segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Taça de Portugal - um jogo de memória


Decorreu há minutos o sorteio dos quartos-de-final da Taça de Portugal e este ditou um FCPorto- Sporting a ter lugar já na próxima semana. Sei que o Presidente do Sporting não precisa de conselhos meus mas eu lembro-lhe pelo menos o seu lema de campanha: os sócios têm sempre razão. Aqui está uma boa ocasião para lhe dar dimensão prática. É que, sem precisar de nenhuma sondagem para o corroborar, os sócios e adeptos do Sporting gostariam de ver o seu Presidente em boas companhias, pelo que é desejável que o jogo da próxima semana no dragão fosse o primeiro passo para afirmar uma posição mais firme relativamente aos nossos adversários e às diferenças substanciais que nos separam. Se JEB não o quer fazer por si que o faça pela instituição que representa, que o faça pelo Paulinho. 

P.S.- O Sporting solicitou, antes do sorteio ter lugar, a antecipação do jogo do dia 3, quarta-feira, para o dia anterior, para poder corresponder às exigências do apertado calendário. O FCPorto joga no sábado, pelo que não deveria obstar à sua realização. Alguém quer apostar na decisão que vão tomar?

domingo, 24 de janeiro de 2010

De canto para as meias


Nunca é fácil jogar na Trofa, como provam os resultados do ano passado, com os grandes, na sua passagem pela divisão principal, assim como a recente vitória sobre o actual comandante da Liga Sagres. A equipa de Vítor Oliveira, antigo companheiro de Carvalhal, apresentou-se bem preparada, parecendo ter-nos estudado bem.

Dificuldades em construir o jogo, com as alas fechadas, Matias bloqueado ao centro não permitiam bolas de qualidade aos pontas-de-lança. Por via disso demoramos algum tempo a assentar o nosso jogo. Mas com o correr do tempo a nossa melhor qualidade acabava por se impor gradualmente. O perigo por Saleiro, a passe de Moutinho, podia ter sido o golo. Mas serviu-lhe de anúncio. E foi de canto, imaginem! E já viram que de repente passamos a marcar golos usando esta preciosa arma? Antes de isso o nosso velho amigo Paulo Costa já havia perdoado um penalty claro ao Trofense.

A equipa exibia confiança após o intervalo, mas o passar do tempo Reguila dava mais trabalho que o saído Mustapha. Aqui e ali esqueciam-se as instruções e recuava-se excessivamente, dando tempo e espaço. Adrien tinha agora mais problemas para resolver à sua frente, embora os fosse despachando como se fosse um veterano. Fomos controlando o jogo, perdendo acutilância e desperdiçando contra-ataques. O jogo estava ganho, as meias-finais eram uma realidade.

Destaques individuais para Carriço e Tonel, especialmente o primeiro. Adrien ganha consistência à medida que o tempo de jogo revela a qualidade que se lhe advinha. Veloso está um patamar acima do Miguel do ano passado e isso mais uma vez notou-se e muito. Obviamente que Carvalhal, e a sua já cada vez mais notória serenidade, está de parabéns por ter sabido recuperar o ânimo ou pelo menos ter sabido minorar o impacto do cataclismo de 4ª feira. É que não há preparação académica que chegue para sobreviver às suas ondas de choque.

Sim, amanhã de manhã nem vou querer ver as primeiras páginas dos jornais. Sei lá…

Os Assobios da Desarmonia


Uma monumental assobiadela perpetua-se pelo reino de Alvalade. Basta dar uma curta voltinha pela blogosfera verde e branca, para notar nova vaga bélica instalada no interior do nosso clube. De um lado, os Sá Pintistas do outro, os indefectíveis do Levezinho.

Mas, mais do que analisar o actual (e inevitável?) clima bipolar leonino, a que me vou habituando, era bom reflectir sobre as causas que levaram à sua ocorrência e as consequências que este episódio poderá desencadear.

Para já fico-me pelas causas que originaram esta cena de pugilato... E não há inocentes.

Comecemos pela escolha arriscada de JEB para Director Desportivo que, como muitos temiam, se revelou mais um erro brutal de casting (o adjectivo aqui aplica-se mesmo no seu sentido literal). Na verdade a carreira de dirigente de Sá Pinto acabou ainda mais cedo e de forma mais calamitosa face ao que os pessimistas com a opção – não será antes realistas? – previam.

Seguimos para o comportamento dos adeptos. Daqueles adeptos que não perdoam nada e ao mínimo erro de um jogador que - sabe Deus (ou o diabo) qual a justificação -, não lhes cai no goto, desatam a assobiar e a vaiar como se não houvesse amanhã. Muitos destes adeptos serão, provavelmente, aqueles que depois de passarem um jogo a manifestar-se contra os seus jogadores-fetiche, não só lhes exigem que retribuam com palmas e agradecimentos no centro do relvado após o apito final do desafio, como se indignam perante essa negação… E é neste aspecto que eu gostava de me alongar um pouco mais, até porque é aqui que nós, simples adeptos e sócios comuns podemos mudar alguma coisa. Durante um jogo de futebol o Sporting é representado por aqueles 11 homens dentro de relvado, ao assobiá-los, enquanto decorre o jogo, estamos a prejudicar-nos a nós próprios. Caso o espectáculo, o empenho e até, mesmo cumpridos estes dois requisitos, o resultado final não sejam do nosso agrado, aí sim, podemos manifestarmo-nos negativamente. Agora durante os noventa minutos em que é que ajudam os assobios e apupos? Por mais que reflicta não consigo entender esta mania que, teimosamente, se instalou no nosso estádio… É que ficou agora cabalmente provado que tal atitude não só não ajuda como pode prejudicar imensamente a estabilidade do nosso clube.

Quanto a Sá Pinto e Liedson, já muito foi dito. Ambos erraram, mas depois de relatados todos os factos, devo dizer que o Sá Pinto esteve muito pior. E não só porque pôs termo (?) a uma situação de conflito recorrendo a uma (não) solução: partir para a violência, ainda mais quando a exerce de uma forma completamente injustificada e desproporcionada. Nem porque, enquanto no exercício de um cargo superior e, em face disso, com maior poder e responsabilidade, deveria manter a calma e resolver o conflito de forma inteligente e serena. Condeno-o ainda porque, essencialmente, ele era pago para defender o grupo de trabalho que liderava de tudo e de todos aqueles que o afectassem o seu desempenho. E isto inclui defender os seus jogadores de alguns assobiadores profissionais. Essa, (manter o bom ambiente interno) era a sua tarefa prioritária, e que falhou redondamente. Liedson também agiu erradamente, porque devia ter acatado as ordens de Sá Pinto. Julgo que os subordinados podem e devem dar a sua opinião, até discordar frontalmente duma ordem, mas devem segui-la, mesmo não concordando. O SCP paga (e bem) a Liedson não só para jogar (e bem) e marcar (muitos) golos, como indiscutivelmente tem feito, mas também para obedecer aos seus superiores hierárquicos. O levezinho esqueceu-se ainda, que se há muita gente a assobiar, há muitos mais a aplaudir e a incentivar, nomeadamente a ele próprio e deveria demonstrar SEMPRE a sua gratidão perante os sócio e adeptos do SCP que tanto o têm acarinhado. Ora aqui estava um bom argumento, com lógica e suficientemente inteligente, para o Sá Pinto usar e fazer ver a sua razão face à nega do 31 em agradecer.

Finalmente um apelo. Vamos apoiar convictamente o nosso 31, e já hoje na Trofa! Por uma razão: porque ele merece o nosso apoio em virtude de tudo o que tem realizado dentro de campo. É no relvado que o SCP alcança a glória e poucos como ele tem demonstrado tanto esforço, dedicação e eficácia em a atingir. A devoção, essa fica para nós manifestarmos. Ponham a mão na consciência, e notem se nunca agiram de forma injusta perante um amigo ou familiar. Se assim não tiver sido com algum dos nossos leitores, aconselho a pedirem a canonização ao papa. Ao do Vaticano, não ao atrasado moral

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Fogo que arde sem se ver


Estamos habituados a dizer que o Sporting é uma paixão. Infelizmente do célebre soneto de Camões sabemos a duras penas que no nosso clube há sempre “fogo a arder sem se ver”, que há feridas por sarar a fazer recrudescer “a dor que bem se sente”, apesar de, contudo “ termos com quem nos mata lealdade”.

É o que sentiremos hoje quando prossegue hoje na comunicação social, em tom de festim canibalesco, a devassa sobre o triste episódio ocorrido dentro das nossas portas. O Sporting parece estar transformado num reality-show ao melhor estilo TVI. Uma dura prova para os Sportinguistas, surpreendidos e chocados com um o súbito regresso à nossa estranha (a)normalidade.

Já quase todos tomaram partido. Eu continuo do mesmo lado: do lado do Sporting. Aos que optaram por Liedson lembro-lhes que ninguém está acima do clube, e da hierarquia estabelecida, por melhor que seja o seu histórico de serviços prestados. Aos que preferem Sá Pinto façam-lhe a justiça ao carisma e abnegação que lhe reconhecem, colocando os interesses do clube acima dos de um grupo ou pessoas.

Chega a ser quase trágico que este episódio tenha retirado o impacto da publicação das escutas telefónicas no You Tube. E se há quem diga que são todos iguais, querendo misturar tudo no mesmo saco, parece-me que aqui não temos telhados de vidro, apesar da transparência das nossas paredes. Espero que em Alvalade, mais concretamente no E.V.A., se perceba finalmente o calibre – falte dele, claro – dos nossos adversários e não se cometa a ingenuidade de pensar que o polvo de mais 2 décadas se extinguiu. Apenas evoluiu adaptando-se, ao melhor estilo da filosofia darwiniana. Não se vê, mas está lá.

