sábado, 1 de novembro de 2008

Viagem aos Arcos: redenção ou calvário?

Não é a altura de falar em pormenor da conferência de imprensa de ontem não posso deixar de referir o seguinte:

1) É urgente proteger Paulo Bento. Em primeiro lugar dele mesmo. O ridículo mata. E quando não o faz fere. Foi o que aconteceu ontem na conferência de imprensa. Saiu ferida a imagem de Paulo Bento e com ela a do clube.

2) Talvez fosse bom falar um pouco mais de futebol, de tácticas e da prestação de jogadores. Corremos o risco de ver as conferências de imprensa do nosso treinador principal confundidas com as do Ricardo Costa, da C.D. da Liga, tantos são os casos disciplinares. Ou ser levados a pensar que estas conversas são tidas com o propósito de afastar as perguntas que deveriam ser feitas como por exemplo: porque joga tão pouco e é tão perra a equipa? Ou porque em vez de evoluir em segurança e qualidade de jogo a equipa parece regredir. Ou se sente segurança para afirmar que, com este jogo, é possível ser campeão.

3) Porque fala tanto daquilo que não existe? Se o ambiente no balneário é bom, os jogadores são cumpridores e empenhados então porque se fala tanto no oposto? E porque tem de ser o treinador o intérprete de Moutinho, que até é português?

4) Paulo Bento pode sempre escolher. Se escolher perder e não mudar alguém o fará por ele.

Terei que voltar aqui um destes dias. Mas é evidente que, com a pressão a subir por via dos resultados – lembro que para o campeonato vimos de D-D-E, com 4 golos sofridos e apenas 1 marcado – e com o elevar do tom da contestação pelo decepcionante estado de coisas, é necessário que o treinador se concentre na sua principal tarefa que é por a equipa a jogar a um nível que seja mais fácil ganhar ou então a ganhar simplesmente.

Daqui a umas horas lá estarei no estádio dos Arcos. Provavelmente um dos mais desconfortáveis da I Liga, especialmente quando chove ou apenas venta. O jogo vem na melhor altura, se a equipa decidir rectificar a impressão que não é capaz de contrariar adversários menos dotados mas aguerridos. É que são muitas as semelhanças entre os jogos de Paços e de Vila do Conde. Já saímos de ambos os sítios com copiosas derrotas de 4-0. E virá na pior altura se a equipa persistir em contemplar o adversário.

Se se confirmarem as noticias, Hélder Postiga ficará no banco. Acho mal a intermitência na aposta, mas é evidente que Liedson gosta mais de Derlei a seu lado. Se tal acontecer, Postiga que explique aos jogadores como joga a equipa da sua terra: à imagem da maioria dos associados, homens que se não temem o mar, não temem jogar contra quem seja.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Estabilidade ou liderança?

Durante muito tempo defendi que o silêncio do director desportivo era excessivo, deixando adensar os psicodramas diariamente expostos na imprensa. Ontem ficou evidente que Barbosa geriu mal o seu tempo e, quando finalmente veio a terreiro, já nada do que disse realmente interessava. O barulho à volta da equipa é demasiado grande e as palavras de Barbosa diluíram-se no ruído.

É cada vez mais difícil interpretar os sinais que se recebem do interior do Dep. de futebol do Sporting. Onde uns vêm a mão de ferro de Paulo Bento outros entendem que finalmente existe alguém com coragem de confrontar os jogadores com tiques de primadonnas. Eu duvido que essa seja uma guerra que mereça ser disputada e que até possa ser vencida. Tradicionalmente o jogador quer jogar sempre e acha-se mais merecedor da titularidade do que os seus pares. E onde se sente mais à-vontade é no seu ambiente natural, entre o relvado e o balneário e não em reuniões de gabinetes ou à frente de microfones. Se dúvidas houvesse basta ver a reincidente falta de senso ou até de inteligência de Moutinho. Depois de ter dito que queria sair veio agora dizer que não sabe se entraria ou não no SLB. Por muito que Barbosa se esforce em decretar o arquivamento, este assunto não é nem pode ser esquecido com facilidade pelos sportinguistas. Coincidentemente ou não, desde que Moutinho preferiu falar para os microfones parece ter perdido o jeito de falar com os pés.

Se Barbosa não percebe porque se ganha e as assistências descem talvez seja melhor interrogar-se se, para lá da qualidade do jogo e dos troféus conquistados, a acção e discurso do treinador e dos dirigentes e a postura da equipa correspondem ao que os adeptos deles esperam.

Por muito que se queira bater nos jornalistas que publicam inverdades não foram eles que transformaram a ausência de Vukcevic de opção técnica em falta de aplicação nos treinos, metendo pelo meio um desmentido público de Miguel Ribeiro Telles. Por isso se Veloso e Djaló tiverem sido afastados por razões disciplinares ninguém poderá estranhar. Por muito que custe, são as intervenções fora de tempo ou a falta delas que põe tinta nas parangonas dos jornais. Se isto é estabilidade eu digo que o que nós precisamos acima de tudo é de liderança! Liderança na SAD, no balneário e em campo.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Crise? Qual crise?

Contas de cabeça

Fazendo uma comparação com os jogos realizados até ao momento com os mesmos adversários o ano passado chega-se à conclusão que ganhámos 3 pontos em relação ao Braga do ano passado, mantivemos o mesmo número de pontos obtidos com o Belenenses (3) e perdemos com o SLB (1), com o FCP (3) e com o Paços de Ferreira (2). Fica de fora a apreciação ao trofense por este se ter estreado esta época. Se juntarmos a esta derrapagem o facto de em 18 pontos possíveis conquistamos apenas 10, ficamos com uns sofríveis 55, 55 % de pontos conquistados. Mantendo a actual média chegaremos ao final do campeonato com aproximadamente 50 pontos. Na classificação do ano passado, após uma época sofrível, fizemos 55 pontos. Com os dito 50 ficaríamos não em 2º mas em 4º. É preciso dizer mais? Para o nosso treinador os jogos nunca são decisivos mas que faltam no farão no futuro os 8 pontos ora desperdiçados? Fossem as exibições mais prometedoras e estes números não seriam preocupantes. Assim, o que vemos é a possibilidade de entre o S. Martinho e o Natal já só estarmos a pensar em taças, correndo bem.

De desperdicio em desperdicio

Desperdiçámos já a vantagem que nos atribuíam por sermos o plantel que privilegiou a estabilidade. Mas esta só nos trouxe até agora a continuação da mediocridade que reinou o ano passado. Somamos a isso os casos e as tricas de balneário. O que prova talvez que estejamos a precisar mais de uma rotura do que desta estabilidade pantanosa. A rotura não tem que ser feita com a exclusão de ninguém, pelo menos numa 1º fase. Mas tem que se fazer um corte abrupto nas posturas táctica, anímica e até individual que, comprovadamente, não nos levam a lado nenhum.

De equívoco e equívoco

Como li algures na blogosfera, uma equipa que se dá ao luxo de jogar mal para os seus adeptos tem a obrigação de ganhar. Senão que sentido faz? Por isso pouco ou nada bati na paupérrima exibição de Donetsk. Mas em Paços de Ferreira jogamos contra a pior defesa do campeonato e deixámo-la inviolada. A 1ª vez esta época. Cometemos o equívoco de tentar jogar directo, obrigando os nossos avançados de média estatura a dar as costas a defesas possantes, anulando assim a vantagem que nos distinguia favoravelmente. O Paços passou a maior parte da sua vida a jogar assim pelos pelados deste País. Está-lhe no sangue.

Uma questão de estofo

Foi pena que não aproveitassem a viagem à capital do móvel para mandar estofar os bancos do autocarro. É que a actual estofagem não é digna de nela se assentarem campeões. Ou então a equipa tem os estofos que merece. Equipa que se diz candidata ao título não desperdiça as poucas oportunidades que surgem para igualar ou ultrapassar os adversários.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

NO ENTANTO ELA MOVE-SE...

Vivemos num período singular da nossa história: desde a década de 70 do século transacto que o clube não ganhava com tanta frequência como tem sucedido na presente década e, apesar disso, os sportinguistas não andam felizes.

São mais que muitas as razões que podem ser apontadas para tamanha insatisfação, que alguns até apelidam de ingratidão para com a actual Administração da S. A. D. bem como para com Paulo Bento. Da minha parte fica o devido respeito por quem se dedica ao clube e ao trabalho, como por exemplo Paulo Bento e os jogadores que fizeram com que o clube alcançasse a sua 5ª vitória fora na Liga dos Campeões. Leram bem: 5ª vitória fora.

A admiração, essa, é que tarda em chegar. Essa consegue-se com outros níveis exibicionais. Os actuais, além de não encantarem, deixam-nos de respiração suspensa, sempre à espera do pior, que podia ter acontecido na Ucrânia, tal com aconteceu recentemente com os nossos adversários directos na Liga Sagres. Liedson é o único capaz da sublimação, que o retira da vulgaridade reinante.

É isso que nos traz o descontentamento: estamos mais perto da mediocridade do que da excelência. Não somos tão bons como julgávamos poder ser, entrados que estamos na 3ª época com o mesmo treinador e depois dos “tais” investimentos cirúrgicos, que, vistos hoje, mais parecem transplantes rejeitados. Rochemback veio para ser trinco? Veloso foi em Donetsk a 4ª solução para a esquerda defensiva, Abel não melhora, as 3 jogadas por jogo de Romagnoli são insuficentes, Moutinho faz 3 posições num jogo quando deveria fazer 3 jogos na mesma posição, pelo menos.

No entanto a equipa ganhou e ficou a uma vitória em casa com o Shaktar para conseguir os pontos e os contos que tanto necessita e que darão um apuramento inédito. “No entanto ela move-se”. E quando se constata isso é cedo para acender a fogueira. Por que de facto ela move-se, mesmo que desajeitada e sem graça. Esta equipa dá-nos de comer mas não nos mata a fome.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

FALTA POUCO PARA SABER

Por ironia do destino quis a sorte que os 2 melhores clubes dos últimos 3 anos em Portugal medissem forças com as 2 equipas mais representativas da Ucrânia. O 1º dos 4 embates foi ontem, com o resultado que se conhece. Sendo a Ucrânia um dos nossos adversários directos na disputa dos melhores lugares do Ranking da Uefa, os efeitos dos resultados alcançados nestes 4 jogos estender-se-ão muito para lá da possibilidade de termos ou não clubes portugueses na fase seguinte da presente edição da Champions League.

