A SAD
O que dizer de uma SAD que, após um seu funcionário afirmar que aí se manteve quatro meses a mais, batendo logo de seguida com a porta, derruba praticamente todo o seu edifício e deixa a respectiva cúpula chorosa e como que abandonada?
Há quem afirme que a SAD do SCP tombou de forma temporã, podendo, esse facto, ter contribuído decisivamente para a pior época de que à memória, mas há, também, quem defenda que já caiu de podre. Pode parecer paradoxal, mas eu admito ambos os diagnósticos. Explico-me: se caiu cedo na época dando azo a tamanha instabilidade, a verdade é que uma estrutura profissional, que supostamente deveria ser de excelência e que prometera, pouco antes de cair, elevada solidez consolidada na longa experiência da maioria dos seus membros, jamais poderia revelar-se tão dependente das decisões de apenas uma pessoa, por maior importância que essa pessoa, o seu responsável técnico principal, efectivamente detivesse. Ora, posto isto, julgo ser coerente concluir-se que tais membros nunca deveriam ter assumido o comando do ‘negócio’ futebol… No mínimo por manifesta falta de auto-confiança, de estofo, mas ainda mais por falta de pró-actividade e até, por que não dizê-lo, por falta de coragem e esbanjamento da dita ‘experiência’. Basta verificar a ausência de rumo, de uma qualquer estratégia, a indecifrável politica de contratações e a lastimosa gestão do plantel, para confirmar o veredicto da frase anterior.
E depois do desmoronamento? Bem, depois foi ao ritmo do forrobodó que se iniciou a ‘reconstrução’ dos fracos alicerces, numa dança de cadeiras com o irrequieto Salema, ‘Le Garçon’, a protagonizar o papel de bailarino principal. Pelo aspecto físico, ninguém lhe adivinharia tamanhas valências, mas se é certo que o homem é cheio de ‘formosura’, também não se lhe pode negar o jeitinho que tem para se mexer e manter permanentemente dentro daquele ‘Sádico’ palco, ao qual, nem cenas de violência ‘hard-core’ faltaram.
Concluindo, os resultados que a SAD produziu na época finda revelam-se muito pouco, para não dizer nada, leoninos: uma autentica perda de tempo, com ausência de títulos, espectáculo e notória redução do seu valor patrimonial. Mas a preocupação mor dos seus gestores de topo, talvez surja quando forem divulgados os (verdadeiros?) prejuízos económico-financeiros. Até lá, alegremo-nos com o “estamos mais fortes que nunca!” bradado aos Céus por um histriónico líder da SAD em vésperas de onze miúdos da Academia se alimentarem de hóstias ministradas pela própria mão de Bento (o XVI, não o I que já não foi a tempo, tão pouco o II que ainda não chegara…).O que se seguirá? É uma incógnita, mas já o velho ditado pronuncia que o futuro a Deus (dos agentes) pertence… Haja, então, como é q lhe chamam?… Fé! É isso.
CLASSIFICAÇÃO – A vontade era atribuir uma nota abaixo de zero, mas dada a sua impossibilidade dou um 4, para incentivar o Costinha a ‘orar’ muito (e bem) ao seu ‘Deus’…
por Virgílio
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EQUIPA TÉCNICA DE PAULO BENTO
Pré-época & Liga dos Campeões
Iniciámos a época com um técnico tremendamente desgastado, não só pelo facto de ser o único a dar a cara pelo SCP pois a Direcção evitava fazê-lo, como principalmente, pela fraquíssima qualidade do futebol praticado. Tudo isto já vinha de trás, ou seja, de campeonato(s) anterior(es). Ao contrário do próprio, não acho que ele tenha ficado apenas 4 meses a mais pois há muito que era favorável à sua saída.
Numa pré-época marcada por apenas(!!!) 4 jogos, sendo que um deles foi com o At. Cacém onde se averbou a única vitória, contratações simplesmente incompreensíveis, fosse pela qualidade do jogador (Caicedo), pelo timing da mesma (Angulo) ou ainda por nenhuma delas visar colmatar as principais lacunas do plantel - defesa especialmente as laterais - o SCP discutiu o acesso à LC com a Fiorentina, averbando dois empates: 2-2 em casa (com uma péssima arbitragem a favorecer a Fiore) e 1-1 fora, valendo a regra dos golos fora, sendo por isso relegado para a Liga Europa.
Liga Europa
Foi nesta competição que Paulo Bento efectuou o seu último jogo ao comando do SCP. No dia 5 Novembro, o SCP defrontou em casa o Ventspils, não indo além de um empate a 1, estando a perder. Apesar de ter deixado a equipa quase apurada, as dificuldades sentidas para ganhar jogos contra adversários nitidamente inferiores e o agoniante futebol praticado, deixaram-nos à beira de um ataque cardíaco.
Taça de Portugal
Vitória contra o Penafiel por 3-0.
Campeonato Nacional
Paulo Bento quando deixou o SCP, tinha realizado 9 jogos, deixando a equipa no 7º lugar com 13 pontos em 9 jogos (3V-4E-2D) e com 10 golos marcados e 8 sofridos.Desde a 2ª jornada que, matematicamente, não dependíamos de nós para alcançar o título nacional, após o empate forasteiro com o Nacional e derrota caseira com o Braga, equipa que tinha ganho o seu jogo inaugural contra a Académica.
