Passivo=Património
O passivo do Sporting é pequeno! É esta a conclusão a que
chego após as diversas noites de insónia que a nossa equipa principal me tem
proporcionado. Nos tempos em que o Sporting era activamente rico corríamos um
risco desgraçado de ser tomados de assalto. Hoje que somos passivamente ricos o
nosso futuro está garantido, aliás o passivo ainda é baixito se lá estivessem
mais uns 500 milhões de euros (mais 200 milhões, menos 200 milhões) eu estaria
muito mais tranquilo.
Nos dias que correm as regras económicas estão a ser
reinventadas, quanto maior a asneira e o buraco que tenhas cavado, maiores são
as probabilidades de seres protegido e financiado a níveis ainda mais absurdos
desde que isso garanta a existência etérea dos créditos que nunca vais pagar.
Aquilo que jamais pode acontecer é o menor vislumbre de falência ou bancarrota,
esse crime teria um imenso efeito dominó que arrastaria para a miséria uma
enorme comunidade de gente que gosta de jogar golfe (por falar em golfe alguém
sabe os resultados da nossa mais recente secção desportiva? Adiante…).
Num qualquer deserto das arábias um grupo de sheiks fez uma
experiência definitiva para decidirem investir no futebol europeu. Chamaram o Queiroz,
mais o Toni, e pediram para eles prepararem uma equipa futebol para jogar
contra uma equipa preparada pelos milionários confrades do petróleo. Certos da
sua vitória, os sheiks dispuseram 11 montinhos de petrodólares segundo “las
regras de Guardiola”, a saber, 18 milhões (Ml) na baliza, laterais 12 Ml à
direita e 16 Ml à esquerda, 20+20 Ml em linha no centro, meio campo em losango
invertido com 25 Ml na 6, 42 Ml divididos irmãmente pela direita e esquerda,
apoiados pelo génio de 50 Ml na posição 10 com liberdade para se espalhar por
todo o meio campo adversário, no ataque 145 possantes milhões coadjuvados por
84 Ml de potente remate e fina técnica.
No final do jogo, o espanto, o horror, a equipa de Queiroz e
Toni ganhou 8-2, ainda havia esperança na cara dos sheiks ao intervalo com o
resultado em 2-2, a oposição que o monte de 145 Ml faziam aos pontapés de
baliza da equipa liderada pelos dois portugueses rendeu 2 golos de ressalto, mas
Queiroz lá conseguiu convencer ao intervalo o Toni a tirar o Hassan que tinha
grandes dificuldades em sair com a bola controlada sem ficar a guardar nos
calções as notas que o 10 espalhava pelo meio campo.
Toda esta conversa serve para quê? Simples. O Sporting só é
viável se ganhar títulos. Não há qualquer outra solução para viabilizar o
clube, neste sentido, não existe limite de investimento, passivo ou prejuízo até
atingir um patamar de competência e competitividade que nos permita vencer e
uma vez lá chegados teremos de investir ainda mais para manter e superar todos
os adversários e adversidades. Mesmo que se pense que a solução está na
formação, essa aposta só funciona se for inserida num grupo de tal forma competente
e competitivo que garanta a estabilidade e superação necessária para o sucesso
da aposta em jovens jogadores.
Os senhores que antes empilhavam notas para ganhar estão a multiplicar-se
como cogumelos por esta europa fora e se a cada primeiro contentor de dinheiro
fresco se prova a teoria de que só dinheiro não chega, a capacidade de ser resiliente
na aposta, acaba no final por produzir resultados. As poucas certezas que
existem são, quanto maior a quantidade de recursos à disposição maior a
quantidade de erros que vou praticar (em quantidade e qualidade) e se mantiver
a capacidade de recursos para corrigir os erros vou acabar por ter sucesso.
Enquanto não formos campeões em dois anos consecutivos o
passivo será sempre pequeno para as nossas necessidades de sobrevivência desportiva
e financeira. Perante esta minha conclusão aguardo que se forme uma direcção
com este projecto de acção para lhe dar o meu apoio. Até lá vou fazer o possível
para arranjar forma de dia 10 estar em Alvalade, a apoiar este grupo de bidons,
os jogadores que correm, o treinador que os arruma e o Presidente que os
compra, no fundo vou para o que der e vier…

