Confesso que não me tinha apercebido que uma das propostas a votação na recente revisão estatutária era o naming do Estádio José de Alvalade. Tendo dela tomado conhecimento no domingo, pelo chumbo que mereceu, não pude deixar de reflectir sobre o assunto. Julgo que não terei sido dos únicos a não estar inteirado desta proposta, pelo que as culpas do meu desconhecimento não devem ser apenas imputadas à minha falta de tempo, desinteresse pelo assunto, ou preguiça na procura da informação.
Desconfio que, mesmo sabendo o quão importante poderia ser a receita que poderia advir pela cedência do nome do Estádio - fala-se de 5 milhões ano, o que, a ser verdade, significaria cerca de um quinto do actual orçamento do futebol - os Sportinguistas dificilmente permitiriam uma alteração sem que os seus contornos pudessem ser bem explicados. Por isso congratulo-me com a decisão da AG recente, mesmo sem fechar a porta a uma futura discussão sobre as vantagens de tal decisão, imaginando-a como uma ferramenta importante para o equilíbrio das contas do clube, procurando novas receitas, para lá das habituais, cujo crescimento se afigura lento e difícil na actual conjuntura.
O nome atribuído ao estádio é uma homenagem permanente ao elemento que mais se destacou na fundação do nosso clube, não é o nome de um local ou de um bairro, nem uma alusão a uma data cujo significado se perdeu na memória, pelo que a sua mudança terá sempre contornos muito mais dramáticos. Provavelmente será um processo mais pacifico alterar o nome ao estádio dos nosso rivais, por estarem desprovidos de uma carga afectiva e emocional tão importante.
Sabemos como os Sportinguistas são ciosos dos seus símbolos e creio que isso ainda se faz sentir com maior intensidade nos períodos em que se ganha menos. Pessoalmente não tenho uma decisão definitiva sobre uma mudança deste teor. Lembro-me que o naming da Academia ter sido cedido à Puma em nada alterou a minha identificação com a instituição propriamente dita nem ao sentimento de pertença ao clube. Sei que a alteração do nome do Estádio, que nunca seria definitivo mas apenas temporário, durante a vigência do contrato de publicidade, é falar de uma coisa diferente.
Tendo em conta a importância do assunto e o seu carácter excepcional, seria uma matéria própria para a consulta directa a todos os Sportinguistas, ou, pelo menos uma AG dedicada exclusivamente ao tema, até porque, para existir naming do estádio continua a ser necessário alterar os estatutos.
Se o tempo me permitir voltarei ao tema AG com considerações mais genéricas, mas não menos importantes.