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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Sporting 0 - Vitória Guimarães 3: foi só fumaça

O Sporting sofreu nova derrota e continuou a sofrer golos. Sendo verdade que esta é altura para afinar "a orquestra" e nesse processo é natural  o aparecimento de erros, não é menos verdade que há algumas indicações transversais a toda a pré-época a merecer atenção.

Mas as condicionantes com que o Sporting abordou o jogo e as próprias incidências da partida podem tem transformado a partida numa inutilidade, dentro do contexto de preparação da equipa para os compromissos imediatos. Demasiadas lesões impediram que o jogo servisse para a consolidação de rotinas, especialmente na defesa, que é quase toda composta por elementos que se desconhecem entre si.

Paradoxalmente, seria a expulsão precoce de Coates que haveria de "contribuir" para soar as campainhas e tocar a reunir. O uruguaio tem tido uma pré-época muito abaixo do que já mostrou ser capaz e, naquele momento, era apenas um dos vários que acumulava erros de posicionamento e abordagem aos lances, não se constituindo num referencial de experiência e saber que dele se espera.

Daqui ressalta a dúvida legitima sobre a qualidade das segundas linhas. Nas laterais, apenas Coentrão está ao nível do que se exige para o Sporting, ficando a dúvida sobre a sua prontidão física. Jonathan teve um jogo não para esquecer mas para lembrar que o tempo de retorno a Buenos Aires não funcionou a favor do seu crescimento.  Piccini, enfim.. e não tem substituto. Nas centrais Tobias Figueiredo esteve ao nível do passado, demonstrando que as falhas de concentração estão para durar. André Pinto ainda quase não apareceu. Como é que forma uma defesa de três centrais com tantas dúvidas?

Mas os problemas não se ficaram por aí. À frente da defesa muitas dificuldades para pegar no jogo e para ajudar atrás, pelo menos até à expulsão. Foi o retorno ao tradicional 4x4x1 (jogávamos com menos 1) que trouxe alguma estabilização do nosso jogo, acabando por construir lances de golo que esbarraram quase sempre numa actuação fabulosa de Miguel Silva, que parece um especialista em travar o Sporting mas não iguala o mesmo nível com outros adversários.

Notas positivas ainda assim para Doumbia que, apesar de não ter marcado, jogou e fez jogar. Mas na posição dele é o golo que mais conta... Bem também Iuri, a dizer presente num jogo nada favorável. Tal como Gélson, Bruno Fernandes e Podence, anulando a vantagem numérica do adversário.

Nota importante: é bom saber que o presidente do Sporting foi ilibado da acusação de ter cuspido no seu homólogo arouquense. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Matheus Pereira & Francisco Geraldes: como não gerir o talento

Matheus Pereira e Francisco Geraldes são dois exemplos de como atrasar a progressão e afirmação de um jogador. O jogador de origem brasileira é apontado frequentemente como possuidor de grande talento e potencial mas até agora as possibilidades de o demonstrar e afirmar ficaram-se por jogos no escalão secundário e uns breves fogachos na equipa principal. Com 21 anos de idade tem uma reduzida experiência competitiva ao mais alto nível, o que dificilmente lhe proporciona situações que o desafiem e em consequência o obriguem a crescer. Vai finalmente poder rodar numa equipa de primeira divisão, algo que já podia e devia ter acontecido há pelo menos um par de anos.

Francisco Geraldes já teve essa oportunidade, que só não correu melhor porque lhe foi retirado o tapete de forma abrupta debaixo dos pés. Mas os poucos meses em Moreira de Cénegos serviram para mostrar um jogador cheio de um talento muito escasso: a inteligência. É por isso que as suas acções com ou sem bola revelam quase sempre intenção e têm consequência. A ideia de que o jogador "não tem intensidade" só pode vir de quem não o seguiu com atenção no Moreirense e até perdeu a final da Taça da Liga. Melhor seria falarem de lagares de azeite, ou dos fogos, em que há sempre especialistas.

