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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

No day-after de mais uma Bola de Ouro, uma importante reflexão sobre a formação no Sporting

Ronaldo é o expoente máximo da formação do Sporting
No day-after da conquista de mais uma Bola de Ouro por um atleta formado no Sporting, parece-me fazer todo o sentido falar novamente sobre a formação do Sporting. Uma reflexão que é ainda mais oportuna num momento em que existem alguns sinais que justificam pelo menos a preocupação, exigem questões e respectivas respostas. Para tal elaborei um questionário muito simples, de quatro perguntas apenas (a bold), que André Carreira de Figueiredo* se disponibilizou para responder.

- Os resultados deste ano lançaram o alarme sobre a formação, que a recente não qualificação dos juvenis veio acentuar. Os resultados dos jogos, sobretudo os títulos, na formação são assim tão importantes ou deve ser feita uma leitura mais abrangente, como exibições, valores emergentes, etc?

Falar em "a melhor formação" é muito subjectivo e por vezes depende daquilo que é conveniente para os adeptos e "máquinas de relações públicas" valorizarem após uma determinada vitória ou derrota, mas há que ter em conta vários factores:

1) Produzir individualidades para a equipa principal, portanto, formar jogadores (e não colectivos) e fazer um aproveitamento dos mesmos no "período pós-formação", ou seja, quando terminam a sua época Sub-19.

2) Conquistar títulos para incutir aos jogadores desde cedo uma "cultura de vitória" e a capacidade de sobressaírem no contexto de um colectivo.

3) Formar homens pois, sem um desenvolvimento social e emocional adequado, muitos jogadores não desenvolvem a maturidade necessária ou uma personalidade forte que lhes permita sobreviver às "depressões" que podem estar associadas a um empréstimo fora da "casa mãe" ou de uma passagem prolongada pelo banco de suplentes ou pela bancada.

Em termos de aproveitamento de individualidades da sua formação na equipa principal, o Sporting tem tido indiscutivelmente a "melhor pós-formação" (e tem recebido justificadamente a melhor imprensa) nos últimos 15 anos, mas, há que ter em conta que é mais fácil um jovem conseguir entrar num XI sénior como o do Sporting do que num XI mais competitivo como é o do Benfica. Portanto, a aposta em jovens  por parte do Sporting nos passados 10-35 anos passa muito pelo facto de o Sporting ter quase sempre um orçamento mais reduzido que o do seu rival da 2ª Circular, e ter, na maioria das vezes, um XI titular menos competitivo na sua equipa sénior onde, portanto, é mais fácil os jovens conseguirem afirmar-se.

Há igualmente que ter em conta que os jovens da formação que o Sporting tem no seu plantel sénior são o resultado de um trabalho/investimento que vem de há muitos anos e que lentamente deu frutos, e não do trabalho desenvolvido nos tempos mais recentes.

Rui Patrício chegou ao Sporting há 17 anos descoberto pelo ex-Observador Técnico Sr. Artur Garrett, Nani chegou ao Sporting há 12 anos descoberto pelo Observador Técnico Sr. Carlos Braz, Cédric Soares chegou ao Sporting com 6 ou 7 anos de idade no final dos anos 90 quando o irmão mais velho (Kevin Soares) o trouxe para treinar, Adrien Silva chegou ao Sporting há 12 anos descoberto pelo Observador Técnico Sr. Gomes Ribeiro (que também descobriu Simão Sabrosa), William Carvalho chegou há 10 anos e chegou porque é um grande Sportinguista, pois tinha Bruno Maruta em sua casa com papéis para ele assinar pelo Benfica e William segredou ao seu então treinador (Ricardo Nascimento) no Mira-Sintra que preferia ir para o "seu" Sporting.

André Martins chegou há 12 anos descoberto pelo ex-observador técnico Coronel José Santos, João Mário Eduardo foi a Mãe dele a Srª Lídia Costa que o trouxe para o Sporting há 12 anos, Eric Dier foi a Mãe que o levou para o Sporting há 12 anos, Filipe Chaby é outro grande Sportinguista que foi descoberto para o Sporting pelo ex-Observador Técnico Sr. João Ruas há 9 anos. Francisco Geraldes é um jovem Sportinguista de 19 anos que está no Sporting há 12 anos.

Mesmo falando dos casos mais recentes de jovens que conseguiram algum espaço na equipa principal, o Carlos Mané está no Sporting há 14 anos, o Daniel Podence foi descoberto pelo Observador Técnico Sr. Carlos Braz no Belenenses, Tobias Figueiredo chegou ao Sporting há 10 anos, Ricardo Esgaio chegou da Nazaré há 11 anos e a avó dele vinha ver os jogos dele a Pina Manique e a Alcochete, Rúben Semedo, com idade Sub-16, foi observado pelo Mister Luís Dias num jogo de Juvenis A do "Fofó", onde eu também estava presente há 7 anos.

Mica Pinto chegou há 8 anos e jogou em pelo menos 3 posições (médio defensivo, avançado-centro e lateral esquerdo), Iuri Medeiros chegou há 11 anos, etc. Em suma, os atletas que hoje em dia vão surgindo da formação são o resultado de um "investimento" que foi feito há 6-18 anos nas estruturas de Prospecção e Formação.

Quando olhamos para um jogador temos que ter em conta dois aspectos, o seu valor desportivo actual e avaliar qual será o seu potencial a curto, médio e longo prazo. Enquanto o valor actual é relativamente fácil de aquilatar com a elaboração de um relatório técnico de avaliação, já o potencial a longo prazo depende de muitos factores, mas na minha opinião o mais importante é o psicológico. Por exemplo, depende da mentalidade dos atletas e como a mesma poderá mudar durante a puberdade, a personalidade dos seus encarregados de educação que poderão dar-nos uma indicação de como vai ser o jogador em termos de traços da sua personalidade, a potenciação física, técnica e psicológica que os profissionais da instituição poderão realizar com o atleta quer na Fase de Iniciação quer na Fase de Especialização, e hoje em dia também quando passam pelo Sporting B, etc.

Mas, não se pode confundir o valor desportivo ou o potencial com o momento de  forma, pois há jogadores ou equipas que podem ter más exibições, mas as mesmas serem uma simples anomalia ou causada por factores exógenos, questões de Locus de Controle Externo (sorte, azar, incompetência ou falta de seriedade de terceiros, etc). No entanto, se os jogadores e planteis têm qualidade e se o treinador é competente e profissional, e os adversários são de igual ou inferior valia, é natural esperarem-se vitórias, títulos, e não apenas a potenciação das individualidades mais promissoras.

Tendo dito isto, o rendimento da geração de 1996 (actuais juniores) ao longo dos últimos 2 anos não reflecte o real valor desse lote de atletas nem eles evoluíram o que seria perfeitamente razoável esperar deles nestes passados 21 meses. Não são uma geração fabulosa de jogadores, nunca foram e isso já era óbvio quando eram Infantis, mas são claramente jogadores em nítido sub-rendimento nestes últimos dois anos, sobretudo na presente época, mas quem conhece estes jogadores sabe que eles valem MUITO mais do que  isto, basta ver o seu historial entre 2008 e 2012. Em Janeiro de 2013 estavam à frente do Benfica, até há 2 anos nunca ficaram abaixo do 2º lugar quer em competições Nacionais quer em Distritais, inclusive foram campeões há pouco mais de 4 anos com o treinador Pedro Gonçalves. O “descalabro” verificou-se nos últimos 2 anos, é factual e incontornável.

Sempre achei que seria irrealista esperar o título nacional destes jogadores esta época, mas, era normal que se esperasse MUITO mais deste grupo de trabalho (e que obviamente envolve a estrutura) do que aquilo que têm produzido nos passados 2 anos e sobretudo na presente temporada. Não são "fracos" nem medíocres em termos de talento, mas realisticamente, o grupo (jogadores e não só) tem sido medíocres esta época, e bons jogadores entre 2008 e 2012 não desaprendem a jogar em 2013, 2014 e 2015. Há da parte dos "adultos" responsáveis que tirar ilações, algumas delas particularmente introspectivas.

