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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Clube de malucos? Mas qual é a dúvida?

Clube de Malucos: mas alguém duvida? Só um clube de malucos é que passa a vida a dar tiros nos próprios pés ao longo de décadas, quase sempre com os mesmos actores, mais do que estafados e gastos, sem que alguém consiga fazê-los calar. Alguns deles com responsabilidades directas e indirectas na gestão, sem que da sua passagem pelo clube tenha resultado em particular beneficio para a instituição.
 
Clube de Malucos: mas qual é a dúvida? É preciso ter um elevado grau de insanidade para continuar a correr atrás da equipa para todo lado, ter um número razoável de assistências, face ao reduzido e tão espaçado no tempo de conquistas. De facto, o amor é cego e os adeptos do Sporting,NÓS, com todas as nossas diferenças e pertenças a grupos e grupinhos, amamos de paixão o clube para sempre, mesmo que o reneguemos mais vezes que Pedro renegou o Outro.
 
Clube de Malucos: obviamente que sim. Quem acha que amar e pugnar pelo êxito do clube se esgota na presença nos estádios e depois nestes começa a assobiar ainda no aquecimento dos jogos, e fora deles faz todo o contravapor possível e imaginário, minando, escavando, muito para lá do que é o direito inegável à critica, à diferença de opinião e até mesmo de visão estratégica e segue pensando que essa actividade é inócua senão é louco é parvo. Ou ambos.
 
Clube de Malucos: a começar pela primeira figura, o presidente. Não foi ele que disse a frase, mas deveria saber que, como de facto está a acontecer, que a autoria lhe seria imediatamente imputada. Porque sabe desde a primeira hora que todos os erros comunicacionais não apenas não passam despercebidos, como são amplificados, distorcidos, retorcidos até caberem nas narrativas. Mas pior, ainda que seja verdade, como creio que é, não é matéria para ser divulgado em prime-time num jornal e em ambiente senão hostil pelo menos desfavorável. Teria sido o discurso mais ajustado a uma conversa intimista, por exemplo, nos Leões do Minho, onde não pôde ir por estar ameaçado fisicamente.
 
Porque se sente acossado, FV veio finalmente falar das dificuldades que encontrou, quer do ponto de vista desportivo quer financeiro. Já o devia ter feito, mas no tempo certo. Já o faz tarde e soa a desculpa, que o é em grande parte. Porque o grande problema do Sporting é e tem sido a sua equipa de futebol, da qual ele se assumiu como responsável único. Tanto assim é que ainda ontem completou o ciclo de títulos no hóquei em patins, com a conquista da Taça Continental.
 
Sem estabilizar a principal equipa de futebol e ainda por cima com uma comunicação que tarda em encontrar o tom certo é FV que está a municiar os adversários e os muitos inimigos declarados. A esses está a juntar os que, não tendo qualquer intenção de se constituir oposição, não conseguem perceber os objectivos e as linhas orientadoras da sua actuação e manifestam legitimamente o rumo seguido. Desta forma compromete a continuidade das reformas já em curso, a sua equipa e até mesmo seu projecto para o clube.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Última chamada para Frederico Varandas

Gosto de dar a cara pelas minhas opções e, sabendo o que sabia à época, se fosse hoje voltaria a fazer a mesma escolha. Isto é, voltaria a votar na lista de Frederico Varandas. Hoje não sinto que tenha errado mas não posso dizer o mesmo relativamente às escolhas que Frederico Varandas fez para o futebol. De forma muito particular, a quem tem oferecido o cargo de treinador da equipa principal de futebol. 

O seu primeiro grande erro foi aceitar meter o pescoço por uma ideia que não parece ser dele mas, como sempre me pareceu, do seu amigo e colega. Se tens que morrer, morre pelas tuas ideias e não pelas de terceiros, como parece que foi o caso. O segundo e talvez maior erro foi não ouvir os que o lhe fizeram ver que ao trocar Peseiro por um treinador desconhecido e sem curriculum estava a prescindir do seu escudo protector. 

Ora o presidente do Sporting não é o presidente do SLB ou do FCP. Ambos têm um percurso de muitos anos e conquistas, bem como estruturas suficientes que os protegem dos erros e da contestação que eventualmente possa surgir. Não têm oposição constituída. No Sporting o que mais há é oposição e, ao contrário dos outros clubes, o lugar mais frágil é o do presidente para onde todos atiram a matar.

Há pessoas com sorte e outras que não têm nenhuma ou muito pouca. A mais que provável má escolha de Keizer foi agravada pelas suas próprias conquistas. No Sporting é assim: até quando tens sorte isso pode ser ter azar. O Sporting ganhou com sorte, ambas as taças foram ganhas nos penaltys, jogava umas vezes muito pouco, mais ou menos aqui e ali, mas demasiado pouco para não ser fácil prever que a nova época ia ser complicada. Foi com essa sensação que abandonei o Jamor.

Sou insuspeito para falar de BdC. Acertou nas caras que escolheu para treinador, ainda que, na generalidade dos casos, não os tenha conseguido acompanhar e aguentar. Por razões diferentes, ambos, FV e BdC, foram confrontados com a necessidade de repensar o treinador acabado de vencer uma Taça de Portugal. BdC quis livrar-se de Marco Silva e para isso percebeu que tinha que arranjar um escudo protector para poder assumir o despedimento de um treinador que acabava de ganhar 1 Taça de Portugal. FV não percebeu que o futebol de Keizer era de tal forma incipiente que o tornava num desastre por anunciar. Se o percebeu não agiu.

A escolha do treinador de futebol é determinante em qualquer clube, no Sporting, que anda afastado dos títulos há quase duas décadas mais ainda. Por muito que os Sportinguistas se assumam como amantes do ecletismo, é o futebol que marca a saúde do clube. Só assim se percebe que desportivamente o Sporting siga pujante em praticamente em todas as modalidades e, simultaneamente, esteja mergulhado numa crise profunda. Se fosse ao contrário, pouco mais haveria que lamentos sem grande repercussão. 

Neste momento FV está completamente exposto e aparentemente num beco cuja única saída é não errar novamente na escolha. A primeira época integralmente ao seu cuidado começou desastradamente na Supertaça ainda não saiu desse registo. Mais uma vez meteu o pescoço quando,  a poucas horas do final da janela de mercado, faz uma reorganização altamente questionável do plantel, com o treinador já na porta de saída. 

A não inscrição de Pedro Mendes é irrelevante do ponto de vista do reforço do plantel, por muito que queiram fazer crer o contrário. Mas, do ponto de vista de gestão política, revela uma inabilidade total, rapidamente castigada pela sucessão de lesões comprometedoras que terminaram no golo do avançado dos sub-23. Associar a ideia de falta de jeito para lidar com o futebol profissional à falta de sorte é a última pedra no caminho.

A importância do mandato de FV transcende-o. É vital para higienização do clube, que represente uma solução de equilíbrio e o regresso à universalidade dos nossos valores, em contraponto com a descaracterização (diria mesmo o avacalhamento) e sectarismo que o clube foi e continua sujeito. É vital para a sustentabilidade do clube que os mandatos deixem de ser interrompidos, que matérias em aberto, como o da reestruturação financeira, a modernização administrativa, o reinvestimento nas infraestruturas, na formação, no scouting, o reforço do marketing, etc., fechem os seus ciclos de forma virtuosa para que o clube evolua e se aproxime dos seus rivais.

Não sei se haverá sobrevida para FV depois destes meses de instabilidade, que acima de tudo nasceram dos seus próprios erros e falhas, mesmo reconhecendo a oposição canalha a que tem estado sujeito desde a primeira hora. Para que tal seja possível, é vital não apenas devolver a competitividade ao futebol, mas também comunicar muito melhor, quer do seu ponto de vista pessoal quer mesmo institucional. Não podendo nunca ser um líder carismático, tem de ser um líder competente e não o está a ser. Essa seria a forma mais próxima de realizar a utopia de unir o Sporting.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Varandas In: um ano


Estado de (des)Graça

Se há características que realçaria num ano ano de mandato de Frederico Varandas seria a coragem e resiliência. Coragem que começou por demonstrar quando saiu da sua área de conforto e resolveu apresentar a sua candidatura. Já depois disso teve que enfrentar ameaças físicas na AG de destituição. Foi aí que começou a viagem de um director clínico com boa imagem para a cadeira presidencial em permanente ebulição, contestação, instabilidade interna e um chorrilho diário de boatos, insultos e ódio. É preciso resiliência e convicção para permanecer num lugar em que é contestado por duas razões primordiais: por tudo e por nada. 

Frederico Varandas e a sua equipa viveram em estado de (desg)graça junto de uma oposição ruidosa praticamente desde o inicio do seu mandato até hoje. A isso não será alheio, alem dos factos acima aludidos, um processo eleitoral com um numero elevado de candidatos em que o vencedor ficaria quase inevitavelmente em minoria. Esse seria aliás o resultado contando o número de votantes,  o que por só já constitui um percalço importante.

A Herança
Um clube completamente fraccionado e com diversas feridas ainda em carne viva é herança pior do que todas as severas consequências desportivas e económicas de uma transição de poder traumática, motivada pela destituição de um presidente que, em menos de meio ano, viajou da quase unanimidade à destituição por quase dois terços dos votos. 

Não menos importante foi a situação económica a encher a agenda de emergências "para ontem", tais como 

um empréstimo obrigacionista cuja urgência havia sido trocada pelas "famosas" alterações estatutárias, 

ausência de receitas à altura da folha salarial agravada pelas intervenções da Comissão de Gestão.

Dividas em atraso a clubes e fornecedores, problemas de tesouraria com pagamentos a vencer
Um quadro de jogadores demasiado extenso e oneroso, com muitos dos seus componentes incapazes de significar qualquer mais-valia

Do ponto de vista desportivo à a realçar:

O plantel de futebol havia perdido valor face às saídas de quase todos os jogadores importantes, com excepção de Bas Dost e Bruno Fernandes

A escolha completamente desajustada  de um treinador (Peseiro)

Modalidades com equipas competitivas, com  bons quadros técnicos e bons planteis.

Acções importantes:

Emissão do empréstimo obrigacionista, apesar da oposição directa ou dissimulada de vários agentes, quer internos quer externos.

Resolução dos problemas emergentes de tesouraria através da titularização do contrato dos direitos televisivos.

Redução da massa salarial do plantel com a dispensa de elevado número de jogadores excedentários, num ajuste estimado de 1/3 do orçamento actual.

Reconstrução da estrutura do futebol profissional, com a contratação de técnicos de diversas áreas de intervenção.

Regresso a uma aposta racional na formação, que vai desde a aposta e investimento quer nas infraestruturas quer em capital humano.

Acordos com os jogadores que rescindiram mais valiosos. Perceber-se-à melhor a medida no próximo relatório e contas.