Só há uma forma de impedir a afirmação de um jogador como ele: não o deixar jogar, que foi afinal aquilo a que o clube o sujeitou nos últimos meses da época e também nesta pré-época. Tivesse ele a sorte de Picinni ou Matheus Oliveira... Veremos o que lhe vai ser proporcionado para o inicio desta época, é difícil de prever que possa ser pior do que teve à disposição até agora. Mas um jogador como ele não precisará de muito para pelo menos se destacar dos restantes, mesmo que o projecto de que fará parte não seja o que este momento da carreira exige. 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Balanço de estágio na Suiça: mudaram-se caras mas não os problemas

Com a realização do jogo com o Marselha chegou ao fim o estágio na Suíça. Ninguém imaginaria que o encerramento desta importante etapa encerrasse todas as dúvidas mas no balanço final as preocupações sobre o que será esta equipa capaz de produzir no imediato vão ainda continuar. Ficam algumas notas sobre o que me parecem serem merecedoras de destaque:

Organização
Nenhuma equipa ganha um campeonato na pré-temporada mas muitas já o perderam por planeamento deficiente. Não era preciso vir Jorge Jesus mesmo alguns os jogadores apontarem problemas causados pela organização pouco cuidada do estágio para deles se dar conta. Das questões logísticas (deslocações cansativas) às questões técnicas (qualidade dos adversários e jogos consecutivos) tudo pareceu ter sido o resultado de falta de rigor no planeamento. Mas a declaração pública torna as coisas ainda piores. Afinal de quem é a responsabilidade? E estas matérias não deveriam ser discutidas internamente, ou pretende-se enviar o recado a alguém?

Defesa nova, problemas velhos
À entrada de novos jogadores (novos no clube, não em idade...) que alegadamente deveriam contribuir com a experiência para dar maior estabilidade e segurança correspondeu afinal uma média de golos encaixados por jogo muito superior ao que estamos "autorizados" a consentir. Mas talvez mais importante que o número talvez tenha sido a forma que eles foram concedidos que mais chamaram à atenção.

Parecem parecem para já claros os problemas causados pela de falta de qualidade de alguns elementos (Piccini) e de no imediato pelo menos ritmo e identificação (Mathieu, Coentrão). O resultado são descoordenações comprometedoras decisões erradas em função do que o jogo pedia em determinados momentos. E, claro, quem joga com Jug na baliza perde o direito a reclamar do número de golos que encaixa.

Dúvidas: Estamos na presença de problemas inerentes à recomposição efectuada no sector, resolúveis com o treino? Os jogadores escolhidos têm o perfil adequado às necessidades dos desafios e mesmo ao(s) sistema(s) a implementar pelo treinador?

Mas a questão parece ser mais estrutural do que apenas do sector mais recuado ou deste ou aquele jogador que o compõe: JJ quer uma equipa a pressionar alto mas a pressão é ainda muito descoordenada e pouco intensa. E jogadores apontados à titularidade (Dost, Doumbia, Alan Ruiz) não parecem talhados para o fazer. Um problema que o ano passado foi fatal.

O que se viu nos jogos iniciais é que o problema subsiste, independemente do 4x3x3 ou 3x5x2 e respectivas variantes. Os adversários dispuseram de grande liberdade para sair a jogar e, quando a equipa perde a bola - o que aconteceu várias vezes em momentos proibidos - a resposta está frequentemente condenada ao fracasso. O espaçamento entre os sectores, que reduz o número de elementos disponíveis para a contenção ou oposição às movimentações do adversário. 

Médios que para já só parecem... médios 
Para acentuar a suspeita de podermos estar na presença de problemas por resolver que se arrastam da época transacta está aí o sentimento de orfandade que as ausências de Adrien e William provocam. A incapacidade de reorganização e reacção após a perda sem o capitão é notória. O mesmo se pode dizer da qualidade com que saímos a jogar. E aqui é a falta de William que se nota. Se ele não é propriamente exemplar nos momentos defensivos, a sua ausência paga-se na qualidade das decisões com bola. Falta quem faça a gestão adequada do tempo certo para iniciar a saída ou de temporização com ela nos pés, diminuindo drasticamente a qualidade com que a bola chega à frente e com ela as nossas possibilidades de criar oportunidades de golo.