Relativamente à geração de 1998 (actuais juvenis), sempre fui da opinião que eram uma boa geração, mas não excepcional (e alertei há 18 meses que não havia espaço para deslumbramentos), e na qual eu via talvez 3 jogadores (Telmo Costa no início de época falou em 5 ou 6) com capacidade para chegar aos seniores a seu tempo. Os restantes eram incógnitas, pois a sua evolução para mim dependia de demasiados factores. É verdade que foram campeões nacionais com relativa facilidade há 2 anos, mas, como se costuma dizer, "só podemos vencer quem aparece à nossa frente", ou seja, a equipa era melhor que os adversários, mas, nunca achei que fossem uma "Super-Equipa" como muitos julgavam pelos resultados (e título), enquanto eu me limitava a avaliar a qualidade e potencial a longo prazo dos jogadores.

Foi uma equipa que sofreu alguma “delapidação” nos passados 2 anos e que em parte por causa desse "empobrecimento", ao fim de 3 anos consecutivos a conquistar títulos, acaba de assinar a pior época alguma vez registada por uma equipa Sub-17 do Sporting na já longa história desta competição. Mas, não é por causa deste "fiasco" que este lote de jogadores de 1998 deixa desportivamente de valer menos do que valia há 6 meses, da mesma forma que para mim não valiam mais depois de serem campeões nacionais em 2013.

Esta época registou-se claramente algum sub-rendimento por parte destes jogadores, eles poderão arcar com alguma "culpa", mas nunca com toda. São um bom plantel, que não rendeu o que seria de esperar deles, mas, tal como com os de 1996, também não me parece que a culpa seja única e exclusivamente dos jogadores e equipas técnicas. Poderão haver muitos factores, desde quebra psicológica, mau ambiente de trabalho devido a alguma opressão social que possam sentir, falta de gratificação (questões económicas) comparadas com colegas, falta de motivação, falta de auto-confiança, falta de empatia para com quem os rodeia, desânimo, falta de organização (na equipa e fora dela), etc.

Se o único factor a ter em conta para a próxima época for a qualidade dos jogadores (em vez da equipa técnica, estrutura, condições de trabalho, acompanhamento, etc) não acredito que a equipa de Juniores seja muito mais competitiva que as dos últimos 2 anos, pois ao longo dos passados 6-8 anos a Geração de 1997 não deu indicações de que fosse superior à Geração de 1996.

Quanto à Geração de 2000 que presentemente competem nos Sub-15 e terminaram a 1ª Fase 9 pontos na retaguarda do Benfica, se formos a julgar unicamente pela qualidade dos jogadores, temos claramente qualidade para sermos campeões nacionais. Mas, exactamente o mesmo podia ser dito (e foi, por mim) sobre a Geração de 1999 que na época transacta passou pelos Iniciados A e nada conquistou. E em ambos os casos estamos a falar de gerações campeoníssimas, com 7 títulos conquistados antes de chegarem aos Sub-15.

-  Estes resultados são meramente circunstanciais e coincidentes ou são  sinais que evidenciam problemas?

De forma alguma são circunstanciais ou fruto do azar. Eles evidenciam problemas de ordem estrutural, organizativa e de falta de competência, experiência e sensibilidade em posições chave, sobretudo na gestão dos recursos humanos. Claramente, as Gerações de 1996, 1998 e 1999 foram todas elas afectadas nos passados 2 anos. É uma questão estrutural e que está relacionada com questões de competência, experiência e sensibilidade para o trato com os jovens, desorganização, excessiva acumulação de  cargos, alguns deles por pessoas de competência "amadora", e isto resulta de dois factores: a menor folga orçamental e a má/insensata gestão de recursos humanos.

- Quais são os problemas que identificaria como sendo específicos de cada escalão e quais os que resultam da própria organização?

O Sporting necessita de um Director Geral da Formação que conheça o meio em que se movimenta, que conheça os jogadores e treinadores (dentro e fora do Sporting), que seja sobretudo um agregador de competências, que saiba liderar, que saiba criar e gerir uma dinâmica social que permita extrair o máximo potencial profissional de todos os seus colaboradores, e não obstante ser ele o líder máximo, que dê valor à opinião das pessoas competentes que o rodeiam. As Hiperlideranças “asfixiam” quem as rodeiam, e só funcionam quando o Hiper Líder é alguém de inquestionável competência.

O Sporting necessita de um Coordenador Técnico da Formação que para além da competência possua capacidade de liderança (e algum carisma) para se impor e ser respeitado pelos seus superiores hierárquicos e consequentemente conquistar a sua autonomia dentro da estrutura.

O Sporting tem que apostar nos melhores treinadores, nos José Limas, nos Pedros Gonçalves,  nos Tiagos Capazes, nos Tiagos Fernandes, nos Nunos Lourenços (é inconcebível que esteja a treinar os Sub-13 quando tem mais capacidade e experiência do que alguns em Alcochete), os Pedros Pontes, etc. Tem que ser capaz de atrair os Brunos Lages, os Luíses Nascimento, talvez um Luís Araújo, de trazer de volta o Bruno Freitas, de potenciar um Bernardo Bruschy, de ir buscar as 4 ou 8 pedras basilares que lhe permitam reerguer o seu Departamento de Recrutamento para os níveis em que estavam em 2005-2007, etc.

Relativamente ao Professor João Couto que agora regressa ao Sporting, gostaria de dizer algumas coisas. É um amigo, é um Sportinguista com "S" grande, é um Homem com "H" grande e, em condições ideais, é um treinador muito acima da média.

O Professor João Couto foi Professor de Educação Física na minha velha Alma Mater, o Colégio São João de Brito, é alguém que foi campeão nacional de Juvenis duas vezes pelo Sporting (em 2004/05 com a geração de 1988 e em 2005/06 com a geração de 1989), bem como campeão nacional de juvenis pelo Benfica em 2007/08 com a geração de 1991.

Mas, do passado vivem os museus, e o Professor terá que demonstrar nestes novos tempos, com outros constrangimentos (orçamentais e não só) e com outros jogadores, o que consegue fazer. Na globalidade ele é um grande reforço, não apenas pela sua qualidade enquanto treinador, mas igualmente como ser humano, é uma pessoa afável, amiga dos jogadores, disciplinador quando necessário, é um bom psicólogo, e é um Mister que sabe ter os jogadores com ele.

Espero que os Sportinguistas não queiram fazer do João Couto um "São João", ele é em condições normais INQUESTIONAVELMENTE uma mais-valia, mas ele sozinho não fará milagres. Esqueçam isso, ele não tem nenhuma varinha mágica, ele é apenas mais uma peça (neste caso, uma boa peça) na engrenagem, mas os Sportinguistas não se podem esquecer que os Joões Coutos e os Luíses Martins foram campeões com gerações de jogadores muito acima da média, não foi com jogadores medianos nem com coordenadores medianos.

O João Couto tem qualidade, mas necessita igualmente que lhe dêem qualidade para ser trabalhada e necessita de estar rodeado na estrutura de outros elementos de qualidade. Para mim, o Professor João Couto é indiscutivelmente uma referência, tal como é o Mister Luís Martins, o Mister Bruno Lage, o Mister José Lima, e outros que também têm muita qualidade profissional e humana, mas que infelizmente nem sempre recebem o reconhecimento que tanto mereciam.

- Quer apontar algumas medidas de curto prazo que tomaria para devolver alguma normalidade já na próxima época a este sector tão querido dos Sportinguistas?

Muitas vezes se tem falado que "o Sporting forma bons jogadores, mas não forma bons homens" e em relação a isso gostaria de dizer o seguinte, que tanto uma formação como a outra não é complicada de se atingir, desde que os jovens tenham em seu redor os profissionais e as personalidades certas.

Como se formam os bons jogadores?

Antes de mais, é necessário ter boa matéria prima e é aí que entra um bom Departamento de Recrutamento e cujo trabalho (bom ou mau) nunca pode ser descurado e que pode ter repercussões (positivas ou negativas) que só se sentirão 5-12 anos no futuro. Tendo já jovens talentos, para formar bons jogadores é imperativo essencialmente ter os melhores treinadores, os melhores nutricionistas, os melhores especialistas em treino de força e em Prevenção/Reabilitação de lesões, os melhores psicólogos e as melhores infra-estruturas. É tão simples quanto isso, os melhores nas suas respectivas áreas para potenciar a melhor matéria prima aplicando-lhe as três traves mestras; o Treino, a Nutrição, e o Repouso.

Como se formam os bons homens?

