terça-feira, 11 de maio de 2010

Para que servem os Corpos Sociais?

Tinha já redigido esta reflexão quando hoje tomo conhecimento da notícia de demissões no Conselho Leonino, mais concretamente de elementos da lista de Pereira Cristóvão, designados como elementos de oposição. Não podia ser mais a propósito.

Os conselheiros supra-citados confessam a inutilidade do órgão como confirma a sua falta de actividade há mais de 6 meses. Desconheço se o mesmo não sucede também com o Conselho Directivo do clube, mas não ficaria muito surpreendido se assim fosse. Mas o que me surpreende é o silêncio estabelecido em torno do clube, como se houvesse um pacto, ou como se nada houvesse a dizer por parte daqueles que foram eleitos. São muito mais evidentes as suas omissões e silêncios do que as repercussões dos seus actos. Será provavelmente resultante de alguma limitação minha, talvez imposta pela distância a que vivo de Alvalade, mas de há muito tempo a esta parte que não consigo perceber o que fazem os elementos que compõem os actuais corpos sociais do nosso clube. Mais ainda quando o momento do clube merece reflexão profunda.

A pergunta que não deixo de fazer vezes sem conta é que tipo de relação têm então os dirigentes do Sporting com o clube que dizem amar. Sendo muitos dos actuais e anteriores membros dos corpos sociais referências nas suas actividades profissionais – gestores, empresários, juristas, médicos, economistas, etc., etc. – conseguiram-no certamente com o rigor e o empenho com que se dedicaram na sua afirmação profissional, pessoal e social. Mas, olhando para os resultados das suas presenças nos órgãos sociais, não se encontra qualquer paralelo entre as suas conquistas pessoais e as marcas que deixam na sua passagem pelo clube.

Algo de profundamente errado tem que estar por detrás isto. Ou é o modelo de governo do clube, ou são as pessoas ou a forma como estas são seleccionadas e claro, as próprias opções dos adeptos quando chamados a escolher. JEB tem estado sob fogo cerrado, muitas das vezes por culpas próprias. Mas quer-me parecer que há muita gente escondida atrás dele, ou a simplesmente a fazer figura de corpo presente.

Não é de estranhar o ruído dos adeptos. Imaginem um autocarro da Carris. Se, ao descer a calçada de Carriche, ele aparenta falta de controlo, é natural os passageiros comecem a murmurar. Alguém os pode censurar? É que é quem dirige quem toma as decisões. Ou devia ser.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

As mentiras atrás de um número


O campeão está encontrado e ano após ano, o clube vencedor será assombrado com os casos, esquemas, dúvidas e desconfianças por parte dos adeptos. Pode mudar a forma, o método ou mesmo a regularidade e/ou escândalo com que as coisas se verificam, mas no final de tudo o título está atribuído e contará como mais um nos pergaminhos da história.

Por mais que se queira, a história não pode ser reescrita ou inventada. Pode-se alterar a forma como se narra a mesma, mas não se alteram os factos que a consistem.

Hoje a ver a capa dos jornais desportivos, deparo-me com a atribuição de X títulos a um clube e Y títulos a outro. As diferenças são naturais já que quando ganha um, N outros acabam por sair derrotados. A gravidade verifica-se quando para umas ocasiões conta mas para outras não...

Face ao verificado, tomei a iniciativa de contactar o chefe de redacção de um dos jornais desportivos a dar conta desta mentira tornada realidade e alimentada, tal como as datas de fundação e por aí fora...

Pequenas diferenças de tratamento que influenciam o dia-a-dia de uma sociedade e apenas existem para alimentar egos e basófias.


"Boa tarde (editor),

Obviamente que isto poderá parecer um pouco de ressabiamento leonino e frustração dados os resultados verificados ao longo da presente temporada. Contudo, tratando-se de factos, escrevo este mail para colocar a "limpo" algo que deverá ser uma evidência para todos nós.

Neste caso, refiro-me ao propalado 32º título alcançado pelo Sport Lisboa e Benfica. Não está em causa vitória agora alcançada mas sim a dimensão que lhe é dada, sobretudo tendo em conta a capa que o jornal (jornal) hoje faz.

(link)

Neste link, podemos ver o historial que o vosso jornal (nosso, já que o compro todos os dias) atribui ao Benfica na competição, daí termos os 32 títulos agora anunciados. No entanto, ao Sporting, atribuem 18 títulos - número que não choca já que esses são efectivamente os títulos nacionais do nosso clube.

Contudo, o (editor) saberá tão bem como eu que nos 32 títulos, estão contemplados 3 do então "Campeonato de Portugal", onde até o Marítimo conta com uma vitória na década de 20. Assim, a verdade terá duas interpretações:

- 32 títulos da principal prova nacional da época, fazendo com que por exemplo o Sporting tenha 22 e não os 18 que estão hoje na capa.

- 29 títulos que correspondem às vitórias na prova que correspondeu ao verdadeiro campeonato entre os clubes do país e não uma competição entre os campeões regionais.

Independentemente da interpretação dos dados, é factual que existe a distinção feita aos demais clubes. Algo que tem sido alimentado de forma contínua, constante e desmesurada.

Uma mentira contada muitas vezes não se torna verdade, a menos que seja essa a intenção dos emissores e dos receptores. Escrevo este mail pois acho que o (jornal) deveria neste caso dar o exemplo, mas a capa de hoje, demonstra que não o dá...

Saudações desportivas e melhores cumprimentos,

Hugo Malcato"

O 4º grande

Está encontrado o novo campeão nacional. Há que reconhecer os méritos dos vencedores por detrás dessa conquista: a convicção com que se apresentaram na competição, a coesão interna, a organização do departamento de futebol, a capacidade física e a qualidade do seu jogo. Jesus fez a diferença, sendo decisivo das 2 vezes que foi ao mercado, na capacidade de fazer render jogadores cujo valor que se lhes reconhecia, mas tardavam em mostrar, de aperfeiçoar uns e fazer crescer outros. Precisamente tudo o que o nosso clube não conseguiu e, aí sim, mais do que a vitória do SLBenfica, é isso que me deixa insatisfeito. Mas há pelo menos um Sportinguista contente, que é precisamente o pai do treinador benfiquista.

Não se pode falar no campeonato que agora termina sem falar no SCBraga. Não fora a extraordinária consistência do actual campeão nacional e em Braga, há algumas jornadas, já se celebraria, como só os minhotos sabem, um trunfo inédito. Nasceu o quarto grande? É cedo ainda para o confirmar e são várias as razões. Não há em Braga a militância de Guimarães, como se pôde observar ao longo do ano, e por comparação com a época do 3º lugar de Cajuda. E sem massa crítica é difícil construir impérios. Uma andorinha é pouco para anunciar primaveras. E, em definitivo, para se ser grande é preciso selar o estatuto com campeonatos. O Braga foi grande, portou-se como tal, mas falta-lhe ainda esse passo que o credibilize. Há porém no nosso homónimo bracarense várias lições a retirar. Gastaram menos para serem melhores, ficando curto o cobertor do orçamento que tem servido para tapar as nossas misérias. E o êxito de Domingos está alicerçado no bom trabalho de Carlos Freitas, comprovando que sabe dançar consoante a música que sai do departamento financeiro. Servindo muitas vezes de bode expiatório, deixou agora pelo menos a interrogação. O que foi diferente afinal em Braga? Não terão sido os dirigentes a quem teve que prestar contas?

Quem é afinal o 4º grande? De há muitos anos a esta parte o F. C. Meandros, que em muitas ocasiões reparte o titulo com o campeão. Dele são as manobras de bastidores, os favores de arbitragem, as sentenças iníquas da “justiça” desportiva. Auto-financia-se com o próprio dinheiro do futebol, cobrando favores, promoções e até viagens. Vive do medo de uns, da incúria de outros e do silêncio conveniente dos que acham que dele se podem vir a servir. Tendo em conta a pequena diferença final, nunca se saberá se o SLBenfica não precisava de partilhar com este clube medonho a sua vitória. Por isso quando se olha para as faixas de campeões, não se pode deixar de reparar em 2 nódoas constrangedoras: o critério disciplinar dos árbitros, que ditaram um número anormal de jogos em superioridade numérica, e as decisões cirúrgicas do Conselho de Disciplina. O que dizer da alegria dos adeptos? É inteiramente justificada, até porque grande parte quer apenas ganhar. Esta é bem capaz de ser a semana ideal para voltar a acrescentar o tal ponto percentual ao IVA…

Dirão que falo por despeito, e que não tenho credibilidade para o fazer, atendendo à classificação do Sporting. Quando ficamos a um ponto também me disseram que era mau perder. Eu digo que dá muito jeito ao F.C. Meandros e seus seguidores que as luzes se virem sempre para outros lados.

domingo, 9 de maio de 2010

A ilustre casa de... Queirós

Carlos Queiroz apresenta amanhã a sua lista de 23 eleitos ao Mundial. Dos 50 pré-convocados estas seriam as minhas escolhas. Nos guarda-rede um mix de experiência, a actualidade e o futuro. Nos laterais a experiência e irreverência. Nos centrais os valores seguros, sem Pepe, por razões óbvias. Na linha média fiabilidade e consistência. O talento imprevisível nos extremos. Eficácia à frente. Mais do que um prognóstico é um amontoado de desejos.
Guarda-redes
1.    Hilário
2.    Rui Patrício
3.    Eduardo

Laterais
4.    Paulo Ferreira
5.    João Pereira
6.    Fábio Coentrão
7.    Veloso

Centrais
8.    Carvalho
9.    Bruno Alves
10.    Carriço
11.    Rolando

Médios
12.    Ruben Amorim
13.    Deco
14.    Raul Meireles
15.    Moutinho
16.    Pedro Mendes

Extremos
17.    Sabrosa
18.    Quaresma
19.    Nani
20.    Danny

Avançados
21.    Ronaldo
22.    Liedson
23.    Nuno Gomes

sábado, 8 de maio de 2010

Fim!!!





