O renascer da esperança
O meu amigo Eduardo Sá Ferreira solicitou-me a publicação do texto que hoje serve de post:
No dia 23 de Março, os sportinguistas votaram e mostraram de forma clara que desejam uma mudança radical na gestão do Sporting.
Com efeito, a vitória do Dr. Bruno de Carvalho demonstra à evidência que a grande maioria dos sócios do Sporting estava farta do chamado “establishment”, que há muitos anos “governava” o nosso querido clube.
Fui um dos que votaram no Dr. Bruno de Carvalho, porque desde há muito venho defendendo a necessidade de mudar totalmente o “sistema” no Sporting, tendo até, e logo a seguir à eleição do Dr. José Eduardo Bettencourt, intitulado “Se eu fosse José Eduardo Bettencourt” no qual, além do mais, referia a necessidade de afastamento de alguns dos barões, verdadeiras figuras “pardas” que na sombra governavam o Clube.
A composição das listas do Dr. Bruno de Carvalho e o seu programa deram-me a garantia de que algo iria mudar no reino do leão.
Por isso, votei na Lista B.
Não enjeitando que o Dr. Bruno de Carvalho terá também em atenção a gestão desportiva, sobretudo do futebol, penso que a situação financeira deve ser a sua grande preocupação, tornando-se necessário procurar a sustentabilidade do Sporting. Não pensemos em loucuras de grandes contratações e grandes lutas por títulos. Primeiro, deve-se recuperar o doente e depois, sim, reabilitá-lo.
Li com muita atenção os programas eleitorais de todos os candidatos, e atraiu-me o extenso rol de medidas inovadoras do novo Presidente, com algumas das quais me identifico totalmente.
Refiro em especial as seguintes;
1-“Não concordamos com o atual modelo de Conselho Leonino. Pretendemos fazer uma reforma profunda no seu funcionamento, cabendo aos Conselheiros eleitos para o próximo mandato essa tarefa. Este mandato constitui a última oportunidade para o Conselho Leonino ser um Órgão Social verdadeiramente útil e relevante para o Sporting Clube de Portugal. O Conselho Leonino não deve ser, e faremos tudo para que o não seja, um Órgão Social pouco interventivo e acomodado ao poder, à sua gestão e às suas decisões”.
2-“Ao contrário do que tem sido prática recente, o recurso a jovens criados na formação do Sporting deverá ser uma realidade, à semelhança daquilo que sempre foi tradicional no clube. É incompreensível que um Clube que possui uma das melhores escolas de futebol do Mundo, não aproveite convenientemente em termos desportivos, e por consequência no aspeto financeiro, o enorme investimento anualmente realizado na sua Academia. É bom ter em conta que a FIFA e a UEFA vão a breve prazo alterar as regras do jogo, no que à gestão económica e financeira dos clubes diz respeito, e quem estiver mais bem preparado e já levar uma prática de rigor e de respeito pelos orçamentos, estará em vantagem.”
Considero este ponto extremamente importante. Efectivamente, é incompreensível o desaproveitamento da Academia, e também aqui recordo um meu artigo com o título “Academia para quê?” no qual questionava a razão de ser da Academia se dela não se estava a fazer pleno aproveitamento desportivo e financeiro.
Compreendo que muitas vezes a pressão dos adeptos na conquista de vitórias tenha conduzido a aquisições mal dimensionadas em prejuízo de jovens lá formados que possivelmente fariam muito melhor do que esses jogadores oriundos sabe-se lá de onde e os motivos da sua inclusão no nosso clube.
“Futebol como factor de apoio social
Estabelecimento de um jogo anual solidário de futebol, com a equipa principal, na pré-época ou no período do defeso, cuja parte relevante das receitas ou se possível a sua globalidade revertam para as Instituições Privadas de Solidariedade Social do Universo Sportinguista”.
Abstenho-me de comentar este ponto, pois tudo quanto dissesse não seria bastante para elogiar esta proposição programática. O Sporting tem de ser muito mais do que uma equipa de futebol.
“Auditoria de Gestão.
Uma das primeiras medidas depois das eleições será fazer uma auditoria de gestão ao Sporting Clube de Portugal e à Sporting SAD.”
Este ponto do programa é, para mim, um dos mais importantes, se não o mais importante. Com efeito, sempre me bati pela necessidade de se efectuar uma verdadeira auditoria de gestão (não um remendo) que viesse a apurar como se chegou a este ponto e quem são os responsáveis. Não sou dos que afirmam candidamente que o importante é o futuro, devendo ser passada uma esponja pelo passado. Não. Sou dos que pensam que, neste caso, como noutros, o eventual apuramento de gestão danosa deve ser responsabilizada. E, felizmente, também esta ideia parece ser a posição do novo Presidente, pelo que ouvi numa das suas intervenções na TV.Brincou-se com o património do Sporting e com os dinheiros dos sócios. Pois bem, prestem-se contas. Doutra forma, nunca os sportinguistas deixarão de viver na dúvida sobre a razão da evidente diminuição do património do Clube.
“O Sporting Clube de Portugal, enquanto grande instituição nacional e internacional com Sócios, Adeptos e Simpatizantes em todo o território Continental e Ilhas, nos países de língua oficial portuguesa e por toda a diáspora, requer para com todos eles um muito atento e cuidado acompanhamento, e a adopção e a aplicação de políticas concertadas de proximidade. Os Sócios, os Adeptos e os Simpatizantes são um dos mais decisivos e importantes activos do Sporting Clube de Portugal. O seu enquadramento e a sua participação organizada na vida do Clube devem constituir prioridade absoluta dos seus dirigentes.”
Aqui está um ponto para mim muito querido, já que, durante a minha missão de cooperação, fui o principal responsável pela criação de um Núcleo do Sporting em S. Tomé e Príncipe, o qual foi totalmente legalizado pelo Clube. Infelizmente, e sem embargo das várias informações e chamadas de atenção, que por mim foram dadas a anteriores Presidentes do Conselho Directivo e das Assembleias Gerais, sobre o seu interesse na lusofonia, esse núcleo acabou por “morrer” e por certo, muito dificilmente será reabilitado. E bastariam uns pequenos sinais para que esse povo maravilhoso e muito sportinguista o mantivesse vivo e actuante.
“Promoção das modalidades.
É nossa intenção dar maior visibilidade às actividades desportivas do Clube, prestigiando o Sporting Clube de Portugal, atraindo as atenções dos Sócios, desportistas e população em geral. O ecletismo é uma característica inata do Sporting Clube de Portugal, à qual dedicaremos a atenção que merece. Ao defender o ecletismo, defendemos a nossa própria identidade. Esta é a verdadeira força motriz que tem de ser o pólo aglutinador e mobilizador da massa associativa e dos adeptos
do Sporting Clube de Portugal. Para criar uma nova Onda Verde e Branca Nacional, o Sporting Clube de Portugal redefinirá o seu caminho desportivo. Voltará a centrar a sua atenção em projetos desportivos vencedores.”
Que bom seria ver de novo o Sporting a lutar no hoquei em patins, no basquetebol, com grandes equipas de atletismo (para orgulho e satisfação dessa figura ímpar dos Órgão Sociais que é o extraordinário Carlos Lopes), e tantas outras modalidades. Certamente, umas serão mais viáveis do que outras, mas só a referência deste desejo de reavivar o eclectismo é já uma esperança que nos aquece.
Todos esperam do Presidente o milagre da recuperação do Clube, e que agora, sim, se possa afirmar, com esperança renascida e convincente que “O Sporting está de volta”.
Viva o Sporting!
Eduardo Sá Ferreira
(Sócio nº 5781-O”