Quando um jovem do sexo masculino entra na adolescência está numa fase em que a sua personalidade se começa a afirmar, e a sua personalidade será um reflexo das pessoas que o rodeiam. Todos os jovens necessitam de um forte exemplo masculino (o Pai) e um forte exemplo feminino (a Mãe) nas suas vidas, mas quando os jovens passam muito tempo longe dos encarregados de educação, é importante que tenham em seu redor homens sérios, homens leais, homens corajosos, homens íntegros, homens trabalhadores, homens sociáveis, todos eles valores importantes que os jovens possam assimilar.

Agora, se um jovem entre os 13 e os 19 anos estiver rodeado de homens introvertidos, intelectualmente desonestos, cobardes, nervosos, ansiosos, bajuladores, ordinários, sexistas, tabagistas, alcoólicos, narcisistas, etc, obviamente que esses maus exemplos mais do que provavelmente irão afectar negativamente o desenvolvimento da personalidade do jovem.

Isto aplica-se a qualquer colaborador que possa entrar em contacto com os jovens atletas, mas focando-me mais agora nos treinadores, os atletas precisam de treinadores que para além de competência e profissionalismo, precisam que esses treinadores sejam homens exemplares, pois quer tenham consciência disso ou não, esses treinadores têm nas mãos uma enorme responsabilidade, pois estão a ter um profundo impacto na formação da personalidade desses jovens.

Eu prefiro que atletas entre os 7 e os 12 anos sejam acompanhados por psicólogas e de preferência psicólogas relativamente jovens, com idades compreendidas entre os 25 e 35, e que para além da ciência da psicologia, que venham igualmente dotadas de humanismo. Mas, para acompanhar jogadores adolescentes ou adultos prefiro que esse acompanhamento seja feito unicamente por psicólogos. Não faz qualquer sentido um jogador de 14-17 anos andar a ser acompanhado por uma mulher de 20-35 anos, para mim isso é uma "farsa". A capacidade de empatia é reduzida, e as psicólogas nunca poderão nem deverão tentar assumir o papel pouco ético de "mães substitutas".

Quando falo em psicólogos e psicólogas, estou obviamente a falar dos melhores e não de profissionais medianos ou medíocres, pois esses apenas representam mais um nome e mais um "peso" na folha salarial e pouco ou nada têm a oferecer em termos de contribuição para a formação do homem ou do atleta. Se alguma coisa, estarão a acrescentar o nome “Sporting Clube de Portugal” ao seu CV, para que mais tarde possam tentar monetizar essa experiência acumulada  ao serviço da instituição.

Que fique claro que considero que existem boas psicólogas e com capacidade para lidarem com adolescentes do sexo masculino e com homens mas, com o devido respeito, essas na sua maioria são profissionais com 25-30 anos de carreira. Estamos a falar das melhores, portanto, profissionais que devido ao seu talento e experiência já possuem capacidade para entender a psique masculina de um adolescente.

Tendo dito isto, continuo a acreditar que o "Psicólogo Primário" deve ser sempre o treinador, e esta é uma área em que obviamente alguns treinadores têm maior sensibilidade do que outros, e que tem tanto a ver com conhecimentos adquiridos em Pós-Graduações em Psicologia, como tem a ver com a própria personalidade dos treinadores, pois há quem tire todos os cursos possíveis sobre Psicologia ou Psiquiatria, mas falta-lhes o humanismo ou as competências sociais necessárias para conseguirem compreender os seus “pacientes“.

Acredito igualmente que os jovens mais do que sessões de psicanálise enfadonhas e intrusivas ou de "elogios gratuitos", deviam ter a oportunidade de participar no maior número possível de actividades sociais e culturais. Na adolescência necessitam sobretudo de socializar, de fazer  amizades, de arranjarem namoradas e de aprenderem por experiência própria a controlar as suas emoções, para evitar que mais tarde sejam adultos que sofram de desequilíbrios ou descontroles emocionais que, muitas vezes são interpretadas como sinal de imaturidade e revelam-se como um obstáculo intransponível para a sua afirmação no futebol ao mais alto nível. Estamos a tentar formar homens e não "robots" anti-sociais.

A medida primária que tomaria seria a criação de uma estrutura capaz de governar a Formação e Prospecção do Sporting, uma estrutura que reuniria competências diversas e que tornaria a  estrutura mais flexível, moderna e pedagógica, com capacidade de se adaptar às contingências da Formação e Prospecção moderna, com gestão substancialmente mais lúcida, democrática e meritocrática dos recursos humanos disponíveis, e o desenvolvimento de uma verdadeira estratégia de optimização do Sporting B como plataforma competitiva intermédia.

Para que isto fosse possível seria necessária uma reestruturação de recursos humanos que envolveria a dispensa de vários colaboradores que não estivessem 100% comprometidos com o espírito do novo projecto, e seria igualmente necessária a entrada de profissionais de inequívoca competência e experiência nas áreas onde seriam chamados a intervir.

Post-Scriptum: O Sporting necessita rever o seu projecto "Férias Academia". É certo que o Sporting encara esse projecto mais pela vertente comercial, e os jovens que o frequentam mais pela vertente social, ou seja, nenhuma das partes está necessariamente interessada em formar jogadores ou em incutir bons hábitos que permitam a um jovem aspirar a ser jogador, mas, é inaceitável que alguns dos treinadores responsáveis pelos treinos estejam obesos (não estão gordos, estão obesos, e alguns nem 30 anos devem ter).

Há igualmente que ter maior atenção à forma dos jovens quando executam os exercícios durante os treinos de modo a evitar lesões. Mas o pior, é sem dúvida a alimentação que permitem a essas crianças e adolescentes; pequenos-almoços com Chocapic e Coca-Cola, almoços com bifes de vaca "encharcados" de molhos e acompanhados de batatas fritas e doces, e jantares em que podem consumir doses industriais de hidratos de carbono (será que isto os conduzirá a uma boa higiene de sono?), em suma uma alimentação péssima a todos os níveis e que pode ajudar a tornar esses jovens em futuros diabéticos quando atingirem a meia-idade. Irresponsável e inaceitável.

Saudações Leoninas,

André Carreira de Figueiredo.

*André Carreira de Figueiredo é o director do jornal desportivo online "Academia de Talentos e que há vários anos acompanha a formação do Sporting.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Equipa B: entre as promessas eleitorais e a intenção de extinguir, o que mudou?


Não sei o crédito que merecem as notícias que desde ontem anunciam a intenção da administração do clube em extinguir a equipa B, se não se derem cumprimento a algumas alterações que aquela, alegadamente, pretende introduzir nos regulamentos. Mas a noticia é tudo menos uma surpresa, porque não aparece do nada. 

Nada acontece por acaso e havia já alguns indícios que algo poderá estar para mudar. O mais forte de todos, que pode ter passado despercebido, foi o artigo do ex-PMAG Eduardo Barroso na sua crónica de "A Bola", onde advogava que as equipas B, nos actuais moldes, eram mais uma fonte de problemas do que soluções. Sabendo da sua proximidade com a actual administração não podia deixar de lhe dar relevo. É por isso que a notícia não é assim tão estranha como poderia parecer à primeira.

Ora antes de ir ao que Sporting alegadamente pretende – acabar com a equipa B se não lhe forem concedidas as alterações pretendidas - é interessante recuar ao que foi prometido aos Sportinguistas em tempo de candidatura, aquando das últimas eleições. Recordo, como nota importante, que ao tempo vigoravam já os actuais regulamentos.

 (Um parêntesis para uma pequena ressalva: no programa de candidatura de Bruno de Carvalho há uma distinção entre o conceito de "Formação" e "Equipa B" que, na minha óptica, está errada. Vejo a "Equipa B" como a última etapa da formação de jovens jogadores e creio que essa diferença de percepção é capaz de ser uma das razões que poderá estar a arrastar o Sporting para uma tomada de decisão como a anunciada. )

Na introdução ao programa de candidatura pode-se ler (as que me parecem mais importantes):

"A Formação e a Equipa B manter-se-ão como apostas fundamentais para o nosso presente e futuro." (página 17)

17. A equipa B é uma aposta para manter. (página 19)

E quais são agora as pretensões do Sporting? Segundo as notícias de hoje o Sporting pretende:

- Reduzir o âmbito da idade sobre a qual assentam a formação dos planteis de sub-23 para sub-21, podendo inscrever até cinco elementos de idade superior.