Finalmente chegou ao fim a época 2009/2010. Como diz o povo, esse mesmo do tempo de Marco Aurélio, “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe”.

O que fazer com ela? Gravar, ou apagar? Para esquecer ou para lembrar?

Pelo Sporting Clube de Portugal, instituição que está acima de todos nós, pelos milhares de atletas que nas várias modalidades serviram este clube com honra, com dignidade, com esforço, devoção, dedicação e glória, pelos milhares de sócios e adeptos espalhados pelos quatro cantos do mundo, pelos valores, pela crença, pelos ideais leoninos, pela história, pelo futuro, será bom que se retire a devida lição, para que na próxima época não se continue a matar o Sporting Clube de Portugal.

Sejam bem-vindos!

Os históricos Portimonense e Beira-Mar regressaram hoje  à 1ª divisão. Sejam bem-vindos! De assinalar no clube Algarvio a presença de dois Sportinguistas colocados em 2 extremos. Litos, um produto cuja excelência como jogador nunca veio a ser confirmada. Talvez um bom exemplo de que não bastam as condições inatas e a boa escola para vencer sem se ter espírito de sacrifício e vontade de triunfar. Mas como treinador regista hoje o seu primeiro grande sucesso. No outro ponto Wilson Eduardo, jovem de 19 anos, começando a dar os primeiros passos na sempre difícil e imprevisível profissão de futebolista. Vi o jogo do Portimonense, e perante os concorrentes do nosso jogador, pensava eu com os meus botões: “Se o Wilson Eduardo é tão promissor como me dizem porque não joga ele no lugar de qualquer um destes( nabos)?”. “Será que estamos perante mais um caso cuja fama não encontra o proveito?”. Mas, mal entrou, o puto deixou-me tranquilo. Pegou na bola, foi por ali a fora e tornou-se o herói das gentes de Portimão. Pois, eu já tinha visto “isto” no seu jogo de estreia:



Gravar ou apagar?

Julgo que a interrogação é geral: o que fazer com época que agora termina? Apagá-la definitivamente da nossa memória ou guardá-la para memória futura? É que se é importante que os erros cometidos não se repitam não deixa de ser verdade que alguns deles foram tão absurdos e improváveis que não é preciso nenhum manual para perceber que nunca deveriam ser cometidos. Nesse sentido, parece-me que até nesse aspecto esta época foi uma perda de tempo, pouco ou nada se podendo retirar de positivo. Daí o meu veredicto: apague-se todo e qualquer registo, como se de um grafitti feio num belo monumento se tratasse.
 

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sinais de doença infecciosa

No dia em que se fazia o velório de uma época terrível, marcada por resultados desastrosos e por não menos deploráveis incidentes, festejaram-se em Alvalade os golos no Dragão. Tão feio como estar na cabeceira da cama de um ente querido doente a dar vivas à sorte do seu antagonista de sempre. Este ridículo não mata mas fere o meu orgulho leonino.

No dia em que se homenageava um jogador que os adeptos elegeram como exemplo de entrega, dedicação e amor ao clube, Alvalade declarou a preferência por um “Domingos campeão”, entre insultos a Rui Patricio, homem da casa, que nem jogou. O mesmo Domingos que Iordanov viu, com terrível eficácia, (acolitado pelo Valente e outros imortais…) destruir as nossas aspirações de matar o jejum antes de este completar a maioridade. Foi essa eficácia que Sousa Cintra cobiçou e tentou devolver ao ponta-de-lança diminuído por um exílio dourado nas Canárias. O melhor que conseguiu foi vê-lo fazer meia viagem em direcção a Lisboa e outro tanto para o colo de Pinto da Costa.

Há nestes dois episódios muito pouco de Sporting. Pelo menos do Sporting que se diz diferente e dos adeptos que se têm como os melhores do mundo. Indigno-me ainda mais quando apontam o exemplo dos adeptos da Lazio, que este fim-de-semana vitoriaram o Inter. Isto porque a derrota do seu próprio clube se oponha às pretensões da Roma alcançar o título! Talvez resida nesta dissoluta permissividade a explicação para o pobre palmarés “lazialle” em 110 anos de história. No mesmo pecúlio onde conta apenas 2 magros títulos italianos, abunda uma condenação por corrupção nos anos 80.

Há aqui sintomas de doença. De nada vale contestar os dirigentes quando somos nós os adeptos a baixar o nível. Ou querem-me fazer crer que podemos matar adeptos adversários com verilights, apenas porque uns desgraçados já o fizeram antes? E que autoridade temos de contestar Bettencourt por se sentar ao lado de Pinto da Costa, se somos nós que saltamos com os golos do FCPorto?

Para quem não percebe o que está em jogo pergunto: Alguém imagina o Manuel Fernandes aos saltos, cantando: “eu só quero o Domingos campeão”? Lembrem-se das circunstâncias da morte dos dois adeptos cuja memória hoje celebramos. Alguém os imagina aos pulos com os golos do FCPorto, mesmo sabendo que, tal como eu, não gostariam de ver o SLBenfica campeão?

Este está longe de ser o melhor momento da história do nosso clube. Mas sucumbir ao desgosto, abdicar dos nossos valores e do que representa o nome Sporting Clube de Portugal é prescindir do espírito campeão que não se deixou vergar durante 18 anos de provações. Não sou pelo “politicamente correcto” ou pela “moral e bons costumes”. Sou pela irreverência e o inconformismo que já foram imagem de marca em Alvalade. Eu tenho memória! Se somos os melhores não nos servem os exemplos alheios, nós é que ditamos o padrão. Copiam-nos a nós e não o contrário. Na semana em que os nossos adversários nos deram mostras da sua verdadeira natureza, devíamos ter sabido mostrar a distância que nos separa.

Por falar em carácter, espírito indomável e vencedor, lembro-me de Nelson Mandela, cujo exemplo serviu de inspiração  a Clint Eastwood para realizar o filme Invictus. Apesar de preso 27 anos numa cela cujas paredes conseguia tocar de braços abertos, Mandela não cedeu ao ódio. O poema Invictus, de Ernest Henley, serviu-lhe de inspiração, a mesma que havia de partilhar com a equipa de râguebi, que se haveria de sagrar campeã mundial. Esse foi talvez o primeiro e quiçá ultimo grande momento de união de uma nação. Sei que a poesia não está na moda, tal como parece acontecer com o melhor do espírito leonino, mas mesmo assim arrisco a partilhar com os leitores do “ANorte”.

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por minha alma indomável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - erecta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

Zé e Paulo, sempre



Hoje, dia 7 de Maio, assinala-se mais um ano da tragédia do varandim de Alvalade. Faz hoje 15 anos que o varandim caiu, levando consigo muitos de nós. E faz hoje 15 anos que ali ficaram o Zé e o Paulo, Juve Leos como muitos de nós fomos e somos, e que levavam o Sporting no coração, como nós fazemos todos os dias. A grande homenagem que se lhes pode fazer é esta: não os esquecer, concretizar aquele "sempre" da faixa que durante muito tempo acompanhou o Sporting onde quer que jogasse; honrar os que durante muitos dias a fio ficaram em Alvalade sem saber bem para onde ir, depois daquele trauma que apanhou todos de surpresa. Os grandes clubes são os que têm memória, e por isso - e por muito mais - o nosso Sporting é muito grande. Zé e Paulo, Sempre. Sporting Sempre!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Palhaço




"Espero ver o Benfica campeão para o bem de Portugal. Porque dizem que em cada 10 pessoas, somos 6 do Benfica e acho que somos 7. Portugal não atravessa um grande momento e um título do Benfica deixava o país durante algumas semanas muito bem disposto."

Ler aqui

E ainda havia quem quisesse Paulo Futre a Director Desportivo ou a Presidente...

