segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Tão clássico como fraco


Foi um Porto vintage que ontem subiu ao relvado do clássico. Um Vintage colheita algures nos anos 70 em que a simples travessia da Arrábida provocava tremideiras e chiliques nos então andrades. A data da fundação do clube ainda não havia sido inventada e os dragões só existiam nas histórias de encantar. O facto de os azuis se apresentarem na máxima força ante um adversário fragilizado por importantes ausências ainda mais vinca a pobre exibição azul.

Parece querer tornar-se assim um clássico deste campeonato a afirmação que se tem ouvido com frequência: a tendência do Benfica em ganhar aos mais fracos. O que faz dos vermelhos um sério candidato ao título. É que é aí, dizem, que se ganham os campeonatos. E é aí que estamos a perder o campeonato, uma vez que nos confrontos directos, a que assisti ao vivo, não vi a distãncia pontual que hoje nos separa.

Clássica é já a confusão que se gera sempre que estes dois clubes se encontram, a dar muita página para encher e muitos minutos de estéril discussão. No mais foi um espectáculo mediano, tendo em conta o espectáculo proporcionado. Na linha dos outros clássicos já disputados este ano.

P.S.: Para os que, como eu, ficaram com a sensação de que os azuis fizeram ontem uma espécie de copycat nossos problemas mais recentes, sugiro a leitura da Bancada Nova, onde cheguei já depois da edição deste post.

Saudações Leoninas, Sr Manuel Ferrão

O Sporting ficou mais pobre com a partida de um grande sportinguista e acima de tudo, um grande Senhor. Manuel Ferrão serviu o nosso clube durante três décadas e sempre foi uma pessoa respeitada pelos diversos agentes do futebol juvenil nacional.

Felizmente, tive a possibilidade de conviver de perto com o Senhor Ferrão aquando das minhas visitas pela Academia de Alcochete. Certos dias, dava por mim a sair de casa a pensar "Esqueci-me de fazer a barba. Lá vou eu ouvir das boas do Senhor Ferrão". Apenas um de muitos episódios que podem ser contados por que privou com este enorme Sportinguista.

O nosso amigo André Figueiredo fez-nos chegar o seguinte texto homenageando uma figura incontornável do Sporting Clube de Portugal.

"Faz amanhã (hoje - dia 21 de Dezembro) um ano que morreu o Sr Gonzaga da Silva, e um ano depois de ter partido um Sr da Formação Leonina eis que tivemos que penosamente estar em mais um funeral e ver partir mais um dos nossos O dia frio e agreste de 19 de Dezembro de 2009 será sempre de triste memória para todos aqueles que sentem um carinho especial pela formação do nosso Sporting Clube de Portugal, pois foi nesse dia que dissemos o adeus final ao Sr Manuel Estevão Ferrão, sócio nº 443 da ainda maior potência desportiva deste nosso Portugal.

Costuma dizer-se que a riqueza de um homem poderá ser medida pela qualidade e quantidade dos seus amigos e no seu funeral foi possível ver a riqueza de Manuel Ferrão, pois presentes estiveram tantos ilustres; Tamagnini Nené, o Sr Vítor Cacito (Presidente do CAC), Emílio Peixe, o Mister João Couto, o Presidente da Casa do FC Porto em Lisboa (mandatado pelo próprio J.N. Pinto da Costa para marcar presença no funeral) bem como uma miríade de treinadores, delegados e dirigentes da formação do Sporting, e de realçar ainda a presença dos atletas Sub-16 Tobias Figueiredo e Alexandre Guedes que apesar da sua ainda tenra idade demonstraram todo o seu carácter ao insistirem em marcar presença nesta última homenagem e despedida ao Sr Ferrão.


Recordo-me como se fosse ontem de ver o Sr Ferrão celebrar um título (mais um) no relvado do Campo Nº1 da Academia de Alcochete, na sua companhia estava um outro enorme Sr da nossa formação, o Sr Delegado António Atanásio, um então ainda mais jovem Mister Vitor Silvestre, e tantas jovens caras conhecidas que tropeçavam sobre si a tentar celebrar mais um título da primeira “Geração Academia”, a Classe de 89; Rui Figueiredo, Bruno Matias, Jorge Abreu, Rui Lopes, Adrien, André Santos, Tiago Pedrosa, André Cacito, etc.


Tantas vezes Manuel Ferrão me confidenciou sobre os atletas, “este é bom, mas tem que ser muito bem domesticado”, assim falava de Mateus Fonseca, de Antoninho Silva, de Rui Coentrão, e de tantos, mas tantos outros. Tantas foram as vezes em que ele via os miúdos mal arranjados e lhes dizia para se comportarem, eram ralhetes atrás de ralhetes mas tinha sempre em mente o bem estar dos seus meninos.

Nunca me esquecerei dos nossos passeios pelo Largo do Rato, pela Rua do Passadiço, ou pela Avenida da Liberdade abaixo, à medida que conversávamos sobre as suas duas grandes paixões; o Sporting e a Fotografia. Algumas foram as vezes em que entrei com ele em lojas de fotografia e discutimos sobre fotografia, encadernações, grafismo, impressões, e era um homem que tinha sempre inúmeras estórias para contar sobre o Sr Presidente João Rocha, sobre fotógrafos, sobre jornalistas, sobre o seu amigo Jorge Nuno Pinto da Costa, sobre os seus ex-jogadores, sobre a sua mulher, sobre as artes (sobretudo pintura), era um homem que mesmo numa idade avançada continuava a reter uma enorme e contagiante “joie de vivre”. Certo dia ia com ele a passear pela Rua do Passadiço e sem que nada o fizesse prever "interpelou" um desprevenido lojista e começou a conversar com ele sobre o quanto Lisboa tinha mudado e recordaram outros tempos de quando o Sporting marcava presença por aquelas bandas na sua velhinha Sede.


O Sr Ferrão, era um homem possuidor de conhecimentos quase enciclopédicos sobre a formação verde-e-branca e lembro-me perfeitamente de alguns anos atrás o apresentar ao meu pai com quem falou sobre Mário Lino, sobre Juca, sobre “Manecas” e sobre a Dobradinha de 1973/74. Apesar de só terem conversado nessa ocasião, até ao meu pai o Sr Manuel Ferrão deixou uma forte e boa impressão pois raras foram as vezes em que desde esse dia o “meu velho” não me perguntou “como andava o velhote?

O Sr Ferrão não pensava só no trabalho, pois tinha sempre tempo para “brincar” e aligeirar o ambiente com o seu incisivo sentido de humor, mesmo com 76 anos de idade continuava a reter uma certa "meninice" que agora que desapareceu começa a deixar-me tantas saudades pela forma senhorial mas "traquina" com que lidava com os seus amigos, pois eu não me esquecerei da forma “impiedosa” como carinhosamente me criticava sempre que eu não fazia a barba, advertindo-me à frente de outras pessoas em inúmeras ocasiões que da próxima vez eu ficaria à porta se não viesse de cara lavada. Dizia-me para cortar o cabelo, para perder peso, para me pentear, corrigia-me a postura se estivesse mal sentado, dizia-me para meter a fralda para dentro, queria saber se eu me alimentava bem e como andava a minha família. O Sr Ferrão nunca, mas nunca facilitava e com ele não podíamos “adormecer na neve” pois ele aquecia-nos logo as orelhas com umas quantas chamadas de atenção e correctivos verbais os quais agora deixam tantas saudades, especialmente aquele seu sorriso e eterna boa disposição.


Recordar-me-ei com carinho de todas as vezes que trocámos impressões sobre o nosso Sporting na sala de espera na Sede da Federação Portuguesa de Futebol antes dos sorteios dos campeonatos nacionais de Iniciados, Juvenis e Juniores. Sempre teve uma palavra amiga, um comentário humorístico e um grande sentido do que é fair-play e cavalheirismo no futebol, mas sem alguma vez esquecer os superiores interesses do Sporting. Tratava todos de forma calorosa, o Sr Tamagnini Nené, o Sr Manuel Ribeiro, os dignatários do FC Porto, Vitória Sport Clube, Braga, Boavista, etc, para ele fora dos relvados só havia lugar para o respeito e correcção, era a sua forma de estar no futebol e era algo que granjeava-lhe a amizade e o respeito dos adversários do seu Sporting.


Lembro-me de celebrar na pista de tartan a conquista da 14ª Taça de Portugal por parte do nosso Sporting no estádio do Jamor em Maio de 2007 frente ao CF Belenenses comandado pelo também “Leão” Jorge Jesus da Caparica. Uma tarde maravilhosa, em que o Sr Ferrão tirou fotografias na companhia de André Santos “Pini”, Carlos Saleiro “Saladas”, Sebastião Nogueira “Seba”, e onde tantos outros marcaram presença, “Janu”, Renato Santos, “Ribas”, Ruben, Nuno Reis, Bruno Matias, e um então desconhecido Rabiu. No final foi uma sessão de abraços, o Sr Ferrão, delegados das escolinhas, a caça ao autografo do Nani, do Veloso, do Djaló, etc.


Manuel Ferrão era querido e respeitado universalmente, quer no Benfica quer no FC Porto era um homem que contava com inúmeros amigos e pessoas que admiravam a sua fleuma e cavalheirismo. Muitas saudades deixará certamente do outro lado da barricada, pois com a presença de Manuel Ferrão na Academia a “arte de saber receber” tinha sido aperfeiçoada até ao limite, pois ele era alguém que nunca descansava até se certificar que todos estavam confortáveis e agradados com as condições que o Sporting lhes proporcionava.


