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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Ilori, um mau jogo de cabeça pode ser fatal para um defesa central

De todos os jogadores de quem se falava poder vir a ser transferidos Ilori era aquele que mais gostaria que prolongasse a sua estadia em Alvalade. Porque, além de Dier, era o jogador onde via mais potencial de crescimento. Como é defesa-central as atenções estavam postas em Bruma, que faz golos, algumas assistências e corre muito.

Sobre Ilori escreveu o Lateral-Esquerdo por duas vezes:

Tiago Ilori: Potencial incrível para poder tornar-se no melhor defesa português da próxima década. Tudo o que precisa é de acumular experiência jogando. Errar, corrigir, voltar a errar e voltar a corrigir. Precisa de ficar ou de saber escolher bastante bem o destino para que possamos contar com Tiago no futuro na selecção. Qualidades técnicas e potencial físico imenso.

Tiago Ilori. Potencial tremendo. Não é muito vulgar aparecerem centrais com tamanha velocidade, sobretudo aliando a tão importante característica condicional a qualidade técnica. É certo que acumulando experiência de competição dará o salto e tornar-se-à um central importante na selecção portuguesa A. Está numa fase de decisão do futuro, e tem de prosseguir a carreira num clube onde jogue sempre. Independentemente do nome do clube, é decisivo que some 30 jogos completos por época para que com as experiências adquiridas seja cada vez melhor na leitura e reacção às diferentes situações que encontra. É uma das atracções do Mundial de sub 20.

Constatar o potencial de um jogador, que em Ilori me parece indiscutível, não é o mesmo que o atirar no imediato para o patamar muito restrito dos craques de valor indiscutível. Falamos da promessa de um grande jogador, que se confirmará se ocorrerem um conjunto de circunstâncias que lhe permitam crescer. Jogar é a mais importante, estar inserido num projecto vencedor, que lhe dê foco também ajuda.

Esse potencial parece-me agora posto em causa se, tal como me parece à primeira vista, Ilori passe grande tempo entre o campo de treinos, a bancada e o banco de suplentes. A possibilidade de jogar numa segunda equipa do Liverpool não é mais promissora de sucesso, o empréstimo a um clube menor poderá ajudar.

É difícil de perceber a decisão de Ilori, se é que foi tomada por ele. Há apenas 2 razões que descortino poderem estar na base da decisão: o dinheiro em primeiro lugar. O ver-se tapado por Mauricio, que o tenha levado a pensar que "banco por banco o de Liverpool é mais "confortável". A ascendência inglesa poderá ser uma remota motivação. Mas abandonar o Sporting agora, onde me parece que iria ter oportunidades, parece-me uma má decisão. A rábula da renovação sempre achei que não justificaria o encostar na prateleira, atendendo ao facto de que tinha mais 2 épocas de ligação ao clube. Não sei se tal contribuiu também para a saída.

Os valores conseguidos pela venda de Tiago Ilori são substanciais e catapultam a transferência para as 10 melhores de sempre*. O Sporting recebe um valor muito elevado pela promessa de jogador, o que é um bom negócio.

Via Record


Essa constatação (de que foi um bom negócio) só pode ser contrariada se Ilori chegar a Liverpool e pegar de estaca. Aí os sete milhões e 500 mil euros mais a 25% da mais valia - isto é o Sporting terá direito a 25% do valor acima do que o jogador custou ao Liverpool - pareceriam um rebuçado, o que não creio vir a acontecer.

Resta-me desejar-lhe boa sorte, afinal é mais um dos muitos pin´s que o Sporting põe no mapa do futebol com a chancela da sua formação. Infelizmente e mais uma vez, cedo de mais.

*Na lista das 10 maiores transferências apenas Duscher e Wolswinkel não são jogadores formados no Sporting.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Fiore regressa roxa a Itália: algumas notas sobre o Troféu 5 Violinos

O troféu
A criação do Troféu 5 Violinos foi uma medida simples mas feliz e começou logo na criação do logótipo. Homenagear Jesus Correia, Vasques, Albano, Peyroteo e José Travassos não é apenas um acto de justiça é também homenagear o espírito leonino, a identidade Sportinguista. Essa que, tal como a muitos de nós, me seduziu e foi responsável pela minha escolha clubistica. 

Os 5 Violinos remetem-nos para o tempo em que o Sporting dominava o futebol português. Desses tempos não foi escolhido apenas um nome, que, pelas suas qualidades expressas em números impressionantes, podia ser Peyroteo. Escolhemos um conjunto de jogadores, os actores principais do jogo, que mais do que um solo, se notabilizaram pela música afinada para os olhos de quem teve a sorte de os ver actuar ao vivo. Esse espírito colectivo em que o resultado da soma das partes é muito superior à soma do seu valor individual isolado. O que se assistiu ontem em Alvalade, quando as claques colocaram acima das suas diferenças o que de mais importante todos temos em comum, insere-se no mesmo espírito. É um exemplo notável e que deve ser o mote para a campanha que se inicia a sério no próximo domingo.

A casa
Ainda antes de passar às notas relativas ao jogo não posso deixar de mencionar a assistência ontem registada em Alvalade, que terá rondado cerca de 18 mil espectadores. O que me remete para o post anterior, motivo de diversos insultos e reparos que me foram dirigidos por diversos meios. Não posso fazer nada pelos ileterados. Quem não sabe interpretar o que lê devia abster-se de fazer comentários. Mas a ignorância tem essa estranha virtude de não só conferir segurança como vir acompanhada de presunção. Já em relação à gentinha mal formada procuro não perder um segundo mais do que o esforço por não os confundir com o Sporting.

Não sei por isso qual foi a parte de "a melhor forma de elogiar e aplaudir a medida e o esforço feito pela direcção é dizer presente." que ficou por entender. A verdade é que o risco de, à medida feliz e há muito reclamada, não corresponder o número de Sportinguistas devido é grande por uma conjunção de circunstâncias: as férias, o calor a convidar à praia e a sempre incontornável crise que certamente condiciona as escolhas de muitos Sportinguistas. É por isso muito importante, até para conferir autoridade a quem terá a cargo negociações futuras, que todos quantos pudermos estejamos presentes. E para ganharmos o direito de pedir medidas idênticas quando o verão se for.

