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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Precisamos de uma comissão de digestão e outra de arrependimentos

Há um dado importante nos resultados da última AG que reforça o sentido e a clareza da escolha dos Sportinguistas: os mais de setenta por cento que votaram na destituição disseram um claro CHEGA! à actuação do CD e em particular ao do seu presidente, apesar de saberem que o período que se seguiria traria desafios de dificuldade desmedida.

Por norma as organizações e as pessoas que as compõem têm horror ao espectro de mudança e ainda maior ao do vazio. Ainda assim os Sportinguistas preferiram dar esse salto em frente e no vazio e isso diz tudo do quanto a anterior gestão se tinha esgotado e se antagonizava aos desejos de uma maioria clara.

Para o bem e para o mal, Bruno de Carvalho marcará indelevelmente o seu nome na história do nosso clube. Os seus sucessores terão obrigatoriamente que cuidar com redobrada atenção e carinho a matéria que constitui simultaneamente alma e o cimento sobre o qual assenta e se sustenta o edifício que é o clube: os seus sócios e adeptos. Para estes, os adeptos, ficou a notificação: só se participa e decide os destinos do clube tendo direito a voto e para isso a condição de associado é indispensável. 

Ficam igualmente avisados aqueles que um dia ocupem a cadeira do poder: acima de tudo o lugar é uma comissão de serviço que lhes é confiada e retirada mais tarde ou mais cedo, assim o ocupante queira ser maior que a cadeira ou que todo o clube. Indispensáveis somos "apenas" todos nós e os nossos símbolos.

Obviamente que uma liderança de cariz populista e também, para o bem e para o mal, permanentemente presente, teria que deixar marcas profundas no clube. É preciso tempo para digerir, compreender e ultrapassar a desilusão, angústia e o ressentimento. Quem gosta acima de tudo do clube certamente que terá mais facilidade em superar este momento, porque o apelo das nossas cores nos estádios, pavilhões ou somente nos ecrãs acabará por se impor e voltaremos a estar ombro com ombro juntos nos mesmos objectivos. 

Os que gostavam do Sporting apenas com e por uma pessoa viram antecipada a sua dor mas também o seu próprio resgate: o clube sobreviverá sempre a uma só pessoa e nós juntar-nos-emos à história. Isso será tão verdade e surgirá tão rapidamente assim surja uma liderança que demonstre que a competência e eficácia não é uma miragem e podem ser alcançadas com proveito de todos.

Este artigo foi apanhado já escrito quando Bruno de Carvalho nos ofereceu mais um post, no local do costume. Mais um de arrependimento. Um post tardio, a tresandar a agência de comunicação. Foi preciso bater contra uma parede para constatar que a parede lá estava, apesar de tantas vezes ter sido avisado "olha a parede"? Por isso, para ser levado a sério como arrependimento genuíno teríamos que apagar da memória todos os últimos meses e muito particular os actos pessoais e os que por ele foram patrocinados no passado final de semana. 

Quem agora parece sugerir clemência para actos disciplinares foi particularmente inclemente para quem dele divergiu apenas pela opinião. Para não ir mais longe, basta lembrar que o próprio Bruno de Carvalho fez gáudio em difundir imagens da AG, quando o próprio processou injustamente um associado por supor que havia praticado esse "delito".

Gostaria que encerrássemos este capitulo da nossa história dando a possibilidade a Bruno de Carvalho de se apresentar a eleições. Mas para tal ser possível não creio que seja desejável recorrer à excepcionalidade de suspender os regulamentos que ele em primeiro lugar devia defender pelo exemplo.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Comissão de Gestão, a mãe de todos os males

A Comissão de Gestão (CG) não pode dar entrevistas à CM TV, já ligar-lhes a meio de um programa e entrar em directo poderia? Ou dar-lhes um exclusivo de um casamento? (Ou de um funeral, atendendo à idade avançada dos seus membros...)

O Héldon foi oferecido ao BB Erzurumspor, numa vergonha de negócio por 250 mil euros, um jogador que se valorizou bué no errrm... Ah, espera, foi o Carlos Vieira que negociou e bem, é um jogador que não nos dava jeito nenhum.

O William por 10 milhões mais o refugo do Inter? Isto é oferecer um jogador. Jogador esse que tem o passe na mão, mas o advogado ia ganhar o processo, é um lento, estou cheio dele, mas vale muito milhões etc, etc.

O Sporting está a abrir as pernas ao Jorge Mendes, incrível. Uma noticia que vem no jornal O Jogo, nem é preciso confirmar. Precisamente ao mesmo Jorge Mendes, a quem pedimos ajuda para vender o Patrício. Uma noticia que vem no jornal o Jogo, por isso é mentira.

Está visto que vai ser assim até estragar ainda mais o que já de si já tinha sido estragado. A memória é curta e pior ainda é quando é curta e selectiva. Chama-se desonestidade.

P.S.- Eu também não gosto da solução CG e também não gosto de alguns dos nomes da comissão de gestão. Mas compreendo a necessidade e a sua transitoriedade. Pior era continuar a chapinhar no charco de lama e esgoto onde estávamos e de onde não saímos.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Os Sportinguistas aturam um filho da mãe enquanto ele for útil ao clube

Uma votação clara e inequívoca favorável à destituição do actual Conselho Directivo recolocou outra vez nas mãos dos seus legítimos donos - os sócios - o destino do clube. Ao contrário do que denodadamente  de tenta fazer crer, esta não foi uma votação de uma falange, de uma elite social, ou de uma faixa etária. Foi a vontade abrangente e transversal de uma larga maioria de sócios e isso está documentado nos resultados eleitorais, nas diversas secções de voto e foi isso que presenciei in loco. Essa vontade superou estoicamente todas tentativas para primeiro silenciar os sócios para que não houvesse AG e, quando esta se tornou realidade, quem os tentou intimidar. 

O resultado expresso pelo voto devolve outra vez a palavra aos sócios. Ainda sem sair em definitivo de um momento particularmente fracturante, talvez este não seja o momento ideal para assumirmos novamente as nossas diferenças. Mas, na diversidade que nos é peculiar, saibamos fazer as nossas escolhas individuais e respeitar a vontade da maioria. As do futuro e as que foram feitas no passado. Porque se culpas e responsabilidades há a atribuir, elas devem ser pedidas não a quem confiou, mas a quem os enganou e traiu, depois de lhes ser confiado repetidamente uma parte importante das suas vidas: o destino do clube. Só assim sairemos deste momento mais fortes. Ao invés, estaremos mais vulneráveis aos "salvadores de ocasião".

Que ninguém tenha ilusões: os Sportinguistas amam o seu clube acima de tudo, mesmo quando aturam um filho de mãe porque lhes parece ser útil ao clube. Os Sportinguistas não desistem. Os Sportinguistas não rescindem. Os Sportinguistas não renegam o seu clube nem que seja por catorze horas.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

"Bruno de Carvalho merece um juízo justo"

Roubo descaradamente este texto ao Sérgio Barroso [LINK], num dos meus pontos de paragem obrigatória, A Insustentável Leveza de Liedson:
 
"Bruno de Carvalho merece um juízo justo, despoluído do linchamento comunicacional a que foi sujeito nos últimos dois meses. Suficientemente justo, para se lhe reconhecer que a revogação do seu mandato não deve ser ditada, nem pelos sistemáticos insucessos desportivos da equipa de futebol 11, nem pelos históricos resultados das modalidades ditas amadoras. 

Inequivocamente justo, para que não se lhe atribuam culpas pelo bárbaro ataque que foi perpetrado contra a equipa de futebol e objetivamente justo, para lhe atribuir totais responsabilidades na deserção de quase metade da equipa e na destruição estúpida do trabalho de 5 anos, criando uma guerra pública irresponsável contra os jogadores, que abriu a porta ao oportunismo e ao desrespeito pelo Sporting Clube de Portugal.  

