domingo, 18 de outubro de 2009

Sem foco


Caríssimos,

Em primeiro lugar, confesso o meu orgulho pelo convite. Não é todos os dias que editores de um blogue de referência (não só pelo número de leitores, mas acima de tudo pela qualidade dos artigos) me endereçam uma proposta deste género (esperem... quando refiro que não é todos os dias até parece que tal acontece de vez em quando. Na verdade... hmmmm... pois...). Confesso que até me senti algo intimidado. Mas pondo de lado o acanhamento, seria com prazer que participaria na iniciativa. Acontece  que tenho dois problemas (em rigor, até tenho mais, mas não são para aqui chamados):

O primeiro prende-se com o facto de não perceber nada de economia ou gestão. Para terem uma ideia, até há bem pouco tempo, e dada a popularidade do termo, estava convencido que VMOC era nome de uma qualquer bem-sucedida estante do IKEA. Mais convencido ficava quando em sucessivas excursões àquele espaço, e após aturada procura, acabava por nunca encontrar o tão badalado modelo. “Bolas!” – resmungava desiludido para a patroa – “Deve ser mesmo muito boa. Continua esgotada...”. Dito isto, ficará claro para os ilustres leitores que qualquer opinião que emitisse sobre a gestão do Sporting, mostrar-se-ia tão credível como pareceres do prior da vossa paróquia sobre a eficácia de cada uma das técnicas ilustradas no Kama Sutra. Como não vos quero de sobrolho franzido e a julgarem-me da mesma estirpe de um qualquer clérigo libidinoso, limito-me a afirmar que acredito que Bettencourt ama o Sporting tal como qualquer um de nós. Partindo deste princípio, e apesar de me assustar quando afirma que a aprovação da última terça-feira não será suficiente para a reabilitação do clube, confio que, em consciência, trilhará um caminho que sirva da melhor forma possível (e dada a actual situação, tal não é sinónimo de mais desejável) os interesses do Sporting Clube de Portugal. Se estará, ou não, à altura das minhas expectativas, o tempo o dirá. Para já, fica a fé que se estivéssemos numa loja de mobiliário sueca, JEB tinha tudo para ser nome de um excelente móvel de arrumações.

O segundo problema passa por eu saber tanto de futebol como o Carlos Queiroz. Ainda assim, arrisco afirmar que Paulo Bento, durante os dois primeiros anos, desenvolveu um excelente trabalho no Sporting. É a partir de 2008/2009 que o nosso futebol, contrariando aquilo que seria expectável, baixa de qualidade, atingindo este ano - excepção feita aos jogos com a Fiorentina - níveis exibicionais mais baixos que o PIB do Zimbabwe. Em consequência, as pessoas andam mal-humoradas, deprimidas, sem crença na equipa e no seu líder e olham para o universo do clube com redobrada preocupação, enfatizando defeitos e menosprezando virtudes. Seria importantíssimo renovar a ilusão dos adeptos e resgatá-los, de novo, aos sofás. Assim, e com imensa pena minha, a necessária injecção de optimismo teria de passar pela saída de Paulo Bento. E acreditem - a ambiguidade de sentimentos que me invade quanto a este assunto, podia ser bem descrita por estes rapazes:


I used to love her, but I had to kill her
I used to love her, but I had to kill her
I had to put her
Six feet under
And I can still hear her complain

I used to love her, but I had to kill her
I used to love her, but I had to kill her
I knew I miss her
So I had to keep her
She's buried right in my back yard

I used to love her, but I had to kill her
I used to love her, but I had to kill her
She bitched so much
She drove me nuts
And now I'm happier this way

I used to love her, but I had to kill her
I used to love her, but I had to kill her
I had to put her
Six feet under
And I can still hear her complain

Expostas as minhas limitações, compreenderão que não poderei escrever o post e que não me resta alternativa senão declinar o convite. Talvez venha a fazê-lo noutra oportunidade, quando o debate se centrar num assunto que domine - por exemplo, mobiliário de baixo custo.

Abraço Leonino!

sábado, 17 de outubro de 2009

Um reporter militante


Sou um "Sportinguista praticante" desde que praticamente me lembro de existir. Quero com isto dizer que me recordo de ver ao vivo os jogos do Sporting no estádio, com pouco mais que 5 ou 6 anos; daí para cá tenho memórias de com 10 / 11 anos ir com um primo mais velho e que estudava em Lisboa ver as quartas-feiras europeias - sim, porque na altura o futebol interno jogava-se ao Domingo e as competições europeias eram às quartas - depois já um pouco mais velho de ir com amigos do Liceu no autocarro nº 7 até ao estádio e, desde que comecei a trabalhar e portanto desde que ganhei a minha independência financeira a ter um lugar de época, ou como se diz mais recentemente uma "Gamebox".

Não sei quantos jogos do Sporting já terei assistido ao vivo, mas são certamente umas largas centenas. Gosto verdadeiramente de ir assistir ao estádio "ver a bola" e aproveito não só para conviver um pouco com os amigos antes ou depois do jogo (aquela imperial nas roulottes sabe sempre tão bem), como também para estar 2 horas sem pensar no dia-a-dia a ver uns marmelos a correr atrás e aos pontapés a uma bola. Mas faço-o principalmente porque acima de tudo tenho um amor enorme ao Sporting!

Isto para dizer que vivo com intensidade tudo o que diz respeito ao clube e foi por isso com orgulho que recebi o convite do "A Norte de Alvalade" para escrever sobre o momento actual do Sporting. Ao mesmo tempo senti o peso da responsabilidade de escrever fora d'O Banco da Mexicana, onde de há praticamente 2 anos para cá vou postando umas "parvoíces" sobre aquilo que muito bem me apetece sem ter que prestar contas a ninguém.

No que ao "momento actual" diz respeito, a verdade é o Sporting atravessa uma crise grave, que não é de hoje, nem fruto em exclusivo dos erros que se cometeram ao longo dos anos que vivemos sob o chamado "projecto Roquette". O facto é que no últimos 27 anos, o clube apenas ganhou 2 títulos de Campeão Nacional de futebol e o ecletismo, aquela que era a sua grande bandeira, perdeu-se pelo caminho.

O problema do Sporting é hoje um problema de identidade e de liderança. Estes são dois factores que distinguem as organizações e que faz com que algumas sejam vencedoras e de sucesso e outras não. O Sporting, perdeu-se na dicotomia daquilo que é um discurso sempre centrado na contenção de custos e no que os seus rivais fazem e que o clube não é capaz de fazer, fruto da inexistência de uma liderança forte que saiba traçar o rumo do clube e levá-lo ao sucesso.

Pessoalmente penso que o conceito de "gestão empresarial" que se quis implementar, aliado ao facto de que muita gente chegou ao clube para cargos de dirigente de topo, não faziam (e se calhar ainda hoje não fazem) ideia do que é gerir um clube de futebol - muito diferente de gerir uma agência de comunicação ou um banco por exemplo - e estavam longe, muito longe de ter sentimentos de paixão para com o clube, levou a que esteja implementado um sistema de partilha de decisões, que na prática conduz a uma cultura da desresponsabilização.

Hoje é raro, se não impossível ver alguém arcar com a responsabilidade quando algo não corre bem no Sporting. O passivo chega aos 300 milhões, ninguém é responsável, é o mercado; as "amadoras" vão sendo extintas não é culpa de ninguém, é sinal dos tempos; o campeonato foge há anos e é normal porque com o que há é impossível fazer melhor; o Bayern "enfia-nos" 12 e paciência, já foi bom ter chegado aos oitavos-de-final; a gestão do plantel é medíocre e ninguém assume a incapacidade de valorizar os activos; um árbitro agride um de nós na nossa casa e grita-se "escândalo" (grita-se baixinho, não se vá incomodar alguém) mas realmente nada se faz; etc, etc, etc...

Assim sendo e perante este cenário é impossível o clube recuperar a sua pujança e tradição ganhadora, independentemente de quantos planos de reestruturação financeira se façam (e muitos já foram e continuam a ser feitos).

Espero de quem lidera o clube, capacidade para rentabilizar a estrutura humana que tem ao seu dispor, valorizando competências e premiando a capacidade de trabalho e o mérito. Espero que seja capaz de rentabilizar os recursos financeiros, de modo a arrumar de uma vez por todas com o discurso do "coitadinho" que nos tolda a acção. Espero ainda que a gestão do plantel seja muito mais eficaz e valorizadora; exige-se um plano de carreira para cada jogador que nos represente, com objectivos técnicos, tácticos, físicos e claramente orientados para os resultados. Espero que exista uma prospecção continua e constante, que leve à identificação de talentos que possam ser recrutados, tendo sempre em conta qualidade humanas que por serem por vezes esquecidas levam a que grandes talentos se percam.

Finalmente, espero que rapidamente haja alguém que perceba que por de trás de todo este "negócio" futebol, estão os adeptos que vivem o seu clube com intensidade e que é a paixão que os move. É, contrariamente ao que se vê hoje em cada jogo, a expectativa de verem o Sporting a jogar bem e a ganhar, de verem os jogadores a darem o melhor de si e excederem-se a cada lance.

 No fundo, o que ansiamos é que a cada momento, quem representa o clube o faça com esforço, dedicação e devoção, só assim será possível a glória!

Saudações Leoninas
ReporterH

Andebol e futsal em acção este fim de semana

Pequeno interregno na reflexão leonina para dar conta dos embates respeitantes às modalidades andebol e futsal.