Podia ser fanático pelo Sporting mas tinha sempre uma palavra amiga e de carinho para dizer sobre os adversários. Recordo-me como se fosse hoje de ver os Juniores leoninos vencerem o Benfica inapelavelmente por 3-0 na Academia em 2008 e antes do jogo Manuel Ferrão contou-me que sempre tinha tido em grande conta o Sr António Carraça (na altura dirigente máximo da formação vermelha-e-branca), elogiando os seus dotes futebolísticos enquanto jovem e lamentando que uma lesão e outros azares o tivessem impedido de singrar enquanto jogador a quem ele tinha reconhecido um bom potencial.


Falava sempre carinhosamente dos jogadores. Dizia-me que tinha sido o responsável pela vinda de João Couras (e tantos outros) para o Sporting, elogiava a qualidade técnica de Antoninho Silva então apenas um Infantil A mas já a jogar na equipa do Mister Tiago Capaz (Iniciados C) e muitas vezes falava da necessidade de “domesticar” os meninos aos quais não admitia tropelias nem excessos, chegando mesmo a enviar um promissor lateral esquerdo para as funções de apanha-bolas quando achava que o jovem começava a exteriorizar “moral a mais”.


Quando conversei com Emílio Peixe, perguntei-lhe quem tinham sido os seus maiores apoios no centro de estágio no velhinho Alvalade, o actual seleccionador Sub-16 mencionou vários nomes e concluiu com “e é claro, o Sr Ferrão!!!” pontuando a afirmação com um grande sorriso saudosista por tempos mais simples da sua vida. Poucos dias depois cruzavam-se os dois no Campo Nº2 do Estoril Praia e Ferrão fazia sempre uma festa quando via um dos “seus meninos”, chegando alguém a afirmar que Emílio Peixe tinha sido “dos que tinha dado mais trabalho” mas o Sr Ferrão depressa retorquiu que Peixe era dos que mais saudades tinha, Peixe, Jorge Cadete, Luís Figo e tantos, mas tantos outros que agora lamentam a sua despedida.


Grandeza social e desportiva será sempre importante, mas com o adeus ao Sr Ferrão o Sporting ficou irreparavelmente mais pobre em termos de grandeza humana.


Um abraço e até sempre, Sr Manuel Ferrão.
André Carreira de Figueiredo"

Por cada leão que cair, outro se erguerá...

EM FRENTE SPORTING!

sábado, 19 de dezembro de 2009

A vitória possivel e necessária


Surpresa na constituição da equipa. Ficamos sem saber qual seria a equipa titular se Vukcevic não tivesse sido acometido de gripe, não chegando, por isso, a constar da ficha de jogo. Carvalhal decidiu premiar o esforço alemão de Saleiro e demonstrou coragem em sentar Polga, oferecendo a titularidade a Tonel.

Mau começo, mais uma vez: sem segurar a bola, sem uma jogada ligada, sem conseguir estender o jogo até à área até aos 10m. Mas na primeira vez que o conseguiu podia até ter marcado, por Liedson.

Depressa se voltou aos passes transviados, com o meio campo a ser constantemente apanhado em contra-pé, permitindo superioridade numérica em algumas situações ao adversário. Quase sofreu um golo, com Grimi a deixar Marinho, sempre ele, aparecer a finalizar nas costas. Perante as dificuldades em impor o seu futebol, víamos a opção pelo futebol directo ganhar primazia à circulação da bola de pé para pé. E foi numa bola ganha de cabeça por Liedson, numa jogada de insistência, que chegamos ao golo de Saleiro, à ponta-de-lança.

O regresso das cabines, após o intervalo, trouxe uma equipa mais confiante na gestão da posse de bola, mas nem por isso muito esclarecida ou consequente. Mas o suficiente para nos permitir jogar mais à frente, muito por causa da subida de Moutinho, mais perto dos avançados, aparecendo na área com frequência.

A entrada de Postiga para o lugar de Saleiro deu-nos o melhor período de jogo, em que se sucederam as oportunidades para selar a vitória. O 23 entendeu bem o que se lhe pedia , criado sucessivos lances de perigo em tabelinhas com Liedson.

Não nos fugiria a vitória habitual na Figueira da Foz. Merecida, a vitória possível e necessária. Viu-se na reacção dos jogadores em pleno relvado, após o apito final, que os jogadores perceberam a importância dos 3 pontos, que souberam merecer, num areal com alguma relva, a tornar difícil ocorrerem grandes primores.

Penalty perdoado, dualidade escandalosa de critérios foi o registo de Carlos Xistra durante o jogo.

Naval - SCP

O jogo começa com uma temperatura de 4 graus. Espero que o jogo do SCP aqueça os adeptos que se deslocaram ao estádio ao invés de terem ficado confortavelmente em casa.

NAVAL – Peiser; Carlitos, Gómis, Diego Ângelo e Daniel Cruz; Alex Hauw, Lazaroni e Godemèche; Marinho, Kerrouche e Camora.

SPORTING – Rui Patrício; Abel, Carriço, Tonel e Grimi; Miguel Veloso, João Moutinho, Adrien e Izmailov; Saleiro e Liedson.

PS: No andebol nova derrota, desta feita no clássico. SCP 20 - fcp 26. A temporada do andebol está a ser uma tremenda desilusão.

Os avalistas


Qualquer Sportinguista que tropece hoje na 1ª de “O Jogo” não pode deixar de se sentir incomodado. Desta vez não por se tratar da habitual falta de rigor, muito comum na comunicação social, especialmente quando as noticias envolvem directa ou indirectamente o nosso clube. Mas por nos obrigar a reflectir sobre o prestigio e relevância do nosso clube. Não no nosso coração, onde ocupa o 1º e único lugar, mas no contexto desportivo nacional. E essa reflexão é útil e necessária uma vez que, sem percebermos o nosso trajecto, de onde saímos e como estamos, muito difícil será projectar o futuro que desejamos.

Para os que se lembram de um Sporting pujante, dominador em diversas modalidades, mesmo quando o futebol fraquejava, e olha hoje para o Sporting, não pode deixar de questionar se o que temos andado a fazer não é uma traição ao espírito que norteou a criação do nosso clube, e às várias gerações, que do nada, conseguiram fazer do Sporting um dos maiores clubes da Europa e uma referência desportiva universal. E se apontamos o dedo acusador aos que no têm representado, não podemos ignorar que somos nós, os Sportinguistas, por actos e por omissão, os avalistas das suas prestações.

Não pretendo, com isto desviar as atenções do jogo de logo. Ou muito menos aprofundar o já de si profundo desgosto a que nos remeteu a equipa de futebol. Antes sim para nos obrigar a pensar que dantes havia outros motivos para nos regozijarmos, sendo eles hoje tão escassos. A situação actual não é uma fatalidade. Quanto mais depressa o percebemos, mais depressa dela sairemos. 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

De Sua Majestade para o Rei Leão


Um sorteio sem dúvida nenhuma caprichoso destinou-nos o Everton como adversário dos 16 avos de final.A UEFA "propõe-nos" uma espécie de "swing", há que sair dele com a reputação intacta. Não há adversários fáceis vindos das terras de “Sua Majestade” e não creio que tenhamos a sorte de que gozou o nosso rival, ao cruzar-se com o clube de Liverpool num momento de particular fragilidade para este. Como também espero que o Everton não beneficie das mesmas facilidades concedidas a Heerenveen ou ao Hertha de Berlin…

Os jogos terão lugar a 18 e 25 de Fevereiro. Estima-se que nessa altura já haja um Sporting verde de esperança e de alvo futuro. Levando de vencida os homens da cidade Beatle, temos como destino (ver quadro) Madrid ou Istambul. Quedo Império de Carlos V à Sublime Porta do Império Otomano o reinado seja o do Leão Rampante.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

CC´s a mais ou a menos?


Nas minhas passagens por África contactei de perto com a terrível doença do sono. São diversos os sintomas, dependendo do estádio da doença, recebendo a sua designação pela sonolência e apatia que caracterizam a sua fase mais grave. Chegada aí, sua cura é difícil, obrigando à administração de fármacos de elevada toxicidade, que, não raras vezes, ameaçam a vida do paciente. Sendo certo que o enfermo morrerá da doença, pode muito bem morrer na tentativa de lhe administrar a cura.

Quando olho para o futebol do Sporting vejo algo de semelhante. Com sintomas de doença instalada há já algum tempo, esperou-se que o doente se curasse por si próprio. Como é comum acontecer nestes casos, a inacção apenas contribuiu para o agravamento do estado de saúde. A terapia introduzida não permite detectar grandes melhorias, começando a instalar-se a dúvida, sempre perniciosa, se o medicamento e a dosagem é a mais indicada.

O jogo do Sporting de ontem foi igual a muitos outros desta época, dividindo-se em 2 partes distintas: antes de começar, em que sobrevém a esperança que a desejada melhoria aconteça, e o jogo propriamente dito, em que pouco ou nada de substancial se altera. O Sporting parece jogar mais, porque consegue gerir melhor a posse de bola, mas não joga melhor, porque essa posse é estéril. Não conseguindo colocar elementos entre a linha média e a linha defensiva dos adversários, não consegue criar desequilíbrios. Ao ponta-de-lança fica reservado o papel de Robinson Crusoé, sem direito à companhia de um Sexta-feira, mesmo que anacrónico. Com gente fora dos últimos 20 metros o Sporting não consegue infundir respeito, ou criar perigo. E para defender bem os adversários nem precisam de recorrer a inovações tácticas. Tal como para anular o losango, basta-lhes baixar as linhas e aguardar. Muitas vezes quase a assobiar, à espera que o cronómetro faça o resto.

