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segunda-feira, 1 de junho de 2020

Tio Patinhas de Alvalade analisa as contas do 3º trimestre

Estamos de volta, após um longo período de ausência. Mas, honra ao fundador deste blog, que apesar de compreender as razões da ausência (fundamentalmente a falta de tempo para acrescentar valor), nunca desistiu e todos os trimestres me lançava o Reminder para reativarmos a coluna de opinião das contas. Esperemos todos que o Tio Patinhas tenha voltado para ficar e assim contribuir para uma troca de ideias saudável sobre as Finanças do Sporting.

No último dia do mês de maio, o Sporting tornou públicas as contas do terceiro trimestre de 2019/2020 (recordemos que o exercício fiscal do Sporting é de 1 de julho a 30 de junho, ao invés do ano civil) e num comunicado, cheio de auto-elogios, destacou alguns pontos positivos (que os houve) e basicamente passou uma esponja sobre os aspectos menos positivos, nomeadamente a falta de um rumo sobre o core business da Sociedade que levou a que desportivamente, se trate de um ano para esquecer.

Existe um outro aspecto que se torna importante realçar. As contas do terceiro trimestre não foram sujeitas a auditoria (normalmente, o primeiro e terceiro trimestre não o são), pelo que não sabemos o que pensam os auditores externos de algumas opções contabilísticas tomadas pela Sociedade e que irei abordar no artigo. Não sendo nós donos da verdade, se quiserem poderão contribuir para uma discussão rica e saudável sobre o artigo (e até corrigindo algum aspecto / entendimento que considerem errado) nos comentários.

O volume de negócios atingiu o maior volume de sempre, 156,1M€, um aumento de cerca de 42,1% face ao período homólogo e assente na transacção de direitos desportivos de alguns jogadores, tendo inclusive reflectido a maior venda de sempre, nomeadamente de Bruno Fernandes. A receita com vendas de jogadores nos primeiros três trimestres do ano atingiu 96.593M€, um aumento de praticamente 100% face a igual período de 2018/2019. Tem sido tornado público que o Sporting tem empreendido uma Reorganização Financeira da SAD, pretensamente preparando-a para o futuro, tornando-a menos dependente das receitas extraordinárias. Esse trabalho ainda não se encontra reflectido nas contas (normalmente os custos da reestruturação são mais pesados no curto prazo, ganhando-se no futuro), mas verificamos que os Resultados Operacionais pioraram de um ano para o outro. Nestes primeiros 9 meses do ano, temos mais custos (+4%) e menos receitas correntes (-3%), estas últimas justificadas em grande parte pelo aumentos dos Fornecimentos e Serviços Externos (FSEs) e pelas provisões (principalmente relacionadas com a indemnização a Sinisa Mihajlovic).

Em termos de receitas, os pontos mais positivos são a alienação de alguns ativos por valores muito interessantes (Raphinha, Bruno Fernandes, Thierry Correia), o valor acordado por Daniel Podence e as Vendas e Prestações de Serviços, que demonstram uma fidelidade dos verdadeiros sócios em adquirir as GBs, comprarem merchandising Sporting, mesmo num contexto de uma época desportiva para esquecer. Por outro lado, devemos ficar apreensivos quando vemos que alguns dos principais ativos herdados já foram alienados (o que é natural, em inícios de mandato) e verificamos que não obstante termos despendido mais de 35M€ em novos jogadores, vemos uma baixa de valor de plantel em mais de 25% e menores possibilidades de atingirmos valores de vendas similares.