Joga-se hoje pelas 18.30, o São Bernardo - SCP. Sendo um jogo teoricamente mais difícil que o anterior (Marítimo), o SCP é superior e outro resultado que não a vitória, será negativo. Na ronda passada, o SCP recebeu e venceu o Marítimo por 34-23, ao passo que o São Bernardo deslocou-se a Braga, perdendo por 30-23.

Neste momento do campeonato, somos a equipa com melhor diferença entre golos marcados e sofridos, tendo marcado 128 e sofrido 100. Em caso de vitória, passaremos para o 2º lugar, a um ponto do Madeira SAD mas com menos um jogo.

Destaque ainda para o Belenenses - ABC, jogo que será disputado amanhã pelas 17h.

Em relação ao futsal, o SCP joga amanhã às 18h contra a UTAD, num jogo em que apenas a vitória interessa. Depois da derrota contra o Fundão em casa na 4ª jornada, o SCP não pode ter mais deslizes, principalmente quando se joga um Belenenses - slb, 1º e 2º classificados, com 15 pontos (5J) e 12p (4J) respectivamente. O SCP está em 4º com 9 pontos em 4 jogos disputados.

Este jogo terá transmissão directa no site oficial do SCP. Para tal, basta aceder a www.sporting.pt ou www.sporting.pt/futsal.

Que seja um fim de semana de vitórias no andebol, futsal e futebol que bem precisamos.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O Apoio que não é virtual


É com muito agrado que aceito o convite do blogue A Norte de Alvalade, nosso parceiro no SportingApoio para dizer algumas palavras. Considero o A Norte um espaço de referência no universo virtual Sportinguista, pelo que nunca poderia recusar tal convite.

Na 3ª Feira, com a aprovação do Projecto de Reestruturação Financeira, os Sportinguistas deram mais um forte sinal do que pretendem para o futuro do Sporting. Mais do que discutir, os sportinguistas sentem que é mais do que nunca necessária a união de todos os adeptos nesta fase difícil do nosso clube.

Como alguns de vocês saberão, fui membro de uma lista contrária ao actual Presidente mas, tal como (quase) todos dos membros da Lista A, assumi na noite de 5 de Junho a expressiva derrota e a consequente eleição destes órgãos sociais para o meu Sporting. Desde ai que José Eduardo Bettencourt é o meu Presidente, e é a ele que reconheço capacidade, vontade e empenho em colocar o Sporting no lugar que ele merece.

Nesse sentido criei este site que (não foi por acaso) chamei Sporting Clube de Portugal – Site de Apoio, e em que tentei que fosse (penso que estamos a conseguir) um espaço de discussão “leonina” onde todos tivessem voz no nosso Sporting. Sei que muitos me criticam por considerarem este site muito próximo da "oposição" (apesar de também já me terem acusado do contrário), o que não me parece lógico. É um espaço de opinião em que o único critério é ser Sportinguista, tudo o resto não passa de preferência e opiniões pessoais.

Na minha opinião, reconheço em José Eduardo Bettencourt um grande sportinguismo, e isso meus caros, é meio caminho andado para o sucesso.

Chega de assobios, apupos, gritaria…ninguém consegue trabalhar condignamente com este tipo de pressão. Vamos apoiar quem nos move por este sentimento, quem luta diariamente por tornar o Sporting maior. Em democracia, concordemos ou não com a política adoptada, a decisão é por maioria. Neste caso a maioria deu um enorme sinal do que pretende, vamos dar oportunidade de mostrar se está certa ou errada.

Sou do Sporting por que sinto que somos diferentes, ninguém me obriga a ser deste clube.

Deixemos as divergências de lado, porque o importante não é o que nos divide mas sim o que nos une, e esse sentimento Sportinguista é mais forte do que qualquer laço que possam imaginar.

Vamos lutar pelo Sporting!

Vamos colocar o nosso clube no lugar que merece!


Viva o Sporting Clube de Portugal

Saudações Leoninas

Nuno Mourão

P.S- Uma pequena nota, ontem o nosso Site Sporting Apoio fez 2 meses tendo tido um crescimento acima das expectativas, com cerca de 200.000 visitas em 2 meses! Obrigado a todos vocês, nossos parceiros, que nos tornaram uma referência no universo virtual "leonino".

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Do SectorB32


Ponto prévio: o momento que se vive no nosso Clube não é, de todo, o mais baixo ou o mais crítico que a minha memória me permite recordar. Basta lembrar vários momentos em temporadas de finais dos anos 80, ou várias dos anos 90 para perceber que:

 - já tivemos (bastante) menos gente no estádio;

 - a equipa já esteve bem mais longe em termos de qualidade face a Benfica e Porto;

 - o clube já viveu piores crises de resultados.

 Este “reality check”, sem querer ser desculpabilizador do actual momento, é importante para a discussão ter alguma aderência à realidade.

Adicionalmente há dois factores que convém realçar:

O primeiro, que este ano perturba ainda mais o espírito e as mentes dos sportinguistas, é o fantástico início de época do Benfica. Queiramos ou não, convém reconhecer que somos afectados pelo que acontece do outro lado da segunda circular. Para o bem ou para o mal.

O segundo é o facto estar já incutido nos adeptos sportinguistas uma permanente discussão em torno de contas e orçamentos e, pior, uma divisão entre os adeptos face ao rumo seguido pelo clube. Se repararmos, a performance financeira do Benfica tem sido pelo menos tão má, para não dizer pior, mas os adeptos preferem falar de futebol. Conversa sobre contas, reestruturações, VMOC’s, alienações, maiorias do clube na SAD, etc, são exclusivo dos sportinguistas. Sejamos honestos, por muito meritórias que sejam, não contribuem para reforçar o desejado espírito de união.

Posto isto, constatemos o óbvio: o Sporting não está bem. Na minha opinião por vários motivos, todos ligados à força motriz do clube que é a sua equipa de futebol.

1)       A deficiente construção do plantel. Compreendo perfeitamente que o orçamento explique o porquê de termos um Caicedo emprestado enquanto o Porto contrata um Falcao e o Benfica um Saviola. Mas já não percebo porque motivo temos laterais de qualidade inferior a um Sporting de Braga.

2)      Fraco rendimento de jogadores-chave do plantel e falta de liderança dentro de campo. O mau momento de Polga, Moutinho ou Abel, entre outros, é dificil de entender, já que jogam nas “suas” posições . Por outro lado, parece-me que falta um patrão na equipa, uma voz de comando que, e posso estar enganado, Moutinho ainda não tem. As saídas de Derlei e Rochemback (apesar de Veloso estar a jogar melhor este ano) e mesmo a saída da equipa de Caneira são prejudiciais nesse aspecto.

3)      Algumas opções de Paulo Bento que limitam o potencial de alguns jogadores e da própria equipa. Dois exemplos, Vukcevic não rende como médio interior e Matías não tem sido bem aproveitado . E será mesmo uma verdade absoluta que enquanto houver Liedson o Sporting não jogará com extremos?

4)      A pressão que cada vez mais se acumula em cima de jogadores e equipa técnica contribui para que, como diz o presidente, cada jogo em Alvalade seja uma “final”. Se a pressão transforma o carvão em diamante, no caso dos jogadores de futebol já não é bem assim.

Poderão achar simplista resumir os problemas apenas ao futebol dentro das 4 linhas. Mas parece-me óbvio que quando a equipa está bem, lutando de forma credível pelo primeiro lugar, o povo vai ao estádio e apoia freneticamente.

Acredito por isso que a curto prazo ocorrerá um de dois cenários: esta crise “acaba” com 3 ou 4 vitórias seguidas ou poderá agudizar-se, culminando na saída do treinador, caso não apareçam essas vitórias. Bettencourt, subtilmente, já retirou alguma carga emotiva ao “Forever” dizendo que o clube estará sempre em primeiro lugar.

Um abraço leonino e amigo,
Miguel (SectorB32)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

JL - O Plano do Plano

O PLANO DO PLANO – A AG PARA TERMINAR COM TODAS AS AG’S

Sportinguistas,

É com coração pesado que escrevo este post, numa altura em que se sabe já o desfecho da AG de 13 de Outubro de 2009, dia que, de tão mau agoiro ameaça ser, bem podia ter sido Sexta-Feira.

Começo por agradecer aos Caríssimos editores do blogue o simpático convite para vir deixar neste salutar espaço de debate Sportinguista a minha visão do que foi, podia ter sido e, creio, será o SCP.

É importante que se tenha em consideração que a Assembleia Geral de dia 13 de Outubro (“AG”) foi das mais importantes de sempre da história do Clube.

Nela decidiu-se o direito a usar o nome Sporting Clube de Portugal deve ser do Sporting Clube de Portugal ou não.

Nela decidiu-se se a SAD deve ser, de uma vez por todas, um veículo societário ao serviço dum Clube centenário ou se o Clube centenário deve suportar até gota de sangue não lhe restar os caprichos comerciais duma sua empresa.

Numa escala maior, decidiu-se o a prioridade de sobrevivência das instituições: Se for preciso sacrificar uma para salvar a outra, qual sobrevive?

A este respeito, cumpre salientar que é inaudito na história da prática comercial Portuguesa uma entidade detentora assumir a posssibilidade de se descapitalizar até ao osso e fazer perigar a sua existência para sustentar uma sua participada.