Se me parece que Carvalhal diagnosticou bem os males da equipa, está na altura de se interrogar se a terapia é a mais apropriada, tendo em conta as características do plantel que herdou. Ou se a mensagem está a ser correctamente entendida. Se a sua margem era diminuta, as derrotas não a aumentarão, seguramente. Muito menos declarações pouco avisadas, podendo ser interpretadas como complacentes com uma derrota embaraçosa, tendo em conta a valia do adversário. Num aspecto porém, reconheço-lhe razão: o plantel precisa de concorrência interna. Todos percebemos, e os jogadores serão os primeiros a senti-lo, que há lugares que só podem ser bem desempenhados pelos mesmos de sempre. O problema é com que dinheiro se vai comprar jogadores para concorrer com Moutinho, Veloso, Vukcevic (banco, já!), Izmailov. Uma palavra final para Saleiro: duvido que Liedson fizesse melhor!

Eu tenho vergonha


Vergonha da nossa equipa de futebol.

Os meus amigos já não me gozam, porque têm pena de mim, e porque, lá no fundo, já começa a entrar no subconsciente de toda a gente de que o Grande Sporting já só existe nos corações de alguns. A realidade demonstra o contrário, e as declarações de ontem de Rui Patrício, Moutinho e Carvalhal atestam mais uma certidão de óbito do Grande Sporting. Tenho vergonha de ver o Sporting sofrer um golo e não reagir; de desperdiçar a oportunidade de ganhar pela primeira vez na Alemanha e de ajudar a colocar a nossa reputação naquele país no seu devido sítio; tenho vergonha por não existir um líder que mande um berro e que acorde os passarinhos que entram em campo com a nossa camisola vestida.


Volto agora aos anos negros. Quando em 1994/1995 fomos eliminados pelo Rapid de Viena, por 4-0 (após prolongamento), houve uma imagem que me ficou na retina. Após a expulsão do Dani, e já com o 2-0 que nos levaria para o prolongamento e com o fantasma de Salzburgo a pairar por todo o lado, o Sá Pinto desesperou de raiva, quase loucura, num descontrolo emocional total. Isso não é saudável. Mas alguém faria hoje o mesmo, alguém sentiria o mesmo? O que é para mim verdadeiramente insuportável é ver a passividade de meninos fofinhos, como o Pereirinha, meninos do politicamente correcto que se tornou o nosso futebol e o nosso clube, reféns de uma mentalidade doentia que faz da inércia um modo de estar e que transformam os nossos jogos num destempero e num desespero interminável. Ver o Matias adormecer nas segundas partes sem que ninguém lhe dê um berro, ver o Vukcevic a fazer asneiras consecutivas há meses sem que ninguém lhe dê um berro, é insuportável.


Os anos negros não foram os 18 do deserto. Os anos negros são agora.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Boas Festas


Sei que foi um jogo inútil daqueles em que o treinador pode fazer exactamente aquilo que fez, experimentar, dar oportunidades, pedir à equipa que se mostre, que se alegre, resultado... nova derrota.

Na antecipação deste jogo não fui muito exigente pedi apenas uma vitória, vendo o jogo realmente fui modesto, este Hertha produz algo muito próximo da nulidade, atrapalham vá, são altos, fortes, correm e dão pontapés na bola de quando em vez, então porque perdemos?

Porque não lhes fizemos mais do que festas, boas festas em algumas ocasiões, boas combinações, boas trocas de bola, até boa concentração defensiva, mas não sei se alguém se lembrou de dizer que era para ganhar e não para mostrar que somos queridos e fofinhos, uma equipa agradável que faz umas festas para depois ser despachada com uma chapada de bola parada.

O Pedro Silva correu e disputou lances o que é uma novidade (não se iludam, p.f.!!!!), Matias não foi substituido, Moutinho foi substituido, Saleiro gosta de estar sozinho, Patricio fez boas defesas, mas sem contar com um excelente movimento do Saleiro a terminar o jogo alguém se lembrou de despir o fato de veludo com que estavam vestidos e disputar o jogo para vencer? Não, arrisco mesmo dizer ninguém quis vencer o jogo, apenas fazer umas boas festas no seu ego e na opinião do treinador.

A parte negativa é grande, quatro jogadores nas posições defensivas não são uma defesa, Moutinho e Matias devem ter-se conhecido no avião, Adrien ainda está nos juniores, Vuk é a antitese de Izmalov tudo o que o Russo procurou fazer bem fez Vuk mal.

Ainda falta um jogo para o Natal não é? Pois nunca mais acaba esta quaresma.

Mais a perder do que a ganhar


Há quem não saiba ou quem não se lembre que o Sporting tem o seu nome para sempre associado à história das competições entre clubes na Europa, e não apenas porque ganhou uma Taça das Taças. Corria o ano de 1955, quando teve lugar a primeira edição da Taça dos Campeões Europeus, a precursora da actual Champions League. O seu jogo inaugural foi precisamente no Estádio Nacional, entre o Sporting (equipa na foto) e o Partizan de Belgrado, a 4 de Setembro. O primeiro golo na competição foi marcado por João Martins (terceiro, em baixo, a contar da esquerda). A nossa participação nesta competição teve a particularidade de ter tido lugar por convite, motivado pelo enorme prestígio internacional de que o clube então gozava. É que o campeão em título era o nosso rival do lado de lá da 2ª circular, mas eram as nossas cores as que mais brilhavam então.

Fecha-se mais logo em Berlim a primeira etapa da Liga Europa. Ao contrário do sentimento que me parece generalizado, não acho que seja um jogo a feijões ou que não conte para nada. De facto o Sporting pouco pode ganhar mesmo vencendo, mas perderá sempre prestígio se não o conseguir. E além do prestígio o Sporting tem uma equipa para ganhar, por cima dos escombros de uma época que tem posto à prova o nosso orgulho. Acresce ainda o facto de o Hertha precisar do resultado para definir a sua continuidade, obrigando desde logo o Sporting a uma postura competitiva adequada, de forma a respeitar de forma leal todos os envolvidos.

Carvalhal prescindiu de Liedson e Caicedo por razões diferentes, abrindo a porta à possibilidade de fazer rodar jogar menos utilizados. Num plantel curto como o nosso não se afigura muito fácil fazer grandes transformações. Seja quem for que jogue, exige-se respeito pelo adversário e pela camisola que envergam. É que o Hertha vale mais do que o lugar que ocupa neste momento na tabela classificativa da Budesliga. E o Sporting é muito grande para caber no buraco pequenino onde este contra-ciclo com a sua história nos quer enfiar.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Hora dos líderes, se os houvesse...


Dizia eu na crónica do jogo de sábado passado com o U.Leiria que no futebol é preciso muito mais do que simples atitude ou disposição para o jogo. Sem elas é difícil ou impossível uma equipa triunfar, por melhores que sejam as condições técnico-tácticas, ou a classe individual. É precisamente isso que me parece faltar no colectivo do Sporting, onde este substantivo não faz sentido. Não me refiro à entrega ao jogo, à forma como se disputa os lances ou pelos quilómetros que se correm. Parece-me isso sim que esta equipa se comporta como uma menina mimada, incapaz de reagir perante as dificuldades.

É pois a falta de carácter para a competição que me parece ter faltado mais uma vez no sábado. Não tendo entrado mal no jogo, foi ao esbarrar nas primeiras dificuldades que todo o edifício colectivo ruiu, passando cada jogador a actuar sem qualquer articulação com os demais, denotando igualmente falta de concentração como a que se pode observar no lance em que se sofre o golo. Tendo Patrício actuado mal, como se pode classificar a apatia geral reinante, em que ninguém bloqueia a acção dos 2 jogadores leirienses, como obrigaria a defesa à zona?



Se repararem bem, no lance estão envolvidos os nossos jogadores mais experientes: Polga, Abel, Caneira. Certamente um a pensar como é bom o Natal nos trópicos, outro a desejar os coscorões à lareira no Alto-Minho e outro a pensar que estava tão bem quietinho a comer leitão de Negrais, para que raio foi fazer o favor ao lampião do Seara. É destas cabecinhas de vento que devia sair a voz de liderança em campo, sempre que as coisas corressem mal. Ao invés, são os bebés Adrien e Pereirinha, abdicando precocemente das fraldas e chupetas, acolitados pelos imberbes Moutinho e Veloso, que têm que empurrar a equipa para a frente. Podemos discutir tácticas e modelos de jogo, mas sem preencher esta lacuna dificilmente chegaremos a algum lado.

Faltam líderes em campo, nitidamente. Sem líderes e sem caracter para dar a volta aos reveses de cada jogo vai ser dificil inverter o actual rumo. Não é a aposta na formação que tem falhado. O que tem falhado é a chamada política de contratações, que a única coisa que tem reforçado é a despesa, com salários de jogadores que pouco ou nenhum valor acrescentam ao nosso futebol. Diz o Presidente que há dinheiro, digo eu que não há espaço para mais flop´s.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Superar o insuportável


É este o desafio do Sporting, é este o nosso desafio, não pretendo fazer mais um post dedicado a análises do momento leonino a conclusão é terrivelmente simples, estamos num momento péssimo.

Não tenho grande feitio para carpir mágoas e muito menos para deixar de afirmar hoje, como sempre, o orgulho que tenho em fazer parte do património do Sporting, não serei nenhuma peça estrutural de grande importância, sou apenas mais um dos milhares de grãos de areia que se identifica com um lema, um símbolo e uma bandeira.