- Que se mantenham as actuais condições das Academias para sede dos jogos das equipas B.

- A possibilidade de acordos com clubes satélites desde que não inscritos na mesma associação.

As minhas questões, partindo do principio que a noticia do Record, que diz ter tido acesso a uma carta enviada pelo Sporting à Liga, são verdadeiras:

- O Sporting insiste num modelo de relações externas assente na confrontação, prescindindo do valor da negociação. Já não é apenas uma questão de estilo, é estratégia. Os resultados obtidos terão que ser, no momento oportuno, devidamente contabilizados. Isso é o que realmente deve contar, sendo pouco importante a adesão ou a rejeição desta metodologia. Eu não gosto e duvido que se alcancem resultados práticos.

- A imposição de cláusulas de forma unilateral como condição sine qua non para participação nos campeonatos vai ser alargada a outros escalões e modalidades e levada até às últimas consequências?

- Qual é a importância real das cláusulas em causa, ao ponto da actual administração por em causa compromissos assumidos com os Sportinguistas, que estão na sua base programática e que levaram à sua eleição? 

- Qual é a importância real das cláusulas em causa para prescindir da importância estratégica que uma equipa B tem e que a actual administração reconheceu aquando da elaboração do documento ao afirmar no supra-referido documento:

"(…) Ao contrário do que tem sido prática recente, o recurso a jovens criados na formação do Sporting deverá ser uma realidade, à semelhança daquilo que sempre foi tradicional no clube. É incompreensível que um Clube que possui uma das melhores escolas de futebol do Mundo, não aproveite convenientemente em termos desportivos, e por consequência no aspecto financeiro, o enorme investimento anualmente realizado na sua Academia. É bom ter em conta que a FIFA e a UEFA vão a breve prazo alterar as regras do jogo, no que à gestão económica e financeira dos clubes diz respeito, e quem estiver mais bem preparado e já levar uma prática de rigor e de respeito pelos orçamentos, estará em vantagem."

"A existência de uma equipa B é de enorme importância para o desenvolvimento sustentado e servirá de ponte entre o futebol júnior e o futebol sénior. Deverá ser absolutamente proibido aumentar o passivo da SAD por via da compra de passes de jogadores, investindo recursos que não estejam disponíveis."

- Levando a efeito a extinção da equipa B, que alternativa tem o Sporting para fazer crescer de forma sustentada os jogadores que terminarão o período formativo –que não a sua formação - com dezanove anos, conhecendo-se, como se conhecem, as dificuldades actuais de colocação de jogadores emprestados, onde até o SCBraga nos consegue suplantar no número de jogadores naquelas condições a jogar na I Liga?

- Não é apenas a actuação, ou alegadas intenções, da administração que me deixam perplexidade. Logo, em Vizela, o Sporting disputará uma eliminatória da Taça de Portugal e no lote de convocados não aparece nenhum jogador do actual plantel da equipa B. Marco Silva, ao invés de premiar os jogadores que aí têm actuado, mesmo com o pouco brilho que se vem constatando, prefere dar primazia a jogadores que, cada vez que foram chamados, nunca o justificaram. Falo de jogadores como Rabia, Sarr, Héldon, Slavchev quando, por exemplo, os centrais actuais da equipa, Wallyson, Gauld, Iuri, estiveram, no último jogo, num plano mais próximo do que pode ser tido como o seu valor. 

Que mensagem se transmite aos jogadores da equipa B? 

Onde fica o mérito como critério na hora escolher?

And last, but not the least:

Falar em jogadores como Rabia, Sarr, Héldon e Slavchev (e tantos outros que chegaram entretanto) quando, ao ler-se documento de candidatura da actual administração, se encontram enunciados como os que deixo abaixo, é caso para perguntar se os seus autores são os mesmos ou o que é que os fez mudar tão radicalmente de princípios num tão curto espaço de tempo:

- (…) Quanto menor for o número de jogadores a entrar de novo no plantel, maior será a facilidade de manter rotinas e entendimentos, que consumiram tempo e esforço a conseguir e que são verdadeiramente importantes numa equipa.

(…) Com a reactivação da equipa B, o plantel deverá ser menos numeroso – 20 jogadores. Cinco ou seis jogadores, numa escolha cirúrgica, experientes (ter em atenção que no futebol a experiência não está diretamente relacionada com a idade) e capazes de acrescentar valor ao plantel existente, serão suficientes para a construção de uma equipa que possa lutar pelos objetivos de curto, médio e longo prazo do Clube. 

Jogadores estrangeiros não adaptados ao futebol português apenas se forem mais-valias claras. As contratações de jogadores estrangeiros, não adaptados ao futebol português, estará sempre dependente de serem considerados, pelo treinador principal e pela equipa Diretiva, como uma real valia para o reforço da equipa, apoiados em base nos relatórios emitidos pelos departamentos de Scouting e Sociológico.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Orçamentos: é possível voltar ao topo reduzindo drasticamente o orçamento?


A noticia
O jornal "O Jogo" noticiava ontem que o Sporting pretende que o seu orçamento futuro não ultrapasse os vinte milhões de euros. A noticia, que não foi confirmada por fonte oficial,  é algo surpreendente, isto porque, como é do conhecimento geral, o orçamento da SAD do Sporting anda em valores bem próximos de apenas um quarto do que as suas congéneres rivais têm à disposição. Mesmo sem confirmação oficial, a noticia é um pontapé de saída para uma reflexão sobre o tema.

O poder diferenciador do dinheiro
Basta dar um breve relance pelo que foram os campeões por essa Europa fora para perceber que o dinheiro conta e muito para conseguir, no final de uma época, acrescentar uma taça ao currículo e ao museu de um clube. O exemplo do Atlético de Madrid, esgotado de tantas vezes ser usado, não pode deixar de ser olhado como excepcional. Basta para tal constatar o poderio do Barcelona e Real Madrid nos últimos anos, incinerando à partida exemplos de outrora, agora já longínquos, do próprio At. de Madrid ou Real Sociedad, Valência, Bilbau e poucos mais. O titulo do Atlético, inteiramente merecido, é a excepção dos que conseguem saltar o rolo constritor do poder do dinheiro antes de ele produzir o seu efeito demolidor. Este é um fenómeno que veio para ficar e que coloca nos arquivos a ideia romântica do futebol com que cresci. Ainda assim os mais ricos já então ganhavam sempre mais vezes.

Enquadramento nacional
O cenário não melhora quando olhamos para o nosso campeonato. Fazendo uma retrospectiva ao que têm sido os campeões desde o início do presente século, há dois factores importantes que ressaltam da análise e que me parecem merecer destaque: a confirmação da importância dos orçamentos e a sua consequência na competitividade do campeonato. 

Analisando os campeonatos deste século até hoje (2001-2014) facilmente se constata que, para ser campeão, são precisos pelo menos setenta e cinco pontos ou mais. Dos treze campeonatos oito foram conquistados com pelo menos esse pecúlio (2001/02-2002/03-2003/04-2005/06-2009/10-2010/11-2011/12-2012/13), sendo de realçar que, desses oito, três deles foram conseguidos com mais de oitenta pontos (2002/03-2003/04-2010-11). Dois deles (2005/06-2012/13) ficaram bem perto desse valor, setenta e nove e setenta e oito, respectivamente.

É verdade que esta diferença acentuada pode ser atestada em anos anteriores, afinal o campeonato português sempre teve um carácter tricéfalo acentuado. Porém, há um fenómeno que cada vez ocorre com mais frequência e que anteriormente, mesmo nos períodos áureos de cada um dos três clubes, era muito raro: o da invencibilidade. O FCP foi campeão duas vezes seguidas sem ser derrotado e o actual campeão, o SLB, sofreu apenas uma derrota em cada um dos últimos campeonatos.

Importância dos fundos e empresários
Há dois factores que se destacam na forma como quer FCP e SLB têm conseguido exponenciar as suas receitas, o que lhes permite não só contratar melhores jogadores como pagar-lhes o salário: as performances desportivas e uma boa compreensão do que é o funcionamento do mercado. 