PS: ontem tive a honra de participar na I Tertúlia Leonina organizada pelo Solar do Norte. O evento será aqui tratado de forma conveniente pelo Bruno Martins, membro recentemente eleito da direcção deste bastião leonino no Norte. Não posso porém deixar de fazer 2 notas: i) o elevado nível do evento, com participação da generalidade dos presentes, ii) o profundo fervor clubista registado. Pena foi que hoje, ao ver a reportagem no JN, eu veja citado o meu nome, dando ênfase a questões laterais à minha intervenção, culminando com o desvirtuar do espírito e do conteúdo das minhas declarações, bem como do evento em si. Ao titulá-lo com um patético “Salema Garção sob fogo” o JN fala de um fogo que nunca ardeu nem tão pouco se viu. As fogueirinhas do costume, o gosto pelo sangue…

Importa o nome do cargo?


Aquando da conferência de imprensa após o pedido de demissão de Pedro Barbosa do cargo de Director Desportivo, o presidente José Eduardo Bettencourt afirmou que as pessoas estavam enganadas a pensar que o "Pedro era apenas o fulano das placas de substituições".

Poderá existir nesta altura uma crise de liderança no Sporting, resultado sobretudo de uma armadilha de conceitos despoletado pelos cargos atribuídos às diversas pessoas. Desde o Director Desportivo de Pedro Barbosa, ao Director de Futebol de Ricardo Sá Pinto até ao "Team Manager" de Miguel Salema Garção, o certo é que todo este rol de funções lançam a confusão na mente dos sportinguistas, que sem saber ao certo o papel de cada uma das pessoas, acabam por apontar o dedo a quem quer que seja em busca da responsabilização de algo que corre mal.

Nunca vi em Pedro Barbosa ou Ricardo Sá Pinto, a responsabilidade máxima do departamento de futebol do Sporting Clube de Portugal. Tanto quanto sei, essa sempre foi e sempre será da presidência da SAD - entidade que gere o futebol. No banco, mais do que alguém que conheça mercados ou com conhecimentos de gestão, necessitamos de alguém com mística, amor à camisola e respeito pelo Sporting Clube de Portugal. A verdadeira ponte entre o balneário e clube.

Barbosa e Sá Pinto foram directores, mas o "enorme" Manolo Vidal era o secretário-técnico e o que é certo, é que com ele junto dos jogadores, a paixão e garra leonina estavam sempre presentes e há bem pouco tempo, a sua importância na conquista dos dois últimos títulos foi reconhecida pelos dirigentes do Sporting.

Com isto, deixo a pergunta: Importa o nome do cargo ou a função desempenhada?

EM FRENTE SPORTING!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Os fantasmas de sempre


Segundo a RR, sempre muito bem informada sobre o futebol português, o triste episódio de ontem conta-se da seguinte forma:
Após o 2º golo registaram-se alguns apupos por parte dos adeptos. A coisa piorou quando alguém gritou o nome de Stojkovic. Foi aí que Liedson se empertigou, mandando calar os adeptos. Sá Pinto ter-lhe-à chamado à razão lembrando que “são eles que nos pagam os ordenados”. Liedson não gostou, a discussão manteve-se até aos balneários, onde, após alguns empurrões, Sá Pinto terá sido o autor da primeira agressão. A ser verdade, não se confirma a versão inicialmente posta a correr, que tudo teria começado com uma crítica pública de Sá Pinto à actuação de Patrício. E fica por explicar como é que tudo isto sucedeu sem intervenção de terceiros.

Parece-me inevitável a assumpção que Sá Pinto não era a pessoa certa no lugar certo. Bem como também que o balneário do Sporting está longe de ser um local recomendável para dar as costas, e que o ar que por lá se respira necessita com urgência de renovação. Falta ainda apurar que feridas foram abertas e que tempo durará a cicatrizar, sabendo-se a ligação que Sá Pinto tem com os adeptos, e que acaba por ser o respeito por eles a condená-lo. Mas, como sempre no Sporting, sabe-se de tudo sem nada se saber ao certo. Lembro-me de quando Argel quase chegou a vias de facto na torre das antas, destruindo à passagem 2 computadores. Só veio a público passado uns anos e porque o próprio o confessou em entrevista.

Não é por acaso que o nome de Stojkovic aparece de novo, nestas circunstâncias. Não soubemos matar conveniente as questões e assim elas vão e voltam, quando menos se espera, como se de fantasmas se tratasse. Diz-me um amigo meu que isto não aconteceu por acaso, e que Sá Pinto, pelas suas características pessoais, era o alvo mais fácil de uma franja que nunca viu com bons olhos as mudanças recentes. Para ele a seguir vai Carvalhal, lembrando-me do “desabafo” de Liedson, sobre as suas dificuldades em jogar sozinho na frente.

Não vou tão longe nas teorias conspirativas, parece-me antes o reeditar de um conflito pessoal mal resolvido e que não terá sido levado em conta na hora da escolha de Sá Pinto. Mas creio não restarem dúvidas que há problemas bem profundos no seio do grupo de trabalho e que, tal como os exorcismos, não serão fáceis de realizar, ou bonitos de ver, sendo porém de todo necessários, a bem do nosso estado de sáude.

Estranha forma de vida!

Quando hoje de manhã recebi um sms a dizer “não vejas os jornais de hoje”, pensei mais uma vez tratar-se das recorrentes primeiras páginas encarnadas após jornadas futebolísticas onde os mesmos já não têm lugar.

Longe de mim imaginar, que o destaque a verde e branco em manchete se devia a cenas inacreditáveis de pugilato, após o sofrível resultado ante o Mafra.

É esta a sina do Sporting. Quando tudo parece começar a correr bem, eis que os próprios Sportinguistas, adeptos, dirigentes ou atletas, decidem deitar tudo a perder. Não quero, ainda sem conhecer a verdadeira dimensão do vergonhoso episódio individualizar ou apontar o dedo a quem quer que seja, mas não posso deixar de manifestar o meu mais profundo repúdio para com o sucedido.

Estranha forma de vida, a dos Sportinguistas. Como o meu companheiro JVL já havia apontado, são no mínimo caricatos os aplausos que alguns adeptos decidiram dedicar ao Madeirense Ruben Mícael no fim do encontro com o Nacional. Será que são os mesmos que ontem decidiram apupar Rui Patrício, ainda que tenha errado infantilmente?

Que comportamento vão ter esses adeptos quando o Madeirense voltar a visitar Alvalade vestido de azul e branco?

É preciso perceber a essência dos aplausos e dos apupos. A vida balanceia nessa dicotomia.

Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é o Sporting.

Inacreditável, ou talvez não....


Quem hoje lê as 1ª´s dos jornais seguramente que pensará tratar-se de uma brincadeira de Carnaval. Ou de um qualquer fenómeno que, de repente fez avançar o calendário para o dia das mentiras. Mas não, no Sporting Clube de Portugal os nossos piores pesadelos são vividos acordados, é a nossa realidade crua e dura. E acima de tudo é inacreditável que, passado um par de horas, o que deveria ser resolvido em bom recato, no seio do clube, saindo apenas o inevitável, esteja hoje escarrapachado nos jornais.

In "O Jogo"
Sá Pinto e Liedson envolveram-se ontem numa cena de pancadaria no balnéario logo após o triunfo diante do Mafra por 4-3, soube O JOGO. A pega começou ainda no relvado mas alastrou-se até ao balneário, onde dirigente e futebolista chegaram ao confronto físico. Foi este o "problema pessoal" invocado pelo treinador Carlos Carvalhal para não comparecer na sala de Imprensa após a partida. Os próprios jogadores do Sporting também demoraram mais tempo do que é habitual para irem à zona mista.
Tudo terá começado na sequência da falha de Rui Patrício no lance do segundo golo do Mafra. O público apupou o jovem guardião, o 31 não gostou e insurgiu-se contra a reacção dos adeptos. Sá Pinto colocou-se do lado das bancadas e repreendeu com veemência o ex-companheiro. A discussão subiu de tom e alastrou-se ao balneário, onde ambos se pegaram num confronto físico a que só outros jogadores e elementos do "staff" verde e branco puseram cobro.
A cena apanhou todos de surpresa, mas o filme já vem de trás. Sá Pinto e Liedson nunca tiveram uma relação fácil. Na época 2003/04, num jogo frente ao Rio Ave, o baiano preparava-se para bater um penálti frente ao Rio Ave e o então camisola 10, contra as ordens do técnico Paulo Bento, tirou-lhe a bola, assumindo a conversão, perante a estupefacção do brasileiro.
Resta agora saber quais as consequências desta cena, que promete reacender os ânimos no seio de um grupo que recuperava de uma acidentada primeira metade de época. 

In Record:
Liedson e Sá Pinto desentenderam-se violentamente no final do encontro, já em pleno balneário do Estádio José Alvalade. Na base da discussão, ocorrida na presença de todos os jogadores, esteve o erro de Rui Patrício que resultou no segundo golo do Mafra e, embora ninguém assuma que avançado e diretor de futebol chegaram a vias de facto, é certo que existiram empurrões e alguns murros pelo meio.
Diversos jogadores tentaram separar os dois contendores, mas o ambiente só serenou quando o luso-brasileiro foi retirado do balneário, argumentando que, a partir de ontem, dificilmente conseguirão conviver no mesmo espaço. "É ele ou eu!", foi a ideia deixada pelo goleador.
Carvalhal assistiu à cena incrédulo e impotente. Um problema para o técnico, que poderá ver-se privado do concurso de Liedson. O dianteiro de 32 anos está sob a alçada disciplinar do clube e poderá ser alvo de um pesado castigo. A discussão começou ainda no banco de suplentes, com o diretor-desportivo a criticar o erro do guarda-redes e Liedson a sair em sua defesa. A troca de argumentos alastrou ao balneário e foi subindo de tom até ao contacto físico.



