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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A competência e a falta dela. (Na selecção e no Sporting)

Passe o exagero, o dia futebolístico de hoje deve-se assemelhar ao dia em que se conheceu a noticia da derrota em Alcácer-Quibir: Um desastre nacional! É pelo menos assim que amanheceram a generalidade das reacções à derrota no jogo de estreia com uma selecção sem outro historial que não seja perder jogo sim, jogo sim, e de vez em quando não.

Paulo Bento é o réu já no patíbulo, falta saber a que horas a guilhotina começará a viagem descendente. Aqui, o maior erro do ainda seleccionador é não ter percebido que a sua morte para a função já havia ocorrido ainda no Brasil e ter continuado a acreditar na sua própria ressurreição. Quando olhou para o os compromissos já calendarizados provavelmente achou que ela era facilmente alcançável. Agora, a ocorrer, será apenas ao segundo jogo...

Falar em morte é referir-me à sua credibilidade, importante para definir a relação de confiança com os adeptos, e através dela a ligação indispensável com a equipa. Ao falhanço rotundo na excursão ao Brasil - definição particularmente benévola - seguiu-se uma "corajosa" assumpção de culpas próprias, mesmo que em modo de português suave. As aspas estão ali para lembrar que se tratou de um acto pouco comum entre responsáveis do que quer seja, que deveria ser o hábito e não a excepção.

A falência da confiança em torno de Paulo Bento não é tão importante como a da sua competência técnica. Não me parece que a possa ter perdido com o passar dos meses, como se de ar de um furo lento num pneu se trate. Mas é incontestável que já nada resta das promessas deixadas pela goleada épica aos "nuestros hermanos", ainda estes viviam dos juros da sequência dos títulos alcançados. Dizer hoje que a selecção não joga um caracol é não gostar de nenhuma das formas que estes são conhecidos, seja num pires com uma loira, seja nos cabelos dessa mesmo... Esse é principal problema de Paulo Bento e da selecção, mais do que jogar este ou aquele naquela posição, daquele ou deste empresário, porque até não há assim tanto por onde escolher.

Sem ilibar as responsabilidades do seleccionador - porque a selecção tem que ser capaz de muito melhor ante os albaneses ou cipriotas desta vida - há que constatar que a qualidade humana e mesmo o espectro de recrutamento de Paulo Bento diminuiu drasticamente desde que a Albânia, há 6 anos, nos pré-anunciou o que ontem concretizou. Mas não é de todo de esquecer que nesse dia em Braga jogaram Ronaldo, Nani e Quaresma que, juntamente com Miguel, Pepe, Bruno Alves, Moutinho, Almeida, Danny, eram 6 anos mais novos. Paulo Ferreira, Miguel e Nuno Gomes ainda jogavam, o que emprestava a Carlos Queiroz muito maior qualidade que hoje Paulo Bento tem à disposição. Isto sem falar em Bosingwa, Carvalho, Simão que, à altura, estavam lesionados.

O apuramento está longe de estar comprometido por causa da perda de um ponto, se se quiser fazer o paralelismo com o resultado de 2008, com realce para o facto de a qualificação para o Mundial que então se disputava ser muito mais contingente que a mesma fase do Europeu que agora começa. Se é indiscutível que é impossível fazer pior, não será difícil constatar também que venha quem vier tem possibilidades diminutas de igualar o que fez nos anos mais recentes, nomeadamente os segundos lugares dos europeus que, Lisboa 2004 à parte, pareceram significar sonhos acima das nossas possibilidades futebolísticas.

Muito do que hoje somos (in)capazes de fazer já não está no jogo em cima do tabuleiro do seleccionador. A célebre geração de ouro de Queiroz já deixou de render dividendos há muito, a que se veio a somar uma geração de ouro azul e branco (Mourinho e as suas equipas que ergueram a Taça UEFA e dos Campeões Europeus), onde se sustentaram as vitórias do clube da Invicta e último estertor de uma selecção capaz de navegar no mar dos big five dos rankings. De lá para cá vivemos da nulidade do trabalho que deixou de ser feito no fomento do futebol jovem com a saída de Queiroz e com a chegada em jeito de contentores de jogadores estrangeiros à volta dos quais se vão construindo as equipas dos clubes grandes.

O Sporting tem sido mais ou menos a excepção nesse movimento, processo que agora apregoa querer regressar, depois da passagem de Bettencourt e Godinho Lopes pela presidência terem significado um importante desvio numa aposta que até vinha parecendo assumir um crescimento sustentado. Coincidência das coincidências, protagonizado pelo mesmo Paulo Bento.

Falta ainda saber o real impacto da chegada de tanto jogador jovem para competir com jovens. A sua real importância só a conseguiremos perceber daqui a alguns anos, tal como está o país futebolístico a perceber agora os resultados da falta de planeamento. Obviamente que o desfecho não tem que ser igual, o que se pretende é prevenir que, acima das discussões mais ou menos acaloradas sobre a aposta na formação e falta dela, as verdadeiras consequências estão ainda fora do alcance dos nossos olhos.

Como é fácil de perceber pelo que aqui escrevo, tenho muitas dúvidas no modelo que vem sendo seguido. Não me parece fazer sentido apostar em jogadores que, pelas primeiras impressões, nada acrescentam em qualidade aos lugares para que pareciam destinados, a primeira equipa, acabando por se acotovelar na B "para ganhar experiência".  A grande vantagem é que este meu "delito de opinião" não traçará o destino de sucesso ou continuação de falta dele para a principal equipa do Sporting.

Quanto a mim o insucesso que se regista há anos, e que a falta de troféus recentes documenta, deve-se à falta de competência exibida pelas diversas equipas dirigentes, consubstanciada numa compreensão deficiente das exigências do futebol profissional. Debilidades acentuadas pela instabilidade interna em que o clube tem vivido e que os nossos adversários/inimigos têm sabido aproveitar e potenciar nos momentos certos.

Apesar disso, ao contrário do que parece ser um movimento de opinião crescente, não é a acção dos jornalistas, dos dirigentes disto e daquilo, a responsável principal pela nossa anemia competitiva. As principais razões deverão ser procuradas internamente e, como em tudo na vida, a situação actual é o resultado de escolhas feitas e da qualidade ou falta dela que daí resultou. Tal como as de hoje serão no futuro a médio/longo prazo.

Para exemplificar nada melhor do que olhar para o que se vem fazendo no futsal. Os adversários/inimigos são mais ou menos os mesmos, as suas acções também. Vale assinalar que a concorrência menor,  por falta do FCP, também seja determinante, porque não é o mesmo que competir a 2 ou a 3.

Mesmo com ajustes nos orçamentos, saídas de jogadores importantes, o Sporting mantém a hegemonia da modalidade, como ainda no passado fim-de-semana fez questão de demonstrar. Seguramente que os resultados alcançados espelham a qualidade do trabalho realizado. Até mesmo nos anos em que não se consegue ganhar as equipas do Sporting não deixam de ser referências na modalidade. Mesmo percebendo as diferenças de contexto, talvez o futebol deva olhar mais vezes ao que se faz de bem à sua volta, no clube.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Paulo Bento (e com ele, muitos) parece não ter aprendido com o Sporting



As razões de Paulo Bento
O que leva um homem experimentado como Paulo Bento, com décadas nas pernas e na cabeça a lembrar-lhe que no futebol não há "amanhãs" a proferir a frase infeliz que proferiu, o tal " aconteça o que acontecer, não me demito"? 

Infeliz por que aconteceram já demasiadas coisas para o seu trabalho se poder furtar a uma avaliação aberta a qualquer decisão. E porque, infelizmente, a equipa que comanda tem dado de si mesma uma imagem de confrangedora e inesperada fragilidade - trata-se de um grupo em que a opção pela experiência sacrificou outras opções - está longe de dar garantias de o resultado do último jogo deste Mundial não faça recrudescer entre o público as ganas de o ver pelas costas.

A resposta à pergunta formulada no primeiro parágrafo parece-me justificar-se em duas razões: a questão da sua continuidade foi aberta no dia anterior por um superior hierárquico, o vice Humberto Coelho. E com demasiada amplitude, parece-me, deixando Paulo Bento sem a sustentação necessária. Ora Paulo Bento sabe muito bem que  o pior que pode acontecer a um treinador é o balneário ser contaminado pelo odor a debandada e fim de ciclo. Não há clarividência táctica que se oponha a descredibilização de um líder. Tudo o que Paulo Bento não precisava para acrescer às dificuldades do jogo com o Gana e que permitam uma saída honrosa do Brasil. 

A abertura de Humberto Coelho na véspera introduziu a dúvida da sua continuidade, que mais não foi do que uma tentativa patética de apagar a fogueira atirando-lhe gasolina. Os balanços fazem-se depois da travessia e não quando o barco navega pelos rápidos e, aparentemente, ao sabor dos elementos.