Hoje em Donetsk o Sporting decidirá uma percentagem muito grande do seu destino nesta edição Champions League. Quando se analisa o adversário de logo, percebe-se que só com um infundado optimismo ou até uma irresponsável superficialidade na análise se poderá afirmar que os 2 jogos com os ucranianos são para ganhar de caras. Quem o faz não viu o jogo com os catalães. Pois, e nós não temos nenhum Messi.

Objectivamente se constata que em Donetsk há muito dinheiro para gastar. Por isso o seu técnico é reputado e com curriculum consagrado por conquistas de campeonatos nacionais – é tri-campeão com o Shaktar – e internacionais, onde ostenta uma invejável Supertaça Europeia, conquistada no improvável Galatasaray, ante o Real Madrid. É esse desafogo financeiro que lhe permite contratar excelentes sul-americanos, na sua maioria brasileiros. Consegue estender o seu campo de recrutamento aos seus vizinhos eslavos. Juntando a isto tudo, tem uma falange de apoio entusiástica, como logo a equipa do Sporting irá constatar mal saia para aquecimento.

Dito isto, fica claro que não é tarefa fácil a que espera a equipa do Sporting. É necessário, para que a viagem à Ucrânia não seja torne numa viagem tipo peixe-espada - chata, comprida e negra – que haja grande acerto nas opções tácticas, jogando forte nas opções seguramente comprovadas e abdicando de aventureirismos tácticos, semelhantes ao que se viu contra o FCP. É também necessário que os jogadores se entreguem abnegadamente ao colectivo e sejam solidários. Que a equipa tenha a humildade de saber sofrer, sem tiques masoquistas. E que saiba responder sem tendências sádicas estéreis, preferindo o instinto matador. Uma equipa como Shaktar, que em casa tem que procurar a vitória, terá que, ao puxar a manta para a frente, destapar um bocado a cabeça. São estes os jogos que os jogadores gostam. E estas oportunidades são águas que não passam 2 vezes por debaixo da mesma ponte.

O jogo de logo à noite dir-nos-á muito do que é realmente este Sporting 2007-08. Falta pouco para o sabermos.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

AFORISMOS

Gosto de ditados populares. Eles espelham o saber empírico que resulta da observação dos factos ou fenómenos e da passagem geracional do conhecimento adquirido. Não lhes deve ser conferido valor cientifico por razões óbvias, mas quando um acontecimento se enquadra num ditado popular, na maioria das ocasiões aquele acaba por vingar.

O que torto nasce tarde ou nunca endireita.

E tem sido assim a época de Vukcevic. Quando parecia que o caminho para a normalidade estava desimpedido, eis que um arrealiador estado febril devolve o jogador às primeiras páginas e aos caminhos tortuosos e pouco claros da especulação. Interessa-me pouco o que não posso comprovar e por isso o que me parece importante neste caso é saber porque jogou o jogador em Lecce, Itália, e acaba por fazer a viagem de regresso com a sua selecção para a remota Podgorica quando podia ter embarcado no dia seguinte para Lisboa. É igualmente preocupante que o treinador principal diga que acredita nas palavras do jogador e a seguir se desminta a si próprio admitindo que não é espião. Para que é necessário um espião quando se confia? Desajustadas a um capitão também me parecem as palavras de Moutinho. Não tem ele outras fontes de informação que um vulgar adepto como eu? Bem pode Miguel Ribeiro Telles desmentir a existência de um caso. Para os adeptos é estranho que um jogador como Vukcevic quase não jogue pelo clube que lhe paga e o faça pela selecção. Tal com Stojkovic. 2 casos que se arrastaram da época transacta e que uma vez entortados dificilmente endireitarão. Pelo menos acautelando os interesses do clube.

Junta aos bons e serás como eles.

Desde o final da semana passada que este espaço é membro do projecto Futebol Magazine. Num momento em que muitos não se revêem na imprensa tradicional, deve ser saudado o surgimento de um espaço aglutinador das diferentes sensibilidades, identificadas de forma descomprometida, e aberta de forma efectiva ao contraditório. Integrar este projecto é uma honra e representa a esperança de que o ditado se cumpra: poder ser tão bom como os melhores, que antes de mim, fundaram o Futebol Magazine.

domingo, 19 de outubro de 2008

Assim tão devagar não se vai longe!

Desta vez o calendário foi favorável, tendo em conta as circunstâncias: nada melhor do que um jogo de Taça, com um adversário do escalão inferior, para recuperar de 2 desaires que deixaram marcas na auto-estima dos adeptos e na relação destes com a equipa.

O adversário

Ocupando um modesto 13º lugar, com um saldo negativo de 1 vitória, 2 empates, 2 derrotas e um 3-4 de golos marcados e sofridos, o U. Leiria era o adversário ideal para o cenário pretendido. Paulo Alves tem um grande desafio pela frente, que é integrar um enorme lote de novos jogadores e simultaneamente pontuar, para justificar as pretensões de regresso ao escalão maior. Não será fácil e Bartolomeu não é conhecido pela sua temperança. Os leirienses estão a entrar num processo de credibilização da sua existência, tendo em conta os desafios que se lhes colacam. Ou deixam à evidência que têm vivido ligados a uma máquina de suporte de vida constituída pelos desmesurados apoios da autarquia mais a teimosia do seu truculento presidente.

O Sporting

Apresentando-se no seu 4x4x2 habitual, Paulo Bento aproveitou para rodar Tiago e Pedro Silva, descansando Rochemback. A titularidade de Liedson é um acontecimento natural, tal como me parece ser nesta altura a companhia de Postiga no ataque. Pareceu-me correcta a insistência em Grimi, depois do sucedido no último jogo. Paulo Bento proibiu os jogadores de pensar em ucraniano mas ele fê-lo, justificadamente. Rochemback e Abel precisavam de uma pausa por razões diferentes, Liedson de minutos com Postiga, Grimi de confiança, Polga de aquilatar as mossas da lesão. Parecia-me ser um bom jogo para Pereirinha.

O jogo

Já vi jogos amigáveis com maior intensidade. Um Leiria simpático com o seu visitante deu de caras com um Sporting parcimonioso com o anfitrião. Paulo Bento achou que a equipa jogou bem, eu diria que jogou demasiado devagar para errar muito e o adversário não lhe colocou problemas. Eu também faço números de malabarismo bonitos com apenas um ovo na mão, mas se forem 2 ou mais e tiver que aumentar a velocidade as coisas não são bonitas de ver. A lentidão de processos foi o principal pecado e quem televisionou o jogo poderia ser levado a pensar que estava a ver a partida em slow-motion. Percebo que 2 derrotas podem afectar a confiança dos jogadores, e isso até se possa reflectir na forma de ligar os lances entre os diversos sectores. Mais difícil é perceber que os jogadores abdiquem de pressionar o adversário e em muitos momentos o deixem espreguiçar pelo relvado, mais ainda quando este nem parece disposto ou não tem armas para fazer melhor do que isso. Paulo Bento bem pode urdir as tácticas que quiser, mas se os jogadores encararem os jogos com a mesma exigência de um treino, as coisas dificilmente melhorarão. Como apontamentos individuais ficam-me na retina uma evolução na continuidade no desacerto de Grimi, bem como o apagamento de Moutinho. Pedro Silva não comprometeu e, com mais ritmo, não fará pior do que Abel tem feito em alguns jogos.

O melhor

Um jogo como estes não poderia nunca resolver os problemas que mais afligem o Sporting. Mas poderia ajudar. Gostava de acreditar que pelo menos a vitória servirá para dar alento à equipa mas a forma como foi conseguida parece-me indicar que tudo ficará na mesma. O regresso de Liedson neste quadro mais não é mais que um xarope para a tosse para um paciente que indicia um quadro mais preocupante. A entrada de um jogador num processo colectivo emperrado ajuda se o jogador tiver o nível do Levezinho, mas não resolve. O melhor foi mesmo o apito final do árbitro. Passado 5 minutos nem me lembrava que o Sporting tinha jogado.

O pior

Os árbitros assistentes não estavam ali para brincar e levaram tudo muito a sério. Fizerem o que puderam enquanto puderam. Se dependesse deles o golo de Liedson às tantas não tinha acontecido. Eram bem capazes de marcar a falta que precedeu o regresso do Levezinho ao balançar das redes.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O sargento Queiroz

Há indivíduos que são avaliados mais pela enorme sombra que projectam do que pelo seu real tamanho. Queiroz é um deles. A sua silhueta é constantemente ampliada pelos holofotes de uma imprensa invulgarmente benévola para quem pouco conseguiu desde que abandonou as selecções jovens.

Quem nasceu para ser um bom sargento não tem que ser um mau general. Queiroz pode ser bom a planificar, a descobrir novos valores e a prepará-los para o jogo, como o fazem os míticos sargentos nos filmes de Hollywood. Mas na hora de dispor as tropas no terreno é um general pouco esclarecido e esclarecedor. Foi isso que se viu ontem em Braga, é disso que nos lembra a sua passagem por Alvalade.

Confesso que via na continentalização do futebol do Manchester, que os alcandorou às recentes conquistas, o dedo do professor. Esperava eu que a companhia de Ferguson lhe tivesse feito bem. Mas parece que ele não nasceu para aprender, para ouvir. Nasceu para ser escutado.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O cavaleiro da triste figura

Dias da Cunha esforça-se por desbaratar a consideração que me merece qualquer sportinguista, em especial os que dedicaram o seu tempo ao clube. Segundo as suas palavras, arriscamo-nos a ver desaparecer o Sporting tal como o conhecemos. Pois que acabe Sr. Dias da Cunha! Se isso significasse ver acabar este Sporting cada vez mais pequeno e nos devolvesse o Sporting dos tempos em que, mesmo quando não ganhava, como não ganhamos agora, éramos efectivamente grandes, que acabe já hoje!