Pontos fracos

A comunicação tem sido o acto menos conseguido dos actuais órgãos sociais. Se dúvidas houvesse basta olhar e ver com atenção a última entrevista de Frederico Varandas para se perceber que, mesmo tendo melhorado o seu registo pessoal, continua muito mal assessorado, quase se podia dizer desprotegido. Só assim se percebe que uma entrevista gravada tenha deixado passar gafes que se poderiam ser aceites em discurso directo, são incompreensíveis quando gravadas pelo nosso próprio canal. Ou que esta tenha sido conduzida num local com ruído de fundo de obras. Um profundo amadorismo que belisca a reputação do clube.

A outro nível, a comunicação interna. É claro que uma falange importante nunca se reverá no acto mais simples ou feliz do actual presidente. E que outros há que, de forma dissimulada, lá vão deixando cair um sorriso, mas passam os dias a fazer contravapor, às vezes até com factos que não o são verdadeiramente. Mas é também altamente censurável  que os actuais órgãos sociais não saibam recorrer às ferramentas que têm à mão para se aproximarem dos associados. 

O silêncio sepulcral a que normalmente se votam cola-lhes a imagem de arrogância e indiferença e aproxima-os dos nossos antepassados croquetes. E por isso, como tudo na vida, mas particularmente na imagem, o que parece é. Sou tão critico deste comportamento como da anterior postura "barroca" do seu antecessor (ou deveria dizer bacoca?...) porque ambas, nos seus excessos, são prejudiciais ao clube. Sporting é um clube popular e vive das conquistas e da emoção. É tão mau viver permanente embriagado nela como viver sem ela.

Desportivamente, se é evidente que a actual direcção se saiu muito bem - e com um número de títulos ganhos pouco habituais nos últimos tempos, pese a conjuntura particularmente desfavorável que encontrou - não é menos verdade que a impressão deixada na preparação da época veio lançar muitas dúvidas sobre o planeamento feito e a qualidade das medidas tomadas. 

Se, como dizia acima, o que parece é, não é menos verdade que a última imagem anula a imagem de ponderação e acerto deixada na ida ao mercado em Janeiro. Mais uma vez o risco assumido é enorme e, aparentemente, desnecessário. Que outro entendimento se pode ter de um ataque ataque do avesso, sem contudo contar com um ponta-de-lança de raiz e com opções que expõem a estrutura e, em particular, o presidente? Não contar com um "6" de raiz é outro facto incompreensível. Esses dois factores anularam o impacto de duas boas vendas, aparentemente improváveis, como foram as de Thierry e Raphinha.

Nesta área, e para poder tratar da multitude de dossiers que lhe devem ocupar a secretária Frederico Varandas precisa de encontrar o seu Leonardo Jardim, bem como o seu Slimani...

O estado da (des)união

Ninguém dança bem o tango sozinho, se alguém presenciou uma tentativa do género percebe bem o que estou a dizer. Ora, como é dito acima, há quem nunca passe o risco - ou devo dizer a vala? - que os separa da actual direcção, o ódio expresso torna isso bem claro. A ideia de unir o Sporting é uma miragem ainda mais quimérica que a de um oásis no Atacama. Basta ver o isolamento a que foi deixado Frederico Varandas na festa de final da Taça e da frieza com que a generalidade da direcção foi tratada. Por culpa própria, como dizia acima, pelo distanciamento que se recusa a anular. Mas também porque há quem ache que para haver união é preciso esquecer o passado e até pedir desculpa e desculpar os seus intervenientes pelos actos que eles cometeram de forma dolosa e deliberada.

É um facto que a actual direcção tem de suportar todos os dias uma oposição feroz, encarniçada e muitas vezes desonesta. Alguns deles arengam há muitos anos nos mais variados fóruns. É um facto que alguns deles nem a cara dão, resumindo as suas acções a colar cartazes e esconder as trinchas. É um facto que muitos deles vivem da instabilidade que os próprios fomentam, porque senão não tinham as ofertas chorudas dos canais a engordar-lhes as contas bancárias. É um facto que muitos dos que aparentemente hibernaram ou emigraram para as fossas marianas voltaram agora cheios de atenção e energia, dando testemunho dos benefícios do descanso.

Mas é também um facto de que há muita gente desinteressada, que mais não quer do que o bem do clube e não há ninguém que esteja acima da critica. Frederico Varandas não pode cometer o mesmo erro que o seu antecessor: acantonar-se, à boa maneira da caserna, quando os inimigos o cercam. É triste constatar que de facto eles existem e na sua maioria vestem de verde e branco. Mas, para seu bem e sobretudo do Sporting, é bom que não se isole. É preciso ouvir sempre. Um bom sinal que poderia dar a todos era, por exemplo, desarmadilhar os estatutos das normas autocráticas deixadas pelo seu antecessor, o mesmo se aplicando ao regulamento disciplinar.

Há um momento para perceber quem está por bem e quem nunca estará, ainda que,  o Sporting vença dois títulos nacionais no futebol e seis europeus nas modalidades, ao mesmo tempo que sai de um processo de auto-destruição. Há quem o invejará para sempre. O Sporting também é isto. Mas é também muito o Sporting que se move e agiganta para impedir o rumo ao abismo. É com esses, a maioria, que Frederico Varandas tem de ir à guerra.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Eu sim, estou preocupado. E muito!

As declarações do presidente Frederico Varandas (FV) marcaram ainda mais profundamente o desaire (isto é um eufemismo...) da Supertaça. Eu até compreendo o que ele disse e o que procurou alcançar mas não apenas aceito como concordo que FV foi particularmente infeliz. Ainda por cima, ao contrário do que disse, o seu semblante era de quem estava realmente preocupado com o que acabava de suceder. Naquele momento eram necessárias declarações sóbrias e sobretudo de assumpção de responsabilidade e desculpas perante o sucedido. Mas sobretudo de empatia para com toda a nação Verde e Branca, particularmente com aqueles que se deslocaram propositadamente ao Algarve e se dispuseram a fazer frente a um horário absurdo.

O parêntesis sobre o horário é inteiramente merecido. Mesmo considerando que muitos adeptos de ambos os clubes se encontrem a banhos, a menos que estivessem nas imediações do eixo Albufeira/Quarteira/Vilamoura poucos devem ter chegado a casa antes da meia-noite. O mesmo indicie de autismo e desrespeito pelos adeptos já se anunciam nos horários já conhecidos. Por exemplo, se eu quiser ir ver o jogo com o Braga tenho que me deitar às 3 da manhã. Se eu quisesse acrescentar mais penitência à minha vida tinha ido para monge franciscano em clausura e abdicava do luxo que é ser adepto do nosso Grande Sporting. Bem vistas as coisas abdicar das nossas cores é uma penitência ainda maior, por isso deixa estar, adiante...

Voltando a FV, devo dizer sem qualquer problema que não apenas votei na sua lista nas eleições como confio nas suas capacidades e especialmente na equipa com que se fez acompanhar. FV não é nem quer ser um homem providencial e isso é bom para o Sporting. Além da grande dedicação e empenho que reconheço à sua equipa, julgo que não apenas tem competência e seriedade, mas também é bem preparada e com experiência apesar de, na sua generalidade, ser ainda jovem. Mas talvez mais importante que tudo têm vontade de reerguer o Sporting e guindá-lo a patamares de onde não deveria nunca ter saído. E estão a aprender como todos os outros aprenderam o que é gerir um clube como o Sporting.

Para que tal suceda precisa de todas as qualidades acima enunciadas, mas também de tempo para executar e claro, de resultados desportivos. Sorte? Sem dúvida, mas essa chega sempre, mais tarde ou mais cedo, quando se é competente. Mas a competência em futebol e num clube nas circunstâncias em que a equipa de Varandas encontrou o clube requer tempo. 

Mas o tempo não é tudo e é isso que torna a tarefa mais complexa. FV e sua equipa não parece ter particular preocupação com a comunicação. A imagem que projecta é  por isso muitas vezes confundida com indiferença e arrogância. Quando nós nos não tratamos de escrever as nossas próprias versões alguém se encarrega de o fazer. Infelizmente há demasiados Sportinguistas nitidamente mal intencionados, que têm aproveitado esta falha para espalhar a sua visão mesquinha e marcada pelo profundo ódio que têm por uns corpos sociais que mais não fizeram do que assumir  responsabilidades pelo completo desatino e evidente claudicação de quem os precedeu.

Nada há de muito favorável no que este (ou qualquer outro CD que fosse) tem pela frente. Pelas nossas circunstâncias internas mas também pelas externas. O rival SLB domina, como sabemos, todos os bastidores do futebol, tal como o FCP dominou nos anos 80/90 do século passado e inicio deste século. Mas souberam também criar uma estrutura competente, reorganizaram a formação e disso tiram lucros desportivos e económicos, enquanto nós fazíamos o percurso inverso, desbaratando a maior fonte de riqueza e notoriedade. O FCP vive um tempo de transição e, embora esteja num plano ligeiramente inferior, mantém ainda algum do poder e valor desportivo. De quanto tempo e estabilidade precisaram para se afirmar?

O Sporting é, por todas as razões e outras mais, claramente um outsider. Este CD podia queimar algumas etapas e sobretudo consolidar o seu projecto com um treinador competente que claramente Keizer não parece ser. Infelizmente talvez só FV consiga perceber que qualidades é que possuía para o ir resgatar às imediações do deserto. Aposta na formação, qualidade de desempenho, capaz de se impor e afirmar perante os adversários da LIGA (neste momento a LIGA é mais importante que tudo o resto) não se consegue vislumbrar. Inverter esta imagem é crucial.

Neste momento Keizer está sentado no lugar do morto. É FV que vai assegurando a condução porque o holandês parece ainda petrificado - uma estátua de sal - como o vimos naquelas imagens terríveis no estádio do Algarve, enquanto a equipa soçobrava, abandonada pela total inacção. A sua fleuma e respectivas declarações após o jogo foram quase ofensivas, como se estivesse a dissertar sobre a beleza das tulipas de Keukenhof, indiferente ao sofrimento de quem não se lembra de quando tinha ocorrido a última refeição e contava com ele para interromper esse hiato. O seu baixo perfil mediático ajuda a cavar o fosso empático, que só a sua postura cordata vagamente ameniza. Claramente não parece perceber  o que é o Sporting e isso cria a ideia que não é um treinador para o Sporting.

Não quero com isto dizer que Keizer deve ser despedido imediatamente, até pela falta de soluções. Keizer tem de provar no imediato é que a Supertaça foi "apenas" um jogo mau em que o futebol é tantas vezes fértil. Tem de devolver a esperança que ficou inevitavelmente estilhaçada com a goleada sofrida em ambiente solene de uma final. Tão traumático como acabar despido num baile de gala. Tem de provar que FV não se enganou ou então este tem de, quanto antes, admitir e corrigir o seu erro.