A hora dos profetas do passado e dos especialistas do dia seguinte
Sem dúvida que os resultados da selecção nacional, e particularmente as exibições frágeis da selecção, apanharam de surpresa a generalidade dos portugueses. Creio, contudo, que grande parte das reacções, em particular as dirigidas a Paulo Bento, primaram pelo exagero e pelo destempero. E com uma contradição de assinalar: a generalidade dos comentários sustentam-se em afirmações de repórteres a quem não se atribui grande credibilidade, embora se repitam até à exaustão os seus argumentos.  De repente ficamos a saber que Portugal é um país de especialistas em climatologia, que muitos conhecem melhor o Brasil sem dele ter visto mais de um país semi-continental que umas quantas telenovelas. Isto sem descurar que em cada um de nós vive um treinador que acertaria no totobola... todas as terças-feiras.

As culpas de Paulo Bento
Muito do que temos visto e que tanto nos tem desgostado na prestação da selecção escapou ao controlo de Paulo Bento, como escaparia ao controlo de qualquer outro treinador. A atitude de Pepe, as lesões de Patrício, Coentrão e de Hugo Almeida foram contrariedades a mais a um jogo que até não estava a correr mal. Porém aquelas contribuíram para um resultado que nos deixou demasiado expostos. O volume do resultado, entenda-se, não a derrota com a Alemanha. Um costume, se atendermos ao histórico.

Não foram também as decisões de carácter individual que determinaram os desfechos negativos. Podemos discutir se William não fazia melhor do que Veloso (o que parece uma evidência, mas não com o desnível que se quer fazer crer), se Almeida devia sequer estar ali (não foi tão mau como o pintam). Podemos discutir se Meireles, Bruno Alves e Postiga merecem ainda a convocatória mas, como muito bem me lembrou um caro amigo, o que se diria hoje se não tivessem jogado e os resultados fossem mais ou menos os mesmos...

O que me parece acima de qualquer discussão foi a fragilidade revelada ante os Estados Unidos e essa sim determinante para a situação de malas feitas em que nos encontramos. E essa é uma matéria em que um treinador inevitavelmente tem de ver o seu trabalho questionado. Um jogo terrível, de total incapacidade de controlo de uma equipa  vulgar - não há jogos nem adversários fáceis num Mundial - transformando-o numa espécie de rodeio yankee, em que nós fizemos a figura do vaqueiro sempre no chão, no meio do pó. A ilusão de facilidades do golo madrugador do Nani também me parece ter ajudado pouco. A tragédia no Brasil tem sido a total ausência de uma equipa e de um grupo incapaz de se opor às contrariedades.

O abismo de Ronaldo
Quem sai mais beliscado deste naufrágio à vista é indiscutivelmente quem mais tinha a perder: Ronaldo. Do lugar que alcançou há um enorme abismo a separá-lo do resto dos colegas. Ser-lhe-ia muito mais vantajoso esquivar-se, o que não está na sua natureza. Mas é também indiscutível que não vive os seus melhores momentos, o que já se arrasta desde Madrid. O que podia ser disfarçado com o suporte de uma equipa que, porém, não tem existido. Já Ronaldo fazer sozinho o que compete a uma equipa nunca seria impossível. O mais que se vai dizendo sobre o jogador são comentários de gente ressabiada pela sua ligação ao Sporting, origens que não renega, ou pela atávica inveja tuga sobre os que triunfam. Mas esse é capaz de ser o menor dos problemas, Ronaldo é um exemplo de superação e voltará a aparecer forte, quem sabe ainda mais forte.

Paulo Bento, sim ou não?
Quer ele queira quer não o assunto vai estar na actualidade nos próximos tempos. Com sorte, as atenções voltam-se a centrar nos clubes e até às primeiras convocatórias, ninguém se vai lembrar dele. Até porque, ao que parece, os portugueses lembram-se mais da selecção quando ela ganha. 

Ouvir falar em Fernando Santos - parece-me haver algum spin... - é motivo de sorriso. Em matéria de competência a figura de Paulo Bento sai agora diminuída pelo insucesso, naturalmente. Mas não me parece que possa haver ganhos evidentes aí, que é onde a decisão se deve centrar. Já em questões de seriedade e carácter equivalem-se.

Houve algo que aprendi na passagem de Paulo Bento pelo Sporting: mudar por mudar não é um bom negócio. Nem Paulo Bento era então tão mau nem hoje tão bom que não possa ser substituído. Mas  parece-me consensual hoje que ele e a equipa que então lhe dava suporte no Sporting - técnica e directiva - não soube fazer a necessária autocrítica e em tempo útil, deixando-se cair de maduro, até apodrecer no chão. Talvez Paulo Bento deva hoje lembrar-se disse e demonstrar que aprendeu alguma coisa com o passado.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

2001-2010: a história de uma viagem de montanha russa

Estamos em 2001. O Sporting vive ainda sob duplo efeito da conquista do mais ansiado titulo da sua história e a constatação que a sua renovação era impossível. O técnico campeão já havia sido despedido, Mourinho, então um treinador sem outro feito de relevância que não ter-nos goleado poucos dias antes, entra  e sai deixando menos vestígios que as traduções feitas para Bobby Robson anos antes. O Sporting começava a primeira década do actual século no mesmo estilo em que sempre viveu as 2 anteriores: em convulsão, sem uma estratégia desportiva definida, sem medidas sustentadas. Luís Duque, que de uma penada havia contratado Carlos Freitas e este um cabaz de Natal de luxo – André Cruz, Prates, Mpenza - acabaria por sair também no final da temporada. Esta não acabaria sem que Manuel Fernandes, de passagem pelo lugar de técnico principal, trouxesse uma Supertaça numa finalíssima disputada em Coimbra. Acosta, que abandonaria no final da época, despedia-se da mesma forma como sempre esteve no clube: discreto mas eficaz. Os dois golos marcados nos 3 jogos seriam da sua autoria.

Chegamos ao mais esplendoroso verão da década. Se havia petróleo em Alvalade não se sabe, mas o Sporting parecia determinado a voltar a ter as cinco quinas estampadas nas suas camisolas.  Carlos Freitas realiza o negócio do século: a troco de largos milhões, troca Jardel  pelos apagados Horvath, Spehar e Mpenza, junta-lhe o promissor Niculae,  que se vêm juntar a internacionais como Pedro Barbosa, Paulo Bento, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Rui Bento, Dimas, Sá Pinto e João Pinto. Comandados por Lazslo Boloni, desconhecido treinador mas fabuloso 10 do não menos fabuloso Steua, que em Sevilla havia roubado de forma quase literal a Taça dos Campeões ao Barça. Boloni demorou a  afinar a estratégia e sobretudo a perceber que Jardel valia muito mais que a sua barriga de parturiente faria supor. Depois de desperdiçarmos os 3 pontos de uma surpreendente vitória nas Antas, tendo caído para um incrível 15º lugar após 4 jornadas, dobramos o meio campeonato na frente, pela primeira vez em muitos anos. Essa seria a posição final, parecendo que se cumpria o fabuloso destino que Roquete apontava poucos anos antes: ser campeão pelo menos 3 vezes em 5 anos. Faltava apenas um.

Andávamos entretidos a festejar a dobradinha, alcançada frente a um surpreendente Leixões de Carvalhal, pelo que ninguém percebeu os sinais de decadência de Jardel e  que este seria o título mais caro da nossa história. Apesar de Boloni ter lançado jovens talentosos como Quaresma e Viana, eram Pedro Barbosa, Paulo Bento, Prates, André Cruz, Dimas, João Pinto, Phill Bab e Jardel que  pressionavam perigosamente a tesouraria. O desequilíbrio entre entre o valor desportivo e o valor de mercado do plantel, apesar de evidente, passou despercebido. A precisar de receitas para manter o nível, o Sporting seria obrigado a vender os seus produtos da formação quase ainda em fraldas - Viana sai para o Newcastle - inaugurando uma tendência que fez escola e ainda hoje se mantém: comprar caro com pouco proveito e fazer depressa para vender como pode ainda mais rápido. Os jogadores consagrados acima citados haveriam de sair ou terminar a sua carreira sem proporcionar receitas equivalentes que sustentassem a sua substituição.

3 factores se  haveriam de conjugar maquiavelicamente para fechar um ciclo virtuoso que o Sporting não voltaria a fazer replicar. O tristemente célebre episódio da saída de Jardel marcaria o destino da época seguinte. Debilitado, o Sporting não teve argumentos para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões, perdendo com o Inter. Boloni arrastou-se sem chama até final de contrato. Sairia como o melhor técnico da década, ganhando todos os troféus nacionais que disputou.O Sporting entraria numa letargia que só foi interrompida a meio do decénio. Nesse entretanto há 3 momentos a merecer destaque: a chegada de Liedson, a partida de João Pinto e a inauguração do Estádio de Alvalade XXI.

Apesar de não escapar a alguma controvérsia, ninguém regateará a Liedson um lugar na história do Sporting. Quem acompanha o "ANorte" saberá que não é "o meu jogador", reconhecendo-lhe porém a importância que lhe é devida.