O jogo
Foi um jogo feliz. Pelo resultado e pelo decurso dos acontecimentos. Marcar relativamente cedo, ainda por cima com um golo monumental de Montero, era o que poderíamos pedir, se estivéssemos a falar de discos pedidos. Enfrentarmos a Fiorentina em vantagem é muito mais confortável do que ter que jogar à procura dela, dá confiança. Fiorentina que tem dos melhores plantéis dos últimos anos, o que só valoriza a nossa vitória e os números conseguidos.

Jogo que nos trouxe a confirmação de que Leonardo Jardim se parece inclinar mais para um 4x4x2 com Montero na frente com Wilson Eduardo, se atendermos a que repete o esquema do 11 inicial com o Braga, fugindo ao que era habitual nas equipas dele. A verdade é que as escolhas para as alas estão muito condicionadas: Capel dificilmente faz aquilo que ele pede habitualmente aos extremos, os tais movimentos de aproximação ao centro a partir das linhas. Os rumores do mercado, à procura de Pizzi e Gama, significam que Jardim procura fora algo que entende não ter disponível em Alvalade e talvez expliquem a opção. E, ao contrário do que se diz, Bruma faz falta, ou alguém que fizesse o que ele fazia.

Alguns destaques individuais
Não fiquei surpreendido com Rúben Semedo. Vi-o actuar ao lado de Tobias Figueiredo e no seu escalão é dos melhores. Ontem, já num patamar mais elevado, demonstrou, se preciso fosse que, quem tem jogadores como ele, Dier, Reis, Tobias, Ilori e se tem que sofrer golos idênticos ao do último jogo com o Braga mais vale apostar neles do que gastar dinheiro com quem lhes tape a progressão.

É ainda cedo para etiquetar em definitivo Magrão, sobretudo porque vem de um período longo de inactividade, cujo inicio foi no passado mês de Fevereiro. A falta de ritmo é notória e continua a ter pouco acerto com a baliza, mesmo em circunstâncias favoráveis. Não é um extremo mas sim um interior. O mesmo para André Martins, que se sente muito condicionado pela proximidade da linha. Assim está mais  longe de Montero, não podendo por isso oferecer-lhe jogo como sabe. E Montero precisa de jogo e bola, sobretudo se estes puderam acontecer antes da área, onde é sufocado pelos centrais. Ontem fez um golão, revelador de espontaneidade e faro pela baliza que não é casual, como se pode ver abaixo:

Importância e significado
Não gosto de falar em "ses" quando se perde, não vejo motivos para o fazer quando ganhamos. Cada jogo tem a sua própria história e acima das circunstâncias de cada 90 minutos está o valor de cada equipa. Como é óbvio ninguém imagina quem em 10 jogos em que defrontemos a Fiorentina ganhemos muitas vezes 3-0. Porém, também não deixa de ser verdade que o Sporting ganhou a um clube que acabou o último campeonato italiano em quarto lugar e tem um plantel com um lote muito respeitável de jogadores. Tal não pode ser desvalorizado.

Não há, nem a feijões, vitórias dispensáveis. Esta assume particular importância neste momento, por ser a seguir a duas derrotas no Guadiana e a uma semana do inicio do campeonato. É importante porque reforça a confiança da equipa e a esperança dos adeptos. Mesmo sabendo que o Arouca não vale tanto como a Fiorentina mas pode vir a Alvalade causar-nos mais aflições que os italianos.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Chegou o pinheiro para Jardim: aí está Slimani, Super Slim para os amigos

Segundo a Antena1, assim de fininho, chegou Slimani Islam. Tem 25 anos, 1,87. Argelino, até agora jogador do Belouizdad e regularmente titular da selecção do seu país. Atendendo ao seu perfil físico estará destinado a colmatar uma vaga no esquema de Jardim, que carecia de um avançado que servisse de referência ao seu 4x3x3.  No último campeonato apontou 6 golos nos 30 jogos realizados e 10 golos nos últimos 14 jogos pela sua selecção.

A propósito deste jogador dizia Rui Malheiro na sua coluna sobre prospecção no jornal "O Jogo" no passado mês de Junho:

"Goleador da selecção argelina, onde tem vindo a fazer dupla com o vimaranense Soudani, apontou ao longo do último ano 9 golos em 13 jogos, o que despertou o interesse de clubes europeus.  Avançado centro poderoso do ponto de vista físico, patenteia astúcia a movimentar-se no limite do fora-de-jogo, ao tirar partido da sua mobilidade. Pouco virtuoso tecnicamente, é oportuno e agressivo dentro da área, define por norma com o pé direito ou através do jogo aéreo"


Ir a banhos ao Algarve e apanhar água fria

Rasgadinho(Foto A bola)
Um jogo de futebol feio ditou a primeira derrota da era Leonardo Jardim. Mas, por mais desagradável que possa ter sido à vista, o jogo de ontem acabou por ser um treino para um tipo de jogo que poderemos vir a encontrar em algumas equipas do campeonato. Não serão muitas, mas não seria improvável que  encontrássemos no Marítimo de Pedro Martins, o Nacional de Manuel Machado (apesar do jogo anterior não ter dado essa indicação), ou até os Vitórias (de Setúbal e de Guimarães) a mesma vontade de procurar dividir o jogo através de lançamentos directos para a referência atacante, evitando o pressing na saída de jogo e no meio-campo.

Não se pode dizer que Jardim não estivesse de sobreaviso. A equipa jogou uns metros mais abaixo do que havia feito em jogos anteriores, como que dizendo que sabia ao que vinha. Mas raras vezes conseguiu adaptar-se ou reagir às dificuldades impostas pelo adversário embora,  das raras ocasiões que pôs a bola no chão - sobretudo Carrilo e Adrien - facilmente conseguia transpor a horda de jogadores adversários para quem o presunto ia até ao pescoço. Ao deixar-se envolver em picardias com o adversário, ao invés de usar a inteligência e frieza para o contrariar, o Sporting ofereceu em bandeja a vantagem que o adversário procurava. Um erro primário que serve de aviso para quando estiverem em jogo mais do simples torneios de verão.