Dirão os mais objectivos que apenas se decidiu a passagem de um activo do Clube para a SAD.

Na minha modesta opinião, esta AG pintou um retrato preocupante daquilo que é a nossa realidade hoje, senão vejamos:

Decidiu-se muito mais. Decidiu-se o futuro. Mais concretamente, decidiu-se não ter futuro.

E tudo em nome do Plano de Reestruturação Financeira (“Plano”).

Antes de entrarmos na discussão do Plano, urge fazer duas notas:

a)    Para não tornar o post ainda mais insuportavelmente longo do que é, por Plano deve-se entender a parte do Plano que foi aprovada na AG, i.e., a passagem da Sporting Comércio e Serviços para a SAD; e

b)    De “numerologia” já estaremos todos saturados, e essa acaba por ser irrelevante, até porque do prisma financeiro, o Plano equivale a, na prática, urinar para um fogo florestal na esperança de assim o apagar.

Dito isto, venho hoje discutir as condições “climatéricas” por detrás da AG e em que medida estas revelam a convicção e conhecimento dos Sócios quanto à aprovação do mesmo.

O Plano enfermou desde nascença de vários males que sempre deveriam ter minado a sua credibilidade e deveriam ter ditado um “Não”, nem que fosse em nome dum “Sim” posterior, senão vejamos:


1. O Plano enquanto Monólito

O Plano foi, desde que surgiu nas bocas da nação Sportinguista com aura sebastiânica, uma inevitabilidade.

“É o único Plano”; “Não há vida para além do Plano”; “Se não aprovarem o Plano, seremos devorados pela besta negra da Banca”.

Estas e outras aleivosias assumiram, ao melhor estilo de Goebbels, o carácter de mentira que, tantas vezes repetida, se tornou verdade.

É preciso ter presente que o Plano nasce duma recusa assumida pelo anterior Presidente em renegociar com a Banca ou em procurar outra instituição bancária com que negociar a compra da dívida em condições mais vantajosas.

Assim, o Plano passa de monólito, de única tábua de salvação da SAD e do Clube num capricho do “menino” Soares Franco, que não quer afrontar os amigos, até porque, conforme afirmou a respeito de outros diferendos: “não tenho feitio para discutir”.

Dirão os mais críticos: “mas ninguém apareceu com outra solução!” O problema é que isso não corresponde à verdade.

Da renegociação com os bancos com que o SCP trabalha até à procura de outros bancos para trabalhar, passando pela titularização da dívida, várias outras opções surgiram.

Mas todas esbarraram em argumentos como “Pois, mas este Plano está pronto e se não agimos depressa, os Bancos levam tudo” ou “Pois, mas o Plano é melhor”.

Aos defensores mais empedernidos do Plano, pergunto sem sofisma: Quando é que o Plano foi debatido com abertura a alternativas a ele próprio?

A este respeito, cumpre salientar que se assistiram a melhoras. Do despeitado Franco que, confrontado com o chumbo do Plano, vociferou: “E eu é que tenho que mudar o Plano?!” passámos ao cândido Bettencourt que sempre afirma: “Há outras soluções, mas esta é a que está disponível a curto prazo”.

Se o Presidente admite que o Plano não é a via única, porquê tomá-lo como tal? E se o tomamos como tal por ser o único disponível AGORA, porque não se contemplaram outros desde início?

Aprovado que está o Plano, a pergunta cai para o academicismo.


2. O Plano enquanto “Cheque em Branco”

É importante manter presente que a SAD é uma sociedade comercial cotada em Bolsa, e que, como tal deve, ou devia, ser pautada por valores de rigor, transparência, responsabilidade e responsabilização dos seus orgãos dirigentes.

O Plano é a mais recente paragem na “via dolorosa” que tem sido a passagem de património do Clube para a SAD. Muito património foi passado, a pretexto da sustentabilidade da SAD e do Sporting Europeu, que ganha 3 campeonatos em cada 5, conforme vaticinou o pai de todo o “monstro”, José Roquette.

Sucede porém que, em 2009, a SAD apresenta um passivo gargantuesco sem contrapartidas ou resultados desportivos que o justifiquem. O património, esse, esfumou-se, perdido entre resmas de papel, e o seu produto anda ausente em parte incerta, com a única certeza a ser que não serviu para engrandecer o Clube conforme foi prometido.

Assim, chegados a 2009, temos que encarar o facto de que o buraco financeiro foi feito por pessoas. De melhor ou pior fé, mais ou menos competentes (na generalidade menos), mas pessoas.

Temos ainda que encarar que as mesmas pessoas que cavaram este buraco são as que nos pediram o sangue do Clube novamente na AG.

Pergunto eu: não se devia exigir uma sindicância da actuação destas pessoas ANTES de lhes dar mais património?

Não se trata de caçar bruxas, não se trata de apontar dedos. Trata-se de “corporate governance”, de garantir aos Sócios que o risco de má gestão futura deste activo é mínimo, por não ter existido má gestão passada dos outros.

A este respeito, Bettencourt é lapidar. Não se audita nada. O passado não interessa, e se erros houve, são para varrer para debaixo do tapete e não mais pensar neles.

É uma questão de fé, de confiança, dirão alguns. Face aos resultados da SAD e olhando para o património de que esta já dispôs, pergunto eu: como se pode ter confiança?

Mais, se não há motivos para desconfiar, não seria uma auditoria um poderoso instrumento pacificador, um lavacro purificador de onde JEB e a DIrecção sairiam ultra-legitimados sob a bandeira da transparência?

Aprovado que está o Plano, a pergunta cai para o academicismo.

3. O Plano Que nos foi Apresentado

O Plano foi vendido aos Sócios antes da AG como a última hipótese de sonhar com competitividade, estabilidade, e, a julgar pelo miserabilismo do Presidente, dignidade.

O Plano foi, sem papas na língua, apresentado sem valores. A generalidade dos Sócios ignora por que valores foi a SCS passada para a SAD, ignorando consequentemente QUANTO saiu da esfera patrimonial do Clube com esta passagem.

Esta não é a maneira de apresentar um Plano desta magnitude. Ocultando valores, apelando à necessidade basista de correr atrás dos outros, prometendo aumentos de investimento no futebol, depois subsequentemente mitigados ou desmentidos no dia da AG, i.e., já formadas as convicções, arvorando o caos como desfecho inevitável caso o Plano não seja investido na condição de salvador da pátria.

Um Plano destes apresenta-se com verdade, com números, com implicações práticas e concretas nas manifestações do SCP que os Sócios vivem, sentem e com que vibram.

Não tenho dúvidas que se Bettencourt tivesse, atempadamente, avisado do impacto apenas marginal do Plano no e.g., futebol, outro galo facilmente cantaria. Acho que ninguém tem. Um Plano que prometa craques é popular e passa. Um que não…não.

Assim, o Plano foi apresentado aos Sócios, que entraram para a AG para sobre ele decidirem, como um Finisterra medieval: dentro dele, a salvação. Para além dele, o abismo.

Convenhamos que não são pressupostos que encorajem o debate, e que, pelo contrário, predispõem à aprovação.

4. A Assembleia Geral do Plano

Se até aqui usei de alguma contenção, é aqui que ela se esgota. Porque, franqueadas as portas da AG, a lógica ficou à porta e só resta espaço para a pressão de parte a parte, o insulto, e um dos maiores exercícios de futilidade que alguma vez vi, ao ponto de me perguntar até que ponto o modelo de AG do SCP tem alguma semelhança com o associativismo.

Os Sócios estão divididos em guerra fractricida. De um lado, os situacionistas, que arvoram os 90% que elegeram Bettencourt como uma panaceia para todos os males que, na sua convicção, tudo desculpa, tudo perdoa, tudo permite. Para os situacionistas, a minoria deve acabar. Por ser minoria, é uma “quantité negligéable” que se deve subsumir ao juízo maioritário.

Os situacionistas assumem hoje a posição: “como vocês são menos, não vos temos que ouvir”.

Do outro, os oposicionistas, fartos de tudo. Fartos da incompetência, da falta de controle sobre a gestão da SAD, de terem que vir a AGs passar património porque a SAD só perde e não ganha, fartos do mau futebol, de ficarem em segundo, e, acima de tudo, fartos de estarem fartos de tanta coisa.

E este é um status quo que temo ser insanável. Ache Bettencourt e os 90% o que acharem, esta Direcção não é consensual. Sendo legítima, não é representativa. Tem 90% dos votos, o que representa sensivelmente 8.000 pessoas. O SCP é bem mais e que une 8.000 pessoas não pode pretender ter unido todos os Sportinguistas.

Não discuto que só votou quem votou e é esse o universo a ter em conta. Mas, se são só 10.000 os que votam, são bem mais os que se revoltam.

E foi neste clima que se iniciaram os trabalhos da AG: guerra surda.

Não pretendo fazer um relato exaustivo da AG, por isso, deixo apenas os pontos que, para mim, merecem nota. Quem esperar imparcialidade no registo, deverá passar à frente.

Num contexto em que se desconhecem os contornos fácticos do Plano, acho inenarrável o Presidente ter perdido tempos infindáveis a listar o seu currículo. Quem foi votar não sabe dos méritos do Plano, mas sabe dos do Presidente. O motivo é lapidar: “Não se preocupem se o Plano é bom. Eu sou bom, é o que vos interessa”. Não é bem assim, Sr. Presidente.