João Pinto é o meu eleito como o melhor jogador da década. Profissional enorme, com uma atitude e aplicação inexcedível e com uma característica que distingue os grandes jogadores dos outros: o seu inegável talento sempre ao dispor da equipa. Talvez lhe tenha faltado a afirmação internacional, que podia ter logrado com os seus companheiros de geração quando, no Europeu de Inglaterra, se encontravam no zénite das suas carreiras. Desse tempo apenas o talento de Figo lhe poderá fazer sombra.

A 6 de Agosto de 2003 o Sporting inaugura sua nova casa. A milhares de quilómetros de casa, recolhido no meu quarto, chorei como uma criança ao som da música de Enio Morricone na voz de Dulce Pontes. Inebriado pela melodia, num misto de incredulidade e esperança cria que estava dado o último passo para a entrada numa era de modernidade e afirmação do clube. Como eu, certamente muitos Sportinguistas. Era ainda cedo para perceber todos os "ses" e "mas" em que assentou o projecto imobiliário que conduziu à demolição do velho Alvalade e  à construção do majestoso edifício Alvalade XXI. Hoje serão poucos os que conseguirão negar que a ideia que lhe esteve subjacente fracassou em quase toda a linha.

Ao contrário do projecto do anterior estádio, da autoria gratuita do Arq. Anselmo Fernandes, Sportinguista, o projecto do novo estádio foi entregue sem qualquer critério a um Arq. sobejamente controverso. Os azulejos exteriores estão longe de ser um exemplo de bom gosto. O fosso, as cadeiras e os problemas recorrentes no relvado são um atestado de incompetência ao projectista e um exemplo de demissão de responsabilidades a quem tinha por obrigação de olhar para o projecto e sua execução como quem olha para a sua própria casa. Do tal espaço alternativo para os nossos familiares que não gostam de futebol pouco mais se vislumbra do que os cinemas, sendo um embaraço para proprietários e uma vergonha para nós. O pavilhão encolheu, de pouco servindo. Na verdade o estádio que hoje julgamos como nosso, já não nos pertence na totalidade. Fracções como a Clinica Cuf e Holmes Place foram alienadas bem como o edificio Visconde de Alvalade. O Sporting, de proprietário passou a inquilino.E, para ficarmos com pouco mais do que as bancadas, acumulamos um passivo que nos espartilha, não sem antes termos alienado paulatinamente a totalidade do património imobiliário, fazendo-o em baixa num momento alto do mercado. São muitas as sombras de dúvida senão na legalidade pelo menos na ética como alguns negócios foram conduzidos. Os terrenos comprados pela MDC são a melhor ilustração deste facto. A casa que construímos para as próximas 5 décadas é também hoje um monumento à irresponsabilidade que enegrecerá a memória de todos nós junto das gerações vindouras.

Chegamos já a 2004/05.  Para trás ficam 2 anos de total esterilidade sob o comando de Fernando Santos. O nome de Peseiro surpreenderia, tal como a época que acabaria por realizar. Foi a melhor colheita da década no que à qualidade do futebol diz respeito. As semanas que antecederam o final temporada deitariam a perder uma época que poderia ter sido memorável. E apesar de a lembrança ser amarga não pode ser esquecida a final europeia alcançada. As meias- finais com o AZ-Alkmar são um momento inesquecível, bem como algumas das eliminatórias que as antecederam. O golo de Miguel Garcia na voz Jorge Perestrello ficarão para todo o sempre. Peseiro sairia pouco depois da época seguinte se iniciar.

O final da época ficaria também assinalado pela despedida de Pedro Barbosa. Se considero João Pinto o melhor jogador, o ex-capitão é o mais importante. Está presente em todas as conquistas alcançadas neste período. Jogador de enorme talento mas limitado pela inconstância. Tão genial como desesperante.

Seria o seu amigo Paulo Bento que marcaria a última metade do decénio. Contratado como treinador, chegando ao lugar principal depois de ter alcançado um título no último escalão da formação, foi muito mais que apenas isso. Por isso qualquer balanço que se faça da sua passagem estará longe de gerar consenso. É o segundo treinador com mais tempo de clube, embora já poucos sejam os restem que tenham testemunhado quem o suplanta. Marcou uma época, e, tendo deixado 2 Taças de Portugal e 2 Supertaças no museu, não logrou ser campeão. Um bocado à imagem da década em análise, Paulo Bento entrou em alta e saiu em baixa. Com a diferença de 2 temporadas o Sporting haveria de, na estreia de PB na Champions, bater o pé ao Bayern de Munique para ser 2 anos depois goleado de forma diluviana. 

À saída de Paulo Bento corresponde também o desmoronar de toda a estrutura do futebol, com a retirada de Miguel Ribeiro Telles, cuja importância estará muito para lá do que a sua circunspecta actuação deixa perceber. Na sua última entrevista, após o abandono, MRT avisa que "O Sporting ou aumenta as receitas ou tem de ter um investidor". E explica que "quando foi campeão (2001/02) tinha custos próximos dos seus opositores mas não conseguiu aumentar as receitas. E indica a filosofia seguida "O Sporting excede em pouco os 50% dos custos salariais face às receitas, a UEFA pretende que não ultrapasse os 60% por cento. É possível chegar ao titulo com esta filosofia." As saídas dos dirigentes juntamente com os treinadores já não era uma estreia. Dias da Cunha abandonou com Peseiro, Bettencourt só não o fez com PB porque não conseguiria explicar porque o faria, quando acabava de ser eleito com 90% dos votos. Esta lógica invertida leva a pensar quem no Sporting suporta quem.

Não é este o post indicado para abordar a história recente do dirigismo leonino. Mas uma análise da última década ficaria incompleta sem lembrar a profusão de gestores profissionais que passaram pelo Sporting sem deixar marcas mais visíveis do que as indemnizações a que tiveram direito, sem o apuramento de responsabilidades da sua acção directa. Rui Meireles é talvez o caso mais mediatizado, mas está longe de ter sido o único.

As eleições que conduziram o actual presidente ao cargo pareciam ter inaugurado um período de estabilidade e paz interna. A votação maciça em Bettencourt e a declaração do candidato vencido assim o faziam supor. A história é ainda recente pelo que, sendo uma tarefa dolorosa, me vou abster de enunciar os passos que nos conduziram a um estádio vazio, a 2 anos consecutivos de rotundos falhanços no futebol, que, por ter o peso que tem, nos arrastam para um dos piores momentos que a memória é capaz de  proporcionar. Vivemos o segundo maior jejum da nossa história, mas, ao contrário do primeiro, somos muito poucos os que se interessam. E isso sim, é o sinal mais preocupante e ao mesmo tempo desafiador para o decénio que agora começa.

Não posso terminar sem lembrar que um clube que conseguiu formar, no tempo em apreço, um lote invejável de jogadores como Quaresma, Carlos Martins, Ronaldo, João Moutinho, Hugo Viana, Miguel Veloso, Varela, Patricio, Nani, Carriço, Djaló não devia ter sobre o seu futuro uma enorme interrogação. Precisamos de perceber como chegamos até aqui para não voltar a repetir os erros que acumulamos. É necessário realismo para compreender que o Sporting não poderá continuar muito mais tempo na situação em que se encontra sem colocar em causa o estatuto que ainda detém, nem poderá, de um dia para outro refazer-se dos sucessivos erros cometidos. Mas é vital que se interrompa o plano inclinado em que nos encontramos para que a esperança de dias melhores volte a mobilizar os Sportinguistas. Neles começa e acaba o Sporting.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sem reescrever a história

Parece-me inútil voltar a discutir o que foi Paulo Bento no Sporting. Mas creio que, mais tarde ou mais cedo, e por força dos bons resultados do actual seleccionador, análise far-se-à. Se assim for que ela se faça tendo em conta os factos que marcaram a sua passagem por Alvalade e não reescrevendo a história ao sabor do que vai Paulo Bento conseguindo no comando das quinas.  

A sua passagem por Alvalade deixou muita luz - o regresso às vitórias em competições nacionais, as qualificações para a Champions e a defesa insuperável do seu grupo de trabalho - e também algumas sombras - relação difícil com alguns jogadores que desaproveitou, "teimosia táctica", e irregularidade na competição principal. Alternou vitórias épicas com derrotas atrozes. Quando saiu, não o fez por estarem em causa as suas qualidades humanas, mas por reconhecer incapacidade para alterar o rumo dos acontecimentos. Incapacidade que lhe era própria e das próprias circunstâncias do clube. Todos os treinadores acabem por ter que lidar com situações semelhantes, mesmo os mais sucedidos. Mourinho saiu do Chelsea, onde até conseguiu um titulo que fugia à 50 anos. Nem as suas capacidades ficaram beliscadas nem o clube impedido de voltar a ganhar.

Seria por isso totalmente errado personalizar a falta de sucesso do clube na pessoa de Paulo Bento. Numa organização mais exigente consigo própria as fragilidades individuais são superadas pelo colectivo. É no nosso interior que devemos perceber as razões do insucesso, que já existia e a assim permaneceu com e sem Paulo Bento.

Provavelmente o Paulo Bento de que hoje falamos será já um Paulo Bento muito melhor preparado, pela experiência adquirida, do que quando saiu do Sporting. É o que parecem querer dizer as convocações de Varela e Carlos Martins e opções por extremos que nunca quis.
 