Depois de uma boa prestação inicial Petrovic está deixar transparecer que as listas horizontais do Sporting pesam mais que as verticais do Rio Ave. Bataglia obriga-nos a questionar constantemente se é um "6" ou um "8", não se percebendo se JJ quer ou não dar a Palhinha o "6" que  parece ser seu com naturalidade.  Nota de conforto para a chegada de Bruno Fernandes, a permitir a esperança de finalmente estar resolvida a ausência de João Mário. Mas que, pelo que se percebeu pelo último jogo, precisa de melhor companhia. Está ainda também por saber quantas obras literárias vai ter tempo Francisco Geraldes para ler até Jorge Jesus conseguir ver o quanto lhe daria jeito tê-lo na equipa.

Para já fica uma certeza: o Sporting dificilmente subirá a qualidade do seu jogo por aqui, se vier a confirmar as saídas de Adrien e William. Que, não acontecendo, vai contribuir para um indesejável excesso de opções há luz da composição actual.

Para já muitos golos prometidos mas poucos concretizados
Não será propriamente surpreendente o reduzido número de golos marcados. Que se explicam de forma rápida por três ordens de razões: Desde logo pela qualidade dos adversários escolhidos, cujos nomes estão longe de significar promessas de goleadas. Depois porque o momento ofensivo é o que pode demorar mais tempo a preparar. A presença de um novo elemento (Doumbia) e a necessidade da respectiva articulação, especialmente com Bas Dost seria um terceiro. Mas há mais. A falta de desequilibradores a partir das alas, pela ausência do rei das assistências (Gélson) e utilização tímida de Iuri Medeiros e Matheus, acrescida do facto da chegada tardia de Acuña.

Mas quem tem Bas Dost pode estagiar mais ou menos descansado. Assim Doumbia o possa complementar com acerto. Para já ficou-se pela mostra de um sentido de baliza notável no jogo com o Fenerbaçe e predisposição para explorar a profundidade, posicionando-se quase sempre no limite das linhas defensivas. Algo que vimos desaparecer com a partida de Slimani e que tanto limitou o nosso jogo ofensivo em 16/17. Mas o costa-marfinense terá inevitavelmente que dar mais não apenas no entendimento com Dost mas também logo quando a equipa perder a bola, momento em que parece alhear-se do jogo.

Tarefa em que Alan Ruiz também se tem notabilizado pela forma como se esquece dela. E quanto à participação do argentino na ligação do nosso jogo, até agora a sua actuação resume-se a uma palavra: nulidade. Perdas de bola constantes e incapacidade de ligar com os colegas. O número habitual de dar dois passos e rematar está estafado. Teria perdido espaço para Podence, não tivesse o argentino carta branca de Jorge Jesus. Já o miúdo tem um futebol quase subversivo e agitador, não parecendo conformar-se com o facto de ter o banco quase certo como destino preferencial.

Pergunta por responder
Com tanto que ainda pode acontecer enquanto o mercado parecer aberto é ainda cedo para prognósticos definitivos. Mas a grande dúvida centra-se para já na qualidade dos reforços e no contributo que estes poderão dar à equipa. A sensação de emulação do registo do ano anterior - muitas aquisições, poucos jogadores capazes de merecer o titulo de verdadeiros reforços - pareceu formar-se sobre esta passagem pelos Alpes. Os próximos jogos ajudarão a perceber melhor se se confirma ou era produto do cansaço de que falou Jesus.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Copy - paste



É sempre assim no início da cada época: "Arautos da desgraça!!", gritam e acusam estridentemente os, permitam-me devolver com outro epíteto, situacionistas. Que não existam ilusões, assim é hoje com os ‘brunaicos’ como antes destes foi com os ‘croquetes’ (muitos, são os mesmos, basta vê-los nos painéis das Tvs, por exemplo…). Gritam a quem ousa questionar os critérios definidos quer ao nível da política de contratações, vendas, dispensas e gestão do plantel, quer do planeamento e preparação da nova época. No fundo sobre quem apresenta um mínimo de sentido critico perante aquilo que se observa em mais uma pré-epoca, nitidamente atípica… Nalguns casos até inédita, como ter dois jogos de preparação em 24 horas sem quase alterar a equipa titular… E logo contra adversários complicados.