Acho inacreditável ouvir justificações de voto como “com isto temos mais dinheiro para o futebol” ou “se eles acham que é preciso…”

No geral, a AG do Plano mostrou ser pouco em torno do Plano e mais em torno dos seus fautores.

Por tudo isto, pela falta de informação, discussão, tolerância e conhecimento das matérias, a AG do Plano merece entrar para os livros como um exemplo claro de como NÃO fazer uma AG, da AG que não se deseja nem para decidir a cor das paredes das casas de banho do Estádio.

Para decidir, é preciso conhecer. E, digo-o sem reservas, quem decidiu não conheceu. E não conheceu porque não lhe foi dado a conhecer, o que não serve de desculpa, porque nestas coisas, ensinam os pais às crianças: se não se sabe de onde veio e por onde andou, não se mexe. Sejam cães, doces ou Planos.

Friso: a questão é menos se o Plano é bom ou mau. A questão é que ninguém sabe o que é o Plano. E, na dúvida, seguiu-se a irresponsabilidade de o aprovar.

5. E Depois do Plano?

Agora que o Plano está aprovado, é o momento de para ele olhar desapaixonadamente:

O Plano representa, em traços largos, a assunção pela SAD de que anda nua.

Assim, apanhada nua na rua, a SAD vai ao já vazio estendal do Clube buscar roupa com que tapar as partes pudendas e poder caminhar novamente pela rua sem despautério.

O problema é que a SAD tem uma tendência relapsa para perder a roupa que tem no corpo, tendência essa que tem sido suportada pelo estendal do Clube.

Atenta a nudez despudorada da SAD, é de temer que brevemente esta desfile nua pela rua, desta feita de braço dado com o Clube, levado também ele à nudez.

Assim, é de prever que a SAD depois de vestir a SCS, queira vestir a Academia. E depois de vestir a Academia, queira vestir Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (“VMOCs”). E depois de vestir VMOCs, queira vestir o Estádio.

Durante este percurso, nem uma vez a SAD foi instada a arranjar a sua própria roupa. E o Clube, que passou 103 anos a fazer enxoval, acaba também ele nu.

Porque um dia, a roupa acaba-se.

Bettencourt já avisou que o Plano “é fundamental, mas não suficiente”. Trocado por miúdos, quer isto dizer que a SAD quererá mais património, mais roupa, mais tudo.

A juntar a isto, a Direcção já faz saber, numa sandice situada algures entre a má-fé e o desconhecimento, que a passagem da Academia para a SAD e a emissão de VMOC foram já aprovadas, pese embora não terem reunido a necessária maioria estatutária e legal de aprovação. Aparentemente, a Direcção decidiu levar a sério a tese dos “omnipotentes 90%” sufragada pelos seus arrogantes acólitos.

Tudo somado, a vida depois do Plano afigura-se sombria para o SCP, que corre o sério risco de deixar de existir como o conhecemos e como um dia o sonhou o seu fundador.

Depois do Plano, teremos mais “um cheirinho” de dinheiro para investir no futebol, mas apenas na próxima época, pelo que esta deverá ser já para esquecer, o que aliás a realidade indicia de forma clara e dolorosa.

No meio de tudo isto, umas últimas perguntas académicas:

E o Sporting Clube de Portugal, que ganhou com o Plano?

Que ganhou com anos de gestão incerta de património?

Como é possível termos saído de casa para passear a SAD pela trela e voltarmos a casa pela trela da SAD?

É que por mais que me digam que é tudo igual, eu sou é do Sporting Clube de Portugal. E esse, depois da AG, ficou mais pobre, mais vazio, mais pequeno, mais dependente. E em nome ninguém sabe bem de quem ou de quê.


6. Conclusões e Nota Pessoal

4 meses volvidos sobre a eleição do pseudo-pacificador Bettencourt, o Sporting está pior. Mais pobre, mais dividido, mais desconfiado de si e dos seus, com o Estádio despido como sinal funesto da nudez generalizada e atroz que metaforizo em cima, a equipa de futebol um espelho do desalento da massa adepta, o treinador um espelho do autismo da Direcção, a Direcção um espelho de nós próprios: fria, desapaixonada, pouco exigente, acomodada, e esquecida do que um dia fomos e pouco empenhada em que o possamos voltar a ser.

Bettencourt chegou sob a égide na mudança na continuidade, seja isso o que for. Nada mudou. As pessoas as mesmas. A incompetência e o laxismo, os mesmos. Os resultados práticos são piores.

Prometeu plantel fechado a tempo horas. Não cumpriu.

Prometeu reforços para entusiasmar. Não cumpriu.

Prometeu emagrecer a estrutura directiva. Criou mais dois orgãos em 4 meses.

Prometeu ser o Presidente de todos os Sportinguistas. Mas se discordarem dele e não tiverem as quotas em dia, contem com a farpa na imprensa. Mesmo que isso seja ilegal.

Prometeu o fim do discurso do coitadinho. Não cumpriu.

Cumpriu uma: traz mais Sócios, geralmente à Segunda-Feira. Mas quando um desses Sócios assina um mês depois pelo arqui-inimigo de Carnide, dá que pensar até que ponto é que a única promessa cumprida por Bettencourt não passa duma operação cosmética.

Como ponto final, Bettencourt não é a fonte de todos os males. Já lá andava há anos e já sabíamos ao que íamos.

A fonte de todos os males somos nós. Por darmos sem pedirmos nada em troca. Por darmos tempo quando o futuro é hoje. Por darmos dinheiro sem perguntarmos o que se faz com ele. Por aceitarmos que um grupo de amigos governe há anos um Clube que é nosso.

Eu tenho culpa no Sporting que temos hoje. Assumo-a. Não dei por ele que chegue, não dei alternativas, não remei com força suficiente contra esta voragem, vi mais tarde embustes que devia ter visto mais cedo.

E agora, é tarde. A AG foi a AG para acabar com todas as AG’s. Entrando-se num rumo de inexorabilidade de transmissão do património do Clube para a SAD, quebra-se a possibilidade dos Sócios intervirem activamente na política do Clube, que é determinada necessariamente pelo dinheiro. Essa subiu ao éter da AG de accionistas da SAD. Os Sócios tornaram-se, depois da AG, um bocadinho mais dispensáveis na vida do Clube e o Clube é um bocadinho menos composto pela universalidade dos seus associados, conforme rezam os estatutos.

Vamos ver onde vai acabar. Só o amor me impede ver que vai acabar mal. E depressa.

Um abraço a todos, com o desejo sincero de que não se perca o que nos une: o Sporting Clube de Portugal.

JL

Nova Era



Diz a capa do Jogo de hoje que vem aí uma nova era. Não duvido. Gostava que além de nova fosse melhor. Porque digo-vos uma coisa: continuo a gostar mais da instituição que, já com mais de 60 anos, me fez perder de amores, do que esta jovem adolescente inconsequente, que muito promete e pouco dá. Não tenho mau perder, apenas medo de perder o que a muitos custou a construir. Que esteja enganado, porque a consciência tranquila não me servirá de consolo, se assim não for. Como me dizia alguém, cuja opinião muito prezo, "JEB tem uma capacidade (incompreensível) de fazer as pessoas parar de pensar". Viva o Sporting!

P.S.- Prosseguiremos hoje com a nossa reflexão sobre o Sporting, com a apresentação de um artigo sobre a A.G. de ontem.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

De Fonte Segura


Momento actual do SCP

A convite do blog A Norte de Alvalade, vamos fazer um balanço sobre o actual momento do nosso clube. Dividimos o nosso comentário em 4 blocos: Ecletismo, Economia, Futebol e Projectos futuros.

Ecletismo:
Não vivemos tempos de outrora. Nem temos todas as modalidades no seu auge, com 5 e 6 mil pessoas no pavilhão a apoiar euforicamente o clube na conquista de mais um título. Mas, temos 4 Modalidades (Atletismo, Ténis de Mesa e especialmente Futsal e Andebol) que têm finalmente francas hipóteses de nos fazer repetir essas tardes de alegria. Para que isto tivesse acontecido, não nos podemos esquecer o belo trabalho realizado por Mário Patricio.

O aumento do numero de modalidades de pavilhão, algo muito desejado pelos sócios e adeptos do clube, só poderá ser uma realidade quando o novo pavilhão for uma realidade, com Hoquei em Patins à cabeça, pelo projecto já existente e que obriga a um menor investimento por parte do clube.

Economia/Finanças:
Neste balanço vou preocupar-me unicamente com factos, para não tornar este texto demasiado longo.
Estamos perante uma situação gravíssima, basicamente temos ainda dinheiro para pagar ordenados e isso ainda o temos porque os bancos até à nossa AG ainda não nos fecharam totalmente a “torneira”. Temos cerca de 240 +40 milhões de Euros de passivo, pagamos 12/13 milhões de juros anuais, temos que pagar 100 milhões de Euros até 2016.

E isto resulta num desinvestimento claro do nosso clube, que só poderá ser alterado com um novo contrato com a banca, no futebol e restantes modalidades. Para isso acontecer, foi-nos apresentada uma alternativa há 2 anos e foi chumbada, essa proposta foi ligeiramente alterada e passou a garantir a maioria da SAD por parte do clube e foi novamente chumbada. Existiram entretanto eleições com os resultados que se conhecem e será apresentada novamente a mesma proposta. Vamos esperar pelos resultados.