Há um aforismo que diz "atrás de mim virá quem de mim bom fará". Esta conversa só faz sentido porque o Sporting não cuidou de substituir o seu antigo treinador por alguém capaz de fazer melhor. O que, convenhamos, nada tem de impossível.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Selecção: entre o melhor e o possível

Não é possível comentar a chegada de Paulo Bento à selecção sem nos referirmos á opereta mediática que nos foi proporcionada por Gilberto Madaíl em busca do Santo Graal para a selecção. E mais difícil é ainda perceber quais são os critérios que (des)norteiam as decisões federativas, tão diferentes que são Mourinho e Paulo Bento. Entre um treinador consagrado e um treinador de curto historial o que se pretende afinal para a selecção? Parece-me indiscutível a conclusão que fica é que se procurou o melhor, ficou-se com o possível.

O primeiro grande prejudicado será Paulo Bento, cuja tarefa já não se advinha nada fácil. Esta prenda dos seus actuais patrões será, estou certo, a primeira de muitas. Nada que afinal Paulo Bento não esteja habituado a lidar, não tivesse sido ele treinador do meu clube. Aqui não posso contudo deixar de afirmar que, à semelhança do que disse há dias sobre Paulo Sérgio, Paulo Bento também tem culpas registadas em cartório. Como homem que estimo inteligente já por certo percebeu que entre uma equipa unida e um grupo de amigos complacentes pode ir a distância entre o êxito e o resto.

Há alguns aspectos que me deixam curioso relativamente ao novo seleccionador. A sua relação com os jogadores, que amadurecimento e evolução técnico-tácticas se podem entrever e qual será a sua relação com o clube que lhe deu a primeira grande oportunidade profissional na carreira de treinador.

Paulo Bento não seria a minha escolha para seleccionador. Entendo para o cargo um perfil diverso: alguém com valor demonstrado, cuja visão sobre o futebol seja reconhecida e demonstrada em curriculum. Não tenho a visão nacional-corporativista de Mourinho, que prefere um treinador nacional. Os maiores êxitos da selecção nacional foram até alcançados com estrangeiros no comando. Como alguém dizia à selecção bastariam os melhores.

Mas, não sendo eu mais do que um mero adepto da selecção nacional resta-me desejar o melhor possível a Paulo Bento. Calculo que ele também saberá lutar por isso. Tenho-o como um homem honesto e de carácter e se isso não for suficiente para fazer dele um grande treinador, será pelo menos um bom começo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Época 2009/2010 - O balanço (I)

A SAD
O que dizer de uma SAD que, após um seu funcionário afirmar que aí se manteve quatro meses a mais, batendo logo de seguida com a porta, derruba praticamente todo o seu edifício e deixa a respectiva cúpula chorosa e como que abandonada?

Há quem afirme que a SAD do SCP tombou de forma temporã, podendo, esse facto, ter contribuído decisivamente para a pior época de que à memória, mas há, também, quem defenda que já caiu de podre. Pode parecer paradoxal, mas eu admito ambos os diagnósticos. Explico-me: se caiu cedo na época dando azo a tamanha instabilidade, a verdade é que uma estrutura profissional, que supostamente deveria ser de excelência e que prometera, pouco antes de cair, elevada solidez consolidada na longa experiência da maioria dos seus membros, jamais poderia revelar-se tão dependente das decisões de apenas uma pessoa, por maior importância que essa pessoa, o seu responsável técnico principal, efectivamente detivesse. Ora, posto isto, julgo ser coerente concluir-se que tais membros nunca deveriam ter assumido o comando do ‘negócio’ futebol… No mínimo por manifesta falta de auto-confiança, de estofo, mas ainda mais por falta de pró-actividade e até, por que não dizê-lo, por falta de coragem e esbanjamento da dita ‘experiência’. Basta verificar a ausência de rumo, de uma qualquer estratégia, a indecifrável politica de contratações e a lastimosa gestão do plantel, para confirmar o veredicto da frase anterior.

E depois do desmoronamento? Bem, depois foi ao ritmo do forrobodó que se iniciou a ‘reconstrução’ dos fracos alicerces, numa dança de cadeiras com o irrequieto Salema, ‘Le Garçon’, a protagonizar o papel de bailarino principal. Pelo aspecto físico, ninguém lhe adivinharia tamanhas valências, mas se é certo que o homem é cheio de ‘formosura’, também não se lhe pode negar o jeitinho que tem para se mexer e manter permanentemente dentro daquele ‘Sádico’ palco, ao qual, nem cenas de violência ‘hard-core’ faltaram.

Concluindo, os resultados que a SAD produziu na época finda revelam-se muito pouco, para não dizer nada, leoninos: uma autentica perda de tempo, com ausência de títulos, espectáculo e notória redução do seu valor patrimonial. Mas a preocupação mor dos seus gestores de topo, talvez surja quando forem divulgados os (verdadeiros?) prejuízos económico-financeiros. Até lá, alegremo-nos com o “estamos mais fortes que nunca!” bradado aos Céus por um histriónico líder da SAD em vésperas de onze miúdos da Academia se alimentarem de hóstias ministradas pela própria mão de Bento (o XVI, não o I que já não foi a tempo, tão pouco o II que ainda não chegara…).O que se seguirá? É uma incógnita, mas já o velho ditado pronuncia que o futuro a Deus (dos agentes) pertence… Haja, então, como é q lhe chamam?… Fé! É isso.

CLASSIFICAÇÃO – A vontade era atribuir uma nota abaixo de zero, mas dada a sua impossibilidade dou um 4, para incentivar o Costinha a ‘orar’ muito (e bem) ao seu ‘Deus’…
por Virgílio 
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EQUIPA TÉCNICA DE PAULO BENTO
Pré-época & Liga dos Campeões
Iniciámos a época com um técnico tremendamente desgastado, não só pelo facto de ser o único a dar a cara pelo SCP pois a Direcção evitava fazê-lo, como principalmente, pela fraquíssima qualidade do futebol praticado. Tudo isto já vinha de trás, ou seja, de campeonato(s) anterior(es). Ao contrário do próprio, não acho que ele tenha ficado apenas 4 meses a mais pois há muito que era favorável à sua saída.
Numa pré-época marcada por apenas(!!!) 4 jogos, sendo que um deles foi com o At. Cacém onde se averbou a única vitória,  contratações simplesmente incompreensíveis, fosse pela qualidade do jogador (Caicedo), pelo timing da mesma (Angulo) ou ainda por nenhuma delas visar colmatar as principais lacunas do plantel - defesa especialmente as laterais - o SCP discutiu o acesso à LC com a Fiorentina, averbando dois empates: 2-2 em casa (com uma péssima arbitragem a favorecer a Fiore) e 1-1 fora, valendo a regra dos golos fora, sendo por isso relegado para a Liga Europa.

Liga Europa
Foi nesta competição que Paulo Bento efectuou o seu último jogo ao comando do SCP. No dia 5 Novembro, o SCP defrontou em casa o Ventspils, não indo além de um empate a 1, estando a perder. Apesar de ter deixado a equipa quase apurada, as dificuldades sentidas para ganhar jogos contra adversários nitidamente inferiores e o agoniante futebol praticado, deixaram-nos à beira de um ataque cardíaco.

Taça de Portugal
Vitória contra o Penafiel por 3-0.

Campeonato Nacional
Paulo Bento quando deixou o SCP, tinha realizado 9 jogos, deixando a equipa no 7º lugar com 13 pontos em 9 jogos (3V-4E-2D) e com 10 golos marcados e 8 sofridos.Desde a 2ª jornada que, matematicamente, não dependíamos de nós para alcançar o título nacional, após o empate forasteiro com o Nacional e derrota caseira com o Braga, equipa que tinha ganho o seu jogo inaugural contra a Académica.

Avaliação - Nota 0
Péssima avaliação dos lugares a reforçar, e para tal o dinheiro não serve de desculpa pois foi dito que a defesa não necessitava de reajustes, exibições paupérrimas, erros recorrentes, discurso desculpabilizante - sacudindo a água do capote - e responsabilizando sistematicamente os jogadores, ausência de resultados, tirando a Liga Europa. Foi este o legado que nos deixou esta época.  Saudades do Paulo Bento? Como treinador, não!
PS: Sob a batuta de Paulo Bento, estivemos 4 jogos seguidos para o campeonato sem ganhar, entre a 6ª e 9ª jornada: (FC Porto 1-0 Sporting, Sporting 0-0 Belenenses,V. Guimarães 1-1 Sporting, Sporting 1-1 Marítimo). 
por JVL

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PLANTEL
Falar do plantel do Sporting da época que agora termina é passar em revista todos os problemas do clube. Tomando como referência o número de jogos efectuados por cada jogador o nosso onze típico seria:

Rui Patrício (30 jogos)
Abel (18 jogos)
Carriço (25 jogos)
Tonel (23 jogos)
Grimi (20 jogos)
M. Veloso (25 jogos)
J. Moutinho (28 jogos)
M. Fernandez (28 jogos)
H. Postiga (22 jogos)
Liedson (28 jogos)
Y. D’jálo (18 jogos)

A primeira constatação que faço é que este onze nunca jogou, o que revela uma das características que ajudou a uma época desastrosa, instabilidade. No início da época o plantel foi mais remendado do que reforçado e por essa razão não é de estranhar que o único reforço da época com lugar nesta lista seja Matias Fernandez. De Angulo e Caicedo já ninguém se lembra, de Pongolle esperamos uma lembrança no futuro, André Marques teve guia de marcha para crescer, João Pereira e Pedro Mendes deram um pouco mais de consistência mas não transformaram a equipa.