Na nota 09, são detalhados os rendimentos e gastos com as transacções dos passes de jogadores, que atingiram mais de 100M€. No caso de Bruno Fernandes, verificamos que os gastos mencionados incluem os gastos de intermediação mais os valores devidos pelo mecanismo de solidariedade. Pela análise rápida feita ao Relatório e Contas (R&C), não encontro nenhuma referência ao litígio com a Sampdoria e à possível contingência / provisão de que poderemos ter de vir a pagar, se as instâncias judiciais assim o determinarem. Refere apenas que a Administração, com base nos pareceres jurídicos internos, acredita que não haverá nenhuma condenação a pagar. No passado, já vimos isso acontecer, no caso Rojo. Em todos os R&C aparecia uma nota similar, foram apresentados resultados avultados inflacionados por essa não provisão e depois, acabou por mais tarde, se ser condenado e ter de reflectir isso em contas posteriores. Esperemos que desta vez, os serviços jurídicos tenham razão. E nesta nota em particular, aguardarei o que os auditores têm a mencionar.

Os custos com Pessoal diminuíram 3M€ (-5,8%) sendo muito influenciados pela rúbrica de indemnizações (que ascende a 7M€), reflectindo parte do desnorte da política desportiva, ao acumular treinadores que depois, naturalmente, exigem que se chegue a acordo para a respectiva rescisão. No relatório é mencionado que estas rescisões implicam uma poupança futura de 35M€ para a Sociedade, mas ignora que em compensação, existiram outros encargos (novas equipas técnicas, novos jogadores) que anularão parte ou mesmo a totalidade das supostas poupanças futuras. Esperemos que no ano 2020/2021 que se verifique uma queda acentuada dos gastos com pessoal, pois o que se verifica é uma diminuição do valor do plantel na ordem dos 25% (valia contabilisticamente 89.212M€ em 31 de março de 2019 e vale agora 66.717M€), sem que exista uma queda correspondente nos Gastos com Pessoal. Tal também se explica parcialmente pela aposta da Sociedade em empréstimos de jogadores caros – Bolasie e Jese - (que não aumentam o valor do plantel), mas que consomem a rúbrica de ordenados – Jese ainda teve um custo adicional de 1,5M€ pelo custo do empréstimo.

Um ponto muito importante e que parece estar a passar despercebido, é que o impacto da contratação do treinador Ruben Amorim na Demonstração de Resultados é zero ou quase nulo. E, apesar de no comunicado mencionar a contratação do Treinador por 10M€ (o All-in da actual Direção), não refere que na conta de resultados, o impacto é praticamente 0. Pois, como podemos aferir na nota 17, temos Gastos a Reconhecer de 10.393M€ (superiores aos 10M€), o que implica que neste lucro recorde do terceiro trimestre, teremos de reduzir o valor da contratação de Ruben Amorim. E assim, a pílula não será tão dourada pois, como verificamos, os resultados operacionais continuam bastante negativos e por conseguinte, consomem os resultados extraordinários positivos de uma forma bastante rápida. Só após a divulgação das Contas Anuais, poderemos perceber melhor a opção da Administração da SAD em não reconhecer já os Gastos da Contratação da Equipa Técnica. Se os vão reconhecer ao longo do contrato, se os vão imobilizar, etc.. Não sendo as mesmas auditadas (procedimento normal, refira-se, no que concerne a estas contas trimestrais), desconhece-se o que a Equipa de Auditores Externos referiria sobre tal opção.

Ainda haveria muito para escrever e comentar (análise mais detalhada das principais rubricas de balanço, etc), mas não queria que este primeiro artigo depois de uma grande ausência fosse demasiado extenso. E durante o curto período que passou entre a divulgação dos Resultados e esta análise, optei por ressalvar mais a análise da vertente económica em detrimento da financeira.

Back for good, é o sentimento. E por agora me despeço de todos os fiéis seguidores do A Norte de Alvalade.

Saudações Leoninas,

O sempre vosso Tio Patinhas de Alvalade

Nota: o documento relativo à demonstração financeira em apreço pode ser lido na integra [AQUI]

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Tio Patinhas de Alvalade analisa o artigo de Bruno de Carvalho sobre as contas do Sporting

Olá a todos.
Tio Patinhas is back!!

Depois de algum tempo ausente, volto à escrita, depois do Presidente do Sporting ter publicado um artigo no DN, onde falava sobre o estado das finanças do Sporting e da recente polémica sobre as obrigações. Mas foi ainda mais longe e revelou alguns dados novos sobre a reestruturação financeira que, aparentemente, teve uma renegociação com os Bancos.