Aquilo que sei como sócio, é que como estamos não é futuro. Aquilo que sei é que durante 2 anos que debatemos e vivemos emocionalmente e racionalmente este, problema não existiu UMA única proposta alternativa. Aquilo que queria ter era 2,3, 4 opções para escolher. Mas só me deram uma até hoje, presumo portanto que arranjar soluções para a crise instalada não seja assim tão facil.

Fica na consciência de cada um a decisão de 3º feira, que não tenho a minima dúvida de que marcará para sempre o futuro do nosso clube.

O Futebol:
Não tenho dúvidas que vivemos o momento mais complicado dos últimos 4 anos. A equipa não rende, os “espectáculos” têm sido pobres, os adeptos estão descontentes e afastados do estádio e da equipa.

Mas penso que ligar isso unicamente e exclusivamente a Paulo Bento é demasiado redutor. Ao contrário de muitos considero que Paulo Bento é o último dos nossos problemas a ser resolvido.

E acho que a mudança de treinador até podia dar alguns resultados a curto prazo, mas a médio/longo prazo estariamos pior do que estamos hoje. Se tivessemos as mesmas armas que os rivais e os resultados fossem os mesmos a minha opinião seria diferente.

Agora dizer que só um cego é que não vê que o PB é culpado de tudo, e depois fechar os olhos que os outros gastam 40 milhões em reforços com 40 milhões de orçamento contra 3 milhões em reforços contra 23 milhões de orçamento nossos parece-me pouco coerente,  completamente descontextualizado do actual momento do futebol e revela alguma desonestidade intelectual.

Projectos futuros:
Os únicos conhecidos mas que ainda não foram oficializados foram o novo Pavilhão do SCP e a SportingTV.
Pavilhão perto do estádio, que reavivará a chama do ecletismo que existe no coração de cada Sportinguista, será mais um passo para o crescimento da militância de que tanto se falou pelos piores motivos nos últimos anos.

A Sporting TV numa lógica parecida com o ultimo paragrafo, fortalecerá os laços entre o SCP e os sócios/adeptos, e ao mesmo tempo, garantirá outra fonte de receita para o clube.

Saudações Leoninas,

Entrevista Bettencourt

Interrompemos, por momentos, a colocação dos artigos de reflexão sobre o momento que se vive no clube. A entrevista dada pelo Presidente Bettencourt aos 3 diários desportivos, com a AG de logo no horizonte assim o justifica. Seleccionamos a entrevista de "ABola" por ser, das 3, a que não poderá ser lida online.  Logo, pela tarde, prosseguiremos a nossa jornada de reflexão, com a publicação do artigo do "Fonte Segura" que se adequa, também ele, à véspera da realização da AG.

As minhas notas à entrevista:
1.    O atraso deve ser imputado a quem, tendo em conta que a proposta é igual à que já anteriormente não colheu os votos necessários, e JEB já vai com 3 meses de presidência?

2.    Se ele precisou desse tempo para avaliar o dossier, porque têm os sócios que a votar a correr e sem  o poderem consultar com detalhe e tempo?

3.    Porque não se avalia, antes de pedir mais dinheiro, a forma como tem sido mal consumidos os recursos existentes?

4.    Se as actuais operações previstas não nos vão dar mais que o 3º lugar no campeonato dos orçamentos, posição que já ocupamos, porque não se aproveita a oportunidade para pensar numa alternativa que fortaleça a médio prazo as contas do Clube/SAD, do que tentar aprovar à força a sangria total dos bens do  clube para a SAD?

5.    Quanto ao futebol, não aceito a visão do meu Presidente: o futebol português sempre teve menos recursos financeiros que os espanhóis, italianos, ingleses, etc, mas, quando se juntou a eficiência com a qualidade, foi possível fazer igual ou melhor que aqueles. Se aceitassemos passivamente a condição de menos endinheirados, o que se parece querer instalar à força no Sporting, nunca teríamos chegado onde chegamos.

6.    JEB não justifica a continuidade de PB com nenhum argumento válido para um treinador, pelo menos do Sporting:
a.    Record de longevidade (sintomaticamente e para já 2º…)
b.    3 Ligas dos Campeões seguidas (que prestigio trouxeram ao clube?)
c.    Venda do Nani (1º e último caso, pelo que deve ser considerado uma excepção e não o contrário)
d.    1ª vez nos oitavos de final (mas porque raio perder uma eliminatória por 12-1 pode ser considerado um feito?)
e.    Fez melhor que muitos e também é verdade que antes dele houve quem fizesse mais com menos apoio.




segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Visão do "Lateral Esquerdo"


Importa referir, que as ideias que procuraremos transmitir são, essencialmente, fruto de percepções próprias de quem não convive, diariamente, com a realidade leonina (isto é, não vemos os treinos, e não conhecemos a personalidade de treinadores e jogadores). Pelo que, as próximas linhas, são passíveis de serem injustas para os agentes desportivos a quem nos referiremos.

Parece-nos que os principais problemas surgiram desde logo, na construção do plantel. É impossível não referir que nos fez imensa confusão, a opção por não reforçar as laterais da defesa. Desde o término da temporada passada que nos pareceu que só com dois defesas laterais, de nível superior, o Sporting poderia dar um salto em termos qualitativos. O deterioramento das capacidades físicas de Polga tem condicionado em demasia o jogo da equipa. Porém, aceita-se que tal, poderia ser complicado de pressupor. Nesse sentido, aceita-se perfeitamente, a não procura por um novo defesa central, no mercado. Até porque, há mais jovens a crescer, que dentro de algum tempo, poderão ter uma afirmação semelhante à do enorme Daniel Carriço.

O meio campo é, claramente, o ponto forte desta equipa. Há boas soluções para todas as posições (mais de uma para cada posição). A contratação de Matias, não parecia prioritária (Romagnoli é um excelente jogador). Contudo, o chileno é um jogador soberbo. Uma mais valia em qualquer equipa. Pelo que, um excelente negócio. É inegável que a lesão de Marat Izmailov prejudicou gravemente, o início da época. O russo é o melhor jogador do Sporting, e obviamente, dos melhores da Liga.

No ataque, Liedson é um finalizador exímio. Porventura, o único valor, totalmente, seguro do ataque. Postiga tem imensas qualidades (muito inteligente a movimentar-se, boa técnica e sempre disponível para contribuir com algo de positivo para o colectivo), mas peca em demasia na finalização. Yannick tem o condão de agitar cada jogo em que participa. Parece ser o antídoto para os momentos em que os jogos tendem a caminhar para o marasmo. A sua capacidade técnica é lastimável, pelo que, geralmente, tudo o que de bom constroí, acaba por destruir. Parece-nos que (até prova em contrário) o melhor avançado para acompanhar Liedson, seria Vukcevic. Angulo e Caicedo parecem contratações estéreis. O dinheiro investido nos seus salários, provavelmente, teria dado para reforçar as laterais.

A qualidade do jogo não reflecte, nem por sombras, a qualidade da equipa. No plano ofensivo, para uma equipa com um meio campo tão talentoso, a opção por sair a jogar, demasiadas vezes, em futebol directo, é lastimável. Com jogadores como Miguel Veloso, Moutinho, Pereirinha e sobretudo Matias, há todas as condições para se jogar um futebol apoiado. Progredir no terreno com paciência, fazendo-o através de troca de bola constante, explorando todos os corredores. Ir aos corredores laterais, voltar ao meio, e esperar pelos espaços criados. Por vezes, parece que a equipa está limitada pelo tempo. Joga como se tivesse no último minuto de cada partida. Recorre demasiado ao passe longo. Denota demasiada pressa em chegar à grande área adversária. Seria incrivelmente mais atractivo e mais eficaz, colocar Matias a vir receber a bola, uns metros mais atrás, e ir progredindo com passes seguros. Tal como está, não é Matias que não aparece no jogo. É o jogo que não aparece no chileno. Um talento incrível, acabará a ser criticado, por um problema colectivo (semelhante ao vivido por Aimar na temporada transacta). Sem bola, a equipa não consegue ser pressionante. A lentidão de quase todos os defesas do Sporting, obriga a que a linha defensiva seja forçada a recuar alguns metros, por forma a não se expor à profundidade do adversário. Tal facto não seria um problema, se os médios recuassem um pouco mais e jogassem mais próximo dos defesas. Quando Vuk está em campo (como médio), tal nunca sucede. É nossa crença que o montenegrino, que poderia ser uma opção fantástica como avançado, condiciona de forma negativa o colectivo. Izmailov é de uma importância extrema.
O incessante recurso ao passe longo, quando em situação ofensiva, e a incapacidade para colocar pressão sobre o portador da bola adversário (mesmo no meio campo defensivo), aquando do momento defensivo, são os traços que mais incomodam no futebol do Sporting. Acrescentar também, que é difícil para nós, aceitarmos como única justificação para as dificuldades nas bolas paradas, os centímetros do onze inicial. Mais que um problema de altura, parece-nos que não há uma correcta definição dos comportamentos a adoptar nestes momentos. Exemplo: no golo do FC Porto, Falcao nem precisou de saltar (e estava na pequena área). Nestas situações, a equipa limita-se a tecer marcações individuais. Facto com o qual não concordamos. Se o problema é a altura, então, menos sentido fará, criar situações de 1x1 em toda a grande área, porque os mais baixos estarão sempre em desvantagem. Quem marca de forma individual, está onde o adversário quer que esteja. Isto é, é fácil planear os cantos e livres laterais contra o Sporting. Colocam-se X jogadores a desmarcarem-se para bem longe da zona onde se pretende colocar a bola (arrastando consigo inúmeros jogadores do Sporting), e cria-se em determinado espaço, uma situação de 1x1, com o melhor cabeceador da equipa. (Foi o que Jesualdo fez. Com os resultados que se conhecem). Ou seja, uma situação clara de vantagem para quem ataca.