O destaque acaba por ser Saleiro de todos os reforços aquele que mais cumpriu com a sua tarefa e revelou-se um jogador de grande utilidade e valor como Joker e tapa-buracos de lesões e castigos, pagando com golos.

A segunda constatação que faço é, onde estão as referências desta equipa? Onde estão Polga, Izmailov, Caneira e Vukcevic? Todos eles têm menos de 15 jogos. Por diferentes razões (lesões, castigos, opção técnica) todos estiveram longe da decisão, todos passaram ao lado da época deixando a equipa numa deriva fatal. Os nomes que aparecem imediatamente após estes onze são Saleiro e Pereirinha (ambos com 17 jogos) só depois surge Polga com 15, Vukcevic com 14 e Izmailov com 13. Pouco, muito pouco para quem consome grande parte do orçamento disponível.

A terceira constatação, é a mais difícil de escrever, a qualidade do onze justifica um ano tão desastroso? Não, apesar de todas as culpas que possam imputar a terceiros não se livram da responsabilidade de terem feito um trabalho muito abaixo das suas reais capacidades. Nunca mostraram em campo aquilo de disseram aos microfones, nunca foram solidários, nunca tiveram concentração competitiva, nunca se superaram como grupo, nunca foram ambiciosos. É para mim a parte mais desastrosa da época ver todo o talento ali presente desperdiçado sem reacção.

Para finalizar uma análise por sectores. Na defesa não consigo reconhecer um líder, Tonel tem capacidades mas faltam-lhe as qualidades, Carriço cresce mas ainda não se impõe, Patrício mostrou evolução mas continua ter erros de principiante que têm de ser castigados com o banco principalmente quando se repetem e há mais dois colegas que trabalham tanto como ele. Abel já foi e Grimi nunca será… Reforços precisam-se

Meio campo, o sector mais forte da equipa e de quem nós tanto esperávamos, Veloso foi pau para toda a obra, defesa esquerdo, médio defensivo, interior e extremo esquerdo e interior direito, com tanta voltinha aprendeu a marcar golos. Moutinho acompanha o seu amigo no carrossel de posições e talvez por já o fazer há mais anos esteve pior do que o normal mas não se vislumbra quem faça melhor. Mátias é a surpresa, 28 jogos, é muito mais do que eu diria que ele jogou e se tivesse baseado esta equipa em minutos de certeza que percebia a razão, alguém se lembra de um jogo completo do Matias? Eu também não. Estabilidade precisa-se.

Ataque, quando uma equipa que joga em 4-4-2 só tem 3 jogadores do meio campo com mais de 18 jogos algo correu mal. No ataque passa-se o contrário, é Liedson e sus muchachos. Tanto experimentaram que Liedson nunca teve sossego ou um amigo fiel, mas três mosqu(i)eteiros que zumbiram à sua volta e que no que se refere a poder de finalização e golos pouco acrescentam. Remates precisam-se.

Avaliação global - 7,5 valores. Com o conselho para este grupo se candidatar às novas oportunidades.
por LMGM

PS: decidimos fazer uma avaliação conjunta da  época 2009/10, com quando um dos editores a responsabilizar-se por um tema. A avaliação incidirá sobre os 3 agora editados, a SAD, a equipa técnica de Paulo Bento e o plantel, seguindo-se a equipa técnica de Carvalhal, e a participação nas competições Liga Sagres, Liga Europa, Taça da Liga e Taça de Portugal. Fica à vossa disposição a caixa de comentários.

sábado, 21 de novembro de 2009

Sombras do passado


Quem folheia a imprensa dada à estampa  hoje encontra uma profusão de assuntos relacionados com o Sporting que até se torna difícil, para um espaço com este formato, dar  o de devido relevo a todos eles.

Soares Franco revelou-se preocupado com o actual momento do Sporting. Tivesse-se ele preocupado antes, quando deixou a data das eleições resvalar para um período que em nada ajudou a quem teve que lhe suceder.

Paulo Bento está agora mais falador. Já deve ter dado mais entrevistas nas semanas subsequentes à sua saída de Alvalade do que nos 4 anos que lá esteve. E parece falar com a autoridade de um ornitólogo, ao aconselhar Bettencourt a ter cuidado com os abutres.Não foi certamente em Alvalade que se especializou... Ao JN diz várias coisas mas deixo duas que me saltam aos olhos, e me fazem esbugalhar as órbitas: "O Sporting, por ser o clube dos doutores, aqui no mau sentido, é muito liberal, por todos gostarem de falar ao microfone - já disse que não são cornetos -, o que leva a mais problemas." "Existe um complexo de inferioridade, exponenciado pelo que o Benfica está a fazer esta época." E para terminar, em registo vídeo, lamenta ficar associado ao momento actual." 

Obviamente que não vou perder tempo com isto. Paulo Bento representa o passado que está enterrado e que, por muito que se fale agora, nada poderá mudar. Os Sportinguistas têm memória e são gratos a quem lhes presta bons serviços. Se Paulo Bento quer ser recordado pelos bons serviços que prestou que tenha tento no que diz e quando o diz. Constituir-se como uma sombra a procurar ajuste de contas com o passado é desbaratar de forma gratuita o respeito que conseguiu granjear.

Contamos apresentar mais tarde a entrevista integral dada por PB ao Record e, se merecer o esforço, a de Ribeiro Telles ao Sol.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Isto sim, parece-me normal.


O jornal I diz hoje que o e-mail do Sporting – qual deles?… - está cheio de propostas de treinadores estrangeiros. "Antes de me pronunciar sobre essa possibilidade, teria de haver uma conversa prévia em que o clube manifestasse interesse. Vamos aguardar com calma." Quem o diz é Juande Ramos, que assim não rejeita liminarmente a hipótese de se tornar técnico do Sporting, não se podendo dizer que é um desconhecido sem curriculum.

A ideia, repetida até à exaustão, de que ninguém com curriculum quer treinar o Sporting é uma das muitas entradas a pés juntos sobre auto-estima leonina, a merecer cartão vermelho imediato. Não admira que depois andemos curvados, sempre com medo que o pior ainda não é isto, e se encarnice o sentimento de orfandade após a partida de Bento. A não ser que o aceitemos, o Sporting está longe de ser um clube indesejado. O contrário é que me parece anormal.

O nome "Sporting" não é desconhecido. Se méritos houve na manutenção de 4 anos de Paulo Bento foi precisamente ter mudado a ideia de que no Sporting era possível mudar de treinador mais facilmente que de peúgas. A última chicotada psicológica tinha ocorrido com Inácio, da forma atabalhoada que hoje se sabe, há mais de meia década. Se o prestígio internacional não foi reforçado como desejado, as qualificações consecutivas para a Champions e a final da UEFA retiraram-nos do anonimato onde caímos nos anos 80/90. Um clube que tem um plantel composto pela metade de internacionais pelo seu país - alguns deles acumulam experiência de jogos na Champions e UEFA - pode ser visto como uma boa base de trabalho para relançar ou promover uma carreira.

Sou daqueles que, por uma solução de compromisso com uma reestruturação a sério do nosso departamento de futebol, não se importaria de dar o resto da época como meia-perdida, à semelhança do que assenti há 4 anos, com a entrada em Outubro de Paulo Bento. Não significa com isto baixar a fasquia, ou então o sacrifício de Paulo Bento seria sem sentido.

Um treinador do Sporting terá sempre a obrigação de ganhar. Nesta altura, a primeira exigência seria restaurar o orgulho e o prazer de ver jogar a nossa equipa principal, estendendo as bases de trabalho para uma equipa forte e competente para a época seguinte. Essa reconciliação é possível e necessária, o difícil parece ser não melhorar. Assim me dizem o 8º lugar na classificação, 12 golos marcados, 10 golos sofridos, 14 pontos alcançados, com um terço do campeonato desperdiçado.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Olhar para trás no Dia Seguinte



Seguramente que não foi o que foi dizendo durante a sua passagem por Alvalade que afastou PB do Sporting. Essa ideia foi mais uma vez confirmada no Dia Seguinte, na SIC. PB teve discurso coerente, defesa do grupo que com ele trabalhou, do balneário aos gabinetes, assumindo responsabilidades. Pese o esforço realizado pelo pivot do programa, é muito fácil brilhar perante a imagem pálida dos comentadores residentes, aparentemente mais preocupados em que nada lhes perturbe a digestão. Acontece que PB não saiu por errar nas suas nas análises, antes por não conseguir que a estas correspondessem alterações práticas nas exibições e resultados da equipa que comandava.

