Perfil e reflexão - Leitura obrigatória!
Já foi dito e escrito tudo sobre o caso Moutinho. Do muito que se disse e escreveu há 2 artigos que me parecem merecer reflexão e discussão. Se assim não for merecem seguramente o seu registo para memória futura. Daí eu os ter canibalizado e aqui copiados em partes, mas, por valerem pelo seu todo, recomendo a sua leitura integral. Na Bancada Nova e nos Monos da Bola. Obrigado PLF, obrigado Cisto.
REFLEXÃO:
(...) Assim decorre a novela Moutinho. Como seria de esperar, o que nao falta na internet e blogosfera sao acusações ao caracter do homem, a comparação com o Manuel Fernandes (como se fosse verosimel que o antigo capitão do Sporting abdicasse da sua individualidade em prol de uma direcção como esta) surge 150 vezes em cada thread, e pelo menos (serei generoso) metade dos sportinguistas estão convencidos de que o Moutinho não era sequer bom jogador, não marcava golos, não fazia assistências, não roubava bolas e que enfim corria muito lá isso corria. Não hesitam em considerar que o mau futebol do Sporting de resto devia-se ao Moutinho. Chamam-lhe de anão (havera insulto mais basico do que chamar de anão a uma pessoa de baixa estatura?) e jura-se a pes juntos que o que o Sporting precisa é de médios experientes (venha o Paredes outra vez). (...)
(...) Assim decorre a novela Moutinho. Como seria de esperar, o que nao falta na internet e blogosfera sao acusações ao caracter do homem, a comparação com o Manuel Fernandes (como se fosse verosimel que o antigo capitão do Sporting abdicasse da sua individualidade em prol de uma direcção como esta) surge 150 vezes em cada thread, e pelo menos (serei generoso) metade dos sportinguistas estão convencidos de que o Moutinho não era sequer bom jogador, não marcava golos, não fazia assistências, não roubava bolas e que enfim corria muito lá isso corria. Não hesitam em considerar que o mau futebol do Sporting de resto devia-se ao Moutinho. Chamam-lhe de anão (havera insulto mais basico do que chamar de anão a uma pessoa de baixa estatura?) e jura-se a pes juntos que o que o Sporting precisa é de médios experientes (venha o Paredes outra vez). (...)
(...)Eu não espero que as pessoas questionem o que terá motivado a dita incompatibilidade do Moutinho ou de como será possivel que ao fim de 11 anos se conclua que afinal o individuo e do mais ordinario que possa haver, isso seria pedir muito da capacidade critica. Mas que se indignem por se permitir que um cidadão honesto, que fez a sua formação, trabalhou no duro, pagou impostos e teve até reconhecimento internacional, representando a Selecção Nacional por dezenas de vezes em varies escalões, veja a sua dignidade posta em causa (utilizando um eufemismo) em conferência de imprensa, apenas para que a pele de uns escape ao escrutinio publico e o minimo que poderei alguma vez exigir. O publico, esse, pega na deixa de JEB e chama Moutinho de ser um “furunculo”, um “filho da puta”, um “cabrão”, etc, etc. Há mais pudor em condenar as palavras de Bettencourt do que em adicionar adjectivos ou comparações do mesmo grau ordinario das do presidente. É tudo muito triste.
Tudo isto levou-me a reflexão do que é que me faz ser sportinguista e preocupar-me com os seus assuntos. O que me faz vibrar com as suas vitorias e sofrer com as derrotas, mesmo estando a residir no estrangeiro? Ate há algum tempo atras, tem sido a identificação com as suas cores e historia, o sentimento de pertencer a um grupo de pessoas com ambiçoes (desportivas) semelhantes, a recordação do abraço espontaneo a um desconhecido sentado ao meu lado no Estadio do Jamor, em suma, o orgulho de se saber um segredo partilhado por uma espécie de minoria.
Temo que já nada disso existe. Tenho pouco que ver com o Sporting e seus adeptos. Entrou-se numa fase da estupidificação, da qual não quero fazer parte e da qual não vejo saída.
Por Cisto, in Monos da Bola
- // -
PERFIL:
Se a ideia de Costinha era cortar a direito relativamente a um passado inglório, o que tem demonstrado é que – depois de cortar uma jugular – se prepara para decapitar o Sporting.
E o pior é que alguém que não é capaz de reconhecer valor onde ele existe não ficará por aqui. Com Costinha, a insatisfação e a revolução serão permanentes, porque errou no diagnóstico e as soluções para o sucesso desportivo não estarão presentes.
E é porque havia muitos idiotas que desejavam ver sangue que isto está a suceder. A “culpa” é de uma conformação de um discurso que sempre aligeirou as próprias responsabilidades. Como se vem dizendo há muito, foi reiteradamente transmitida a ideia de que a "culpa" seria “do projecto assente na formação” quando na realidade era esse mesmo projecto que permitia sobreviver e tudo o que lhe fosse à margem (jogadores contratados, política desportiva, alianças com adversários, etc.) resultou apenas na destruição de valor.
Cheguemos então ao que mais interessa…
Como foi possível passar esta mensagem?
Como foi possível chegarmos a um ponto em que a política de terra queimada parece ser, para alguns, uma solução inevitável?
Foi possível por décadas de irresponsabilidade directiva e – sobretudo – pela tradição muito portuguesa de apreço por figur(inh)as de autoridade. O português (e o sportinguista) gosta de pessoas que fazem do autoritarismo uma característica e, sintoma do marasmo cultural a que foi vetado o país durante décadas, não está habituado a pensar pela sua própria cabeça.
Só assim se podem justificar os anos de irresponsabilidade directiva sempre patrocinada, por todos os interesses em causa e nomeadamente pelos associados. Só assim se pode aceitar que um discurso forte mas vazio de conteúdo prevaleça sistematicamente. No que diz respeito a futebol, só assim se pode compreender que o importante seja “suar a camisola”, que se transmita a ideia que os treinos de pré-temporada devem ser um massacre físico e que um treinador deve ser – muito mais do que um técnico – alguém que os ponha a correr. Quando o nível de instrução é baixo, a capacidade crítica é nula.
E é por isso que vejo na dupla JEB-Costinha o caminho da autodestruição: juntam-se a ineptidão intelectual aos tiques de autoritarismo. Quando se age sobre o presente sem compreender o passado não se consegue prever o futuro.
Mas ainda há esperança. E é por essa esperança que devemos lutar.
Há esperança que finalmente haja alguém que, com mediatismo, possa explicar aos sportinguistas que nunca as decisões são simples e que raramente se consegue prever todas as consequências de determinados actos.
Há esperança que se levantem alguns sportinguistas - em desconforto com a (nova) política que renega aquilo que nos fizeram acreditar nos últimos anos, que renega um reduto de sportinguismo - que se levante e diga, alto e em bom som, que não acredita, que não se revê em purgas e que as revoluções só se justificam em casos extremos e que as consequências de uma revolução, ainda que justificada, podem ser devastadoras.
O sportinguismo acordou doente nos últimos dias, acordou sem referências. Haja alguém que o reponha no seu desígnio centenário.
Por PLF in Bancada Nova






