Chegados ao insuportável era importante não repetir fórmulas cansadas nem projectos perdidos, depois de aplicar o ponto um da cartilha dos maus resultados desportivos (trocar de treinador), o Sporting principia o caminho da aplicação do ponto dois dessa mesma cartilha (comprar jogadores novos), espero sinceramente que não entrem por um caminho onde se pense que vamos resolver os nossos problemas todos atirando-lhes uns milhões de euros para cima. Antes procurem pura e simplesmente equilibrar um plantel carenciado.

Para superar o insuportável o Sporting não precisa de ir comprar o novo Jardel nem de ressuscitar Peyroteo, precisa antes de mais de saber o que quer e daquilo que necessita para o alcançar. Escrevi numa caixa de comentários que o sucesso no futebol depende muito mais das vendas do que das compras, neste sentido estou muito mais preocupado com quem e como vou vender em Junho de modo a ser viável a reestruturação que o plantel profissional necessita do que nas prendas que vou ter no sapatinho em Janeiro.

Não necessito de dirigentes para me dizerem que não há dinheiro, já o sei e essa mensagem já está perfeitamente clara na mente de todos os Sportinguistas, se quiserem até posso informar os nossos dirigentes que o Sporting vai continuar a não ter dinheiro como aliás todo e qualquer sector de actividade actualmente por este mundo fora, mas para que não fiquem já aflitos também aproveito para dizer que tem jogadores com qualidade suficiente para lhes resolver qualquer dificuldade desportiva ou financeira que se vos apresente.

Para superar o insuportável preciso primeiro de o enfrentar, preciso de o olhar nos olhos e ridiculariza-lo, dizer “É isto o insuportável? Pffff, não consegues fazer melhor?”, o que me atormentou no sábado não foi perder um jogo em casa contra uma equipa mediana, foi sentir que a equipa acredita que perder contra uma equipa mediana é um descalabro e não um mero percalço na construção de algo maior.

Para superar o insuportável preciso que quem tem acesso a todos os dados venha a terreiro e fale com verdade. Não vale a pena construir sonhos de papel que depois desmoronam em cinzas. Precisamos de um discurso claro que não nos esconda dificuldades mas que nos permita enfrentar os problemas com confiança e lutar para conquistar sempre mais e melhor.

Depois das entrevistas dos que caíram em combate, espero agora que quem ficou para carregar a bandeira diga claramente o que pretende, como pretende lá chegar, o que tem para o obter e o que lhe falta, saber concretamente o que quer o Sporting dos Sportinguistas e como vamos crescer, quais as dificuldades que temos de enfrentar e o objectivo final em que devemos acreditar e trabalhar.

Insuportável não é perder com a União de Leiria, ou estar em sétimo lugar, insuportável é não (re)conhecer o Sporting.

Despertar o leão


Como qualquer sportinguista, é obvio que não posso estar satisfeito com o resultado verificado na última jornada. Tudo aquilo que se tem verificado não tem sido condizente com os pergaminhos centenários do nosso clube.

Por um lado, existem jogadores que não têm qualidade para representar o nosso clube, existem também por alguns cujo talento não engana mas a quem se pode questionar onde está o seu brio, dedicação e empenho na defesa da camisola que muitos outros ostentaram com humildade e destreza e que nós, adeptos, tanto amamos.

Se aliarmos este tipo de comportamentos à mentalidade que entretanto tomou conta do nosso clube, conseguimos perceber como é possível os nossos adversários conseguirem entrar em campo sem qualquer tipo de respeito para com o Sporting Clube de Portugal e partirem para 90 minutos sem qualquer réstia de receio pois o clube do leão deixou os rugidos na gaveta já há algum tempo e umas miadelas já não assustam ninguém.

Todo este cenário não é da responsabilidade de um conjunto de pessoas que infelizmente o herdou. Outros, durante quatro, cinco ou seis anos, foram embalando algo que há mais de uma década, alguém ousou acamar…

domingo, 13 de dezembro de 2009

After Hours



Nova Iorque fora de horas. Este post, com um título cinéfilo, não pretende transformar um blogue sobre o Sporting noutro tema que, neste momento, seria certamente mais agradável, como, por exemplo, a deliciosa sétima arte. Eu sei que, por vezes, a tentação é grande, mas temos que resistir à famosa sugestão proferida num célebre discurso de Paulo Bento…

Como dizia, o título e o respectivo post, apenas reflectem uma daquelas coincidências que a vida por vezes nos proporciona. Ou que a nossa mente se encarrega de propiciar. Tanto faz. Ontem, após mais um desaire do Sporting em casa - situação que começa a repetir-se com inusitada frequência -, dei comigo resignado e não revoltado como antigamente. Nem o árbitro, o azar, o relvado, a falta de empenho, de inspiração, a falha de golos incríveis, a derrota, a justeza ou a sua inexistência no resultado final, nada disso me perturbou verdadeiramente. Perdemos simplesmente mais um jogo de futebol. Ponto final, parágrafo.

E o parágrafo seguinte, logo após vir aqui ‘ANorte’ debitar a minha réstia de negrume num comentário pretensamente humorístico e deambular sem eira nem beira pela blogosfera completamente desmotivado, foi decidir atirar tudo para o ar, virar costas, ligar a tv e procurar assistir a uma boa sessão de cinema como catarse da minha conformação. Na 2, aos sábados costumam passar uns filmes jeitosos e bem ‘dentro de horas’.

Sintonizei o segundo canal da RTP e eis que me deparei com a possibilidade de rever este célebre filme de Martin Scorsese que, diga-se de passagem, apesar do seu baixo orçamento reabilitou o famoso realizador para o cinema. Reabilitação com baixo orçamento… Ora aqui está um eventual paradoxo, que, no Sporting, parece não querer repetir-se... Mas as coincidências com o Sporting não se ficaram por aqui. A meio do filme, dei comigo a comparar a desgraçada personagem principal, um gajo perdido numa noite escura e de temporal em pleno SoHo, com o nosso clube. Vejamos:

A Paul Hackett (a tal personagem) tudo lhe acontece. Peripécias inimagináveis, mesmo surreais. Entra numa sucessão de acontecimentos negativos em que até quem o pretende ajudar acaba por inadvertidamente prococar-lhe o efeito contrário…

Nesse processo, digno de Kafka, perde o dinheiro, perde (literalmente) a miúda, já que esta se suicida, perde as chaves de casa, é injustamente perseguido por uns vigilantes do bairro, anda (lá está), sem eira nem beira, sem conseguir escapar àquela sinistra espiral e completamente à mercê de um destino que se adivinha cada vez mais trágico, sendo até completamente incapaz de, apenas e só, regressar a casa são e salvo…

Às tantas, deixa de protestar, de lutar contra a adversidade, deixa-se levar pelo interminável infortúnio que, já de manhã, o larga, imundo, calado, derrotado, mesmo à porta do seu local de trabalho…

E pensar que tudo o que Paul Hackett queria era ser feliz e conquistar uma miúda gira.

E este Sporting 'after hours', será, algum dia, novamente, feliz? Encontrará a sua chave de casa e, sequencialmente, do sucesso? E para quando a reconquista de uma miúda realmente gira?...

Um problema de sanidade, não apenas financeira.


Depois de um resultado tão negativo como o de ontem, em que os 3 pontos são apenas uma pequena mas importante parte do que foi perdido, o que o Sporting não precisava era de declarações sem qualquer noção de oportunidade como as do Presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar, Agostinho Abade. Já todos sabemos que não há dinheiro, embora não pareçam faltar as palhaçadas em Alvalade, independentemente da época do ano que se atravesse. Agora afirmar que, nesta altura tão complexamente difícil,  a expulsão de sócios é um “tema que tem que estar presente”, apesar de não haver processos em curso, e de, declaradamente, não ser a época de se recorrer este expediente, que interesses serve? Os do Sporting garantidamente que não. A menos que se queira espetar o garfo em feridas ainda por sarar. E já nem pronuncio sobre o «Não há saúde financeira para gastar à toa», vindo de um responsável pela fiscalização das contas, uma vez que suponho que nenhuma organização, por mais sólida que seja, tenha dinheiro para gastar à toa...


O pior não parece ser a falta de saúde financeira que grassa em Alvalade, mas sim a falta de saúde do Sportinguismo. Nas declarações de que vos falo ou no relato do LT, da sua viagem de ontem a Alvalade:

"Este Sporting, estes dirigentes, estes jogadores, esta estrutura, não merecem o que milhares de adeptos (alguns jovens a primeira vez) fizeram hoje, como eu, que sai de casa às 9 da manhã e só estou a chegar agora. E pela A1 fora, viram-se muitos autocarros que encheram o parque do antigo estádio. Mesmo assim, mesmo estando presentes mais de 60 núcleos, pouco mais de meia casa. Porquê? Porque este Sporting trata mal os adeptos e sócios. No dia dos núcleos, o Presidente e o Vice-presidente para os núcleos foram para New Jersey. Ao contrário de outros anos, não houve o desfile no relvado nem chegou mesmo a haver qualquer convívio. O Sporting chama a Lisboa os núvleos para ver um jogo com o leiria e não recebe condignamente aqueles que mantém a chama viva do clube por todo o país e vão evitando a banalização e a belenensização do Sporting que está cheio de fidalgos e nobres falidos que simplesmente tem cavado a sepultura do Sporting.