Continuo a pensar que se justifica o que digo aqui há quase um ano, e nem fui dos mais clarividentes: o período de validade da sua direcção técnica esvaiu-se. Não ficam em causa as suas qualidades pessoais, e estou em crer que saberá aproveitar a oportunidade de ouro que o Sporting lhe concedeu ao emprestar o seu nome para lançar a sua carreira. Gostaria que tivesse sido campeão connosco, a sua honestidade e dedicação mereciam-no.

Há no entanto assuntos que me merecem comentários:

Pedro Barbosa
PB, ao seu jeito, defendeu Barbosa, argumentando que o trabalho deste teria tido mais visível se este dispusesse de dinheiro que dispõe o director desportivo especializado em túneis. Ora é precisamente por não dispormos de dinheiro que precisamos de um director desportivo diligente e atento ao mercado. É no tempo em que as vacas estão secas que é preciso saber onde há o leite. Falou de vários jogadores observados para os quais não houve dinheiro para a aquisição. Cardoso, Denis, Saviola foram alguns dos citados. Esqueceu-se de um pormenor: Saviola ficou quase pelo preço do Grimi…

A ferida Stojkovic
Passados quase 2 anos após os incidentes com o sérvio foi a primeira vez que ouvi PB negar o rumor que desde então circula e que atribuía ao guarda-redes uma agressão a Barbosa. É bom lembrar que esse rumor foi confirmado pelo então presidente FSF em conversa informal com sócios à saída de uma AG. PB afirma que foram razões técnicas e disciplinares que estiveram por detrás do afastamento do sérvio. A mim ficou claro que se tratou de um choque de personalidades, vencendo quem dispunha de poder, não necessariamente da razão. O SCP saiu nitidamente prejudicado, perdendo um guarda-redes internacional e quase perdendo um miúdo promissor. Quanto às razões técnicas, PB é desmentido por Xavier Clemente e Radomir Antic, que, mesmo sem jogar, optaram pela titularidade de Stojkovic na selecção sérvia. Que razões disciplinares podem justificar a pena de morte a que foi sujeito o jogador e ao prejuízo do clube? Este foi um dos factores de maior desgaste da imagem, até então imaculada, de PB junto dos adeptos. A falta de defesa do sérvio no episódio do dragão foi o prenúncio de uma novela infeliz.

Varela
Ouvir confessar que não há recursos e depois ver reafirmado que Varela não interessava ao Sporting quando este é titular no actual campeão nacional é um absurdo. Dizer que ninguém falou no Varela quando ele esteve no Huelva ou no Setúbal não só não é verdade como também expõe a fragilidade do nosso Dep. de Futebol, que não foi capaz de ver utilidade num jogador da casa onde outros viram um reforço. Os adeptos não fazem relatórios nem observações exaustivas aos jogadores, nem estão obrigados a fazer prospecção pelo clube.


HugoViana
O mesmo se aplica a Hugo Viana. Paulo Bento não escondeu o agastamento quando confrontado com a ideia de que Ângulo foi rejeitado pelo S.C.Braga em favor de Viana, quando o Sporting fez o inverso com os resultados que se conhecem. Dizer que Viana não jogava há muito, esquecendo da condição de Ângulo foi até embaraçoso.

Grimi
Instado a pronunciar-se sobre Grimi PB justificou a aquisição do argentino por este ter agradado durante os 6 meses de empréstimo. Assumiu a responsabilidade pelo aval técnico ao argentino, declinando as restantes, quando lhe pediram explicações pelos 4 milhões pagos. Quando lhe falaram em Alonso, que transitou do Nacional a custo zero, por comparação com o argentino, nada disse.

Mais assuntos poderiam ser comentados, como por exemplo a assumpção de que Polga jogou com problemas físicos, o como isso afectou as nossas soluções de construção de jogo ofensivo, etc. Mas é bom encerrar este capitulo da nossa história, onde PB conquistou por direito próprio a sua presença. É disso que me quero lembrar daqui para a frente. Tivesse sempre o mesmo que dizer de outros que passaram pelo clube, mesmo que Sportinguistas de nascença.

sábado, 7 de novembro de 2009

As perguntas do dia


O momento do Sporting é desafiante e devia ser encarado como uma oportunidade para melhorar e seguir em frente. O que todos vimos ontem em directo foi a evidência, se preciso fosse, de que tudo no futebol do Sporting começava e acabava em Bento. Este erro estratégico poderá ser remediado sem custos elevados?

Foi com estardalhaço que se percebeu que o Presidente não foi capaz de separar a admiração pelo carácter de PB e os interesses do SCP, tendo obrigado o treinador a tomar uma decisão que lhe pertencia em primeira instância. E nisso Bento foi reincidente: no Sporting só lhe deve ter faltado auditar as contas e marcar eleições. Às tantas devíamos ter-lhe confiado mais esse serviço.

Que treinador quererá trabalhar com um Presidente visivelmente afectado pela saída do treinador que  “nunca conseguiria despedir”? Que treinador quererá trabalhar num clube que deixou ao seu antecessor carregar todos os pesos, puxar todos os comboios, em suma, ter marcar os cantos e ir a correr cabecear a bola?

Saído PB - e os invisíveis MRT e PBarbosa  - quem dirá a JEB que treinador contratar, que director desportivo nomear, enfim, que estratégia adoptar, que caminho seguir para voltar a pôr o Sporting nos eixos?

A pergunta certa agora, e fazendo face ao que diz o Record hoje,  parece até ser a mais improvável de todas: será Bettencourt a tomar essa decisão?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Paulo Bento até é um homem com sorte


Quando se sabe que Barbosa e Ribeiro Telles optaram por se solidarizar com Bento, concluo que, pese o dia amargo que deve ser hoje para Paulo Bento, ele até é um homem com sorte. Desfeita que está a ligação ao Sporting, o treinador poderá escolher um clube com um presidente e um departamento de futebol à altura, para prosseguir a sua carreira, que agora debuta. Eu, como sócio e adepto do Sporting, não tenho alternativa senão aguentar o que tenho. Ainda dizem que é fácil ser adepto.

foto i online 

Altamente perturbado e perturbador


É difícil qualificar o que me foi dado a assistir na conferência de imprensa finda há minutos. Bettencourt, à semelhança de intervenções anteriores, não esteve à altura do cargo para que foi eleito.

Esqueceu-se mais uma vez que é Presidente de todos os Sportinguistas, e não de uma minoria de associados que votaram.

Revelou total desnorte, demonstrando não perceber o beco sem saída em que a equipa se encontrava.

Evidenciou total falta de estratégia para remediar os danos e resgatar o espírito leonino.

Não foi capaz de uma palavra de esperança para os Sportinguistas que, estupefactos, assistiram ao seu descalabro em directo.

Foi totalmente dissuasor para possíveis candidatos ao lugar de Paulo Bento.

Afinal sempre se confirma: o nosso ex-técnico era o único a gozar de lucidez, que bem merecia melhor acompanhamento. Não gosto de ter razão quando em causa estão os interesses do Sporting: tal como muitas vezes aqui foi afirmado, o ciclo de PB estava esgotado, como o próprio reconheceu.

Se JEB se preocupa tanto com Bento e lhe credita tanto mérito devia tudo fazer para que o sacrificio do treinador servisse para alguma coisa.

Infelizmente, pelo que foi dado observar, este foi apenas mais um capitulo de uma longa história de equívocos e não o seu epílogo. Vêm aí os próximos capitulos de mais uma oportunidade perdida.

Post escrito antes de saber que Bettencourt tentou agredir um adepto. Sem comentários. O que tem a dizer Dias Ferreira, Presidente da mesa da A.G.? Era deste Bettencourt que se dizia ser um de nós?

A conferência de imprensa na íntegra:



foto i online

E agora Presidente?



COMUNICADO
Nos termos e para efeitos do cumprimento da obrigação de informação que decorre do disposto no artigo 248º, nº1 al. a) do Código dos Valores Mobiliários, a SPORTING - Sociedade Desportiva de Futebol, SAD (Sporting SAD), informa que o Treinador Paulo Bento apresentou nesta data a demissão do cargo de Treinador Principal da Equipa Profissional por entender não estarem reunidas as condições para se manter no comando técnico da equipa. Mais informa que, a partir desta data e até decisão em contrário, a Equipa passará a ser orientada pelo Treinador Leonel Pontes.


Lisboa, 6 de Novembro de 2009


O Conselho de Administração


Ao escolher este momento para sair, quando a equipa tem uma deslocação dificil a Vila do Conde, Paulo Bento deixa JEB e Leonel Pontes com uma criança nos cuidados intensivos. Apesar de inevitável será provavelmente dificil de digerir da parte de quem por ele se penhorou, para lá dos interesses do clube e do que era sustentável.

Obrigado a Paulo Bento pelos serviços prestados, em condições especialmente difíceis.

Não vale a pena dramatizar. Se quem vier a seguir gozar da mesma tolerância e do mesmo tempo,  melhorar é quase inevitável.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ninguém quer casar com esta desgraçadinha?!