Completamente justo, para lhe atribuir exclusivas responsabilidades pela crise institucional em que o clube mergulhou, não tendo promovido a necessária clarificação e pacificação com a realização urgente de eleições. Claramente justo, para não omitir que, aberrantemente, patrocinou a criação de estruturas contrárias aos Estatutos do Sporting Clube de Portugal, como a Comissão Transitória da senhora Judas, que por sua vez queria ilegalmente realizar uma Assembleia Geral apressada e inopinada, para promover alterações estatutárias espúrias.

Totalmente justo, para não haver dúvidas que o presidente do Conselho Diretivo colocou Sportinguistas contra Sportinguistas, Sócios contra os Sócios, promovendo uma brutal fratura entre os adeptos, suportada na ideia peregrina que de um lado temos 6 Sportinguistas de uma santidade imaculada e do outro, uma corja de oportunista, golpistas e conspiradores, que vai da quase totalidade dos membros dos órgãos sociais que integraram as suas listas aos jogadores, abrangendo todos aqueles que dele discordam.

Inapelavelmente justo, para reconhecer que nos enganámos na sua capacidade em constituir uma equipa diretiva séria e competente, porque afinal, nas suas palavras, fez-se rodear de “ratos” e de “cobardes”. Genuinamente justo, para reconhecer que quem convidou o Comendador Jaime Marta Soares a integrar a Candidatura Sporting no Rumo Certo - Bruno de Carvalho, como Presidente da Mesa da Assembleia Geral, foi Bruno de Carvalho, não fomos nós.

O juízo justo de quem criou esta guerra fratricida, que nos envergonha e nos divide, que nos enfraquece e desprestigia, e da qual também Bruno de Carvalho é autofagicamente vitima ao pulverizar o reconhecimento que os Sportinguistas lhe tinham, cabe somente a cada um dos sócios. De preferência, mostrando desta vez, na forma e no resultado, que aquilo de “sermos diferentes” é mesmo verdade e que Bas Dost tinha razão, quando não confundiu a delinquência com os verdadeiros adeptos do Sporting."

terça-feira, 19 de junho de 2018

"Um presidente que atraiçoe todos à sua volta não deve ser presidente."

Apesar de ser já amplamente divulgado, não podia deixar de publicar aqui o manifesto da autoria de Jorge Sanches, Luís Loureiro, Rita Matos, membros demissionários do CD do Sporting. Imagino que não deva ter sido fácil esta tomada de posição publica, depois dos anos de dedicação a um projecto em que acreditaram e que subitamente foi corrompido. Homenageio-os pela coragem de o fazerem, apesar de saberem os custos pessoais que esta tomada de posição pode acarretar. Amar este clube acima de tudo e de todos os interesses é a lição que nos dão. Não é a altura de ficar à janela a ver a história passar. Obrigado!

1. Um presidente que, de um momento para o outro, atraiçoe todos à sua volta que tanto lutaram por um projecto digno para o clube e contribuíram para essa missão sem qualquer benefício pessoal, não deve ser presidente.

2. Um presidente que se revele inesperadamente um déspota, que não seja capaz de admitir uma opinião divergente da sua e que corra o risco de ser percepcionado publicamente como alguém que procura apropriar-se do clube para garantir um projecto pessoal de poder, não deve ser presidente.

3. Um presidente que deixe de considerar limites éticos, civilizacionais, de respeito pelas pessoas – valores fundamentais de qualquer instituição prestigiada, não deve ser presidente.

4. Um presidente que se lembre de destruir a base de um modelo de negócio assente no futebol profissional apenas para afirmar a sua personalidade autoritária e vingativa, não deve ser presidente.
5. Um presidente que passe a usar um discurso beligerante para desagregar em vez de agregar, dividir antes de unir, afastar ao invés de atrair e que desrespeite todas as instituições de uma sociedade democrática, não deve ser presidente.

6. Um presidente que só encontre mérito em si próprio não deve ser presidente.

7. Um presidente que julgue que ofender associados, atletas, dirigentes, funcionários e adeptos , pelo simples facto de dele discordarem, é a melhor maneira de criar ondas de violência e ostracização na opinião pública para silenciar certas ‘vozes’, não deve ser presidente.

8. Um presidente que possa perder o apoio e a confiança de 85% dos dirigentes que integrarem as suas listas aos órgãos sociais e não retire daí nenhuma ilacção não deve ser presidente.

9. Um presidente que num momento de crise, sabendo que a sua permanência em funções possa implicar pedidos de rescisões financeiramente gravosos para a instituição, não coloque os interesses do clube em primeiro lugar, não deve ser presidente.

10. Um presidente que esteja convencido de que no desporto não há perdão para atletas que não ganhem todos os jogos devendo ser escorraçados via mensagem ou Facebook como metodologia infalível para assegurar futuras vitórias, não deve ser presidente.

11. Um presidente que no início do seu mandato se arrogue como um defensor acérrimo da verdade e, progressivamente, se transforme numa pessoa que a ignora, manipulando factos e acontecimentos, não deve ser presidente.

12. Um presidente que use os mecanismos de contra-informação operados nas redes sociais não para defender o clube da propaganda dos rivais mas para atacar associados do próprio clube que pensam de maneira diferente, não deve ser presidente.

13. Um presidente que tenha a soberba de considerar que um numeroso exército de fazedores de opinião nas redes sociais é suficiente para criar a ilusão de que os sócios possam estar divididos quanto à sua aceitação quando, na realidade, estão esmagadoramente contra ele, não deve ser presidente.

14. Um presidente que afronte, desconsidere e ofenda profissionais de órgãos de comunicação social num país livre não deve ser presidente.

15. Um presidente que transforme cada intervenção pública num espectáculo degradante que possa contribuir para continuar a denegrir a reputação de uma instituição a nível nacional e internacional e a ser motivo de escárnio para os rivais, não deve ser presidente.

Ser presidente de um clube "é chato".

O texto foi redigido em total desacordo ortográfico. Por ordem alfabética*:
Jorge Sanches, Luís Loureiro, Rita Matos

*Sócios do SCP com um total de 133 anos de quotas pagas, dois deles cinquentenários - membros demissionários do Conselho Directivo

sábado, 16 de junho de 2018

A malta quer é ver sangue


A malta quer é ver sangue… ver como escorre o sangue da boca do adversário enquanto desfere golpes contínuos, fortuitos e desprovidos de sentido, na maioria dos casos. Perdeu-se a capacidade de análise e interpretação do que se lê, o sentido de humor, a consciência da perspetiva do outro, a paciência e a sapiência.

Se ao menos o bombeiro e o incendiário se entendessem e pudéssemos eleger legitimamente novos corpos de gestão sem necessidade de AGs ensopadas de decisões judiciais e de providências umas mais “cautelares" do que outras, de comissões de gestão e de astutos estatutos. A primeira providência cautelar recorda-me o sábio Rei Salomão. Os puristas que me perdoem as comparações, simplificações, alegorias e afins. É que eu nunca tive jeito para complicar.

O juiz pronunciou-se em forma de decisão judicial do Tribunal Cívil de Lisboa relativamente a uma providência cautelar interposta pelo PMAG, Jaime Marta Soares. O dilema exposto no documento ultrapassava em muito o que literalmente continha. Continuamos numa guerra de poder, de posse, de dono do destino de uma criança já centenária que merece tanto respeito pela idade como pelo que representa para todos nós Sportinguistas.

Grosso modo: há duas partes que se apresentam com uma criança nas mãos a pedir que lhes seja entregue, reclamando-a cada um para si. Ambos a amam profundamente, dizem.

Ideal seria que à pergunta "cortar ao meio?” a resposta fosse:
Indefere-se liminarmente...

quinta-feira, 14 de junho de 2018

quarta-feira, 13 de junho de 2018

"Álvaro Sobrinho é um Sportinguista fanático" "Justiça seja feita à Holdimo, foram mais inteligentes que muitas pessoas"

Tenha calma, as frases não são minhas. Foram proferidas em Setembro de 2013 por Bruno de Carvalho, numa entrevista ao Jornal de Negócios. Ela foi [AQUI] publicada na íntegra e o excerto segue abaixo. 