Desculpem, mas estou f...... não é o resultado que me deixa triste. É ver Alvalade moribundo, aquela merda daquelas cadeiras às cores, aquele fosso cada vez mais cinzento e aquelas claques, até estas, com cada vez menos gente. Resumindo, é verificar que os miúdos que a esta hora ainda vão enfiados num autocarro a caminho de casa e que hoje foram realizar um sonho, estão a ser enganados por aqueles que estão a matar o Sporting.
"

Para quem não sabe o LT é de Valpaços, tal como os miúdos a quem se refere. Ontem fizeram 2x500 Km para serem ignorados pela equipa, tendo em conta a sua prestação, e pelos seus dirigentes que os deviam acarinhar.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Do cemitério de Alvalade


Embora entenda que no futebol é preciso muito mais do que simples atitude ou disposição para o jogo, hoje, especialmente na 1ª parte, ficou bem claro que os profissionais do Sporting tiveram uma postura que nem se admite num jogo de solteiros e casados. Zombies não fariam pior, conseguiriam quiçá assustar os mais supersticiosos jogadores do Leiria.Jogando com a que se entende ser a melhor equipa, exige-se muito, muito mais.

Apesar dos primeiros 15m revelarem dificuldade em penetrar as linhas defensivas leirienses, que conseguiam colocar-se permanentemente em superioridade numérica nas zonas onde a bola circulava, esperava-se que o tempo e um pouco de velocidade trariam resultados. Mas nem o passar do tempo ajudou nem a velocidade chegou.

Quando parecia que o Sporting fosse finalmente assentar o seu jogo, após uma jogada de Moutinho na área, quem o fez foi o Leiria. Enquanto o Sporting não tinha  ainda conseguido rematar, o Leiria já tinha mandado uma bola à barra e à terceira foi de vez. À excepção de Patrício, que esteve muito mal, todos os jogadores do Sporting estavam de pés no chão, quando a bola se disputava no ar, na sequência de um canto!.Deve ter sido dos golos mais fáceis do União no campeonato.

A equipa do Sporting, ou o que deveria ser, desconjuntou-se, tornando-se num arquipélago de 11 ilhas desperdiçando uma vez mais 45 minutos. Não rematou uma vez que fosse e a maior posse de bola não representou qualquer perigo.O Leiria merecia a vantagem que levou para o balneário. 

Substituições correctas para o inicio do 2º tempo para dar largura e a profundidade que faltaram anteriormente. Pereirinha e Adrien no lugar de Caneira  que não subia e Matias que nada decidia. A maior dinâmica notou-se nos primeiros minutos, mas depressa se esgotou, com Liedson a desperdiçar uma bola pouco habitual. O Sporting encostava o Leiria, este deixava-se encostar, mas sem criar grande perigo. Quem o fez foi o Leiria, conseguindo um golo limpo, mal anulado pelo árbitro.

Devo confessar que quando Postiga entrou eu já tinha dado o jogo como perdido. Ver Pereirinha desperdiçar um passe fabuloso de Adrien ainda mais acentuou essa ideia. E Liedson vezes sem conta. E o tempo a esgotar-se rapidamente, com o árbitro a premiar todo o anti-jogo possível e o inimaginável com 5 minutos de desconto.

As aspirações de uma época ficam hoje definitivamente enterradas, com funeral a condizer, entre o silêncio sepulcral e a assobiadela monumental de Alvalade.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

De metralhadoras apontadas


Carvalhal deu hoje a entender, em conferência de imprensa que percebe bem as dificuldades da sua tarefa no Sporting, quando reconhece que as metralhadoras estão apontadas de todo o lado, sem contudo identificar quem as empunha.  A verdade é que por vezes elas surgem de onde menos se espera, seja pelo estado da relva ou pela aceitação da marcação de um jogo (Naval 1º de Maio) a 48 horas de distância de uma deslocação a Berlim, para a Liga Europa.

A noção das dificuldades é ainda mais evidente quando afirma “Compreendo a exigência que gravita à volta do treinador do Sporting, mas poucas pessoas têm compreendido a minha posição. Encontrei uma equipa em grandes dificuldades. A densidade competitiva tem sido muito grande, e essas dificuldades têm sido superadas passo a passo. Não com resultados exuberantes, mas com resultados”. A estreia na dramatização do seu discurso é ainda consubstanciada num “Vivo para o Sporting. Entro na Academia às 8:30 sai por volta das 18:30 e vou para casa analisar jogos".

É precisamente um resultado positivo – a vitória - que se pede para o jogo de amanhã, dia em o futebol se disputará a horas decentes novamente (17) e que, sendo dia de núcleos, se estima que esteja uma casa composta. Bom seria que fosse um passo para a reconciliação com o bom futebol em Alvalade, estendendo-se do relvado às bancadas. E que as metralhadoras  que se oiçam mais alto sejam as dos nossos artilheiros.

Saliente-se, na lista de convocados, as ausências de Caicedo e Pedro Silva e a presença de Izmailov, que recuperou do traumatismo sofrido em Setúbal. Dando livre curso à minha costela de treinador de bancada a minha equipa inicial seria: Patricio, Abel; Carriço, Polga e Caneira; Veloso, Moutinho, Izmailov e Vuk, Matias; Liedson;

Lista de convocados:
Guarda-redes: Rui Patrício e Tiago.
Defesas: Daniel Carriço, Polga, Caneira, Tonel, Grimi e Abel.
Médios: Adrien, Izmailov, Matias Fernandez, Miguel Veloso, João Moutinho, Bruno Pereirinha e Vukcevic.
Avançados: Liedson, Carlos Saleiro e Postiga.

Platini, o batoteiro


Quem ouve as sucessivas declarações de Platini percebe que a genialidade lhe ficou pelos pés. As afirmações sobre arbitragem já o indiciavam. Dizer que a arbitragem está morta por causa do erro humano e preconizar a introdução de mais meios humanos, recusando as novas tecnologias, seria um dia embaraçoso para qualquer blogger, tamanha seria a reacção na caixa de comentários. Sendo Platini quem é, é de temer pelo futuro do futebol, porque prefere continuar a assistir ao triunfo da batota sobre a verdade desportiva.

Não satisfeito, vem agora afirmar que tem a certeza que o FCP não é batoteiro. Não porque não tenha feito batota, mas porque o caso ficou encerrado com os novos regulamentos, que põem uma pedra sobre o sucedido até 2007. Isto é fazer batota com a verdade dos factos, o que faz do presidente da UEFA um batoteiro como outro qualquer.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A Norte de Alcochete


Numa altura em que se volta a falar de mercado e da necessidade de suprir falhas no plantel do Sporting, volta a referência omnipresente às nossas escolas de formação. Carvalhal sinalizou que, antes de decidir partir para o mercado, necessita avaliar com mais rigor os potenciais reforços que existam no Massamá, noutros clubes da Primeira Divisão ou mesmo na equipa de juniores. Será esta uma aposta sustentada e sólida?


Sim, é. O Sporting chega a jogar com sete titulares provenientes dos seus escalões jovens, e alguns deles, no actual plantel, elecam-se claramente entre os melhores. Apesar de há algum tempo não haver jogadores novos a "subir" aos seniores, aparentemente não falta matéria-prima de qualidade com o selo de Alcochete. Com uma visão de médio/longo prazo, integrada e abrangente, este deverá ser o caminho da sustentabilidade financeira do futebol do Sporting. Isto, claro, se o "comprar menos" vier acompanhado de "comprar melhor" - e isto não tem acontecido.


Alguns saberão que a rede de Academias Sporting distribui know-how e, igualmente, sportinguismo, por todo o país. São 26 as Academias do Sporting em Portugal, às quais se juntam algumas no estrangeiro. Na nossa zona Norte do país há em Gaia, Viana do Castelo, Póvoa do Varzim, Vila Praia de Âncora e Alfena - e Vale de Cambra é já aqui ao lado. Para além dos métodos de trabalho e do contacto com a melhor escola de formação do país, quem frequenta as Academias tem outras experiências de vivência leonina, como visitas à Academia de Alcochete, ao Museu e mesmo ao Estádio, para ver um jogo ou outro da equipa sénior. O repto que deixo aos núcleos é que tentem tirar partido destes front-offices do clube espalhados pelo país e que capitalizem em sportinguismo esta oportunidade de ouro que lhes é proporcionada à porta de casa. Alguém tem sugestões?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O PREC (processo revolucionário em curso)


Não é a vitória em Setúbal que devolverá o sorriso aos Sportinguistas, está visto. Volto à pergunta de há dias: será legítimo ou até justo esperar muito mais, em tão pouco tempo? Não sendo eu um exemplo de optimismo, não me parece porém justificado que não se vislumbrem progressos na manobra colectiva da equipa. Não é a evolução ainda suficiente e muito menos a necessária, bem sei, mas julgo que o que deve ser destacado é que parece haver estratégia e método. Se ela é a adequada e oportuna teremos que aguardar.

Onde vejo eu progressos no jogo de Setúbal, onde, é unânime, a prestação da equipa foi até de baixa qualidade? i) na atitude da equipa perante o jogo, diferente da apatia geral anterior, ii) evidenciada em maior dinamismo, maior mobilidade e rapidez de execução iii) procurando uma gestão mais objectiva da posse de bola, abdicando da excessiva lateralização ou do jogo directo, que eram a marca de água desta equipa.

Mas esta equipa tem limitações que a impedem de estar à altura da ambição dos Sportinguistas. Para já está coxa, como muito bem aqui foi escalpelizado na caixa de comentários, no post anterior. Com Caneira e Veloso a ala esquerda fica demasiado curta e lenta, sem ninguém que apoie com movimentos para o interior em apoio a Liedson ou consiga dar largura e profundidade pela linha. Continuo a pensar que não há, neste momento, no plantel ninguém capaz de suprir esta falta. Se Veloso até pode fazer de lateral-esquerdo, perdendo-se talvez o nosso melhor trinco, não vejo quem nos dê comprimento e presença ao longo da ala, nos diferentes momentos do jogo.