Enquanto isso não acontece, poupe-nos e não se sirva do nosso clube – meu, seu e de todos – como palco das suas rixas pessoais. O buraco está lá, é grande e não apareceu de geração espontânea, embora ninguém o deseje perfilhar, por ter crescido feio e sem controlo. Olhe, como sportinguista que é, prefiro lembrar-me de si como o último presidente campeão!

Por estas e mas também por outra, hoje é um dia triste para mim.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O ovo e galinha

Os números não mentem. São cada vez menos os leões em Alvalade. O presidente interpreta os números como uma crise de militância. Afirma que tem falhado “a ligação emocional da família leonina ao Sporting”. Mas o que apareceu primeiro: o ovo ou a galinha?

FSF está provavelmente demasiado assoberbado e divido pelas imensas tarefas entre a administração de um clube tão grande como o nosso e o seu grupo empresarial. Não lhe deve sobrar tempo para percorrer os núcleos, aproveitando as deslocações da equipa principal. Também não me parece que leia a rica blogosfera leonina. Se o fizesse não proferiria tal afirmação. O mais que poderia concluir era que há uma enorme insatisfação. Resignação e falta de militância não.

Os sportinguistas não gostam menos do Sporting. Provavelmente não sentem que este Sporting goste e precise deles.

Para perceber porque se afastam os sportinguistas FSF tem que olhar para si próprio e para a sua liderança. Sem essa reflexão arrisca-se a não perceber o que se passa à sua volta. Perceber o que é o ovo e a galinha e qual apareceu primeiro. Se foi a falta de liderança ou a falta de militância.

Para os interessados a entrevista de Moutinho ao Record está no sitio do costume.

domingo, 12 de outubro de 2008

As entrevistas vistas por um pacóvio

Convém esclarecer desde já que me tenho em boa consideração. Não me considero mal apessoado de corpo ou de espírito. Mas no que toca ao meu clube sinto-me um pacóvio. Tudo o que diz respeito ao meu clube interessa-me sobremaneira, emociono-me com as vitórias, quando vou a Alvalade entro de boca aberta e custa-me a vir embora, deprimem-me as derrotas, etc, etc. Por vezes é o próprio clube que me trata como pacóvio: na actual campanha de angariação de sócios demoraram cerca de meio ano a enviarem-me o cartão, apesar de ter sido dos poucos a aderir. Há uns anos atrás, muitos, nunca me chegaram a responder à proposta devidamente preenchida que enviei. Pode estar aqui uma das explicações porque o Sporting é um clube diferente: selecciona meticulosamente os seus associados e não gosta de pacóvios como eu.

Mas o tema é as entrevistas de FSF, o nosso presidente. Convém esclarecer que FSF não me encanta mas também não me provoca qualquer rejeição. Acho que é presidente do meu clube porque, ao contrário da inexistente mas barulhenta oposição, tem uma ideia para o clube. O problema é que os sócios ainda não perceberam muito bem qual é e ele também não ajuda. Seja por causa dos "zigs" ou dos "zags". Para mal do clube quem se lhe opõe a única mensagem que deixa passar é que é contra porque não, e não porque tem algo de diferente e concretizável para o clube. Nas aludidas entrevistas saúdo a assumpção de responsabilidades e espanta-me a falta de tacto que é fazer comparações com o slb.

O afastamento dos sportinguistas acaba por ser o tema mais saliente e que já é assunto de discussão há algum tempo. O reconhecimento por parte de FSF da existência de uma crise de militância é uma prova de lucidez, a contrabalançar com a sua incapacidade de ajuizar a qualidade do futebol praticado. É útil se for encarado como um ponto de partida para alterar os procedimentos que a ele conduziram. E alguns são conhecidos de todos. Por exemplo:

(i) Esta SAD afastou-se dos adeptos, prescindiu de comunicar com eles. MRT, Barbosa e até o presidente falam pouco e com pouco apelo emocional. Não duvido do seu sportinguismo, porque senão não estariam onde estão. Mas o discurso tecnocrático sobrepôs-se ao discurso da paixão pelo clube. Se não o sabem ou não o querem fazer entreguem a tarefa aos que nós identificamos como os elos mais fortes com as nossas emoções, como são as antigas glórias do clube. À míngua de vitórias no presente, unam-nos em torno de uma memória das vitórias passadas. Lembrem-se dos núcleos quando a equipa joga fora. E que dizer dos preços?

(ii) O enfoque dado à resolução do passivo é correcto, mas esqueceram-se que os adeptos não querem ser tratados pelo seu clube como o faz o Teixeira dos Santos ou o Belmiro de Azevedo: nós não somos nem contribuintes nem clientes, somos sportinguistas. Não foi pelos campeonatos que o Sporting ganhava que me tornei sportinguista, como não é condição que os ganhe agora para atrair mais gente aos estádios, mesmo concordando que ajudaria. É preciso é recuperar a identidade, perceber o que se perdeu e como.

(iii) Por outro lado este argumento de afastamento da SAD tem servido de álibi a muitos sportinguistas para irem mais vezes ao cinema, ou ao circo, como afinal preconiza Paulo Bento a quem quer ver espectáculos. Se compreendo com dificuldade que não se vá a Alvalade nem que seja para assobiar, não consigo perceber que se deixe de pagar as cotas por causa de não se gostar dos acima citados. São desculpas de mau pagador.

(iv) Há muito que não há um lote de jogadores com quem os sportinguistas se identifiquem. Alguém se lembra de algum jogador afirmar que gosta do clube e gostaria de fazer aqui a sua carreira? Estamos é habituados às facadinhas no matrimónio e daí ao divórcio é um ai.

(v) A “luta ideológica” que nasceu na campanha para as eleições que legitimaram esta direcção não esmoreceu e produziu os seus efeitos. Não é comum que sejam os protagonistas das facções vencedoras a fazer a paz com os vencidos. A não ser que a união se desse em torno de vitórias, mas estas não têm sido convincentes. O facto vermos os glaciares derreterem mais depressa que o passivo também não ajuda. Veremos como ficará no final do mandato.

2 notas finais:

1 – PauloBento não se pode queixar de falta de solidariedade. Fica evidente nas palavras de FSF que há PB a mais e pouca SAD, tendo em conta o que se tem ganho e a falta de qualidade do jogo. É mau para PB e sobretudo para o clube.

2- FSF diz que de nada vale desenterrar cadáveres, referindo-se, suponho eu, ao movimento que tem lutado por uma auditoria às contas do clube. Felizmente os responsáveis pelas gestões anteriores estão bem vivos, pelo que não se justifica o uso da palavra cadáver. A não ser que FSF se refira à pouca transparência senão das contas, que estão auditadas, pelo menos de alguns procedimentos cujo odor não precisa da confirmação dos famosos cães ingleses para indiciar a existência de algo em adiantado estado de decomposição. Como até pode não ser nada, não fica bem a FSF, por ser parte interessada, inviabilizar o procedimento pretendido por alguns sócios. Mesmo que eu pense que eles, além de bons sportinguistas que são com certeza, gostam menos do FSF que do PC…

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A mecânica das coisas

A propósito de mais esta excelente cacifada ocorreu-me esta história:

Tive um carro em tempos. Não tinha sido uma pechincha e cumpria bem o que dele esperava. Era então um recém-encartado e de carros sabia o mais importante: os que os tinham safavam-se melhor do que os outros. Um dia o gajo não pegou de manhã. Chamei o mecânico e o veículo acabou por fazer uma humilhante viagem em cima do reboque. Uma vez na oficina pegou à primeira, como deve acontecer sempre a qualquer topo de gama, que ele não era.

Quebrou-se ali a minha relação de confiança com o bicho, agravada por rumores pouco abonatórios para a fiabilidade da marca. De tanto me avisarem da minha má opção, comecei a achar que o carro adornava em demasia nas curvas, perdendo a direcção. Despachei-o à pressa para um “caridoso” amigo. Perdi algum dinheiro, que me deu para adquirir um carro mais barato e pior. Não dava tanto nas vistas, tinha uma cor desmaiada, mas eu confiava nele porque me dizia quem sabia que o podia fazer. E de facto assim era. Depressa estabeleci com o novo veículo uma relação de inabalável confiança: sabia precisamente quando falhava: sempre que os dias amanheciam frios mais os outros em que menos se esperava. Um carro de carácter vincado.

Só mais tarde percebi, numa viagem a Braga, que o meu antigo carro, não só não dava notícias de falhar como fazia as curvas muito bem e bem depressa. Claro que não o consegui reaver e para comprar outro igual já não tinha dinheiro suficiente.

Quando olho para o que tem acontecido com alguns do nossos recursos humanos vêm-me à ideia que o problema pode muito bem ser o mesmo que o meu: falta um encartado com experiência no meu clube. Ou alguém que perceba de mecânica. Ou ambos os dois, um com o outro.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Post de avanço

Resolvi fazer como faz a minha equipa. Dou este post de avanço. Entre este e outro mais substancial. Não por preguiça ou por desinspiração, mas para não dar espaço à amargura e ao desencanto. Que assente o pó no chão onde a toalha nunca há-de tombar sozinha.

É a hora de cerrar os dentes e ser lúcido: enquanto não é possível comemorar as vitórias que desejamos, é preferível não ganhar com esta camisola do que alcançar todas as glórias com outra qualquer vestida.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Equipa Prozac

Podemos ter descoberto nos resultados desta época uma forma de abatermos rapidamente o passivo: jogarmos com equipas em crise, para lhes levantarmos o ânimo, cobrando o cachet correspondente, que, como é bom de imaginar, tem de ser alto! Esta equipa consegue melhores resultados no ânimo dos adversários que qualquer bateria de psicólogos ou até do famoso bruxo de Fafe.