Não duvidamos da competência de Paulo Bento. Porém, verificamos que demasiadas vezes, jogadores diferentes, tomam opções diferentes, em situações idênticas. É nossa crença que se tal sucede, é porque não há ideias definidas sobre os comportamentos a adoptar em campo, em cada instante (tal é passível de ser treinado). A responsabilidade é, naturalmente, do treinador. Ou porque ele próprio não tem as ideias bem definidas, ou porque se as tem, não tem sido capaz de as transmitir. A opção (que abominamos) por um futebol mais directo, tem também em Paulo Bento o maior responsável. Ou porque não se treina as saídas para o ataque, ou porque aquela é uma situação pre-definida (com a qual, obviamente não podemos concordar. Até porque, não aproveitar o talento que abunda no meio campo, na fase de construção de jogo ofensivo é, no mínimo, abusivo). Também na má definição das bolas paradas (essencialmente as defensivas), nos parece que Paulo Bento tem inúmeras responsabilidades. Se a equipa é mais baixa, impõe-se uma defesa à zona, ou mista (algumas zonas fulcrais preenchidas, em conjunto com marcações individuais aos mais perigosos jogadores adversários). Custa a crer que após tantos golos sofridos da mesma forma, não se verifique, sequer, uma tentativa de correcção dessas situações.

Perante o contexto actual, e apesar de lhe reconhecermos qualidades, Paulo Bento não parece poder fazer parte da solução. Nota-se uma certa apatia entre os jogadores. São quatro anos, sempre com a mesma vivência. Poderá a motivação manter-se elevada em tal cenário? Não cremos.

Contudo, trocar Paulo Bento, por qualquer outro treinador português não irá melhorar o rendimento colectivo (para além do impacto inicial, que sempre sucede). Portugueses, só nos revemos (tacticamente) em Jesualdo Ferreira, José Mourinho e Jorge Jesus. Mas, há imensos treinadores franceses e italianos, que poderiam incrementar, de sobremaneira o futebol produzido. E como não aceitamos que nos digam que, jogando bem não se está mais próximo da vitória..."

PS: Este artigo foi escrito em exclusivo para o "ANortedeAlvalade" pelos editores do blogue "Lateral Esquerdo", um blogue onde o futebol é muito bem tratado. Não sendo um blogue do Sporting, este é um contributo externo à discussão que agora aqui se inicia.

Para pensar



Aproveitando a paragem competitiva e tendo em conta o momento que se vive no clube, iremos realizar aqui no “ANorte” uma semana de reflexão. Para o efeito efectuamos diversos convites, muitos deles já aceites, para que elementos externos ao blogue partilhem connosco as suas opiniões. Pretendemos assim, com esta iniciativa, um debate livre e aberto a todos, precisamente numa semana de importantes decisões em sede de A.G., e quando o futebol leonino é quase tão falado como o recente "hatrick eleitoral". Estejam atentos. Agradecemos desde já a vossa participação.

Voltando à A.G. de amanhã, e entendendo que hoje possa ser considerado como o dia de reflexão, chamo à atenção para este pertinente post do Miguel Damas, do Sangue Leonino e para a Geração da Dívida. E se, quando se fala de maioria do capital da SAD, estivéssemos a falar do já não existe?

sábado, 10 de outubro de 2009

"A Norte" nas modalidades

Depois de na semana passada ter feito uma maratona desportiva ao longo da tarde de sábado, assistindo às partidas da equipa de futsal (derrota frente ao Fundão em Loures) e da equipa de andebol (vitória sobre o Marítimo no Pavilhão do Inatel).

Embora não haja futebol da equipa principal, não quer dizer que o Sporting pare. Hoje, desloquei-me ao Multiusos em Alvalade para assistir à partida da nossa equipa de Ténis de Mesa.

Como sabem, somos actuais campeões nacionais e temos "apenas" 30 títulos nacionais.

Adoro cada vez que vou assistir a uma partida das nossas modalidades. No fundo, muita da nossa mística está ali e mesmo num momento de "crise" no futebol, a paixão vive-se de forma intensa e os atletas sentem-se motivados face ao apoio que recebem por partes dos apaixonados pelo clube. E quem se deslocou à Sala do Ténis de Mesa saiu satisfeito ao ver que o seu apoio resultou numa vitória por 4-0 (3-0, 3-1, 3-0 e 3-2) frente ao CD 1º de Maio.

A propósito do Ecletismo, deixo aqui a ligação para um excelente artigo do Arq. Pedro Silva, que ajuda a reflectir sobre os benefícios associados a um complexo desportivo onde agora parece ser possível o Sporting construir um pavilhão.

EM FRENTE SPORTING!

Entre a estranheza e a desilusão*


Vivem-se dias conturbados por força das decepcionantes prestações e resultados da equipa de futebol. O Sporting é muito mais que apenas o futebol, mas este é o miocárdio do clube: com a equipa principal a fraquejar em toda a linha o sobressalto é geral.


Mas quem estará verdadeiramente surpreendido com a sequência de acontecimentos que marcam hoje a realidade do nosso futebol, tendo em conta os sinais e os avisos que a equipa de futebol ia deixando cada vez mais evidentes? Este não é afinal o resultado de varrer para debaixo do tapete o lixo de resultados confrangedores e por vezes humilhantes, evitando-se sempre e a qualquer preço a análise das suas causas? Não chegamos aqui por termos substituído a ambição de querer mais e melhor pela condescendência, as desculpas (orçamento, juventude, maturidade) pela responsabilização?

Estranho a forma como tem o recém-empossado Conselho Directivo, em particular o nosso Presidente, reagido aos acontecimentos. Mais do que medidas de correcção ao que se vai passando no nosso quintal, vemos o presidente a espreitar com demasiada frequência por cima do muro, para a casa do vizinho. Mas, pior do que isso, é a tentação de apontar de novo as baterias para o interior da caserna, á procura da “oposição sem rosto”, do inimigo invisível. É totalmente desprovido de sentido partir, num momento como este, para uma caça às bruxas. E é um desperdício de energia e de tempo explicar os falhanços da equipa técnica, dos jogadores e da direcção, com a contestação que é feita justificadamente pelos adeptos. Ao contrário do ovo e da galinha, percebe-se bem que o que acontece primeiro são os maus resultados e depois é que sobrevém a decepção e a contestação. Contestação essa que só atinge os órgãos sociais porque não é perceptível uma qualquer estratégia, que não o esperar que tudo o que inchou, desinche e passe.

Julgo interpretar correctamente o sentimento geral: apesar de profundamente decepcionados com os acontecimentos recentes, não creio que os Sportinguistas queiram novas eleições ou a queda dos actuais corpos sociais. Querem antes sim uma liderança esclarecida e forte, que assuma as responsabilidades do difícil mandato que há tão pouco tempo lhe foi conferido e que não se disperse a lutar contra moinhos de vento. O Sporting não pode perder mais esta oportunidade. Sou um adepto anónimo e vivo longe dos centros de interesse leoninos e, a não ser que me escape algo menos evidente, não vislumbro qualquer oposição constituída. Mas, concedendo que ela até existe, não foi a oposição que falhou nas promessas de uma equipa a lutar de princípio ao fim pelo campeonato, não foi a oposição que falhou no reforço da equipa, não é a oposição que acha algo vai mudar sem se mudar nada, em definitivo, em que é que a oposição é responsável pelo mau futebol praticado?

Como adepto posso facilmente esquecer, no interesse do clube, as promessas de “com mais uns treinos isto vai”, “uma equipa de luxo” ou “jogadores para vender camisolas”. Não aceito é que, ao invés de atacar os problemas de fundo, voltemos a um passado recente, em que o bom Sportinguista é o “Sportinguista calado”. Ou que se perca mais uma ocasião soberana para introduzir as necessárias mudanças no Departamento de Futebol. Esqueçamos por ora os títulos. Alguém é capaz de imaginar quanto tempo aguentará o clube o futebol dos últimos anos?

*Este é um artigo escrito para o Site de Apoio Sporting, no âmbito da parceria estabelecida entre nós e aquele espaço.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Voando sobre um ninho de apupos

Por vezes para mudar o rumo dos acontecimentos basta mudar uma letra, a recente descoberta que era difícil condenar incendiários porque eles incendiavam mato e a legislação só previa o incêndio de mata é mais uma prova disso. Felizmente ainda ninguém se lembrou de dizer que os incendiários bem vistas as coisas só pegam fogo ao fósforo, esse palito criminoso é que posteriormente cai inadvertidamente sobre a gasolina que ensopava o mato.

O Sporting encontra-se numa encruzilhada destas, há incendiários de maior ou menor dimensão espalhados por todo o lado e uma incapacidade enorme de apagar fogos, as razões para que nunca se consiga a extinção completa de um fogo e posteriormente fazer o respectivo rescaldo são várias e resultam num avolumar de condições propicias para reacendimentos.