Mas vamos por partes.

Em primeiro lugar, abordar a polémica do empréstimo obrigacionista. Existe muita informação e desinformação sobre este assunto. Ainda ontem, lemos uma notícia do CM em que nos dizia que o prorrogar das obrigações, por um período de 6 meses, originou um custo de quase 1 Milhão de Euros. O que é verdade, mas este custo não é adicional. Se a emissão “velha” tivesse sido substituída por uma nova, este valor seria pago à mesma, pois as obrigações vencem juros e o Sporting não tem liquidez para simplesmente reembolsar as obrigações, sem fazer o “revolving” da emissão.

Várias pessoas questionaram a minha opinião sobre o prorrogar e principalmente sobre a nova autorização para pedir um novo empréstimo obrigacionista num valor que poderá ir até 60 Milhões de Euros. Não tendo qualquer informação sobre o que motiva esta autorização, tenho a convicção que, no contexto atual da banca, que o Sporting dificilmente teria autorização para aumentar a sua dívida num valor de mais 30 Milhões de Euros. A Banca quer reduzir a exposição aos Clubes de Futebol  e paulatinamente, o Sporting tem conseguido reduzir algum do seu passivo bancário. Por outro lado, todos sabemos que os investidores particulares representam uma fatia pequena dos subscritores das obrigações, pelo que são normalmente os Bancos, através dos seus fundos, que tomam a percentagem de leão dos mesmos. 

Com estes dados, leva-me a concluir que deveremos estar a observar uma substituição de dívida ou do valor necessário para recomprar as VMOCs, segundo informação prestada ontem, por Bruno de Carvalho. Aguardemos pelas contas do primeiro semestre de 2018/2019 para verificar como fica o passivo bancário do Sporting e se se confirma ou não a substituição de outras formas de endividamento bancário (factoring, empréstimos, contas caucionadas, descobertos, etc).

Antes de falar das VMOCs, é importante falarmos de uma questão:

Depois da entrada da oficial da Troika, os Bancos foram obrigados a rever as suas práticas e mais do que isso, a reconhecer como imparidades e por conseguinte, assumir as perdas, de uma série de dívidas que os seus devedores tinham. E durante estes últimos cinco anos, quase todos os Bancos Nacionais assumiram milhões e milhões de prejuízos. E entre os quais, muitas das dívidas de todos os Clubes de Futebol, principalmente daquelas que estavam “calcinadas”. E para agravar isso, tivemos a queda do Banco BES, um dos 2 bancos com exposição ao Sporting. E resta saber se as nossas dívidas, incluindo as VMOCs (a parte do BES), ficaram no Banco Bom ou Mau (Novo Banco ou BES). Mas independentemente disso e de acordo com as informações que tenho, os valores das VMOCs foram já reconhecidos como perda total no Balanço dos Bancos e o prejuízo já reconhecido nas diversas contas do BES e Millennium BCP.

Penso ser à luz destes dados que posso compreender as novas informações que saíram ontem. Que ao invés de exercemos a opção de compra de 44 Milhões por um preço de 1,2 X Preço de mercado (cotação), que as mesmas teriam um preço de 0,3 Euros por VMOC. A este preço, o Sporting fica obrigado a comprar a totalidade das VMOCs a um preço de 40,5 Milhões de Euros. O que lhe daria cerca de 88% do capital da SAD.

E porque será que os Bancos acordaram esta redução de preço?…

Penso ser explicado pela razão de que vale mais um pássaro na mão do que dois a voar. Ora vejamos. As VMOCs já devem estar valorizadas a 0, nas suas contas. Os prejuízos já foram assumidos. Recebendo 40,5 Milhões de Euros pelas mesmas, significa que irão reconhecer um ganho nesse montante, com a reversão das imparidades. Ganho esse que irá mostrar uma melhoria nas suas contas de resultados.

E porque é que isto acontece?

