As redes sociais tornaram a calúnia e o boato uma arma uso fácil. A mais
reles insinuação não necessita de qualquer indicio de prova para se
propagar, tornando-se uma verdade insofismável. Planta-se e espera que floresça, adubado pelo pior que há a natureza humana. Uma fórmula bem
sucedida porque as redes sociais conferem hoje a um simples individuo um alcance quase ilimitado, potenciado por uma dinâmica colectiva difícil de contrariar.
Neste sentido o dia de ontem - onde a blogosfera andou agitada com
boatos e desmentidos envolvendo o presidente e familiares próximos - foi "apenas" mais um dia mau para o Sporting. Uma demonstração mais de que a saúde do Sportinguismo já conheceu
melhores dias e não parece no caminho das melhoras no curto prazo. Novidade, e significativa, foi ter-se assistido a um desmentido de um dos visados, neste caso visada. Uma vez que é um dos elementos mais proeminentes de um dos grupos de Sportinguistas mais conhecidos no Facebook, espero que pelo menos retire do tratamento ignóbil a que foi sujeita a importância do respeito pelos outros.
Os já mais de 3 anos de blogger, muitos deles como alvo fácil de comentários ofensivos e caluniosos, conferem-me alguma autoridade sobre a matéria. Ainda assim não me dão muita força ou vontade de dissertar sobre ela. Como utilizador aceito as regras do jogo. Sem pretender fazer escola ou constituir exemplo, procuro pautar as minhas intervenções dispensando a terceiros o tratamento que quero para mim.
Já falar sobre o Sporting é muito diferente. A minha opinião representa-me apenas a mim, não falo em nome do clube. Mas tenho a noção bem clara que o uso do seu nome ou, mesmo que de forma indirecta, ver o meu nome associado ao clube, me proporciona uma visibilidade muito maior do que aquilo que sou e represento. Esta é uma noção que não foi imediata mas fui aprendendo e amadurecendo. O mínimo que posso fazer é ser criterioso e cuidadoso nas minhas intervenções de forma a que elas não belisquem o clube. Uma noção que se tornou mais aguda nas eleições de Março de 2011, um momento de particular fragilidade e que por isso requeria também particular cuidado, foi essa a percepção que fiz do momento.
Uma postura que nem sempre foi apreciada ou compreendida, em particular no último ano, estão aí as caixas de comentários dos diversos posts para o testemunhar. Desde acusações de uma agenda escondida, propagandista - ter-me-ia vendido e a troco de quê? - a outras de igual teor a por em causa o meu Sportinguismo e o meu carácter. O incómodo causado não foi porém maior que a consciência tranquila. Prefiro desiludir terceiros do que a mim mesmo.
Será essa mesma postura que me permitirá ficar confortável agora. É ela que agora me permite condenar de forma clara o lançamento de calúnias e rumores e a vozearia orientada para fragilizar Bruno de Carvalho. Não se atinge um presidente sem melindrar também o clube que representa. Por mais coriácio e protegido que esteja não é imune ao desgaste. Há quem diga que Bruno de Carvalho provará agora do veneno que andou a espalhar enquanto oposicionista. Argumento que não colhe. Se era então impróprio insultar, caluniar o então presidente, hoje não pode ser diferente.
Bruno de Carvalho já não é apenas um sócio é já o presidente do Sporting Clube de Portugal e isso muda alguma coisa. Quase tudo, creio. Por todas as razões que se possam intuir e, do meu ponto de vista, por duas de valor essencial:
1- O insulto mina a vontade, desmobiliza e desorienta.
2- Os Sportinguistas não podem, ou não devem, ficar à espera de ver surgir o próximo João Rocha para se mobilizarem em torno do seu clube. Porque ninguém vai ficar à espera do Sporting.
Pena que muita gente só agora o descubra. Pena que só agora tenham despertado para necessidade de união - seja lá o que isso for - ou de remarmos todos para o mesmo lado. Pena que muitos dos que passaram os últimos dois anos a insultar o então presidente não percebam como isso concorreu para uma imagem ainda mais débil do clube. Os mesmos que hoje nem sequer concedem o direito à critica, mesmo que esta seja inteiramente justificada.
Os outrora auto-proclamados "exigentes" estão agora a descobrir isto. Veremos o que dirão depois dos negócios resultantes da venda de alguns - diz-se muitos - jogadores do plantel. À semelhança do que aconteceu com João Pereira ou Matias Fernandez, não são de esperar grandes valores. Porque da realidade de então pouco mudou. A necessidade já tantas vezes declarada - em contradição com o que foi prometido, assinale-se - será amplamente cobrada pelo mercado. À excepção de Patrício ninguém se valorizou. E mesmo este vejo com imensa dificuldade o Sporting conseguir uma verba superior a 7 milhões de euros. O mercado está cheio de guarda-redes disponíveis de valor técnico idêntico e até superior.
Para estes "exigentes" o mundo é um lugar fácil. Na mesma frase conseguem dizer que o Wolfs é um manco mas que 10 milhões é mau negócio. São os mesmos que acham que Jeffren não vale nada mas temos que o vender no minímo por quatro milhões. Não fosse uma perda de precioso tempo de vida dedicar-lhes-ia alguma atenção nos tempos mais próximos.
O mesmo acontecerá quando o Sporting apresentar as contas e olharmos para a parcela das comissões. Não é o Sporting que dita as regras e mesmo tentando moralizá-las sairá sempre a perder. Se pretender um jogador e se recusar a pagar a comissão ao agente este tudo fará para que o negócio se realize com quem pague melhor. Se vender e comprar muito esta será uma parcela com valores elevados e o contrário. Ao olhar para ela não serei eu, sem mais, a colocar em causa a honorabilidade de quem fez os negócios.
Três exemplos apenas de uma infinidade de outros que ficarão para melhor ocasião.
Quase todos anseiam por um Sporting diferente, um Sporting melhor, maior. Essa mudança será uma vitória colectiva que terá que começar a ser ganha por cada Sportinguista. O Sporting não pode continuar a ser uma máquina trituradora, especialmente dos que assumem a pesada responsabilidade de colocar o Sporting no lugar que todos entendemos ser mais que merecido.