Base sólida, até contra os sofismas

É justo o destaque: Bettencourt “também” diz coisas acertadas, falta saber é com que convicção que o diz. Os próximos actos estarão aí para o confirmar ou não. Estou-me a referir concretamente quando o nosso presidente, à chegada do périplo pelo Canadá, afirmou que o “Sporting não precisa de uma revolução, tem no seu plantel uma boa base de trabalho.” Sou da mesma opinião, mas essa interessará menos do que a do seleccionador nacional, Carlos Queiroz, que pré-convocou nada mais nada menos do que 9 atletas do nosso clube

Daniel Carriço, João Moutinho, João Pereira, Liedson, Miguel Veloso, Pedro Mendes, Rui Patrício, Tonel e Yannick, são os homens que representam a nossa boa esperança de uma honrosa presença maioritária em África neste verão. Dos nove, 5 são sub-25 (Daniel Carriço, João Moutinho,  Miguel Veloso, Rui Patrício e Yannick), João Pereira completou recentemente (Fevereiro) 26 anos. Só Tonel, Pedro Mendes e Liedson são já trintões. Se juntarmos a estes Polga, Mexer, Caneira, Izmailov, Vukcevic, Matias Fernandes, Sinama Pongolle e Hélder Postiga, todos internacionais A pelos seus países, mais Ricardo Baptista, Adrien Silva, Pereirinha e Saleiro, internacionais Esperanças, é indesmentível que existe um suporte sólido para outro tipo de prestação competitiva por parte da equipa principal de futebol do clube. O que não invalida que não sejam necessários ajustes no plantel, de forma a eliminar os seus pontos fracos, que como é bom de ver, na sua maioria, são os nomes fora da lista acima e que fazem parte do actual grupo.

O que me parece igualmente indesmentível, e contra os sofismas que nos querem impingir de há anos a esta parte, o problema não está na qualidade genérica do plantel mas sim no rendimento que dele (não) se tem conseguido retirar. Continuamos a olhar apenas para os resultados e metas por atingir, sem querer avaliar a qualidade dos actos - treino, estruturas de suporte ao grupo de trabalho, organização interna, cultura instalada - que a eles nos levam. Se ficarmos apenas pelos resultados, sem querer perceber as suas causas e origens, vamos continuar a rasgar tudo para recomeçar vezes sem conta. E por isso cada vez mais fracos e, convém não esquecer, mais pobres.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Coisas que não queria ouvir mas são verdade

"Pedro Pinto Souto, candidato à presidência do Sporting que desistiu da corrida eleitoral quando José Eduardo Bettencourt decidiu avançar, criticou esta quarta-feira com contundência o líder leonino.Em declarações proferidas no Jamor, onde decorre o Estoril Open, o empresário classificou de "lodo" a temporada da equipa de futebol e atacou o estilo de Bettencourt."A época que o Sporting fez foi um lodo e se José Eduardo Bettencourt queria uma liderança à Pinto da Costa, o que teve foi uma liderança à 'puto' da Costa", analisou Pinto Souto." in Record

"Izmailov falta ao treino sem justificação.O russo protagonizou o episódio mais marcante da sessão de preparação para o derradeiro encontro da temporada, diante do Leixões, no próximo sábado." in Record 

Sporting PPR
Se vierem a ser verdade as noticias mais recentes, o Sporting do próximo ano será uma espécie de paraíso de futebolistas reformados ou em pré-reforma. Allan e Nilson, por exemplo. Não seria melhor aproveitar o jogo de hoje e fazer regressar Acosta, Naybet, Marco Aurélio e André Cruz. E se é para ter um jogador a quem já devem ter trocado as rótulas e respectivos tendões, o Venâncio também pode fazer uma perninha. in minha cabeça

Hoje é dia de festa!

Hoje é dia de festa e a alma leonina cantará finalmente a homenagem devida a Ivailo Iordanov. Uma celebração apropriada ao restauro do espírito leonino, após época de profunda erosão, que permitirá o convívio com outros nomes que conquistaram um lugar na história recente do nosso clube. E como é bom ouvir André Cruz ou Marco Aurélio a falarem como um de nós. Faça-se então a festa.

Mas se tudo está bem quando acaba bem é bom que todo o processo que conduziu a este desfecho tenha servido de lição. Não aos adeptos, mas a quem foi eleito para nos representar. E se há caso que em o contrato que obriga os eleitos a interpretar e executar os desejos dos Sportinguistas foi negligenciado ou até rasgado foi o da homenagem a Iordanov. É bem provável que, face ao sucedido, a história registe o acto de hoje como uma homenagem feita compulsivamente, ao abrigo de um acordo sem alternativa, face a decisões já ratificadas por sucessivas instâncias da Magistratura Judicial. Se tal suceder, poucas vezes terá ficado tão distorcida a realidade e a vontade dos Sportinguistas. Ainda bem que Bettencourt percebeu a tempo o erro dos seus antecessores.

É pois mais que justa a homenagem ao Mochilas. Mas é minha convicção que muitas outras deviam e podem ainda ser feitas. É que se o búlgaro representa a entrega e a dedicação, há outros que ainda acrescentam classe e Sportinguismo do berço até ao fim dos seus dias. E se as homenagens não devem ser banalizadas também não podem ser esquecidas. Assim como nem todas têm que culminar num jogo de homenagem.

Mas parece-me não haver dúvidas que o Clube, sobretudo quem o dirige, precisa de saber conviver mais e melhor com aqueles que fizeram deste o clube que hoje somos e de que nos devemos de orgulhar, mesmo que os tempos não sejam os que gostaríamos que fossem. A propósito, quando é que se dá cumprimento à decisão do Congresso, ( pelo menos essa…) tornando Moniz Pereira final e muito justamente Presidente Honorário?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Questões de principio

Dizer que o Sporting vive um momento conturbado tornou-se tão natural como dizer que o sol nasce todos os dias e negá-lo seria voltar as costas à realidade. Por diferentes que sejam os diagnósticos e quem os faz, parece-me indesmentível que temos um grave problema de liderança associado a um afastamento dos princípios que estiveram na origem do Sporting como clube grande e que nos orgulhávamos de dizer diferente. É a renúncia a esses princípios que nos faz perder a identidade, trocando o “clube diferente” por um “clube de diferentes”. Dizem que começando a ganhar a diferença dará lugar à identidade e união. A mim parece-me que sem elas as vitórias serão difíceis ou impossíveis.  Unir para reinar  deveria ser a primeira tarefa de um líder, por ser a base do êxito.

Falando de clube diferente lembra-me de imediato o Barcelona. Tenho um gosto especial pela cidade e pelo clube por razões pessoais. Compara-o muitas vezes ao nosso clube, pelo seu ecletismo e pela formação. E até pela turbulência no seu associativismo. Lembro-me que Joan Laporta, o nome por detrás do êxito recente e sem precedentes do clube catalão, esteve a poucos votos de ser exonerado do cargo em plena A.G. A verdade é que esse jovem advogado desconhecido sabe o que faz. Chamou para o clube as suas referências de outrora, culminado com a distinção recente de Cruyff com o cargo de presidente honorário.

Para quem não percebe porque o Barcelona deixou de ser "apenas" um clube grande e passou a ser um clube grande que ganha muito, é referido pela qualidade do seu futebol e pela preponderância da sua formação no êxito, ofereço a tradução (livre e de minha autoria) de um excerto do último texto de Johan Cruyff, da sua crónica habitual no El Peródico. Como era bom que no Sporting houvesse esta clarividência, esta exigência afinal tão natural como óbvia. E tão necessária, agora que o clube está no mercado, mudando de treinadores e jogadores. Espero ter aqui motivos para uma discussão interessante. E, falando em mínimos de exigência, associo-me à iniciativa da Bancada Nova "Vamos ver futebol em Alvalade".

"Muito me alegro que um tipo como Mourinho não seja treinador do Barcelona. Tem virtudes exclusivas para manobrar estados de espírito. O seu e os dos outros. Impõe-se ao cenário que o envolve e é um bom técnico, sem margem para dúvidas. Mas o que é bonito a muitos olhos a mim feio me parece.

Há uns anos, quando estava em cima da mesa a saída de Rijkard, optando por um perfil diferente de treinador, o nome de Mourinho foi um dos ponderados, mas mereceu a minha oposição. Passado todo este tempo alegro-me da decisão tomada, apesar de muito difícil. Por duas razões: i) porque Guardiola acabou por triunfar e ii) e porque prevaleceu o conceito de que ganhar não é tudo. Não, se entendes que este é mais do que um clube. Aqui o alcance do leque de definições varia em função das convicções de cada um. Eu também quero ganhar jogos e títulos. Mas se defendo que o futebol é mais do que isso, tenho que dar o exemplo. E só o darei de 2 formas: na vertente futebolística, defendendo um jogo atractivo de forma a ter casa cheia. No âmbito estritamente pessoal, dando a melhor das imagens, transmitindo valores positivos, baseados no esforço, respeito e desportivismo.

Por conhecimentos técnicos muitos poderiam ser treinadores do Barcelona. Pela sua qualidade, muitos também poderiam ser nossos jogadores. Mas, mais do que bom jogador ou treinador, há que ser também um bom exemplo. Se acreditas que somos mais do que um clube – e como me agrada essa distinção – tens que ser fiel a certos valores, porque quem se contrata torna-se na face visível do clube."