Por outro lado falta potência ao ataque do Sporting. Liedson queixa-se de isolamento com alguma razão, tenho que conceder. Revendo o jogo, e à excepção das bolas paradas, uma equipa com ambições não pode ter tão pouca gente na frente, em particular nas zonas de finalização. Assim se explica que, apesar dos 60% de posse de bola e ter atacado, o Sporting continua a rematar pouco à baliza (40 ataques/12 remates, mais de 30 minutos sem rematar) e a gozar de poucas oportunidades de marcar. É aqui que reside o grande problema neste momento de Carvalhal e não vejo como possa ele ser resolvido sem ida ao mercado. O regresso de Djaló abrirá uma porta, porém sem a fiabilidade necessária. E é no mínimo inquietante perceber que um impedimento de Liedson terá que ser suprido por Caicedo, Postiga ou Saleiro.

Até no futebol é muito mais fácil de destruir do que construir. Como se percebeu no derby e nos restantes jogos, há ordens para encurtar distâncias entre a defesa e a linha média, um dos calcanhares de Aquiles do sistema anterior. Não é por acaso que ao longo desse período apenas um Veloso acima da média se conseguiu aguentar, tendo aí perecido Custódio, Paredes e Rochemback. E embora isso tenha sido conseguido inicialmente, ficou evidente em Setúbal que, com o resultado pela diferença mínima, foi fácil cair na tentação de recuar excessivamente. Apesar da bipolaridade de Polga, só o tempo e os bons resultados poderão dar a confiança para saber viver com os calafrios nas costas.

Fala-se hoje em revolução no plantel. Não creio que seja útil, nem muito menos necessária, ou até que vá acontecer. Há já uma revolução em curso, nos métodos e na forma de jogar e é necessário perceber com rigor quais são as limitações para o sucesso. Mais do que mexer muito, é preciso ser criterioso nas escolhas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O regresso


Carvalhal avisou e cumpriu: é ele que faz a equipa e fá-la-á de acordo com as suas convicções. Relativamente ao jogo de quinta-feira a estreia de Izmailov e o regresso de Abel consubstanciavam as alterações. Matias voltou a zonas mais centrais, mais próximo de Liedson, Veloso permaneceu na esquerda, Adrien o elemento mais recuado – a precisar de calibrar a precisão de passe – e Moutinho a fazer a ligação entre sectores e, por isso, com mais liberdade de circulação.

Se o desenho se mantinha, a presença de Izmailov dava a qualidade e a profundidade prometidas no jogo europeu. Era também notória maior mobilidade e maior rapidez de execução, permitindo uma gestão mais objectiva da posse de bola. Continuando a apresentar a defesa mais subida, a distância entre sectores diminuiu, facilitando os processos colectivos. Sinais evidentes que o trabalho começa a ser assimilado e mais perto de produzir resultados.

Aos 5 minutos já o Sporting havia inaugurado o marcador por intermédio do “solitário” Liedson, servido por uma bola que saiu com olhos dos pés de Matias. E em jogada em tudo semelhante Liedson quase bisou. Oportunidade que se repetiu a passe de Veloso, após lançamento longo de Polga, a provar que Carvalhal saberá manter o que se fazia bem antes da sua chegada. Quanto menos previsível for a equipa mais difícil será de contrariar.

Entretanto Patrício já se havia oposto de forma magnífica a um remate isolado de Keita, e havia visto a bola a entrar na sua baliza, com o golo a ser bem anulado, por fora de jogo. Foi com a vantagem mínima que se foi para os balneários, depois de ter visto a melhor 1ª parte dos últimos meses.

Pereirinha regressou no lugar de Izmailov, com naturalidade, tendo em conta os antecedentes do russo. Não houve intervalo na boa postura da equipa e em mais um passe visionário, desta vez de Moutinho, Pereirinha, podia ter dado tranquilidade aos minutos que faltavam disputar. Na resposta Patrício segura mais uma vez o empate numa defesa soberba, digna de poster. O Setúbal, mais distendido, dizia com isto ao Sporting que não haveria descanso antes do apito final. O jogo aumentou de ritmo, inflacionando o número de intervenções defensivas. Com o jogo mais partido, o Sporting perdeu o seu controlo e a elevada percentagem de posse de bola do 1º tempo.

Já a jogar com mais um jogador, após expulsão de André Pinto, Matias falhou incrivelmente em frente à baliza, após passe com gratidão de Liedson. Postiga substitui-o de imediato. Com o tempo a correr e com a diferença mínima foi bom perceber que a equipa não soçobrou, mesmo perdendo a eficácia. Contou para isso também com a preciosa ajuda de todos os Santos, o Nuno e o Helmano, cujas intervenções sem rigor permitiram o 2º golo de Liedson.

Neste regresso às vitórias, a 4ª pasme-se!, destaque individual para Moutinho, Patrício e Liedson. O MVP vai inteirinho para o keeper, que fez juz ao titulo. Ao manter inviolada a sua baliza em momentos cruciais, segurou a possibilidade de gerir melhoro jogo em função dos nossos interesses. Voltando às vitórias, voltando aos golos, espera-se que o Sporting tenha voltado ao campeonato. Ao qual faz muita falta.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Oásis


Pela velha ordem de pensamento dir-se-ia que Carvalhal tem sido bem sucedido: 3 jogos em 3 competições diferentes – uma coincidência de assinalar - e em todas elas manteve os objectivos intactos ou atingidos. Não sendo falso, está longe de corresponder ao que seria o interesse do Sporting e o passado jogo com Heerenveen  veio relançar as dúvidas sobre a valia do plantel e sobre as opções e aptidão de Carvalhal.

Por isso continuam em alta as notícias sobre cortes e enxertias no plantel, após a saída, que apenas surpreende pelo timing, de Angulo. A este propósito reforço a postura do espanhol, que, em fim de carreira, podia muito bem ter continuado à espera da transferência bancária no final de cada mês, até ao final da época. Pelo que (não) lhe vi fazer, a decisão é boa, não há qualquer ângulo do Angulo de outrora. Com isto acaba por ser inevitável que não surjam rumores de que Caicedo pode ser devolvido à procedência. Luís Aguiar e o novo Naybet juntam-se agora à lista cada vez mais longa de reforços possíveis, muitos deles apenas imaginários.

Espero que este ambiente de pré-época – novo treinador, novos métodos e sistemas tácticos, reforços – não desvie as atenções do que é realmente importante. É que vem aí um jogo decisivo, como são todos e qualquer um do campeonato. É um dos 3 jogos que nos separam da paragem de inverno e que o Sporting tem obrigatoriamente que ganhar: Setúbal, Leiria, e Naval, sendo o do meio o único em casa. Isto com o Braga a dar sinais de fraqueza e com um SLB-FCP em vésperas de Natal o Sporting.

Neste campeonato o Sporting tem feito figura de um viajante perdido no deserto. Mal preparado para a difícil jornada, mal apetrechado e tomando más decisões, está, com 11 jogos disputados, em 7º lugar, com mais pontos perdidos do que ganhos e quase o mesmo número de golos marcados e sofridos. Pede-se pois um último esforço para chegar ao oásis que poderá constituir a paragem do campeonato. (A propósito: não faria sentido pensar em, ao invés da habitual debandada, reunir as tropas num mini-estágio?). Retocar o plantel de forma tão há hábil como faria um microcirurgião, restaurar o ânimo, sedimentar processos é a janela de oportunidade que se abre na paragem de Inverno. É que, como dizem os Oásis, estamos a ficar sem tempo...

Convocados para o jogo do Bonfim:
Guarda-redes: Rui Patrício e Baptista;
Defesas: Daniel Carriço, Anderson Polga, Abel, Pedro Silva, Caneira, Tonel e Grimi;
Médios: Adrien Silva, Izmailov, Matías Fernandez, Miguel Veloso, Bruno Pereirinha e João Moutinho;
Avançados: Liedson, Postiga, Saleiro e Caicedo


sábado, 5 de dezembro de 2009

A insustentável solidão do Levezinho


Liedson veio ontem tentar impor a sua versão das afirmações proferidas após o jogo com o Heerenveen. Como avançado que é, com a experiência que tem, deveria saber que as palavras são como os remates: depois da bola sair dos pés é impossível corrigir a sua trajectória. Com conta peso e medida dão golo, sem isso falham o objectivo, por vezes de forma escandalosa. Basta ter visto ontem a 1ª da “bola”, com as palavras de Liedson ao lado dos 18 milhões para gastar, ou o Record de hoje, para se perceber que desta vez Liedson conseguiu fazer pior do que quando chutou para a bancada, ao tempo de Peseiro, a bola que o poria fora do derby que decidiria o titulo.

Mas de que se queixa afinal Liedson? De quem o sistema táctico não o ajuda a marcar golos? Vejamos então que oportunidades tem tido o Levezinho nos 3 jogos da era Carvalhal, escusando de lembrar o que vinha acontecendo anteriormente:

No jogo com Heerenveen teve 3 oportunidades e não concretizou nenhuma.
No jogo com o slb teve pelo menos uma, permitindo a intervenção de Quim
Com os Pescadores teve várias, e concretizou um golo.

