O debate de ontem por quem lá esteve
Só quem mede a grandeza do Sporting pelos resultados da sua equipa de futebol ou pelas confrangedoras direcções que sucessivamente vêm tolhendo a força de um clube centenário se pode espantar com o que sucedeu ontem na apresentação das candidaturas na 2ª cidade do País. Além de uma sala cheia de sócios de todas as faixas etárias estavam presentes núcleos dos mais variados pontos do Pais tais como Paço D'Arcos, Estarreja, Vila das Aves, Vila da Feira, Parambos e Lousada e até um jovem sócio que se deslocou propositadamente de Londres para o evento. Não é por falta de adeptos com representação transversal a toda a sociedade portuguesa, nem de fervor clubistico que o Sporting deixará, no imediato, de ser grande, mesmo considerando a erosão a quem tem sido sujeito. O que tem faltado a essa enorme e dedicada massa adepta é liderança e é isso que agora está em discussão e assume importância vital para o futuro do Sporting, que, não se pode enganar, mais uma vez, na escolha.
Ao contrário do sucedido no debate na SIC desta vez houve mesmo debate e, do ponto de vista pessoal, foi altamente proveitoso. Ao contrário do que parece ser a inclinação da grande maioria dos meus consócios não vejo justificação para a bipolarização das atenções e das intenções de voto em apenas 2 das candidaturas em presença, isto é, entre BdC e GL. Todas as candidaturas suscitam dúvidas mais que justificadas e parece-me redutora esta discussão que se instalou, em que o bem o mal se reduz ás duas propostas aludidas. E nem Pedro Baltazar, nem Abrantes Mendes, nem Dias Ferreira, pelo que propõem e como perspectiva de liderança, são inferiores aos outros dois. Por isso ficou claro ontem no meu intimo que o melhor para o Sporting nem é a continuidade personificada por GL nem a inconsistência de BdC, e que qualquer um dos outros pode fazer pelo Sporting o mesmo ou até melhor. Falarei disso no próximo post.
O debate de ontem vem sobejamente relatado de forma genérica nos diversos jornais pelo que deixo aqui a minha impressão pessoal do evento, que é afinal aquilo que justifica a existência do blogue. Se tiver que declarar um grande vencedor teria que indicar o Sporting Clube de Portugal pela vitalidade demonstrada e pela correcção generalizada como tudo aconteceu, apesar do clima emocional natural neste tipo de debates No mesmo lugar do pódio colocaria a organização do evento, quer pela organização em si, a roçar a perfeição, mas sobretudo pelo seu resultado e pelo serviço prestado ao clube e aos associados desta zona do País.
Ao contrário do sucedido no debate na SIC desta vez houve mesmo debate e, do ponto de vista pessoal, foi altamente proveitoso. Ao contrário do que parece ser a inclinação da grande maioria dos meus consócios não vejo justificação para a bipolarização das atenções e das intenções de voto em apenas 2 das candidaturas em presença, isto é, entre BdC e GL. Todas as candidaturas suscitam dúvidas mais que justificadas e parece-me redutora esta discussão que se instalou, em que o bem o mal se reduz ás duas propostas aludidas. E nem Pedro Baltazar, nem Abrantes Mendes, nem Dias Ferreira, pelo que propõem e como perspectiva de liderança, são inferiores aos outros dois. Por isso ficou claro ontem no meu intimo que o melhor para o Sporting nem é a continuidade personificada por GL nem a inconsistência de BdC, e que qualquer um dos outros pode fazer pelo Sporting o mesmo ou até melhor. Falarei disso no próximo post.
O debate de ontem vem sobejamente relatado de forma genérica nos diversos jornais pelo que deixo aqui a minha impressão pessoal do evento, que é afinal aquilo que justifica a existência do blogue. Se tiver que declarar um grande vencedor teria que indicar o Sporting Clube de Portugal pela vitalidade demonstrada e pela correcção generalizada como tudo aconteceu, apesar do clima emocional natural neste tipo de debates No mesmo lugar do pódio colocaria a organização do evento, quer pela organização em si, a roçar a perfeição, mas sobretudo pelo seu resultado e pelo serviço prestado ao clube e aos associados desta zona do País.
De seguida farei a apreciação à prestação das candidaturas, e alguns episódios que me pareceram marcantes, que é importante que se perceba não é uma declaração de intenção de voto e muito menos um conselho.
A participação de José Pedro Rodrigues, em representação de Abrantes Mendes, ausente por doença, foi de longe aquela que me pareceu mais inteligente, mais assertiva, mais perspicaz e objectiva, demonstrando que é possível argumentar sem recorrer à demagogia e que se pode contestar de forma vigorosa nos argumentos sem o ser nos decibéis. Foi aquele que melhor justificou a razão pela qual estamos neste momento em eleições, tendo em conta o falhanço rotundo do Projecto Roquete, que há muito previa mas cujo estrondo estava longe de imaginar. Protestou contra os excessos da campanha, seja na linguagem seja nos meios empregues. Pronunciou-se contra o fatalismo instalado, considerando que o Sporting é viável com união de todos os sportinguistas, sendo o que melhor caracterizou o que sucedeu nos últimos anos ao futebol do Sporting, falando desde as aquisições dispendiosas sem sentido, às disparidades irracional de salários no plantel: "Mas isto foi feito por alguém que percebe de futebol ou por uma criança de 10 anos?"