Avaliação - Nota 0
Péssima avaliação dos lugares a reforçar, e para tal o dinheiro não serve de desculpa pois foi dito que a defesa não necessitava de reajustes, exibições paupérrimas, erros recorrentes, discurso desculpabilizante - sacudindo a água do capote - e responsabilizando sistematicamente os jogadores, ausência de resultados, tirando a Liga Europa. Foi este o legado que nos deixou esta época. Saudades do Paulo Bento? Como treinador, não!
PS: Sob a batuta de Paulo Bento, estivemos 4 jogos seguidos para o campeonato sem ganhar, entre a 6ª e 9ª jornada: (FC Porto 1-0 Sporting, Sporting 0-0 Belenenses,V. Guimarães 1-1 Sporting, Sporting 1-1 Marítimo).
por JVL
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PLANTEL
Falar do plantel do Sporting da época que agora termina é passar em revista todos os problemas do clube. Tomando como referência o número de jogos efectuados por cada jogador o nosso onze típico seria:
Rui Patrício (30 jogos)
Abel (18 jogos)
Carriço (25 jogos)
Tonel (23 jogos)
Grimi (20 jogos)
M. Veloso (25 jogos)
J. Moutinho (28 jogos)
M. Fernandez (28 jogos)
H. Postiga (22 jogos)
Liedson (28 jogos)
Y. D’jálo (18 jogos)
A primeira constatação que faço é que este onze nunca jogou, o que revela uma das características que ajudou a uma época desastrosa, instabilidade. No início da época o plantel foi mais remendado do que reforçado e por essa razão não é de estranhar que o único reforço da época com lugar nesta lista seja Matias Fernandez. De Angulo e Caicedo já ninguém se lembra, de Pongolle esperamos uma lembrança no futuro, André Marques teve guia de marcha para crescer, João Pereira e Pedro Mendes deram um pouco mais de consistência mas não transformaram a equipa.
O destaque acaba por ser Saleiro de todos os reforços aquele que mais cumpriu com a sua tarefa e revelou-se um jogador de grande utilidade e valor como Joker e tapa-buracos de lesões e castigos, pagando com golos.
A segunda constatação que faço é, onde estão as referências desta equipa? Onde estão Polga, Izmailov, Caneira e Vukcevic? Todos eles têm menos de 15 jogos. Por diferentes razões (lesões, castigos, opção técnica) todos estiveram longe da decisão, todos passaram ao lado da época deixando a equipa numa deriva fatal. Os nomes que aparecem imediatamente após estes onze são Saleiro e Pereirinha (ambos com 17 jogos) só depois surge Polga com 15, Vukcevic com 14 e Izmailov com 13. Pouco, muito pouco para quem consome grande parte do orçamento disponível.
A terceira constatação, é a mais difícil de escrever, a qualidade do onze justifica um ano tão desastroso? Não, apesar de todas as culpas que possam imputar a terceiros não se livram da responsabilidade de terem feito um trabalho muito abaixo das suas reais capacidades. Nunca mostraram em campo aquilo de disseram aos microfones, nunca foram solidários, nunca tiveram concentração competitiva, nunca se superaram como grupo, nunca foram ambiciosos. É para mim a parte mais desastrosa da época ver todo o talento ali presente desperdiçado sem reacção.
Para finalizar uma análise por sectores. Na defesa não consigo reconhecer um líder, Tonel tem capacidades mas faltam-lhe as qualidades, Carriço cresce mas ainda não se impõe, Patrício mostrou evolução mas continua ter erros de principiante que têm de ser castigados com o banco principalmente quando se repetem e há mais dois colegas que trabalham tanto como ele. Abel já foi e Grimi nunca será… Reforços precisam-se
Meio campo, o sector mais forte da equipa e de quem nós tanto esperávamos, Veloso foi pau para toda a obra, defesa esquerdo, médio defensivo, interior e extremo esquerdo e interior direito, com tanta voltinha aprendeu a marcar golos. Moutinho acompanha o seu amigo no carrossel de posições e talvez por já o fazer há mais anos esteve pior do que o normal mas não se vislumbra quem faça melhor. Mátias é a surpresa, 28 jogos, é muito mais do que eu diria que ele jogou e se tivesse baseado esta equipa em minutos de certeza que percebia a razão, alguém se lembra de um jogo completo do Matias? Eu também não. Estabilidade precisa-se.
Ataque, quando uma equipa que joga em 4-4-2 só tem 3 jogadores do meio campo com mais de 18 jogos algo correu mal. No ataque passa-se o contrário, é Liedson e sus muchachos. Tanto experimentaram que Liedson nunca teve sossego ou um amigo fiel, mas três mosqu(i)eteiros que zumbiram à sua volta e que no que se refere a poder de finalização e golos pouco acrescentam. Remates precisam-se.
Avaliação global - 7,5 valores. Com o conselho para este grupo se candidatar às novas oportunidades.
por LMGM
PS: decidimos fazer uma avaliação conjunta da época 2009/10, com quando um dos editores a responsabilizar-se por um tema. A avaliação incidirá sobre os 3 agora editados, a SAD, a equipa técnica de Paulo Bento e o plantel, seguindo-se a equipa técnica de Carvalhal, e a participação nas competições Liga Sagres, Liga Europa, Taça da Liga e Taça de Portugal. Fica à vossa disposição a caixa de comentários.