Senão vejamos:

No Nou Camp já se tinham visto lenços brancos no jogo anterior à nossa deslocação. Contando com a nossa prestimosa colaboração, o Barcelona fez uma espécie de treino de conjunto com uma equipa perfeita para o efeito, sem pingo de agressividade, porque jogadores como Xavi e Iniesta, Messi ou Etoo são demasiado caros para se lesionarem. O Barcelona deveria ter-nos entregue o prémio de vitória, pois serviços destes são caros e nem sempre produzem os efeitos pretendidos de forma tão imediata: De lá para cá foi só ganhar.

Os nossos eternos rivais do outro lado do Colombo andavam a jogar um futebolzinho pouco consistente, com muitos golos sofridos, e, além dos adeptos até os próprios jogadores já pareciam duvidar da sua própria sombra. Nada melhor do que encontrar a nossa equipa pela frente. Entramos para matar, coisa que não deveria estar no programa, pois depressa retornamos à condição de “sofá de psicanalista”: “deite-se aqui senhor adversário, de forma confortável e fale-me dos seus problemas, que não há nada que não se resolva”. “Causa-lhe sofrimento tanta insegurança? Deixe estar, arranja-se um 2-0, porque os senhores têm que resolver esse problema rapidamente, para o jogo com os italianos e com o Leixões.”

Vão os andrades de passeio até Londres, donde regressam com humilhante e hilariante derrota (e Capello a Wenger, toda a gente se riu nos Emirates), para apanharem pela frente equipa mais profilática do que Prozac, porque nem tem efeitos secundários. Interessada em vincar a sua atitude afável, de equipa capaz de convalescer um dragão moribundo, oferecemos-lhes aquilo que eles pagariam muito para ter: um regresso tranquilo. Um descanso até para seguradora do parque automóvel do fcp: uma derrota poderia ser mais uma noite de cristal…

Como vivemos uma crise financeira, há muita gente a perder no banco. É também o que nos tem estado a acontecer. No Colombo PB adormeceu e quando acordou já era tarde. Pelo menos teve, em sonhos, uma agradável 1ª parte. Ontem começamos a perder no balneário. Que visionário poderia por a jogar a 10 um jogador que não consegue receber e passar uma bola com a eficácia que se exige a um júnior? Quanto ainda teremos que pagar pelo amadurecimento de Patrício? Se tivéssemos trocado de guarda-redes não teríamos perdido o jogo. Tirar Postiga até se compreende, porque, inconformado como estava, era capaz de interromper a recuperação do dragão…

Da minha viagem a Alvalade fica o divórcio entre a equipa e o público. Não que não tenha havido apoio, antes pelo contrário. Mas os sportinguistas ontem apoiaram mais que nunca o clube e menos esta equipa. Esta não é a equipa dos sportinguistas, nem no alinhamento dos disponíveis, nem na atitude, nem na qualidade do futebol praticado. Pelo cheiro, a paz está mais que apodrecida. Mesmo assim lá enchi os pulmões até às mitocondreas, porque mesmo com odor desagradável, é este o meu Sporting e não sei quando lá voltarei.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A propósito dos assobios

Ao folhear os jornais hoje, dei de caras com relatos de crimes passionais. Foi o remédio de escaravelho que caiu na sopa do marido infiel. É a mulher que, qual leve corça, foi apanhada a saltar a cerca e, tendo-se livrado de ser perseguida pela matilha, já não se livrou das cartuchadas. Enfim, tragédias que é melhor nem ver nos jornais ou na televisão.

Ao passar os olhos nestas misérias percebi os sportinguistas que assobiaram na 4ª feira: sentem-se traídos! A equipa com o modelo de jogo consolidado, o plantel mais estável, os reforços cirúrgicos, o treinador e equipa com o casamento mais longo dos 3 grandes aprestava-se para, á frente de todos, tal como em Madrid, Barcelona e Colombo, deixar-se levar e abrir as pernas ao inimigo. Queriam o quê, que batessem palmas, para marcar o ritmo?

Os jogadores e treinador ainda se queixam! Não fora o amor pelo clube e ele veriam como a palavra “saraivada” também pode ser usada antes outras mais contundentes que "assobios".

Olhem, se querem saber, até acho que foi isso que os despertou.

Deixo-lhes a visão do Presidente da A.G., que é um pouco diferente da minha.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Chocolate suiço com pouco cacau

Para que servirão estes 3?
Ganhar os primeiros 3 pontos, mais os 600 mil € correspondentes, foi uma tarefa executada sem brilho e num registo de esforço pouco consentâneo com os pergaminhos do adversário. Servirão para o apuramento?

Crise, que crise?
Tal como previa no post anterior, não são este o tipo de exibições que chamarão os adeptos a Alvalade. Como se viu ontem nem a totalidade dos clientes das gameboxes comparecem. Não pode ser só a crise financeira a arcar com as culpas.

Mais vale tarde do que nunca, mas...
Quem vai aos jogos da Champions sabe que se arrisca a chegar tarde ao seu lugar. Amanhã falarei sobre isso. Ontem foi a equipa que teve o mesmo problema. Aqueceram 10 minutos e depois “evaporaram-se”. Regressaram na 2ª parte. Este filme, rodado vezes sem conta, desde o ano passado, em Alvalade e em muitos estádios onde o Sporting passa, começa a fatigar os sportinguistas. E isso notou-se ontem. Paulo Bento também não deve ter visto a 1ª parte, porque senão não teria dito o que disse.

Assobiar para o ar
Não creio que ouvir assobios enquanto se está trabalhar seja muito estimulante e ajude a discernir quem já está baralhado. Mas os jogadores e o treinador devem perceber que a paciência tem limites. Depois de Barcelona e do aviário colombino aquela 1ª parte ameaçava tornar-se num filme de terror visto e revisto. E não adianta vir com a história do 1º lugar e da Supertaça entretanto conquistada, porque a jogar como na 1ª parte de ontem, na 2ª com o slb, e como em todo o jogo de Barcelona, habilitamo-nos a não ganhar mais do que desilusões e insónias. É isso que os sportinguistas temem e a 1ª parte de ontem justificou os temores. Os assobios, naquela altura, provavelmente não.

Barco adornado
Rochemback funciona nesta equipa como uma âncora demasiado pesada: se não fosse cortada ao intervalo, o barco adornado da 1ª parte poderia ter naufragado. Moutinho não está um primor, Veloso defende pouco e muito só e Romagnoli funciona em vai-vem. Mais vai que vem, mas sempre veio na 2ª parte. Também de que vale ter um 10 se as bolas circulam pelo ar? Grimi não justificou ainda tanto dinheiro e vai ser difícil se o Polga insistir em fazer aqueles passes a queimar. Gostei dos 2 avançados. Seriam melhores se fossem melhor servidos, coisa que poucas vezes aconteceu. Apesar de satisfeito por marcarmos, não posso deixar de, realisticamente, agradecer à sorte por 2 golos fortuitos: carambola de bilhar no 1º e escorregadela no 2º.

Saldo a zero
O resultado final, conjugado com a reviralho de Messi na Ucrânia, transformou-nos o saldo negativo da 1ª ronda num saldo a zeros. Todas as esperanças são legítimas porque as hipóteses de qualificação estão incólumes. Em teoria. Isto se a prática melhorar muito.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ao menos pela cor do dinheiro...


As coisas podiam ter sido um pouco mais a gosto no que diz respeito ao calendário. Jogar com os tripeiros a seguir a uma derrota ante a lampionagem, com mediação suíça na Champions, não é o melhor dos cenários.

Começa por ser uma conjuntura desfavorável para o tesoureiro: as gameboxes não atraíram tantos como seria desejável e os suíços são mais conhecidos pelos chocolates ou pela forma discreta como guardam o dinheiro que lhes confiámos do que pela qualidade do seu futebol. Não fora o estrabismo de um árbitro auxiliar e estaria o Guimarães no lugar deles.

O estádio quarta-feira só não estará às moscas porque, como diz a sabedoria popular, aquelas não se deixam apanhar com vinagre. Como as exibições têm azedado, o melhor que se poderá esperar é uma meia-casa bem composta por cadeiras coloridas vazias. Muitos serão os que ponderam fazer descansar a carteira e o coração para o embate do próximo domingo. Se pudesse escolher e viver com a escolha iria quarta-feira, repetiria no domingo, regressando com um saldo de 2 vitórias no bornal.

Felizmente que a equipa não tem as minhas limitações orçamentais. O estágio será em Alcochete, as viagens no autocarro do clube. Não têm que pagar bilhete para entrar. Apenas têm que se lembrar que são os actores principais e não espectadores privilegiados, como nos golos que permitiram no sábado.

Se pôr sete pontos de distância entre nós e os nossos eternos rivais não foi higienicamente motivador para os nossos jogadores, se o prestígio do clube, a dedicação e satisfação dos adeptos lhes diz pouco, que o façam agora com o Basileia pelo dinheiro. E vão estar muitos empresários a ver, nem que seja via TV.

Se não for pelas nossas cores que seja pela cor do dinheiro! São 600 mil dele, em caso de vitória!

domingo, 28 de setembro de 2008

Leões (mal) amestrados

Havia um galinheiro no meu quintal. Mas desde que as últimas inquilinas fizeram uma última viagem sem regresso até a um arroz de cabidela, porque se começou a falar da gripe das aves, que nunca mais tive necessidade de lá voltar. Tal como não tive hoje vontade nem oportunidade de ir ao aviário do Colombo, onde, aliás, nunca entrei. Se era para observar as galinhas no seu habitat natural, continuava com a produção própria aqui à porta de casa.

1ª parte com 20 minutos
Uma boa entrada que, com um ponta-de-lança a sério, nos teria posto por cima do jogo. Nos primeiros 20 minutos ficou a sensação de que éramos mais equipa e tínhamos mais soluções. Daí para a frente comecei a ver um fórmula 1 com um furo lento: quanto mais passava o tempo, mais para trás ficava.

2ª parte á espanhola
Não me refiro ao 2º tempo de Quique e sus muchachos. Refiro-me á nossa equipa, que resolveu reeditar no relvado aviário as suas últimas prestações em Espanha. Falta de fibra de vontade, de sentido de equipa ou se quiserem em 2 palavras apenas: falta de categoria.