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Naturalmente, fico Zhang...ado


Num jogo que esteve quase sempre controlado da parte do Sporting, dois erros infantis deram outros tantos golos a um adversário de um escalão inferior que foi a Alvalade disputar o jogo pelo jogo. Se por um lado, Rui Patrício não tem culpa das "batatas" no relvado, Vukcevic não pode perder a bola daquela forma.

Sporting entra em campo com cinco alterações em relação ao onze titular contra o Nacional da Madeira e apenas Matias Fernandez conseguiu "convencer-me". Pareceu-me que o chileno foi o principal dinamizador do ataque sportinguista e esteve na origem do penalty - que o próprio converteu - e apontou o canto que originou o segundo golo do Sporting, apontado por Carriço.

Mas antes do Sporting ter tomado conta da partida - pelo menos até aos minutos finais - o primeiro golo do Mafra resulta de alguma displicência por parte do Sporting que deixou o adversário entrar com alguma facilidade e rematar para o golo do empate.

No final da primeira parte, 3-1 com os golos leoninos a resultarem de lances de bola parada.

A começar o segundo tempo, a uma chouriçada de Vukcevic, Djaló corresponde bem ao acreditar que podia ficar com a bola e faz funcionar novamente o marcador. A partir daqui, acreditei que o Sporting podia partir com facilidade para um resultado bastante confortável. Mas foi o que aconteceu?

A rotação efectuada e os minutos dados a jogadores menos utilizados fizeram sentido em minha opinião já que por exemplo, João Pereira não pode jogar na Liga Europa (será Abel uma verdadeira alternativa?) e com a saída de André Marques para a Grécia, Grimi é o único lateral esquerdo no plantel.

Assumo-me completamente frustrado com a nossa segunda parte. Razões para tal? Se já no primeiro tempo tinha visto pouca atitude competitiva em muitos jogadores, na segunda parte essa pareceu intensificar-se e acrescentando o individualismo de Vukcevic, fiquei quase fora do sério. Nem mesmo o voluntarismo de Postiga me consegui "animar" (n.d.r. Pode não ser avançado para o Sporting, mas também pobre coitado está mesmo com azar).

Aquilo a que assistimos nos últimos minutos é completamente inadmissível. Depois do "azar" de Rui Patrício, reparem na facilidade com que o jogador do Mafra consegue cruzar a bola e o Abel ainda vira as costas ao opositor...

Mais uma vitória, novamente pela margem mínima mas que desta vez me deixa naturalmente zangado...

Há ou não dinheiro? E para quê?



Em Novembro o Sporting não contratou Villas Boas à Académica aparentemente por falta de dinheiro, uma vez que o clube de Coimbra terá pedido 1 milhão de euros, segundo se disse então. Passado um mês, talvez menos, o clube gasta quase 10 milhões a contratar Pongolle e João Pereira, batendo a cláusula de rescisão deste. Aparentemente foi por não ter 5 milhões de euros, ou arte por o negociar por menos, que acabou por não comprar Ruben Micael, que, como reconheceu ontem Carvalhal, era um jogador que lhe interessava. Mas já parece estar disposto a abrir a mão a 1,5 milhão para contratar Pedro Mendes que no final do mês de Fevereiro completará 31 anos. E a contratação do médio é uma novela documentada, episódio por episódio, num jornal perto de si.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Clube do povo, Clube de Portugal

O Sporting nasceu um dia

Sob o signo do leão

Nós aprendemos a amá-lo

E a trazê-lo no coração


Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo

E gritem todos comigo

Viva ao Sporting!

Rapaziada quer se possa

Ou se não possa

A vitória será nossa

Viva ao Sporting!

Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo

E gritem todos comigo

Viva ao Sporting!

Rapaziada quer se possa

Ou se não possa

A vitória será nossa

Viva ao Sporting!


Bandeira verde o Leão

E uma esperança sem fim

Muita fé no coração

O sportinguista é assim


Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo

E gritem todos comigo

Viva ao Sporting!

Rapaziada quer se possa

Ou se não possa

A vitória será nossa

Viva ao Sporting!

Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo

E gritem todos comigo

Viva ao Sporting!

Rapaziada quer se possa

Ou se não possa

A vitória será nossa

Viva ao Sporting!


Ai vamos lá cantar a marcha

Que é a de todos nós

Cantam todos os do Sporting

Desde os netos até aos avós


Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo

E gritem todos comigo

Viva ao Sporting!

Rapaziada quer se possa

Ou se não possa

A vitória será nossa

Viva ao Sporting!

Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo

E gritem todos comigo

Viva ao Sporting!

Rapaziada quer se possa

Ou se não possa

A vitória é sempre nossa

Viva ao Sporting!

EU? SOU APÁTRIDA!


Nasci em Lisboa, numa clínica na Avenida da Republica, mas “sou” de Benfica. Toda a minha família é de Benfica. Meus pais, meus tios, meus avós. A minha avó materna era tão de Benfica, que era de Benfica, mas não era de Lisboa. Quando ela nasceu Benfica ainda não era Lisboa. Eu sempre vivi em Benfica até ter de “emigrar”, mas continuo com residência em Benfica, onde também vivem meus filhos e neto.

Entretanto uma instituição, que logo à nascença começa com uma trafulhice (foi criada em 1908 mas tomou como data de fundação 1904) que ao longo de um século andou a saltar de freguesia em freguesia (Belém, Benfica, Amoreiras, Campo Grande, actualmente S. Domingos de Benfica) usurpou o nome da minha freguesia.

Ao longo dos anos sempre se quis afirmar como “o maior do mundo”, tentando esmagar quem lhe pudesse fazer concorrência, para tentar ganhar nunca olhou a meios, especializou-se desde sempre em tentar roubar os melhores atletas aos outros clubes, a fama das arbitragens compradas já vem de muito longe, a protecção governamental é de todos os tempos, de Salazar a Ferreira Leite.

Agora essa instituição tem um presidente que, tal como ao clube, ninguém sabe de onde vem o dinheiro que ostenta. Mas no meio de muitas burrices que lhe saem da boca para fora, vem-se pavoneando com ameaças, fanfarronices, tentando vender a imagem do mais inocente dos inocentes, de ser prejudicado, quando, como se tem visto ultimamente, a sua instituição tem andado a ser levada ao colo pela arbitragem portuguesa.

No último fim de semana a procissão veio à Madeira. Quem carregou o andor foram as forças armadas: o sr. oficial João Ferreira e o sr. sargento Ferrari, olho de águia. Mas na véspera da procissão o prior da congregação organizou um jantar de caridade e subindo ao púlpito fez a sua prédica. No meio de muitos auto-elogios, muitas baboseiras, muita conversa para enganar parolos, saiu-se com uma muito grave mas que os habituais canais de propaganda trataram de ampliar até à exaustão: “nós somos o país, nós somos Portugal”.

A este “país”, a este “Portugal”, eu nunca pertenci, nem quero pertencer. Então, a partir desse momento, eu, SOU APÁTRIDA!

PS – A foto não tem nada a ver com roubos de igreja. Agora os roubos já não são de igreja; são de catedral. Na catedral e por outras catedrais por este país fora. É apenas a igreja da minha paróquia. Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica.

PS2 – A minha família é toda de Benfica, mas somos todos sócios, adeptos ou no mínimo simpatizantes do Sporting Clube de Portugal, este sim de Portugal.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

M & M´s


O titulo do post podia ser Micael & Matias mas soaria a uma daquelas bandas que nos poluem o ar com   músicas de dois acordes e um refrão. Fica então M& M´s, porque estes são dos valores individuais mais recheados e mais prometedores do nosso futebol, partilhando também a juventude como característica.

Ruben Micael não era uma necessidade absoluta ou primária como reforço imediato do nosso plantel. Temos vários jogadores que podem fazer a sua posição, sendo um dos quais precisamente o jogador chileno. Dito isto, a notícia da sua aquisição pelos dragões não pode ser vista como uma perda. Mas, num curto médio prazo, Ruben Micael seria uma excelente aquisição. Completamente integrado no nosso futebol, a timidez que revela fora das 4 linhas transfigura-se de forma algumas vezes exuberante (excelente carreira na UEFA, p.ex.). Se é muito bom a construir jogo, tem espírito de sacrifício e humildade para recuar e procurar a bola. É um bom jogador, indiscutivelmente, e é com jogadores assim que se fazem bons plantéis.

O inicio da época 2011/12 seria a altura ideal para a sua chegada a Alvalade. Com a natural subida de produção colectiva, o valor individual dos nossos melhores jogadores fará regressar os olhos atentos dos que gostam de comprar valores seguros. Na primeira linha estarão com certeza Moutinho, Veloso (a possível convocação para o Mundial exponencia a exposição) e, como hoje se sabe, Izmailov. O próprio Matias, com um Mundial como montra, tem valor para despertar cobiça. Acresce ainda o facto que a aquisição de Ruben Micael era uma oposição clara ao reforço de um competidor directo, um factor muitas vezes negligenciado. Foram hesitações como estas que permitiram que Mourinho adquirisse Valente, Derlei, Pedro Mendes, Maniche, etc.