Onde é que o modelo de jogo poderia tê-lo ajudado a ser mais eficaz, afinal a arma imprescindível de qualquer bom ponta-de-lança? E porque o seu registo na selecção, em termos de oportunidades perdidas e concretizadas, é mais ou menos idêntico?

Ao sugerir a sua exclusão dos próximos jogos, Liedson deixa bem claro que problema que o aflige está na sua cabeça e não neste ou naquele modelo táctico. A solidão de que se queixa não está no modelo mas na responsabilidade que lhe cabe para superar as dificuldades que, antes mais, são apenas suas.

Como dizia ontem, quando um jogador coloca, de sua iniciativa, a hipótese de não jogar, quando esse jogador se chama Liedson, fico com medo, com muito medo. Se esse for o sentimento geral no balneário, traduzindo a ideia que seria bom começar a próxima época, que com esta nada há a fazer, não sei não... É que ainda há 2 terços da época para sofrer. E muito, pelos visto...

Tudo isto no dia em Bettencourt completa 6 meses de presidência no Sporting.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Sorteio do Mundial




Dizia antes do sorteio que ficaríamos no grupo do Brasil ou Espanha. ZAS tiro e queda. O único grupo da morte no Mundial, é o nosso, o grupo G: Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte.

Se continuarmos a jogar o que estamos, dificilmente passaremos a fase de grupos. Caso passemos, atendendo ao grupo nada complicado que a Espanha apanhou, jogaremos em princípio, com eles. Se assim for, seria excelente acabar-lhes com a cagança típica.

Vamos ver o que acontece até lá mas não estou muito confiante...

Restantes grupos:

Grupo A: África do Sul, México, Uruguai, França

Grupo B: Argentina, Nigéria, Coreia Sul, Grécia

Grupo C: Inglaterra, EUA, Argélia, Eslovénia

Grupo D: Alemanha, Austrália, Sérvia, Gana

Grupo E: Holanda, Dinamarca, Japão, Camarões

Grupo F: Itália, Paraguai, Nova Zelândia, Eslováquia

Grupo H: Espanha, Suíça, Honduras, Chile

Parabéns Carvalhal


Quem esperava ver afastados os problemas, os velhos e os novos, e ver relançada a época após o derby de sábado ainda vai ter que esperar. É a ilação a retirar do jogo de ontem. E ainda bem que ele aconteceu, uma vez que o empate e a exibição menos conseguida não se opuseram à obtenção do mínimo que se podia exigir: o apuramento para os 16 avos de final da Liga Europa. E não deixa de me parecer intrigante (fiquemos por aqui) que os que se contentavam anteriormente com o alcance dos “objectivos” já queiram também ópera. Não deixa de ser bom sinal, apesar de tudo, porque me parece que o bom futebol deve ser o anseio natural de todos os Sportinguistas.

Muito se falará hoje das falhas de Carvalhal. Em dia de aniversário* não faltará ao mister motivos de introspecção. Se é verdade que a) este Heerenveen é melhor do que o “holandês” da primeira volta,b) que conseguimos evitar um jogo dramático em Berlim, com obtenção de um bom golo, c) conseguindo fugir à tentação suicida do pontapé para a frente, ou os centros da linha de meio-campo, é também verdade que CC meteu o pé na argola. E se acho que falhou na forma como abordou o jogo, como aqui apontei ontem, CC não foi o único. Vejamos:

Falhamos nós os adeptos, excepto, claro está, os pouco mais de 12 mil que estiveram presentes. Fomos os primeiros a dizer que o jogo de ontem era pouco importante, que era favas contadas não comparecendo.

Falha mais uma vez quem tem a obrigação de proporcionar as condições mínimas para a realização de um bom jogo. Não adianta assobiar, o relvado prejudica-nos, e Jesus, mesmo que por maus fígados, já o havia profetizado: é muito difícil assumir o jogo naquelas condições e fisicamente esgotante.

Falharam os jogadores, que, mais uma vez, não se dispuseram para o jogo como o fizeram no derby, ou no jogo do dragão ou nas eliminatórias contra a Fiorentina. Para lá de considerações tácticas, parece-me uma evidência que este plantel tem dificuldade em motivar-se para jogos com equipas teoricamente ao seu alcance.

Mas, tal como o brandy, há falhas que já vêm de longe. Os efeitos de uma pré-época desastrosamente programada far-se-ão sentir por muito tempo ainda. Jogadores como Adrien - muito castigado pela opinião - têm menos minutos de jogo que alguns jogadores adversários à saída da pré-época. 180 minutos de jogo na Liga Sagres e outros tantos na Liga Europa é muito pouco. Não me parece que se justifiquem as criticas à condição física do plantel, até porque fomos até ao fim do jogo à procura do resultado, mas é difícil exigir ritmos elevados sem a devida tarimba.

Veio na altura certa o Heerenveen. Erros como os de ontem, de todos nós, como aqui tento provar, custar-nos-ão muito mais no jogo de Setúbal e nos que se seguirão.


*Ao contrario de anos anteriores, o site do clube, não faz qualquer referência ao facto...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"Ninguém gosta de jogar sózinho"

Tenho a sensação de que no jogo de hoje com os Holandeses, o Sporting jogou em 4-4-2 clássico, voltando a espaços ao losango. Contudo, as declarações de Liedson no fim do jogo, deixam-me algumas dúvidas.

Ninguém gosta de jogar sozinho, é um facto. Também é verdade que na Selecção estão os extremos que o Sporting formou e que hoje desequilibram nos gigantes europeus. Não deixa de ser verdade que para jogarmos no sistema de 4x3x3, são necessários reforços, nomeadamente dois bons extremos. Compreendo portanto a solidão do Levezinho. Não compreendo no entanto, a oportunidade das mesmas, que de certa forma, me parecem infelizes.

O Sporting fez no passado recente, exibições tão ou mais paupérrimas do que esta. Não vi Liedson a proferir tais declarações. O contexto em que as profere é no mínimo estranho, se tivermos em conta a mudança técnica e o pouco tempo que a mesma leva no comando da equipa.

Tempos houve em que se especulou, que num sistema de 4x3x3 Liedson não renderia o mesmo, porque as suas características, carecem de um avançado por perto. Na verdade, só Derlei, embora nem sempre, se pareceu entender com o Levezinho, dado que tanto Postiga, como Djalo, não há maneira de formarem uma dupla estável com o brasileiro, não esquecendo outros avançados entretanto despachados de Alvalade na última meia-dúzia de anos. Seja como for, para mim, isso não faz sentido, porque um bom jogador, joga em qualquer sistema.

Terá o levezinho saudades de alguém?

Grimi?!


Foi com alguma decepção que olhei para a constituição da equipa.  E bastaram os primeiros 15 minutos para perceber que os meus receios eram fundados. E também não ajudava muito a disposição colectiva, ao jeito de excursionistas em piquenique, com a ideia de que farnel estava garantido. Matias e Postiga e Veloso,  postados diante de Adrien e Moutinho, dificilmente permitiriam a profundidade necessária e desejável para fazer chegar à baliza contrária com qualidade suficiente para fazer golo.


Esse quase surgiu numa jogada típica de Liedson, ao não dar como perdida uma bola uma tentativa de atraso de uma defesa holandês para o seu guarda-redes. Um lance fortuito, e único, o que diz muito da incapacidade atacante da equipa. Sem profundidade, sem velocidade,  o Sporting tinha o jogo controlado, desde que a bola não se aproximasse do nosso corredor defensivo do lado direito, onde Pedro Silva era literalmente comido de forma quase pornográfica. Quando chegou o intervalo ainda se esperava  que o jogo começasse.


E seria num lance verdadeiramente indecoroso que o lateral-direito permitiria o lance que ditaria o inaugurar do marcador, praticamente na abertura da 2ª parte. Era difícil pedir pior. Não que o golo tivesse mudado a disposição defensiva dos holandeses. Mas fez abanar a equipa, como se viu nas bolas consecutivamente perdidas.

No primeiro lance que conseguimos aproximar a bola da linha de fundo, por Izmailov,  chegou a primeira oportunidade construída apenas com a nossa intervenção. Liedson permitiu a defesa do guarda-redes holandês. De seguida o mesmo Liedson, após boa jogada de entendimento, em tabela, com Postiga, deixou claro que está longe dos melhores dias. E terminou aí o discernimento, mal tinha começado. O Sporting conseguia encostar os holandeses, mas estes davam-se bem com isso, não se inibindo de permitir cantos atrás de cantos, porque aí dominavam como queriam.

O prémio estava reservado para a melhor jogada do encontro. Jogada envolvente, a arrastar a defesa holandesa para o seu lado direito, com Izmailov a servir atrasado Liedson, e a este a endossar para Grimi, a fazer golo, calcule-se, com o pé direito.A provar que se fica mais perto de marcar quando se joga bem.

Quem esperava milagres vai ter que continuar sentado. É que estes dão muito trabalho e este, para ser bem feito, precisa de tempo. Ora tempo é coisa que não existe em futebol. É preciso começar a ganhar ontem. Mas não deixa de ser miraculoso termos sido salvos por Grimi, conseguindo assim o apuramento.

O Armistício Carvalhal


Quando José Eduardo Bettencourt anunciou, num domingo de madrugada, o actual treinador do Sporting, Carlos Carvalhal, estava longe de apresentar um nome consensual.