No final de cada época, quando a “desgraça” é factual e desde que BdC é presidente tem sido, - talvez com a excepção da Taçazita que o treinador proscrito (nem digo o nome para não acicatar ódios…) venceu no ultimo jogo à tangente -, o que afirmam os situacionistas? Que a desgraça sirva para aprender a não repetir os erros e que para a próxima, garantem, é que é… O conselho não deixa de ter o seu acerto, com possível efeito prático e motivacional, mas é meramente circunstancial. Eis que chega a época seguinte e logo os erros se repetem. Infalivelmente, repetem-se… Tal e qual como se repetem as acusações dos conselheiros de ocasião aos que se limitaram a colocar em prática o seu conselho de final de época. Quem, passado a pausa futebolística mantém o escrutínio, resiste à silly season e identifica os mesmíssimos erros cometidos anteriormente arrisca-se a ser, de novo, um desgraçado e vil arauto da desgraça… Assim vamos, neste ciclo vicioso para a quinta (QUINTA!!!!) época com o “Salvador”: sem títulos de jeito no futebol… O único que vai mudando é a estratégia de investimento, ao sabor da maré, leia-se treinador, e do “dinheiro” disponível, sendo que este chega invariavelmente tarde e a más horas. E o resultado deste modus operandi? Foi o que o passado demonstrou, com muito ou pouco dinheiro “investido”, com mais ou menos arautos da desgraça ou do optimismo, no fim ficaram os sportinguistas a ver os títulos fugir para outras paragens. Calma… que já a seguir há-de vir quem, passado todo este tempo, ainda venha acenar com os fantasmas do passado, GL, JEB, a herança, o arco da velha… Tudo serve para desculpar. Ou então com a APAF, contradizendo-se, pois a arbitragem sempre foi particularmente agreste para com o verde e branco listado e não apenas a partir de 2013, quando se prometeram Hossanas e que dali em diante tudo seria diferente, para bem melhor, pois se tínhamos insucesso no futebol tal se devia à incompetência de quem liderava o clube.

No fundo o que se passa hoje com as hostes, digamos mais optimistas, é o velho costume da eterna desresponsabilização de quem se encontra no exercício do poder. Como se os erros reincidentes, cometidos hoje, fossem responsabilidade dos erros cometidos no passado. Pelos outros, claro.


Vou fazer copy deste post, continuando alive and kicking, vivo e com saúde, para o ano cá estarei de volta. A diferença é que basta fazer paste e poupo tempo precioso. “Oxalá me engane”, outra frase típica que repito há anos… Fica também ela guardada. Haja quem ma atire à cara lá para Maio de 2018. Da maneira que vejo a “coisa” a (des)andar, duvido muito que o ciclo se quebre. Talvez seja eu um eterno insatisfeito, ou talvez seja eu a reconhecer os sinais que a realidade faz questão de voltar a evidenciar. A quem os queira ver.

sábado, 15 de julho de 2017

Basileia 3 - Sporting 2: mais buracos que 1 queijo suiço

O Sporting acabou por perder o jogo de uma forma "natural", isto se tendermos a que os três golos estão intimamente relacionados com erros de cariz quase anedótico. Uma falta atacante transformada em penalty, uma oferta de Abze Jug e outra de André Geraldes ajudaram a construir o resultado. Vale a verdade que o penalty que nos deu a vantagem inicial é também algo duvidoso. Mas se os erros defensivos foram notórios não escapou à vista a dificuldade e criar jogo ofensivo de qualidade suficiente para criar oportunidades de golo.

Este jogo acontece a quase apenas um mês de uma eliminatória de grande importância para a época que ainda agora começa e pode-se dizer que há ainda muito para fazer e não apenas na defesa. As dúvidas sobre o acerto das contratações acentua-se mais uma vez, a que apenas Bruno Fernandes parece escapar. E mesmo considerando que podemos estar apenas na presença de natural questão de integração o tempo já não é assim tanto. 