Assim, do ponto de vista da construção de jogo ofensivo, não houve qualquer progresso digno de registo. A forma como chegamos ao golo foi tão aleatória que não serve de referência. A sorte do jogo acabaria por ser decidida por via de erros defensivos, nem todos por culpa exclusiva da extrema defesa. Aliás, se o futebol é um jogo colectivo, os erros devem ser assacados à equipa, sendo que os defesas e guarda-redes são "apenas" os últimos a falhar. No primeiro golo não consegui perceber bem, mesmo após as repetições, o posicionamento defensivo e respectivas movimentações individuais, mas fica a sensação de uma enorme ingenuidade como grande parte dos jogadores se deixa atrair até a lateral, deixando o centro do terreno apenas a cargo de William e Evaldo.  O primeiro ficou batido e o segundo estava a pensar na morte da bezerra. Situação que se se repetiria no lance do terceiro golo, de forma mais ou menos semelhante. No segundo o West Ham em 3 toques, sem qualquer oposição defensiva, tira a bola da sua zona defensiva para chegar ao golo.

Dado o cariz do jogo não me parece muito importante fazer distinções individuais. Não há dúvida que ainda há muito trabalho para Jardim, seria sempre assim nesta altura da época, o jogo de ontem encarregou-se de o deixar à evidência, em particular para quem andasse distraído. Mas se nem a feijões é bom perder, estes são os jogos em custa menos e de onde se podem retirar alguns ensinamentos para o futuro. A próxima jornada do torneio, em jogo com o Braga, é bem capaz de ser uma ferramenta mais útil na observação das qualidades e defeitos da equipa e até do plantel.

Uma nota final para Bruno de Carvalho e Inácio. Como o segundo bem saberá aquele é o lugar por excelência do treinador tal como o a ponte de um navio é do comandante. O "ruído" permanente à sua volta, a presença de pé ao seu lado, como ontem foi visto várias vezes em diversos momentos é de todo desaconselhável, mesmo em jogos a feijões. Raspanetes a jogadores - a ser verdade o que o reporter da RTP referiu relativamente a Bruno de Carvalho e William Carvalho - equivale à desautorização e menorização do treinador. Falta do mais elementar bom-senso e de saber estar no seu lugar. Irreal! Duvido que Leonardo Jardim (ou qualquer outro treinador) faça de conta de conta que não viu muitas mais vezes.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Labyad de craque a malandro, um sinal dos tempos

Será?
Correm rumores que a ausência de Labyad se deve ao veto de Bruno de Carvalho e não a uma opção técnica de Leonardo Jardim. E esse veto teria a ver com o facto do jogador "ganhar muito e não se esforçar nos treinos", versão ventilada pelas pitonisas de serviço.

Até prova do contrário recuso-me a acreditar nesta versão. 

1 -  Porque não acredito que se um jogador corresse pouco nos treinos ou em campo teríamos que esperar que fosse o presidente a mandá-lo descansar. Isso seria admitir que o treinador  seria incompetente, o que não parece ser o caso. Fica por perceber porque razão quem dá vento a estes rumores não o constate e o quanto isso fragiliza o treinador, acabado de chegar e cujo trabalho tem merecido apreciação positiva.

2- Por me recusar a ver o treinador como incompetente, não acredito que ele aceitasse este tipo de intromissão numa área que é apenas sua.

3- Porque me recuso a acreditar que se de facto o jogador tem um salário incomportável para o clube este seja o método que (i) valorize o jogador aos olhos do mercado, por forma a despertar o interesse de um clube que nos livre do pesado encargo e, por último, mas não menos importante (ii) que o método honre um clube como o Sporting Clube de Portugal.

Do regozijo dos Sportinguistas por termos contratado um dos jovens jogadores mais promissores do Mundo e, em simultâneo, o termos resgatado aos rivais FCP e SLB já só resta o odioso de ser olhado como um empecilho. Um sintomático sinal dos tempos que correm.

Há dois meses esta situação já não era difícil prever, pelos comentários que se iam gerando, que mais tarde ou mais cedo o "problema" passaria a ser o jogador, por isso escrevi este post:

Aí está Zakaria, El Diablo

sábado, 3 de agosto de 2013

Um regresso que se saúda

Filipe Vieira de Sá pode não dizer muito aos leitores, mas se falarmos no Jogo Directo já quase todos saberão identificar. Está de regresso às publicações, um regresso que saúdo e que vem completar um espaço que tinha ficado por preencher com a sua ausência. Deixo excertos de cada um dos 3 parágrafos "roubados" do seu primeiro post, cujo teor integral pode e deve ser lido no Jogo Directo. O interesse é reforçado porque corresponde à análise do pretérito jogo com o Nacional.

Estruturalmente, o ponto que mais destaque me merece é o papel dos médios. Jardim distingue as relações entre os centro campistas em função de ter, ou não, a bola. Isto é, o 4-3-3 que se vê com bola, com um médio mais posicional, transforma-se num 4-4-2 quando a equipa aborda a organização contrária, definindo três linhas bem evidentes, com um dos médios (até aqui André Martins) a juntar-se ao avançado, e distribuindo simetricamente o papel dos dois médios que se posicionam na segunda linha defensiva. Num defeso que parece destinado a debates sobre "pivots" e "duplos-pivots", podemos perguntar se, afinal, o Sporting joga com "mono pivot" ou com um "duplo pivot"? ou se o seu sistema será 4-3-3, 4-2-3-1 ou 4-4-2?

(...)esta opção de Jardim em relação ao papel dos médios parece-me ter implicações importantes em relação à dinâmica da equipa. Particularmente, o posicionamento dos dois médios mais adiantados, quando em posse de bola, tem uma tendência previsível para conservar alguma assimetria, com o lado direito a ter um médio com maior propensão ofensiva do que o seu homologo do lado contrário.(...)a consequência principal de tudo isto tem a ver com as implicações na dinâmica ofensiva da própria equipa, sendo provável que a assimetria seja uma das características deste novo Sporting.

A equipa não fez dois jogos brilhantes - provavelmente não poderia mesmo fazer nesta fase - mas soube sempre adaptar-se às diversas circunstâncias que lhe foram surgindo. Em particular, foi sempre uma equipa bem organizada e solidária, conseguindo manter quase sempre uma boa presença numérica na zona da bola, o que facilitou a tarefa dos seus defensores. Paralelamente, foi também uma equipa pragmática com bola, cometendo muito poucos erros em fase de construção, o que é decisivo para precaver situações mais complicadas em termos de transição defensiva. Por tudo isto, parece-me que o ponto decisivo para a definição do patamar que este Sporting pode, ou não, atingir reside no binómio especificidade-qualidade.(...)em Alvalade Jardim ainda tem um longo caminho a percorrer, mas sou da opinião de que é pela via da especificidade que o Sporting poderá alavancar a sua qualidade e, consequentemente, a eficácia dos seus processos.