Enquanto isso Matias pena entre o banco e fugazes aparições. E quando elas eram mais duradouras o desaparecimento em campo era por vezes mais visível que as suas acções. Sendo eu um dos que o tem como valor seguro, parece-me que para já Matias necessita de se adaptar e de ser adaptado. Se por um lado o chileno é um corpo estranho à equipa nas tarefas defensivas, o colectivo parece senão rejeitá-lo pelo menos ignorá-lo quando constrói o jogo, afinal aquilo que o chileno de melhor nos teria para dar. Ou seja, Matias ainda não conseguiu na plenitude a sua “integração europeia” e a própria equipa e treinador ainda não sabem onde incorporar a sua qualidade. Saúde-se pelo menos o facto de, apesar desses constrangimentos, e do seu elevado preço face à sua pouca produção, ainda não despertou a orquestra dos assobios. Coisa que, como muito bem sabemos, até Nani teve que ouvir, apesar de tudo o que fez e, ao sair, nos atulhar a conta com 25 milhões…

Pelo que foi dito acima já perceberam que estou em crer que neste momento Micael até nos daria mais jeito que Matias. Não duvido que se integraria de imediato, enquanto as ocorrências permitem duvidar que o mesmo venha a suceder ao chileno. Não me surpreenderá inclusive ver o madeirense daqui a alguns anos abandonar o dragão, após ter acrescentado valor, deixando um rasto de alguns milhões de euros. É apenas o que me diz a minha intuição. Contudo o facto concreto é que Matias é que está cá e integrá-lo e aproveitar o seu valor é que é uma aposta que tem que ser ganha. E vê-lo sair sem ter rentabilizado o que tanto nos custou a dar por ele é uma derrota e uma ameaça ao nosso projecto desportivo.

domingo, 17 de janeiro de 2010

E vão 5




Acordei hoje de manhã confiante para o jogo e assim foi. Uma boa vitória, contra uma das melhores equipas do nosso campeonato e com uma exibição bastante agradável pese o adormecimento no fim.

Se há resultados enganadores, o de hoje é um deles. O SCP ganhou pela margem mínima ao Nacional mas dispôs de várias ocasiões para marcar e ampliar o resultado, ao passo que os madeirenses, conseguiram marcar o 2º golo ao 3º ataque.

Foi surpreendente ver o Nacional com uma atitude à Leixões, ou seja, com 11 defesas atrás da linha da bola. E não foi apenas porque o SCP o obrigou, foi mesmo estratégia deles.

Como já referi, foi um bom jogo, com uma equipa mais solta, mais alegre e mais confiante, neste aspecto também o público, e com um ambiente no estádio que dificilmente teríamos à 2,3 meses. Virámos o resultado, ampliando-o em seguida e depois adormecemos. O que eu dispensava, porque até me estava a saber bem estar a ver um jogo sem sobressaltos de maior.

Grande jogo do Marat e do Miguel Veloso - golaço! - bem acompanhados pelo Adrien e pelo novo lateral direito. E depois, o regresso do Levezinho coroado com 2 golos. Um amigo meu dizia-me que deveria ser frustrante para o Postiga e é verdade. Não que tenha jogado mal, que não acho que o tenha feito, mas uns conseguem marcar de qualquer maneira e feitio e outros não.
E o tiro do Izmailov? Se entrava...era de levantar o estádio!

Hoje chegámos a ter direito a ~15 minutos de Matías e é nitidamente outro perfume. À semelhança do jogo com o Leiria, mal entrou, criou uma jogada de golo que infelizmente não foi concretizada. O toque de bola não engana e é pena que não tenha entrado mais cedo.
Nota para o Saleiro: apesar de preferir que tivesse sido ele a dar o lugar ao Liedson, foi bastante importante e útil nos minutos finais, congelando a posse de bola. São estes pormenores que por vezes ajudam a decidir um jogo.

5 vitórias seguidas, nítidas melhorias ao nível de jogo e relação entre equipa e adeptos. O campeonato é uma miragem mas pelo menos, vemos futebol.

FORÇA SCP!!!

PS: Não gosto dele mas termos um lateral direito é uma diferença tremenda.

PPS: Incompreensíveis os aplausos a Ruben Micael. É nosso jogador? Já jogou no SCP? É um dos melhores jogadores do Mundo e/ou fez uma exibição tremenda? A resposta a todas estas perguntas é a mesma: não. E sendo assim, porquê??

sábado, 16 de janeiro de 2010

Levantamos voo? (Resumo da semana)


Esta semana desportiva no Sporting tem sido marcada pela melhoria de resultados e exibições. Vitória, apesar de suada e difícil, ante o Leixões, regresso do interesse, por números sérios, por um jogador do nosso plantel e nova vitória ante uma U. Leiria, que na jornada da Liga quase provocou uma abalo em pleno dragão, depois de o ter concretizado em Alvalade.

O jogo com os homens do Mar significou o regresso de um tom mais agradável no futebol leonino. Sendo certo que há problemas que continuam latentes, é bem verdade que se notam evidentes melhorias na produção futebolística. Os jogadores parecem querer voltar a mostrar o que sabem e pareciam ter esquecido. Foi magra a vantagem, chegou quase no final, mas foi inteiramente merecida.

Izmailov, que de jogo para jogo procura voltar à sua melhor condições técnica e física, é requisitado em Moscovo. 6 milhões de euros é uma verba considerável para o Sporting, para um jogador com 27 anos, que é dos mais valiosos e por isso dos mais necessários. Uma decisão difícil, a merecer ponderação. Uma boa decisão a recusa, parece-me, a ser repensada no final da época, caso os russos voltem à carga. O interesse por Moutinho foi outra das noticias da semana. Mesmo sem qualquer confirmação, é a demonstração que o valor dos nossos jogadores continua a ser reconhecido, mesmo quando parecemos ser nós os primeiros a não acreditar neles.

A malquista Taça da Liga, de má memória para nós, levou-nos a meio da semana a Leiria, onde, num terreno sem condições, se deu um passo para um patamar confortável, de onde poderemos olhar a fase seguinte da competição com confiança. Foi um bom treino real, veremos que repercussões terão na condição física no compromisso Nacional, uma vez que foi a equipa titular a fazer as despesas.


O jogo com os alvi-negros madeirenses será uma boa prova de aferição da consistência da retoma desportiva verde-e-branca. Trata-se de um adversário de qualidade, com quem repartimos, neste momento, a quarta posição. Uma boa oportunidade para impor um afastamento na tabela classificativa, sem perder de vista qualquer derrapagem nos lugares cimeiros da classificação, num jogo que ficará assinalado como o nº 100 de Patricio e pelo regresso aos convocados de Liedson.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Não há um "caso Matias Fernandez"


No passado mês de Julho, estive no Chile. Enquanto fazia o check-in no hotel, em Santiago, perguntaram-me de onde era. Quando disse que era português, perguntaram imediatamente: "Do Sporting?" Ao longo dos 9 dias que lá estive, foram várias as pessoas que associaram Portugal ao Matias Fernandez e ao Sporting, e isso naturalmente encheu-me de orgulho e, também, de esperança. "Parece que comprámos um craque a sério", pensava eu.

Pensava e penso - cada vez mais. Para mim, é claro: não há um "caso Matias Fernandez". Convém ter presente que a mesma lógica que faz com a imprensa goste de "ruído" para vender os seus jornais também se aplica a alguns blogs e a alguns fazedores de opinião.

É óbvio que eu espero muito do Matias Fernandez. E acho que que não é só aquela minha mania, segundo o meu pai, de eu gostar de tudo o que é sul-americano que vá parar a Alvalade. Na recta final do consulado de Paulo Bento, as fintas e os passes do Matias foram a única coisa luminosa que se viu saída dos pés de um dos nossos. Vibrei com o golo em Guimarães, descongelei em Vila do Conde com o seu golo e pensei que finalmente estávamos a ver o verdadeiro Matias. Lamento que o seu espaço tenha encolhido nos últimos jogos, mas a verdade é que Izmailov regressou e Adrien está muito melhor, o que faz com que as opções para o meio campo tenham aumentado - e a equipa agora está melhor. É simples. Eu julgo que reportório que o chileno possui de magia e bom futebol faz com esteja sempre da linha da frente do plantel: se agora não está a jogar, chegará rapidamente a sua altura. A naturalidade das coisas trará isso ao de cima em breve. E isso acontecerá sem dramas, sem casos, sem empresários a marcar território e sem abutres. Se não há um caso, não façamos o jogo de quem o quer criar.

O homem de quem se fala


"João Pereira, um rapaz odiado pelos sportinguistas quando festejou na cara de Tello (por falar em defesas-esquerdos...). Agora é mimado pela Juve Leo e já marca". Esta frase hoje no Ionline bem pode servir de mote para ilustrar a aparente reviravolta no seio leonino relativamente ao novo lateral-direito do clube. Parecem ter bastado 2 jogos para o novo reforço ter ganho espaço nas conversas dos Sportinguistas mudando da ala do desprezo para o lado do apreço. Para isso ajuda muito João Pereira os anos em que a qualidade desertou das laterais verde-e-brancas. Hoje em "ABola" (clique para aumentar)
 


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

I Tertúlia Leonina do Solar do Norte


O “ANortedeAlvalade” aceitou o convite que nos foi dirigido para participar na I Tertúlia Leonina do Solar do Norte que terá lugar na próxima quinta-feira, dia 21 (de hoje a uma semana) naquele reduto leonino. Ter correspondido a esse apelo é acima de tudo um tributo a todos aqueles que se têm devotado à causa Sportinguista, não deixando que se extinga a chama leonina na 2ª cidade do País e do Norte em geral.