Dizia Joel Neto na sua crónica de sexta-feira, aqui publicada sem punhos de renda, e referindo-se aos primeiros meses de governação de Bettencourt, “que nunca alguém foi tão rápido a mergulhar o Sporting no lodo – e tão eficaz, depois, a segurar-lhe a cabeça no fundo, na expectativa de que deixe, enfim, de respirar.” Depois de, já esta madrugada, ter visto na gravação do “Trio de Ataque” da RTPN, Oliveira e Costa defender com unhas e dentes que não há nenhum bom treinador que queira hoje treinar o Sporting, concluo que há até já quem lhe tenha tomado o gosto. Não satisfeito, ainda acrescentou que o plantel do Sporting é fraco para justificar a carreira da equipa. (Foi obrigado a engolir em seco quando o representante vermelho lhe perguntou pelo plantel do Braga.)

Dirão muitos que é uma perda de tempo comentar ROC e os inefáveis paineleiros que pululam nas tv´s representando o Sporting. Não acho. Porque todos eles ocupam cargos nos corpos sociais e porque são há anos o suporte mediático da ideologia e práticas que emanam do E.V.A. Muito bem acolitados ,diga-se, pelos comentaristas de serviço no Jogo e Record. A propaganda tem feito os seus efeitos.

Pôr a questão da forma que ROC põe revela uma total falta de respeito pelo Sporting, pelos seus associados e pelo que representa como baluarte do desporto nacional e internacional. Revela igualmente como 4 anos de mau futebol podem ferir bem fundo a auto-estima dos adeptos e tolher-lhe a ambição Sportinguista. Vindo de um conselheiro leonino é muito grave.

ROC acredita que ninguém pode fazer melhor e avança com as suas estatísticas para dizer que o Sporting só logrou ser campeão com uma chicotada psicológica com Inácio. Esquece-se de 3 coisas muito importantes: 

i)    Também é difícil fazer pior do que tem sido feito esta época e para isso já não usou as estatísticas para o demonstrar;

ii)     Esqueceu-se de olhar para a tabela classificativa para perceber que este campeonato, para PB ou a quem o venha a substituir, já é uma miragem, estando neste momento em causa o prestígio do Sporting e a preparação do futuro da qual este Dep. Futebol não deveria fazer parte;

iii)    Continuando as coisas como estão, para alcançar o Braga são precisas 4 derrotas consecutivas dos arsenalistas, complementadas por 4 vitórias consecutivas nossas. Ou mudamos muito e depressa ou então será tarde para querer mais que o 4º lugar.

Já se abdicou de todo e qualquer pudor para defender a manutenção de Paulo Bento e todos os que se escondem nas suas costas. (Estou até cansado de falar de Paulo Bento, porque estou longe de achar que é a causa dos nossos males.) Aceitamos como inevitável o estado a que chegamos e acreditamos que serão os que aqui nos puseram os que daqui nos irão tirar. Olhamos para a equipa principal, (e quem sabe para o nosso clube…) como uma solteirona feia e escanifrada, uma desgraçadinha com que ninguém quer casar. Se nós pensamos assim, e o dizemos aos 4 ventos, o que pensarão os nossos jogadores e os nossos adversários?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O vício


O Sporting vive um período conturbado e parece que só nestas alturas é que muitos despertam para a realidade. Entre crises no futebol perdemos entretanto o património imobiliário, extinguimos algumas modalidades, perdemos competitividade e importância noutras. Somos menos e cada vez menos influentes. Mas os Sportinguistas só parecem despertar quando a bola não entra e bastará um simples sinal de recuperação para tudo voltar à normalidade. O Angulo quem sabe será um novo Acosta, o Caicedo até poderá ter sido uma boa aquisição e a renovação de Pedro Silva um acto visionário.

O momento que se vive no futebol, e que trás em sobressalto a a família Sportinguista, nada tem a ver com fado, sorte ou azar. Tal como as grandes equipas não se formam do nada, antes resultam de planeamento e esforço continuado, as más acontecem exactamente do oposto. Com a diferença que para fazer mal não é preciso tanto tempo e dedicação como o exige a excelência.

Os sinais de que íamos no caminho errado atropelavam-se aos nossos olhos, mas mesmo assim preferimos ignorá-los. Não só da parte de quem tem o poder de decidir, mas também a grande maioria dos adeptos. Eu que, não tenho dons advinhatórios, escrevia aqui em vésperas de Natal do ano passado:

“O futebol do Sporting vive sob o signo de uma dieta apertada, em que na, maioria das ocasiões, é servido sob a forma de uma canja desenxabida: os golos são poucos, as exibições quando não são medonhas (Paços de Ferreira, Leixões) são frustrantes ou sensaboronas (quase todos os jogos restantes). De vez em quando a esquálida sopa vem acompanhada de um filete de mortadela rançoso (a eliminatória da Taça foi bem jogada, mas perdida) ou um bife de 2ª (a vitória na Supertaça). Filé mignon? Já lá vão tantos anos, que a maior parte dos sportinguistas já nem se deve lembrar da textura ou do sabor. 

É esta a dieta que Paulo Bento nos serve, invariavelmente, há quase 4 anos. Passado todo este tempo a ementa permanece igual. E os sportinguistas se não gostam, comem calados e quase nem protestam. Dizem que dantes não se comia e, apavorados com a peste e a fome que alguns dizem que se instalará a seguir, preferem manter o pouco mas certo de Paulo Bento. O medo de ousar mudar parece ter-se instalado. Os sportinguistas parecem temer uma crise intestinal se lhes derem algo mais condimentado que este futebolzinho tipo pãozinho sem sal.”


Quando escrevi isto ainda não tínhamos jogado os quartos-de-final com um dos piores Bayern´s dos últimos anos. Mas já havíamos perdido por 4-1 em Leiria, no fecho da época anterior, uma das piores, em termos exibicionais, que tenho memória. Começamos a época 2008/09 mal, sendo humilhados em Madrid, em casa com o Barcelona e à 6ª jornada o campeonato era uma miragem. A repetição do 2º lugar no final, o jogar Paulo Bento como cartada eleitoral, trouxe-nos aonde nos encontramos hoje.

Pagamos um alto preço pelos 2º´s lugares e Supertaças que PB nos trouxe. Não porque esses títulos não tenham sido meritórios e valorosos e especialmente difíceis de alcançar, nas circunstâncias em que foram alcançados. Mas não passaram de ópio para o povo Sportinguista e, em especial, para quem dirigia. O alto preço que pagamos chega-nos em amargas prestações semanais de mau futebol, maus resultados e num clube dividido em torno do seu treinador.

As primeiras vitórias trouxeram-nos a euforia. Um campeonato por um ponto, vencedores caso este tivesse acabado 45 minutos mais cedo, instalou a certeza onírica que ser campeões era fatal como o destino. Substituímos a exigência pela complacência com os nossos pequenos feitos. Ao invés de querermos ser melhores achamos que éramos suficientemente bons, encontrando no orçamento, na pretensa juventude do plantel e outros o vício da desculpa. Os sintomas da nossa decadência são hoje tão evidentes na nossa equipa como num qualquer toxicodependente. Já não retiramos qualquer prazer deste vício, tememos a vida sem ele.

A gratidão para como os serviços prestados por PB não pode ser a desculpa para deixar tudo como está. Prolongar a sua estadia é prolongar um estertor, é sujeitá-lo a um castigo imerecido. As suas culpas são bem menores do quem tinha como missão dirigir, decidir, analisar e prever. Num clube com estratégia PB não teria definhado, antes seria obrigado a crescer e ser melhor ou a procurar outro caminho, o que não se consegue com palmadinhas nas costas. Foi por isso que ele se tornou um dos problemas deixando de ser solução.

Ninguém, mesmo que eleito por unanimidade e aclamação, tem mandato para prejudicar o Sporting. Esse mandato foi-lhe conferido para resolver os problemas do Sporting e não para os agravar. É isso que se pede hoje e sempre a JEB e aos corpos sociais do Sporting.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Um murro na mesa

Considero que fui dos poucos (cerca de mil) que deu um murro na altura certa… Meti um dia de férias, fiz quase 500 Km para o dar (ida e volta) … Ao chegar às imediações do Estádio José de Alvalade deparei-me com um membro da lista de PPC e, apesar de não o conhecer pessoalmente, aproveitei para o interpelar. Respondeu-me, ainda meio atónito meio desiludido, que as sondagens à boca de urna (jornal Rascord) apontavam para, segundo as suas próprias palavras, ‘um resultado ainda pior que o Abrantes Mendes conseguiu contra Filipe Soares Franco’!…

Obviamente, lá fui na mesma à mesa (de voto) para espetar com o tal murro … Confirmou-se, mais tarde, que efectivamente tinha saído ‘muita fraquinho’… Os murros dados ao longo desse dia, todos juntos, foram pouco mais que imperceptíveis. Quando assim acontece a margem de manobra de quem perde é francamente desoladora.