Porque naturalmente, se o Sporting só precisava de comprar os 44 Milhões de VMOCs até um valor máximo de 44 Milhões de Euros para manter a maioria, nunca iria comprar as restantes, mantendo-as cristalizadas no Balanço dos Bancos (e volto a referir que, já estão valorizadas a 0 nos mesmos). Assim e perante esse cenários, os Bancos preferem limpar as VMOCs do seu Balanço de uma vez por todas.

No caso destes pressupostos se concretizarem (e volto a referir de que não disponho de nenhuma informação privilegiada, limitando-me a formular as minhas opiniões com base nos dados que são públicos), existirá um haircut de 70% da dívida (constituindo assim um perdão), assumida sob a forma de VMOCs. O que será sempre uma boa notícia e partindo do pressuposto que estamos e iremos continuar a cumprir com os acordos estabelecidos com a banca. A Banca tem cada vez mais instruções para reduzir a sua exposição a Clubes de Futebol e temos de ir arranjando formas alternativas de financiamento e principalmente, aproveitar as milionárias transferências para diminuir as nossas responsabilidades com a mesma.

No meio do extenso artigo, uma confirmação: os 18 Milhões de Euros, do tal investidor que não poderiam divulgar o nome, nunca entraram nos cofres da SAD. Ao contrário do afirmado (e por mim, pessoalmente, no Multidesportivo) em Assembleia Geral do Clube, pelo Presidente Bruno de Carvalho e penso que por Carlos Vieira, Vice-Presidente, em diversas entrevistas. Nos mapas de fluxos de caixa, nunca tinha percebido onde poderia estar reflectida essa entrada, nem nas contas de Balanço. Agora, surge a confirmação. Só não era preciso era ter informado deste assunto de uma determinada entrada de fundos que nunca correspondeu à realidade. 

Em último lugar, confesso que não apreciei a “desavença” entre os maiores accionistas da SAD ser discutida em plena praça pública. Não sendo a Holdimo uma “santinha”, também é necessário recordar que esta aceitou a conversão de uma dívida em capital, permitindo a este acionista ter uma participação de quase 30% no capital da SAD do Sporting. Será vantajoso estarmos a “pisar” no segundo maior acionista e assumir que queremos provocar-lhe uma diluição de capital? Ou será que os actuais accionistas (que não o Sporting) poderiam comprar algumas das VMOCs ao preço estabelecido pelo Sporting?

Aguardemos pelos próximos capítulos, mas estou curioso para saber o que irá sair deliberado na próxima AG da SAD do Sporting.

Até lá que é hora de despedir de todos os sportinguistas que nos seguem, aqui no Blog A Norte de Alvalade

Saudações leoninas,

O Vosso Tio Patinhas de Alvalade

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Tio Patinhas de Alvalade analisa o relatório da Soccerex Football Finance

Saudações leoninas a todos e muito obrigado pelas fantásticas reações ao meu primeiro post. Irei comentar em futuros posts, alguns dos aspectos importantes mencionados nos comentários ao mesmo, sem procurar ser consensual, pois a divergência de opiniões é salutar quando bem “praticada”. Mas vamos ao que me traz aqui hoje, o nosso Quinquagésimo Lugar no Finance Football Index da Soccerex.

Depois de mais um derby (com um resultado bem melhor que a exibição), a Soccerex lançou a edição 2018 do seu Relatório Football Finance, onde elenca, de acordo com um indicador criado por si, os 100 maiores clubes, em termos de poderio financeiro.

Este relatório refere-se à análise das contas dos Clubes referentes à época 2015-2016. O Manchester City aparece em primeiro lugar, estando algo surpreendentemente, o Arsenal em segundo. Apesar de futebolisticamente andar longe de um novo título de campeão inglês, a sobriedade da sua gestão origina a que não tenha praticamente dívida nenhuma e apresente resultados financeiros interessantes. No entanto, é de referir que um dos 5 sub-indicadores que constitui o FFI (Football Finance Index) é o do potencial de investimento pelos “donos” do Clube, o que favorece aqueles que têm accionistas fortes por trás em detrimento do modelo de sócios. 