Marquem na vossa agenda, inscrevam-se e apareçam. É uma oportunidade impar de apreciar o excelente trabalho que ali se tem desenvolvido num ambiente de grande fervor leonino.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

E sai mais uma para o Sporting


Tentei acompanhar a primeira parte da partida através da TSF e o que consegui ouvir foi basicamente:

"E aí vai o B*** a pressionar o Vitória"

"Julio Cesar (ndr: após 5 defesas) a provar que é dos melhores guarda-redes em Portugal"

"Em Leiria, golo do Sporting. João Pereira estreia-se a marcar pelos Leões"

"E carrega o B*** à procura do empate depois do golo de Douglas"

"Grande golo! Miguel Veloso a dar uso novamente ao seu excelente pontapé"

"Eder Luís tem mostrado pormenores muito interessantes"

"GOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO DO B***"

Portanto, foi mais ou menos isto que consegui reter dos nossos primeiros 45 minutos. Ao momento em que eu escrevo estas palavras, ainda nem sequer tive oportunidade de assistir aos golos do Sporting.

Chegado a casa e assim que acendi a televisão, o primeiro pensamento que me ocorreu foi "Onde anda o Schemeichel?" numa alusão ao reality-show onde o Grand Danois era sujeito a diversos trabalhos forçados em lameiros, quintas e hortas. O terreno esteve mau para ambas as equipas, mas julgo que o estilo de jogo mais tecnicista do Sporting saiu prejudicado.

Durante os primeiros minutos que assisti, Izmailov pareceu-me o jogador mais esclarecido nos leões e deu razão a todos os que tanto exigiram a sua permanência no clube. Sem ser exuberante - e talvez a recordar-se dos relvados a que está habituado na Rússia - o nº7 do Sporting pareceu o jogador mais à vontade na partida. Por outro lado, Moutinho continuou discreto.

Nesta altura, os leões pareciam ter o jogo controlado. Tonel e Carriço inicialmente deram mostras que são nesta altura a melhor dupla de centrais no Sporting apesar das inúmera dificuldades causadas pelo jogo directo do Leiria, apostado em aproveitar a presença de dois homens possantes na área. Mais uma vez, fico com a sensação que o Sporting deve avaliar oportunidades para suprimir estas lacunas.

Nos últimos minutos, uma mão cheia de oportunidades para o Sporting fazer o seu terceiro golo na partida mas acabou por ser perdulário na finalização, com destaque para boa intervenção do guardião leiriense a remate de Djaló, uma boa jogada de Vukcevic na linha e o excesso de confiança de Saleiro após trabalho de Matias na linha.

Vitória justa do Sporting, que neste ano de 2010 só conhece o sabor da vitória, todas pela margem mínima.

A finalizar, três pontos:

- Mais uma vez, Matias entra em campo para queimar tempo. Haverá mesmo necessidade?

- Não temos grandes queixas da arbitragem mas aquele amarelo ao Tonel deixa-me a contar o número de guarda-redes que já teriam sido expulsos em Alvalade por queimar muito mais tempo.

- André Santos é como o algodão: Não engana. O jovem emprestado pelo Sporting ao Leiria é um dos totalistas da Liga e no jogo de hoje foi uma das figuras em destaque na sua equipa, ora como médio-defensivo ora como interior.

EM FRENTE SPORTING!

Dar porcos e receber chouriços


Quando ontem se falava na possibilidade de um acordo com o Manchester City parece-me que estamos a falar em mais um daqueles “proveitosos” acordos que somos sempre muito solícitos a assinar mas que depois, na prática, nos esquecemos ou temos a arte de rentabilizar. Roselare, Manchester United, Cercle de Brugge, Santos são pontos de um mapa de boas intenções, cujo resultado prático está longe de se vislumbrar. E é bom que se diga que, à partida, este resultado não surpreende ninguém.

Mesmo considerando que a disponibilidade financeira quase ilimitada dos “citizens” de Manchester proporciona excedentes apetecíveis, não me deixo seduzir com tanto brilho. Acima de tudo porque se trataria de uma subalternização do Sporting a um papel equiparado ao de um clube satélite. Pese a qualidade dos jogadores que poderíamos receber, estes seriam sempre por empréstimo, servindo nós de incubadora ou sanatório dos jogadores que, pelas mais variadas razões, não vingassem no clube inglês. Estamos a falar de jogadores com vencimentos mensais muito acima da nossa tabela e que, uma vez valorizados ou recuperados regressam à casa-mãe ou serão vendidos a quem lhes poder chegar. Em contrapartida o City ficaria com prioridade sobre os nossos activos, que sendo de qualidade, e interessando ao City, interessarão a qualquer um, pelo que um acordo destes me parece limitador da nossa capacidade negocial.

Fará muito melhor o Sporting em ter um gabinete de prospecção que se posicione nos mercados ao nosso alcance, não fechando contudo a porta a negócios de ocasião com qualquer clube que revele essa disponibilidade. Mas receber jogadores por empréstimo, cuja aquisição posterior esteja fora do nosso alcance, só mesmo em condições excepcionalmente vantajosas e que representem um ganho desportivo evidente.

Fará também muito melhor o Sporting se tratar de garantir uma integração sustentada aos “meninos” da Academia. Nesse sentido, fazia todo o sentido a existência de uma equipa B, desde que bem integrada no clube e num campeonato atractivo, que está longe de ser a II B. Uma politica de empréstimos mais criteriosa do que a verificada este ano parece ser o caminho mais válido num futuro próximo. O que não deverá impedir que jogadores de qualidade excepcional não possam ser integrados de imediato no plantel principal.

O que eu não gosto mesmo nada de ver é a nossa disponibilidade para dar porcos para receber apenas chouriços. No fundo foi isso que aconteceu com o recente acordo com CM de Lisboa. Passados todos estes anos, sobra para a história o tratamento displicente que a autarquia de Lisboa tratou uma das instituições que melhor propaganda faz à cidade e ao País que tem no seu nome. O acordo ontem alcançado repõe apenas alguma justiça, mas deixa de lado a reparação do mal que está feito.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Carvalhal, sim ou sopas?


No dia em que a lesão de Pongolle deixa alguma apreensão nas hostes leoninas - o pior que podia acontecer ao jogador que se quer afirmar e ao clube, que tanto investiu - deixo-vos hoje para comentário o artigo de Joel Neto, inserto na sua habitual coluna de opinião do JN das sextas-feiras. Concordando pessoalmente com a medida, não posso deixar de manifestar a minha total discordância com o que veio a lume há poucos dias, fazendo crer que o prolongamento do contrato de CC estaria dependente da conquista de um título ainda na época em curso. Tendo presente quão tumultuosa tem sido a presente época, resultante em grande parte de uma péssima planificação(?), a exigência primordial deveria ser preparar a(s) próxima(s) época(s). Obviamente que a dignificação da camisola do Sporting tem que estar sempre presente e que sem resultados não há treinadores sustentáveis. Mas, como muitas vezes aqui tem sido falado, que sentido faz abrir os cordões à bolsa para caucionar a estratégia de um treinador a prazo?



"Para mim, está mais do que provado: Carlos Carvalhal merece assinar contrato com o Sporting até ao final de 2010-2011. Assim como assim, não vale a pena esperar por aquilo que o seu Sporting possa fazer até ao final da temporada (os Olegários desta vida parece já terem mais ou menos definido quem vai fazer o quê até Maio). E o facto é: quase pela calada, dizendo apenas o que é essencial dizer, Carvalhal fez quase tudo bem até agora. Mexeu na equipa um bocadinho depressa de mais, é certo – e a equipa, afundada no marasmo em que a haviam deixado afundar-se durante quatro longos anos, demorou a responder. Mas pôs a administração da SAD à procura de recursos para fazer o que há tanto tempo era fundamental fazer: contratar jogadores. E, sobretudo, proferiu e institucionalizou a frase mais importante da história recente do clube: aquela em que explicou, num tom tão seguro que quase parecia estranhar o simples facto de ninguém o ter percebido ainda, que o Sporting não pode assentar numa estrutura de "meninos" formados na academia de Alcochete.

Não é preciso dizer o quanto isto significa de corte com o passado recente. Nem, aliás, o quanto isso me enche de esperança, a mim e a outros como eu (e que são muitos mais do que se pensa, apesar de os adoradores de Soares Franco, Paulo Bento e demais miserabilistas tristonhos continuarem a encher os fóruns radiofónicos e os comentários dos jornais online de frases como: "Isto ainda vai correr muito mal…"). Pois é fundamental reconhecê-lo: este discurso, bem como a atitude que o tem coisificado, começou com a chegada de Sá Pinto e Carvalhal a Alvalade. Ora, Sá Pinto não tem, tanto quanto se saiba, um deadline: independentemente dos resultados próximos, há-de ser director desportivo (sim, eu sei que não é "director desportivo" mesmo, mas também nunca ninguém explicou como se diz ao certo) ainda durante algum tempo, podendo mesmo trocar de treinador uma ou outra vez. Já Carvalhal não: tem contrato até Junho apenas – e pode muito bem estar a lançar as bases para outro brilhar.