Leão vegetariano
Esta equipa não é feita à imagem do nosso símbolo. Falta-lhe garra, “killer instinct”, não sabe caçar. Os nossos jogadores portaram-se como leões anafados de jardim zoológico, que não têm que correr para comer. Ou, pior, nem gostam de carne. Algum sportinguista se revê “nisto”? No circo Chen já vimos leões com postura mais agressiva. Advinha-se um doloroso divórcio entre esta equipa e os adeptos.

Leão sem cérebro por causa de um meio-campo de equívocos:
Romagnoli continua sem justificar a aposta: não ataca e não defende. Grande parte do nosso flop em termos ofensivos está na sua “insustentável leveza de (não) ser “ um número 10 a sério. Moutinho continua de castigo, jogando nas posições onde é menos bom. Rochemback não é tão decisivo como precisávamos. Veloso foi insuficiente.

Campeã no Guadiana para ver os navios no Tejo?
Se depender de si própria esta equipa, mantendo-se assim, nunca será campeã: podendo deixar um competidor directo a 7 pontos de distância jogam como se fosse um jogo da liga intercalar. Ninguém lhes explica que agora é a sério?

O amestrador Bento:
Paulo Bento congeminou bem a estratégia como indiciaram os 1º´s segundos do jogo e ficou-se por aí. Viu a equipa sossobrar sem nada fazer. Sem revelar qualquer ambição, satisfez-se demasiado cedo com o 0-0 e mereceu o castigo. Não percebeu que tinha perdido o meio-campo e mexeu sobretudo na frente. Sem as bolas lá chegarem não vale a pena ter lá ninguém. E ainda por cima mexeu mal, tirando Postiga, um jogador e não um projecto de jogador como Djaló. PB pode ter os jogadores bem amestrados, mas os números que fazem não encantam ninguém. Preferia que PB fosse lembrado como um treinador campeão, mas acho que ele prefere ficar-se pelo “Grande Disciplinador”.

Um enorme balão a esvaziar
As consecutivas exibições após a conquista da Supertaça fazem lembrar um enorme balão a esvaziar: quando tudo parecia estar lançado para uma viagem segura eis senão quando se começa a notar que o balão perde velocidade e altitude e começa aos poucos a voar sem direcção, completamente à deriva.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Enquanto o clássico não chega

Com um entorse no joelho – quando todos julgávamos que ficava um bocado acima do bolbo raquidiano – Vukcevic vai estar ausente do derby de amanhã. Por razões semelhantes, isto é, por lesão, ficam igualmente de fora Caneira e Izmailov. Mais que a sua substituição no 11 inicial preocupa-me a drástica redução de opções para o banco, caso PB tenha necessidade de operar mudanças no decorrer do jogo. Não é no entanto razão para não acreditar num bom resultado que, para nós, antes de começar qualquer jogo, é sempre a vitória. Depois logo se vê.

Apesar do aqui escrito ontem, fico aliviado por o árbitro ser um assumido benfiquista. E de Lisboa. É que do mesmo C.R. de Arbitragem e a dizerem-se sportinguistas ou não, só nos têm saído duques e nenhum deles é Luís. Mas assim é menos uma desculpa para quando tornarmos amarga a noite de sábado, como diz o nosso Presidente da A.G. Espero que os nossos jogadores amanhã estejam mais inspirados do que o nosso Presidente da AG a falar do clássico...

A noticia de que ganhámos um jogo que dura há quase 30 anos só pode ser uma boa noticia e digna de figurar no Guiness Book. Os meus parabéns a FSF, que foi o responsável pela mudança de táctica que conduziu a esta vitória. Espero pois o rápido entendimento com CM de Lisboa para que da próxima vez que se fale em passivo este esteja 29 milhões de euros mais magro. Um caso evidente de que gordura não é formosura.

Os que defendem de forma intransigente a continuação das modalidades, têm no apelo do novo treinador de andebol e antigo jogador da casa, mais um motivo para se deixarem de platonismos e irem directo aos finalmente. Se não terei que dizer também: cantas bem mas não me alegras!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Rico prémio!

É sabido que a UEFA é vesga e avessa à introdução das tecnologias para análise dos lances mais complicados de ajuizar nos jogos de futebol. Sabendo-se que alguns desses lances são difíceis de avaliar até numa 1ª visualização vídeo, e por isso impossíveis de ajuizar à vista desarmada no mesmo instante em que ocorrem, esta posição revela que os homens de Nyon gostam do erro. Ou até lhes dá jeito…

A Comissão de Arbitragem da LIGA parece que leva muito a sério esta disposição da UEFA e, indo mais longe, abstém-se até de visualizar os resumos dos jogos da competição. Só assim se entende que nomeie Duarte Gomes para o derby de sábado, depois de sancionar um penalty destes. Rico prémio! Por explicar fica também como a Antena1 soube antes de todos os outros orgãos de comunicação social e antes da publicação no site da Liga o nome do indigitado. Mas só não se sabe se não se quiser: entre o nomeado e os nomeadores, quem mais poderia saber?

A não ser que … O melhor mesmo é olhar para o 1º comentário à nomeação. Não deixa de ser sintomático que o autor se lembre do lance de há muitos anos e não se lembre daquele escandalo que foi o ano passado na Reboleira, para a Taça da Liga.

Seja lá o que for qualquer árbitro me serve e nenhum me deixa tranquilo. Já vi tanta coisa. Desde os porcos a andar de bicicleta, à fruta e às meias de leite, a arbitragem nacional é cada vez menos capaz de nos surpreender. Pela positiva, pelo menos.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

SALT precisa-se

Uma mentira (os problemas disciplinares no Saturn) dita muitas vezes acaba por a ser verdade. Que Vuk tem caracter estranho e dificil já toda a gente percebeu. Das 2 uma: ou não o iam buscar ou preparavam-se. O extremar de posições revela que não há saber nem vontade para reverter o inegável talento de um jogador em prol da equipa e que o trabalho de casa não foi feito. Sendo Vuk e Paulo Bento protagonistas e réus, não são os únicos culpados. Falta quem, prevendo o pior cenário que cada vez mais se parece instalar, prevenisse para não ter agora que remediar. Isso sim, seria gerir.

O show sem bola do montenegrino após o jogo com os de Belém foi só mais um episódio – tão mau como desnecessário – numa novela demasiado comprida para o interesse dos intervenientes e de quem lhes paga. No episódio anterior tínhamos visto o treinador enviar um recado tão subliminar que só lhe faltou o código postal do Montenegro… É quase tudo tão surreal e incómodo como assistir ao Momento da Verdade: é real, mas ninguém precisa de ficar na posse de tantos pormenores.

Hoje Abel falou e, pela primeira vez se ouviram palavras sensatas. Como sportinguista espero que seja o primeiro sinal de uma bonança interna duradoura. Desanuviar internamente, fazer o nosso SALT interno, para usarmos com proveito TODAS as nossas armas estratégicas contra os nossos adversários.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Flower Power

O país acordou aliviado. Não, não foi pela baixa dos preços dos combustíveis ou por pensar que o cartel da gasolina cessou funções. “Pelo menos” 6 milhões acordaram hoje felizes pela 1ª vitória da era das flores em fato de treino. Yo no creo em bruxas, pero...

Enquanto isso há uns pequenos e insignificantes 3 milhões e tal ( a melhor empresa de estatistica é do sportinguista Rui Oliveira e Costa...) que há muito acordam rabujentos e passam os dias macambúzios. A coisa até podia ter justificação na má companhia do Nacional, pois sportinguista que se preze nem no vulgar papel de jornal se gosta de ver ladeado pelo eng.º alves. Mas não.

Também não é passivo renitente, ou o receio de que a única modalidade do clube, além do futebol venha a ser, a curto prazo, a sueca nos jardins do Campo Grande. O que os sportinguistas mais temem é ver nas noticias matutinas a confirmação do pesadelo de ver o Vukcevic de ak-47 atrás do Paulo Bento e o Derlei de zaragatoa atrás daquele, é mesmo real. Ou que o Moutinho tenha ido para o Bahrein, porque lá se paga melhor. Ou até mesmo o Veloso, ansioso por internacionalizar a carreira, tenha assinado pela D&G ou pela YSL.

Aqui de cima fica a ideia que a SAD não quer saber do que se passa, ou anda à procura dos faxes com propostas dos empresários dos jogadores que dizem querer sair. Não quero ser injusto, pois só há conta do Veloso já devem ter sido transformados muitos hectares de floresta em papel, e gerir casas sem pão, onde todos ralham e ninguém tem razão, não deve ser fácil. Já agora, se puderem alocar um administrativo que ponha numa folha de Excel, o nome dos jogadores e o respectivo número de um dos muitos telemóveis, agradeço. De seguida afixem-no no balneário. Isto para que, jogadores e treinador, não tenham de ir ao quiosque mais próximo atulharem-se em jornais para saberem o que cada um diz.

Por uma vez pensem nos adeptos. Já temos que escolher entre aqueles canais exxxtras e a quota de sócio. Ou entre a gameboxe e uma camisola do..., do....(deixa ver um com carisma…) hum, prontos do Damas, Sá Pinto ou Manuel Fernandes. Isto são escolhas a mais e muito difíceis1 Não nos obriguem a escolher entre o clube do Paulo Bento ou do Vukcevic, porque, caso ainda não tenham reparado, são ambos do mesmo. Por enquanto, pelo menos. Os alvos a acertar estão do outro lado do campo, vestem-se noutros balneários e, é regra, têm uma camisola mais feia que a nossa. Mostrem-nos que têm sentido de orientação e pontaria. Já no sábado, de preferência...

Peace and love, please!

Ou, se quiserem a mesma coisa mas com mais tempero, deixem-se de merdas!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Entrevistas

Na sequência da apresentação de contas o Presidente do Clube e da SAD deu uma entrevista cujos pontos mais salientes são:

1- A internacionalização da Academia terá a sua estreia na África do Sul e não pela África lusófona, como seria de supor;

2- O aumento de receitas através das Gameboxes parece impossível de ser alcançado;

3- A adesão aos protocolos do cartão S3G segue também em baixa;

4- As modalidades e o novo pavilhão terão que sofrer uma reflexão séria;

5- Parece com fim à vista o diferendo que nos opõe à C.M. de Lisboa;

6- E é posto preto no branco o passivo, onde tal como no campeonato, seguimos isolados, com muitos de avanço e sem a companhia do Nacional;

PS:- O Derlei esteve duplamente mal quando falou sobre Vukcevic. Primeiro porque se imiscuiu num problema que não é dele. Se não podia ajudar pelo menos esforçava-se para não complicar. E, atendendo ao testemunho de quem lidou com o montenegrino 2 anos, também falou do que não sabia.

