Já estivemos pior
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| A enfermidade é cada vez mais evidente |
Nota introdutória:
No dia 21 de Abril escrevi sobre a escolha de Paulo Sérgio:
No dia 21 de Abril escrevi sobre a escolha de Paulo Sérgio:
“Não é o meu treinador quem eu reconheço não estar á altura dessa terrível missão de treinar o meu Sporting. Seria incoerente. Não lhe vejo passado, nada lhe vi de assinalável no presente, não lhe sinto futuro.”
(…) a dúvida é o pior preâmbulo de um mandato de treinador. Não enxergar isso faz-nos regressar à casa de onde partimos na época passada, quando JEB não percebeu o fim de linha de Paulo Bento I, e recear pelo que aí vem. Esta é a antítese da esperança mobilizadora tão necessária para a época que se avizinha.
(…) não esperava ver tão pouco depois de sensivelmente 3 semanas de trabalho. (…) E não me parece que esteja em vias de encarreirar. Se é verdade que melhores jogadores ajudarão é por demais evidente que era obrigatório fazer mais com os jogadores já disponíveis. A questão está no modelo que se pretende para o nosso futebol, cujas linhas mestras não se conseguem vislumbrar da bancada, e creio que nem o balneário o percebe bem, pelo que as exibições sofríveis não devem surpreender. A imagem que fica é uma equipa que trata a bola a pontapé, ignora a sua posse e não possui qualquer mecanismo colectivo a defender ou a atacar. (…) Se isto fosse uma corrida de fórmula um, diria que estamos a correr o risco de “pane” nas voltas de aquecimento, ficando obrigado a partir das boxes, com todas as implicações que isso tem nas nossas aspirações.
Ver agora os meus receios confirmados e até superados por uma realidade cruel em nada me alegra. Mas já estivemos pior. E porquê esta afirmação agora, naquele que parece o pior dos momentos? Porque se há dois meses atrás eram poucos os que se aperceberam das consequências de uma série de decisões que nos deixaram mais pobres e mais fracos, a actual situação do futebol do Sporting já deve ter produzido algum efeito na consciência dos adeptos. É que para mudar é preciso, em primeiro lugar, tomar consciência da necessidade e a urgência de o fazer.
O problema é o que fazer, como fazer e quem deve fazer a mudança.
Não vale a pena esperar por Paulo Sérgio que, ontem, depois de não ter conseguido corrigir nenhum dos defeitos que a equipa enferma de forma evidente, e depois de uma noite de horrores, ainda se atreveu a dizer que a equipa fez um bom jogo. Quem viu o S.C. Braga mudar ao intervalo, resolvendo o jogo em seu favor, perceberá melhor a importância de um treinador no contexto de uma equipa de futebol. É impossível dissociar os nossos problemas das acções do treinador. Os treinadores adversários sabem como nos vencer e nós não sabemos nem como nos defender nem como atacar.
Não podemos esperar por Costinha, uma vez que os equívocos da sua acção estão agora expostos de forma muito evidente. No entanto esperava, sempre esperei, muito mais dele. Se os seus erros podem ser aligeirados pela inexperiência e impreparação, é no mínimo estranho que tenha desaparecido ontem, como D. Sebastião em Alcácer Quibir. Até Salema Garção soube, numa situação delicada como a de ontem, dar a cara.
De JEB ninguém espera nada. O que é um erro, porque se deve esperar o pior. E como dizia ontem o JPS, na Centúria Leonina, JEB não é tolo. E prova-o a forma como soube controlar as vozes mais sonoras que o podiam contestar. Hoje a contestação à sua acção é feita de forma individual, por menos de uma mão cheia de blogger´s, não existindo qualquer movimento organizado que levante a voz. Como o conseguiu? Sabe-lo-emos em breve. Não deixa contudo de ser paradoxal que, tendo a Juve Leo impedido Mourinho de ser treinador do Sporting, ou chicoteado um treinador que levou o Sporting a uma final europeia ao fim de várias décadas, esteja agora mais mansa que um cão de porcelana na chapeleira de um carro, a abanar a cabeça. De facto JEB não é tolo.
Também não creio que a mudança se faça com uma revolução. O Sporting está hoje dividido em 4 grandes grupos: os que perderam qualquer interesse pelo clube, os que contestam a direcção e há muito alertam para o perigo, os que acham que se deve apoiar, “no matter what”, e os que nada pensam e, no fim de um jogo como o de ontem, abandonam Alvalade a falar do tempo, da economia, etc. Sejamos claros: depois de uma eleição de um presidente a roçar a unanimidade, não há ninguém que se atreva a avançar. Muito menos passado um ano como o que acabamos de viver, que, afinal, parece ser apenas um “trailler” suave do que se prepara para cair sobre as nossas cabeças. Se todos percebemos que Bettencourt não se demite, tem a palavra quem o elegeu.
Receio pelos tempos que aí vêm. O Sporting, cuja redução à “expressão belenenciana” me recuso a aceitar, está de facto remetido ao fundo de um poço. Ou aproveita muito rapidamente para, fincando os pés, impulsionar o salto, ou, de forma lenta e inexorável, definhará, deixando de ser o que é, habituando-se a chafurdar na lama onde se encontra.





