Dias Ferreira voltou a marcar pontos e é um candidato que me parece estar a gerir muito bem o excesso de bi-polarização e de ataques entre GL e BdC. Sem dúvida o mais popular, seguido de Inácio, e o único que teve palmas ao dirigir-se ao palanque para apresentar a candidatura. Aí teve um discurso à DF, forte, emotivo, revelando ser aquele que melhor conhece o clube e as suas mais variadas idiossincrasias, aqui e acolá com as suas habituais indirectas cujos destinatários não se percebiam muito bem. Longe de ser o meu estilo preferido, DF é um nome a ter em conta, o seu calcanhar de aquiles é Futre, o destinatário da maior vaia da noite.
Pedro Baltazar não é um comunicador, o nervosismo que dele se apodera na hora de passar a mensagem atraiçoa-o. Mas apesar de tudo as suas propostas são claras e merecem discussão. Ao contrário da acusação feita por BdC no domingo, Baltazar foi quem mais contestou GL, nunca deixando de se dirigir a ele como "a continuidade".
Godinho Lopes fez um discurso bem estruturado, nitidamente bem assessorado, tentando desmontar as acusações de que foi alvo de todos os lados, como era fácil de esperar, quer uma coisa quer outra. Esforçou-se por se descolar da imagem de sucessor do projecto roquete, colando-se aos êxitos e esquecendo-se dos fracassos, como é óbvio. Dentro das possibilidades, defendeu-se vigorosamente.
A Inácio coube a defesa do projecto de Bruno de Carvalho e fê-lo repetindo mais ou menos os mesmos argumentos aqui relatados no domingo passado. Nitidamente o menos preparado para um debate que impunha conhecimentos que não tem quer sobre a própria lista que representa quer sobre os temas em debate, mas era, a seguir a DF o mais popular da sala. Não deixo de repetir que não gosto do que propõe para o futebol, em particular da Academia, com a velha e estafada dicotomia entre professores e velhas glórias quando a discussão deve estar centrada na competência. Inácio esquece-se que um "dito professor" é apenas o melhor treinador do mundo e a mim ninguém me convence que a preparação e a competência adquirida pelo estudo é um embaraço. Há bons e maus treinadores de um lado e de outro e é sintomático que da geração de Inácio, com alguns dos melhores jogadores portugueses que vi jogar, não haja hoje quase nenhum nome digno de referência.
A participação de José Pedro Rodrigues, em representação de Abrantes Mendes, ausente por doença, foi de longe aquela que me pareceu mais inteligente, mais assertiva, mais perspicaz e objectiva, demonstrando que é possível argumentar sem recorrer à demagogia e que se pode contestar de forma vigorosa nos argumentos sem o ser nos decibéis. Foi aquele que melhor justificou a razão pela qual estamos neste momento em eleições, tendo em conta o falhanço rotundo do Projecto Roquete, que há muito previa mas cujo estrondo estava longe de imaginar. Protestou contra os excessos da campanha, seja na linguagem seja nos meios empregues. Pronunciou-se contra o fatalismo instalado, considerando que o Sporting é viável com união de todos os sportinguistas, sendo o que melhor caracterizou o que sucedeu nos últimos anos ao futebol do Sporting, falando desde as aquisições dispendiosas sem sentido, às disparidades irracional de salários no plantel: "Mas isto foi feito por alguém que percebe de futebol ou por uma criança de 10 anos?"
Dias Ferreira voltou a marcar pontos e é um candidato que me parece estar a gerir muito bem o excesso de bi-polarização e de ataques entre GL e BdC. Sem dúvida o mais popular, seguido de Inácio, e o único que teve palmas ao dirigir-se ao palanque para apresentar a candidatura. Aí teve um discurso à DF, forte, emotivo, revelando ser aquele que melhor conhece o clube e as suas mais variadas idiossincrasias, aqui e acolá com as suas habituais indirectas cujos destinatários não se percebiam muito bem. Longe de ser o meu estilo preferido, DF é um nome a ter em conta, o seu calcanhar de aquiles é Futre, o destinatário da maior vaia da noite.
Pedro Baltazar não é um comunicador, o nervosismo que dele se apodera na hora de passar a mensagem atraiçoa-o. Mas apesar de tudo as suas propostas são claras e merecem discussão. Ao contrário da acusação feita por BdC no domingo, Baltazar foi quem mais contestou GL, nunca deixando de se dirigir a ele como "a continuidade".
Godinho Lopes fez um discurso bem estruturado, nitidamente bem assessorado, tentando desmontar as acusações de que foi alvo de todos os lados, como era fácil de esperar, quer uma coisa quer outra. Esforçou-se por se descolar da imagem de sucessor do projecto roquete, colando-se aos êxitos e esquecendo-se dos fracassos, como é óbvio. Dentro das possibilidades, defendeu-se vigorosamente.
A Inácio coube a defesa do projecto de Bruno de Carvalho e fê-lo repetindo mais ou menos os mesmos argumentos aqui relatados no domingo passado. Nitidamente o menos preparado para um debate que impunha conhecimentos que não tem quer sobre a própria lista que representa quer sobre os temas em debate, mas era, a seguir a DF o mais popular da sala. Não deixo de repetir que não gosto do que propõe para o futebol, em particular da Academia, com a velha e estafada dicotomia entre professores e velhas glórias quando a discussão deve estar centrada na competência. Inácio esquece-se que um "dito professor" é apenas o melhor treinador do mundo e a mim ninguém me convence que a preparação e a competência adquirida pelo estudo é um embaraço. Há bons e maus treinadores de um lado e de outro e é sintomático que da geração de Inácio, com alguns dos melhores jogadores portugueses que vi jogar, não haja hoje quase nenhum nome digno de referência.
