As receitas provenientes do acesso à Liga dos Campeões, das quais os prémios de jogo são uma ínfima parte, foram o trampolim que começou por distanciar o FCP dos demais, a que juntou um circuito de prospecção, valorização e vendas quase perfeito . O SLB, com a entrada de Jesus, ainda conseguiu apanhar o comboio, mesmo tendo conseguido apenas dois campeonatos. As boas performances desportivas permitiram uma valorização de activos verdadeiramente notável, com receitas não menos notáveis. O Sporting, por diversas vicissitudes bem conhecidas de todos, tem visto passar os comboios. A venda de Nani ao Manchester é um exemplo sem repetição.

Quase todos os grandes negócios têm um nome comum: Jorge Mendes, facto que se estende ao mundo futebolístico em geral: quase todas as grandes transferências têm a sua chancela. O recurso aos tão famigerados fundos funcionam como fonte de financiamento e partilha de risco. Paradoxalmente, o Sporting mantém-se à margem, isto apesar de o seu mais proveitoso negócio de sempre, Nani, ter o nome de Jorge Mendes.

Porque seria mau para o Sporting, por exemplo, que Mendes fizesse com William Carvalho um negócio com contornos semelhantes ao realizado com André Almeida e Rodrigo, em que o Sporting recebesse uma parte substancial da cláusula de rescisão e ainda pudesse manter o jogador mais um ou dois anos nos seus quadros?

Há muito tempo que se fala na regulação e até mesmo na interdição da partilha de passes de jogadores com fundos e empresários por parte da UEFA. Quanto a mim um erro, porque afinal têm sido esses mecanismos que têm permitido aos clubes da periferia europeia, que não despertam o apetite dos grandes investidores, ou que não se encontram no lote de clubes de implantação mundial como Barcelona ou Real, manter alguma competitividade. O próprio Atlético de Madrid conseguiu afrontar os dois grandes de Espanha e até chegar a êxitos internacionais recorrendo à partilha a posse de grande jogadores, sem quais tal não seria possível. Os organismos internacionais que gerem o futebol estão obrigados a zelar pelo equilíbrio da modalidade, que não sucederá se o lote de vencedores estiver restringido a um apertado numerus clausus, ou clube exclusivo.

Sporting, que caminho seguir?
Bruno de Carvalho tem insistido num discurso regenerador no que às relações com o mercado diz respeito, com o qual concordo na essência. Só não me parece boa estratégia é que o Sporting empreenda a mudança sozinho, antes dos demais. Pelo menos que o faça antes de que as regras mudem. Não só porque não há nenhuma garantia que elas venham a ocorrer, mas sobretudo porque tal só contribui para o isolamento e consequente diminuição da sua competitividade. 

Isto dito fica a minha discordância com os que acham que o Sporting, nestas matérias, deve ir primeiro e mais longe e que isso é vantajoso para o clube. Ou que nos cabe a nós dar lições aos empresários. Os empresários e fundos têm o resto do mundo para negociar e ganhar dinheiro. O Sporting pode até não concordar com as regras mas tem de jogar com elas. Não mais do que o sucede num jogo de futebol, se por acaso não lhe agradar a lei do fora-de-jogo, não se pode eximir da sua aplicação e sobretudo de lhe saber retirar vantagens.

Competitividade e concorrência
O Sporting, além dos problemas que são comuns a todos clubes, tem mais dois problemas para se afirmar como clube vencedor: os seus rivais históricos. Pode num ano ultrapassar um, como no ano presente, mas tem de ter um ano quase perfeito, nos actuais moldes, para ultrapassar os dois.

Há 2 formas de inverter isto: o planeamento a prazo e o aumento do investimento, isto é, com um orçamento maior. Não tem necessariamente que ser um orçamento equivalente aos maiores, mas que inevitavelmente se tem que aproximar para valores mais realistas. Com 1/4 do orçamento dos rivais é muito mais provável ver-se mais frequentemente a disputar lugares com tem um orçamento mais próximo - SCBraga, por exemplo - do que a concorrer em permanência alcançar SLB e FCP. Ficar de vez em quando nos primeiros lugares pode ser excelente para clubes como o Braga mas, a médio e longo prazo não significam mais do que o definhar do Sporting, porque o afasta do seu desígnio e identidade.

De ciclo virtuoso a círculo vicioso
Mesmo um planeamento correcto e previdente não põe um clube formador fora da necessidade de aumentar as receitas para poder ficar com os melhores jogadores - sejam eles da casa ou não - ou pelo menos alguns deles, de forma a não ter que refazer todos os anos o seu plantel. A consequência inevitável de um bom ciclo competitivo é a valorização dos seus jogadores, o que inevitavelmente atrai as atenções de clubes mais poderosos. Não estando à altura de manter alguns dos melhores e substituir sem perda os que saem, o Sporting afunda-se num círculo vicioso: não ganhando não é um projecto apetecível para os melhores e viverá em constante instabilidade, porque não há estratégia que subsista sem resultados.

Conclusões
São sabidos os constrangimentos que afectam os clubes, e do Sporting em particular, no que a contas diz respeito. O serviço da dívida representa um esforço colossal. Mas nada do que aqui se diz em nenhum momento significa advogar más contas ou gestão irracional. Ou que o dinheiro é tudo e se pode sobrepor à gestão inteligente. Isto também não significa afirmar que a gestão dos dois rivais está isenta de criticas, obviamente.

Pagar o que se deve é fundamental, mas esta não pode ser a única preocupação. O Sporting tem que se manter competitivo e para isso precisa de receitas que façam face ao seu estatuto e ambição. Diminuir o orçamento representa um perigo para a competitividade da sua equipa mais representativa.

É possível alcançar o topo reduzindo drasticamente os orçamentos? 

Poderá o Sporting aprender a viver sem comer? 

Ou arrisca-se a ter o mesmo destino de uma velha história, em que o animal falece quando parecia já habituado a dispensar o alimento?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Contratações cirúrgicas II - Quem pode sair, que posições reforçar, que perigos?


Avaliação Prospectiva
Com a análise retrospectiva feita neste post, pretendia-se o enquadramento certo para perspectivar agora as alterações a realizar no plantel. Essas têm de ter em conta o acréscimo de jogos e sobretudo a necessidade de elevar a resposta competitiva da equipa. Esse necessidade decorre da constatação inevitável que o que foi feito este ano, tendo surpreendido e ficado acima do que se estimou inicialmente, está aquém dos objectivos anunciados para a nova temporada.

Que jogadores do actual plantel devemos contar para o próximo ano?

Que jogadores podem ser vendidos, significando mais valias?

Que posições reforçar?

Quais as principais fragilidades na ida ao mercado e principais perigos?

Estas são as perguntas que a seguir se tentarão responder.

Para a presente análise serão seguidos os seguintes critérios: 2 jogadores por posição, seguindo o modelo de Leonardo Jardim: 1 Guarda-redes, 2 laterais, 4 centrais, 4 médios, 2 avançados, para um plantel entre os vinte e quatro e vinte e seis jogadores. Quando falo em modelo não me refiro ao habitualmente apontado 4x3x3, mas sim um 4x4x2. A definição nem é minha, mas concordo inteiramente com ela. Martins não joga a 10 porque para isso teria que fazer outro tipo de movimentação mais abrangente, que não se podia ficar entre a meia-direita e a linha de fundo, é um segundo avançado.

Cenário ideal
Num cenário ideal o Sporting manteria todos os seus melhores do actual plantel, aproveitaria a valorização conseguida por uma boa época para colocar no mercado os restantes, seja em vendas directas ou trocas com outros clubes, tentando desonerar futuras aquisições. Simultaneamente reforçaria o plantel, visando introduzir maior concorrência interna e suprir falhas. Mas os cenários ideais existem apenas num mundo ideal, que está muito longe do real.

Convenhamos também que não é possível prever num post, ou até em vários, todos os cenários que possam ocorrer na preparação de uma época: Ainda por cima num ano de Mundial de Futebol, em que alguns jogadores do Sporting serão chamados a participar. Daí que tenha definido dois cenários que, não sendo os ideais, seriam pelo menos razoáveis.

Cenário I : Venda de um jogador importante com elevado retorno financeiro
A venda de um jogador com elevado retorno financeiro é um sacrifício por vezes necessário para recapitalização da SAD e liquidez para reinvestir. Ocorrem-me 2 jogadores dentro desses parâmetros: Rui Patrício e William Carvalho. Não equaciono a venda de Montero por me parecer de mais difícil substituição que qualquer um dos 2 atrás anunciados e cujos valores de uma possível venda não se devem comparar. Desta forma o Sporting perdia um anel, mesmo que muito precioso, mas mantinha as restantes jóias e nem precisava de cortar os dedos.