Ela ilustra como se mudam os tempos e se moldam as verdades sempre em torno de um objectivo: diabolizar e silenciar as vozes discordantes da acção de Bruno de Carvalho. Algo semelhante ao que se regista com todos os que no passado foram úteis por elogiar o presidente e hoje são tratados como traidores e representantes do inimigo. 

Há vários exemplos que poderia citar. Talvez dos mais notórios, pela sua presença activa na comunicção e redes sociais seja Daniel Oliveira. Basta estar atento ao que lhe têm feito por estes dias no Twitter e Facebook. Para esta estratégia resultar tem sido fundamental o silêncio de uns e a conivência de muitos. Bruno de Carvalho para muitos tornou-se mais importante do que o próprio Sporting e o resultado está à vista.


terça-feira, 12 de junho de 2018

A falência técnica pode ser apenas um pormenor "chato"

Estamos a meio de um processo caótico cujas consequências estão ainda muito longe de ser compreendidas. A falência técnica é uma possibilidade que não pode ser de todo afastada, o que acrescentaria mais quilómetros a um caminho ainda muito longo para a recuperação que teremos que encetar. 

Aconteça o que acontecer, acredito na força dos Sportinguistas e no seu amor pelo clube como factor determinante para o sucesso daquela que será provavelmente a empreitada das nossas vidas. Mas para que ela tenha sucesso, é necessário a alteração do estado de fractura total em que se encontra a família leonina. Este é o momento mais do que nunca de pensar em primeiro lugar e acima de tudo no SPORTING CLUBE DE PORTUGAL e não no que é conveniente para uma pessoa, ou para um grupo ou facção.

De outra forma, a falência técnica da SAD será apenas uma frase no epitáfio de uma grande instituição que faleceu por se ter afastado dos valores e ideais que a tornaram tão grande como os maiores da Europa.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

domingo, 10 de junho de 2018

Em busca do músculo para o poder absoluto

Cumprem-se hoje 62 anos da inauguração do Estádio José Alvalade. O Sporting foi campeão de iniciados, Tri-campeão de judo mas essas alegrias não são suficientes para diminuir a tristeza e a preocupação com que olho para o actual momento do Sporting. A confusão resultante da decisão sobre a primeira das providências cautelares é apenas uma amostra do que nos espera: interpretações à medida de cada um dos lados e provavelmente com algumas decisões a merecerem recursos. 

A possibilidade desta guerra se prolongar no tempo é obviamente alarmante, mas há guerras que valem a pena ser disputadas. Esta em particular, porque está em causa o Sporting como o que conheci e não um Sporting onde unipessoal, onde a vida de uma comunidade está constantemente à mercê do arbítrio de apenas um. Não sei o que é pior, se 
a) as propostas de alteração de estatutos estarem aprazadas para uma AG selvagem, convocada por uma figura fantasma e claramente ilegal chamada "Comissão Transitória"
b) se elas mais não visam do que o reforço do poder pessoal, 
ou se 
c) algumas delas estarem ainda por anunciar e debater.
Mas há uma coisa que fica assim bem clara: se a figura de Comissão Transitória fosse legal porque quer agora Bruno de Carvalho inclui-la nos estatutos? E do que se conhece já, o melhor mesmo é nem falar da pretensão de caber ao presidente a nomeação, em caso de demissão, dos membros do CD necessários para completar o quórum. Uma solução que faz das tristemente famosas cooptações uma brincadeira de jardim escola. Caso esta aberração fosse avante, o que não é provável até por via da sua legalidade duvidosa, isto significava
a) a anulação total da importância do voto dos associados;
b) submissão total destes à vontade de uma pessoa;
c) a anulação da possibilidade de escrutínio prévio dos elementos que viessem a ser nomeados;
d) a anulação da ideia de colegialidade e da necessidade de quórum.
d) no limite, uma lista poderia ser eleita pelos associados apenas para inglês ver, sendo rapidamente substituída por homens de mão do presidente.
Infelizmente as discussões no Sporting estão permanentemente armadilhadas. Quem não é por BdC é lampião, é croquete, tem agenda, quer tacho, é da Holdimo, é um complot, enfim, um desfiar de inimigos (mesmo que antes tenham sido amigos convenientes) que é preciso combater atrás das trincheiras. Em matéria de inimigos devemos ser por hoje o clube mais azarado do mundo. Ou isso ou tornamo-nos no caldo de cultura perfeito para a mistificação e manipulação de consciências e de massas.

Esta é a segunda vez que os sócios serão chamados a pronunciar-se sobre uma alteração estatutária desde Fevereiro. Em nenhuma das ocasiões se registou uma intenção estruturante para o clube, uma ideia modernizadora. As propostas de alteração de Fevereiro nasceram da vontade de controlar as opiniões dissonantes, as actuais nascem da necessidade de controlar a manutenção do poder e da sua perpetuação. Esta é uma questão de cidadania sportinguista, é uma questão de orgulho. Já não é sobre gostar ou não de BdC, é sobre gostar ou não do Sporting. Não sobre ganhar muito ou pouco, é sobre manter-se fiel aos valores que defendemos. Os sócios não precisam de um tutor ou de um caudilho.


ARTIGOS DOS ESTATUTOS QUE O CONSELHO DIRECTIVO QUER MUDAR

Artigo 37.º
(Cessação do mandato)
3 – Sem prejuízo do regime fixado nos presentes estatutos para os casos de cessação antecipada do mandato, os titulares dos órgãos sociais mantêm-se em funções até à tomada de posse dos sucessores.
PROPOSTA DO CD: DESCONHECIDA

Artigo 39.º
(Renúncia)

Redacção actual:
3 – Todavia, se a renúncia, individual ou colectiva, constituir causa da cessação do mandato da totalidade dos membros do órgão, a renúncia só produzirá efeito com a tomada de posse dos sucessores, salvo se entretanto for designada a comissão de gestão ou de fiscalização, ou ambas, nos termos dos presentes estatutos.

PROPOSTA DO CD:
3 – (…) salvo se, entretanto, for designada a "Comissão Transitória de Gestão" e/ou a "Comissão Transitória de Fiscalização" e/ou a "Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral", sendo que a primeira [...] tem por finalidade substituir o Conselho Directivo, a segunda [...] o Conselho Fiscal e Disciplinar e a terceira [...] a Mesa da Assembleia Geral.

Artigo 41.º
(Comissões de gestão e de fiscalização)

Redacção actual:
1 - Se se verificar causa de cessação de mandato da totalidade dos membros do Conselho Directivo ou do Conselho Fiscal e Disciplinar ou se, convocadas eleições para qualquer daqueles órgãos, não houver candidaturas, pode, no primeiro caso, e deve, no segundo, o presidente da Assembleia Geral designar uma comissão de gestão ou uma comissão de fiscalização, ou ambas, compostas por número ímpar de sócios efectivos com cinco anos de inscrição ininterrupta no Clube, para exercerem as funções [...]

2 – Deve, no prazo de seis meses contado da designação da comissão de gestão ou da comissão de fiscalização, ou de ambas, ser convocada Assembleia Geral eleitoral para a eleição do Conselho Directivo, do Conselho Fiscal e Disciplinar ou de ambos, conforme for o caso, cessando as funções da comissão que esteja em causa com a tomada de posse dos eleitos.