Apesar disso, obriguei-me a acreditar que com JEB, se poderia alterar alguma coisa, por ínfima que fosse. Aguardei que tal mudança pudesse trazer melhorias. Só que, passado pouco tempo, comecei a suspeitar da capacidade do novel presidente… A resolução dos casos que teimavam em aparecer, cedo o indiciaram … O caso das ‘pedradas’ foi o primeiro (uma oportunidade de unificação excelente, incrivelmente desperdiçada), outros lhe sucederiam: ‘Ricardo Peres vs Duarte ‘chifrudo’ Gomes' ‘contradições e decisões incompreensíveis na definição do plantel’, ‘chegada ao aeroporto’, ‘vassalagem ao papa’ e ‘afronta do Vitinho Pereira’, estes últimos dois casos numa semana de importância crucial, confirmavam o pouco acerto… Os recentes casos dos ‘sócios silenciosos e invisíveis’, e a recorrente preocupação com o que a vizinhança saloia faz ou deixa de fazer, que para além de estéril só nos diminui. Será que JEB não tem com o que se preocupar dentro da casa que dirige? Tiros nos pés a um ritmo verdadeiramente alucinante. Por fim, esta ultima charada da convocação de uma AG com um bombástico 2.º ponto na ordem de trabalhos e cujo local já foi alterado, não se perspectivando se o actual ou mesma a data determinada serão realmente definitivos. Mais uma rábula que ‘cheira’ à usual prática manhosa e truculenta que se vem consumando no SCP de há longos anos a esta parte…

Claro que não se sabe como seria com PPC mas creio que pior seria impossível... Durante a campanha PPC e a sua Lista cometeram erros… A escolha do treinador alternativo a Bento foi, na minha opinião, um deles. Demonstraram-se demasiado ambiciosos e apresentaram muitas promessas, muitas delas válidas mas que, dificilmente, seriam concretizáveis em apenas uma ‘legislatura’. Foi o suficiente para que a contra-informação e campanha negra perpretadas pela comunicação social funcionassem. Mas a nula credibilidade que os media desportivos me merecem, a demonstação de coesão, organização, garra e determinação em cortar com as práticas sombrias do passado, conjugado com a persistente nega de JEB em debater o Sporting durante a campanha eleitoral, todas as circunstancias que o levaram a avançar para a liderança quase no soar do gongo, mais a minha descrença na sua equipa (as mesmas caras que se perpetuam no poder ad eternum), fizeram-me optar pela Lista A. É conveniente recordar, que algumas das propostas e ideias então identificadas no Programa da lista de PPC foram, posteriormente, aproveitadas como porta-estandarte na acção de JEB… Aquelas que ainda vão recolhendo alguns elogios. Talvez porque Programa próprio foi assim uma espécie de um ligeiro e vago manifesto feito à pressão. Por fim, diga-se em abono da verdade, que JEB conseguiu tamanha votação porque, oportunisticamente, se colou a Bento o qual, todos sabíamos constituir um grande trunfo eleitoral, dada a ampla popularidade que, naquela altura, ainda gozava entre a maioria das franjas dos associados leoninos. Erro crasso que ainda agora estamos a pagar.

Concluindo, não sei se faz sentido, hoje em dia, tentar ressuscitar PPC ou aguardar por uma posição da chamada ‘oposição’… Novo murro terá que ser dado por nós todos (sócios e adeptos ferrenhos e descontentes) e convém que, desta feita, se faça verdadeiramente sentir. Resta continuar a estrebuchar e ver se se força JEB a dar a importância e a atenção (ao invés de apoucar), a quem se preocupa com o rumo que o clube leva. E, já agora, a aplicar melhor o seu tempo e o nosso precioso dinheirinho…

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Um homem com qualidades


Fala-se muito nas qualidades que se reconhecem a PB como razão para a sua manutenção. Mas essas não são afinal as que deveriam ser a de todos os funcionários do Sporting? É PB o único treinador de carácter? Ou fala-se das suas qualidades humanas porque já pouco há a dizer do proveito que se tira do seu comando técnico?

Suponhamos então que PB até já tinha sido campeão. Isso faria dele o nosso treinador vitalício? Assim parece, pelo menos a avaliar pelo que se ouve de muitos Sportinguistas. Nesse cenário seria até bem capaz de chegar a presidente, se quisesse. Tudo isto aconteceria porque, para o bem e para o mal, a imagem de liderança no Sporting é carregada por ele, por omissão ou demissão de todas as outras partes. Com tudo isto, PB acaba por ser dos que mais perde, por ter de fazer vários lugares ao mesmo tempo. É por isso, parece-me, que a saída de PB é vista como um drama por muitos sectores.

Não podemos e não devemos relativizar ou exponenciar a importância de PB. É apenas o treinador do Sporting e é como tal que deve ser avaliado. Não estão em causa as suas qualidades humanas, nem sequer, neste momento, as suas capacidades técnicas. Não se trata de absolver ou condenar o técnico ou o cidadão. Perante o cenário que hoje se apresenta, a pergunta que deve ser feita é se ele continua a reunir condições, nas suas circunstâncias, de permanecer como técnico principal. Isto é, os interesses do Sporting ficam melhor defendidos com a sua permanência ou com uma nova liderança?

Pelos resultados e sobretudo pelas exibições, não creio. E estes não são de agora, parecem ter vindo para ficar. Este mau futebol está a comer por fora o Sporting como a ferrugem. Deixar passar mais tempo é deixar entranhar o mal. Que custos tem a indigência exibicional que tem caracterizado o Sporting, como perspectiva de carreira para os jogadores que forma, como desvalorização de activos, como desmobilizadora de adeptos? Quando devíamos estar a discutir a viabilização económico-financeira, talvez um novo modelo, o futebol arrasta-nos para o fundo como uma âncora. No fundo, quanto nos custa o PB ser um "bom homem"?

Provavelmente, na actual conjuntura, nada mudará. Jogam-se todas as fichas nas  2 semanas de paragem, no esquecimento, no regresso milagroso às vitórias ou nas escorregadelas alheias. É uma pena, porque voltaremos à casa de partida, mais uma vez. Mas sou até capaz de perceber: atrás de quem se poderão esconder todas as outras deficiências da estrutura leonina, caso PB não esteja? Afinal, manter PB pode ser também uma boa manobra de diversão. Robert Musil, autor do livro “O Homem sem qualidades” dizia que era mais difícil escrever um livro que governar um império. Morreu em 1942 e nunca deve ter conhecido um clube chamado Sporting Clube de Portugal, que daí a 2 épocas começaria a escrever das páginas mais gloriosas do seu império desportivo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Uma boa idade para ser campeão

Paulo Bento completou sábado 40 anos de idade. É a popularmente chamada entrada nos "entas", do qual só se sai pela dobragem de mais de um século de existência ou pelo fim desta. O técnico viu antecipada a data com a oferta, no dia anterior, de uma prenda há muito anunciada: a entrega, por mais 2 anos, do comando técnico da equipa principal de futebol.

Na cerimónia da passada sexta-feira merece-me destaque o tratamento por "tu" que o presidente Bettencourt dispensou ao treinador. Não há dúvida da cumplicidade e identificação pessoal que une os actuais líderes do futebol leonino, começando no presidente Bettencourt e vice Ribeiro Telles, passando por Barbosa e acabando em Bento. Espero e desejo que haja espaço para a auto-critica e para o contraditório, a bem de todos e sobretudo do clube.

Merece igualmente destaque a duração do contrato: metade do tempo da vigência da presidência de Bettencourt. Em contradição com o famoso "forever", indiciando uma postura de dúvida e prudência ou ambas? Julgo não ser ousado especular que Bettencourt percebe que o prazo de validade de Paulo Bento de leão ao peito está indexado, entre outras coisas, à conquista de um título de campeão nacional e que os Sportinguistas não o dilatarão por muito mais tempo.

Por último, mas de igual importância, o facto de Paulo Bento, cumprindo o agora contratado na sua totalidade, se ver confirmado como o 2º treinador Sportinguista que se senta mais tempo na mais difícil no mundo do futebol. Se tal acontecer, ficará perto das 6 épocas consecutivas de Joseph Szabo, um luso-húngaro que treinou o Sporting desde os finais da década de 30 do século passado até meados da 4ª década (1938/39 a 1953/54). Experiência que viria a repetir nos anos 50. Não deixa de haver alguma similitude no debutar de ambas as carreiras, pontuadas por segundos lugares, embora a 3ª época do húngaro tenha sido coroada com um campeonato nacional. Eis o palmarés de Szabo relativo à 1ª passagem pelo Sporting:
1938/39: 2º Lugar no Campeonato Nacional
1939/40: 2º Lugar no Campeonato Nacional
1940/41: Campeão Nacional e Vencedor da Taça de Portugal
1941/42: 2º Lugar no Campeonato Nacional
1942/43: 2º Lugar no Campeonato Nacional
1943/44: Campeão Nacional1953/54: Campeão Nacional e vencedor da Taça de Portugal

40 anos de idade é uma boa idade para ser campeão. Que seja a entrada de Paulo Bento na galeria muito restrita de treinadores campeões com a camisola mais bonita do Mundo. E arredores.

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