Como a pergunta é inevitável, não creio que uma possível saída de Keizer signifique a queda da direcção. Uma direcção pode não acertar num treinador, sem que isso signifique perder o mandato. Mas é uma óbvia quebra de confiança que não deixa campo de manobra para novo equívoco. FV pode e creio que está a reorganizar e até a (re)inventar muitos departamentos, mas o Sporting é sobretudo um clube e por isso precisa de resultados desportivos. E ainda que não ganhe tem de ter um desempenho que não envergonhe os seus associados. Não foi isso que se viu na Supertaça.

É quase uma ressuscitação que se pede a Keizer. É quase um tudo ou nada ainda o campeonato não começou. É um treinador marcado por uma goleada ante o arquirival. É por isso que eu estou preocupado. E os abutres (os piores são os equipados com as nossas cores porque nos tomam por desmemoriados) já derramam a sua habitual verborreia a cada microfone que lhes passa à frente. Onde estavam eles quando ganhamos "as tacitas"?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Miserável!

Ao contrário do que provavelmente pensava a generalidade dos adeptos, em nenhum momento me passou pela cabeça que o Villareal era um adversário facilmente ao nosso alcance, só porque estão em último lugar na sua Liga. Não apenas porque não faltam jogadores de qualidade e experiência no seu plantel, mas também pelo diferente percurso que se regista na Liga Europa, onde continua sem perder. 

Bastaram por isso apenas três minutos e alguns segundos para ficar à vista de todos ao que vinham os de Vila-real, bem como a raiz dos nossos problemas: uma equipa que deixou de o ser, que perdeu as suas referências e que se viu despida das virtudes do agora tão distante período de encantamento com Keizer-Ball. Até prova do contrário, estivemos na presença de um meteorito que hoje não se vislumbra que possa voltar à vida, tão profundo que é o abismo onde se despenhou.

Tem a palavra agora Frederico Varandas. A aposta no técnico holandês foi uma jogada pessoal de elevado risco, totalmente desaconselhada no contexto em que o clube vive. Uma aposta no escuro do seu curriculum e de uma escola em perda, como aqui dissemos na altura. Mas pior do que um erro de avaliação é continuar a laborar num erro. Não decidir, não comunicar, não explicar é apenas aprofundar a sensação de nau à deriva. Varandas vai ter que decidir se corta a âncora que Keizer se tornou ou se se afunda com ele.

P.S.- podemos discutir a qualidade individual de alguns jogadores mas até aí o trabalho de Keizer está a falhar: um bom treinador potencia a qualidade dos jogadores, mas a consequência directa das suas opções  tem resultado na exposição dos seus defeitos.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Os primeiros 100 dias de Frederico Varandas, pelo próprio.

Frederico Varandas completou 100 dias como presidente do Sporting. Na entrevista que deu à SportingTV abordou alguns dos assuntos que marcam esse período. A forma como o fez inaugura um estilo diferente do que os Sportinguistas estavam habituados na gestão anterior. 

Como é natural nestas matérias, agradará mais a uns do que a outros. Para quem gostava do estilo anterior será por certo uma dececpção. Para quem ansiava por uma mudança na comunicação está feita a apresentação.

Do meu ponto de vista trata-se de uma entrevista sóbria, sem desculpas com o passado, pretextos ou o desculpas com as dificuldades inerentes às tarefas. Saliento aqui as frases que me parecem mais importância, com especial relevo para aquelas que foram mais usadas: "Minha equipa" .

Primeiro objectivo conseguido: Sporting saudável nas mais diversas vertentes Devolver o orgulho aos sportinguistas por ter o Sporting nas noticias pelos melhores motivos.

Não acreditava que era preciso fazer sem resultados, sabia a exigência desta missão. Não era fácil, mas acreditávamos que era possível.


O futebol do Sporting está em alta, está muito melhor.


Somos independentes, tomamos decisões sem estar preocupado com a duração do mandato.


A escolha de Keizer, competência técnica, liderança do grupo, gestão do grupo e comunicação. É um grande treinador, um grande senhor!


Muito do sucesso que Marcel Keizer vem da qualidade da nossa estrutura. Beto e Hugo Viana, trabalho fantástico, descrição, profissionalismo competência. 


Não é preciso grandes recursos financeiros para atrair as pessoas, é preciso ter um projecto que as atraia. Consegui trazer as pessoas que nos interessavam apenas com uma conversa.


Eu era a pessoa mais feliz se tivesse continuado com Peseiro até ao final da época. Mas seu sou presidente do SCP que é um clube com muita exigência e tem que mandar, que se assumir como favorito. Tem que ter um futebol atractivo.


Hoje sinto-me confortável em situações de stress. A decisão despedimento de Peseiro foi uma decisão tranquila.


Hoje dá-me uma grande satisfação que em 100 dias os Sportinguistas acreditam que o Sporting pode ser campeão. Eu acredito.


O Sporting vai estar atento ao mercado.


O Sporting vai acabar por bater os seus rivais não pelo barulho, mas pela inteligência e competência.
Uma palavra muito especial para os adeptos que estiveram no estádio no domingo: um estádio a cantar e puxar pela equipa, que está a perder por 2-0, isto afecta os adversários, que esperava que estivéssemos no tapete.


Matheus Pereira e Geraldes são regressos possíveis. Já há coisas definidas para o imediato e para Junho.


Veremos se há mais renovações, Marcel Keizer está a pouco mais de um mês no clube.


Sturaro é uma pasta que nós herdámos. Estava para vir em Novembro mas só virá se estiver bom. Não queremos fazer recuperações a jogadores para estarem bem em 2019. Isso no Sporting não existe agora.


Muito já foi feito na Academia em três meses. A estrutura está montada. Há qualidade para ser trabalhada, mas temos que dar condições a quem lá trabalha., temos que formar o melhor possível porque o Sporting terá que viver da formação.


Os miúdos precisam de regras, de disciplina e valores, ao mesmo tempo que os formamos como jogadores.


Muito está ainda por fazer. Está lançado o concurso para a substituição dos sintéticos com 10 anos, os de relva natural têm 15 anos. Iniciámos projecto para nove novos campos. 


A estrutura da Academia não está fechada, vão entrar mais pessoas.


É obrigatório (continuar a investir nas modalidades) O Sporting não é um clube de futebol somos o SCP.


Gabinete de Planeamento e Estratégia das modalidades está implementado.


Aumentamos em 22% GB Modalidades.


Aumentamos 11% a assistência no PJR.


Já tivemos cerca 10 dias Sporting (modalidades + futebol).


Falta agora dar vida às zonas em volta do PJR e Estádio.


Todos os escalões das modalidades terão equipas femininas.


O basquete é uma realidade e o treinador será apresentado em breve.


O judo é um exemplo de uma modalidade que os Sportinguistas se orgulham. O prof. Pedro Soares faz há anos um trabalho extraordinário, até em bairros com realidades sociais complicadas. Não tem as condições das modalidades profissionais, mas formam uma armada que se bate com os melhores da Europa.


O EO não podia ser na pior altura e em piores condições mas está feito.


Agora estamos numa segunda fase, a reestruturação financeira está em curso.


A auditoria financeira deverá ser apresentada por meados de fevereiro. Não procuramos nenhuma caça às bruxas. A vida do Sporting tem que continuar, não podemos ficar presos ao passado. A preocupação é com o futuro.


Acredito que até final de Janeiro teremos resolvido o “dossier Gélson”, com acordo.
Há uma garantia em relação aos processos de Rafael Leão e Podence: iremos até às últimas consequências se não houver acordo.


Esta AG cumpre e respeita os estatutos. As suspensões e expulsões não são uma decisão desta direcção. A AG decorre do recurso dos sócios em causa. Enquanto direcção não tenho nada que comentar.


Toda a gente já percebeu a nossa forma de trabalhar. Temos tido óptimo feedback dos clubes, da FPF e LIGA.


Há mais de três anos que não recebemos um jogo da selecção. Temos que normalizar as relações institucionais, sem abdicar dos nossos valores. As instituições sabem que hoje têm no Sporting um verdadeiro aliado para valorizar o futebol.


Não quero acabar com claques. Estão a haver reuniões civilizadas entre as claques e o Sporting e vamos chegar a um acordo. Há coisas que já mudaram, outras estão a mudar.


Vive-se no Sporting um ambiente de espirito independente e de livre opinião. Isto tem a ver com um novo estilo de comunicação. Não é preciso estar sempre a falar ou a fazer barulho. Não vou criar factos para poder falarEu não ladro, mas se tiver que morder, mordo. É esse o nosso estilo.


A Sporting TV é hoje livre. Não há cartilhas. O passado não vai ser editado. Eu vivo bem com a critica. 


Confio no estado de direito e na justiça e acompanho todos os processos com atenção.


Nunca vamos ter a vergonha de ter a PJ a voltar a entrar no Sporting com esta equipa.


Vamos dinamizar as lojas verdes, seja no estádio.


O Sporting é um clube que tem muita responsabilidade social, tem que dar o exemplo e é o que temos feito nas mais diversas vertentes. 


Queremos mais mas com os pés assentes na terra. Sabemos que podemos “chegar lá” mas com muita inteligência.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O próximo grande desafio de Keizer: o teste do autocarro

Aqueles lugares comuns que buscamos para falar do futebol são sempre actuais. O futebol desperta paixões é um deles e que a paixão tolda a razão é outro que também se pode usar para nos referirmos à ciclotimia crónica de que enfermam os adeptos e não menos os comentadores do fenómeno desportivo. 

Senão vejamos: a 15 de maio o Sporting sofria um rude golpe infligido directamente no coração que não apenas lhe poria em causa o seu prestigio, como o deixaria depauperado de um parte substancial dos seus melhores valores e imerso numa profunda crise, cujos contornos e consequências estão ainda por apurar. 

A época que se avizinhava era aguardada até nas versões mais optimistas como uma penosa travessia do deserto. Impressão que se foi cimentando com um estágio de pré-época digno de uma equipa amadora em excursão, um treinador sem qualquer carisma e de imagem desgastada junto dos adeptos, que só o resgate de Bas Dost e Bruno Fernandes ajudaria a atenuar. Hoje percebe-se ainda melhor o quanto esta acção acabaria por ser determinante para a saúde do actual Sporting. Só não se percebe como é daqui se saltou para voltar a falar em titulo nacional. Mas, se tal sucede, há dois nomes incontornáveis: o treinador Keizer e Frederico Varandas, que assumiu o risco da sua contratação.

Mais do que os resultados seriam as paupérrimas exibições a obrigar Frederico Varandas a sair do seu cadeirão de conforto que o desresponsabilizava da escolha do treinador. Isso e um discurso desmotivante e desagregador de Peseiro, incompreensível mesmo à luz das circunstâncias difíceis que encontrou para o desenvolvimento do seu trabalho. Ainda assim, a escolha do momento e do nome do treinador acabaria por surpreender toda a gente.