No plano individual, o tempo de análise não me permite conclusões muito sólidas. Ficam, ainda assim, as minhas notas sobre dois jogadores em destaque neste inicio de temporada, reforçando de novo que o tempo para grandes ilações é ainda escasso: William Carvalho e Maurício. Quanto ao primeiro, é de facto uma boa revelação, mas não posso ainda partilhar de algum entusiasmo excessivo. Surpreendente sobretudo a sua eficácia e sobriedade em posse, mas há um enorme exagero em relação à sua capacidade interventiva na fase defensiva.

Quanto a Maurício, o tempo é ainda curto para conclusões e beneficiou do bom comportamento colectivo, mas revelou-se um jogador bastante assertivo nestes primeiros dois jogos. Com bola, não será provavelmente um primor técnico mas manteve sempre um bom critério, o que é o fundamental para a sua posição. Sem bola, revelou-se um jogador bastante dominador na sua zona de intervenção, ganhando a esmagadora maioria dos duelos, seja em organização, seja em transição.




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Nacional - Sporting: o que é nosso é bom

O Sporting prosseguiu ontem a sua preparação, jogando com o Nacional em casa emprestada a este. Há males que vêm por bem e os tais problemas logísticos que impediram a viagem à Côte d'Azur, empurraram-nos para um adversário que, quanto a mim, é mais adequado ao propósito em vista: preparar a equipa para o campeonato. As especificidades do nosso, em particular para as obrigações de um grande que este ano não tem competições europeias, tornam mais fácil encontrar aqui as dificuldades dos jogos da Liga do que noutro lugar qualquer.

O velho problema
O jogo de ontem acentuou a impressão deixada no anterior. Leonardo Jardim ainda tem que trabalhar muito e dar muito trabalho aos jogadores. Nada de anormal se atendermos ao tempo que Jardim tem no clube e do momento da época. Mas é evidente que o problema não solucionado pelos que o antecederam permanece para já. Uma equipa como o Sporting deve passar mais de 65% do tempo do campeonato (percentagem intuitiva, não baseada em dados rigorosos) a organizar o seu jogo a partir do seu guarda-redes ou defesas centrais, com o adversário atrás da linha da bola. 

A eficácia do ataque organizado é por isso fundamental e a sem ela torna-se difícil fazer chegar a bola a zonas do campo onde é mais fácil finalizar e onde, por norma, estão os elementos mais vocacionados para o fazer, os avançados. Ora a bola ainda demora muito a chegar lá à frente sobretudo a partir do jogo interior. Demorar muito tempo popde não ser propriamente um problema, chegar poucas vezes e em condições  de difícil sucesso já é. A tarefa (e a observação das suas qualidades) dos avançados é muito difícil, especialmente para a unidade de referência, o ponta-de-lança. Como dizia no post sobre o jogo com a Real Sociedade, este é o telhado da casa e por isso, e pelas dificuldades inerentes ao próprio processo, o que demora mais a consolidar. Aguardemos.

De facto o Nacional foi um bom adversário para testar a qualidade do nosso jogo face às necessidades da Liga. Sofreu um golo muito cedo e nem esse facto o levou a desmontar a tenda lá atrás. Algo que será comum a quase todas as equipas com quem nos cruzaremos no campeonato. Já mais para o fim tentou esticar o seu jogo até à nossa baliza, abrindo espaço para as transições ofensivas de que tanto Jardim gosta. Aí conseguimos aparecer mais vezes e com mais perigo, construindo mais ocasiões para dilatar a vantagem.

Segundo jogo, segundo zero
Eliminemos a época passada da comparação, pela sua anormalidade, mas talvez estejamos a construir uma equipa que nos fará regressar aos bons tempos de Paulo Bento no número de golos sofridos. Não terá sido por acaso que ontem efectuamos o segundo jogo registando o segundo nulo nas nossas balizas. Esta é também uma das marcas de Jardim nas suas equipas, a eficácia defensiva, a par de igual qualidade ofensiva. É neste equilíbrio que se definirá a nossa sorte.

Algumas notas individuais

Eric Dier: parece um veterano. Grande parte da sua qualidade como jogador advém-lhe da sua estrutura mental que lhe proporciona uma aptidão invulgar para ler o jogo e a ele estar permanentemente ligado, concentrado. São essas qualidades que o levam a poder fazer vários lugares. Uma delicia ver este miúdo jogar, uma delicia para qualquer treinador.

Evaldo: Não é um artista mas não é tão mau como pintam. É um bom segunda linha para qualquer eventualidade. Defende bem e isso pode levar Jardim a pensar duas vezes, até porque parece ser um bom profissional.

William Carvalho: mais um leãozinho tirado da enorme cartola que é a Academia. Pode tornar-se num caso sério. Gosto do tenho visto e gostei particularmente que se assumisse como Sportinguista em recente conferência de imprensa. O seu ex- treinador na Bélgica teceu recentemente os melhores elogios relativamente às suas qualidades humanas e profissionais e acabou defini-lo como algo parecido com "um maluquinho pelo Sporting". Segundo ele passava a vida a falar sobre o clube e sempre à procura de tudo o que relacionava com o clube.

Rinaudo: é o mesmo jogador de sempre mas a fasquia está-lhe agora muito alta com a aparição de William Carvalho. Como tem uma enorme alma ainda podemos contar com ele. E se olhar para o que o miúdo faz de certo que se tornará ainda melhor.

Adrien Silva:Para o jogador com o seu potencial é indiferente triunfar no Sporting porque o conseguirá fazer noutro lado qualquer, se não houve anormalidade no seu percurso. Já para o Sporting não é indiferente. É importante, como sinal para a Academia, ser possível resgatá-lo ao destino que teve Pereirinha, Carriço e Pedro Mendes, só para falar nos mais recentes. Tal como eles, Adrien não é o próximo Ronaldo. Não está a ser melhor do que nunca, está apenas a ter uma época normal, sem casos o que o torna numa peça importante, tal como qualquer um dos citados poderia ainda ser.

Chaby:Como diria o Koba, tem nome de artista e isso vai ajudá-lo muito. Precisa de crescer, não tanto em altura mas em músculo, mas tem talento e para esse há sempre espaço se lhe dermos o tempo.