De uma coisa não tenhamos dúvidas: com erros defensivos tão penalizadores como os registados hoje não é possível criar o clima necessário para a obtenção de resultados e de boas exibições. Aguardemos então pelo jogo da próxima terça-feira, com o Marselha, para perceber o nível em que se situa presentemente o futebol da nossa equipa.

Do ponte de vista individual não me vou estender em avaliações pormenorizadas. Mas há casos evidentes de alguns jogadores sem qualidade para pertencerem aos nossos quadros a quem não tem faltado oportunidades consecutivas de o demonstrar, enquanto outros por muito que prometam ou façam parecem estar condenados a polir os bancos e fazer peso.




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Valência 3 - Sporting 0: este sofrimento auto-infligido serviu para quê?

As suspeitas da existência de um erro de cálculo na marcação de dois jogos em 24h confirmaram-se. Bastou o primeiro quarto de hora para perceber que aos nossos jogadores foram fornecidas botas de chumbo e os do Valência tinham no seu lugar pequenos jactos, tal era a diferença de andamento. Perante isto que pedir aos jogadores? Talvez o pedido devesse ser o deles: que aquilo acabasse o mais depressa possível.

Por isso a pergunta justifica-se plenamente: serviu exactamente para quê este jogo com o Valência? Que ilações pôde tirar o treinador deste jogo, que é sobretudo para isso que se fazem os jogos de preparação? Como é óbvio o resultado é aqui do menos importante.

A menos que o objectivo fosse a instalação de instabilidade e o anti-clímax neste início de época, este jogo teve tudo de sofrimento auto-infligido de forma completamente inútil e desnecessária. Ainda por cima ante um adversário cheio de problemas e indefinições sobre a formação do seu plantel.

Para ajudar à festa a péssima gestão do tempo e oportunidade de Francisco Geraldes (Mas não só...). Tenho pena que seja tantas vezes o feitio retorcido de JJ a toldar-lhe o raciocínio e a interpor-se entre ele o sucesso. 

O do jogador acontecerá apesar disto, assim o talento tenha oportunidade real para se impor. Oxalá o Sporting saiba resguardar os seus direitos.

Sporting 2 - Fenerbahçe 1: chocolatinhos suiços

O primeiro jogo da apertada agenda de preparação em terras helvéticas pôs-nos em confronto com um adversário com um nível superior de exigência e a boa resposta dada é a boa noticia do final do dia de ontem. O resultado também o é, porque é mais fácil construir uma equipa com registos que ajudem a instalar confiança. 

Nesta fase da época é ainda cedo para grandes apontamentos colectivos, sendo nota dominante no trabalho a desenvolver a integração dos novos elementos e o conhecimento e identificação mútuos (dos que que chegam com os que já estavam e vice-versa). Ainda assim pode-se concluir, da observação do jogo, que o 442 deverá continuar como matriz. 

O nível de resposta dado, perante a valia do adversário, foi boa na maior parte do tempo, onde apenas destoaram as perdas de bola comprometedoras em algumas saídas para o ataque. O maior perigo do adversário foi por isso auto-infligido por desatenções, conseguindo, na maior parte do tempo controlá-lo.

O foco instala-se sobre os jogadores recém chegados, privilegiando-se as notas individuais:

No segundo jogo Piccini continua sem convencer, oferecendo pouco ou quase nada que não se visse em Schelloto. Muita disponibilidade física mas sem grande qualidade nas decisões. 

Primeira aparição de Mathieu, a entrada que maior perplexidade me causou, pela veterania e pela mediania de qualidades face ao elevado custo. Revelou dificuldades na manutenção da linha, o que pode ser desculpável nesta fase da época e do desconhecimento dos colegas. 

André Pinto esteve discreto mas com nota favorável pela simplicidade de processos, revelando perceber que o mais importante era não comprometer na estreia.

Para um jogador que tem jogado muito pouco e só agora começou a época, as primeiras indicações de Fábio Coentrão foram boas. Se conseguir chegar ao nível que se lhe reconhece e mantê-lo, será notória a diferença para os últimos dois anos, com beneficios evidentes para a qualidade do nosso jogo.