Mas, mais do que o nome e o momento, está a ser a forma discreta mas eficaz e convincente como Marcel Keiser  soube dar a volta a uma equipa sem alma e, porque não dizê-lo, de reduzidíssima auto-estima. Resultados e exibições eloquentes e em crescendo depressa fizeram esquecer o ribombar das criticas e dos receios expressos sobre o acerto da decisão. Na sua maioria por se fixarem no curriculum e outro tanto para esconder a ignorância total. Faltou perceber que mais do que qualidade o curriculum atesta o passado e as circunstâncias em que ocorre e não tem que significar uma sentença sobre o futuro. A verdade é que só mesmo quem conhecia o treinador e o seu trabalho lhe poderia adivinhar o potencial que agora a rápida e dramática forma como operou a transformação da equipa todos se apressam a reconhecer.

O Sporting de Keizer deve muito da sua subida auto-estima e de qualidade exibicional à simplicidade de processos como reorganizou o modelo de jogo. Este baseia-se numa maior proximidade de sectores e e dos elementos, que permite não só maior posse como uma resposta mais pronta e melhor organizada quando a bola é ganha pelo adversário. O recurso a cruzamentos constantes, à procura do milagre habitual de Bas Dost, foi substituído por uma maior procura e ocupação do corredor central, sem medo de enfrentar o bloco defensivo do adversário. A forma, o número de elementos que coloca e a qualidade como chega às zonas frontais à baliza adversária definem grande parte do sucesso das finalizações, que aumentaram significativamente.

Claro que os dois encontros iniciais não foram muito convincentes para críticos e adeptos, muito pelo baixo valor facial dos adversários. E nem a goleada, cada vez menos usual, aplicada ao Karabak, diminuiu a controvérsia sobre a escolha Keizer. O encontro com o Rio Ave assumiu-se como o derradeiro teste à consistência da equipa verde e branca. Como se sabe hoje, o teste foi passado com distinção, provocando a rendição da critica e dos mais indecisos.

Como é bom dever algum do sucesso imediato se deve, além dos méritos do treinador, ao factor surpresa. Factor que tenderá a desaparecer no imediato, com os técnicos adversários a terem mais tempo para analisar o "modelo Keiser" e a construírem os seus próprios antídotos. Os próximos quatro jogos do Sporting serão jogados em casa e aí será possível ver como se propõem os adversários a enfrentar os leões. Veremos então se a proposta de Marcel Keiser também é à prova de dos tradicionais autocarros a que recorrem muitas vezes as equipas de menor recurso.

Além desse há um outro teste a enfrentar pelos homens do holandês até agora tranquilo: a impaciência do tribunal de Alvalade, por oposição à serenidade e jogo de aturados equilíbrios que a equipa exibiu em Vila do Conde e onde se fundaram muitas das razões para o sucesso alcançado.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Despedir Peseiro: necessidade imperiosa ou erro estratégico?

Comecemos pelo principio: a escolha de José Peseiro para treinador do Sporting foi um rotundo erro. Não tanto pelas suas capacidades como treinador, mas pela ausência de tolerância a que estaria condenado pelo seu historial, particularmente o que ficou escrito na época 2004/05. A aura de azarado desaconselharia sempre a sua contratação num clube onde a história das últimas décadas está marcada também pela falta de sorte nos momentos de decisão. Tanto assim é que a rotura nesta mais recente ligação é potenciada por algo que nenhum treinador consegue evitar: os erros individuais. Não fora as falhas clamorosas de André Pinto e não estaríamos agora envolvidos em mais uma crise.

Mas se não fosse agora é muito provável  que a crise se estabeleceria mais adiante, noutra derrapagem qualquer. Ao contrário das expectativas criadas, só por milagre este seria o ano do Sporting. Os milagres por vezes acontecem, mas para isso é preciso um trabalho competente que manifestamente não foi feito desde o início da época e isso é cada vez mais perceptível à medida que esta avança. Preparação deficiente, plantel construído às prestações e cheio de fragilidades. Juntar a tudo isto uma comunicação "pateta alegre", que apontou ao título numa conjuntura altamente desfavorável, só serviu para confundir criar expectativas que nem em momentos de maior estabilidade foram cumpridas.

Todos os ingredientes para uma passagem meteórica de Peseiro estavam na panela, a cedência à pressão dos adeptos fez o resto. A decisão de Frederico Varandas parece ter muito mais a ver com a submissão a essa pressão do que sustentada na racionalidade. Um estádio vazio e ainda assim cheio de lenços brancos, uma derrota com quase uma segunda equipa de um Estoril de divisão secundária parecem estar na origem da rotura. Decisão que, pela declarações recentes, já estava tomada. Quer por não ser este um treinador escolhido pela actual direcção quer sobretudo pela paupérrima qualidade das exibições. Não se sabia era o timing em que ocorreria. Um grande sinal de falta de empatia é o facto de não haver aparições publicas de presidente e treinador registadas em imagens.

Ora o timing escolhido (?) tem todos os ingredientes de tragédia à espera de acontecer. Talvez o único treinador que aplacasse a impaciência e irracionalidade da turba fosse Leonardo Jardim. Mas o técnico madeirense tornou-se num peixe demasiado grande para as nossas redes. Ao passo que nós, o Sporting, somos precisamente a antítese de um clube atractivo para qualquer treinador, excepto, claro está, para os Vercauterens desta vida. Todos eles conhecem o passado recente e as dificuldades que enfrentarão. Nomes como por exempo, Rui Faria ou Paulo Sousa dificilmente arriscam a sua estreia a solo no futebol nacional nas condições que os esperariam.

Até ao jogo com o Chaves o Sporting tem jogos de quatro em quatro dias (Sta. Clara fora, 4/11, Arsenal fora, 8/11, Chaves casa, 11/11. Não há nenhum treinador do mundo que seja capaz de alterar o que quer que seja numa equipa que revela tantas insuficiências colectivas. Quando surgir algum espaço para treinar e tentar introduzir alterações entre 11/11 e 25/11, o Sporting poderá estar ainda mais longe dos seus rivais do que Peseiro nos deixou.

Frederico Varandas precisará muito mais do que de sabedoria na escolha do novo técnico. Apesar do futebol sofrível de Peseiro, o que será lembrado daqui em diante é que foi despedido a dois pontos da liderança. Inclusive por aqueles que pediam a cabeça do treinador desde a data do anúncio da escolha de Sousa Cintra. Ou pelos que, por razões consabidas, contestam o actual presidente desde a  comunicação da sua candidatura. Já o culpavam da presença do treinador, culpavam-no de não o despedir vão culpá-lo de o ter feito, bem como da escolha do seu substituto. 

Para se compreender inteiramente esta decisão de Frederico Varandas neste timing - que equivale a deitar fora uma espécie de seguro de vida - tem que se perceber o efeito da pressão dos adeptos sobre os órgãos sociais, em particular numa direcção à procura de afirmação num dos piores contextos internos de que tenho memória. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O que nos disse o presidente de "um clube ingovernável"

Surpreendeu muita gente e indignou outros o titulo da entrevista a Frederico Varandas. Obviamente que o Expresso tem de vender nas suas várias plataformas e iria escolher para o título uma "punch line". Talvez fique para outra vez a reflexão sobre a efectividade do titulo, mas ninguém ignora que a miríade de facções, sensibilidades e personagens de sensíveis a inchadas, é um factor que frequentemente enfraquece o clube. 

Mas tal não acontece tanto por causa da existência de várias formas de olhar a realidade, que faz da pluralidade Sportinguista uma riqueza, mas pela importância que os adeptos frequentemente conferem a quem as profere. São poucos os que hoje actuam e se pronunciam no universo Sportinguista de forma independente. O mais comum é reconhecermos nas opiniões o serviço prestado a um determinado interesse ou personagem, ou o receio de hostilizar a opinião do grupo a que pertencemos. É até comum sentirmos mais fidelidade nessas relações que no que aos interesses reais do Sporting diz respeito. E aí sim, o Sporting torna-se ingovernável, pelo excesso de ruído e irracionalidade à sua volta. 

"Não contem comigo para alimentar este circo."
A entrevista é oportuna e esclarecedora relativamente ao tipo de liderança que Frederico Varandas quer impor. Um estilo que contrastará de forma significativa com o que o precedeu. A frequência das intervenções até agora já assim o confirmam. Não haverá pois entrevistas frequentes, confissões de estados de alma via redes sociais, promoção pessoal à custa da exposição mediática que o cargo confere, críticas por essa via aos jogadores. Parece-me uma boa noticia, excepto para aqueles que viam no presidente do clube um guia espiritual, um pai ou uma mãe ausentes, líder de banda ou seita religiosa. Ou pelos que precisavam de frases fortes para se relacionarem com o clube ou até mesmo para bramir nas redes sociais. 

Se com esta nova atitude os protagonistas no Sporting voltarem a ser os atletas tanto melhor. E aqui e nomeadamente no relacionamento com os adeptos, há um grande trabalho a fazer, mesmo considerando as melhorias recentes. Mas ninguém admitirá que o silêncio seja a resposta sempre que o Sporting seja posto em causa. Obviamente que aqui não me refiro a qualquer obeso, jornalista de vão de escada que se use o nome do clube para se promover. O presidente do Sporting não deveria nunca descer à mesma pocilga onde estes seres se espojam.

"Sou muito pragmático e não me interessa nada do que ficou para trás, negócios Gestifute. Sim, o Jorge Mendes ajudou neste caso e os interesses do Sporting ficaram defendidos."
Pragmatismo talvez seja a palavra certa. É-me indiferente a quem o Sporting paga comissões nas transferências desde que os seus interesses  sejam defendidos. A Jorge Mendes cabe defender os seus e ao presidente do Sporting elegemos para defender os nossos. Os termos do negócio com o Wolverhampton foram explicados. 

Wolverhampton paga €18 milhões pelo Rui Patrício e o Sporting encaixa €14 milhões; os outros €4 milhões serão para os intermediários, sendo que a Gestifute, que era credora de €7 milhões do clube, abdicou de três. E o Rui abdicou de €1 milhão, do ano de contrato que restava do Sporting, e de €5 milhões, pelo prémio de assinatura. 

Longe de me deixar satisfeito pelos números envolvidos, atendendo ao valor de Rui Patrício, não deixam de ser valores muito semelhantes ao que havia sido negociado anteriormente em condições muito  mais favoráveis que as actuais. Mais do que um negócio é uma contenção ou prevenção de danos maiores. Avaliarei oportunamente a habilidade negocial de FV, assim o clube possa voltar a ter uma posição negocial forte na mesa de negociações, que manifestamente não é o caso das rescisões.

"Estes casos do Benfica são uma vergonha para o futebol português, uma vergonha"
Com esta frase lapidar ficou-se a saber que o Sporting não irá mudar as suas reivindicações relativamente aos vários processos a correr na justiça, fá-las-á provavelmente de forma diferente. Fica-se para já por saber como serão as relações institucionais entre os dois clubes e qual será o relacionamento com os demais clubes e instituições que o tutelam. Era bom que a menção "en passant" ao processo cashball deva ser tida por nós como um sinal de despreocupação... 