PROPOSTA DO CD:
Artigo 41.º

(Comissões transitórias de Gestão, de Fiscalização e da Mesa da Assembleia Geral)

1 - Se se verificar causa de cessação do mandato da totalidade dos membros do Conselho Directivo, ou do Conselho Fiscal e Disciplinar, ou da Mesa da Assembleia, poderá no primeiro caso ser constituída uma "Comissão Transitória de Gestão", e deverá no segundo e terceiro caso ser constituída, respetivamente, uma "Comissão Transitória de Fiscalização" e uma "Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral"; compostas, cada uma delas, por número ímpar de sócios efectivos, com cinco anos de inscrição ininterrupta no clube, para exercerem as funções que cabem, respetivamente, ao Conselho Directivo, ao Conselho Fiscal e Disciplinar e à Mesa da Assembleia Geral, e que terão a competência do órgão que visem substituir;

2 – A "Comissão Transitória de Gestão" poderá ser constituída pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral e a "Comissão Transitória de Fiscalização" deverá ser constituída pelo presidente da Mesa da Assembleia e a "Comissão Transitória da Mesa da Assembleia" deverá ser constituída pelo presidente do Conselho Directivo;

3 – Deve, no prazo de seis meses contado da designação de cada uma das comissões transitórias, ser convocada Assembleia Geral eleitoral para a eleição do Conselho Directivo e/ou do Conselho Fiscal e Disciplinar e/ou da Mesa da Assembleia, consoante o caso concreto, cessando as funções da comissão transitória que esteja em causa com a tomada de posse dos eleitos.

Artigo 55.º
SECÇÃO III – Conselho Directivo
(Composição do Conselho Directivo)

Redacção actual:
3 – A composição do Conselho Directivo obedecerá às seguintes regras:
a) Um terço dos seus membros terão de ter, pelo menos, vinte anos de inscrição ininterrupta como sócios efectivos A, e de ter pago ininterruptamente, pelo menos nos últimos vinte anos anteriores à data de eleição, as quotas de valor máximo do escalão de base;

b) Um terço dos seus membros terão de ter, pelo menos, quinze anos de inscrição ininterrupta como sócios efectivos A, e de ter pago ininterruptamente, pelo menos nos últimos quinze anos anteriores à data de eleição, as quotas de valor máximo do escalão base.

PROPOSTA DO CD (NOVO PONTO 8):
8 – "Em caso de cessação antecipada do mandato de membros do Conselho Directivo, o seu presidente poderá indicar para o preenchimento das vagas outros sócios efectivos A, contando que se mantenham os requisitos e a proporcionalidade prevista no n.º 3 desta norma estatutária.

[NOVO] Artigo 55.º - A
(Competência do presidente do Conselho Directivo)
1 – Sem prejuízo e além do mais que se encontre consignado nos presentes estatutos, o presidente do Conselho Directivo do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL tem por competências:
c) Praticar todos os actos que sejam da sua competência, nos termos legais ou estatutários.

PROPOSTA DO CD:
c) Nomear, nos termos dos presentes Estatutos, novos membros do Conselho Directivo para preenchimento de vagas até ao limite estatutariamente previsto;

d) Praticar todos os actos que sejam da sua competência, nos termos legais ou estatutários.

Artigo 67.º
(Prorrogação de prazos)

Redacção actual:
Sempre que nos três meses que antecedam o termo dos prazos mencionados no número 1 do artigo 32.º e no número 1 do artigo 35.º ocorram eleições para o Conselho Diretivo ou para o Conselho Fiscal e Disciplinar, esses prazos consideram-se automaticamente prorrogados para três meses após a tomada de posse dos eleitos.
PROPOSTA DO CD: DESCONHECIDA

Artigo 32.º
(Orçamento de receitas e despesas)

Redacção actual:
1 – O Conselho Directivo deverá submeter à Mesa da Assembleia Geral, até 15 de Junho do ano associativo anterior àquele a que respeita, o orçamento de receitas e despesas para cada exercício económico, acompanhado do plano de actividades e do parecer do Conselho Fiscal e Disciplinar.

Artigo 35.º
(Membros dos órgãos sociais)

1 – Os membros dos órgãos sociais devem cumprir e fazer cumprir os estatutos e regulamentos do Clube [...].

Artigo 68.º

(Dissolução do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL)
PROPOSTA DO CD: DESCONHECIDA

Nota: este post foi editado

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Sobre as Assembleias Gerais: o que é legal e o que é ilegal

Muito se tem discutido a legalidade da convocatória de Marta Soares e "daquela coisa" que Bruno de Carvalho inventou chamada Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral. Infelizmente muitas dessas discussões são feitas fora das margens de onde deveriam ter lugar. E essas são as que são delimitadas pelos estatutos. Se aí se mantivessem muita da agressividade e irracionalidade que a generalidade das discussões contêm não existiriam. Mas quer uma quer outra também existem para camuflar a falta de argumentos para contrariar o óbvio.

 
Não é preciso "ir a Coimbra" para perceber o que está aqui em causa. Mas é bom saber o que pensam os juristas e aí, à excepção da D. Judas, não ouvi ainda ninguém contrariar a ideia de que a actuação de Jaime Marta Soares não cumpre os estatutos. Ontem na SIC foi possível ouvir a opinião de um jurista que esclarece ponto por ponto as questões de legalidade que as diferentes marcações da AG's suscitam e devem ser ouvidas com a atenção que merecem. Excepto por aqueles que acham que "o Bruno tem sempre razão", que o jurista "foi visto a almoçar com alguém da Holdimo", que em tempos "jantou no mesmo restaurante que o LFV", etc, etc.


Esse é um dos sinais mais claros do Brunismo que está a alimentar-se do Sportinguismo. O mundo uniu-se para nos tramar! Só ontem tivemos mais dois exemplos:

1- "O Marta Soares é um biltre". O facto de ter escolhido duas vezes para o mesmo cargo por BdC, onde foi bastas vezes parcial e reconhecidamente incompetente nunca interessou. Interessa agora que (surpreendentemente, diga-se!) tenta fazer cumprir os estatutos. 

2- O ex-administrador da SAD Guilherme Pinheiro viu ontem serem colocadas em causa as suas competências, nomeadamente como responsável que tutelava a Academia. E tal sucedeu não pela gravidade dos factos lá ocorridos, mas sim porque se demitiu. Não o tivesse feito e continuaria no cargo e a sua competência incontestada. É preciso ser mais claro?

Enquanto isso BdC avisa os sócios que não vai haver AG do dia 23. Vai haver mas se nos portarmos bem, fazendo o que, como e onde ele acha que deve ser feito. Não o que os estatutos preconizam. Só este simples facto deveria fazer sobressaltar os Sportinguistas. Com o Bruno é assim, é como ele quer, pode e manda. Só este ano já tivemos duas Ag's sempre para aprovar alterações estatutárias que reforçam o poder pessoal e tentativa de perpetuação no poder. Já quando os sócios as requerem inventa-se uma nova redacção dos estatutos.

Emoções à parte, o que está aqui em causa é a sobrevivência do clube conforme o conhecemos hoje. Um Sporting onde o clube é dos seus sócios e não uma entidade unipessoal. Sócios esses que sempre se têm manifestado de forma maioritária contra a ideia de uma SAD dominada por um ou vários accionistas, mas onde parece haver uma vasta parte que não se importa que SAD e clube sejam propriedade de apenas uma pessoa.

Confesso que ainda não percebi como e porquê chegamos até aqui. Isto é, perceber percebo pelos factos conhecidos. O que ainda não entendi é porque Bruno de Carvalho enveredou por este caminho, quando poderia ter assumido as responsabilidades directas e indirectas de tudo o que tem sucedido ao clube nestes últimos meses e colocado o seu lugar à disposição dos sócios. Estou convencido que teria voltado a ser eleito com menor ou maior dificuldade. Assim, estamos como estamos e quer o seu futuro como presidente quer sobretudo o do NOSSO clube estão envoltos na maior penumbra.

