Servir o Sporting e servir-se do Sporting (para memória futura)
Embora a vontade seja pouca ou nenhuma para voltar a falar do período eleitoral - pessoalmente, e julgo que para o clube também, é mais interessante e profícuo pensar o futuro - não posso deixar passar em claro
o comunicado do "Movimento Salvar o Sporting" encabeçado pelo ex-candidato Carlos Severino. Deixo por isso de fora considerações sobre o seu papel na pretérita campanha e a vergonha que muitas vezes terá feito sentir muitos dos seus consócios.
Veio o ex-candidato "informar que o seu líder, Carlos Severino, ex-candidato à presidência do
Sporting, considera que as medidas anunciadas pelo Presidente Bruno
Carvalho para retirar o Clube da subalternidade no futebol e da
dependência da banca e outros credores, estão de acordo com aquilo que
entendemos ser necessário para salvar o Sporting Clube de Portugal."
Provavelmente Carlos Severino tem canais privilegiados que a generalidade dos sócios não dispõem pois, até ao momento, não são do conhecimento público outros dados que não um acordo com os credores, cujos pormenores não foram divulgados.
Depois de 2 parágrafos com algumas considerações sobre a época futebolística e desejos para o futuro, o Movimento comunica que o seu líder vai escrever "um livro de temática sportinguista, com o título POR DENTRO DO SPORTING -
viagem aos últimos 18 anos da vida do Clube, que será editado a breve
prazo."
O comunicado é no mínimo estranho pois julgava que o referido movimento, depois de encerrado o período eleitoral e de ter proclamado o apoio à direcção recentemente eleita, havia extinguido a actividade. Para lá do facto de o período eleitoral se ter encerrado, a clara rejeição dos sócios em sede eleitoral - teve menos votos que os que fariam supor as assinaturas proponentes! - é outra razão de fundo que deveria obrigar o seu mentor a reflectir sobre a sua continuidade.
Compreenderia melhor este comunicado, até à luz do momento do clube, dos valores apregoados, das criticas feitas em campanha, se o ex-candidato Carlos Severino anunciasse que tinha posto à disposição dos corpos sociais recém-eleitos o tal consórcio de bancos holandeses e os investidores que anunciou ter angariado.
Mas não, o comunicado vem anunciar - talvez seja melhor publicitar - um acordo com uma editora para falar dos "últimos 18 anos de vida" do Sporting. Obviamente que é este o objectivo do comunicado, e não um pretenso apoio a medidas que estão por anunciar. Carlos Severino vai vender o Sporting às postas por 30 dinheiros. Um pingo de decoro obriga-lo-ia pelo menos a doar parte dos direitos ao clube de que se vai voltar a servir.