Estupidez em espiral

Derlei deixou ontem claro que pensa tão devagar como corre. Da sua fase ninja só parece ter ficado a carapaça que lhe custa a arrastar, mais o pequeno cérebro de tartaruga. Mais que as declarações à puxa-saco, preocupa-me a evidência da balcanização do balneário, com confrontações surdas entre a Sérvia e Montenegro e o Brasil, com Portugal a assistir. Cartas brancas dão nisto. Alô SAD, is anybody out there?

domingo, 21 de setembro de 2008

Futebol de Sala

Sem preliminares:
Não precisei de fazer 7 centenas de Km para ver o meu Sporting. A sandes de leitão ainda deve estar á minha espera na Mealhada. Não tive dificuldades em estacionar o carro na garagem, nem em procurar o meu lugar no sofá. A minha sala não cheirava a couratos e cachecóis era só o do meu filho. O futebol sem preliminares não tem a mesma pica. Mesmo que no intervalo se coma o melhor bacalhau à lagareiro do mundo e arredores.

Ilusão de óptica:
Poderia dizer que a equipa esteve melhor do que em Barcelona se o adversário não fosse um pastel de Belém com demasiada canela. Não jogamos muito bem mas também não jogamos muito mal, antes pelo contrário.

Não há pipis:
A mim não me perguntam nada. Mas se perguntassem teria dito para renovarem com o Rogmanoli, há um ano atrás. Estava enganado, o que afinal não é nada de mais, pois ainda devo ter uma média de acertos superior à do C. Freitas. O Pipi até pode fazer tudo o que o Paulo Bento quer, ao contrário do Vuk. Pode confundir a forma singular com a plural dos pronomes pessoais mas tem um problema. Pequeno, nas não deixa de ser um problema: Não faz nada do que nós queremos.

Deixem comer o Roca:
O homem fica fraquinho de jogo para jogo. Ou rescinde o contrato com a nutricionista que contratou para a vida, (o que seria uma pena) ou ela acerta nas doses de farofa e picanha, ou então não sei. A exibição dele foi longo “pôxa Paulo você não acerta a minha posição mesmo!”.

Postiga: janela aberta para mais 3 pontos:
A minha aposta para este ano. Até agora está a render. O companheiro ideal de Liedson, se os egos não chocarem. Já Djaló continua com demasiadas esquinas nas botas. Se o futebol fosse só correr…

Final Feliz:
Mas tudo está bem quando acaba bem. Continuamos em 1º, o mais importante afinal, porque quem quer ver espectáculo que vá ao Cirque del Solei.

Prolongamento
Foi o 1º jogo do campeonato que vi com prolongamento. O Vuk pode não saber falar português mas provou que é inteligente e tem memória. Como o que ele mais quer é jogar, e ontem, mesmo q.b., provou que o pode e deve fazer, vai de imitar o bom exemplo do capitão e diz que quer ir embora. O PB, que sabe que o Natal é em Dezembro, para o castigar, não lhe pode tirar a braçadeira porque que ele não tem. Não o pode por no banco porque também não o fez ao capitão. Só o pode por a jogar!. Bem visto Vuk! Agora podes é, de castigo -tem que haver algum- jogar a lateral direito ou a central. O Moutinho, de castigo, também joga a trinco.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Eles a falar e eu a ver

Olhar para o que interessa
Como é habitual às sextas-feiras, dou destaque à coluna do senador e Presidente da AG. Quanto a mim esquece o essencial da questão: não deslustra perder mas sim como se perdeu. Adiante...

Oportunidade perdida
Já sobre o que diz o João Moutinho só me ocorre um comentário: porque não te calas?... Perdeu a oportunidade de estar calado.

Sinceridade acima de tudo
Paulo Bento, que este ano tem falado mais sobre quem não joga do que dos que jogam, também falou hoje. E diz ele "(...) É muito fácil trabalhar comigo se pusermos o nós à frente do eu. Se fizermos o contrário, digo que é muito difícil.(...)". Obrigado, mas já tinhamos percebido. Falta perceber se estava a falar do e para o Vuk ou do Moutinho...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Atenção aos pormaiores

Podem ter passado ao lado de muita gente o diferente teor das declarações de Paulo Bento e de Jesualdo Ferreira sobre a paragem do campeonato. No lançamento do jogo de Barcelona escrevi aqui que “A resposta que a equipa vai dar a quase 3 semanas sem competição será uma das chaves do jogo.” Não explicando tudo o que aconteceu, não tenho dúvidas que seria preferível ter ido a Camp Nou com outro ritmo.

Veja-se pois o que disse Paulo Bento antes do jogo de Barcelona: “(…) não se entra num jogo da Liga dos Campeões após paragem tão prolongada. Penso que poderíamos ter jogado neste fim-de-semana, até porque, em Janeiro, vai haver sobrecarga com os jogos da Taça da Liga e o Campeonato poderia ter aproveitado este momento para avançar (…)".

Sobre o mesmo tema disse Jesualdo: "(…) Temos que ser sérios e profissionais a abordar essa questão", referiu o treinador portista, dando conta de que o calendário foi sugerido aos clubes no inicio da época e que estes puderam dar a sua opinião.”(…) (…)"não é só quando o fogo pega que se atiram as chamas para todos os lados e alguém se queima"(…). Lembro que as declarações do treinador portista ocorreram depois das de PB... Atente-se ainda no que diz Jesualdo após o jogo: “(…) Se tivéssemos tido um jogo no sábado ou no domingo, qual teria sido o resultado? Fomos felizes porque o calendário abriu esta porta. Sabemos que os jogadores nesta altura têm menos capacidade para recuperar (…)”

Face a isto, pergunto eu:

Quem representou o Sporting como interlocutor da Liga nesta questão?

A questão chegou até Paulo Bento ou alguém da equipa técnica?

Se sim, qual foi a resposta?

Se quase todos os clubes que se pronunciaram contra paragem tão prolongada quem tomou a decisão?

Quem foi na Liga o porteiro de que abriu a porta do calendário?

Pormaiores destes fazem muitas vezes diferenças que podem significar ganhar ou perder um campeonato.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Angústia para o jantar

Suspense
Nas noites europeias a ementa mais comum é a angústia de não saber se vai ser uma noite como tantas outras. Seja por falta de classe, por falta de sorte, por erros nossos e alheios. Hoje o suspense demorou apenas 20 minutos, quando ainda não tínhamos passado o meio-campo.

Flashback
Vi um qualquer jogo do ano passado. 1 hora de avanço, com a nossa equipa inteira a fugir à frente da bola. Falta de classe. Marcação à vista. Meio-campo de Ramblas e avenidas Diagonais. O Sporting a estender tapetes vermelhos, como se o relvado de Camp Nou fosse o Passeig de Grácia.

Viagens a Espanha não são visitas de estudo
Para um adepto sportinguista a realidade pode ser pior que alguns dos maiores pesadelos. Para equipa, ir a Espanha é uma excursão. Só que os grupos excursionistas viajam em low-cost, ficam em hotéis baratos. Não voam em charters e dormem em hotéis de 5 estrelas. A repensar para próximas deslocações.

Perspicácia e rapidez de raciocínio
PB demorou 63 minutos a perceber que Romagnoli para lá de ter adorado pisar o mesmo relvado que Messi não deve ter percebido mais nada. O mesmo tempo para ver que Moutinho é um desperdício naquele lugar quando se tem Veloso. Percebeu que Rochemback não é bom ali mas ainda não percebeu onde será melhor. Percebeu que Djaló sem bola era melhor no balneário. Tudo isto em 90 minutos. Eu, passado este tempo todo, ainda não percebi nada.

O regresso às fronteiras
Após o jogo de hoje ficamos elucidados: Ou somos outros, para muito melhor, ou em Dezembro estamos confinados ao nosso rectângulo. Para a Europa do futebol nos ignorar porque não jogamos nada. Uma equipa assim não merece mais do que ir de passeio às Matas Reais, aos Arcos, à Reboleira, ao Bento Pessoa.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Não somos perus, pois não?

Não somos perus, somos leões. Se fossemos perus morreríamos de véspera. Como somos leões, acredito que lutaremos com todas as forças pelo melhor resultado. É obrigatório pensar em ganhar. Neste e em todos os jogos.

A resposta que a equipa vai dar a quase 3 semanas sem competição será uma das chaves do jogo. Seria bom que os jogadores jogassem contra os 11 de Barcelona e não carregassem o peso da história dos catalães. Deixem isso para os jogadores do Barcelona. E não pensem que jogam contra os 70 mil das bancadas. São muitos para lhes conseguir ganhar. A não ser que os catalães fiquem com o diabo no corpo. Ou decidam ganhar espaços. Nesse caso ponham-se a milhas, que nós compreendemos.

Paulo Bento pronunciou-se hoje sobre a paragem do campeonato. Com razão no que disse, embora melhor fosse que o tivesse feito antes, de sua iniciativa, e não apenas para responder a um jornalista. Ou então que dissesse que, apesar disso e contra isso, vamos "con todas las ganas e ilusion"...

A fazer lembrar uma novela TVI, esta coisa do Vuk! Paulo Bento até pode ter tido razão. Mas é preciso saber ter razão. E se o deixa fora por opção técnica e leva Tiuí não pode ter razão. Assim mais parece daqueles sargentos chatos que todos nós nos cruzamos pelo menos uma vez na vida. Começa a ser cansativo ter um caso bicudo por ano. Estará PB sempre certo?