Nota: peço desculpa pela qualidade dos vídeos

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Notas avulsas sobre um Sporting completamente à deriva

O Sporting já viveu muitos momentos em profunda crise, mas nenhum como o que hoje assistimos. Lembro-me do vazio deixado pelo abandono de João Rocha, o período sombrio de Amado de Freitas que havia de redundar no aparecimento da "solução" Jorge Gonçalves. Do que foi o mandato de Sousa Cintra até à chegada de José Roquette, pelo desvio das boas intenções no periodo de Dias da Cunha e Filipe Soares Franco até ao extertor final com Godinho Lopes. 

Em nenhum desses momentos houve a ausência de uma voz alternativa como a que se assiste hoje e também em nenhum desses momentos o Sporting foi "liderado" por um presidente que cuide em primeiro lugar da sua sobrevivência, mesmo que para isso atropele os estatutos e os "reinterprete" à sua conveniência, esquecendo em simultâneo as regras democráticas e a vontade dos sócios para se fazerem ouvir.  Mesmo que seja de apenas alguns, é o que está estabelecido nos estatutos que está obrigado a respeitar. A ideia de suspender a MAG e nomear comissões a seu bel-prazer até na Venezuela de Chaves e Maduro, ou na Rússia de Putin mereceria contestação popular.

Com estas medidas lá se foi o argumento da estabilidade, da preparação da época, da aprovação das VMOC´s etc. O Sporting vai entrar num outro nível de confrontação, que envolverá seguramente tribunais. É um processo que nos sai das mãos e que não sabemos bem quando e como regressará.

,Nem a noticia da rescisão de Rui Patrício parece mudar o estado de letargia geral. A táctica é a de sempre: há um inimigo externo a atacar o Sporting. Como se o Sporting precisasse de tanto! Quanto ao Rui lamento e compreendo. Acima de tudo é pai e atleta profissional. Eu também não gostaria de ter um patrão como aquele que Bruno de Carvalho tem vindo a transformar-se.

terça-feira, 29 de maio de 2018

A confirmação de Inácio

Já na qualidade de director para o futebol do Sporting, mas ainda como comentador residente, Inácio foi o protagonista do último Trio de Ataque [LINK]. Das várias afirmações feitas e outras por fazer podia salientar o que disse sobre a saída de Rui Patrício e porque mostrou o seu caderno de apontamentos. Mas o mais importante de todas as afirmações foi a de que acredita que "Bruno de Carvalho vai ser outra pessoa". No fundo é a confirmação de que até Inácio concorda que o Sporting precisa de outra pessoa como presidente. Se Bruno de Carvalho pode ou não voltar renascer como outra pessoa já é uma questão de fé.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

O Sporting é cada vez mais uma história de violência doméstica

No final de mais um dia intenso para os Sportinguistas, ficou marcada para o dia 23 de Junho a Assembleia Geral para votação da destituição do Conselho Directivo. O anúncio por Marta Soares, quase abafado por gritos, tentativas de agressão e insultos, antecipa o que se vai seguir.

O Sporting assemelha-se a uma série sobre violência doméstica. Marta Soares é o avô que não tem força para resolver o problema. Os adeptos, as vitimas, dividem-se em vários papeis. Os que gostam de levar. Os que já se habituaram. Os que acham que é preferível este (Bruno de Carvalho), porque bate mas pelo menos vai metendo a comida na mesa e sabe-se lá o que outro poderia fazer.  Eu estou entre aqueles que entende que já chega desta relação tóxica, mas não percebo quando é que este pesadelo vai terminar. Mesmo que haja separação, nem uma providência cautelar o afastará totalmente.

Bruno de Carvalho, apresentou-se como marido extremoso. Paulatinamente foi-se revelando passivo-agressivo. De fevereiro para cá é a agressão quase permanente. Quando percebe que pode estar em causa volta conciliador. Agora que sente que levou a sua relação ao  limite usa a vitimização e recorre à  chantagem pura e dura: "olha os meninos" e "então a casa e o carro?" (as VMOC´s, a reestruturação financeira, o empréstimo obrigacionista), olha o dinheiro para a comida (os salários).

O recurso à dramatização é uma permanente viagem no tempo. Tanto estamos outra vez em 2013, não há milagre financeiro, o Sporting pode não ter dinheiro para salários porque depende de um empréstimo (?!), o clube está estilhaçado, e até a AG pode ser impugnada, tal como em 2013. Se for conveniente puxar o lustro voltamos rapidamente a 2018, a solidez financeira é um facto, as relações com parceiros e investidores é uma lua de mel. Ah, espera, vamos falir se fizermos a AG. E não, não estamos agarrados ao lugar.

Isto tornou-se já numa questão de respeito e auto-estima. E talvez mesmo uma questão de sobrevivência. Ou concordamos todos com ele ou acabamos todos inimigos, sabe-se lá com que consequências...

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Dor de alma!

Tenho pena mas fiquei com a sensação que o essencial  do que estava em jogo passou ao lado da grande maioria. O resultado passou a ser secundário a partir dos tristes acontecimentos do passado dia 15 de Maio. O mais importante era restaurar a moral de um clube que foi atingido no seu âmago num acto inqualificável e inclassificável. 

Apresentarmo-nos de forma digna no Jamor, respeitando o clube e também o adversário foi a decisão tomada pelos jogadores. Uma lição de dignidade, coragem, generosidade e superação que nos foi dada por aqueles que foram directamente atingidos no corpo: os jogadores, técnicos e todo o staff! Muitos muitos de nós não a souberam merecer. A imagem que deixamos no Jamor ilustra bem o momento: um clube à deriva, sem liderança, afastado dos seus princípios e valores. Uma dor de alma!

P.S.- As minhas desculpas a todos quantos deviam ter sido aqui mencionados por terem contribuído para um dos melhores dias de sempre da minha história de Sporting. Nestas alturas temos que nos agarrar ao que fica de bom para podermos superar o momento e olhar para o futuro, porque o passado já foi e não pode ser alterado. O meu obrigado a todos.

P.P.S- Parabéns ao Desportivo das Aves

terça-feira, 15 de maio de 2018

Sporting: 3 casos, 3 maus sintomas

A seguir à profunda desilusão que se instalou após o naufrágio da Madeira, e com as tristes cenas que se seguiram, advinhava-se a entrada num período de grande turbulência. Nestas alturas, em que todos parecem ter uma solução milagrosa, o melhor mesmo é ficar calado. Não vou por isso pronunciar-me sobre a saída provável do treinador, das responsabilidades e consequências da caída para o terceiro lugar, porque não é ainda o tempo. 

Também não vou ousar comentar aquilo que me parece uma contradição nos termos a correr na noticia de hoje do CM Jornal: Sporting e corrupção de árbitros.

Não deixo porém de notar, não posso deixar mesmo de o fazer, três sinais de que muita coisa vai mal no Sporting para acontecerem estes episódios todos em sequência e que nos tiram o sossego:

Episódio 1: Como é possível que um atleta como o Rui Patrício, capitão, segundo jogador com mais jogos com a camisola do Sporting vestida seja insultado, ameaçado fisicamente e transformado em réu de uma época que só não acabou mais cedo para nós precisamente pela quantidade e qualidade das suas intervenções?

Episódio 2: Como é que, acabado o período de nojo e os inevitáveis e compreensíveis desabafos de circunstância após a derrota no Funchal, não cerramos os dentes e reunimos todos os esforços e as últimas forças para ganhar a prova rainha do futebol, a Taça de Portugal, como é nossa obrigação?

Episódio 3- Ao invés, numa encenação de todo evitável, monta-se o triste espectáculo de devassa do clube, com jornalistas instalados em plena garagem de Alvalade, tornando pública a reunião em Alvalade, quando a mesma poderia ter decorrido hoje no recato de Alcochete?

Pode-se culpar os jornalistas quando lhes servimos em rica baixela tamanho banquete? 

O Sporting não consegue fazer e manter em segredo uma reunião de trabalho?

terça-feira, 8 de maio de 2018

A paz agora anunciada entre Bruno de Carvalho e Marta Soares é apenas até à próxima crise?