Não merece. Pelo contrário: merece assinar contrato por pelo menos mais um ano, dispondo da oportunidade de montar uma equipa à sua imagem – e de geri-la depois durante tempo suficiente para que possamos formar uma opinião sobre o seu trabalho e as perspectivas que ele nos abriu. E então, sim, devemos ser implacáveis (implacáveis como nunca fomos com Paulo Bento): se for bom e proporcionar expectativas quanto a um futuro de sucesso, deixá-lo ficar; se for apenas mais ou menos e perder a capacidade de encher-nos de esperança, deixá-lo sair. O Sporting é e tem de continuar a ser um clube grande. Na pior das hipóteses, pode ficar três anos sem ganhar o campeonato (incluindo duas vitórias para o FC Porto e uma para o Benfica), não mais do que isso. E aquilo para que até hoje estávamos a preparar-nos, com Paulo Bento, com o discurso vigente e com a atitude conformista que se institucionalizara, era para passar outros 17 ou 18 anos no deserto, a ganhar uma Taça de Portugal de vez em quando – e, de resto, todos contentinhos porque íamos à Liga dos Campeões fazer figuras tristes."
Joel Neto

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O preço certo


Se a transferência de Ronaldo de Manchester provou alguma coisa é que todos os jogadores são transaccionáveis, haja para o efeito o dinheiro necessário. É isso que penso sobre a proposta do Lokomotiv para a compra de Izmailov. Isto é, pelos 6 milhões de euros que hoje são anunciados, nem vale a pena gastarem dinheiro em telefonemas. Para um jogador cujo empréstimo ficou por mais de 1 milhão de euros, mais 4,5 milhões pelo seu passe, acrescidos dos prémios e de 400 mil euros mensais de vencimento, o valor em causa está longe de ser o preço certo. Saldos? É no topo da Av. Augusto de Aguiar... A questão é saber se uma proposta idêntica ou melhor que a actual poderá voltar a estar em cima da mesa. No futebol as convicções valem o que valem, mas creio que sim. Sobretudo se tivermos em linha de conta que o russo tem qualidade para ser muito mais importante e consistente do que tem sido. Basta para tal que o nível colectivo suba e que as lesões não tornem tão intermitentes as suas prestações.

O sucesso de um jogador num clube está longe de depender apenas do próprio. Exemplos mais recentes e sonoros de rotundos falhanços são os de Diego e Luís Fabiano. O tempo e melhores condições para o sucesso trouxeram ao de cima o valor dos dois jogadores brasileiros, como se de azeite em água se tratasse. E quando esse é inquestionável, ele acaba por subsistir acima das adversidades. Contudo, quando um clube contrata um bom jogador, mas as suas características não se enquadram nas necessidades ou no modelo de jogo, está-se mais perto de marcar pelo fracasso a passagem desse jogador pelo clube.

Ao ver o jogo no passado sábado ante um Leixões sem vergonha de jogar com todas as linhas atrás da bola, e perante as nossas dificuldades em fazer funcionar ao marcador, não pude deixar de me questionar que papel está reservado para o francês que agora fomos buscar a Madrid. É ele apenas a primeira abordagem ao mercado no sentido de voltarmos ao 4x3x3, ou veio encarregue da missão, até agora impossível, de fazer par com Liedson? E, olhando para o lote de avançados disponíveis, não faria sentido buscar alguém mais capaz de oferecer soluções também para o jogo aéreo, tendo em conta que grande parte do cariz dos jogos do nosso campeonato, seja em casa ou fora, são em tudo semelhantes aos do passado sábado? Obviamente que não estou a pretender que o Sporting avance para o equívoco do avançado “alto e loiro”, uma vez que a boa execução técnica e a inteligência tendem a sobrepor-se à força bruta.

Quando um clube como o Sporting dá mais de 6 milhões por um jogador é desnecessário deixar uma alínea no contrato “obrigando-o” a ser não só um titular indiscutível mas também a produzir acima da média. É isso que espera Pongolle no tempo em que andar de verde-e-branco. Estará ele à altura da exigência? Era de um jogador como ele que precisávamos?

E temos um problema semelhante com Matias Fernandez, (muito bem lembrado aqui pelo TheLC), que no relvado não tem deixado mais que pequenas amostras do que o seu futebol deixa adivinhar. (Já aqui deixei ficar a minha opinião sobre o recuo de Carvalhal na implantação do 4x3x3, como parecia ser a sua intenção inicial. Num plantel pensado para jogar em losango wathever, e reconhecendo apenas a Pereirinha características de verdadeiro extremo, parece-me uma decisão acertada, que a recente evolução positiva no rendimento da equipa parece querer confirmar.) Mas, voltando a Matias, onde vai ele caber no actual 4x1x3x2?

Izmailov, Pongolle e Matias todos eles têm um preço certo. Veremos quanto vamos pagar por eles.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Vitória tão sofrida como merecida


Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Paulo Baptista (AF Portalegre)

SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Daniel Carriço, Tonel e Grimi; Adrien (Matías Fernandez (77); Izmailov, João Moutinho e Vukcevic (Pereirinha, 90+2); Hélder Postiga (Pongolle, 59) e Saleiro.

Suplentes: Tiago, Polga, Yannick e Abel

LEIXÕES: Diego; Sony, Tucker, Trombetta e Bruno Gallo; Fábio Espinho, Fernando Alexandre, Seabra (Didi, 87) e Hugo Morais; Léo (José Manuel, 59) e Pouga (Antunes, 80).

Suplentes: Fonseca, Braga, Cauê e Paulo Tavares.

Disciplina: Cartão amarelo para Bruno Gallo (63 e 70) e Fábio Espinho (76). Cartão vermelho para Bruno Gallo (70).

Marcadores: 1-0, Tonel (84)

Ao intervalo: 0-0

Resultado final: 1-0


A estreia de João Pereira foi o facto mais notório na constituição inicial da equipa. A titularidade de Vukcevic surgia em consequência do impedimento de Veloso, não constituindo, por isso qualquer surpresa. A presença do lateral direito, por troca com Abel, permitiu verificar, em alguns momentos do jogo, como é diferente ter um lateral a sério e apenas um lateral. Como Grimi estava do outro lado, mais fácil se tornava a comparação.

Contudo, apesar do domínio e controlo do jogo no primeiro tempo ter sido quase em permanência do Sporting, não logramos fazer funcionar o marcador, nem conseguimos, valha a verdade, estender esse domínio e presença à área do Leixões. Postiga estaria nos lances mais perigosos, e sempre dentro do mesmo tom. Se no lance do Vuk a velocidade da bola exigia execução difícil, no passe que deveria isolar Saleiro foi tão impreciso no passe como infantil. Falta de agressividade e poder de explosão, associado a últimos passes mal definidos permitiram que o guarda-redes leixonense acabasse por ter 45m descansados.

Avinhava-se uma 2ª parte a exigir nervos de aço, a menos que o golo surgisse cedo. Tal não aconteceu, apesar de as oportunidades terem surgido em número e qualidade. Diego foi chamado a intervir várias vezes, mas quase sempre por demérito dos nossos atacantes. Apesar da pressão exercida recorrendo às alas, raras vezes conseguimos ganhar a linha de fundo. Com isso a missão defensiva dos leixonenses era facilitada, uma vez que, de frente para a bola, era mais fácil anular as nossas intenções. Tonel acabaria por desfazer a igualdade, num golo que é a sua imagem de marca.

Não vou fazer destaques individuais, negativos ou positivos, porque me parece que deve ser destacada a força do colectivo nesta vitória. Com um passivo emocional a ter que ser vencido, uma vez que esta é apenas a 3ª vitória em casa (!!!) quando se fecha a 1ª volta, esse parece-me o realce merecido. Apesar do resultado escasso, o trabalho desenvolvido permite vislumbrar uma melhoria significativa na qualidade do futebol praticado. A 2ª vitória consecutiva em 2010 está conseguida e foi inteiramente merecida.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Coisas miúdas, coisas graúdas



Numa actualidade cheia de dificuldades e conflitos para resolver, torna-se difícil ter disponibilidade para pensar o futuro. Qualquer tema que exceda o horizonte da próxima jornada é difícil de ser tratado e convenientemente preparado.

Recentemente encontrei-me a ver um jogo da Liga Europa em que actuava uma equipa Russa, não me recordo já qual com exactidão, sei que apreciei o futebol geométrico, a disponibilidade física, a técnica dos movimentos simples (passe – recepção).

Como o jogo não envolvia equipas do meu agrado emocional, ainda viajei pelas antigas equipas da URSS, onde brilhavam excelentes jogadores como Dasaev, Demianenko, Blokhin, etc., aterrei nos nossos Cherbakov e Izmailov e no quanto gosto do seu futebol.

A conclusão a que cheguei foi, aqui está um futebol com escola onde será dado valor a uma boa formação, aqui está um futebol que graças aos seus novos milionários vai crescer nos próximos tempos porque pode fabricar bons jogadores e ainda competir activamente com o primeiro mercado europeu.

Por todas estas razões e porque somos lideres na formação, uma área que de certo é apreciada no lado frio da Europa, via com muito bons olhos o estreitar de relações com o Leste, como? Através da internacionalização do conceito “Academia Sporting” (que tão bem está a ser gerido), do intercâmbio de uso de instalações aproveitando as nossas condições climatéricas especificas (tenho o completamente infundado feeling que só seremos campeões quando voltarmos a fazer uma pré-época fora dos 40º alentejanos), da troca/transacção de jogadores, técnicos e porque não investidores.

Cumprido que está o pontapé de saída da nossa presença em África, espero que quem pensa o futuro em Alvalade nunca perca o seu espaço e fique a falar com as paredes, para isso já me chega o que vi ontem, o “Papa” a falar com as paredes com um discurso de Muro das Lamentações sem perceber que o sistema lhe foge entre os dedos.

P.S.- Estive a ver o Braga – Nacional, ora será que por 5 milhões o Valência aceita vender um certo emprestado…

Uma tarde em Alvalade


Amanhã, pelas 19h15, o Sporting defronta o Leixões em Alvalade. Não tive a oportunidade de ir ao jogo da Taça da Liga e neste dia, vou a um jogo do Sporting pela primeira vez neste novo ano.

No entanto, a equipa de Ténis de Mesa inicia a II volta do Campeonato Nacional defrontando o Sporting de Porto Santo às 15h. Faz-me recordar as maratonas desportivas da Nave e antigo Estádio. Estarei no Multidesportivo a ver o jogo do Ténis de Mesa e depois vou ao jogo de futebol.

Isto sim, é para mim, o Sporting Clube de Portugal.

EM FRENTE SPORTING!

PS: Aqui fica uma pequena brincadeira

Onde param os extremos?