Por isso mesmo, clubes como o Real Madrid (6º Lugar), Bayern Munique (10º Lugar) e Barcelona (13º Lugar) estão fora do top-5, porque neste sub-indicador são avaliados com 0. À imagem do que acontece com os 3 Clubes portugueses que aparecem no Top-100, o nosso Sporting (50º Lugar), Porto (52º Lugar) e Benfica (64º Lugar). Se expurgássemos este efeito, o topo do ranking seria certamente diferente, assim como os nossos 3 clubes subiriam uns bons lugares nesta tabela (que favorece o modelo inglês).

Analisando o FFI, verificamos que ele é constituído pelas seguintes variáveis:

• Activos (jogadores)

• Activos Fixos (estádios, academias, etc)

• Liquidez no Banco • Potencial de Investimento dos Donos

• Dívida Líquida

O nosso Clube aparece como tendo Ativos em jogadores de 196M€, Activos Fixos de 165 Euros, 3 Milhões de Liquidez, 0 em Potencial de Investimento e uma Dívida Líquida de 222 Milhões de Euros, dando um FFI de 0,469 atribuído pela Soccerex.

O Porto aparece como tendo o plantel mais valioso dos 3 Clubes nacionais – 206M€, mas tem menores ativos fixos (140M€), maior liquidez (13M€) e uma dívida maior (234M€).

Por seu lado, o Benfica aparece como o plantel menos valioso (175M€), ativos fixos de 169M€, com maior liquidez no banco de entre os 3 (30M€), mas uma dívida líquida de 339M€, superior em mais de 100M€ de Sporting e Porto.

Agora sabemos que indicadores como a valorização do plantel valem o que valem, porque realmente um jogador só vale aquilo que se especula, quando alguém se chega à frente em termos de compra de jogadores. E vemos que apesar de o Porto ter o plantel mais valorizado que, durante o período de 1 de julho de 2016 a 31 de agosto de 2017, teve muita dificuldade em realizar dinheiro com os seus ativos, enquanto que Sporting e Benfica encaixaram mais de 100M€ com ativos que estavam na valorização mencionada pela Soccerex.

De referir que este estudo apresentado pela Soccerex é apenas um exercício baseado nas variáveis e indicadores escolhidos pela mesma. Outros estudos que considerem variáveis diferentes (e pesos também) originarão resultados diferentes. Por exemplo, se ao FFI expurgássemos a capacidade de investimento dos donos / accionistas e considerássemos também a capacidade de geração de receitas, os resultados operacionais e o EBITDA gerado pelos diferentes clubes, muitas alterações ocorreriam. 

Estou curioso (mas esperarei pacientemente, porque deve ser daqui a um ano) para ver os resultados após contabilizarmos a época / ano fiscal 2016/2017, mas estou em crer que o Sporting manterá a dianteira neste campo, em particular.

E que juntemos o tão almejado título de campeão 2017/18 à liderança neste campo. Agora, encher Alvalade dia 7 de janeiro e empurrar a equipa para um bom final de primeira volta, com o Marítimo. 

Tio Patinhas de Alvalade

PS: pode encontrar o estudo [aqui]  para download

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Saiba o que diz o Tio Patinhas de Alvalade sobre as contas do Sporting

Saudações Leoninas a todos!! 

Inauguro hoje uma colaboração com o distinto “Leão de Alvalade” e começo por agradecer o honroso convite que me endereçou para assumir uma colaboração com o seu blog, versando sobre os aspetos financeiros do Futebol e do nosso Clube em particular.

Assim, começo esta colaboração escrevendo sobre as últimas demonstrações financeiras apresentadas pela SAD do Sporting e que apresentam um resultado positivo de 24,9M€. E prevejo (e se me enganar, estarei aqui para dar a mão à palmatória) que se não ocorrer uma venda neste mercado de Inverno ou antes do fecho do exercício (antes de 30 de junho), penso que o Sporting corre o risco de poder apresentar prejuízo ou algo muito perto disso. Mas vamos antes tentar dissecar alguns números.