"Sinto-me satisfeito com a qualidade do jogo? Não. Nem eu, nem o grupo, nem o treinador"
Falar sobre um treinador que muitos adeptos colocaram a a cabeça a prémio desde o primeiro dia seria sempre matéria sensível. Se vai falar de um treinador que não se escolheu, como foi o caso, mais ainda. Mas a matéria era incontornável, tão incontornável como passível de milhentas interpretações. Além do óbvio que se lia - que o futebol não estava à altura do mínimo desejável e possível  - ficou a desvalorização do momento actual por força do contexto com dois objectivos claros: apontar o foco no futuro e aliviar a pressão sobre a actual direcção pelo facto de não ter tido outra possibilidade que não "herdar a criança".

"O empréstimo obrigacionista está montado e intermediado pelo banco Montepio, com cerca de €30 milhões para emitir em dezembro"
Este anúncio, já conhecido do dia anterior à entrevista, veio desmentir rumores postos a circular, sabe-se lá com que realismo ou que intenções ocultaria, de que ambos os dossiers seriam adiados. Num momento em que os resultados no futebol são o que são, uma escorregadela aqui seria a primeira grande derrota de FV. Viria dar razão ao seu "amigo" Ricciardi que "que até foi o único a não me dar os parabéns", segundo FV. Mais do que isso seria um foco de profunda preocupação. Porque quem não tem dinheiro não tem vícios e eu quero que este meu vicio passe de geração em geração  e dure até à eternidade.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O cerco ao Sporting

De um lado os "Le(t)ais do Bruno de Carvalho", de outro lado Ricciardi em extremos que se juntam, vai-se apertando o cerco ao Sporting. Seja na produção e difusão de fake news dos primeiros em ritmo diário, seja agora na exibição confrangedora de mau perder e ressentimento do segundo. 

Ambos viram a sua presença nos órgãos sociais largamente rejeitada pelos sócios do Sporting por isso é como dizia o outro: É a vida, habituem-se, porque ao contrário do que tanto gostariam, já não são os donos disto tudo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Os 4 alicerces para a nova casa do leão

Texto escrito no ãmbito da cooperação com o site Fairplay
 
Com a eleição dos novos corpos sociais o Sporting cruzou a linha de fronteira para um tempo novo. Independentemente do que venha a suceder no futuro, é quase garantido que a nova liderança trará uma postura e actuações diferentes das dos seus antecessores imediatos. Isso percebe-se-imediatamente nas primeiras tomadas de posição públicas do novo presidente, Frederico Varandas, e o quanto contrastam com as do seu antecessor.

Elegemos quatro pontos que nos parecem virão a ser fundamentais para os primeiros tempos da gestão de Frederico Varandas e respectiva equipa:

Relações Internas

O lema de candidatura escolhido pelo novel presidente foi precisamente a união interna. Que ela é desejável e necessária ninguém duvida, como se chegará a ela é que já é mais difícil de prever. O final caótico da anterior liderança deixou marcas profundas no clube ainda não totalmente quantificadas e não apenas na situação financeira. Elas são particularmente visíveis numa facção ruidosa e que não está disposta a conceder um mero segundo de graça à nova equipa dirigente, recorrendo para isso a todo o tipo de boatos difundidos a partir das redes sociais.

Para todos, dirigentes incluídos, há noção cristalina de que a actual gestão tem vários dossiers complicados em aberto que requerem decisões rápidas e eficazes. A forma como eles forem sendo encerrados será decisiva para a consolidação da imagem da actual direcção.

O elevado interesse com que os Sportinguistas acompanham o seu clube e a forma como o veneram ficou mais uma vez provada no recente acto eleitoral. Daí que o cumprimento de algumas promessas eleitorais da lista vencedora merecerá também amplo escrutínio. Se a reordenação de toda a Formação representa muito maior complexidade do que simplesmente reorganizar a Academia e cujos resultados vão requerer alguns ciclos, outras promessas há que não necessitarão de tanto tempo para se iniciar a efectivação e notar a diferença.

Entre essas estão a implementação do modelo para o futebol, onde ganha particular relevância o interesse pelo nome escolhido para o Head Scout, bem como dos técnicos que o acompanharão. A constituição da Unidade de Performance e os nomes que acompanharão o seu director e simultaneamente director clinico, João Pedro Araújo. O posicionamento do clube relativamente aos jogadores que rescindiram e que, não tendo regressado, mantêm contencioso com o clube, a procura de novas receitas e a criação de valor com a potenciação do “ecossistema Sporting” suscitarão também interesse e merecerá acompanhamento.

Dossier Financeiro

É nos assuntos financeiros onde a actuação dos novos corpos sociais será mais visível e onde são requeridos resultados praticamente imediatos. À cabeça o revolving do anterior empréstimo obrigacionista, com o objectivo de remunerar o anterior já em atraso, bem como permitir a conclusão da reestruturação financeira que levará a um haircut da divida de quase 70%, em condições particularmente vantajosas e imperdíveis. Terá obrigatoriamente que deixar clarificadas todas as questões levantadas durante a campanha sobre a real situação financeira actual.

Resultados desportivos

Aqui pode estar um presente envenenado. Sousa Cintra entregou a Frederico Varandas a equipa de futebol no comando do campeonato. Algo que não é passível de ser melhorável. Mas pode piorar, sem que a direcção da SAD possa fazer muito para alterar o rumo dos acontecimentos, pelo menos até Dezembro. Falta saber até quando poderá ser disfarçada a forma deficiente como a época foi preparada nos mais diversos níveis, por força do período conturbado que o clube atravessou. Aliás, o que provoca perplexidade em quem observa o clube é a forma como este se levantou desde o profundo abalo que a invasão da Academia, passando pela destituição dos órgãos sociais até às eleições que provocou.

Felizmente as chamadas modalidades conseguiram manter uma linha de continuidade nos seus plantéis e órgãos directivos que lhes permite manter a competividade ao mesmo nível. Mas, desta vez pelas melhores razões, o presente não tem menos veneno. É que os títulos conseguidos em quase todas elas servirão de fasquia para a avaliação de desempenho.

Relações institucionais

Não é um dossier tão urgente ou decisivo como os anteriores mas é uma evidência que o Sporting tem de ter uma estratégia clara relativamente às relações com os órgãos tutelares (FPF, Liga, IPDJ,) bem como com os seus concorrentes e rivais. O Sporting não pode estar fora da definição da agenda, dos regulamentos e ordenação do futebol português. Um capitulo que vai ter de começar a ser reescrito, tal a forma como foram paulatinamente fechadas as portas aos mais basilares entendimentos e cavadas as respectivas trincheiras.

As reacções à presença de representantes do Sporting nos camarotes presidenciais no recente derby é apenas um breve introito de uma intricada teia de posições e interesses quase nunca convergentes. Ainda sem saber o que representa para si o Cashball, o Sporting vive sufocado por dois rivais dispostos a tudo, como se prova pelo Apito Dourado e o mais recente E-Toupeira.

No ambiente pantanoso e subjugado aos mais diversos interesses, a ausência de qualquer presença relevante nos órgãos decisores funciona como um contravapor para as ambições de revitalização do clube. Porque por não há organização, programas ou modelos, mesmo que brilhantes que resultem quando os bons resultados desportivos não acontecem.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Frederico Varandas de presente a presidente

Num mundo em vertiginosa e controversa mudança, é sempre bom sentir a segurança de alguma perenidade, especialmente do que nos é tão querido. É o caso do amor que os Sportinguistas devotam ao Sporting Clube de Portugal, que os faz acreditar sempre e dizer presente, seja nos momentos de crise, seja nos momentos de celebração. E esse sentimento é tão grande e de raízes tão profundas que, como no caso da Assembleia Eleitoral do passado sábado, era difícil de distinguir a qualquer forasteiro que passasse perto de Alvalade, se era dia de romaria, de jogo grande ou, como era o caso, de chamada às urnas. 

Há um cerca de um ano e meio, havia escrito precisamente isto por ocasião das eleições de Março de 2017, que reconduziriam o anterior presidente ao seu segundo mandato:

Como se preciso fosse os adeptos do Sporting decidiram dar ontem mais uma demonstração do insuperável e exemplar amor que nutrem pelo seu clube de coração. Absolutamente notável o que se viu ontem em Alvalade, comprovando, para quem precisasse, que a grandeza deste clube é à prova de qualquer comparação. Esta é daquelas vitórias que não podem ser esquecidas, ainda que não tenha correspondência na nossa sala de troféus. Mas a marca deixada é seguramente impressiva e inolvidável na nossa história.
No sábado decidimos brindar com um poderoso "encore" essa demonstração de vitalidade, sufragrando uma nova equipa de dirigentes, bem como aqueles que com eles concorreram, proporcionando alternativas distintas. O encerramento do processo seria ainda mais brilhante pela forma como a lista vencedora, na pessoa do seu líder (e agora nosso...) Frederico Varandas (FV) soube vencer, bem como a elevação e o sentimento de profundo Sportinguismo dado por João Benedito, na aceitação dos resultados. Essa atitude é ainda mais louvável por aceitar sem desculpas ou subterfúgios as regras de ponderação dos votos que todos sabiam à partida. Esta talvez tenha sido das defesas mais importantes que Benedito efectuou em favor do Sporting Clube de Portugal.

Tal como nas eleições anteriores declaro aqui que o meu total apoio, que durará sempre e enquanto eu sinta que a defesa dos superiores interesses de TODOS NÓS precedem todos os outros. Tornei público aqui o meu apoio à lista que FV liderou, mas não me sinto nem mais nem menos responsabilizado, ou nem mais nem menos mobilizado por isso. Tão pouco menos atento ou vigilante. As listas acabam após o acto eleitoral e, como qualquer um de nós, o meu desejo é de muita sabedoria e de indispensável sorte para os novos dirigentes, em particular FV.

De todos os que podiam ganhar talvez seja ele quem tem a tarefa mais difícil pela frente, mesmo antes de se sentar na cadeira ou assinar uma decisão. Não apenas não ganhou pelo maior número de eleitores como, pior do que isso, tem contra si uma facção que mesmo que não seja facilmente quantificável, é particularmente ruidosa. Pior do que isso, é frequentemente desonesta e não se coíbe de inventar factos, guiões da desgraça e difundir boatos de forma despudorada.

Como provavelmente FV muito bem saberá, não terá por parte dessa facção direito a estado de graça, a que terá que acrescentar a natural desconfiança de todos quantos preferiam outros projectos ou pessoas - mais isto... - à frente dos destinos do Sporting. A isso somar-se-á os efeitos destruidores do vendaval que nos varreu de forma incessante até à destituição do anterior executivo. Efeitos esses que alienaram valor ao plantel, valor à SAD e ao clube. Os cuidados paliativos da Comissão de Gestão e do por si nomeado presidente da SAD, Sousa Cintra, permitiram manter-nos vivos mas desengane-se quem vê no primeiro lugar que a equipa actualmente ocupa um atestado favoritismo. É, acima de tudo, um exemplo de força, confiança e prontidão que a equipa nos dá a todos nós como preparação para o que ainda virá...