Confesso - acho aliás que deixei bem evidente -, que o meu acordar nesse domingo foi bastante penoso e amargo. Fiquei em choque ao descobrir o nome de CC para futuro treinador dos leões. A imagem que vinha associada a Carvalhal era muito negativa, resultante dos seus mais recentes insucessos. A estatística do Marítimo apresentava um cartão de visita nada aconselhável, senão mesmo aterrador. A ideia era a de que CC andava a ser ‘corrido’ de todo o lado desde a sua partida da península de Setúbal… Acresce, a este cenário já de si pouco recomendável, que a expectativa da maioria do universo dos sócios e adeptos leoninos, comigo incluído, apontava para outro tipo de solução, reforçada pela ‘surpresa’ que JEB prometera de véspera. Admito que já cogitava com um Co Adrianse ou um José Pekerman e foi com essa esperança que adormeci no sábado…

Como eu, muitos duvidaram do valor do nosso novo treinador. Era, pois, muito pouco plausível que, passados tão poucos dias, se formasse uma agregação (prematura?) como a que já se verifica em torno de CC. Muito do mérito é de Carvalhal que, com os seus actos (treino, mudança de sistema de jogo, confiança nos e dos seus jogadores…) e palavras (conciliadoras, motivantes e cheias de bom senso) conquistou as boas graças dos adeptos sportinguistas. O último exemplo, aqui apontado pelo LdA reflecte bem a inteligente estratégia que vem utilizando. CC também tem transparecido muita auto-confiança, cujo expoente máximo consiste no assumir, ele próprio, a responsabilidade pela preparação física da equipa. Parece querer agarrar esta oportunidade com garras e dentes… de um verdadeiro leão. Haja sorte, que para tudo é necessária, mais ainda para quem é treinador de futebol em Portugal...

Para o ambiente pacífico, que parece querer instalar-se, também tem contribuído JEB. Mais que não seja, por ser o máximo responsável pelo risco da contratação de CC, mas, será justo realçar, que com a chegada do sucessor do seu Paulo Bento, JEB parece ter finalmente encerrado a espiral de disparates que começavam a caracterizar as suas intervenções públicas. O tempo, incessante, não falha em dar razão a quem a tem e o meu ‘nortenho’ companheiro LMGM, bem que afirmava que, nalguns casos, o silêncio não é só o melhor conselheiro, é mesmo de ouro.

Recordo que o meu último post declarava o estado de guerra civil que se instalara no nosso clube, muito por culpa da polémica ‘Forever’. Está pois na altura de enterrar o machado de guerra bentiano e promover uma boa cachimbada pela paz. Para tal, de forma a consolidar o armistício promovido pelo advento de Carvalhal, nada melhor que uma convicente vitória hoje contra os calmeirões do Heerenveen e a consequente conquista da primeira posição no grupo D (de Determinação) da Liga Europa!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sopram ventos de leste


Não se pode dizer que a convocatória acabada de sair há horas possa constituir uma surpresa. O regresso de Izmailov e Sotjkovic deve ser encarado com natural. O russo volta após prolongada lesão e felizmente que o sérvio não precisou de esperar por um sábado de nevoeiro para reaparecer das cinzas de um dos mais intrigantes e singulares processos que assisti no Sporting com um jogador. Apesar de tudo já se disse quase tudo sobre isto. Tenho para mim que o mérito deve ser sempre premiado e o guarda-redes sérvio não era o pior dos 4 disponíveis. Tendo sido mantido no plantel, tinha contar como os demais. E é dentro desse raciocínio, de jogarem os melhores, que me parece que, neste momento, Patrício tem justificado a titularidade. Não diria o mesmo há um ano atrás.

Carvalhal parece estar interessado em por a casa em ordem, anulando passivos, vincando para dentro e para fora que todos somos necessários, como se nota pela convocatória e pelo discurso.

Sobre Izmailov: "O Marat está disponível e estamos muito contentes por isso. É um jogador de grande qualidade mas tem, acima de tudo, uma grande capacidade de sacrifício e entrega. É um verdadeiro leão. Vem de uma paragem longa, mas não vai jogar por favor do treinador, vai estar disponível para ajudar a equipa". E ainda "Falei com ele, sei qual é a sua posição preferida e se calhar poderá ser uma surpresa para vocês onde ele vai jogar amanhã. No mínimo, Izmailov pode ocupar quatro posições em campo".

Sobre Stojkovic: "O Stojkovic é um guarda-redes do plantel. Conto com todos e todos somos poucos para conseguir vitórias"

Sobre Rabiu Ibrahim, "É um jogador que está numa situação que é pública. Inteirei-me da situação do atleta, está em observação, como estão todos os jogadores que pertencem aos quadros do Sporting, não só os que estão no clube, mas também os que estão emprestados".

Sobre o jogo de amanhã: "A cultura de vitória passa por tentar ganhar todos os jogos que disputarmos. Independente do resultado que possamos conseguir, temos de jogar para ganhar. Temos de respeitar o adversário que está melhor, sabemos que vai ser um jogo difícil, mas temos de jogar para ganhar".

Sopram novos ventos em Alvalade. Hoje são de leste, refrescantes. “Só” falta mesmo é ganhar.

D de decepção


Há um traço a unir as equipas do grupo D da Liga Europa: a decepcionante carreira nos respectivos campeonatos dos 3 principais candidatos à passagem para a fase seguinte da Liga Europa. Prova disso é que nenhum dos técnicos que iniciaram a época se encontra, neste momento, nos seus postos. E o Sporting, apesar de quase apurado, ainda não teve uma exibição convincente, que lhe permita afirmar-se com um verdadeiro cabeça-de-série, e à altura das suas naturais ambições.

Foi, porém, com o adversário de amanhã, o Heerenveen, o seu melhor registo na nova competição uefeira. Não tanto pela qualidade do futebol então apresentado na Holanda, antes pela reacção às contrariedades no avanço do marcador. Liedson esteve então em destaque, conseguindo o seu melhor registo da época, marcando 3 golos. O jogo acabaria com um 2-3 favorável às nossas pretensões.

De 17 de Setembro para cá muita coisa mudou em ambas as equipas. Quando o Sporting jogou na Holanda o Heerenveen acabava de efectuar a troca de treinador, cujos efeitos só agora se começam a sentir. A lanterna vermelha está agora noutras mãos e os holandeses já conseguiram escalar até ao nono lugar. Continuam, apesar disso, uma carreira irregular como demonstra a alternância entre a goleada sofrida em Amsterdão, 5-1, ante o Ajax e a vitória em casa por 3-1 perante o frágil RKC Waalwijk. O avançado Viktor Elm parece-me o seu melhor elemento, e o poderio físico a principal arma holandesa.

É com expectativa que se aguarda pelo jogo de amanhã. Se por um lado se espera o selar do apuramento, aguarda-se a consolidação dos novos processos. Sem o lastro psicológico do último jogo, os sportinguistas querem ver que argumentos a equipa possui para encarar o que resta dos seus compromissos, apesar das ausências e do regresso esperado de Izmailov. Em particular o que a equipa é capaz de fazer para chegar ao golo, uma vez que, quanto à consistência defensiva, o derby deixou a ideia de que se está no bom caminho.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Sporting no mercado


Arrastam-se há dias notícias sobre hipotéticas movimentações no mercado de inverno com vista ao reforço da equipa. Mexer, central moçambicano, e Danny são hoje os mais falados, tendo o nome de Quaresma “regressado à realidade”, e com ele, espero que muitos Sportinguistas…Deixo pois os nomes para os especialistas, que seguramente não sou, prefiro ficar-me pelo diagnóstico das posições mais carenciadas.

Não me parece que seja o centro da defesa o local de partida correcto. A mexer, seria mais recomendável fazê-lo nas suas laterais. Não me parece é que seja o mercado de Inverno a altura mais favorável, sendo bom lembrar que antes de contratar alguém, ser de todo conveniente abrir vagas, colocando os elementos excedentes ou tidos como desnecessários. ( Pensando em dispensas, se Caicedo, no Natal ,se ficasse pela linha divisória do Globo e Angulo não quisesse perder novamente de  o Medirrâneo a tesouraria teria outro fôlego. Carlão, seguramente mais barato, não seria menos eficaz.) E, olhando para a disponibilidade, parece-me pouco realista pensar em adquirir um novo lote de laterais, tendo em conta que não me parece que nenhum deles esteja à altura das necessidades. Daí que a minha opção seria o reforço da esquerda, porque entre Abel e Pedro Silva nem o diabo conseguiria escolher. Grimi seria o eleito para um possível empréstimo, não me parece que tenha condições de ser recuperável por aqui. Confio em André Marques, e nisso devo ser o único.

E é da análise do jogo de sábado que chego àquele que deveria ser o outro sector a reforçar de imediato. E para isso não necessito de mudar de flanco. Como se viu no derby, falta ainda alguma profundidade e largura nas movimentações, sobretudo do lado esquerdo, onde Vuk se sente emparedado e Veloso não tem velocidade para ir à linha. Se Izmailov oferece uma solução, não me parece que o momento do russo possa ser "confiável". Vuk pareceu-me melhor do lado direito, longe de deslumbrar, mas a justificar a insistência. E Pereirinha é uma boa opção para a direita, a precisar de acreditar mais em si mesmo. Um pé esquerdo que desse profundidade a esta ala seria fundamental. Mesmo que Izma regresse em grande, não há no plantel alternativa ao cansaço ou às lesões. E o russo é uma adaptação ao lugar, convém lembrar.

Mas é novamente a crueza dos números que, de forma ditatorial, marcará a ida ao mercado. Com o primeiro trimestre da época e registar um resultado líquido negativo de 2,393 milhões de euros, e com capitais próprios de 18.374 milhares de euros negativos, não se justifica ter grandes veleidades sobre o mercado de Inverno. Não seria melhor relançar um olhar para dentro de casa?

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