Os nossos proveitos operacionais do trimestre foram de 34.79 M€, dos quais 17,04M€ dizem respeito à Liga dos Campeões, pelo que os proveitos expurgando a LC e transferências, devem rondar os 70 a 75 M € por ano. Com a boa prestação da UEFA, direi que será possível passar dos 100M€ sem transferências, pela primeira vez (no ano passado, foram cerca de 80M€). O aumento de cerca de 2M€ dos proveitos operacionais é explicado pelo facto de termos disputado a Pré-Eliminatória e pela receita de bilheteira acrescida, no mês de agosto (sem correspondência com o período homólogo).

E por falar em bilheteira e apesar de no início de cada época, a Direção ser criticada pela sua política de preços (estes têm subido a cada ano) e de muitos preverem a descida apocalíptica das vendas de lugares anuais, os números têm dado razão à política seguida, uma vez que temos um aumento de cerca de 15% das receitas com a venda de lugares anuais, as nossas Gameboxs.

Ao nível dos custos, existe mais um aumento da massa salarial (depois das duas primeiras épocas de apertar o cinto, têm crescido ano após ano). Mesmo descontando 0,8M€ respeitando a jogadores que já não se encontram no plantel, temos um aumento de pelo menos 7M€ neste ano. Atrevo-me a dizer que o impacto da massa salarial da SAD rondará os 70 a 75M€, sendo similar aos proveitos operacionais sem a Liga dos Campeões e receitas com alienação de passes.

No que concerne aos Bancos, verificamos que os depósitos à ordem restritos, totalizam já mais de 5M€. Para quem não lê os R&Cs, estes DO restritos servem para liquidação de dívida bancária, juros e constituição de conta reserva (pagamento de VMOCs). O “famoso” factoring reduziu cerca de 13,3%, para 26M€, sendo 22,4M€ referentes a épocas futuras (chegou a ser mais de 38M€ em 2014). Verificamos uma redução do passivo bancário num trimestre de 2M€ e uma reestruturação entre diversas dívidas, diminuindo os descobertos bancários e aumentando os empréstimos “normais”. Um dia, prometo escrever mais sobre o factoring, mas ressalvo que não deixa de ser mais um instrumento financeiros colocado à disposição das empresas e claro está, do Sporting. No entanto, ao contrário do que muitos afirmam, o facto de anteciparmos o recebimento de proveitos futuros não influencia a nossa Demonstrações de Resultados, pois estes proveitos serão diferidos e reconhecidos contabilisticamente, no período temporal a que dizem respeito.

Em resumo e para que este primeiro “escrito” não se torne demasiado longo, um primeiro trimestre em linha com o esperado e uma estrutura de custos, algo dependente da Liga dos Campeões (sem esta receita, nunca operacionalmente o Sporting atingirá o equilíbrio, com a atual estrutura de custos). Num ano sem LC, os prejuízos sem alienações de passe, podem atingir “facilmente” números acima dos 20M€. Ainda por cima, quando algumas rúbricas de receitas parecem ter deixado de ter espaço para crescer, nomeadamente Patrocínios, Loja Verde (variação de apenas 100 mil Euros de um ano para o outro), Direitos Televisivos (uma vez que já foram revistos em alta, há 2 épocas atrás).

Para terminar e porque muitas vezes me perguntam, confirma-se que o valor à Doyen já foi liquidado, pelo Tribunal Suíço, que havia solicitado a retenção das nossas receitas da Liga dos Campeões do ano transato, apesar de a “batalha” judicial ainda não ter terminado (e a provisão ainda não foi totalmente revertida). Assim, o pagamento desta dívida é a grande explicação para a diminuição do nosso passivo, face a 30 de junho de 2017.

Comentem e aguardem pelos novos capítulos!

O vosso “Tio Patinhas” de Alvalade

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