Por paradoxal que pareça, é nas imensas e complexas dificuldades que FV e a sua equipa têm pela frente  que estão as oportunidades de se afirmar primeiro e consolidar depois a liderança a que se propôs. Haverá também a quota parte que terá que ser desempenhada por todos e cada um de nós. Assim a liderança nos saiba convocar a todos, sem contudo ficar à espera de unanimismos. Os Sportinguistas saberão dizer presente tal com ele o soube dizer quando os acontecimentos assim o impunham.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Frederico Varandas: «Se houver eleições acredito que ganho»

É médico, tem 38 anos e propõe-se lutar nas urnas contra Bruno de Carvalho. Lança-lhe um repto, ao pedir que se demita e se recandidate, pois o Sporting não aguenta por muito mais tempo o clima de guerra civil.

RECORD: Já se passaram algumas semanas desde que anunciou que tencionava candidatar-se à presidência do Sporting. O que tem feito desde essa altura?

FREDERICO VARANDAS – É importante historiar aquilo que se passou desde esse momento. Fiz duas comunicações numa só a 24 de maio. Pedi a demissão e assumi-me para liderar um processo de candidatura numa possível eleição. Fiz o ‘dois em um’ porque o Sporting estava completamente partido. Pedi que fosse dada voz aos sócios, mas era necessário existir um rosto. Ninguém iria promover uma destituição sem que houvesse uma alternativa. Por mais desgastadas que estivessem, as pessoas perguntariam sempre: ‘OK, destituir para quem, para quê?’. Tomei então a decisão de me demitir e ser candidato se houvesse eleições. Já me encontrava preocupado a 24 de maio, mas agora, a 5 de junho, ainda estou mais, pois o problema do Sporting atingiu outro patamar. Os sportinguistas não podem ficar indiferentes ao que se está a passar no clube. O Sporting foi alvo do maior golpe de Estado democrático! A partir do momento em que houve a demissão de órgãos sociais e se assistiu à substituição dos mesmos por outros… atingiu-se o coração do Sporting. É urgente repor a legalidade e a democracia no Sporting, devolver o poder aos sócios. Os sportinguistas têm de perceber que perderam o poder. Os sportinguistas votaram, mas esse voto vale zero se tudo isto continuar. Os órgãos sociais eleitos pelos sportinguistas foram destituídos de um momento para o outro sem fundamento estatutário. Isto é uma loucura, é perfeitamente surreal.

R: Pode falar-se na existência de uma ditadura?

FV – Quando o regime democrático é posto em causa… sim! É disso que estamos a falar. Se há uma semana pedia a Bruno de Carvalho para convocar uma assembleia geral e ouvir os sócios, hoje em dia o meu pedido é diferente. Peço-lhe que se demita, convoque eleições e se recandidate.

R: Ele não parece ter essa intenção. De que maneira se desata o nó?

FV – Espero que esta entrevista sirva de ajuda a Bruno de Carvalho. Que ele tenha um mínimo de coragem, peça a demissão e se recandidate. Vou dizer-lhes porquê. Está a haver imensos movimentos – providências cautelares, processos judiciais, possíveis suspensões –, mas esse não é o caminho. Isso não vai unir o Sporting, apenas acentua ainda mais as feridas já existentes. O futuro presidente do Sporting tem de estar altamente legitimado e só há uma maneira de o legitimar… ouvindo os sócios! Bruno de Carvalho diz que está legitimado por ter tido 90 e tal por cento numa AG onde supostamente estiveram 6 mil pessoas. OK! Se tem 90 e tal por cento, então tem medo de quê? Venha a jogo! Só isso lhe dará legitimidade e paz. Um líder que tem medo de ouvir o povo é um líder fraco e sem força moral, está condenado à nascença.

R: Crê que pode ser mais forte num frente a frente com BdC?

FV – Se houver eleições sou candidato, isso que fique claro. Estou em condições de me colocar em jogo para esclarecer o Sporting. Vou a jogo contra Bruno de Carvalho. Mas esse é, por agora, um cenário hipotético. Não quero é que haja guerras entre órgãos sociais, disputas nos tribunais. Então estamos a pedir ao exterior [aos tribunais] que decida como é que o clube se deve governar? Não! O Sporting tem de saber governar-se internamente. É preciso dar um murro na mesa e legitimar o futuro presidente do Sporting. A forma inequívoca de o fazer é realizar eleições.

R: Vê algum motivo para que ele não se demita?

FV – Não vejo que alguém que goste do Sporting não faça aquilo que estou a pedir.

R: Ele teme perder o poder?

FV – Não sei, pois não estou dentro da cabeça dele. Sei é que não vejo um motivo para que alguém que diz gostar tanto do Sporting o esteja a sujeitar a isto.

R: Qual é a melhor data para se realizar o sufrágio?

FV – Ontem... já era tarde!

R: Bruno de Carvalho critica o ‘timing’ da sua saída. Tem razão?

FV – A partir do momento em que Bruno de Carvalho começa a desviar-se dos valores do clube, o meu primeiro dever de lealdade é com o Sporting, não é com o presidente. Nunca um presidente estará acima de um clube.

R: Disse-lhe isso?

FV – Ele percebeu pela minha cara...

R: Quando notou que o ‘desvio’ era insanável?

FV – Foi neste último ano, sendo resultado de várias situações. Culminou com o clube completamente partido e em guerra civil. O Sporting nunca esteve tão dividido como hoje. Passámos agora para outro patamar, que é o da violação dos estatutos do Sporting, do nosso código genético, do garante da nossa soberania enquanto clube democrático.

R: A comissão transitória está a usurpar os poderes?

FV – Os estatutos são claros. Se existem órgãos eleitos pelos sócios, esses mesmos órgãos não podem ser demitidos e substituídos pelo presidente do Conselho Diretivo. A separação de poderes foi violada, o sócio do Sporting perdeu o seu poder.

R: Planeia comparecer nas AG previstas para os dias 21 e 23?

FV – Espero que Bruno de Carvalho tenha o mínimo de coragem, peça a demissão e se recandidate. Espero não ser necessária nenhuma AG. Se nada suceder só reconheço a marcação de uma AG, a do dia 23.

R: Porque não foi anteontem à manifestação?

FV – Não fui e... não gostei de ler um ‘post’ do diretor de comunicação, no qual brincava e gozava com os sócios que lá estavam. É esta cultura que tem de acabar, não há sportinguistas de primeira e de segunda. Eu, por exemplo, respeito os sócios que defendem a continuidade de Bruno de Carvalho. Peço que se dê um banho democrático ao Sporting, que se realizem eleições. O futuro presidente do Sporting tem de ter o engenho, a competência e a comunicação para unir o Sporting. Só o verdadeiro amor ao clube conseguirá unir, curar e regenerar o Sporting. Bruno de Carvalho não tem competência para o fazer, pois é incapaz de unir.

R: BdC é hoje um homem diferente em relação ao que era em 2013?

FV – Esse Bruno de Carvalho seria o primeiro a pedir a sua própria demissão. Peço, por isso, ao adepto e associado Bruno que convença o presidente Bruno a promover eleições. Creio que o Bruno presidente terá a coragem de fazer aquilo que é impreterível fazer.

R: BdC diz ter "mais honra militar do que alguns que hoje afirmam ser militares", argumentando que "nunca se deixam os colegas no combate". Como reagiu?

FV – Simplesmente ri-me. Quem diz ‘colegas’... está tudo dito! ‘Colega’ é uma palavra que não existe na tropa.

R: Bruno de Carvalho foi assistido à zona lombar na receção ao Paços, tendo surgido uma fotografia dele no balneário. Foi você que a tirou?

FV – Ele sabe que não fui eu. Não sei quem a tirou, mas sei quem não foi. Não foi ninguém do departamento médico e ele sabe disso. 

«Não recebemos lições de ninguém no corpo médico»

 R: A sua demissão deixou vaga em aberto na direção clínica do Sporting. Na sua equipa, quem será o seu ‘Varandas’?

FV – Se for presidente, já tenho o departamento médico completamente fechado. E garanto que mantém a qualidade. O diretor, se calhar, até é melhor do que eu [risos]. Está definido.

R: Na sequência da sua saída, os restantes médicos também rescindiram contrato com o clube, num ato solidário.

FV - Outra coisa de que fui acusado: o médico demitiu-se e ficou tudo órfão. Não exigi nenhuma demissão em bloco. Tive uma reunião com todos os médicos, expliquei o que fiz. Ficaram surpreendidos. Cada um tomava a decisão que entendesse, mas até 30 de junho os serviços médicos teriam de ser garantidos. E estão a ser. O despedimento de todos os fisioterapeutas, isso sim, surpreendeu-me. Se há coisa onde o Sporting não recebe lições de nenhum clube, é na estrutura médica. Retaliação? Não sei. Sei que foi mais um tiro no pé, um de muitos.

«Que Marta Soares saiba defender o clube»

R: Tem alguma crítica a fazer ao presidente da MAG [Jaime Marta Soares]?

FV – Não quero ter nada a ver com a MAG, que tem de fazer o seu papel. É importante compreender que Bruno de Carvalho é o presidente do Conselho Diretivo e Jaime Marta Soares é o presidente dos sócios, é a figura número um do clube. Não fui eu que indigitei Jaime Marta Soares para presidente da MAG. Foi Bruno de Carvalho, o qual tem de assumir a responsabilidade. Perguntam-me se a MAG devia ter feito isto ou aquilo? Não sei nem quero saber! A MAG é um órgão soberano do Sporting, nada tenho a ver com isso. Espero que Jaime Marta Soares, o presidente dos sócios, saiba defender o clube da melhor maneira.

R: Acha que o está a fazer?

FV – Espero que sim...

«Sporting está na unidade de cuidados intensivos»

 R: Recentemente afirmou que o Sporting "está doente". Acredita que é possível existir cura, tendo em vista a próxima temporada?

FV – É, sem dúvida. A época não está comprometida. O Sporting é um clube especial, com muita força. Não são os resultados desportivos que definem o futuro do Sporting, nunca foram. São 18 anos sem vencer o campeonato, mas a lutar e a encher estádios. Não vai acontecer, mas se forem 28, serão. Não podemos é negligenciar e enfiar a cabeça na areia. Hoje, o Sporting nunca esteve tão dividido. A mudança tem de ser com alguém com capacidade de unir. E não é o gostar mais do futebol ou do hóquei, esqueçam isso. É o amor ao Sporting. Quem quiser isso, vai estar comigo. Não tenho dúvidas nenhumas que o consigo fazer.

R: Não será mais uma época que já está hipotecada à nascença?

