Prolongamento: quando o presidente vai ao circo
Ficamos a saber que o presidente que se ufana de trabalhar vinte e quatro horas por dia também tem tempo para ir ao circo. Sim, circo, porque não há outra palavra para definir um programa como o Prolongamento. O lamentável é não se ter ficado pela bancada, escolhendo descer à arena. Aí mergulhou na mesma lama onde paineleiros como os Guerras desta vida chafurdam. Como ficou claro, é impossível fazê-lo sem sair de lá tão embostelado como os que lá vivem.
É óbvio que o Sporting está sobre cerrado ataque - o Football Leaks é apenas um dos vários indícios, e que aqui falarei em breve - e era necessário fazer a defesa do clube, esclarecendo algumas matérias que estão a provocar sérios danos reputacionais ao clube. É isto que torna indefensável a presença de Bruno de Carvallho num programa deste jaez, por se tratar de uma escolha voluntária, quando as possibilidades de escolha dos locais e dos interlocutores eram vastas. Ele que aparentemente até ia bem preparado e documentado.
Como era expectável a gritaria e a boçalidade abafaram por completo a força dos argumentos, dando embaraço e pena tamanha falta de noção do ridículo de um espectáculo burlesco. Se a ideia de Bruno de Carvalho era demonstrar que conseguia ser tão mau como o Pedro Guerra, ao ponto de o embaraçar, então aí o programa pode ser considerado um sucesso pessoal.
São a forma e os meios que usamos que nos definem e distinguem. Ao contrário do exemplo dado por Bruno de Carvalho e do spin do momento, é possível fazer a defesa dos interesses do Sporting sem baixar o nome do clube ao nível a que ontem assistimos, expondo-o ao ridículo. Será muito difícil explicar, a alguém que veja o programa, que diferenças separam uma instituição centenária, com a nossa matriz identitária, de um grupo de arruaceiros que se juntam para uma suecada.
Bruno de Carvalho pedia há dias na A.G., num apelo quase quixotesco, que não o deixassem cair. Desta forma é ele que se atira para o chão, não precisa de inimigos, ele próprio se encarrega do seu próprio mal. Infelizmente à sua volta não parece haver ninguém capaz de lhe fazer o contraditório e o culto de personalidade que lhe é dedicado parece estar a tolher-lhe o raciocínio. O Sporting não é ele, é muito maior e mais importante, por muito que ele se esforce por confundir. Ontem pode ter ganho ao Pedro Guerra mas o Sporting perdeu quase em toda a linha.