Carrillo: dizia a brincar ontem que precisava de ter um pouco da maturidade de Dier para ser o craque que anuncia ainda de forma demasiado intermitente. Mas isto é como pedir a bon-vivant que tenha juízo e se case, é matar um pouco daquilo que é. Mas precisa de saber jogar mais simples, evitar o último adorno, dosear o esforço fisico. É com o decorrer do tempo que isso fica mais evidente, porque lhe vai faltando as forças e discernimento para serpentear como uma "culebra" que de facto é, mas que não sabe como soltar todo o veneno que tem dentro dele.

Montero: Já mostrou quem tem pés e isso no futebol até é mesmo importante. Começou como deve qualquer goleador, marcando golos. Algumas dúvidas se poderá ser um "9". Só se explica a aparente falta de trabalho muscular num jogador da sua posição por ter andado por ligas menores e talvez isso explique também porque fez grande parte da carreira como segundo avançado. Aquelas "reviengas" na grande área apelaram à imagem de Matias Fernandez, não foi?

Nota final
O Sporting tem nos seus plantéis da equipa A e B um lote de jogadores de grande qualidade, por sinal os mais promissores de todos serão os formados na casa. Se, como organização colectiva, soubermos fazer a transição que agora é necessária, evitando os erros quase sempre repetidos nos últimos anos, não devemos ter receio do futuro. Devemos isso a estes miúdos talentosos mas devemos sobretudo ao grande clube que somos.

Jogaram:
Rui Patrício; Cédric, Eric Dier, Maurício e Evaldo; William Carvalho, Adrien Silva e André Martins; Filipe Chaby, Montero e Carrillo.

Jogaram ainda: Marcos Rojo, Jefferson, Rinaudo, Wilson Eduardo, Marcelo Boeck, Capel, Welder, Ponde e Labyad.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Breve balancete da pré-época

A mais ou menos um mês do final da janela de transferências um balanço rápido sobre o que tem sido o defeso. 

Programação da época
Demasiado acidentada. Até agora 2 jogos anulados sem explicação satisfatória para o sucedido. As razões logísticas para o adiamento do jogo em Nice não foram suficientes para que a Roma lá se apresentasse à última hora, como aqui foi bem observado.

Abordagem do mercado: Ficará sempre indelevelmente marcada pela inabilidade com o que o dossier Bruma foi abordado, mesmo que este venha a ser remediado, embora haja efeitos perniciosos que não poderão já ser anulados. E também pela truculenta relação com os empresários e com os clubes (negócios Thuram, Viola). Demasiadas frentes em aberto, demasiada exposição com efeitos práticos nulos ou até negativos. Um livro antecipadamente aberto em relação aos jogadores pretendidos, com desfechos negativos perniciosos para a imagem do clube.

Vendas / Dispensas: O dossier mais difícil de resolver tendo em conta o elevado lote de jogadores, com elevados salários e valor de mercado em baixa e que por isso só deverá conhecer o desfecho nos últimos segundos. Não será porém surpreendente que um ou outro jogador acabe por continuar ligado ao clube, por comodismo proporcionado por um ordenado chorudo ou por falta de pretendentes ou ambos. Pela dificuldade envolvida requer paciência e nervos de aço.Valores muito baixos no negócio com o PSV por Schaars / Árias. Critério muito duvidoso nas dispensas de Farley Rosa, Luiz Cortês e Ricardo Tavares na formação.

Aquisições: Cissé, Welder, Mauricio, Magrão não acrescentaram nada ao que não tivéssemos já no plantel ou não pudéssemos remediar. Apesar do valor de Montero ser ainda uma incógnita, dificilmente não significará uma melhoria, face ao que Jardim tinha à disposição. São muitas as dúvidas de estas serem as tais aquisições cirúrgicas ou se andamos a gastar no farelo e poupar na farinha. Experiências anteriores com jogadores à procura da redenção ou do relançamento das suas carreiras (Angulo, Paredes, Pranjic, Bojinov, etc.) também ajudam pouco a ver algumas destas aquisições com confiança, especialmente o caso de Magrão, o mais caro de todos. Face aos jogadores já em carteira e ao momento financeiro 2 a 3 aquisições seriam suficientes, o que constituiria uma mensagem coerente com a "aposta nos jogadores da casa".  Para lá deste número, a haver mais, seriam em função de saídas, como pode acontecer com Patrício ou outro eventual bom negócio.

Melhor contratação: Leonardo Jardim. Pelo que se pôde ver no jogo de apresentação, os princípios são bons. Com a assimilação dos conceitos e consolidação de processos é expectável  mais consistência e evolução positiva.  Dúvidas legitimas sobre o que seremos capazes de fazer no último terço do terreno. Tal estará também dependente do material humano à disposição do treinador, o que até agora me parece insuficiente. Mas como é também o telhado, é por aí que a construção de uma equipa acaba. Aguardemos. O que todos esperamos dele é consiga o fundamental em qualquer equipa de futebol: que o todo seja superior à soma de todas as partes. Isso conseguido e as insuficiências e limitações individuais acabam por passar despercebidas.

A renovação de João Mário e William Carvalho, de entre as efectuadas com jogadores da casa até ao momento, são excelentes noticias pelo que já valem e pelo que valerão no futuro.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Orçamento Magrão

Welder e Gerson Magrão são dados como certos no plantel 2012/13 do Sporting. Duas aquisições que lançam uma série de interrogações sobre a politica de contratações e dispensas adoptada nestes últimos movimentos no mercado.

O dinheiro, a sua falta ou o seu excesso, nunca substitui a inteligência, o conhecimento do meio e uma boa prospecção. Num clube que produz jogadores em quantidade e qualidade  e e que vive um momento de dificuldade financeira, essas são qualidades que devem estar ainda mais apuradas. O orçamento não pode funcionar como uma desculpa para se comprar por comprar. E quando se fala já em Orlando Sá fica a pergunta no ar: quem vão ser os tais vinte jogadores do plantel principal?

Magrão, o substituto "perfeito" de Schaars
Magrão chega do Figueirense, de onde foi dispensado por causa do rendimento abaixo do esperado, do vencimento alto e das lesões graves reincidentes. A sua expulsão num jogo com o Chapacoense atirou-o para fora das opções do treinador, deixando de contar para ele desde Fevereiro. As diferenças de opinião relativamente ao lugar a ocupar na equipa - lateral esquerdo ou médio - agravaram o problema. 

