Do Mundial para Alcochete
Portugal joga amanhã uma cartada decisiva, como o serão todas até ao final da participação no Campeonato do Mundo. Em boa verdade, numa competição deste género, todas as partidas o são. Por exemplo, é por termos ficado em 2º lugar do grupo que jogamos com a Espanha e não com o Chile, teoricamente mais acessível.
A discussão parece estar agora centrada no seleccionador e nas suas capacidades. Discussão essa que tem por base o percurso do seleccionador e o legado do seu antecessor. Não creio que o trabalho de Queiroz tenha a temer com as comparações, seja com Scolari ou mesmo com os que o antecederam. Cumpriu, quanto a mim todas as obrigações, não dispondo, a meu ver, de tanta qualidade em quantidade para recrutar como os anteriores seleccionadores. E foi a qualidade do seu trabalho que fomentou uma das gerações mais talentosas do futebol nacional, que não chegou a gerir na plenitude dos seus recursos.
É minha opinião que o futebol nacional tem muito a ganhar com a sua capacidade de trabalho e organização, mas nem tanto com ele sentado no banco. Se pudesse fazer uma parábola sobre Queiroz, diria que o vejo como um excelente despenseiro, que domina todos os segredos do economato, mas que não resiste á tentação de ser cozinheiro, lugar de maior exposição. Mas na hora de temperar (fazer equipas, ler o jogo e alterá-las em conformidade) falta-lhe a mão certa. Uma questão que o seu amor-próprio terá de resolver: ser um excelente despenseiro ou um bom cozinheiro.
Neste momento é indiscutível que Queiroz conseguiu já o mais “fácil”, que é dotar a equipa de uma estrutura defensiva sólida e se entendermos como fácil estar 18 jogos sem perder e 3 jogos num Mundial sem sofrer golos. Ser a equipa mais concretizadora é igualmente excelente, mas há uma sombra nesses números: foi alcançada ante a equipa mais fraca, num jogo só. Aos melhores não conseguimos marcar. Parece pois faltar o mais difícil, que é estender a equipa de uma área à outra e marcar. Se bem que para passar “bastará” não sofrer golos e não falhar nenhum penalty…
Por Alcochete já trabalha Paulo Sérgio há uma semana. Ao contrário de Queiroz, não tem passado que lhe pese ou que o recomende. Mas isso pouco ou nada importará se tiver valor. É indiscutível que tem uma tarefa difícil e começou-a da melhor forma, impressionando os Sportinguistas na primeira entrevista. Mas o vento dos resultados leva para longe as palavras e as boas intenções. Ao contrário de Queiroz, não lhe bastará começar a competição com uma boa solidez defensiva. As responsabilidades do Sporting exigem dominar os diferentes momentos do jogo com igual competência, até porque o campeonato, a nossa principal meta, ganha-se ante adversários que recuam atrás da linha da bola. E fazem-no, grande parte delas, com maior eficácia que a Coreia do Norte.
Depois das épocas anteriores terem diluído muito valor e da revolução no plantel em curso, é difícil de avaliar o que se poderia aproveitar de bom para a época já a decorrer. É por isso que aguardo com muita curiosidade os jogos que se aproximam.
Actualização: Paulo Sérgio em conferência de imprensa:
«Moutinho será um dos meus capitães»
«Jogadores podiam ter-se cuidado melhor nas férias»
(conta com Izmailov) «Entendemo-nos às mil maravilhas
Stojkovic não conta e «boa sorte» a Vukcevic
«Via com bons olhos o Hugo Viana»









