De regresso da Argentina Jonathan pareceu meio perdido e confuso, Atendendo às suas características é um elemento que poderia ganhar no 352 que JJ parece querer ensaiar, sobressaindo as suas qualidades a atacar sobre o pouco rigor com que defende.

Petrovic voltou na sua pior versão, a que não será alheio o facto de dispor de muito menos espaço, sobressaindo as suas insuficiencias técnicas especialmente a construir. Uma tarefa que é obrigatório ser preponderante na sua posição num clube como o Sporting.

Ao contrário do sérvio Battaglia pareceu mais nas suas águas. Exibiu confiança e conhecimento do que lhe é exigido quer a defender, ocupar os espaços e mesmo depois na decisão com a bola nos pés. Prometedor.

Matheus Oliveira é por estes dias um jogador em dificuldade para encontrar um lugar e um momento ideal para expressar as suas qualidades, o que não será alheio à novidade do que lhe é pedido e, eventualmente, pelo peso da camisola e das expectativas. Quando foi para posições mais centrais no terreno pareceu sentir-se mais confiante. 

A única dúvida que Bruno Fernandes inspira neste momento é se será capaz de se aproximar à reactividade de Adrien no momento de restabelecer os equilibrios e na procura da recuperação da bola. No mais, pelas primeiras impressões, o capitão poderá ceder o seu lugar e partir para a tão desejada e merecida promoção europeia tranquilo e com o sentimento de dever cumprido. Dizer isto a propósito de um recém-chegado e jovem é o melhor elogio que lhe poderia dar.

Quando um avançado se estreia a marcar parece ter o encontro marcado com o sucesso. E o golo de Doumbia de fácil execução não tinha nada, revelando um apurado instinto de matador. Algo que tanta falta nos tem feito noutro jogador que não exclusivamente Bas Dost.

Algumas notas breves e avulsas para Iuri e Podence. São duas certezas de talento e que deveríamos aproveitar. Depende deles mas não em exclusivo e um dos principais papéis de um treinador é a criação de um ecossistema onde o talento possa florescer e vingar.



segunda-feira, 10 de julho de 2017

As primeiras impressões das novas caras 17/18

É impossível de prever como será o Sporting versão 17/18, tantas são as mudanças que parecem ou podem estar em curso. Não são apenas os jogadores mas fica também a ideia que já vem da época transacta, que JJ pode recorrer mais vezes ao uso de três centrais.

Mas mesmo que assim não fosse, não seria no primeiro jogo da pré-época que se poderia tirar conclusões definitivas. Daí que ficam apenas as impressões iniciais, incidindo particularmente sobre os que acabaram de chegar. Se são reforços ou não o futuro o dirá.

Piccini
Não foi posto à prova defensivamente. Revelou disponibilidade física para fazer o corredor e dar largura mas a última decisão falhou quase sempre. A rever nos próximos jogos para se perceber se se trata de uma característica ou resultado facto de não conhecer os colegas nem as respectivas movimentações.

Petrovic
Foi outro bem diferente do que mostrou há um ano. Ao nível que apresentou é reforço. Demonstrou confiança, conhecimento do que é pedido para a sua posição, chegando a surpreender a forma assertiva como chegou e fez chegar o jogo a zonas mais avançadas do terreno, servindo bem os colegas aí colocados.

Battaglia
Pode-se dizer que, para ele, este jogo foi um Battaglia perdida. E foi assim, perdido, que andou pelo terreno.

Matheus Oliveira
As primeiras impressões confirmam os principais receios: há lugar para ele no esquema habitual de Jesus? Veremos. Sendo um jogador para quem é determinante um futebol de posse em que tenha preponderância a sua qualidade técnica e não tendo conseguido ter muita bola também passou ao lado do jogo. 

Gélson Dala
A boa prestação que teve acentuou a grande dúvida que se começou a colocar desde o que foi demonstrando desde que chegou: deve ficar ou deve sair para evoluir e voltar com outra maturidade e com melhor capacidade de decisão? Uma boa dúvida.