Foi com insinuações não desmentidas que o ano passado se queimou o Stojkovic: que agrediu o "croissants" Barbosa, que ele não corria nem saltava. Agora vamos pelo mesmo caminho com o Vuk. Este é capaz de ser um sapo mais dificil de engolir que o sérvio, apesar de mais pequeno: é que muitos sportinguistas o viram jogar o ano passado e até aos treinadores da liga o elegeram a revelação da época . Ele até pode ter falhado, mas quem nunca teve 22 anos, foi jogador de futebol e vontade de jogar que atire a 1ª pedra. Ou o enterre de vez...

Ah, ia-me esquecendo: O Camp Nou e nós, sportinguistas, merecemos melhor do que ver passarinhos… Piuí, Piuí

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Eleições antecipadas

Tal como previ em post anterior, o tabu de PB ( e agora também de FSF ) sobreviveria à entrevista que o canal de Balsemão agendou para combater o cada vez mais popular Trio de Ataque na RTPN. A Bola decidiu hoje antecipar as eleições no meu clube e toca de interrogar os habituais “notáveis”. (Aceito o termo, se bem que nem todos o sejam pelas melhores razões. Há formas de se tornar tristemente notável e, no Sporting, ao longo dos anos, muitos se têm esforçado nesse sentido, confundidos talvez pela interpretação a dar à palavra “esforço” na nossa divisa.) Adiante. Para já fica a ideia que não há grandes ideias, apenas se discutem pessoas. O que é pena. A ver vamos, como dizia o cego.... Ah! e sabemos que estão com PB.

Este espaço não corresponde a nenhum lobby de pressão, a nenhum grupo de reflexão, resultou apenas e só da inspiração proporcionada por um grande sportinguista, de cujo espaço sou visita efectiva e comentador em part-time, porque são muitos os sítios por onde gosto de botar discurso. Por isso nunca verão aqui expressa nenhuma tendência que não a minha.

Isto tudo para vos dizer que ainda serei capaz de ter problemas no maxilar de tanto manter a minha boca aberta de espanto perante as declarações de um antigo Presidente da A.G., ex-candidato a Presidente do clube e de quem muitos sportinguistas esperariam muito mais que isto. Quanta acrimónia, Sr. Dr. !
É caso para dizer que este Abrantes não é o de antes. Então Sr. Dr. não ganhámos? Podemos não ganhar tanto como nos anos 40 e 50 mas ganhamos mais que nas 3 últimas décadas anteriores. Mais que na década de 80, lembra-se? Então e de que clube é agora?

Antes de vos deixar, fiquem com a crónica do nosso Presidente da AG no “Apoio ao Norte”. E venha daí a bola que isto ainda se torna uma clínica de recuperação...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A hora dos cínicos

A derrota da selecção nacional trouxe-me à memória a velha dialéctica entre o jogar bem e não ganhar e o jogar mal e ganhar. Um tema que ainda recentemente agitou a nação sportinguista após o jogo de Braga.

Foi a hora perfeita para o aparecimento das velhas clivagens. Os órfãos do sargentão, argumentando que nunca perdemos um jogo de qualificação. Os queirosianos atirando para cima da mesa uma exibição de luxo, como há muito não se via. Puro cinismo. Scolari nunca conseguiu fazer a diferença que se esperava de um campeão do mundo e o futebol de ontem é um passaporte para lado nenhum.

As coisas são mais simples do que parecem. A selecção não jogou assim tão bem como isso e por isso perdemos. Tal como em determinados momentos com Scolari, faltou-nos sempre qualquer coisa.

Jogar bem é não só chegar com maior frequência que o adversário à baliza deste. Jogar bem é fazê-lo em todo o campo, nos diversos momentos do jogo, quando se defende, ataca, recupera a bola, o fôlego e se desgasta o adversário. Quem o faz bem ganha ou pelo menos não perde.

Qual a diferença entre esta derrota e a nossa vitória em Braga? Em Braga não brilhamos a atacar mas fomos eficazes e a defender não falhámos. Ganhámos porque jogamos bem? Não. Ganhámos porque fomos melhores do que o adversário. Tal como os magnunsun´s ontem.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Paulo Bento ontem e o futuro amanhã

A continuidade de PB à frente do comando técnico da equipa é o assunto que ressalta da entrevista e que a ela sobreviverá pelos próximos meses. A pergunta que não foi feita, e por isso não respondida, é se PB tem vontade de continuar. Fica por isso um vasto campo aberto a todo o tipo de especulações, que não tardarão. E o teor destas oscilará tanto como os resultados da equipa de futebol. Do resto da entrevista fica a ideia de que o futebol é muito bonito é nos relvados. Fora deles são raras as vezes que me faz trocar um cortejo de bocejos por segundos de surpresa ou admiração.

Quando contratamos PB assumimos um risco. Renovar hoje com PB é muito menos arrojado do que foi então contratá-lo. Quem o contratar sabe com o que conta e até onde. Isto é o mesmo que dizer que não levantaria a voz contra a renovação do seu contrato. Seria mais útil do que a manutenção do limbo que se anuncia. É também o mesmo que dizer que os feitos de PB à frente da equipa são lastro suficiente para se saber que ganhar campeonatos, no que depende da sua gestão, é uma questão de tempo. Aqui ou noutro clube. E nunca é demais realçar que com PB tentamos fazer uma retoma nas vitórias em contra-ciclo com uma estrutura económico-financeira próxima da ruína.

Mas o futuro acontecerá sempre e por isso há que prepará-lo. Com os que quiserem estar connosco e com quem nós conseguirmos aliciar. Para tal é necessária uma gestão desportiva eficaz e a existência de um projecto sólido, bem alicerçado e dirigido, para além da gestão corrente. Essa é dúvida que subsiste. Quem a faz hoje e quem a fará no futuro? Quem assegura a manutenção de uma filosofia e projecto ganhadores, que sobreviva às inevitáveis mudanças directivas? Se queremos assegurar a continuidade deste técnico, ou atrair alguém competente que lhe suceda, temos que oferecer a ideia que somos capazes de ganhar mais, mais vezes.

O tabu de PB não é para mim uma angústia, como não deve ser nunca, num clube com a nossa idade e história, a alternância de jogadores, técnicos ou dirigentes. Sei que há muitos sportinguistas que a seguir a PB apenas vêem as trevas e o abismo. O recente exemplo da sucessão de Scolari na Selecção (independentemente do que aconteça logo…) demonstra à evidência que não há homens providenciais. São muitas as criticas que se podem fazer a PB e com legitimidade. Eu não me abstenho delas. Por exemplo, má gestão dos casos com os eslavos, comparativamente a Moutinho (apenas o capitão...). Mas sempre com a ideia de lhe fazer a justiça de que a maior parte das suas decisões têm sido vantajosas para nós.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Questões genéticas

É já sabido que LFV prefere “contratar” membros de órgãos decisórios na Liga. À custa disso ganhou um campeonato. Agora parece que também decidiu investir num departamento de áudio-visuais. A avaliar pelo tempo que demoraram a descobrir isto ou trabalham pouco ou filmam muito. Aqui está um campeonato onde não me importo de ficar em último. O campeonato dos bufos e delatores. Fazem queixas, exigem e ameaçam! Estás-lhe no sangue.

Onde quero ficar em primeiro é Liga Sagres. Por fazer “apenas” mais pontos que os outros. A contratação de jogadores com nome de super-heróis revela, subliminarmente, a propensão de alguns para a batota. Sabe-se agora que nesta operação, além de ter mudado de continente 3 vezes, o herói fez parte dos quadros(inhos) não de livros de BD, mas de 4 clubes de Abril para cá. Sabemos como é: há quem nasça para taxista, engenheiro, bombeiro, ladrão. Estes nasceram para fazer batota. É genético.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Stojkovic: Um atleta Paralímpico?

Aqui no rectângulo à beira-mar estamos mais habituados ao assentir com a cabeça, ao rabinho entre as pernas, ao sim senhor doutor, engenheiro, arquitecto, mister, etc. Olhamos com desconfiança e desdém para os que não vergam a espinha ou engolem sapos sem estrebuchar.

Stojkovic parece ser desses. Um verdadeiro esticador de cordas! E afinal também não diz nada de muito diferente do que muitos sportinguistas pensam. Como se diz por aqui, quem fala verdade não merece castigo. Ou vai merecer? Ao achar que é o melhor dos 4, mais não faz do que revelar um ego tão grande como os seus 1.90 e muitos. Ao pedir uma oportunidade deseja submeter-se ao contraditório. A única acusação que lhe faço é de não ter a inteligência suficiente para perceber que, no blaneário do Sporting, só espaço para um casmurro e esse lugar já estava preenchido quando ele chegou...

Pelo menos eu posso afirmar com segurança que neste blogue ninguém escreve melhor do que eu e confesso que não estou a pensar autoflagelar-me nem estar um ano sem postar. Desculpem-me lá o mau jeito que isso vos possa dar, mas não estou para desperdiçar o volumoso investimento que fiz em mim.

O melhor, em nome da excelsa tranquilidade, ou talvez o mais fácil, seja declarar o Stojkovic inimputável. E, na melhor das hipóteses, integrá-lo na secção de desporto adaptado.

P.S.- Nem sequer vale a pena pronunciar-me sobre o critério que levou “a bola” a eleger 2 frases como tema de capa e dar-lhe uma página inteira...

domingo, 7 de setembro de 2008

Como assar um montenegrino em lume brando

Ao ler esta noticia fico convencido de que afinal ainda existem bufos a circular entre Alcochete e Alvalade. Se não houver desmentido fica a ideia de que este bufar é mais agradável aos ouvidos de PB. Pelo menos mais do que os outros de que ele falava o ano passado. E, atente-se, tem conhecimentos de culinária. Pelo menos sabe como fazer um bom churrasco de um montenegrino...