P.S.- Não faço comentários sobre a dispensa de Liedson sem conhecer quais são as razões pessoais. Mas que tenho a impressão que no plantel do Sporting todos são importantes, mas uns são mais do que outros, lá isso tenho...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Afinal, ainda há Sporting


Terei sempre a consciência que o futebol será o principal desporto do nosso clube, afinal de contas até já tem uma empresa própria para essa mesma actividade, funcionando como suposto motor aglutinador.

Depois de um ano frustrante no que ao futebol diz respeito, sinto-me a revisitar os longos anos do jejum em que a matriz ecléctica do nosso clube sempre me deixou de peito cheio e orgulhoso. Frustrado por nada vencer no futebol, tive durante largos anos a hipótese de gritar bem alto pelas vitórias de voleibol, hóquei em patins, atletismo, futsal...

Abracei uma paixão pelas modalidades amadoras há muito tempo e são estas que mais me (nos) dão alegrias - embora não seja possível qualifica-las comparativamente ao futebol profissional ou de formação.

Que mais podemos dizer em relação à performance desportiva do Sporting?

- Atletismo: Múltiplos títulos nacionais e colectivos de pista e pista coberta, vitória no Torneio Ibérico deste fim-de-semana e um dos principais favoritos à vitória da Taça dos Campeões Europeus em Pista, a disputar no final de Maio;

- Hóquei em Patins: um título de campeão distrital e dois de vice-campeão e único clube da Zona Sul com três equipas qualificadas para as fases nacionais dos respectivos campeonatos (Iniciados, Juvenis e Juniores);

- Polo Aquático: Campeões nacionais da II Divisão, só com um empate;

- Ténis de Mesa: Vencedores da Fase Regular e apuramento garantido para a final;

- Judo: Depois da vitória de João Pina no Campeonato de Europa, a secção com apenas 3 anos de existência alcançou o terceiro lugar do Campeonato Nacional por equipas;

- Futsal: Apesar do mau início de época, o Sporting terminou em primeiro lugar na fase regular e assume-se assim como um dos principais candidatos na luta pelo título. Adicionalmente, as equipas de Juvenis e Juniores terminaram também os seus campeonatos na primeira posição.

- Andebol: Embora matematicamente possível, o título é neste momento uma miragem. Com a presença na final-four da Taça de Portugal garantida e mais importante ainda, a passagem à final da Taça Challenge onde defrontará a equipa polaca do MMTS Kwidzyn (que quase foi eliminada pelo Xico), a nossa atenção deverá estar centrada na conquista destas duas competições. Somos o clube com maior historial na modalidade e seria fantástico alcançar a nossa 22ª taça europeia através do Andebol. Conforme prometido, tenciono ir à Polónia apoiar a equipa.

Podia falar de muitas outras modalidades mas que infelizmente, dada a grandeza do clube, eu não domino as suas realidades.

Face a isto, convido todos os "futebolizados" e formatados com o discurso de que as modalidades retiram fundos ao futebol a repensarem o seu discurso e ponderarem sobre os factos. Na verdade, em termos financeiros, as modalidades "consomem" apenas 1M ao clube, oriundos da quotização de associados, sendo que o restante orçamento (num total de 3,5M para todas as modalidades) é garantido através de patrocinadores próprios. Importa também frisar - com as devidas diferenças obviamente, já que este gera muitas receitas potenciais - que o custo total das modalidades do SCP é inferior ao valor gasto pelo departamento de futebol de formação (segundo palavras de Pedro Mil-Homens).

Por tudo isto, tenho muito para agradecer aos atletas que vestem e honram a nossa camisola e a todos os dirigentes e seccionistas que lutam com as armas que têm para dignificar o nosso clube.

Afinal de contas, ainda há muito Sporting Clube de Portugal...

EM FRENTE SPORTING!

domingo, 2 de maio de 2010

Como é possível?

Apesar de nada ter a dizer em desfavor do empenhamento com que os nossos profissionais encararam o jogo isso não evitou ter visto um jogo sofrível. O jogo começou condicionado por uma combinação de más opções de Carvalhal com más actuações individuais. Se me custa a entender que Adrien não tenha recuperado a titularidade na ausência de Pedro Mendes, aceito a decisão tomada de recuar Moutinho. Mas Matias ajudou pouco ou nada a demonstrar a razão de Carvalhal. O chileno passa mais tempo “fora de campo” que dentro, sendo assim difícil ligar o resto da equipa com o sector atacante. Para piorar o cenário Yanick e Izmailov “não apareceram” em campo.

O intervalo não foi bom conselheiro e a Naval surgiu ainda mais perigoso, sendo o golo uma consequência natural. Bastou à Naval baixar as linhas e esperar que o relógio fizesse o resto. Severo castigo para Carvalhal, que gostaria por certo de se despedir de outra forma. Mas o que mais me custou foi ouvir Alvalade festejar os golos do FCPorto. Com o pior campeonato de que há memória há alguma razão para festejar, ainda por cima golos de um rival, e muitas vezes mais do que isso? Como é possível?

RD Slovan - Sporting Clube de Portugal



(Foto retirada do jornal A Bola)

O SCP joga hoje na Eslovénia a presença na final da Taça Challenge em andebol.

Depois da vitória 28-23 em "casa", estamos a um passo de podermos disputar a vitória nesta competição. Em caso de conquista, será a primeira vez que uma equipa portuguesa alcança tal feito.

Estou nervoso com o jogo de hoje. Acredito que o ambiente seja terrível e só espero que a equipa mostre o seu lado "bom". Este ano temos observado demasiadas oscilações que nos têm custado a recuperação para o fcp e que nos colocam longe da conquista do título nacional.

Em contra-partida, começamos já a preparar a próxima época, como prova a contratação de um dos melhores jogadores do campeonato, Rui Silva do Xico. Leiam aqui.
Isto para mim mostra ambição por parte do SCP assim como a importância do técnico. Paulo Faria foi, inquestionavelmente, uma das grandes figuras do andebol português dos últimos anos.

Para aqueles que queiram acompanhar o resultado do jogo entre o SCP e o RD Slovan, deixo aqui um link que o Lion King d'O Sangue Leonino, amavelmente disponibilizou: Resultados Taça Challenge.

Depois da vitória do futsal (e empate do Belenenses), que nos permitiu terminar a fase regular em primeiro lugar, e da conquista no atletismo do II Torneio Ibérico, que tenhamos mais uma enorme alegria ao final da tarde de hoje.

ECLETISMO SEMPRE!!!

Caixinha de surpresas


Não se pode dizer que tenha sido uma grande surpresa a revelação ontem feita por Carvalhal. Há muito que se percebeu que o futebol do Sporting – pelo menos… - é uma caixinha de surpresas desagradáveis. Cada vez que se abre o que se vislumbra não são palhaços reluzentes ou meninas surpresa, como nos aniversários dos filmes. É lixo, que preferimos ignorar e varrer para debaixo do tapete, fazendo com que ele volte aparecer na próxima ocasião. E assim não é por acaso que estamos em equidistância pontual com o último e o primeiro e até o Setúbal é um exemplo melhor que o nosso.

Não deve haver Sportinguista que tivesse gostado do viu ontem. Carvalhal decidiu não deixar passar em claro as humilhações e tratos de polé a que foi sujeito, servindo a sua vingança na cadeira ainda quente de treinador do Sporting. Não gosto, mas não julgo. E os que se apressam a acusar o ainda treinador de falta de carácter e de ter personalidade fraca esquecem-se de pelo menos 2 factos importantes: se pensasse exclusivamente nele i) há muito que teria batido com a porta e hoje estaríamos por certo mais longe de manter o pouco de que nos podemos orgulhar: não termos nunca ficado abaixo de 5º lugar. De igual modo, ii) poderia estar de malas aviadas, mas cheias com uma indemnização por quebra de contrato.

Os que julgam que todo o mal desta época se esconjura com a sua saída não só se enganam como são ingratos: em condições difíceis de imaginar e mais difíceis ainda de suportar, conseguimos pelo menos sair de cara lavada das competições europeias, que, com um miligrama mais de sorte poderia ter sido uma história melhor. E deixou aberta uma janela para o regresso do bom futebol a Alvalade.

Mas a revelação de Carvalhal é sobretudo um alerta para Costinha e Paulo Sérgio e também para todos nós. Trabalhar sob a chuva de uma liderança (?) instável é uma profissão de alto risco e o julgamento que fizermos desse trabalho tem que ter em conta esse terrível handicap. Por isso eles merecem a nossa solidariedade. Há porém uma grande diferença que nos separa: quando se fartarem arrumam as malas e vão ser felizes para outro lado. Nós, os adeptos temos que aguentar o que der e vier.

sábado, 1 de maio de 2010

A ver os comboios passar


Dizia ontem o Daniel Oliveira na sua crónica semanal no Record: "O Sporting merece os muitos pontos de distância a que está do primeiro. Foi um ano dominado por uma sucessão extraordinária de disparates. Mas vem de antes. A verdade é que o Sporting acredita que pode resolver os seus problemas financeiros sem resolver os seus problemas desportivos. É impossível: precisa de valorizar os jogadores que forma na academia, de público no estádio, de sócios e da venda de merchandising. E tudo isto só se consegue com vitórias. Infelizmente, os gestores do clube estão mais preocupados com os seus pequenos poderes. Preferem um treinador mais frágil que não os conteste, a alguém que os leve à vitória mas lhes faça exigências. E, aparentemente, não se preocupam com o poder interno dos bancos e dos agentes de jogadores. Esta e as anteriores direções do Sporting têm vistas curtas. E nós só chegamos até onde os nossos olhos veem."