Aquando da venda de Schaars ao PSV os motivos invocados eram precisamente os mesmos,  salário elevado, rendimento irregular por causa de repetidas lesões, se bem que a a de mais demorada recuperação foi uma fractura. Se a ideia era buscar alguém que o substituísse emulando os mesmos problemas dificilmente se poderia encontrar melhor. Com a vantagem para o holandês, de conduta irrepreensível nos 2 anos de leão ao peito. 

Welder
Ao contrário do seu compatriota, que até tem algum estatuto adquirido pelas passagens por Flamengo, Dinamo de Kiev, Welder é  um desconhecido. E dificilmente pode aspirar a mais quem tem passado os últimos tempos no banco e sobretudo na bancada. Árias passou 2 anos cá quase na mesma mas tinha outro percurso como internacional do seu país. Dispensá-lo pelo preço de saldo para ir buscar um outro ainda mais desconhecido é um risco que dificilmente se compreende.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Montero: nem lobo, nem falcão

Montero foi ontem apresentado com pompa e circunstância em Alvalade. Sobre ele escrevi aqui há dias isto e mantenho:


Um jogador com um perfil interessante, à procura da afirmação de uma carreira que prometia muito quando apareceu no Atletico da Huila como melhor marcador do Torneio Apertura e confirmado no regresso ao Deportivo de Cali. Apesar da aparência frágil e não ser especialmente alto, não se intimida, é rápido e tem um razoável jogo de cabeça, a que associa um drible curto e bom remate. É também um bom executante de bolas paradas e assiste com frequência os companheiros melhor posicionados. Não é um 9 puro e isso levanta uma questão: irá, caso se confirme a sua chegada, ser adaptado por Jardim? A sua velocidade encaixa-se na perfeição no perfil usual das equipas do treinador madeirense, que privilegia as transições rápidas, mas fica a dúvida se poderá ser a referência no ataque. O facto de vir de uma liga menor tem pouca importância, não faltam por aí jogadores que nos dariam muito jeito.

Desde o Bueno que não faço análises pelo que vejo no Youtube. Como o trajecto de Montero passou sempre ao lado das principais ligas, não há outra fonte para avaliar a qualidade do nosso novo ponta-de-lança, o que é o mesmo que dizer que este é ainda uma grande incógnita. Que precisa do usual tempo de adaptação, a que certamente ajudará muito que a família se junte a ele. Não apenas os progenitores, como acontecia nos Estados Unidos, mas especialmente a mulher - americana - de quem espera o primeiro filho, neste caso filha.

Enquanto aguardamos pelos primeiros toques na bola  o pior que se pode fazer é colar a imagem do recém-chegado à de outro qualquer jogador. Fredy Monteiro é bem diferente de Wolfswinkel - que já não está cá -  e mesmo de Falcão, com que divide apenas a nacionalidade. A comparação já feita é absurda tendo a conta a diferença de estatutos e, tal como outras feitas no passado, tendem a prejudicar mais do que a ajudar quem procura a sua própria afirmação. E não sabemos onde estaria hoje Montero se, além de voar sobre os centrais, fosse capaz de roubar dois anos à velhice.

Para terminar o vínculo ao Sporting. O empréstimo tem vantagens óbvias sobre uma opção definitiva quer do ponto de vista técnico como económico. A discrepância entre o anunciado formalmente pelos clubes e pelo presidente era desnecessária.


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P.S.- Tenho más noticias para "os amigos da onça" que, na ausência de posts no passado fim-de-semana, aqui deixaram comentários apenas compreensíveis por alguém que partilhe igual baixo nível. De forma aprioristica e sonsa, sem cuidar de saber os motivos que levaram a que tal acontecesse - quando podiam vir congratular-se com as vitórias que, tal como as derrotas, são de todos os Sportinguistas - apressaram-se a produzir acusações sem qualquer sentido. Como se as vitórias não fossem minhas também ou até conseguidas apesar de mim e contra mim. Ou que estas me deixassem triste a ponto de nem lhes fazer referência.

Isto sim não é normal, revela um sportinguismo infectado, a escorrer pus na caixa de comentários Esta celeridade em condenar anula por completo a legitimidade de qualquer critica. É uma mera tentativa de ajuste de contas apenas porque não gostam da minha opinião. Azar, continuarei aqui a escrever quando, onde, como e sobre o que eu quiser.

Fica aqui o registo porque não sou santo e muito menos Cristo, capaz de dar a outra face. Quem sabe se Ele não tivesse sido tão compreensivo e benevolente há 2000 anos não teria erradicado várias série de gerações de crápulas.

PPS- Ainda não li a recente entrevista de Bruno de Carvalho. Assim que o faça e se achar que merece post aqui  darei conta disso. No entanto congratulo-me pelo meio escolhido, o site do Clube. Ao contrário dos outros meios, ali só não lê quem não quer.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Então meninos? Os Sportinguistas merecem melhor!

Foto de @NadiaMatosCTV
V
Como o resultado deixa antever não deve ter sido grande coisa a exibição do Sporting no primeiro jogo da digressão ao Canadá. O adversário era demasiado modesto para nos obrigar a recuperar de um resultado negativo com aparente dificuldade. 

Esperemos que o Peñarol provoque outra motivação aos jogadores de forma a premiar a fantástica adesão dos adeptos leoninos sediados do lado de lá do Atlântico. Fontes no local estimam a presença de cerca de 2000 adeptos, o que é uma inequívoca demonstração da grandeza do nosso clube.

SPORTING: Marcelo Boeck (Rui Patrício, 46m); Rúben Semedo (Cedric, 16m), Maurício, Marcos Rojo (Zezinho, 86m) e Jefferson (King, 78m); Rinaudo (André Santos, 66m), Adrien Silva (Filipe Chaby, 61m) e Labyad (Wilson Eduardo, 46m); Capel (William Carvalho, 66m), Nii Plange (Cissé, 46m; Christian Ponde, 85m) e Carrillo (André Martins, 38m). 

GOLOS: Champman (40m), Filipe Chaby (76m) e Wilson Eduardo (78m).

Foto de @NadiaMatosCTV




terça-feira, 16 de julho de 2013

Nem gastar no farelo nem poupar na Fariña

Parece que a Luis Fariña lhe vai acontecer o mesmo que aconteceu ao Dr. Bebiano. Ia apanhar um autocarro para o Lumiar e, quando deu conta, desembarcava lá para os lados de Carnide. Há males que vêm por bem e o aparente desvio de Luís Farinã para uns poucos quilómetros mais acima inscreve-se perfeitamente nessa asserção popular. 