A paz, finalmente?
No passado sábado os Sportinguistas foram surpreendidos pela comemoração de Bruno de Carvalho de braço dado com Marta Soares. Surpreendidos, se for levado em linha de conta as tomadas de posição públicas de ambos. Enquanto Marta Soares, depois da série de posts infelizes de Bruno de Carvalho e, sobretudo!, pela forte reacção dos adeptos declararia:
"Estão esgotadas as hipóteses da manutenção da atual presidência". Com Bruno de Carvalho não há paz no Sporting". Os sócios deram o sinal. Os sócios disseram aquilo que querem".
Na sequência desta declaração Bruno de Carvalho ripostaria:
O silêncio que se seguiu, e especialmente o fim dos posts intempestivos do presidente, deram o espaço necessário a que houvesse ponderação e certamente a mediação para que se restaurasse a normalidade. E ao que parece o regresso da paz. Independentemente da apreciação que cada um faça dos intervenientes e do seu papel nesta crise, julgo que é pacifico reconhecer que ninguém gostaria que ela se prolongasse e muito menos agudizasse. Se não há alturas boas para lançar o clube num poço cujo fundo se desconhece, esta, nesta altura, com as várias planificações ainda pendentes, faria perigar uma parte substancial das condições necessárias para o êxito do clube nas suas diversas actividades. 

Tal filho, tal pai?
Infelizmente no Sporting os motivos de sossego e até de festa são mais fugazes que os rastos luminosos das estrelas cadentes. Depois do silêncio auto-imposto de Bruno de Carvalho é agora o pai a recorrer ao Facebook. Até pode ser injusto para o próprio, que como qualquer cidadão, tem direito à expressão livre das suas ideias. Acontece que o pai do presidente do Sporting não é um qualquer cidadão e associações e suspeitas que lançam sobre os seus posts prejudicam o Sporting e o próprio presidente, obviamente. Quanto mais não seja pela semelhança na irresponsabilidade de achar que se pode apoucar em público jogadores e agora o treinador Jorge Jesus:
"Será necessário aumentar o ordenado do treinador? Era um jogo da maior importância por todas as razões e não vi a equipa fazer o que esperava dela para ganhar como era tão necessário para o Sporting. Pareceu-me desorganizada."
Atendendo ao tempo que levamos sem ganhar o titulo a dúvida com que finaliza o texto também deve ser comungada pelo filho:
"Não sei o que será necessário fazer para a equipa ficar ao nível de tantas outras em outras modalidades."
Estamos em final de época. Era bom que os erros que cometemos no passado recente não voltassem a ser repetidos e pudéssemos encarar a próxima época mais fortes e desde logo a partir de casa. É que lá fora já são muitos os adversários e não faltam os quem não nos deseje ver triunfar.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Bruno de Carvalho: defeito ou feitio?

Assim de repente, sem nada que o fizesse prever ou sem qualquer aviso prévio, o Sporting apressou-se a mergulhar numa crise profunda. Quase tão rapidamente também parece agora que não aconteceu nada, mas aconteceu e só por ingenuidade se poderá pensar que não haverá consequências próximas dos dias que recentemente sacudiram o clube de alto a baixo. Vive-se um curto período de tréguas, mas é bem claro que o choque institucional entre Marta Soares e Bruno de Carvalho é uma factura com o pagamento ainda em aberto. E falta saber ainda o mais importante: o que pensam os adeptos.

É muito provável que a corda parta do lado mais fraco que neste caso é Marta Soares. Nunca foi um nome consensual, não tem a popularidade de Bruno Carvalho, não se sabe até que suporte terá dentro do órgão a que preside. De forma quase irónica poderá sair quando proferiu a sua declaração mais consensual, pelo menos no momento em que foi proferida:
"Bruno de Carvalho não tem condições para continuar. Com Bruno de Carvalho não há paz no Sporting!"
Acontece que depois destas declarações, Marta Soares remeteu-se ao silêncio e, sem se saber exactamente que iniciativas possa ter tomado entretanto, sabe-se apenas que terá realizado algumas auscultações de sensibilidades. Manterá a vontade de convocar uma nova assembleia geral?

Da parte do Conselho Directivo foi particularmente notório o silêncio inicial. Nem declarações, nem palavras de circunstância, apenas um silêncio tremendo de quem nada pode fazer, mas percebe a gravidade do ocorrido. Depois o silêncio tornou-se estratégico. Jogava-se com o tempo, esperando que os animos esmorecessem e a memória do sucedido se fosse esbatendo, mas sem se notar qualquer estratégia para controlo de danos.

Esse seria feito pelos actores do costume. Os mesmos de sempre, os mesmos nomes, as mesmas ideias, os erros de sempre: os mesmos estafados e já descredibilizados Barrosos, Zeferinos, Pedro Madeira Rodrigues, etc, etc. Naquele momento foram os melhores aliados de Bruno de Carvalho, ao chamar a si o foco das atenções, poupando-o ao fogo em que se consumia cada vez que saía a terreiro a proferir uma declaração pior do que a anterior. Foram eles a abrir caminho à relativização e à indiferença e ajudaram a transformar Bruno de Carvalho de autor da crise em vitima. No que foram coadjuvados  por uma comunicação social cujo único objectivo, nos infindáveis programas sem grande conteúdo, parecia ficar-se pelo fazer render o triste espectáculo que lhes havia sido servido em bandeja.

A anunciada vontade de convocar nova AG parece ter perdido o interesse para todos os intervenientes. De Marta Soares já falamos. Bruno de Carvalho, pela interposta pessoa do vogal do CD Bruno Mascarenhas, já fez saber que pelo menos a demissão e eleições são cenário que só será colocado se a isso forem obrigados. Aguarda-se o que pretende fazer para concretizar a ameaça de apear Marta Soares, o que só não acontecerá se for de todo impossível, o que também é fácil de prever. E, ao ao contrário do que é muitas vezes anunciado pela comunicação social e aceite estrategicamente pelo Conselho Directivo, não há uma oposição constituída e com força para desencadear um processo que leve até à convocação de uma assembleia, apenas vozes isoladas e sem grande representatividade colectiva.

Estamos agora ainda na fase de controlo e contenção de danos. Primeiro foi o abandono do Facebook por parte do presidente, seguido do recuo na intenção de processar disciplinarmente a quase totalidade do plantel. Mas nem uma nem outra medida parecem ter sido tomadas com grande convicção, como se percebe pelas declarações efectuadas a este propósito pelo próprio Bruno de Carvalho, A que acrescem as mensagens enviadas por sms ao plantel.:
"Se o Sporting CP fica mais forte desta forma, seja feita a vontade da maioria. Para mim ficará a missão de gerir o Clube da forma que acham melhor. Erradíssima mas o Clube é vosso."
Talvez ainda mais sintomático seja o facto de que Bruno de Carvalho não ter percebido as consequências que os seus posts no Facebook estavam a produzir, o que é particularmente notório ao afirmar 
 "Vamos novamente perder todo o respeito que aos poucos estávamos a ganhar em alguma comunicação social e em muitos Stackholders. Isso vai morrer.
Ora questão era exactamente a  oposta e de maior gravidade: o problema não estava na ferramenta (o Facebook), mas sim no utilizador. Assim, com ou sem Facebook, e sem ter percebido o essencial, é muito provável que o que aconteceu no triste episódio pós-Madrid se volte a repetir.

Essa é agora a questão principal, juntamente com outras igualmente pertinentes: como ficarão agora as relações nas três frentes de batalha que Bruno de Carvalho abriu? Será Bruno de Carvalho capaz de restaurar a confiança perdida junto do treinador, do plantel e dos adeptos em simultâneo? Estará ele interessado em fazê-lo?