É verdade. Isto é apenas o que os nossos olhos vêem. Falta saber o que estará para lá do seu alcance. Mas o que já se avista não será suficiente para os Sportinguistas se interrogarem se é este o clube que desejam e se o caminho que vem sendo seguido é o mais indicado? Alguns de nós já fazem essa reflexão há muito, muitos outros há ainda mais tempo que concluíram e alertam que é preciso mudar. Mas enquanto a maioria legitimar em votos, em palavras ou em silêncios cúmplices, passando verdadeiros cheques em branco a troco de nada, dificilmente podermos esperar melhor.

Parece-me que os Sportinguistas, a grande maioria, preferiu sentar e esperar para ver. (A mim parece-me mais pagar para ver, e creio mesmo que essa factura será bastante elevada). Mas importa pouco o que penso. Importa mais o que pensa a maioria de que falo acima. E essa grande fatia de Sportinguistas entende que esta direcção tem um mandato para cumprir e que deve ser apoiada. E eu penso exactamente da mesma forma. As minhas divergências com essa maioria são porém insanáveis quando acham que esse apoio deve ser incondicional. Apoio incondicional merece-o apenas o clube que é o Sporting Clube de Portugal. A direcção, seja ela qual for, tem de saber merecer o apoio, dirigindo, cumprindo o mandato que lhe foi confiado. Mas o papel dessa maioria não se esgotou no momento do voto, apenas deu inicio a um novo capítulo. Cabe a todos não só apoiar como também exigir, assim como também se opor ao que não serve os interesses do Sporting. Sem uma actuação pró-activa e interessada ganhamos o direito de reclamar. Estão todos satisfeitos e tranquilos com o rumo seguido?

Desenganem-se os que pensam que, se este novo parágrafo da nossa história arguir e culpar os actuais dirigentes, não seremos todos nós igualmente sentenciados, ou que ficaremos isentos de prestação de contas às gerações que se seguirem. Como dizem os estatutos compete-nos “honrar o Clube e defender o seu nome e prestígio”. Tenho cada vez mais dúvidas que estejamos a cumprir o nosso papel e de há muito a esta parte. Por vezes parece-me que estamos apenas sentados a ver os comboios passar. Dizia ontem o presidente em Castelo Branco: "Deixem-me só fazer mais algumas coisas". Pois não nos pode acusar de não saber esperar.

Ou como diz o Jack Johnson:
Must I always be waiting, waiting on you   
Must I always be playing, playing your fool.


sexta-feira, 30 de abril de 2010

Decisão Valente?

Nuno Valente regressa ao Sporting, desta vez como técnico adjunto do futuro treinador Paulo Sérgio. È nitidamente uma escolha “made in Costinha”, seguindo uma linha que privilegia a confiança como factor preponderante na escolha. Pessoalmente parece-me que faria mais sentido alguém com ligação à formação, servindo de ponte com o futebol sénior, tendo em conta que há uma nova equipa a entrar que desconhece quase em absoluto o que se faz em Alcochete. Por outro lado vejo neste regresso o reparar de uma injustiça consubstanciada na absurda dispensa do antigo lateral-esquerdo, sportinguista de coração. Mas aprendeu-se pouco com o sucedido, porque, ou muito me engano, ou André Marques reeditará em breve um desperdício semelhante.

PS: Vale a pena ler a "entrevista" de JEB ao Kovacevic, do 442.

Jogo de Homenagem ao Iordanov




Como dei conta aqui Iorda9 e aqui Finalmente!!, este era um desejo meu de longa data.

Como o "prometido" é "devido", já tenho o meu bilhete para o jogo de homenagem do Iorda.

Seria excelente termos uma casa cheia - apelava aos detentores de Gameboxes para que comprassem o bilhete, pois o objectivo é prestar homenagem ao Iorda mas também ajudá-lo financeiramente - e que participássemos de uma maneira positiva neste jogo, para que seja uma festa.

Captações no Hóquei em Patins


Recebemos este cartaz da parte da Secção de Hóquei em Patins do Sporting a dar conta da realização de treinos de captação para as equipas da modalidade.

O trabalho sustentado tem vindo a ser desenvolvido, ao ponto de existir a possibilidade de ter uma equipa senior na próxima época. Aproximam-se também as fases finais dos campeonatos nacionais e será possível ver nos ringues por todo o país, o talento dos jovens patinadores leões.

Numa das modalidades com mais tradições e sucesso da história desportiva em Portugal, é inquestionável a importância da presença do Sporting Clube de Portugal ao mais alto nível.

EM FRENTE SPORTING!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

De volta ao mercado


A lista de jogadores aparentemente pretendidos pelo Sporting vai longa e já ultrapassa as 3 dezenas de jogadores (ver aqui) desde atletas representados por Jorge Mendes, atletas oriundos da Traffic, pretensões de Paulo Sérgio vindos do Guimarães, entre outros.

Há dias, comentei neste post do Nelson Santos que mais importante do que vir A, B ou C é o trabalho de análise e introspecção sobre quais as lacunas do plantel e em que pontos precisamos de melhorar e/ou que tipo de jogadores podem encaixar facilmente num modelo de jogo que se queira definir. Portanto, importa definir um perfil para depois procurar alternativas que nela encaixem para se detectar qual a melhor solução para o Sporting.

Fazendo um "benchmarking": No início da presente época, o Sporting procurava um avançado móvel e possante sendo que a opção recaiu sobre Felipe Caicedo. Acabámos por ficar desiludidos com o rendimento do jovem equatoriano e questionamos a sua contratação, como tal, fica também a dúvida "Porque é que veio ele?" ou "Não havia outras hipóteses?".

Da mesma forma, podemos analisar três das contratações feitas por Carlos Freitas em 2007/2008, nomeadamente o sérvio Stoijkovic e os montenegrinos Vukcevic e Purovic. Será que não existiam dados que indicavam que, por exemplo, os dois primeiros têm um feitio muito temperamental e tiveram problemas em diversos clubes por onde andaram ou que o avançado supostamente só servia para um futebol directo?

Naturalmente, posso também entrar no jogo de lançar um par de nomes e um conjunto de características que acho que o Sporting precisa, mas essa seria a minha visão, quando eu nem sequer sei o que o Paulo Sérgio pretende fazer para a próxima época - desde táctica até ao estilo de jogo.

Quanto à abordagem ao mercado, os jornais falam que o antigo avançado leonino, Robert Spehar, sugeriu o jogador Domagoj Vida ao Sporting. Não conheço o jogador e como tal não teço qualquer tipo de juízo sobre o mesmo, no entanto, não posso deixar de mencionar que me agrada o facto de ver ex-jogadores do nosso clube a sugerir atletas para a nossa equipa. Não será esta uma forma de detectar jogadores talentosos e que provavelmente ainda não despertaram grande cobiça por parte de outros clubes?

Amunike e Vujacic trabalham actualmente para o Manchester United mas será que Juskowiak, André Cruz, Naybet, entre muitos outros, não poderão dar umas dicas?

EM FRENTE SPORTING!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Palavra de Presidente


Depois de alguns comentários menos felizes, JEB concede hoje uma entrevista aos jornais desportivos onde aborda diversos pontos:

- A reorganização do departamento de futebol e o reforço da equipa principal
- O "clima" que encontrou dentro do Sporting
- O relacionamento com Jorge Mendes
- O agradecimento a Carvalhal
- A escolha "Paulo Sérgio"

Sinceramente, apesar de ser um discurso ponderado e racional, creio que esta entrevista pouco ou nada de novo em relação aquilo que já pensava.

Aqui fica a entrevista para vossa leitura:



EM FRENTE SPORTING!

Morais recolheu ao seu cantinho


Soube hoje ao fim do dia da morte de João Morais. Desde há algum tempo que sabia que esta noticia acabaria por chegar, infelizmente mais cedo do que todos desejaríamos.