Dispensaria Wélder, Magrão, e negociaria Hélton, Capel, Wilson Eduardo. Eventualmente Rojo e Slimani, se valorizados pelo Mundial. O mesmo faria com Maurício por uma boa proposta. A sua prestação acima das expectativas não iludem as limitações mais do que evidentes. 

Incorporaria do lote da equipa B Esgaio para médio-ala, porque não o vejo como defesa lateral. Faria regressar Rinaudo, Reis, Viola e Tobias Figueiredo, este melhor e mais fiável que Rúben Semedo.

Imagino que algumas destas opções sejam muito questionáveis e até polémicas, em particular as dispensas. O meu ponto nesta análise é que o Sporting precisa de um incremento de qualidade e jogadores que até possam ter sido importantes este ano, como Maurício ou até mesmo Slimani, dificilmente o poderão ser no contexto do próximo ano.

Não sei quanto possa vir a evoluir no próximo ano o argelino mas a relação dele com a bola nos pés é péssima e o nosso jogo decresce de qualidade quando cede à tentação de procurar o seu jogo de cabeça, que, ainda por cima, nem é assim tão eficaz. A diferença da prestação da equipa e do número de oportunidades criadas e de golos concretizados da primeira volta não se explica apenas por isso, mas também. Reconheço contudo que o modelo de jogo de Jardim impõem um jogador com as suas características que até no mercado nacional pode ser encontrado e com ganho.

Capel é demasiado caro para o produto final das suas correrias e ainda por cima regrediu, facto que imputo mais ao actual modelo que ao jogador. O próprio William não é ainda tão bom como o julgam e pode vir a ser, nem o agora esquecido Rinaudo é tão mau ou dispensável como o parecem ver agora.

Teria assim que adquirir 1 guarda-redes para o lugar de Patrício, ou um médio 6 caso William partisse, um lateral-esquerdo para concorrer com Jefferson, 1 central, um segundo avançado, ou 2 pontas-de-lança conforme o descrito abaixo.

Guarda-redes: Boeck, Patrício ou 1 aquisição (em caso de saída de Patrício)

Laterais-direitos: Cédric e Piris

Laterais-esquerdos: Jefferson e 1 aquisição 

Centrais: Dier, Reis e Tobias, 1 aquisição. Rúben Semedo de prevenção na B, onde estaria Tobias sempre que não fosse convocado. Nesta idade precisa sobretudo de jogar.

Médio (posição 6) William/aquisição e Rinaudo e João Mário

Médio (posição 8) Adrien e André Martins

Médio-ala (posição 7 e 11) Carrillo, Mané, Esgaio mais 1 ou 2 aquisições

Segundo avançado: Montero e Viola

Ponta-de-lança (posição 9): 2 aquisições (que podia ser apenas 1 se Slimani permanecesse ou se se considerasse Montero para 9, ficando nesse caso em aberto a aquisição de um segundo avançado. 

Algumas dúvidas sobre o papel a conceder a Iuri Medeiros, Chaby e Chikabala. Os dois primeiros porque o esquema deste ano de Jardim dificilmente os favorece. Isso é tanto assim que Jardim "se esqueceu" de ambos durante a época e ainda foi buscar Chikabala. Integrá-los num projecto credível numa equipa da I Liga seria preferível a mais um ano de estagnação na equipa B. E o egípcio terá que mostrar ao que veio.

Uma ressalva: ao contrário do que pensam grande parte dos Sportinguistas parece-me muito difícil que a venda de Patrício ocorra por valores superiores a sete/dez milhões de euros. As razões estão fundamentadas neste post e neste post escritos há muito tempo, mas cuja conjuntura não me parece ter sido alterada.

Cenário 2
O Sporting não vendia nem Patrício ou William mas abria mão de dois ou três jogadores com valor de mercado abaixo destes, mas com valorização, como Adrien, Cédric, Jefferson, num exemplo aleatório. Não me surpreenderia muito a partida de Dier, embora a achasse absolutamente lamentável, a ocorrer. Mas com o contrato a expirar em 2016 e sem jogar pode muito ser o próximo Ilori. Manteria o critério acima descrito para dispensas, incorporações e vendas. Este cenário parece-me o menos interessante por implicar a saída de um número considerável de jogadores titulares, desarticulando a base da equipa.


Dificuldades e fragilidades que o Sporting enfrentará

Orçamentos e liquidez
Não é um caso singular entre os clubes, embora tenha as especificidades que lhe são próprias. Mas no fundo as regras são semelhantes, há necessidade de realizar mais-valias para poder enfrentar os custos. Associada à menor capacidade de obter receitas, face aos concorrentes directos, é constitui um forte empurrão para mercados emergentes e no mercado nacional dificilmente consegue competir com eles.

Relações com o mercado
Voltarei a este tema, porque me parece merecer atenção particular. Fica apenas uma pequena nota dando conta das minhas dúvidas relativamente ao posicionamento do clube face aos diversos actores, os - empresários, os fundos, etc. Sem colocar em causa a necessidade de outra regulamentação fica a minha dúvida relativamente à estratégia de isolamento face ao que são as regras  e meios que estão disponíveis para os demais. 

Exposição ao mercado africano
Os mercados emergentes - africano, asiático e periferia europeia - são consideravelmente menos onerosos que os "mercados de primeira". A importância de um scouting refinado é crucial, bem peneirados, conseguem-se excelentes negócios dos quais Montero é um exemplo de excelência. Porém, as probabilidades de risco aumentam exponencialmente. A inadaptação de uma "importação directa" face às diferenças sócio-culturais entre a origem e o destino é mais fácil de apontar, mas outras há.

O caso concreto do Sporting há um risco acrescido e que aumenta sempre que vejo apontados novos reforços como Anderson Esiti, do Leixões, que dizem estar já contratado, Nuno Rocha, Marítimo, Gazhal, do Nacional. A ser verdade isso aumentaria o contingente de africanos, numa época em que o periodo decisivo de campeonato ocorrerá em simultâneo com o CAN 2015, cujas eliminatórias começaram no final do mês passado. Aqueles jogadores juntar-se-iam a Héldon, Schikabala, eventualmente Dramé, apontado como fazendo parte do próximo plantel, e Slimani. Quantos jogadores poderiam estar ausentes entre meados de Janeiro e Fevereiro?

A vertigem da experiência
Um dos principais problemas apontados ao plantel do Sporting é a sua juventude e inexperiência, em particular para os compromissos internacionais. Ambas são um facto e podem ser um problema, mas não tem necessariamente um carácter inevitável, como se de uma sina se tratasse. Mais importante que a experiência é o talento, a inteligência, o conhecimento do jogo e respectivas funções a desempenhar e o compromisso com o colectivo.

Vantagens
O Sporting detém hoje um poder negocial de que não dispôs há 1 ano atrás: uma casa arrumada, um clube novamente respeitado, um treinador prestigiado e  os palcos e respectiva  banda sonora da Liga dos Campeões assegurados pelo menos por pelo menos três jogos. Assim o saiba fazer reverter a seu favor.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Finalmente as contratações cirúrgicas I - Avaliação retrospectiva

Introdução:
Finalmente as contratações cirúrgicas. Finalmente porque o post sobre o tema já foi prometido diversas vezes e porque, estando escrito e reescrito já várias vezes, corre o risco de ir parar ao caixote do lixo sem ver a luz do dia. A demora não foi intencional, mas talvez o post se torne mais oportuno, uma vez que falta apenas um jogo para se encerrar a época e as últimas exibições deixam muitas interrogações sobre o quão profunda têm de ser as cirurgias entretanto anunciadas.

Uma vez que o post se tornou demasiado extenso, vi-me obrigado a dividi-lo em 2. O presente é uma avaliação retrospectiva. Fica o próximo para breve avaliação por sectores ao plantel que termina a época, complementada com a análise prospectiva do que pode ser a sua reconstituição face aos novos desafios para a época 2014/15.

