Cabeça de série e em série (por Boateng, Mitroglup!, Bruno Paulista)
Cabeça de série
Nunca compreendi muito bem a ansiedade em perceber se o Sporting chegaria ao estatuto de cabeça de série, excepto pelo lado do prestígio. Hoje, conhecidos que são os adversários possíveis - Club Brugge, Mónaco, Cska Moscovo, Lázio e Rápid de Viena - é mais fácil perceber que a tarefa continua muito difícil e longe de dar como assegurada a qualificação. Olhando para as equipas que evitamos só o Bayer Leverkussen, pelo histórico com as equipas alemãs, é que me deixa tranquilo evitar. Só o Brugge e o Rápid de Viena poderão ter-se como acessíveis, mas aí também é bom lembrar-nos do histórico...
Boateng é um bom nome para uma dor de cabeça
Já disse quase tudo o que pensava sobre a possibilidade de o contratar. Tê-lo tido aqui a tirar fotografias no aeroporto e em Alvalade fê-lo quase nosso mas faltou o quase. Confesso que a sua aquisição me dividia, sobretudo por poder ter o mesmo efeito sobre o grupo de trabalho. Seria de certeza o líder da folha salarial, o que o obrigaria a ter o mesmo estatuto em campo, seja de treino seja de jogo. Tecnicamente poderia sê-lo, mas como qualquer jogador, não deixa de estar limitado pela sua condição humana e é aí que as maiores dúvidas surgiam. Em condições ideais de funcionamento e equilíbrio seria uma enorme aquisição, era um daqueles jogadores que pode valer muitos pontos.
Mitroglup!
Não será a última vez que perdemos um jogador para um rival pelo que, como em outras ocasiões, há que esquecer e olhar para a frente, porque o desgaste com o que já não podemos mudar é inútil. Para encerrar o assunto ficam apenas duas considerações:
- A exposição excessiva a que nos sujeitamos neste caso, pelo tempo e pelos pormenores permitidos em permanente exibição mediática.
- Continuo a pensar que, para reforçar a nossa candidatura ao título, a posição para onde Mitroglu viria, continua carecido de um jogador com um outro nível de eficácia do que os que já temos. Ou então a nossa produção atacante terá que crescer de forma exponencial.
Bruno Paulista
Ainda não é nosso jogador, pelo que falta conhecer os números do negócio. Se forem os que se falam - 3,5 milhões - não deixam de ser um número considerável, julgo mesmo que o maior da era BdC. Não é um número de todo escandaloso, mas não deixa de ser a repetição de um risco semelhante aos anteriormente assumidos o ano passado que ainda estão por compensar.
Ora a primeira dúvida é exactamente essa: vem para jogar de imediato ou como "aposta para o futuro"? Embora pareça um bom jogador, pelo que se pode ver no Youtube (por esta altura, há um ano, o Rábia também parecia o Beckembauer do Nilo, o Gauld era o pequeno Messi e o Slavchev o Lampard dos Balcãs), não deixa de ser notório o escasso percurso, apesar da recente chamada à selecção brasileira que esteve nos jogos Pan Americanos.
Se é aposta para o futuro, porque não se priorizam os que já cá estão, guardando os recursos para o que não temos? Esta será sempre uma questão recorrente, particularmente entre nós, que temos na formação um passado que nos orgulha. Tal não deverá porém limitar a actuação do clube no mercado, na busca de bons jogadores, embora o histórico neste tipo de negócios não nos seja muito favorável.
Fica outra dúvida: pelos valores que se falam, o preço a pagar por Bruno Paulista faz dele um jogador caro ou barato? E o que pediam por um jogador com o estatuto de Mitroglu não era? As respostas a estas questões são muito contingentes para se poder tecer afirmações categóricas. O tempo encarregar-se-á de ajudar a perceber.






