Tive oportunidade de o entrevistar por ocasião do 45º aniversário do maior feito internacional de sempre do nosso clube. Julgo tratar-se da sua última entrevista, e por isso ficará como um marco histórico que orgulhosamente partilhamos com os nossos leitores. Mas a entrevista foi apenas um pequeno episódio, uma pequena gota de um mar de emoção e orgulho que foram os dias que a antecederam ou sucederam. Tive a honra de o ter sentado no lugar de honra da minha mesa de jantar (a foto dá esse testemunho) e de, para lá das glórias e decepções que a vida lhe proporcionou, ter permanecido um dentro dele um menino tão traquinas como amável, que a idade não conseguiu domar. Provavelmente a mesma irreverência que o levou, naquele dia que o tornou célebre, a apontar, de forma directa, o que normalmente se faz para a molhada. Dizia ele então, respondendo a uma pergunta minha:

O que lhe deu para marcar aquele canto daquela forma? Foi por acaso?
Não foi nada por acaso. O Gilberto Cardoso era o nosso treinador do inicio de época, que saiu para dar lugar ao Anselmo Fernandes. Com o Gilberto Cardoso treinava muitas vezes aquele lance. E quando fui marcar o Manuel Marques (massagista, grande figura Sportinguista) disse-me para marcar dessa forma. Eu agarrei na bola, fiz a minha reza e disse-lhe: anda lá minha menina, vais entrar ali naquela baliza. Quando a bola me bateu na bota, naquele sitio que eu sabia, senti logo que ia entrar. E entrou mesmo!

O resto podem ler em:

De um cantinho para a Glória: entrevista com João Morais

terça-feira, 27 de abril de 2010

Urban Dictionary: jeb






Já todos temos ideia do que significa JEB em português. E noutros idiomas? Como o inglês, por exemplo… Let´s chek it out! Pronto, está desfeito o mistério... São nove as possíveis definições de JEB em inglês – deve ser uma à razão de cada mês que JEB leva de desgoverno no SCP-; consulte e partilhe cá com este vosso amigo se alguma(s) confere(m) com a vossa opinião sobre a personagem em apreço e qual destas ‘explicações’ é aquela que melhor se ajusta ao seu desgraçado desempenho.


NOTA: Antes de seguir o link reparem no sinal exposto no canto superior esquerdo deste post... Depois não digam que eu não avisei. Obrigado.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Chega de palavras, quero acção!!




Fomos hoje brindados com mais umas JEBardices. Sinceramente, não tinha saudades. Sousa Cintra é que era o "bronco" mas JEB consegue dar mais calinadas, para além de ataques ao amor-próprio dos Sportinguistas numa tarde, que Sousa Cintra em todo o seu mandato.

Diz o nosso mui ilustre Presidente:

"Nestes últimos anos, em que o FC Porto foi eterno campeão, nós lutámos algumas vezes pelo título.Este ano houve uma reviravolta interessante, com Benfica e Sp. Braga a disputarem o primeiro lugar e o Sporting dois lugares abaixo do que é normal. Parabéns ao Sp. Braga pelo excelente campeonato que tem estado a fazer."

A ambição patente neste discurso é inebriante. Dois lugares abaixo do normal, diz ele. No que ao SCP diz respeito, tenho muito mais ambição que o JEB. Porque para mim, o único lugar que interessa ao SCP, é o primeiro.
Deduzo que apesar dos votos de parabéns endereçados ao Sp. Braga, esteja uma ponta de insatisfação. Não porque estejam à nossa frente mas porque desse modo, não poderá utilizar uma das desculpas preferidas desta geração de excelsos dirigentes: o orçamento.
Já agora, um Presidente remunerado não terá que cumprir certos objectivos? Se não, devia.


"A história do Sporting teve sempre momentos altos e baixos. Peço desculpa por este momento o futebol, mas ninguém morrer por uma época má. Mas perante esta festa, pode dizer-se que as tristezas são pequenos nadas."

Não é uma época má. É uma época péssima, a todos os níveis, no que ao futebol do SCP diz respeito. 28 pontos de desvantagem para o primeiro. VINTE E OITO PONTOS!!! Mas está tudo bem. Afinal a festa, rija segundo me pareceu pela foto que recebi, é muito mais importante ao ponto de reduzir toda esta época a "pequenos nadas". Pequena, é a prestação deste Presidente, para não utilizar uma linguagem mais forte. E nada pequena, é a remuneração que aufere, ainda para mais com os resultados apresentados.


"Crismámos, recentemente, 11 meninos da Academia, que vão estar na missa de 15 de maio, no Terreiro do Paço, vestidos à Sporting. Não são campeonatos, mas importa que haja no país quem olhe por estas coisas."

Acho isto extraordinariamente importante. Claro que importa ao País isto. Qual descida do desemprego qual quê!!!
E o ano passado, quantos foram? E há 2 anos? Tem vindo a crescer este número? Que estupidez monstra. Como diz o Hugo no post abaixo, poderia - e deveria acrescento eu - ter aludido a qualquer feito importante no contexto do SCP, como a conquista do título europeu por parte do João Pina ou a boa prestação do andebol mas naaaaaahhh crismar é que está a dar! Já eu, espero pelo cremar desta Presidência e desta linha que nos dirige. Ansiosamente.


"Ninguém morre por uma época má".

Claro que não mas a ausência de desconforto que transparece desta afirmação, revolta-me. Como se as temporadas anteriores tivessem sido carregadas de glória. Não desprezo as Taças conquistadas mas o objectivo principal, foge-nos há tempo demais e pelos sinais transmitidos, não será ainda para o ano que tal irá mudar. Ninguém morre é verdade mas o SCP definha.

Depois temos um dos arquitectos desta estonteante época dizer que:

"Sabíamos que não iríamos estar preparados nessas quatro semanas como estaríamos em seis. Isso foi uma prova muito clara, pela forma como o Sporting se apresentou contra a Fiorentina e contra o Twente, por exemplo. Podemos alegar outros motivos, mas o tempo foi um deles. Era uma equipa que já sabia a forma de jogar e, às vezes, isso não é bom e é preciso mexer. Isso tem a ver com o planeamento."

Devemos ser um caso único ou "diferente": quanto mais tempo jogamos juntos, pior o fazemos. Já no MU, por exemplo, jogam quase de olhos fechados. Grandes malucos!
Já em relação ao planeamento, absolutamente visionário o número de jogos marcadas para a pré-época. Adiante.

Para finalizar, Carriço a provar que os nossos jogadores gostam de tal forma de aprender, que tentam saborear cada minuto, insistindo nos erros, jogo após jogo.
Quem pode esquecer, pois foram tantas as vezes que o ouvimos esta época, o famoso "Vamos levantar a cabeça e trabalhar para corrigir os erros."?

In Record: 'O jogador do emblema de Alvalade garante que o grupo "aprendeu muito com os erros cometidos esta temporada", realçando que na próxima época os atletas leoninos serão "muito mais competentes e consistentes".'

BOOOOOOOOOOOOOM!!!! Estou muito mais confiante agora!! É que depois de uma época inteira a "estudarem" todas as semanas, ou perto disso, para o ano é que as correcções vão aparecer!! Ainda por cima, mete as férias do Verão pelo meio...eu lembro-me quando tinha exames em Setembro, a vontade imensa que tinha de estudar durante as mesmas. É que era todos os dias, agarrado aos livros enquanto outros se divertiam!!!

Estou a ser um pouco injusto para o Carriço, um dos menos culpados, mas FODA-SE!! Estou farto disto!

Farto de um Presidente que não demonstra um mínimo de preocupação com o estado do Clube no geral e do futebol em particular, que foge para o Brasil e ainda tem o desplante de dizer que dá o peito às balas, dos comportamentos que tem tido ao decorrer do mandato; farto de uma equipa muito abaixo daquilo que pode fazer e que nos envergonha a todos com exibições deploráveis, sem garra nem brio, incorrendo sistematicamente nos mesmos erros; farto de treinadores "em formação"; farto de palavras e acções concretas nenhumas; farto desta mediocridade que alastra pelo nosso SCP que me deixa doente.

Ainda há quem dê o benefício da dúvida a esta Direcção, dizendo que é o ano 0. Em títulos, será de certeza. Só de pensar que ainda faltam 3 anos...

Águarela 3D

Bettencourt cumpre por estes dias uma visita ao Canadá, onde vive uma grande comunidade de Sportinguistas. O habitual fervor leonino, em contraste com o momento do clube, é perfeitamente natural e só é compreendido por quem percebe a idiossincrasia das comunidades portuguesas. Entre desabafos e desculpas, JEB antecipou de forma ligeira o balanço de quase um ano de mandato, mesclado com promessas de melhorias. Amanhã, quando visitar as cataratas do Niagara, e se fizer a habitual visita de barco, quando estiver próximo da queda principal situada do lado americano terá, em aguarela 3D, a visão alegórica do seu percurso: água por todos os lados, um barulho ensurdecedor, envolvido num nevoeiro propício a equívocos. Decepcionante, sendo simpático.

Há Sportinguistas deprimidos que parecem deixar-se influenciar pela empáfia dos nossos rivais. Estes, não satisfeitos pela boa época que têm realizado, pretendem agora espezinhar o nosso orgulho com alusões à distância que nos separa. A memória é curta e selectiva, deitando fora os anos em que, sempre gastando muito mais, coleccionaram desastres. E, alargando o espectro da análise, as últimas décadas não dão suporte a tanta sobranceria. A distância pontual é apenas um indicador de uma época decepcionante. Mais do que os pontos decepciona-me o lugar, mesmo que a distância pontual fosse por número ínfimo.