Tem existido nos últimos anos diversos casos que nunca foram devidamente concluídos, o exemplo mais gritante foi a eliminatória contra o Bayern, no nosso intimo foram dias de profunda amargura, similar a algo que nos é querido e que morreu, nestes momentos exige-se um velório, um luto para permitir enterrar o assunto bem fundo e partir com esperança renovada para o futuro.

Tal não aconteceu, a Culpa continua a passear livremente por Alvalade e quem sabe é a razão de repetidamente o nosso relvado apresentar condições melhores para a prática do Corfball do que do Futebol, tal nunca acontece seja por intervenções idiotas na comunicação social de jogadores e dirigentes ou por defesa insuficiente dos interesses do clube. Ninguém entende quando se chega a um acordo de dispensa com diversos jogadores nos quais vemos alguma utilidade, e por oposição nada se consegue resolver sobre um jogador que já provou à exaustão que é mau profissional e continua a ensombrar a nossa baliza.

Neste ambiente quem paga as favas é quem dá a cara, é indigno pedir ao povo que cale o seu descontentamento quando se deixa a duvida e a suspeita medrar livremente. As vozes que se ouvem não são de inconscientes ou energúmenos são o espelho fiel de uma liderança fraca e confusa que tem receio de se assumir perante nós.

Aquilo que há de mais urgente a fazer não é mudar de treinador é sim mudar toda uma forma de actuação interna do clube que permite a quem se “mete com o Sporting” continuar a sua vida sem consequências. Perante o momento que vivemos a decisão foi de novo nada fazer, como tal por não concordar essa inacção assumo eu essa função de regeneração se basta mudar umas letras para um plano financeiro que antes foi recusado ser agora aprovado também eu tenho o prazer de vos apresentar o novo treinador do Sporting.

Senhoras e Senhores eis Jorge Gomes!


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Um murro na mesa

Considero que fui dos poucos (cerca de mil) que deu um murro na altura certa… Meti um dia de férias, fiz quase 500 Km para o dar (ida e volta) … Ao chegar às imediações do Estádio José de Alvalade deparei-me com um membro da lista de PPC e, apesar de não o conhecer pessoalmente, aproveitei para o interpelar. Respondeu-me, ainda meio atónito meio desiludido, que as sondagens à boca de urna (jornal Rascord) apontavam para, segundo as suas próprias palavras, ‘um resultado ainda pior que o Abrantes Mendes conseguiu contra Filipe Soares Franco’!…

Obviamente, lá fui na mesma à mesa (de voto) para espetar com o tal murro … Confirmou-se, mais tarde, que efectivamente tinha saído ‘muita fraquinho’… Os murros dados ao longo desse dia, todos juntos, foram pouco mais que imperceptíveis. Quando assim acontece a margem de manobra de quem perde é francamente desoladora.

Apesar disso, obriguei-me a acreditar que com JEB, se poderia alterar alguma coisa, por ínfima que fosse. Aguardei que tal mudança pudesse trazer melhorias. Só que, passado pouco tempo, comecei a suspeitar da capacidade do novel presidente… A resolução dos casos que teimavam em aparecer, cedo o indiciaram … O caso das ‘pedradas’ foi o primeiro (uma oportunidade de unificação excelente, incrivelmente desperdiçada), outros lhe sucederiam: ‘Ricardo Peres vs Duarte ‘chifrudo’ Gomes' ‘contradições e decisões incompreensíveis na definição do plantel’, ‘chegada ao aeroporto’, ‘vassalagem ao papa’ e ‘afronta do Vitinho Pereira’, estes últimos dois casos numa semana de importância crucial, confirmavam o pouco acerto… Os recentes casos dos ‘sócios silenciosos e invisíveis’, e a recorrente preocupação com o que a vizinhança saloia faz ou deixa de fazer, que para além de estéril só nos diminui. Será que JEB não tem com o que se preocupar dentro da casa que dirige? Tiros nos pés a um ritmo verdadeiramente alucinante. Por fim, esta ultima charada da convocação de uma AG com um bombástico 2.º ponto na ordem de trabalhos e cujo local já foi alterado, não se perspectivando se o actual ou mesma a data determinada serão realmente definitivos. Mais uma rábula que ‘cheira’ à usual prática manhosa e truculenta que se vem consumando no SCP de há longos anos a esta parte…

Claro que não se sabe como seria com PPC mas creio que pior seria impossível... Durante a campanha PPC e a sua Lista cometeram erros… A escolha do treinador alternativo a Bento foi, na minha opinião, um deles. Demonstraram-se demasiado ambiciosos e apresentaram muitas promessas, muitas delas válidas mas que, dificilmente, seriam concretizáveis em apenas uma ‘legislatura’. Foi o suficiente para que a contra-informação e campanha negra perpretadas pela comunicação social funcionassem. Mas a nula credibilidade que os media desportivos me merecem, a demonstação de coesão, organização, garra e determinação em cortar com as práticas sombrias do passado, conjugado com a persistente nega de JEB em debater o Sporting durante a campanha eleitoral, todas as circunstancias que o levaram a avançar para a liderança quase no soar do gongo, mais a minha descrença na sua equipa (as mesmas caras que se perpetuam no poder ad eternum), fizeram-me optar pela Lista A. É conveniente recordar, que algumas das propostas e ideias então identificadas no Programa da lista de PPC foram, posteriormente, aproveitadas como porta-estandarte na acção de JEB… Aquelas que ainda vão recolhendo alguns elogios. Talvez porque Programa próprio foi assim uma espécie de um ligeiro e vago manifesto feito à pressão. Por fim, diga-se em abono da verdade, que JEB conseguiu tamanha votação porque, oportunisticamente, se colou a Bento o qual, todos sabíamos constituir um grande trunfo eleitoral, dada a ampla popularidade que, naquela altura, ainda gozava entre a maioria das franjas dos associados leoninos. Erro crasso que ainda agora estamos a pagar.

Concluindo, não sei se faz sentido, hoje em dia, tentar ressuscitar PPC ou aguardar por uma posição da chamada ‘oposição’… Novo murro terá que ser dado por nós todos (sócios e adeptos ferrenhos e descontentes) e convém que, desta feita, se faça verdadeiramente sentir. Resta continuar a estrebuchar e ver se se força JEB a dar a importância e a atenção (ao invés de apoucar), a quem se preocupa com o rumo que o clube leva. E, já agora, a aplicar melhor o seu tempo e o nosso precioso dinheirinho…

Ser ou Parecer?


Certo dia na faculdade, um professor de Promoção e Publicidade contou numa aula uma história interessante: Um empresário com uma indústria de pequena dimensão conduzia um carro de grande cilindrada, deixando surpreendidos todos os que o conheciam e a sua riqueza. Quando questionado em relação a tal realidade, o homem respondeu: “Sabes, posso ser uma pessoa humilde e sem grandes riquezas, mas pelo simples facto de andar a exibir esta viatura em frente dos meus parceiros de negócio, obtenho logo o rótulo de pessoa de confiança garantindo assim preços mais competitivos e melhores condições de pagamento junto dos meus fornecedores”.

Por esta altura, devem estar a questionar-se porque razão há-de estar uma história deste estilo num blogue relacionado com o Sporting…

Face às crescentes dificuldades financeiras do nosso clube, é cada vez mais evidentes as dificuldades e baixa margem negocial que a nossa equipa tem. Não conseguimos negociar os nossos dispensados nem termos forma de conseguir os reforços que – concorde-se ou não - dizem ser necessários para melhorar a equipa e poder lutar de igual para igual com os principais adversários.

Instados com o que se vê noutros lados e talvez frustrados por não conseguir fazer o mesmo, desesperamos a pensar se somos mesmo os únicos a atravessar dificuldades. Dizem os mais conhecedores que não e que apesar de uns conseguirem negociar mais jogadores e com sucessivas verbas recorde, têm também uma folha salarial e um nível de custos muito superior enquanto outros apesar de conseguirem movimentar muitas verbas e financiar-se das mais variadas formas, têm também um sem fim de buracos por onde escapa a liquidez do clube. Onde está então a diferença?

A diferença está no já conhecido “Somos diferentes”. Nós somos os honestos, os sinceros e os frontais que bradamos aos sete ventos que não temos e não podemos. Nós somos os cumpridores e cavaleiros da virtude que não enganamos ninguém e cumprimos todos os nossos compromissos e respeitamos por completo aqueles que lidam connosco. Obviamente que nada tenho contra o que se pratica mas sim contra o que se prega.

O discurso que se exterioriza vulnerabiliza o Sporting levando o clube para níveis de credibilidade diminutos pois aparentemente estamos tão mal que necessitamos de despachar qualquer jogador para equilibrar as contas, nem que seja a preço de saldo. Por outro lado, aqueles que não pretendemos manter, estão mais que desprestigiados e ninguém se atreve a dar o que quer que seja por eles.

Em linguagem popular, diria que está na moda pregar “barretes” ao Sporting. Somos aqueles que são diferentes e como tal, imbecil é aquele que não se aproveita das nossas debilidades, seja na negociação de um qualquer jogador ou na contagem da electricidade ou pagamento de um qualquer honorário…

Que se lixe a mulher de César pois às vezes mais vale parecer do que simplesmente ser…

A doença é grave, resta-nos a fé?

O Sporting parece-se cada vez mais com um pobre homem que reza todas as sextas-feiras para que lhe saia o Euromilhões. E quando um dia, já zangado por as suas preces não serem atendidas, se põe a praguejar, ouve uma voz que lhe pergunta: “Mas ao menos jogaste, meu filho?...”