O treinador é aqui o elo mais fraco. Jorge Jesus subiu na consideração geral pela ponderação, sangue frio e acção na preservação do interesse colectivo revelado na gestão de uma situação para a qual não há capítulos escritos nos manuais de formação de treinadores. Falta saber se Bruno de Carvalho lhe perdoará o protagonismo por ter agido também como o presidente que ele deveria ter sido e não foi.

Quanto ao plantel é certo que não pode ser refeito de um dia para outro sem que o mercado fareje o sangue e compareça aos saldos. Mas em ano de Mundial é muito provável que Bruno de Carvalho aproveite a oportunidade para se desfazer dos rostos que são reconhecidos como lideres do balneário e cuja relação parece estar já exposta a profundo desgaste.

Mas claro que a mais importante de todas as frentes é frente interna, a dos sócios do clube. Se é certo que a maioria não deseja uma crise institucional e o regresso a eleições, quando ainda há pouco o actual CD foi investido e confirmado por maiorias esmagadoras, parece também certo que ninguém quer reviver o actual pesadelo ao virar de cada esquina. A confiança em Bruno de Carvalho está seguramente abalada pelas suas acções recentes, em particular pelo paulatino afastamento do que eram as melhores qualidades que lhe eram reconhecidas. O Bruno de Carvalho que quando apareceu declarava que não seria preciso que lhe mostrassem lenços brancos e insultos, porque antes disso seria o próprio a tomar a iniciativa de se retirar, é o mesmo que hoje afirma ser preciso muito mais do que isso para o fazer.

A ideia de que parece estar mais preocupado com preservação do seu poder do que em exercê-lo em prol dos que o elegeram e do bem geral do clube é uma das acusações que terá que dificuldade em rebater. Especialmente quando se lhe juntam as imagens das sucessivas assembleias gerais que agitaram o clube, num momento em que a equipa da modalidade mais representativa parecia confortável e segura de si na disputa da liderança do campeonato. Assembleias que emperraram justamente pelos pontos que denunciavam o reforço e ampliação do seu poder, que não parecia satisfazer-se com o apoio ractificado pelos sócios de forma arrasadora. Assembleias que acabariam também por coincidir com o pior período da equipa e, falta ainda a história fechar definitivamente, o adeus ao ambicionado titulo.


Esta é uma crise imposta ao clube por Bruno de Carvalho. Foi assim que foi percepcionada pelos adeptos que por isso o invectiveram. Não foi ingratidão, mas sim por imposição do próprio presidente  na sequência da catadupa de post no Facebook. Entre um e outro os adeptos quiseram dar conta da sua escolha.

Desta feita não foram os "sportingados", a de quem ele se valeu para agitar fantasmas para a aprovação das alterações que pretendia ao regulamento disciplinar. Não foi uma das muitas facções ou "sensibilidades" tantas vezes mencionadas como causa das entropias que impede o avanço do clube. Não foram os inimigos externos nem os poderes ocultos do futebol. Por isso terá que ser ele a demonstrar que aquela que parece ser agora a justificação escolhida "foi um erro, e quem nunca errou que atire a primeira pedra" é justa e não uma desculpa circunstancial. De outra forma a imagem de que tem apenas perfil de um líder de transição, o ideal para tirar o clube do marasmo, mas incapaz da indispensável consolidação do clube acabará por vingar.

Mas esta justificação de um erro sem repetição tem três problemas: o próprio Bruno de Carvalho, pelo trajecto e passado recente. E por tardar em reconhecer que errou e sobretudo, como vai deixando no ar, a cada intervenção que faz, que não se perderá pela demora. Estará ele a fazer o número daquele que se faz de morto e vai dizendo entre dentes: deixa-os pousar?...

Um segundo, que é o da identidade e da representatividade. O discurso de Bruno de Carvalho é cada vez mais pontuado pelo "eu" e cada vez menos pelo nós. Não são apenas as alterações estatutárias desnecessárias e inoportunas apenas para controlar o clube. São as suas declarações impensadas e inconsequentes, o  "mau gosto" do discurso e dos comportamentos, a depreciação de uma marca centenária que se construiu em volta de valores, e que por isso tem subsistido aos períodos de mingua dos resultados. Há cada vez mais quem não se reveja e não se sinta representado por esta conduta, o que é um problema se atendermos a que o presidente é ou deveria ser não só a figura de proa mas também o maior guardião dos valores do clube.

O outro é o diagnóstico de "burnout" do seu amigo e mentor, Eduardo Barroso. Ou o clínico se enganou, pelo que a tentativa de minimização do sucedido cai por terra e continua a ser necessária a explicação e prestação de contas. Ou então o presidente precisa quanto antes de repousar e de se refazer, até porque o futuro imediato do clube vai requer - requer sempre! - uma luta incansável e sem tréguas . Ao fim e ao cabo a pergunta que nasce daqui e cuja resposta tentam muitos Sportinguistas obter há dias para cá é essa: o que este episódio nos revela sobre Bruno de Carvalho é o seu feitio e por isso não há lugar a qualquer esperança de mudança ou tratou-se de um mero acidente (defeito) de percurso?

sábado, 14 de abril de 2018

O Cisma, ou a crise do Sporting contada pelo Expresso





"Eram dez e qualquer coisa da noite, o Sporting tinha ganho ao Paços e ninguém estava preparado para o que se seguiu. Bruno de Carvalho (BdC) entrou, sem avisar e a coxear, na sala de conferências pouco depois do jogo e de Jorge Jesus ter dado a flash interview a defender os jogadores. Este não é um detalhe. O presidente ajeitou o microfone e perguntou se estava ali alguém da comunicação do clube, mas nem Nuno Saraiva nem José Ribeiro estavam lá. A agenda não tinha marcações, e os dois responsáveis não esperavam uma conferência presidencial, muito menos uma conferência presidencial assim.

Então, BdC disse aos adeptos para “insultarem a família deles”, por não tolerar “faltas de respeito”; não admitiu demitir-se em consequência da semana inusitadamente conflituosa, mesmo para os atuais padrões leoninos; e esclareceu que os atletas estavam com um processo disciplinar e não suspensos, como tinha dado a entender no post em que lhes chamou “meninos mimados”. No ar ficou também um reparo a Jorge Jesus, que entrou em Alvalade após anos no Benfica: “Não representarei mais ninguém a não ser o Sporting.”

Horas mais tarde, BdC fez chegar um recado a Jorge Jesus, dizendo que se sentia atraiçoado por este o ter “morto” na flash e na conferência de imprensa. Jesus, por sua vez, fez saber-lhe que não era bem assim, que defendera o Sporting e, por extensão, o presidente. Mas o mal estava feito: naquele instante, o treinador passou a desconfiar irremediavelmente do presidente. E ainda que, agora, BdC diga nos bastidores que Jorge Jesus fez bem o trabalho dele, do outro lado está um treinador que já não sente condições para continuar com BdC. Porque o histórico leva-o a crer que o momento em que este presidente se sente enganado é aquele em que as relações profissionais rasgam as pessoais — e acabam. Numa outra volta inesperada da vida — e a dele já deu as suas —, Jesus acha que lhe pode acontecer o mesmo que a Marco Silva, treinador dispensado de Alvalade no final de um conflito insanável com BdC. E também alguns futebolistas passaram a acreditar que o mesmo lhes acontecerá após a colisão, num contexto de insuportável tensão entre empregados e patrão.

É que no sábado, véspera do Sporting-Paços de Ferreira e um dia depois da rábula dos posts, dos comunicados e das ameaças de greve ao treino, os jogadores, Jorge Jesus e equipa técnica, Jaime Marta Soares (presidente da AG), Bruno de Carvalho e André Geraldes (team manager) olharam-se nos olhos... e não correu bem. “Vocês são mercenários, prima donne, não merecem vestir esta camisola.” Entre insultos, BdC despejou expressões antes ouvidas pelos atletas e que estruturam o seu pensamento: os futebolistas vivem numa bolha milionária e perderam o contacto com a realidade. Rui Patrício, William Carvalho, Bas Dost e Fábio Coentrão já tinham sinalizado a vontade de sair de Alvalade ao assumirem a liderança no manifesto coletivo anti-BdC no Instagram; a reunião descontrolada com o presidente, acham, legitimou as suas posições junto dos colegas e dos adeptos. E dos sportinguistas influentes.