Ficar em 4º lugar pode ser circunstancial, o produto de uma época de desacerto nas decisões. O que há de definitivo neste ano não é inevitável que se repita no próximo. Não falhar no diagnóstico – dos erros cometidos, das correcções necessárias - e actuar de forma determinada é a alternativa viável. Sem isso a repetição ou agravamento do sucedido este ano pode ajudar a acentuar a ideia de declínio, face aos nossos rivais. O caminho é cada vez mais estreito, íngreme e sinuoso, face à reincidência em decisões erradas. A desconfiança em quem decide – por erros próprios - é hoje tão perniciosa no Sporting como o pessimismo na economia.

domingo, 25 de abril de 2010

Artilharia faltou à chamada

Um dos melhores 45 minutos da época deveria ter-nos permitido uma vitória folgada e tranquila. Isto se o futebol não tivesse cantos ou a equipa os soubesse defender. É no mínimo frustrante que depois do homem a homem de Paulo Bento, a zona de Carvalhal continue a ser uma passadeira estendida. Não tem nada a ver com a altura da defesa, como muitas vezes se ouve dizer, mas com a articulação de movimento colectivo – não apenas dos defesas… - e de concentração. Convém porém realçar que, não fora o desperdício quase absurdo de oportunidades, pouco importaria não sabermos defender bolas paradas. No dia de revolução, a artilharia faltou à chamada e sem ela é difícil ganhar.

Do pouco que se pode fazer até ao final da época, faltou ganhar, já que a exibição andou por acima do suficiente. E, no momento em que já se fazem campanhas despudoradas promovendo jogadores ao Mundial, preocupa-me a forma de Moutinho e Veloso, nomes que, em condições normais, se juntariam a Liedson, Pedro Mendes e Patrício. Tonel, Carriço e João Pereira não estão ainda fora da corrida.

sábado, 24 de abril de 2010

Um grande passo


Ao vencer esta tarde o Slovan por 28 - 23, a equipa de Andebol do Sporting deu um passo importante rumo à presença na final.

A partida foi equilibrada com ambas as equipas a cometerem algumas falhas mas a ver os seus guarda-redes em momentos de grande inspiração. Provavelmente, com um pouco mais de paciência, conseguíamos partir para a Eslovénia com uma vantagem mais confortável, contudo, temos a vantagem na eliminatória e podemos partir confiantes para a segunda mão.

Destaque ainda para a presença de João Pina no pavilhão a assistir à partida e a receber uma justa homenagem da parte do Sporting e uma enorme ovação de todos os que praticamente encheram o Casal Vistoso.


Faço minhas as suas palavras: "Que seja o primeiro de muitos!"

EM FRENTE SPORTING!

"O meu filho subiu a pulso"

O meu filho subiu a pulso na vida. Tudo o que tem merece-o por inteiro", disse ontem ao CM José Brito, pai de Paulo Sérgio, o novo treinador do Sporting. Na vila de Fronteira, no Alentejo, onde reside desde que se reformou – era motorista numa fábrica da zona de Lisboa – José Brito adiantou ainda que a família soube das negociações do filho com os leões desde o jogo que o Sporting efectuou na Luz (0-2), no dia 13 de Abril. "Disse aqui no café durante o jogo que o Sporting não iria ganhar ao Benfica até 2012 [Paulo Sérgio assinou por dois anos]. Ninguém percebeu. Eu já sabia o que se estava a passar. Só que não podia dizer nada. Afinal, o segredo é a alma do negócio."

José Brito assumiu que a família de Paulo Sérgio é benfiquista, mas observou que a partir da próxima temporada todos vão puxar pelos verde-e-brancos: "Agora, até já me chamam o ‘Zé Melancia’: encarnado por dentro e verde e por fora." Sobre a cor clubística do filho, assegurou que nunca torceu por qualquer um dos grandes: "Ele sempre simpatizou com o Belenenses. Foi lá que jogou seis anos e fez bons amigos. Além disso, e ao contrário do que já li, o Paulo é natural de Lisboa e não de Estremoz. Nasceu na Maternidade Alfredo da Costa, quando nós vivemos em São João da Talha."

A concluir, José Brito assegurou que vai ver amanhã o U. Leiria-Sporting e formulou um desejo: "Espero que o meu filho seja campeão o mais depressa possível. Ele merece."

in Correio da Manhã

A Glória, depois de muito esforço e dor

João Pina é um exemplo vivo de que a divisa do nosso clube faz sempre e cada vez mais sentido. Depois de excelentes resultados nos escalões de formação o judoca Sportinguista via constantemente interrompida a sua afirmação interrompida por lesões. Ontem, sem elas foi "apenas" campeão europeu!. Parabéns João! Ecletismo Sempre!

In Público:

O português João Pina sagrou-se hoje campeão da Europa de judo na categoria de -73 kg, ao derrotar o russo Batradz Kaitmazov na final, em Viena.

Este é o melhor resultado de sempre do judoca do Sporting, que nunca tinha conseguido uma medalha em europeus, mundiais ou Jogos Olímpicos, como sénior.

Para chegar a este resultado histórico, o judoca português venceu cinco combates, o último dos quais com uma preciosa vantagem de waza-ari, logo aos 17 segundos.

João Pina apresentou-se muito forte e surpreendeu o adversário nos instantes iniciais, com uma pega que projectou Kaitmazov no tatami, com o russo a cair sobre um dos ombros e o árbitro a dar o waza-ari (segunda pontuação máxima) ao português.

O despique ficou logo desequilibrado, com João Pina a poder manter uma postura activa, mas sem muitos riscos, e a obrigar a que fosse o seu oponente a atacar.

A situação não se verificou e os juízes ainda penalizaram Kaitmazov por falta de combatividade, numa fase do combate em que o português tentou "ataques controlados".

O momento de maior risco para Pina deu-se a 1.45 minutos do final do combate, num ataque mais acutilante do russo, com o português a conseguir levar a luta para o chão.

O judoca do Sporting "jogou" então a favor do relógio - procurou desfazer duas pegas e sofreu um castigo (a 30 segundos do final) -, e soube esperar que os segundos entrassem em contagem decrescente.

Até chegar à medalha de ouro e ao momento mais alto da sua carreira - que conta com duas participações olímpicas (Atenas2004 e Pequim2008) -, João Pina teve um trajeto muito consistente.

A sua caminhada começou com vitórias perante o checo Jaromir Jezek (waza-ari), o holandês Dex Elmont (waza-ari), o polaco Krzystof Wilkomirski (ippon) e, já na meia final, frente ao georgiano Zaza Kedelashvili (ippon).

João Pina teve ainda o mérito de afastar o vice campeão europeu em título, Dex Elmont, que o tinha eliminado nos últimos Europeus, em Tblissi, e um antigo campeão europeu de -66 kg, Zaza Kedelashvili campeão nos Europeus de Lisboa 2008).

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Em busca da glória europeia


A crescente onda de apoio que surgiu no final da época passada bem como os reforços obtidos para esta temporada elevaram as expectativas dos sportinguistas no que diz respeito ao Andebol leonino.

Já apurados para a final-four da Taça de Portugal mas com resultados mais modestos na principal prova nacional, pessoalmente considero que as nossas atenções devem estar centradas na Challenge Cup, principalmente depois de nos quartos-de-final termos batido os romenos do Stinta Bacau, apontados como uns dos favoritos à vitória na competição.

Por agora, os pupilos de Paulo Faria já merecem um lugar na história do SCP por atingirem as meias-finais desta competição, onde terão pela frente os eslovenos do RD Slovan, naquilo a que se pode apelidar como uma final antecipada.

O jogo disputa-se amanhã pelas 19h no Pavilhão do Casal Vistoso e será importante para os nossos atletas, contar com o apoio dos adeptos sportinguistas. No jogo anterior para a mesma competição, quase 2000 romenos tentaram perturbar a concentração dos nossos leões em apoio à equipa do Stinta. Amanhã, sejamos nós a galvanizar João Pinto, Pedro Solha & C.a. rumo à final e poder sonhar com o primeiro título de uma competição europeia para uma equipa portuguesa, após três finalistas vencidos (ABC por duas vezes e Sporting da Horta em uma ocasião).

Da minha parte, a promessa está feita, de alguns dos nossos atletas: Se alcançarmos a final da competição, lá estarei na mão a disputar fora de casa, seja na Itália ou na Polónia.

EM FRENTE SPORTING!

PS:
Ainda no que diz respeito ao Ecletismo, destaque para o judoca do Sporting, João Pina, que alcançou a final na categoria -73 Kg do Campeonato Europeu de Judo, após eliminar o georgiano Zaza Kedelashvili, o até agora campeão europeu. João Pina defrontará ainda hoje na final, o russo Batradz Kaitmazov, num combate agendado para as 16h00. Força João!