Foi tão notória a mudança táctica com a entrada de Carvalhal que foi impossível passar despercebida. Para lá das convicções do técnico parece-me que, pelo menos numa primeira hora, pretendia-se associar à ruptura metodológica um rompimento com o pântano táctico em que a equipa havia caído.

O mais que se parece ter conseguido foi dar razão a Paulo Bento, quando este dizia que Liedson não era capaz de jogar em 4x3x3. Além do mau momento de forma, a mudança introduzida deixou bem claras as limitações técnico-tácticas e até mentais do Levezinho em adaptar-se a novas exigências.

Nos jogos mais recentes parece evidente que ficaram para trás as intenções de Carvalhal de voltar a implementar no Sporting o 4x3x3, afinal o mesmo modelo que serve de referência ao futebol das camadas jovens. A que se deveu esse recuo? Falta de jogadores para o modelo, dificuldades de adaptação do plantel?

Uma coisa ficou clara: a iniciativa de Carvalhal não resolveu satisfatoriamente a falta de agressividade e de comprimento dos nossos movimentos ofensivos. As dificuldades em criar perigo nos últimos 30/20 metros, e consequentemente de materialização em golos permaneceu idêntica, apesar das alterações introduzidas.

A alteração recente parece-me acertada, pelo menos enquanto os movimentos de mercado não introduzam alterações num plantel construído para jogar em 4x4x2. Vukcevic e Izmailov são bons jogadores mas estão longe de serem extremos. Jogar entre a linha e o defensor requer escola e vocação e ambos os jogadores foram adaptados a essas funções. Lembro-me de ver Vukcevic jogar na última selecção da Sérvia-Montenegro de esperanças como 10, embora a suplente. O mesmo sucedeu com Izmailov, que foi  afastado para a ala-direita por ter o lugar de 10 tapado. Sobra Pereirinha, que para mim tem as melhores condições para desempenhar todo o corredor direito. E sobra também Djaló, que, já com Paulo Bento, jogou na ala-esquerda, embora as suas limitações na recepção e passe o impeçam de se assumir como valor garantido.

Parece-me que, neste cenário, as alternativas de Carvalhal não seriam muitas. A haver alterações de fundo, ou teriam que esperar por nova época ou pelas soluções que o mercado do Novo Ano venha a permitir. Mas, atendendo ao que se ouve, onde estão afinal os extremos?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Reviver o passado em Alvalade


Andávamos tão distraídos entre 1999/00 e 2001/02 com o encontro com o nosso destino de “sermos campeões 3 vezes a cada 5 anos” que nem vimos a ascensão de Nuno Valente em Leiria. Tínhamos Rui Jorge, havíamos tido Phil Babb, e gastávamos uma pipa de notas para recuperar Dimas ao Standard de Liege, em nítida fase descendente de carreira, que nem sequer reparamos como havia crescido o futebol do miúdo que na época 1999/00 decidimos dar carta de alforria. Lembro bem do que diziam então alguns Sportinguistas dele, mais agora que André Marques lhe parece ter vestido a mesma camisola. Sabemos o que aconteceu depois.

Quando desde ontem se fala em Sílvio como possível reforço da lateral-esquerda não deixo de ficar surpreendido. Não colocando em causa o valor do jogador como aposta de futuro, tenho como seguro que não é um jogador para entrar de caras na equipa principal do Sporting, significando de imediato uma mais-valia. De características diferentes de André Marques, tem para ele uma vantagem: pode demonstrar todas as semanas o que vale, numa equipa que joga sem pressão. Um pouco à semelhança da oportunidade que teve André Marques o ano passado, quando Sissoko saiu de Setúbal, fazendo uma boa segunda volta. É que antes de chegarem todos parecem bons. Até Grimi, na primeira época parecia bem melhor do que parece hoje e, convenhamos, alguns méritos devia ter para despertar o interesse do Milan, que o foi buscar à Argentina.

Companheiro de Valente na U. Leiria e na viagem triunfal que se seguiu, foi Derlei. Que, como sabemos hoje, esteve com um pé no Sporting, quando em 2001/02 o quisemos para substituir o lesionado Niculae. Houve quem percebesse melhor o seu real valor e não tivesse titubeado, como nós, na hora de o contratar. Derlei acabou por vir para o Sporting e se há algo que a sua passagem deixou bem claro, e independentemente dos resultados alcaçados, é que muito mais teríamos ganho se o tivéssemos contratado esses anos antes.

É precisamente isso que penso da possível contratação de Pedro Mendes. Por muito que traga à equipa, vai-nos fazer perguntar porque não o soubemos ir buscar a Guimarães anos antes. Sendo jogador para entrar de imediato, tenho dúvidas que seja uma posição que mereça o esforço, a não ser que a saída de Veloso se consume. Mesmo assim preferiria quem pudesse trazer valor e que além do investimento e do custo -88 mil euros de ordenado - pudesse ter retorno financeiro. E fora das contas fica o quanto perdemos por interromper a afirmação de Adrien. É que, convém lembrar, o miúdo tem agora a primeira real oportunidade de demonstrar o valor que se lhe adivinha, depois de 2 anos quase parado. De jogo para jogo é evidente o seu crescimento. O que seria hoje Adrien se Rochemback não tem regressado para fazer as delicias dos vendedores de picanha e maminha de alcatra?

Valente, Derlei e Pedro Mendes. O Sporting parece querer ajustar contas com o passado sem dele retirar as devidas lições. O melhor que o Sporting pode ganhar este ano é o futuro. Para tal, e ao contrário de outros, não precisamos de apostar tudo ou nada nos 5 meses que faltam desta época. Mas saber escolher quem tem de ajudar a construir o futuro é um jogo que não pode ser perdido. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Leão assusta


Na antevisão da partida do passado fim-de-semana, Carlos Carvalhal disse em declarações à comunicação social (aqui) que as pessoas estavam assustadas com a dinâmica do Sporting na abordagem ao mercado de Inverno.

Hoje, todos podemos ter dúvidas quanto à necessidade e/ou utilidade das contratações efectuadas ou que estejam para ser feitas, mas acho que Carvalhal até tem razão. Basta abrir qualquer jornal e constamos que três em cada quatro crónicas de supostos especialistas nas lides do futebol são sobre o Sporting. Seja de onde vem o dinheiro, seja o porquê dar a Carvalhal o que não se deu a Bento, seja sobre a insatisfação de Polga ou ainda justificar a derrota do Braga com a saída de João Pereira... para o Sporting.

Se calhar, é tudo coincidência. Mas quando existe um tetra-campeão e a Dream Team versão 2009/2010, ver tantas referências ao modesto 5º classificado da Liga faz concordar com o nosso treinador e verificar que alguém parece andar realmente assustado...

EM FRENTE SPORTING!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Reforços e tácticas


Enquanto continuam os rumores sobre novas incorporações no plantel leonino, vai-se paulatinamente arrumando a casa, aliviando-se o peso excedentário. No caso de Caicedo o exemplo é quase literal, ficando nós a ganhar com a troca com Pongolle. Não apenas na qualidade individual, mas também nos trocadilhos. O equatoriano cedo caiu em desgraça, espera-se que com Pongolle os Sportinguistas não precisem de abandonar as bancadas de Alvalade, em direcção ao Alvaláxia, para verem Sinama de qualidade, como preconizava o anterior técnico. Ou, como diz o FDO, o Sinama Põegollos…

É porém essa a dúvida que subsiste na minha cabeça. Poderão os reforços até agora conhecidos trazer uma mudança substancial nas exibições e melhores resultados? Tenho dúvidas, muitas dúvidas. Mesmo considerando que João Pereira possa fazer melhor que Abel, e que Pongolle exiba o ritmo e acerto de Huelva, dificilmente veremos alterações de fundo se continuarmos a estar tão ausentes ou a ser tão inofensivos no último terço do terreno. É que, olhando novamente para o jogo, é difícil imaginar que quem jogasse no lugar de Saleiro e Postiga produzisse muito mais do que os dois produziram. É que é atrás deles que os problemas subsistem.

É aqui que voltamos às tácticas e aos reforços. Encostar Veloso à esquerda, quando o golo marcado veio lembrar feito idêntico no início de época frente à Fiorentina, em que o médio voltou às boas exibições ao centro, encolhe o nosso futebol e as qualidades do jogador. Interromper a afirmação de Adrien seria quase criminoso. E porque não os 2 juntos? Parece-me quase óbvio que ganhariam ambos e com isso ganharíamos todos. Ambos têm mais a dar que um simples 6, ancorado em frente aos centrais. E ficaríamos assim, do meio-campo para a frente: Veloso, Adrien e Moutinho. Djaló, e Pereirinha (Izmailov) e Pongolle (Saleiro). Seja qual for a opção de Carvalhal, parece-me desprovido de sentido a opção por Pedro Mendes. Caro, “velho”, apesar de bom. Não é desta experiência, em fim de linha, que estava à espera.

As minhas dúvidas permanecem no contributo de Djaló e o que fazer com Liedson. Uma vez que estamos no mercado porque não alguém que seja capaz de fazer a ala esquerda? Djaló permaneceria como uma opção, uma vez que uma equipa não é apenas os seus 11 jogadores. E sim, sou dos que acha que Pereirinha merece uma aposta que dê confiança ao seu futebol. Nem todos os jogadores são iguais, e Pereirinha é dos que parece merecer atenção especial para ser especial. Infelizmente quase nunca os jogadores da casa merecem essa paciência, daí a minha condescendência, ou nova oportunidade, se quiserem, com Djaló. É verdade que Pereirinha não pôde amadurecer tranquilamente no quintal de uma equipa B como o santacrucero que agora brilha de azul-grená, mas quando vejo o Pedro Rodrigues no Barcelona, pergunto-me se ele teria alguma real oportunidade de vingar no Sporting, se viesse de Alcochete.