Senão vejamos:

O jogador está longe de merecer o estatuto de titular indiscutível no imediato, que me parecem, salvo raras excepções, deverem ser todos os jogadores que o Sporting decida fazer o esforço de contratar por razões óbvias. O Sporting tem, neste momento - ao contrário de outros sectores - um leque de jogadores para o seu meio-campo  quer em número quer em qualidade, que obriga a quem chegue possuir um nível muito acima do razoável. Seria mais do que provável que Fariña ainda tivesse que sofrer um período de adaptação que o Sporting actual não lhe pode conceder. Ao contrário do que deveria ser, esta contratação seria, por isso, tudo menos "cirúrgica", constituindo assim um sinal contraditório para politica de aposta nos recursos da casa. 

Claro que o que agora é dito não anula o que o jogador, à semelhança de outros compatriotas, possa vir a evoluir nas mãos de Jesus. Esta é uma análise em função do momento e das circunstâncias desportivas e económicas do Sporting.

domingo, 14 de julho de 2013

PSV leva Schaars e brinde? Um grande reforço já em Alvalade e mais 3 apontamentos

Schaars: Pena de ver sair alguém que, desde a primeira hora, me pareceu um bom jogador, um bom profissional e, aparentemente, perfil de líder. Mas é um daqueles sacrifícios anunciados que sabemos ter de fazer. A idade do jogador, o vencimento e as muitas opções para o meio-campo, bem como o longo período lesionado, fazem da sua saída das que menos se sentirá dentro do leque de jogadores potencialmente titulares em que Schaars se inseria.

Árias - Não sou dos que tinha visto grande potencial no jogador. Aliás viu-se tão pouco e o pouco que se viu não permitiu tirar conclusões. O facto de ter passado pela mão de tantos treinadores sem merecer uma aposta declarada também diz alguma coisa. Sem grande pena de o ver o partir fica apenas a dúvida de quanto valeu a sua transacção. Dúvida que ainda não foi esclarecida nem pelo PSV nem pelo Sporting. Seria importante que o Sporting o fizesse para não parecer que o clube holandês levou o Schaars e ainda teve direito a brinde.

Renovação de Esgaio e João Mário- Uma excelente noticia e que equivalerá a libertar João Mário da B para a equipa principal para que finalmente se possa assumir como um dos jogadores mais dotados da sua geração. Já Esgaio ainda não me convenceu totalmente, provável infelicidade minha, por não ter ainda visto todas as qualidades que se lhe apontam. Tem pelo menos as suficientes para ter merecido outra aposta do seleccionador no pretérito campeonato do Mundo.

Primeiro jogo - Sem ter visto o jogo e até levando em linha de conta o adversário e o facto de ser o primeiro da época, fica apenas o registo de quem jogou e de quem marcou:

Rui Patrício; Cédric, Fokobo, Rojo e Jefferson; William Carvalho, Adrien e André Martins; Wilson Eduardo, Viola e Diogo Salomão. 


Jogaram ainda: Capel, Betinho, Marcelo Boeck, Rúben Semedo, Maurício, Seejou King, Rinaudo, André Santos, Labyad, Carrillo, Zezinho, Cissé e Nii Plange.

Golos de André Santos, Capel, Labyad e Cissé.


Os meus amigos que vêem primeiro do que eu: Depois da rescisão do contrato de Bruma com Zahavi e assim que começaram a surgir os primeiros problemas com Bebebiano e Baldé, dizia-me um amigo que ainda iria ser o empresário israelita a desbloquear o imbróglio. Na altura pareceu-me um retorno impossível que, ao que parece, a realidade acaba de desmentir. Talvez seja mesmo a única saída que evite que o Sporting perca tudo neste processo rocambolesco. Se tal for conseguido, e no pé em que as coisas estão, serei o último a reclamar, apesar de me agradar pouco a posição em que se colocou o presidente do clube.

Adenda: Já depois de colocado o post tomei conhecimento dos 24 jogadores eleitos para a digressão ao Canadá:


Rui Patrício, Marcelo Boeck, Maurício, Jefferson, Marcos Rojo, William Carvalho, Ruben Semedo, Cédric Soares, Eric Dier, Seejou King, Diego Capel, André Carrillo, Labyad, Rinaudo, Adrien Silva, Diogo Salomão, André Santos, André Martins, Filipe Chaby, Zezinho, Nii Plange, Cristian Ponde, Wilson Eduardo e Cissé.

Surpresa para a chamada de Cristian Ponde, Nii Plange e Chaby. No sentido contrário as ausências de Viola, Betinho e, claro, João Mário.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Respeito pelo sócio 20.934-0

O exemplo do sócio Hugo Miguel Almeida da Costa Lopes deve merecer o devido destaque. Profissional de futebol oriundo das escolas do Oriental, a sua carreira haveria de o levar primeiro a passar pelos nossos maiores rivais antes de vestir a camisola do clube do seu coração. 

Um trajecto inverso àquele que tem levado muitos jogadores formados na nossa escola. Ao contrário também da quase totalidade de alguns deles, que devem ao clube uma parte importante do que aquilo que hoje são, Miguel Lopes é também sócio de há muitos anos, condição que manteve mesmo quando passou pelas casas dos rivais. 

Um exemplo também para o universo sportinguista, em que muita gente se acha no direito de dar lições de sportinguismo mas cuja ligação ao clube nunca foi outra que não conversa da treta.

O meu respeito ao sócio número 20.934-0, Hugo Miguel Almeida da Costa Lopes. Ao profissional Miguel Lopes, desejos de uma excelente campanha em Lyon.


terça-feira, 2 de julho de 2013

As transferências de que se fala


ENTRADAS  
Maurício Nascimento: há males que podem vir por bem e os últimos rumores de dificuldades na finalização da sua contratação é um bom augúrio para o Sporting. É uma contratação sem nada que a recomende. Não se vê no jogador o perfil desejado para estar ao lado de Ilori e Dier, antes alguém que lhes possa vir atrapalhar a progressão, se por acaso lhes roubasse a titularidade. Nitidamente não é uma mais valia, é uma aquisição, não um reforço. Faz pouco sentido um clube que tem o presente e muito do futuro  - Ilori, Dier, Tobias e Rúben - gastar dinheiro para tapar lugares. Sereno, que hoje se ofereceu, cumpriria muito melhor esse desígnio e não necessita de adaptações.