Liderança

Liderar um grupo de mais 20 personalidades, gerir as ambições individuais e o seu carácter egocêntrico, fazendo-as convergir para um interesse comum e superior deve ser das tarefas mais exigentes de um treinador. É comum ouvirmos os jogadores afirmar: eu quero é jogar! E, em grande parte dos casos, essa vontade é indiferente ao destino da equipa. A carreira, a ambição dos grandes palcos, a sede as luzes da ribalta, são um doping inebriante, e saber gerir tudo isto transforma um treinador num cientista à procura da fórmula perfeita.

No Sporting a execução dessa missão tem sido, nos últimos tempos, objecto de notícias que transformam o nosso balneário num ringue de wrestling, de forma por vezes literal, como sabemos hoje. Uma vez que não consigo admitir que os profissionais do Sporting sejam os piores do mundo, só posso concluir que esse é um problema da nossa organização interna. Espera-se que Costinha seja aí o suporte avançado e a retaguarda de Paulo Sérgio.

Onde Paulo Sérgio estará sozinho – a equipa técnica é uma extensão do próprio treinador, sem identidade própria – é na condução técnica da equipa. Um treinador pode ser disciplinador, mas sem competência técnica a sua credibilidade junto dos jogadores é uma miragem e, sem confiança em quem os dirige, não há colectivo, apenas um grupo de individualidades desarticuladas entres si, a procurarem salvarem-se, no cenário idêntico ao de um naufrágio iminente. Num grupo de trabalho como o Sporting, recheado de jogadores internacionais e já treinados por uma amplitude muito razoável de treinadores, a impressão inicial será decisiva. 
A autoridade natural, não a imposta, está sempre ligada à imagem de competência e de prestigio. Se Paulo Sérgio a conseguir no balneário estará mais perto de a estender às bancadas, sempre tão exigentes de Alvalade. Mas, convém não o esquecer, em igual medida de desmedida generosidade.

PS: Mas Inácio acha que nem com grandes aquisições lá vamos...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Saber escolher

Como adepto e sócio do Sporting a luta que se desenvolve acima das nossas cabeças pelo título de campeão pouco ou nada me diz. Se é verdade que não gosto de ver os rivais ganhar, o que me parece normal, a carreira do Braga está aí para nos lembrar que estávamos obrigados a fazer muito melhor. Não é preciso lembrar as disparidades abismais que nos separam dos “arcebispos”,  e que nos deveria favorecer em toda a linha. Há um pequeno “pormaior”que é bem capaz de explicar a diferença: liderança - institucional e técnica  - e planificação.

Já aqui o havia dito: a haver revolução no plantel, e após desperdiçar 6 meses, em que nos podíamos antecipar sobre os demais na planificação da próxima época, parece-me que seremos, logo à partida, obrigados a correr atrás dos nossos adversários. O campeonato deste ano assim o indica: os 2 melhores foram também os planteis mais estáveis e onde se (re)valorizaram mais jogadores. Mudaram apenas os treinadores.

É na constituição do plantel que Paulo Sérgio tem a primeira oportunidade de demonstrar valor. Para isso tem de perceber o óbvio: o Sporting “faz” e vende craques, mas não os pode comprar. Mas pode e tem que ter bons jogadores. E alguns deles já lá estão. Outros, vêm da formação, têm potencial e precisam de ajuda para crescer. E o mercado deve ser o último recurso, porque é caro e o nosso poder negocial empurra-nos para um nicho de feroz concorrência, onde se confundem as pratas com a fancaria. Saber escolher vai ser a primeira prova do novo treinador.

P.S.- O fecho da pré-epoca ocorrerá em Nova York, num torneio quadrangular, na companhia de Manchester City, Tottenham e New York Red Bull, que terminará 4 dias antes da eliminatória para a Liga Europa. Uma boa decisão a 3 níveis: permite um nível competitivo superior, fortalece o prestígio do Sporting e aproxima o clube de muitos dos nossos que vivem longe.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Comédia pouco divina

É tão difícil distinguir um visionário de um louco que por vezes nem esse juiz implacável que é o tempo consegue proferir sentença esclarecedora. JEB encarnou na consciência dos Sportinguistas o carácter sebastiânico de desejado, o que lhe permitiu um resultado eleitoral retumbante, mas o seu mandato cheira cada vez mais, apenas e só, a um fatídico Alcácer Quibir. E, tal como aconteceu a D. Sebastião na sua alucinada empresa africana, JEB joga muito do seu destino e sorte da nação Sportinguista num movimento de enorme risco - diria até desnecessário -  ao fazer (re)encarnar ao sétimo mês um Paulo Sérgio (Bento) na direcção técnica do Sporting. Mas, e ao contrário de D. Sebastião, em caso de insucesso, não haverá Pessoa nem Mensagem que o glorifiquem, ficando do seu mandato um quadro parecido com uma Comédia pouco Divina, desta feita sem final feliz.

Da célebre trilogia da célebre obra de Dante, dificilmente haverá Purgatório e muito menos Paraíso para Paulo Sérgio, caso não supere logo no arranque as expectativas que o seu nome (não) suscita junto dos adeptos. E, se for pelo menos perspicaz, perceberá que não pode esperar muito mais de quem acaba de o escolher. Até de Guimarães se percebeu o isolamento de Carvalhal, após os primeiros reveses.O critério que lhe abre as portas de Alvalade,  e que devia ser exigente, é afinal tão largo que tanto permitiria entrar o José de Mota, o Manuel José de camelo, o Cajuda lembrando um vendedor de tapetes,  ou p Luis Campos com uma imitação de um sobretudo de Mourinho debaixo do braço, mesmo que em pleno verão.

É neste caldoso inferno que cairá Paulo Sérgio, o que começa por despertar em mim o sentimento de solidariedade, comum em quem partilha o destino e sofrimento comuns. E não naquela estranha filosofia que por aí pulula que “a partir de agora é o meu treinador”. Não é o meu treinador quem eu reconheço não estar á altura dessa terrível missão de treinar o meu Sporting. Seria incoerente. Não lhe vejo passado, nada lhe vi de assinalável no presente, não lhe sinto futuro. Não é um mau treinador, mas esse argumento miserabilista pode fazer alguém merecer a honra e responsabilidade de reabilitar o futebol de um clube grande como o nosso?

Nada tenho contra o técnico e o homem. Por isso contará com a minha lealdade como adepto. Desejo por isso que seja insuficiência minha não conseguir antecipar o que JEB agora descortina em Paulo Sérgio. Não tendo, porém, qualquer reserva mental ou predisposição antagónica, confesso que Paulo Bento II terá que me conquistar com bom futebol ou, na sua triste ausência, resultados. Que no Sporting significa ganhar, ficar em 1º, sendo todos os outros lugares de fraca consolação. E nisso tenho certeza que serei acompanhado por grande parte dos Sportinguistas, cujo amor e fidelidade ao clube tem sido posto à prova quase diariamente.

Por tudo isto, e desgastados por um ano impensável, alguns dão o benefício da dúvida. E, anestesiados por um cocktail temperado pela resignação e impotência, já admitem deglutir Paulo Sérgio, com ou sem boné, desde que devidamente embrulhado em aquisições tonitruantes, que quem vier fechar a porta terá que pagar. 

Nunca seria possível agradar a todos os Sportinguistas, mais ainda depois das peripécias que descredibilizaram e desmantelaram a imagem de JEB. Mas a duvida é o pior preâmbulo de um mandato de treinador. Não enxergar isso faz-nos regressar à casa de onde partimos na época passada, quando JEB não percebeu o fim-de-linha de Paulo Bento I, e recear pelo que aí vem. Esta é a antítese da esperança mobilizadora tão necessária para a época que se avizinha.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Porquê Paulo Sérgio?


O que tem Paulo Sérgio, que não tem Manuel Fernandes?

Tem mais curriculum?

Tem mais experiência?

Tem mais cultura táctica, técnica e competitiva?

O que tem Paulo Sérgio, que não tem Carlos Carvalhal?

Quais as razões que levaram à contratação de Paulo Sérgio?

Porquê Paulo Sérgio?

No actual contexto e considerando que a próxima época se reveste de crucial importância para a vitalidade do Clube, as expectativas da família leonina relativamente ao próximo treinador eram imensas. Não creio andar longe do sentimento geral: suspira-se em Alvalade, por um líder experiente, carismático e com créditos mais do que firmados.

Recordo o que ainda há poucos dias escrevi sobre esta importante escolha: “O êxito da próxima época, em termos financeiros e desportivos, passa decisivamente pela escolha do novo treinador. Uma aposta falhada, que não transmita a necessária credibilidade e confiança aos jogadores e ao mercado, será um autêntico desastre. O clube afundar-se-á ainda mais no labirinto em que se encontra e mais problemático ainda, será partirmos para uma prova com a sensação que já entramos a perder.”

Não vou colocar em causa a competência técnica do treinador Paulo Sérgio, mas não posso deixar de colocar as questões acima formuladas e ainda outras que me vão ocorrendo enquanto vou digerindo a escolha do próximo treinador do Sporting Clube de Portugal.

Boa sorte, Paulo Sérgio.

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