FV - Isso preocupava-me há uma semana. Neste momento, preocupa-me a sobrevivência do Sporting como o conheci. Falar de futebol, treinador, preparação, quando está em causa a violação dos estatutos… Quem conhece futebol sabe que isto terá um preço na próxima época. Mas agora estamos a discutir coisas muito mais profundas, como a própria existência do Sporting. Estamos hoje num patamar onde o voto do sócio vale zero. E o poder do Sporting tem de estar sempre nas mãos dos sócios.

R: Considera então que o Sporting está em estado crítico?

FV - Está, o Sporting que conhecemos está na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI). E temos de perceber se queremos desligar a máquina ou tirá-lo de lá. Do que depender de mim, a máquina do Sporting nunca será desligada. Mas é altura de os sócios perceberem que o Sporting está na UCI. Ando na rua, em Lisboa, e milhares de pessoas falam comigo. Sei que a larga maioria das pessoas percebe que o Sporting não está bem. O apoio que tenho tido tem sido inacreditável, nem eu próprio esperava isto. Creio que as pessoas acreditam em mim como uma solução, e não como um problema. Mais do que treinadores ou jogadores, a função do presidente que chegar tem de ser a de unir o clube. Assim como está, partido, não ganhamos a ninguém.

R: O facto de não ter um passado ligado à gestão pode ser um argumento usado contra si?

FV - Em tudo na vida quando lidero, lidero uma equipa. E não lidero uma equipa de ‘yes men’. Sou forte porque a minha equipa é muito forte, sempre foi assim! É uma equipa competente, especializada em cada área. Sei o que sei e sei o que tenho de ouvir. A minha força está na equipa que vou trazer - se houver eleições. A minha liderança não é autocrática, sei liderar. Existem determinadas áreas que são a minha vocação, por exemplo o ‘core’ do Sporting. Sei o que é o clube. Depois, noutras áreas específicas vou ter um especialista altamente qualificado. E tudo o que acontecer de mal serei eu o responsável. Lidero em equipa.

R: Essa equipa já está pensada? Existem contactos?

FV - Está completamente fechada. É uma equipa jovem, profissional e altamente competente. Não avanço com nomes, pois não estamos num ato eleitoral.

R: Tem alguém com passado nos órgãos sociais do clube?

FV - O Conselho Diretivo terá gente nova e competente. Mal fosse que em 170 mil sócios não houvesse pessoas com qualidade. Existe mais Sporting para além disto...

R: Caso venha a ser presidente, suspenderá as suas funções enquanto médico?

FV - Completamente. Serei um presidente profissional, 24 sobre 24 horas. Considero esse o meio mais transparente que existe. Não posso exigir competência se as equipas não forem profissionais, tal como fez Bruno de Carvalho. Esse é o modelo mais transparente. Uma pessoa vai para presidente do Sporting e vive de quê? De onde vem o seu ordenado? Isso é que eu acho que levanta suspeitas. Para mim há um pilar fundamental no Sporting: transparência. E saber dignificar o Sporting sem nunca perder a competitividade. Isso é um pilar básico.

R: Aceita a faceta de presidente-adepto? Planeia sentar-se no banco de suplentes?

FV - Aceito a faceta de presidente-presidente. O Sporting precisa de um presidente profissional, uma pessoa com paixão e pulso, mas também com muita cabeça.

R: É esse o seu estilo?

FV - Existem vários, cada um tem o seu. Serei o que sempre fui: simples, transparente e discreto. Sei o meu lugar. O presidente está lá para servir o Sporting. Existe um espaço que é para os jogadores e um outro que é do presidente. Confesso que fico preocupado quando vou ao estádio e vejo tarjas a dizer: ‘Zero ídolos’. Isto é condenar o futuro do Sporting. Sou sportinguista porque cresci com o ídolo Manuel Fernandes, com o ídolo Balakov, com o ídolo Luís Figo. Nunca vai haver um miúdo de 6 anos que se torne sócio por causa do presidente. Isso não existe! Um clube precisa de ídolos. E quem é que eles são? Os atletas! Ídolos no futebol, no andebol, no hóquei em patins, na ginástica, no atletismo.

R: E onde encaixa aí o presidente?

FV - Tem a missão de tentar tornar profissionais em ídolos. Não podemos cultivar o ‘zero ídolos’, isso tem de acabar. Os miúdos gritam e choram pelo Rui Patrício, pelo Bas Dost, pelo William, pelo Battaglia, pelo Girão. O clube é isto, só movimenta novos sócios com ídolos.

R: Caso se verifiquem mais rescisões, pode encontrar o clube numa situação de falência técnica. Está preparado para isso?

FV - O Sporting nunca vai acabar, tem uma dimensão que jamais acaba. Se tiver de se reerguer, reergue-se, seja de onde for. A massa de sócios nunca acabará. Agora, depende é do nível do qual vamos ter de nos reerguer.

«Nunca tive um profissional tão bom como Patrício»

 R: O que sentiu ao ler a carta do pedido de rescisão de Rui Patrício?

FV – Li e vivi aquilo! É o resultado da má gestão do Conselho Diretivo e de Bruno de Carvalho em relação aos seus profissionais. É o resultado de inúmeros erros de liderança graves. Não gosto de ver jogadores a fazer comunicados nem a rescindir. Tenho de defender o Sporting, mas também preciso de perceber como se chega a este ponto. Onde está o líder? Essa é uma das razões que me levaram a pedir a demissão.

R: Compreende os motivos invocados para reclamar justa causa?

FV – Não sou jurista. Há profissionais que estão a tomar atitudes que se calhar não são as melhores para o Sporting nem para eles. E pergunto: Porque é que se chegou a este estado? Não posso ter um presidente que apoia a equipa quando ganhamos e vira adepto quando perdemos. Não é assim que se lidera.

R: Surpreendeu-lhe a decisão de Rui Patrício?

FV – Até ao dia em que pedi a demissão nunca tive um profissional tão bom como Rui Patrício. Durante o tempo em que lá estive, nunca faltou a um treino por doença, nunca deixou de treinar porque estava maldisposto. Deu um exemplo a todos os miúdos. Há dois ou três anos fui receber um prémio na Gala Sporting em que Bruno de Carvalho considerou Rui Patrício o futebolista do ano. O Rui estava fora e pediu-me para ir receber o prémio. No discurso disse que ainda fico surpreendido com aquilo que ele faz. É o número 1 da Seleção, número 1 do Sporting e continua a treinar-se como se estivesse no 1º ano de sénior. Se tivéssemos mais 6 ou 7 como ele… onde estaria o Sporting!

R: Ainda assim alegou justa causa para rescindir…

FV – Aí já mete outras variáveis, empresários e advogados… As pessoas desvalorizam o que aconteceu em Alcochete. Aquilo marca! Os jogadores acham que nunca mais terão condições para pisar Alcochete e Alvalade. Aquilo nunca poderia ter acontecido.

R: Houve incúria do clube na fatídica tarde do ataque à Academia?

FV – Esse é o dia mais negro da história do Sporting. O presidente é o responsável pela academia, pela segurança da academia, pelo grupo, pelos seguranças. Por tudo e mais alguma coisa. A responsabilidade é sempre de quem lidera. A má relação criada entre os profissionais de futebol e a massa adepta muito contribuiu para aquilo.

R: Quem é o responsável?

FV – O presidente é sempre o responsável!

R: Acha normal uma claque entrar nas instalações do clube para pedir satisfações a quem quer que seja?


FV – Não. Estive no Sporting que ficou em 7º lugar e não vi aquilo. Já vi manifestações de desagrado na academia, no parque de estacionamento, no aeroporto e à saída do estádio, mas nunca tinha visto semelhante coisa.

R: Se for eleito qual será a relação com as claques?


FV – As claques querem o melhor para o Sporting. Ora, quem quiser o bem do Sporting estará comigo, quem ama realmente o Sporting estará comigo. Eu próprio fiz parte da Juventude Leonina quando andava no liceu.

R: Ainda há volta a dar quanto às decisões de Rui Patrício e Podence?

FV – Enquanto sócio estou a fazer o que posso. O Sporting tem de preservar os seus ativos financeiros e desportivos.

R: Mas pode acontecer uma autêntica debandada…


FV – Isso não pode acontecer. Não pode, não pode! Não admito esse cenário. Seria um cataclismo financeiro e desportivo.

«BdC teve bons técnicos mas não soube lidar com eles» 

R: Sente-se confortável em ser presidente já com decisões definidas por outrem?

FV – A realidade neste momento é um diretor desportivo, [Augusto] Inácio. Quando assinou, ele disse que nunca seria um problema, mas sim uma solução. Conheço-o, estou descansado. Tudo para além disso neste momento é absurdo falar. Tenho tudo bem organizado na minha cabeça. Gosto muito de futebol e tenho identificado o que está mal. Academia, formação, prospeção de atletas não formados no Sporting...

R: Fala em concreto de quê?

FV - Não venho do futebol, mas acredito muito no meu ‘know-how’. Há coisas básicas que se foram perdendo. Não se impõe a um jovem que sinta o clube, ensina-se o que é. Houve uma perda de identidade do jogador da Academia. Chegam aos seniores e veem o Sporting quase como entreposto. Um miúdo tem de beber o futebol. Para mim é claro que os jogadores da Academia têm de ir ao estádio. Nenhum miúdo tem o desejo de ser do Sporting se não o vir a jogar. Não é em Alcochete, a 70 quilómetros. Aprendem o quê? Aprendem ali, a ouvir os sócios, os cânticos. Aí se cria o bichinho.

R: Falta, portanto, maior aposta nos produtos da Academia?

FV - É mais grave. Aurélio Pereira, que será para sempre um símbolo e um senhor sobre o qual me arrepio a falar, já não trabalha no Sporting há um ano por questões de saúde. Mas não houve essa substituição. Foi falta de coragem? É preciso perceber que há ciclos. A formação tem de voltar a ser competitiva.

R: Deixou-se ultrapassar pelo Benfica?

FV - Perdeu muita da qualidade que tinha. Mas vamos mais do que a tempo para a recuperar.

R: Como vê a saída de Jesus?

FV - Foi mais um grande treinador que Bruno de Carvalho teve a competência e arrojo de ir buscar, mas com outro tipo de liderança, tinha dado mais. BdC tem esse condão, de ter escolhido sempre bons treinadores, mas não soube nunca lidar com eles.

R: Sá Pinto pode ser a solução?

FV - Não vou falar de treinadores… Hoje estou a tratar do coração do Sporting, para bombear forte. Essa é a prioridade.

«Se há algo que está bem feito são as modalidades»

 R: Tem acompanhado a operação Cashball, onde está envolvido André Geraldes?

FV - Há valores que são inegociáveis. A palavra suspeição nunca existiu no clube. Aguardo com preocupação. Não temos nenhum condenado nem quero acreditar que seja verdade. Geraldes? Tinha uma relação profissional próxima, sim.

R: Uma investigação que teve por base as modalidades...

FV - Se há algo que está bem feito no Sporting, são as modalidades. Quero lembrar Bruno de Carvalho pelo bom que fez e continuar esse trabalho, com cabeça. As pessoas acham que só sou próximo dos jogadores de futebol, mas tratei atletas de todas as modalidades do clube.