Leonardo Ruiz
Não lhe podia ter corrido melhor o jogo: apesar de ter entrado num momento em que já pouco se esperava, fez golo ao segundo toque, depois de uma recepção que deixou o defesa ver a relva de perto, marcando com a facilidade de um veterano. 

Bruno Fernandes
À semelhança do que disse acima de Leonardo, entrou numa altura em que o jogo já tinha pouco para dar.

Impressões em modo avulso:

Abze Jug vai para a terceira época e ainda não se consegue perceber as razões da sua aquisição, especialmente num clube que forma vários jogadores e para uma posição onde as oportunidades de jogar são muito limitadas.

Quando se vê jogar jovens com a atitude e presença de Mama Baldé perguntamo-nos sempre se é para errar porque não jogam eles ao invés de alguns "maduros" que pouco ou nada têm para nos dar.

Jovane Cabral está a precisar de algo mais do que a equipa B lhe pode oferecer, assim haja na divisão principal um projecto que lhe dê a atenção e espaço que está a pedir. 

Depois de uma época horrível em termos individuais e colectivos não deixou de surpreender a segurança exibida em todo o jogo por Tobias Figueiredo.

Não será por falta de talento que  jogadores como Iuri Medeiros, Gauld ou Francisco Geraldes não ficarão no plantel. Mas, há semelhança do que disse acima de Matheus Oliveira a sua integração no esquema de JJ afigura-se complicada e pelo menos até agora a vontade do técnico também não parece ser muito grande. Além dos que viajaram para o Algarve ainda faltam Rui Patrício, Coates, Mathieu, Fábio Coentrão, William Carvalho, Adrien, Bruno César, Gelson, Alan Ruiz e Doumbia. Quase uma equipa e ainda deve chegar mais gente.

Nota final: porque jogamos com meias do avesso? Bruxedo?...

terça-feira, 27 de junho de 2017

Entre interrogações, dispensas e aquisições

Quando é que se começou a preparar a presente época para que ainda esteja tanta coisa por definir? Ainda por cima quando as dificuldades do que temos pela frente estavam há muito tempo adquiridas...

Haverá um preço a pagar por todos os atrasos e indefinições, ou está tudo sob controlo?

Tendo em conta os anúncios e rumores, que lugares terão no plantel jogadores da cantera como Francisco Geraldes, Podence, Matheus Pereira, Palhinha, Gauld, Iuri Medeiros  (sobretudo estes) Domingos Duarte (boa época, mas a precisar de rodar), Tobias Figueiredo (péssima época...)?

Do extenso lote de emprestados (Ary Papel, Bruno Fernandes, Mané, Ponde, Ewerton, Fokobo, Ruiz, Guilherme Oliveira, Jonathan, Miguel Lopes, Rosell, Petrovic, Sambinha, Slavchev, Wallyson) não parece que nenhum tenha feito por merecer o regresso.

Relativamente às aquisições já conhecidas que papel está destinado a Matheus Oliveira? Foi um pedido do técnico ou uma contratação da administração?

A ser verdade que Schelotto figura na lista de dispensados, juntamente com Castaignos (pedir 2,5 milhões por um jogador que não joga e quando joga não marca é dizer que não se quer vender?), Douglas, Marvin Zeegelaar quer dizer que além de Piccini ainda vem mais um lateral direito? O mesmo se pode dizer relativamente à esquerda (Mathieu, Jonathan?). Já agora, quanto se lhe pagou (a Schelotto) de prémio de assinatura e melhoria de contrato há um ano para agora ser dispensado?

Quantos centrais vão constituir o plantel além de André Pinto, Coates, Paulo Oliveira? Mathieu como central à esquerda ou lateral? 

Os nomes argentinos entretanto falados (Pavon, Pitty Martinez, Acuña) têm todos boas referências, o que os torna caros por um lado e muito apetecíveis por outro. Virá algum?

Bruno Fernandes é uma das aquisições mais promissoras dos últimos tempos. Jovem, mas já com grande rodagem num campeonato difícil como o italiano será mais um "8" que um "dez" na cabeça de Jesus. Isso servirá de confirmação para a saída de Adrien?

À saída para estágio algumas destas perguntas já estarão respondidas.

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