O pós-jogo
De todos, Jaime Marta Soares era um dos últimos de quem Bruno de Carvalho esperava uma “traição”. Os dois estiveram juntos no domingo, noite do Sporting-Paços de Ferreira, e falaram sobre a gravidez da mulher do presidente do Sporting, que daria à luz na segunda-feira. Só que, na manhã seguinte, Jaime Marta Soares deu uma entrevista à TSF a defender a saída de BdC: “Estão esgotadas as hipóteses de manutenção da atual presidência.”

Não demorou muito até BdC disparar contra Marta Soares no Facebook: “O presidente da AG é um traidor.” Outras vozes próximas de BdC juntaram-se a Marta Soares nas críticas: Dias Ferreira, um suposto apoiante do presidente, disse à Lusa que gostava de o ver sair pelo próprio pé; a Holdimo, empresa de Álvaro Sobrinho, principal acionista individual da SAD [ver peça ao lado], pediu uma AG para “debater e resolver os problemas internos”; José Maria Ricciardi, banqueiro que teve um papel importante na primeira eleição de BdC, garantiu ao “Record”, na quarta-feira, que se demitia do Conselho Leonino (CL) e que lhe “retirava o apoio”. Num instante, quatro apoiantes passavam a ex-apoiantes, alimentando a perceção de que o exilado BdC iria cair com estrondo. Nesta altura, mas apenas nesta altura, Jaime Marta Soares sentia-se confortável na posição de pioneiro da revolução. O tempo iria mostrar-lhe o quão depressa as coisas se transformam.

Seguiram-se os óbvios ‘antibrunistas’, saídos da sombra para se posicionarem no terreno a preparar uma sucessão que julgavam possível no imediato, dada a “fragilidade do presidente”. Os ex-dirigentes Paulo Abreu, Vítor Ferreira e Torres Pereira deram entrevistas a condenar o líder leonino, chegando este último a afirmar ao “Público” que “toda a gente sabe que Bruno de Carvalho está muito doente”. Não era a primeira vez se falava publicamente da saúde de BdC. Um dia antes, o médico Eduardo Barroso avançara à SIC Notícias que o presidente estava “em burnout”, aconselhando-o a tirar uma licença de paternidade para descansar; outros amigos íntimos falam ao Expresso em “stresse brutal, uma hérnia e uma gravidez complicada da mulher”. E foram estes amigos que convenceram BdC a deixar de vez o Facebook — algo que a estrutura do Sporting considera ser “definitivo” — e também a levantar os processos disciplinares aos jogadores, em nome da coesão interna. E para agradar aos homens das finanças, que poderiam estar a cavalgar o contexto. E, quando BdC disse ‘sim’ a tudo, tudo mudou. Ou, melhor, parece que tudo mudou.

O enredo adensa-se
No Expresso Diário desta sexta-feira, Dias Ferreira escreveu um artigo a criticar os críticos de Bruno de Carvalho: “É o que vimos assistindo diariamente na comunicação social, com a colaboração de associados do Sporting — uns ávidos de um poder que já foi deles; outros ressabiados de não passarem de resíduos.” Dias Ferreira, antigo dirigente que chegou a afirmar no início da semana que podia ser candidato, pede apenas contenção verbal a BdC: “O silêncio das palavras dá ênfase à obra feita.” Ao Expresso, José Maria Ricciardi é comedido e garante não fazer “sentido falar em candidatos quando não há processos eleitorais em curso, e o que é preciso agora é calma para o Sporting”.

Neste governo-sombra remoto, a estratégia é simples: estabilidade política até final da época. Porque é possível ao Sporting ser campeão ou chegar à Liga dos Campeões e à final da Taça de Portugal. Porque há muito dinheiro em jogo e um plantel que não deve ser desvalorizado. E porque ninguém quer vestir a pele do abutre; sobretudo o mais presidenciável dos nomes não quer ser visto como um. Rogério Alves, advogado que defende Álvaro Sobrinho em alguns processos, só irá a votos se a vitória for certa e gorda — e é impossível garantir uma contra BdC neste momento.

Ainda assim, e por mais que estes homens queriam manter o statu quo e as aparências enquanto a bola rola, as divergências são reais: José Moniz Pereira, Francisco Calheiros, Francisco Soares dos Santos, António Pedro Carmona demitiram-se do CL, o órgão consultivo do qual Ricciardi também saiu. Não que BdC se importe muito com isso, porque quase que despreza o CL, por este não lhe dar o resguardo que entende merecer. A BdC interessa fazer-se de morto até ao seu regresso, renovado, menos beligerante, sem Facebook e com o apoio maciço dos adeptos novamente. A estrutura que lhe é fiel no Sporting e os amigos confiam que a mudança de estilo funcionará, porque os insultos de Alvalade estão “circunscritos no tempo”, não são um problema. Mas os problemas com Jesus são outra coisa, e não é o tempo que os resolverá. E isto é um cisma.

SAD nas mãos do BCP e Novo Banco
Além de ter de pagar €87 milhões aos dois bancos, o Sporting tem de reembolsar €30 milhões de obrigações este ano.A sociedade anónima desportiva (SAD) do Sporting tinha no final de 2017 financiamentos de €117 milhões, dos quais €87 milhões estavam nas mãos de apenas duas entidades: Novo Banco e BCP. Os restantes €30 milhões dizem respeito ao empréstimo obrigacionista que a Sporting SAD deveria reembolsar em 25 de maio mas que só deverá pagar em novembro.

A Sporting SAD tem conseguido reduzir o endividamento (principalmente à boleia das receitas com a venda de jogadores), que no segundo semestre do ano passado baixou €18 milhões. Mas o seu futuro financeiro está nas mãos do Novo Banco e do BCP. Fruto da reestruturação feita no final de 2014, a Sporting SAD assumiu perante estes dois bancos vários compromissos, incluindo a cedência de créditos futuros (que só em pagamentos de curto prazo superam os €20 milhões).

Se a SAD leonina não cumprir esses compromissos, os bancos podem converter os títulos emitidos no âmbito da reestruturação, o que significaria a tomada do capital da SAD pelo BCP e o Novo Banco. Atualmente, a Sporting SAD é controlada pelo Sporting Clube de Portugal (64%), mas tem também como acionista de referência a Holdimo, de Álvaro Sobrinho (29,9%).

O advogado Nuno Líbano Monteiro, coordenador da área de contencioso da PLMJ, admite que, no que toca ao empréstimo obrigacionista de €30 milhões, “a sociedade está numa situação difícil”, mas não crê que as SAD dos maiores clubes de futebol corram riscos iminentes de ficarem insolventes. No caso do Sporting, o adiamento do reembolso não constitui um incumprimento, se esse adiamento for aprovado na assembleia de 4 de maio por mais de 50% dos investidores.

MP investiga
Uma equipa especial de três magistradas nomeadas pela procuradora Maria José Morgado está a investigar todas as denúncias relacionadas com o universo do futebol. Esta semana, a revista “Sábado” noticiou que um dos inquéritos está relacionado com o Sporting e, mais concretamente, com a gestão de Bruno de Carvalho. Em causa estará a renegocia­ção da dívida com o BES, as transferências de Tanaka e Bruno César e o uso em proveito próprio de bens do Sporting.

Segundo o Expresso apurou, há uma investigação a decorrer que, para já, se baseia nas denúncias recebidas, em especial do ex-inspetor da PJ e ex-dirigente do clube Paulo Pereira Cristóvão, condenado a quatro anos e meio de prisão no caso Cardinal e acusado de liderar um grupo de assaltantes. “A investigação está numa fase embrionária”, revela uma fonte

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