Negócios em curso: decisões pouco salomónicas
Com o derby a monopolizar as intenções fica um breve apontamento a alguns negócios que a comunicação social vai anunciando. Os comentários são feitos nessas premissas, provavelmente voltarei ao tema quando houver comunicação oficial.
Pranjic: cedido por uma temporada ao Panathinaikos, com o Sporting a suportar um terço do ordenado. Não é um grande negócio ficar a pagar ordenados a quem não produz. O jogador porém faz valer os direitos que lhe confere um contrato que termina apenas em 2005. A alternativa de o indemnizar e deixá-lo sair com a carta na mão também não pareceria um grande negócio, dependendo, claro está do valor a pagar. Se for esta a solução encontrada significa também um problema adiado para o próximo ano.
André Santos: O fim de uma ligação de 13 anos de um jogador que sempre me pareceu correcto e um bom profissional. Não teria vida fácil para conseguir alcançar a titularidade, é melhor esta solução do que a que foi submetido desde o inicio de época, em que parecia não se saber o que fazer com ele, tantas vezes foi chamado à equipa A e outras tantas relegado para a B.
É muito provável que em algumas das suas prestações se veja necessidade de questionar o seu abandono mas está longe de ser um jogador com estatuto de titular. Não conheço o miúdo com quem se diz ter sido objecto de troca, Hélinho do Vitória de Guimarães. Trata-se de um médio centro de 18 anos e internacional no seu escalão. Resta agradecer a André Santos os serviços prestados e desejar-lhe a sorte que se deseja aos nossos.
Diogo Salomão: Um jogador que nunca me pareceu justificar pelo talento a sorte que teve em entrar no Sporting, vê-se agora "premiado" com a subsistência assegurada até aos 30 anos. É esse o facto mais relevante do novo contrato de mais 5 anos deste jogador que no próximo dia 14 de Setembro completa 25 anos. Tem por isso os próximos cinco anos para fazer o que não conseguiu ainda: contrariar a impressão que me causou desde o início.
Illori: Um mau negócio para todas as partes envolvidas, exceptuando o valor que o Sporting irá encaixar, que é significativo, atendendo ao que o jogador fez até agora. Ilori foi o jogador que mais me surpreendeu o ano passado e que mais terá beneficiado com a passagem de Jesualdo pelo Sporting. Pareci-me frágil mentalmente, o que o impedia de render o valor que, aqui e acolá, deixava entrever. A sua saída parece-me extemporânea para todas as partes envolvidas.
Para o jogador, que ainda precisaria de completar o seu processo formativo, quer em termos técnico-tácticos, quer mentais e físicos.
Para o Liverpool porque parece não ter aprendido nada com o sucedido com Coates, voltando a despender uma soma avultada por um jogador que não está preparado para a Premier League. É também uma péssima mensagem para a sua academia.
O Sporting é que no imediato perde menos, por encaixar os 8 milhões anunciados. Nunca saberemos o que ganharia se houvesse paciência e tempo para o talento que Ilori manifestamente já demonstrou. É minha convicção que perde um dos jogadores mais promissores da sua formação dos últimos anos. Promessa que me parece muito ameaçada pela saída extemporânea.