Salim Cissé: O que foi dito sobre o Maurício serve também para o avançado da Académica. Com Betinho, Rúbio e Viola sob contrato, jogadores da mesma faixa etária, esta é uma operação que faz muito sentido para o jogador, para o empresário, mas pouco para o Sporting.

Freddy Montero - Um jogador com um perfil interessante, à procura da afirmação de uma carreira que prometia muito quando apareceu no Atletico da Huila como melhor marcador do Torneio Apertura e confirmado no regresso ao Deportivo de Cali. Apesar da aparência frágil e não ser especialmente alto, não se intimida, é rápido e tem um razoável jogo de cabeça, a que associa um drible curto e bom remate. É também um bom executante de bolas paradas e assiste com frequência os companheiros melhor posicionados. Não é um 9 puro e isso levanta uma questão: irá, caso se confirme a sua chegada, ser adaptado por Jardim? A sua velocidade encaixa-se na perfeição no perfil usual das equipas do treinador madeirense, que privilegia as transições rápidas, mas fica a dúvida se poderá ser a referência no ataque. O facto de vir de uma liga menor tem pouca importância, não faltam por aí jogadores que nos dariam muito jeito.

VENDAS
Patrício - Os 12 milhões que se diz por aí o Mónaco oferecer caíram que nem ginjas na tesouraria. É já um valor substancial, que colocaria a transferência num posto honroso de jogadores nesta posição específica. Também gostaria de mais, mas este é um valor muito aceitável. Por exemplo, superaria os 10,9 milhões pagos por Mignolet ao Saunderland, pelo Liverpool.

Bruma - Nas circunstâncias em que se encontra - contrato a terminar e com dificuldades evidentes em renovar - a serem verdade os 15 milhões que o Chelsea oferece diria o mesmo que no parágrafo anterior. O bom campeonato que está a fazer também ajudam a valorizar o jogador mas é bom lembrar que são muitos já os que, em anos anteriores, tiveram passagens meteóricas em torneios idênticos e hoje ninguém sabe se ainda jogam sequer. O futebol é o momento, nem o clube nem o jogador sabem se ventos mais favoráveis voltarão a soprar. Claro que gostaria de receber mais  e que aqui digo não invalida que o Sporting procure negociar as melhores vantagens.

DISPENSAS
As ausências de Evaldo, Bojinov, Pranjic, Onyewu  e Boulharouz são consensuais, na relação custo/qualidade é o Sporting que sai a perder. Vamos ver quem mais sairá e em que condições, serão seguramente muitos para se chegar a 20 jogadores anunciados.

sábado, 15 de junho de 2013

Rui Patricio e outros desgostos em perspectiva

Tudo indica que Patrício vai voar para outras paragens
Rui Patrício parece já estar com mais do que um pé fora de Alvalade. A sua carreira em Alvalade é quase digna de uma novela: de odiado a incontestado, de assobiado a ter direito a cântico personalizado e palmas, haveria muito para dizer. Que pelo menos tenha ficado algo para usar no futuro a favor de todos aqueles que têm trajecto semelhante pela frente.

É natural que Patrício queira um novo desafio para a sua carreira, juntamente com a possibilidade de um vencimento melhorado. E mais títulos dos que já alcançou. A sedução por ver o seu valor reconhecido em ligas de maior prestigio é também um apelo difícil de resistir. Reconhecida a legitimidade dos seus anseios, não deixará de ser estranho e de difícil habituação ver a camisola 1 com outro dono. Parece que foi ontem mas passaram muitos dias e muitos jogos desde o dia 24 de Novembro de 2007 e o nome e camisola tornaram-se indissociáveis.

Há ainda outra razão que me provocará algum incómodo: a possibilidade de ver Patrício numa liga menor ou num clube de poucas ambições. Será porém difícil ser surpreendido pelo valor a que venha estar associada a transferência, ao contrário, julgo, de muitos dos meus pares. Como qualquer um deles, gostaria de ver Patrício sair por um valor superior a 15 milhões de euros, juntando-se assim às melhores transferências de jogadores que fazem o mesmo lugar. Mas não me surpreenderia muito que esta venha a ocorrer por um valor entre os 7 e os 10 milhões. 

Do preço final estará dependente o clube que o venha a adquirir. O Mónaco parece estar "um mãos largas" falta saber se Jorge Mendes, que também tem interesse na transferência, os convenceria a ser tão generosos como foram com Moutinho e James. Estará também dependente da capacidade negocial do Sporting, embora essa esteja ferida pela tão propalada necessidade de vender. É que o mercado está inundado de soluções por preços mais em conta. A recente transferência de Stekelemburg para o Fulham  foi  um achado por 5,5 milhões e só possível porque a passagem por Roma não foi muito feliz.

Outros desgostos em perspectiva

Pizzi tem sido desde há dias para cá associado ao Sporting. Uma boa aquisição mas que encontra um problema para fazer mais sentido: o custo do seu salário face aos cortes que se anunciam. E haver ainda vários jogadores para a posição e quando se fala no regresso de Salomão. Ou Pizzi tem aparecido só para ser dado daqui a uns dias como perdido para outro clube?

André Santos, Salomão e Wilson Eduardo parecem estar a fazer o caminho de regresso a Alvalade. A confirmar-se nenhum deles é visto por mim como um reforço. Não têm mais qualidade que os jogadores que cá estão: André Santos tem concorrência até nos que fizeram o meio-campo da B, Salomão não faz sentar Bruma, Capel, Jeffren e Eduardo é mais limitado que Viola ou até Rúbio. Dificilmente teriam estatuto de titulares numa equipa como o Braga, por exemplo e isso já diz muito. Mas poderiam dar nas vistas em clubes menos ambiciosos e provocar uma ilusão de óptica muito comum e que alguns desgostos tem provocado quando se vai "lá baixo" buscar jogadores.

Apesar de parece contraditório, constatar esta perda de valor no plantel não equivale a deliberar em definitivo que a próxima época está condenada a ser igual ou até pior à anterior. O ano passado foi uma excepção pela sucessão de erros cometidos. O Sporting pode constituir uma equipa competitiva mesmo reduzindo de forma drástica o seu plantel. Esse é um post anteriormente prometido e que só não está ainda concretizado porque as premissas para a sua elaboração foram alteradas. Não contava com a dispensa de alguns jogadores que consideraria um núcleo duro e o número de jogadores anunciados - 20 - também mexeu com o raciocínio a fazer.

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