Enquadramento
O que são contratações cirúrgicas? A expressão é curiosa uma vez que uma cirurgia tanto pode ser uma delicada microcirurgia vascular intracraniana como uma amputação a envolver o indispensável mas prosaico serrote. O que umas e outras e as demais cirurgias têm em comum é que todas exigem conhecimento muito especifico, que requer formação especializada e regular ao longo do exercício da função. Julgo que deve ser o paralelismo que se pretende fazer com o uso da expressão. Diagnosticar as falhas e supri-las usando de conhecimento e experiência acumulados. 

Ao dar conta pública de que o Sporting iria fazer "mexidas cirúrgicas" Bruno de Carvalho reclama para si e a equipa que o acompanha nas decisões essa aptidão e o que a generalidade da opinião pública percepciona é que haverá poucas mudanças no actual plantel. Isto é, no balanço das entradas e saídas, os movimentos serão reduzidos e os estritamente necessários.

A pergunta, inevitável, surge: o Sporting detém, no seu seio, esse conhecimento para o reclamar? Dos 3 elementos do núcleo duro (Bruno de Carvalho, Inácio e Virgílio) apenas Inácio possui experiência, Bruno de Carvalho e Virgílio não. A experiência é porém, para mim pelo menos, um factor hiper-valorizado. Mais importante, naqueles lugares, são a percepção do que é o jogo, quais são as necessidades para implementar um modelo que sirva as ambições do clube, e os processos que levam às de tomadas de decisão e estas propriamente ditas.

Análise Retrospectiva
São os resultados o principal factor de avaliação de que a generalidade da opinião pública se serve para apreciar o trabalho quer dos treinadores, quer dos dirigentes. E é em função dos resultados alcançados que agora se avalia o trabalho feito pela SAD (Bruno de Carvalho, Inácio e Virgílio) porque são eles os responsáveis pelas decisões de contratar e vender. E, uma vez que os resultados excederam as expectativas, a avaliação generalizada é muito positiva, quer no interior do clube, quer mesmo pela generalidade da critica e mesmo dos adversários.

A decisão estruturante da época foi a chamada de Jardim. Isto não é dizer que só esta decisão nos conduziria aos resultados alcançados, ou mesmo que estes não podiam ser melhores, porque isso seria mera especulação sem qualquer sustentabilidade. É reconhecer o papel fundamental do técnico e, por via disso, quem foi responsável pela decisão. Uma decisão feliz e corajosa, se atendermos, pelo menos eu assim o entendia, que Jesualdo tinha qualidades importantes para aquele momento em que o Sporting se encontrava.

Quanto a incorporações de novos jogadores, atente-se ao quadro das contratações realizadas na preparação da época que ainda decorre:

Maurício, Jefferson, Piris, Shikabala, Magrão, Héldon, Slimani, Welder, Vitor, Montero, Cissé. 

Numa avaliação rápida do que foram as respectivas participações individuais na época do clube facilmente se constata que a percentagem de acerto é de 50%: Maurício, Jefferson, Piris, Slimani e Montero do lado bom, Cissé Shikabala, Magrão, Héldon e Wélder do lado dos falhanços. Shikabala, Magrão (diz-se que vai ficar) e Héldon têm ainda a possibilidade de, no próximo ano, desfazer a impressão negativa. A fazer a ponte, numa posição neutra, fica Vítor, que demonstrou potencial mas teve poucas oportunidades. Cissé e Welder têm que, passe o exagero, renascer para se apresentarem a um nível incomparável superior e assim poderem ser olhados como opção.

A ordem de chegada dos jogadores é importante. Maurício, Welder, Jefferson e Montero foram os primeiros a chegar. Piris, Vitor e Slimani chegam depois. Isto porque certamente por se percebeu que Welder, Cissé e mesmo Magrão não estavam à altura do que deles era esperado. Provavelmente também porque às saídas de Bruma e Ilori correspondeu uma maior disponibilidade financeira e porque entretanto se foram registando saídas que aliviaram a folha salarial.

Ainda no âmbito desta retrospectiva assinale-se o sucesso na decisões de reintegração de William de Carvalho, indiscutivelmente a revelação da época a nível nacional, bem como de Wilson Eduardo.

Mais importante do que a contabilização de más decisões serve esta constatação para atestar como é falível e contingente a actividade de contratar jogadores. O sucesso depende de imensas variáveis e nem todas passíveis de serem controladas por quem decide. Serve também para que se perceba que a promessa de contratações cirúrgicas per si não assegura o seu acerto.


Do lado das dispensas saliência para o elevado número de situações resolvidas. Neste capitulo porém, não deixo passar uma certa retórica, que me pareceu estratégica, de desvalorizar e até diabolizar os jogadores cuja situação acabou por se tornar problemática, como Jeffren, Elias e Labyad. Essa estratégia rendeu pelo menos dividendos internos. Mas, a menos que me demonstrem o contrário, não me pareceu uma decisão feliz. Mal comparado é o mesmo que um comerciante desvalorizar os seus próprios produtos e, pior, retirá-los de exposição e ainda assim querer receber pelo menos o valor gasto. Não discuto as respectivas decisões de prescindir dos serviços de Jeffren, Elias e Labyad, mas sim o método.

Não deixo também de dizer também que o marroquino contratado ao PSV, pese a necessidade de complementar a sua formação e colmatar as lacunas evidentes, podia muito bem ter sido o 10 que Martins nunca será. Capacidade física, técnica, potencial, disponibilidade competitiva e intensidade tinha-os, faltou-lhe o que acima foi dito sobre a sua formação, mais a possibilidade de crescer num ambiente favorável, o que não sucedeu no tempo que esteve por cá.

Falta, para terminar este capitulo, a aposta na formação, isto apenas no que diz respeito à equipa principal. Este é um capítulo que me sugere reacções ambivalentes. É indiscutível para quem olha no plantel que são os jogadores da casa que constituem a coluna vertebral do plantel e que a extraordinária época de William e o aparecimento de Carlos Mané perspectivam continuidade. A minha dúvida é se, num ano como o que agora está prestes a terminar, apostas em Maurício e sobretudo em Magrão, não podiam ter sido feitas em Dier e João Mário, respectivamente. Ou saber o que veio fazer Héldon que Mané ou Eduardo não fizessem. Dier é o mais difícil de todos de sustentar pela época realizada por Mauricio. Magrão é mais fácil e torna-se ainda mais evidente em cada aparição. O mesmo se pode dizer relativamente a Cissé versus Betinho. As oportunidades concedidas ao guineense no inicio de época e depois na B são no mínimo questionáveis.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Que estratégia para a equipa B?

Se tivesse que definir numa palavra apenas o que, da minha posição de observador, vem sucedendo desde o inicio de época no plantel da equipa B ela seria: turbulência. Se  tivesse que adicionar uma adjectivação ela seria: excessiva.

Ainda no inicio dos trabalhos já aqui me havia referido a algumas opções de acerto mais do que duvidoso. Volto agora a algumas delas, a que junto outras de forma avulsa e que resultam de ideias que voltaram à agenda recentemente.

Problemas com o talento
Começo por realçar um notório problema com o talento e com jogadores que até agora não se conheciam problemas de empenhamento ou disciplinares: 


(i) A facilidade com que se prescindiu de Farley, um dos melhores, mais promissores e mais evoluídos do lote de recém-chegados a seniores. 

(ii) O súbito ocaso de João Mário, que de quase opção de reforço da equipa principal passou a aquecer o banco da B. 

(iii) O recente exílio de Tobias Figueiredo, um dos melhores na sua faixa etária e posição a nível nacional, para um clube que é mais conhecido pelas performances no hóquei em patins, não pode deixar de me espantar.

Gosto pelo ares do mercado
A tremenda facilidade de recorrer ao mercado contratando jogadores que acabam por fechar o espaço à progressão dos que já se encontravam em Alcochete, sem que a sua qualidade o justifique. Hugo Sousa, Sambinha, Dramé, Enoh. 


Um procedimento em tudo idêntico ao seguido pela gestão anterior com os resultados que se conhecem. Todas estas compras mesmo que a "custo zero" representam despesa. 

Não seriam por exemplo melhor aproveitados os recursos se continuassem a oferecer aos Sportinguistas a possibilidade de ver os jogos da equipa B em casa?

Dar os de fora o que não se concede aos da casa
O Sporting parece disposto a oferecer aos de fora o tempo e a paciência que vai negando aos que cresceram no seu seio. Veja-se a chegada de Enoh e o empréstimo de Betinho.
Veremos que produção atinge o primeiro e quantos minutos terá o segundo. Ou o de Tobias Figueiredo, que o Sporting estava disposto a trocar por um jogador que acabou por preferir a Académica. 