Pode até ser que Paulo Bento resolva esta crise, mas, e as que se seguirão, quem as vencerá? Porque a doença do futebol do Sporting é uma doença crónica – como demonstram as quebras recorrentes – que não será resolvida com meras aspirinas ou curada por aqueles que demonstradamente se têm revelado incompetentes. E a saída de Paulo Bento não é, por si só, a cura de todos os males. É lamentável que o Presidente não encontre nesta crise a oportunidade para dar ao clube o Departamento de Futebol que precisa e merece.


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Um homem com qualidades


Fala-se muito nas qualidades que se reconhecem a PB como razão para a sua manutenção. Mas essas não são afinal as que deveriam ser a de todos os funcionários do Sporting? É PB o único treinador de carácter? Ou fala-se das suas qualidades humanas porque já pouco há a dizer do proveito que se tira do seu comando técnico?

Suponhamos então que PB até já tinha sido campeão. Isso faria dele o nosso treinador vitalício? Assim parece, pelo menos a avaliar pelo que se ouve de muitos Sportinguistas. Nesse cenário seria até bem capaz de chegar a presidente, se quisesse. Tudo isto aconteceria porque, para o bem e para o mal, a imagem de liderança no Sporting é carregada por ele, por omissão ou demissão de todas as outras partes. Com tudo isto, PB acaba por ser dos que mais perde, por ter de fazer vários lugares ao mesmo tempo. É por isso, parece-me, que a saída de PB é vista como um drama por muitos sectores.

Não podemos e não devemos relativizar ou exponenciar a importância de PB. É apenas o treinador do Sporting e é como tal que deve ser avaliado. Não estão em causa as suas qualidades humanas, nem sequer, neste momento, as suas capacidades técnicas. Não se trata de absolver ou condenar o técnico ou o cidadão. Perante o cenário que hoje se apresenta, a pergunta que deve ser feita é se ele continua a reunir condições, nas suas circunstâncias, de permanecer como técnico principal. Isto é, os interesses do Sporting ficam melhor defendidos com a sua permanência ou com uma nova liderança?

Pelos resultados e sobretudo pelas exibições, não creio. E estes não são de agora, parecem ter vindo para ficar. Este mau futebol está a comer por fora o Sporting como a ferrugem. Deixar passar mais tempo é deixar entranhar o mal. Que custos tem a indigência exibicional que tem caracterizado o Sporting, como perspectiva de carreira para os jogadores que forma, como desvalorização de activos, como desmobilizadora de adeptos? Quando devíamos estar a discutir a viabilização económico-financeira, talvez um novo modelo, o futebol arrasta-nos para o fundo como uma âncora. No fundo, quanto nos custa o PB ser um "bom homem"?

Provavelmente, na actual conjuntura, nada mudará. Jogam-se todas as fichas nas  2 semanas de paragem, no esquecimento, no regresso milagroso às vitórias ou nas escorregadelas alheias. É uma pena, porque voltaremos à casa de partida, mais uma vez. Mas sou até capaz de perceber: atrás de quem se poderão esconder todas as outras deficiências da estrutura leonina, caso PB não esteja? Afinal, manter PB pode ser também uma boa manobra de diversão. Robert Musil, autor do livro “O Homem sem qualidades” dizia que era mais difícil escrever um livro que governar um império. Morreu em 1942 e nunca deve ter conhecido um clube chamado Sporting Clube de Portugal, que daí a 2 épocas começaria a escrever das páginas mais gloriosas do seu império desportivo.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Medo de ouvir?

É muito frequente ouvir-se falar em oposição no Sporting. Uma etiqueta que sempre considerei inadequada, uma vez que num clube esta classificação não faz qualquer sentido, muito menos no nosso. O Sporting pode, isso sim, orgulhar-se do sentido de cidadania dedicada e genuinamente preocupada com o clube. Mas a realidade é iniludível e este termo infeliz é frequentemente usado para classificar os que se interrogam sobre o caminho seguido pelo nosso clube, seja sobre o fraco desempenho desportivo, seja pelo estado calamitoso das nossas contas.

A eleição do Presidente Bettencourt, pela expressiva maioria que se manifestou a seu favor e pela união e esperança que suscitou no período pós-eleitoral, retirou a expressão de circulação por uns tempos. Mas o medíocre início de época que a equipa de futebol tem protagonizado trouxe de volta esta delimitação bacoca, como se os maus Sportinguistas fossem os que esperam e exigem um nível melhor. Apesar de não haver, neste momento, qualquer grupo ou tendência que se assuma como oposição, não falta quem classifique os que ousam abrir a boca como os “tais 10%”.

Esta clivagem irá recrudescer com a marcação da A.G. de 13 de Outubro, como se advinha no pertinente artigo de Aguiar de Matos, no Site de Apoio. Aprestamo-nos para dar mais um passo em frente sem vermos onde estamos a por os pés. Espero da actual Direcção um comportamento diferente da sua antecessora, isto se esta quiser um comportamento diferente dos sócios que não concordarão com o caminho apontado. Alterações tão substanciais no património do clube deveriam ser largamente debatidas e explicadas de forma muito mais alargada que a permitida numa A.G. Sabemos como têm sido as anteriores, a quem serve que se mantenha tudo na mesma? Que debate e esclarecimentos podem ser realizados a correr, entre o final de jantar e o receio de mais uma noite perdida?

Debate esse que já deveria ter começado nos meios que dispomos. O site do clube bem como o respectivo jornal não são apenas da actual Direcção ou dos que com ela concordam de forma mais ou menos consciente. São meios do Sporting e o Sporting somos todos nós. É uma pena que esse papel tenha que ser, por ora, desempenhado por projectos de Sportinguistas que se notabilizam pela sua dedicação ao clube, fazendo com menos meios, o que o clube não pode, não quer ou não sabe fazer com mais. O Site de Apoio merece bem o nome que tem.

PS : recuperei este post colocado no passado fim-de-semana, por achar que o tema da AG está agora mais actual, permitindo, assim o entendam, melhor discussão.

Estes são dias perfeitamente normais


Dias normais. São esses os dias que vivem por hoje os Sportinguistas. Quando chegou o final do jogo de sábado todos sabiam que o título era uma miragem ou um milagre. Foram para isso insistentemente avisados pelo Presidente desde o início de época, não fossem desatar a sonhar. E quem melhor habilitado estará para o perceber, do que quem tem por missão liderar o Sporting? Ele avisou-nos que não teve tempo para dotar o clube de melhores receitas para fazer face às necessidades de mercado, talvez porque perde demasiado tempo a olhar para o que se faz do outro lado da 2ª circular. Deve ser por isso que nada diz de substancial sobre o clube de que é Presidente, aparentando conhecer melhor os dossiers dos vizinhos. JEB põe o assento tónico nos orçamentos porque sabe que não há à sua volta, e particularmente no Dep. de Futebol, a competência e o profissionalismo, excelentes expedientes para superar a falta de recursos financeiros. Com dinheiro qualquer um faz a figura de Real Madrid. Sem dinheiro é preciso competência, rigor, profissionalismo. Porque é tarefa para qualquer um oferecer jogadores sem qualquer rentabilização, como temos feito. E aquisições erráticas, sem critério também.

Parece ser normal tolerar a desculpa no Sporting, embora não o seja no meio de onde Presidente chega. Fica por saber porque parece ser menos exigente no clube de que tanto gosta. Será porque também, acima dele, alguém lhe exigia constantemente resultados? Somos nós mais permissivos? Ou a desculpa é já a cultura da nossa (des)organização?

São dias normais haver jogo do Sporting e não ver futebol e, por consequência, não ganhar. PB, a quem se lhe aponta coragem, não hesita em esconder-se atrás da cortina dos orçamentos para justificar a sua incapacidade. Dispõe de apoio incondicional, dispõe de tempo como ninguém, mas não consegue dispor a equipa no relvado. O Sporting, em termos colectivos é do pior que se vê na Liga Sagres, mas PB nada altera. Enleado na sua obstinação cega, teve que ser  Duarte Gomes a  por Polga na bancada, devolvendo-nos alguma estabilidade defensiva. O que perdemos entretanto? O Sporting não promove no mercado um jogador desde Nani, antes parece um cemitério de carreiras. Será por isso que Rabiu Ibrahim não quer ficar em Alvalade? Quantos se seguirão? Que importância tem tudo isto no futuro do clube como referência na formação?

Parece ser também normal que os Sportinguistas aceitem este estado de coisas. Porque, dizem-me, “foram conseguidos 4 2os lugares, 2 taças de Portugal, 3 Super-Taças, 2 finais da taça da liga, 1 apuramento para os oitavos-de-final da Champions. Mantiveram-se jogadores valiosos formados no clube. Lançaram-se novos jogadores da formação. O 11 do Sporting tem jogado com 9 Portugueses.” Isto quer dizer o quê? Que mais ninguém seria capaz, nas mesmas circunstâncias, de igual feito? Que por isso o clube tem que ficar eternamente penhorado a este treinador? Os jogadores mantiveram-se ou não se conseguiram vender? A aposta na formação não passa de uma consequência dos erros nas aquisições? E que importância tem os jogadores serem os mesmos, mais experientes e jogarem cada vez pior, ficando cada vez mais longe dos adversários?

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