«Se houver eleições acredito que ganho» 

 R: Num cenário de eleições, se não for eleito nem BdC, aceita regressar como médico, caso seja convidado?

FV – Se houver eleições, acredito que ganho.

R: Mas... e se não ganhar?

FV – Em tudo na vida tive de correr riscos. Neste momento, penso seriamente o que digo. Indo a eleições, os sportinguistas vão considerar a hipótese de regenerar o clube.

R: Nunca estará, então, afastado da vida do clube...

FV - Nunca conseguirei. Já era diretor-clínico do V. Setúbal e ao fim de semana ia para o meu lugar em Alvalade. Os sportinguistas têm direitos e deveres. O meu dever é saber cuidar do Sporting. Posso discordar de uma pessoa, mas se ela está no poder e ganha, quero que ela ganhe. Muitos preferem que o Sporting perca para terem razão. Farei tudo para ver o Sporting na frente. E acredito que sou a melhor solução para tal.

R: Teme perder a maioria do capital da SAD?

FV – No meu Sporting defendo que seremos sempre o detentor da maioria do capital da SAD, tratando os acionistas com a dignidade que eles merecem.

R: A não concretização do empréstimo obrigacionista compromete as finanças?

FV - Ouvi o presidente dizer que o plantel inteiro podia rescindir, que não teria problemas de liquidez. O Sporting atual vive num certo autismo.

R: Defende a reaproximação institucional com o Benfica?

FV - Terei relações com todos os clubes que queiram jogar limpo. Se eu jogo, vou exigir aos meus adversários que também o façam. Estive lá dentro, na ‘arena’, e vi muitas coisas que comigo não vou deixar que aconteçam.

Esta é uma entrevista  do Jornal Record

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Entrevista a Frederico Varandas

Frederico Varandas nasceu a 19 de setembro de 1979, em Lisboa, filho de lisboetas, um médico e uma professora, e irmão de um advogado que fez parte da direção de Godinho Lopes. Entrou na Academia Militar aos 18 anos, e toda a gente achava que ele, um menino surfista da Praça de Londres, com aquelas mãos fininhas, só ia aguentar quatro no internato. Foi à procura de uma “mesa de pingue-pongue” e puseram-no a “encher dez flexões”, mas aguentou-se até ao fim. Tirou Medicina no Campo de Santana, entrou no Vitória de Setúbal porque gosta muito de bola, de ver e de jogar a trinco — “duro, mas leal” —, e teve de ir seis meses para o Afeganistão porque a tropa a isso obrigava. Foi contra a vontade do pai e apanhou o maior susto da vida, em 2008, numa emboscada de talibãs à coluna militar de Comandos onde seguia. Pensou que “ia lá ficar, aos 28 anos”, e ainda hoje ouve os sons dos tiros e o silvo dos RPG. Entrou no Sporting em 2011, como médico da equipa, e por lá ficou até apresentar a demissão na passada quinta-feira. É o primeiro rosto da oposição a avançar contra Bruno de Carvalho, num dos momentos mais conturbados da história do clube: no dia 23 de junho vota-se em assembleia-geral a destituição da direção. Conheça o homem que detesta “jogadores que fazem fita e ronha”, que garante que aquele spray milagroso “não faz absolutamente nada” e que manda passear o futebolista quando ele lhe aparece “com uma dorzinha no pé”.

O que o leva a avançar?
A minha demissão já vinha a ser maturada há umas semanas, mas os últimos acontecimentos — aquilo que aconteceu na Academia de Alcochete e a final da Taça — foram decisivos, embora deva dizer que o Jamor, para mim, foi o clique. Lembro-me perfeitamente de ver os jogadores sentados, a chorar, quando pensei: “O meu tempo chegou ao fim.”

Porquê?
Porque o Sporting não está dividido — está completamente partido. Nos órgãos sociais, nas bancadas, entre adeptos e profissionais. Jogámos contra nós próprios na final da Taça, e isso é impensável. Para mim, foi muito difícil tomar esta posição, porque eu gostava realmente do que fazia. Não há nada mais indigesto do que o autoelogio, mas sou competente e tive convites do Mónaco, do Valência e, recentemente, de um clube da Premier League que não vou revelar. Pagavam-me muito mais, mas eu fiquei. E o Bruno de Carvalho reconheceu isso, confiou sempre em mim, embora saiba que agora ele irá dizer muitas outras coisas de mim. O Sporting está doente, precisa de ser tratado e, depois, de se fortalecer.

O que levou o Sporting a essa tal doença?
Sou médico militar e respeito a cadeia de comando: o número um manda no número dois, o número dois manda no número três... Quem é que manda no Sporting? O número um. Quem é o número um? O presidente. Nestes últimos meses vi o Sporting deixar de ser o Sporting especial do qual os adeptos sempre se orgulharam: um clube transparente, digno. Isto degradou-se nos últimos tempos.

No post em que se anunciou como alternativa a Bruno de Carvalho falou em “comportamentos desviantes” da direção atual...
Bruno de Carvalho deixa um legado importante no primeiro mandato (e eu fiz parte desse momento), e não quero que o Sporting regresse ao pré-Bruno de Carvalho, dos tais ilustres e dos notáveis. Mas também não me falem em ‘sportingados’. Ele devolveu o clube aos sócios, mas depois criou fissuras irreparáveis. O número um tem de criar condições para uma boa relação entre os sócios/adeptos e os profissionais de futebol. E isso ele nunca conseguiu, o que é uma loucura do ponto de vista da gestão. O Sporting está numa autêntica guerra civil.

Tem apoios?
Tenho, dos sócios.

Isso é vago.
Venho das bases, fui da Juve Leo, ia ver jogos fora, em casa, Game Box... Tenho esse lado irracional, mas também tenho o lado técnico. Trabalho há onze anos no futebol, sete deles no Sporting, e sempre estive perto da casa das máquinas de Alvalade. Conheço a estrutura toda como a palma das minhas mãos. É importante gostar de futebol, mas também perceber de futebol.

Bruno de Carvalho não percebe de futebol?

Acho que percebe.
Então, é preciso mais do que apenas gostar de futebol e vir das bases para chegar a presidente.
Trabalhei com treinadores de altíssima qualidade, sei como é um balneá­rio, sei que jogadores dão problemas e sei como resolver esses problemas; e sei o apoio que é preciso dar a uma equipa. E tenho uma vantagem, que vem da tropa: capacidade de liderança. Sei trabalhar em equipa. Bruno de Carvalho é muito mais individualista.

Um dos elogios que se faz a Bruno de Carvalho é a escolha dos treinadores. E uma das críticas que também se faz é a progressiva deterioração da relação entre ele e os treinadores. Concorda?
É um facto, mas tem de perguntar aos treinadores porquê. Eu sei a resposta, mas não lhe digo. Há coisas que são públicas, é fácil de ver. É um problema de base, de liderança e de comunicação. Houve sempre um problema de comunicação, porque nada foi genuíno. E, depois, deu nisto, que é surreal, de comunicados para aqui, comunicados para acolá... Vou dar-lhe um exemplo militar: quando temos um ato de indisciplina num recruta, pune-se esse recruta; quando temos um segundo caso de indisciplina, pune-se; num terceiro caso, o problema já está no comandante do pelotão e não no recruta.

Falou diretamente com Bruno de Carvalho para comunicar a sua demissão?
Não, enviei um SMS.

E ele respondeu-lhe?
Até agora, não.

A direção disse que a sua demissão era “inusitada”.
Conheço muito bem Bruno de Carvalho e estou preparado para isto. Tenho a coragem e a competência. Repito: conheço muito bem Bruno de Carvalho, porque trabalhei muito perto dele durante vários anos.

Tem os jogadores e o treinador do seu lado?
Se eu digo que tenho competência para liderar este processo é porque tenho as minhas armas. E essa é uma delas. Conheço o futebol por dentro, sei lidar com jogadores e treinadores diferentes e absolutamente distintos, como Leonardo Jardim e Jorge Jesus.

Já tem nomes para a sua equipa?
Olhe, o core da minha equipa será gente nova, que nunca tenha estado em direções anteriores.

João Benedito é uma dessas pessoas?
Não vou falar sobre isso, ainda.

Viveu aquela tarde de Alcochete por dentro...
Tive dias muito piores do que aquele, mas admito que a situação foi muito complicada e só não foi pior por sorte. Podia ter sido uma tragédia, porque as pessoas que foram fazer aquilo perderam o controlo.

Não foram lá só para falar...
Não, não foram lá só para falar. Acha que queriam falar com o Bas Dost? Ele estava a apertar as chuteiras e levou com um cinto na cabeça. Isso é falar? Eu estava no meu gabinete, apercebi-me do barulho, disse à secretária para não abrir a porta e fui em direção ao balneário... e o Bas Dost estava deitado no chão. É um dos episódios mais negros da história do Sporting.

E isso explica o desempenho dos jogadores na Taça?
Eles ganharam o jogo ao decidirem jogar. Temos miúdos de 18, 19, 20, 22, 23 anos... Os mais velhos têm o quê?, 29 anos? Eles não tinham condições para ir a jogo.

O argumento da direção é de que esta oposição, da qual o Frederico é agora um rosto visível, irá condicionar a próxima época.
No Afeganistão, fui parar ao hospital de campanha e comecei a receber mutilados. E lá andava eu de garrote, a tratar de braços, pernas, e um tenente-coronel vira-se para mim e diz: “Esquece os braços, o importante é mantê-los vivos.” O Sporting precisa que o seu órgão vital esteja a funcionar. Sem um coração forte, o braço está morto. Há problemas muito mais graves do que o jogador que vem ou que sai.

A direção está agarrada ao poder?
Não consigo compreender como é que a direção não quer compreender o que se está a passar: órgãos sociais partidos, agressões em Alcochete, o presidente não vai ao Jamor, os jogadores vão prestar declarações ao Montijo e o presidente não está lá. Isto é normal? Um diretor de futebol proibido de exercer funções pelo Ministério Público é normal? Eu não quero acreditar que o ‘Cashball’ seja verdade, mas acredito muito menos em teorias da conspiração. Quando o Benfica fala em teorias da conspiração nos casos que o envolvem, eu acredito no Ministério Público e na Justiça, que são pilares da nossa democracia. Quero ser competitivo, mas ter valores éticos. Gosto de ganhar lealmente. Não jogo sujo, mas não vou permitir que joguem sujo contra mim.

O que acha das contratações de Inácio e Fernando Correia, dos benefícios retirados à Juve Leo?
São remendos, cola. E a cola, se vier muito calor, derrete. E vem aí um verão muito quente. Custa-me que Bruno de Carvalho não esteja a ver o inevitável.

E o que é inevitável?
Que ele saia. E eu quero que ele saia com a máxima dignidade, por tudo o que fez anteriormente.

Entrevista publicada no Expresso em 25/05/2018

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