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Os JO e o Sporting

Acabaram os JO e os nossos atletas podem finalmente regressar aos cobertores do anonimato. O desporto português é a sua caminha velha e ronceira. Daqui a 4 anos cá estaremos para lhes cobrar com usura os parcos euros que lhes damos para que se sublimarem da nacional mediocridade. Somos uns progenitores descuidados na hora de educar os nossos filhos mas, uma vez fora de casa, exigimos que os meninos comam com os talheres certos e não arrotem no final. Infelizmente o tiro ao bode expiatório não é uma modalidade olímpica em nenhuma das suas possibilidades – tiro com arco, boxe, tiro de carabina, etc, - porque senão seria certo ver a verde-rubra no mastro (consultar Freud). Sacudir a água do capote e assobiar para o lado assegurar-nos-iam também o olimpo uma vez elevadas a categoria de modalidade.

Bom, no meu clube são bem conhecidas as discussões sobre o ecletismo. Regra geral não passa de retórica própria de eleições ou de arma de arremesso entre facções. O que os sportinguistas fazem em prol das suas modalidades assemelha-se muito ao que vimos em tempo de JO: pancadinhas nas costas dos vencedores e o exílio afectivo para os outros. Duvido que as sacrossantas modalidades mereçam um simples soslaio em diagonal nos jornais. Há reuniões da tuperware que registam mais participantes do que nós espectadores.

De demolição em demolição as modalidades estão agora votadas à categoria de sem-abrigo e como estes, numa franja mais perto do fim do que dos dias de esplendor. Permitimos a demolição da casa onde vivemos os dias de glória (o antigo pavilhão), deixamo-nos arrastar para baixo de uma bancada – não há festas de luxo em pardieiros – e saltamos agora de casa em casa. Pelo caminho ficou o basquetebol e o hóquei.

Diz-se insistentemente que o novo pavilhão está a chegar. D. Sebastião seria um bom nome, inauguração marcada para um sábado de nevoeiro. Perante o quadro actual, se a decisão fosse minha, confesso que não saberia tomar decisões tão importantes como a lotação do espaço ou as valências. Basta olhar,.p.ex., para o número de gameboxes vendidas.

Eu sou do SCP porque porque sim e porque não. Mas sou todo futebol. As modalidades, no actual panorama desportivo nacional, são um enorme lexotam. Como não concorro a eleições posso falar assim, mas reconheço que foram as modalidades que nos fizeram grandes no mundo. Descubram lá se são como eu e deixem-se de conversas.

Que este post não seja entendido como ingratidão pelos que praticam o sportinguismo em estado puro no anonimato das secções. Para eles o meu bem-haja.

Podem ver aqui onde anda a cabeça do Moutinho, o que pensa PB do nosso grupo e como viu o Presidente da AG o último jogo do Sporting.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

De Braga para o 1º lugar: o rescaldo (inclui suplemento "Olhar sobre a concorrência")

Pedreira. Assistência a 2 terços e coreografias interessantes dos 2 lados. Sou fã das nossas claques. Estão em todas e contagiam e cantam e gritam. Sempre. Os arcebispos não quiseram ficar atrás. Munidos de uns cartões fornecidos pelo seu patrocinador principal, incentivavam a equipa e uns aos outros, gritando de bancada para bancada o nome do seu clube –Braaaaga - e os nomes uns dos outros sempre que o Patrício batia um pontapé de baliza: filho da p*#&%! Estranho mas lindo!

Foi um bom jogo hard-core, bom para voyeurs, tantas as desflorações: 1º golo de Postiga (abstinência desde Novembro), 1ª bola bem no fundo da baliza do Braga, apesar dos passeios europeus; estreia a vencer fora do Sporting; estreia a perder em casa do Braga na estreia entre portas (dupla desfloração…) enfim, um festim. A reter: 1ª vez de PB em cima do fcp, na sua 4ª época de comando. Hard-core.

Que significado terá a cegueira momentânea de Carlos Freitas? As suspeitas sob as suas capacidades de visão adensaram-se ainda mais quando se viu em acção o resultado do seu último acto de gestão: Rodrigo Tiuí. A merecer consulta a especialista.

Por falar em Tiuí estamos na presença de um diamante em bruto, por lapidar. É só vértices e esquinas, onde a bola bate e ressalta.

A cara de incredulidade de João Pereira quando levou o vermelho fez-me lembrar a dos miúdos apanhados com a mão na lata das bolachas e ainda tentam negar. Só que, como dizem os nossos mais antigos aliados, “boys will be boys”, mas o João Pereira como toda a gente sabe é um grande boy…

Sabe-se que PB prefere o 1-0 ao 4-3 (sic). Os sportinguistas querem ter a certeza de que ele prefere tentar o 2-0 do que resvalar para o 1-1, o que às vezes não foi líquido, sobretudo na época passada. Para ser justo, não me parece que tenha sido o caso em Braga. PB montou bem a equipa, ganhámos devido a isso. Não me parece que tenha dito a jogadores experientes que jogassem como meninos, de pontapé para a frente e fé em Deus. Estávamos em Braga, cidade dos arcebispos, mas convém não exagerar na fé, descurando a prática.


Suplemento "Olhar sobre a concorrência"(Patrocínio Churrasqueira Helton e Tesouras Katsou)

Ontem cheguei a ficar preocupado perante a possibilidade de o galinheiro poder ser interditado ou do central que tem 2 pés esquerdos não jogar contra nós. Percebe-se pela multa e pelas entrelinhas que nada disso vai acontecer. Ainda bem porque não quero desculpas. Quero mostrar aos dragões como se esfola um frango num aviário cheio ou chamuscar-me a tentar.

Leio hoje que Pako Ayestaran, preparador-físico campeão europeu, ainda iria calar muita gente. Não duvido. Se o deixarem. Começou já por calar muitos jogadores do slb, que, para pedirem a substituição, apenas conseguiam mexer os braços. Garantiram-me que outros, em iguais aflições, apenas pestanejavam, o que não se notou na tv.

Fiquei comovido com a declaração de Quaresma, depois de tantos anos a penar entre fruta, meias-de-leite e frequentadores de bares de alterne. Voltou a um grande. E Milão é tão linda. Mesmo que por perto sinta um odor bafiento que lhe é familiar. A vida é quase perfeita.

Pelé é o portista mais caro da história do fcp. Feitas bem as contas custou 21.399.999€. Chega-se lá descontando o dinheiro recebido pela venda de Quaresma (18.600.000€ ) aos 39.999.999€ que PC disse que custaria. O euro que falta acho que o mete ele. Mas não tenho a certeza…

Mas como entender que se viola sem querer, assim tipo "eu estava ali, eu até nem queria, ela é que insistiu, e eu fiz-lhe o favor de a violar". A barraca da Luz a abanar!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Braga por um Postiga

Este é o meu 1º comentário a um jogo do meu SPORTING aqui no “A Norte”. Trata-se de um comentário de algo vivido com intensidade, muita paixão e alguma aflição e não de um comentário escrito após o televisionamento no remanso do sofá.

Braga não é uma cidade fácil para os sportinguistas. Para situar os sportiguistas maioritariamente a sul, é o mesmo que ir a Setúbal, só que em vez de sarrrdinhas há rojões e em vez do Sado não tem rio nenhum. O rio Este já há muito foi incorporado no sistema esgotos municipal. Nós vamos lá para acompanhar a equipa e ver futebol. Nós somos os possíveis, gostaria que fossemos mais. Por comparação a deslocação do slb é uma jornada de confraternização, tresanda a galinheiro, os golos são comemorados por todos os presentes e o resultado deixa sempre todos satisfeitos. A recepção ao fcp é precedida sucedida e finalizada por lutas de restling. Perante 2 espectáculos com um só bilhete, e dada a proximidade da inbicta, são muitos os que acorrem…

É preciso recuar a 2006/07 para descobrir uma vitória em Braga e a 2004/05 para nos vermos no 1º lugar. Com o resultado de ontem conseguimos matar 2 borregos. São pouco sustento para um leão sedento, pelo que terão que ser secundados por novas presas. Mas merece o registo.

A equipa entrou com a atitude correcta de quem quer ganhar o jogo e ir depressa para Lisboa com 3 pontos no saco. Por vezes é pena que os jogos tenham 90 minutos. Mas é bom saber que podemos abdicar de jogar mas não de ganhar. É uma evolução positiva em relação à época passada.

No cômputo geral fizemos um grande jogo. Jogamos quase os 90 minutos em inferioridade numérica porque Romagnoli não entrou no jogo e Tiuí entrou mas nunca devia ter entrado no Sporting. Acreditem que não é fácil ver um jogador daqueles jogar com o nosso emblema. Controlamos o jogo a partir do momento em que ficamos com 10 de cada lado, após a expulsão do João Pereira, cuja atitude revela bem a sua procedência, emulando o “diabo da luz”de sábado.

Nunca vamos saber se não teria sido melhor jogar o Veloso no lugar de Moutinho, este no lugar do Romagnoli eo Vukcevic ter entrado no lugar do Tiuí. Mas que eu desconfio, desconfio! Assim como não sabemos se a presença do PC na tribuna é legal ou não e se serviu de alento a Postiga para jogar com toda a garra e empenho. O caxineiro pagou ontem uma tranche dos 2.5 milhões.

Como não podem ver estou rouco e satisfeito. O PB tem razão quando diz que para sermos campeões vamos ter que ganhar muitos jogos assim. Está visto que vou mesmo ter guardar o fraque para ir a S. Carlos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O que é Nacional não é bom

Uma das vantagens de ser Leão a Norte é a de poder acompanhar de perto a carreira da equipa. Ao vivo e cores. São 7 jogos acima do Douro, somando mais 2 do Mondego para cima dá 9. Contando com os jogos grandes em Alvalade (2), mais Champions League (3) mais aqueles que pela ocasião ou pela paixão lá me ponho a correr A1 a baixo e acima, consigo ver quase tantos ou mais jogos que os meus co-espécimes de Lisboa. Amanhã lá estarei.

Os campeonatos começam-se a ganhar ou a perder desde o princípio, palavra de yazalde, embora, por vezes, em termos estatísticos, pareça que só se perderam no fim. Foi o que aconteceu quando, em 2006/07, ficamos a apenas 1 ponto dos meus vizinhos. Mas andamos a época quase toda atrás deles e assim ficamos. Por isso o jogo de hoje assume importância transcendental. Porque a pandilha precisa de ter um comandante como nós mas também porque o que é Nacional não é bom!

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