respeito a boas decisões, não pode estar exposto a mudanças contínuas, ao sabor de quem ocupa episodicamente as cadeiras. Couceiro parece-me com perfil e capacidade para a função.
Vukcevic – Já quase tudo foi dito sobre o jogador. Diz-se hoje que a sua continuidade está dependente de Domingos. Não sei o que o treinador pensa sobre o montenegrino. Conhecendo o trajecto de ambos não creio que seja um jogador para durar muito nas opções do futuro treinador, caso mantenha a postura que o tem caracterizado. Domingos não lhe perdoaria o egoísmo, a ausência de compromisso com o colectivo, nem a falta de inteligência a decidir. Quem vê o Braga jogar percebe que um dos seus maiores trunfos é precisamente a forma como os jogadores se preocupam em executar com rigor as funções que o treinador lhes pede e que isso em nada colide com a sua valorização individual. Vuk não parece ser capaz de perceber essa vantagem. Duvido que fique.
Pongole – É dado como pretendido por Jesualdo. Seria um favor que o ex-treinador portista faria a Jorge Mendes e a nós. Mas só o consideraria por uma verba a rondar os 5 milhões. Apesar de parecer ter entrado numa espiral descendente desde o momento em que assinou pelo clube, creio que não terá desaprendido. Falta saber se tem ambição para retomar a sua carreira no lugar onde a deixou ou se quer apenas acabá-la engordando a conta bancária. Se a ambição estiver intacta ainda podia ser um jogador útil, quem sabe fazer no Sporting o que o Mateus fazia com Domingos em Braga e que foi tão importante, em particular na Liga dos Campeões.
Nota – O caso da Controlinveste, que abalou nas últimas horas o nosso vizinho SLB, é a evidência daquilo que há muito aqui afirmamos: a gestão da relação entre clubes e adeptos não é um negócio, pelo que não pode ser oferecido em outsorcing. Quem já teve necessidade de falar com o clube e teve no meio a empresa de Oliveira - o atendimento aos sócios e a gestão do site é deles – sabe bem que é possível fazer muito melhor. Não sei se o sucedido entre a Controlinveste e o SLB foi só incompetência – é a minha inclinação – ou simples manobra de desesperada retaliação daquela por perder um dos clientes mais importantes para o seu negócio. Mas é pelo menos a prova que a relação adeptos encarada sobre a perspectiva do negócio é um erro que, mais tarde ou mais cedo, acaba por reverter contra o clube.