Elevador em constante sobe e desce
Mexidas constantes no lote de jogadores já no decurso da competição, com subidas de juniores do primeiro ano, acumuladas com descidas de elementos do plantel principal, num vaivém constante.

Que papel o de Abel?
Não posso deixar de falar em Abel, o actual treinador. Como é óbvio é muito fácil culpar o treinador mas depois do que foi dito acima é também injusto olhar para ele como único réu. É muito difícil de construir o que quer que seja quando a não existe estabilidade e se prescinde de jogadores de evidente qualidade em favor de outros cujo valor está ainda por provar. 


Mas quem vê a esta equipa B jogar facilmente percebe que há muita coisa a melhorar nos seus processos de jogo. Este não potencia o valor dos jogadores, não os tem feito evoluir, de tal forma que não se afigura com muita facilidade que alguns destes jogadores possam vir a constituir opção válida – isto é, sem grande perda – para Leonardo Jardim no próximo ano.

Politica de renovações chapa 5
Foi aqui também objecto de análise em post anterior. Tendo oferecido a quase todos os jogadores que acabaram de subir a seniores um prolongamento da ligação por mais 5 anos, sem distinções de valor,  o Sporting ver-se-á em breve a mãos com um problema:  falta de espaço para incorporar novos valores que saiam dos juniores, tendo em simultâneo que “aguentar” alguns dos “renovados” que, tendo contrato, não têm qualidade para jogar no Sporting. E são vários… 


Quantos jogadores dos juniores poderão subir em cada ano  à equipa B? Das duas uma: ou quase nenhum ou a equipa B terá nos anos que se seguem plantéis bastantes numerosos, ou, ou…

A maldição da braçadeira
Para o fim mas não menos importante o “caso Reis”. Dizer que foi emprestado é uma figura de estilo. Um jogador com o passado dele no clube e nas selecções, a que se abre a porta de saída sem se lhe ter concedido uma real oportunidade e ainda por cima se põe uma clausula de compra de ridículos 500 mil euros é dizer-lhe adeus e felicidades.

Já quase ninguém se lembra das reacções do ano passado aquando da venda de dois jogadores de qualidade (e pelo menos um de idade) por provar ao Barcelona por cerca de 1,8 milhões de euros.


Essa falta de memória tem uma grande componente selectiva porque não deve ser muito agradável ser-se confrontado com a ideia de quase se ter imolado pelo fogo de indignação por 2 jogadores que quase não jogaram desde que saíram. 

O que dizer agora de Reis ?

Há uma estratégia para a equipa B? Se há ela não é muito fácil de entender.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sporting não é só o melhor mas também o principal fornecedor do futebol português

Os últimos anos, no que à convocatória das principais selecções de futebol diz respeito, foram marcadas pelo número maioritário de jogadores formados pelo Sporting. Tal revela a qualidade da formação e o valor de mais do que uma geração de futebolistas. 

O facto tem originado os mais variados artigos de cariz elogioso, em Portugal e no estrangeiro, sobre o trabalho que vem sendo realizado em Alcochete, o que naturalmente enche os Sportinguistas de orgulho. Julgo também que estas menções honrosas, além de significarem um justo reconhecimento do trabalho de muita gente, a maior parte da qual não aparece nos jornais, é também o fruto estratégia ou politica há muito seguida pelo Sporting e que não nasceu apenas com a construção da Academia. 

Não é demais lembrar que a geração de Figo que foi campeã do Mundo de júniores é ainda anterior a Alcochete. E que, por exemplo, já nos anos 80 a equipa campeã em 1981/82 era composta tanto de grandes jogadores com outras origens - Meszaros, Eurico, Oliveira, Jordão  - como também de jogadores formados no pelado que circundava o antigo estádio José Alvalade - Inácio, Ademar, Mário Jorge, Lito, Carlos Xavier e Freire, para citar apenas alguns.

O que artigo publicado no sitio do Mais Futebol e que aqui reproduzo, vem agora também comprovar que a capacidade de recrutamento e formação do Sporting tornam-no no principal fornecedor do futebol português também em quantidade. Os cada vez menos portugueses que conseguem vagas nos clubes da Liga são maioritariamente originários na nossa formação. 

Ora isto não significa apenas "mero" orgulho tem outro resultado bem mais palpável: cada vez que um jogadores desses é transferido e há verbas envolvidas, o Sporting capitaliza os valores que são seus de direito como clube formador. 

Este estatuto representa também uma responsabilidade. Representa o trabalho de muitas gerações que se tornou numa referência incontornável e a cuja manutenção estamos obrigados. O que leva muitos anos a atingir pode ser perdido em apenas um ou dois de más decisões.

O artigo é publicado aqui apenas parcialmente. Seguindo o link abaixo pode encontra-lo na sua versão integral.

Afinal, de onde vieram os portugueses da Liga?



Dependente dos grandes clubes, dos centros urbanos de Lisboa e Porto e ligeiramente inclinada a Norte. É este, na atualidade, o retrato robô da formação na Liga portuguesa, usando como medida de aferição a proveniência dos 174 jogadores portugueses que já atuaram nesta edição da prova.

Sem surpresa, o Sporting surge como o pólo formador mais importante: 27 jogadores portugueses da nossa Liga (15 por cento do total) passaram pela formação leonina entre os 16 e os 19 anos – a fase final da formação, que determina a passagem a profissional. Os outros dois grandes vêm a seguir: 20 jogadores nacionais registaram passagem pela formação do Benfica (11,5%) e 19 (11%) passaram pelo FC Porto nesse período. Em conjunto, os três grandes são responsáveis pelo aparecimento de quase 40 por cento dos jogadores nacionais da Liga.

A seguir, na influência formadora, vêm o V. Guimarães (12 jogadores, 7% do total) e o Belenenses (10, ou 6%), a distância significativa dos outros clubes do escalão principal. Olhanense e Arouca são os únicos emblemas que não registam a passagem de qualquer juvenil ou júnior atualmente a jogar no primeiro escalão da Liga.

Clubes com mais jogadores formados*

Sporting, 27
Benfica, 20
FC Porto, 19
V. Guimarães,12
Belenenses, 10
V. Setúbal, 8
Académica, 7
Penafiel, 7
Leixões, 6
Sp. Braga, 5
Marítimo, 5
Boavista, 5
Varzim, 4
Nacional, 3
P. Ferreira, 2
Rio Ave, 2
Estoril, 1
Gil Vicente, 1

* Portugueses com minutos jogados nesta Liga e que tenham passado pelos escalões de formação, no mínimo uma época, entre os 16 e os 19 anos.

Este está longe de ser o único critério para aferir a eficácia da formação de cada clube. Muitos, por exemplo, contabilizam passagens curtas de jogadores que acabam de ser formados em outras paragens. Neste sentido, vale a pena ponderar que fatia desses três anos decisivos (entre os 16 e 19) coube a cada clube. Mais uma vez, sem surpresa, o Sporting surge na frente, com 14 por cento do total de épocas, mas a fatia de Benfica (9%) e FC Porto (8%) desce de forma nítida, sugerindo uma aposta menos continuada em jogadores que vêm de trás e, por outro lado, uma prospeção mais atenta a juniores de último ano.

Sporting e V. Guimarães mantém o talento em casa

No que se refere ao aproveitamento que é feito da formação, e voltando a incidir a análise nos clubes do primeiro escalão, Sporting e V. Guimarães voltam a ser exceção, utilizando cada um, nesta edição da Liga, sete jogadores formados em casa. Quase metade das equipas da Liga usou até agora um, ou nenhum, jogador proveniente dos seus escalões de formação.

Jogadores formados pelo próprio clube*:

Sporting, 7
V. Guimarães, 7
Marítimo, 5
V. Setúbal, 5
Benfica, 4
Nacional, 3
Belenenses, 3
Académica, 2
Sp. Braga, 2
FC Porto, 1
P. Ferreira, 1
Gil Vicente, 0
Arouca, 0
Olhanense, 0
Rio Ave, 0
Estoril, 0

* Portugueses com minutos jogados nesta Liga e que tenham passado pelos escalões de formação, no mínimo uma época, entre os 16 e os 19 anos.

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