Hoje todos falam no sucesso do Barcelona de Guardiola, talvez fosse bom olhar com atenção às suas últimas afirmações, via AdT, quando confrontado com a possibilidade de contratar Veloso, para colmatar o desfalque da CAN no seu plantel: "É isso, é apenas um mês. Em Janeiro terei às minhas ordens o Jonathan dos Santos e o Thiago Alcântara, jovens da nossa formação secundária. Para um mês, prefiro dar-lhes uma oportunidade, conhecê-los melhor e sei que vão estar muito bem". É que apostar na formação não é “apenas” ter uma Academia, ter formado 2 “melhores do Mundo”, grandes jogadores. É também confiar no trabalho que se faz e nos seus “produtos”.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Fim do emPOLGAmento?


O titulo pouco ou nada tem a ver com o momento que o futebol leonino atravessa, mas está relacionado com um dos nomes incontornaveis dos últimos anos: Anderson Polga. Internacional brasileiro, o único gaúcho convocado para a selecção brasileira que se haveria de sagrar pentacampeã mundial, sempre dividiu opiniões entre os adeptos Sportinguistas. Se o seu conhecido low-profile não ajudou a estabelecer grande empatia, é-lhe reconhecida valia técnica, quase em igual plano como o seu “pé-frio” ou blackout´s momentâneos, mas normalmente comprometedores.


Sabe-se que o Sporting está no mercado à procura de um central e que Polga está remetido ao banco. Tendo marcado um tempo no Sporting e ficando associado às conquistas das Taças que nos permitiram voltar a vencer, terá chegado ao fim uma era em que Polga jogava sempre, porque sim e porque não? E terá também chegado ao fim o seu tempo no Sporting?

Coincidentemente é Caneira quem o acompanha também no súbito eclipse. Os dois terão formado, se não estou em erro, na época 2006/07, a melhor dupla de centrais dos últimos tempos, que nos permitiu a segurança defensiva para quase termos ganho a Liga desse ano. A sua, vamos dizer, insólita disponibilidade para a vida politica, apesar de legítima, parece querer indicar que já terá pelo menos um pé fora do futebol. Tratando-se de 2 dos mais caros e mais experientes jogadores do plantel, esperava-se que, seguramente, desempenhassem papeis mais relevantes e mais de acordo com o seu estatuto. A merecer atenção da SAD, tendo em conta que os recursos disponíveis têm que ser bem geridos.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Ano Novo, Vida Nova?



Era grande a expectativa para o primeiro jogo do ano em Alvalade, que se espera ser, um ano de viragem, de mudança de paradigma e sobretudo de renascimento dos valores leoninos, que possam devolver ao Sporting Clube de Portugal a dignidade que o 2009 de triste memória lhe roubou.

As expectativas são grandes e legítimas. Ano Novo Vida Nova, precisamente o sinal que a massa associativa esperava ver neste jogo, como se de um tónico se tratasse para o resto da época que ai vem.

Do outro lado estava uma equipa de créditos firmados, candidata ao título, porque não dizê-lo, se tivermos em conta que soma mais 12 pontos na Liga do que o nosso Clube e acabou a primeira volta em primeiro lugar. Porém, não podemos ignorar que este Braga se apresentou em Alvalade um pouco desfalcado. Sem João Pereira, agora leão, sem Rodríguez, de quem se diz que poderá ser leão, sem Hugo Viana que é um leão e como tal deveria estar na savana que bem conhece, enfim, um Braga sem leões, mas nem por isso menos aguerrido.

Ainda sem reforços, o Sporting apresentou-se em linha de conta com o que Carvalhal nos tem habituado. Polga e Vuck no banco, Saleiro e Adrien continuam a ser apostas, de resto tudo igual. As lacunas que o plantel apresenta continuam evidentes. Falta alguém que pegue no jogo, que o assuma, que lhe de ritmo e magia. Descubram um craque, aquele que há muito não se vê em Alvalade.

Assistimos a uma primeira parte morna. O Braga mais tranquilo do que o Sporting. Troca melhor a bola, tem outras rotinas e fio de jogo. Precisamente aquilo que o Sporting ainda procura, fio de jogo.

O jogo parecia enfatizado, quando ao minuto 36, num contra-ataque protagonizado por Grimi, Carlos Saleiro fez um belo golo, após passe magistral do Argentino. Só ai dei conta que o Guarda-Redes do Braga não era o Eduardo. Gritou-se golo, golo do Sporting.

Para a segunda parte, Domingos, sem paciência, tira dois médios, mete dois avançados, conseguindo uma entrada de leão que deu em golo, volvidos cerca de 5 minutos. A resposta leonina aconteceu aos 55, com Izmailov a rematar forte, com o gaurda-redes Bracarense a defender para canto.

O Sporting respondeu bem ao golo adversário. Aos 60 não marcou por muito pouco. Izma assiste Postiga, mas o passe foi milagrosamente interceptado pelo adversário. Foi o culminar de uma bela jogada do Sporting.

Pouco tempo depois, Miguel Veloso, encheu o pé e rematou fortíssimo ao ângulo da baliza, fazendo um grande golo. Não foi apenas para Italiano ver.

Vivia-se o melhor período do jogo. Desde o golo do Braga, que o Sporting proporcionava jogadas de perigo. A resposta foi belíssima e o Golo de Veloso ainda mais. Volvidos 3 minutos, Moutinho fez um belo cabeceamento após cruzamento de Abel. Foi o melhor período do Sporting.

Vitória justa do Sporting, quem em 2009 não conseguiu vencer nenhum jogo ao Braga e iniciou 2010 a vencer os Minhotos.

Ano Novo, Vida Nova?

Taça da Liga: SCP - Sp. Braga




Sporting: Rui Patrício; Abel, Tonel, Carriço e Grimi; Adrien; Izmailov, João Moutinho e Miguel Veloso; Saleiro e Postiga

Suplentes: Tiago, Pedro Silva, Polga, Pereirinha, Vukcevic, Matías Fernandez e Yannick Djaló

Sp. Braga: Kieszek; Filipe Oliveira, Moisés, Leone e Evaldo; Madrid, Vandinho e Mossoró; Alan, Meyong e Diogo Valente

Suplentes: Eduardo, Paulão, Osvaldo, Paulo César, Peña, Adriano e Matheus

sábado, 2 de janeiro de 2010

À procura de Novos Anos


Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.


Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar
no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra diante vai ser diferente

Carlos Drummond de Andrade

Nenhum de nós acha que o simples mudar de número mudará alguma coisa de substancial na vida de uma pessoa ou colectividade. Mas, quando o ano anterior deixa poucas razões para ser lembrado, tendo grande parte dos acontecimentos castigado o espírito e as convicções, um novo ano e um novo número renovam o ânimo. Esse é o espírito, muito bem retratado no poema de Drummond de Andrade, aqui partilho convosco.

Mas estará longe de ser fácil a tarefa de dar ao ano 2010 um verde menos desmaiado do que o vimos no ano agora findo. O Sporting está no mercado, e assim vai continuar, visando acrescentar valor e competitividade interna ao plantel. Depois de hipóteses mirabolantes (Pavlyuchenko), pouco entusiasmantes (Del Horno, jogador caro, passado de lesões e pouca actividade,), é Rodriguez o nome mais falado no momento. Com as contrapartidas que têm vindo a público não me parece razoável como opção. 4 ou 6 milhões é dinheiro a mais, mesmo sem juntar a cedência de direitos sobre jogadores do nosso actual plantel. Sendo um bom jogador, não justifica um dispêndio tão elevado de recursos. Seja agora ou no final do ano. Voltando a Del Horno, parecia-me ruinoso financeira e desportivamente, dar ritmo a um jogador do Valência cujo rendimento desportivo teria que ser não menos que soberbo para nos devolver os elevados encargos que ele representaria. Não sendo nada consensual, é minha opinião que, para o mesmo efeito, já cá temos Grimi e Marques.

Ainda estou à espera de ver o Sporting fazer um bom negócio, “descobrindo” um bom jogador e não apenas limitar-se a pagar as descobertas dos outros. O mercado de Inverno, em ano de Mundial, é uma boa oportunidade, mas é também limitado. Os campeonatos Sul-americanos estão em defeso, grande parte dos bons jogadores africanos estarão indisponíveis por via da CAN. E sobra ainda o facto de a nossa posição na tabela precisar do milagre da multiplicação dos pontos para nos guindarmos a uma posição de acordo com o nosso estatuto. Se, para que tal aconteça, seja pacifico que é necessário retocar o plantel, é igualmente avisado que, nesse esforço, não se gaste “o que for preciso” mas tão-somente o que é necessário.

Saúdo o que Carvalhal hoje assinala como mudança de paradigma: "A Academia é a trave mestra, temos aqui um filão, mas a estrutura da equipa não pode ser suportada pelos meninos da Academia. Têm qualidade mas precisam de jogadores experientes que os possam ajudar. Se a equipa for mais forte e estiver suportada numa forte estrutura, estes jogadores valerão mais. E para o Sporting ter uma estrutura forte tem de ter dinâmica no mercado" Trata-se de ver o óbvio e mudar o necessário. Para que haja uma nova vida no Sporting.

Termino como comecei, deixando a tradicional receita de Ano Novo para todos os leitores, seguidores e comentadores no “ANortedeAlvalade” e para os Sportinguistas em geral. Para termos um Ano realmente Novo temos que o merecer. O Sporting tem de, dentro de si, descobrir as forças para saber alcançar os Anos Novos. que todos desejamos.

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;


novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)


Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
 
Carlos Drummond de Andrade

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